
Um destes dias conversava com pessoa amiga sobre a importância da liderança nas organizações.
Seja nas empresas, nos clubes desportivos, nos partidos políticos, nas autarquias ou nos governos.
Entendendo-se a liderança como a capacidade de influenciar e motivar pessoas e equipas para a conquista de objectivos comuns alinhando as capacidades de cada um com a cultura própria da organização.
Valorizando qualidades importantes num líder como a comunicação, a empatia com os que com ele trabalham, a competência na tomada de decisões , a capacidade de desenvolver talentos.
Assim construindo a confiança na sua liderança.
Mas também a convicção de que a liderança é um exercício solitário porque como muito bem disse essa pessoa amiga a liderança não é a guarda partilhada de um cargo!
E recordo aqui dois casos em que tentativas de lideranças plurais correram mal.
Em final de Fevereiro de 1983 o PSD ainda traumatizado pelo desaparecimento de Francisco Sá Carneiro e pela queda do governo de Francisco Balsemão reuniu no Hotel Montechoro , em Albufeira, o seu décimo congresso nacional.
Por acaso o primeiro dos vinte e quatro em que estive presente.
Fruto dos delicados equilibrios internos de então a solução encontrada para pacificar as várias sensibilidades foi uma liderança partilhada a quatro.
Nuno Rodrigues dos Santos, uma figura de referência mas já idoso e doente, foi eleito presidente e depois tinha três vice presidentes respectivamente Carlos Mota Pinto, Eurico de Melo e Nascimento Rodrigues que eram quem na realidade detinham o poder partidário.
Foi uma solução de compromisso mas que não funcionou (o PS ganhou as legialativas em Abril) e um ano depois no congresso de Braga as coisas retomaram o seu curso nornal com a eleição de Mota Pinto como presidente do partido.
O outro caso de liderança partilhada que falhou é o da seleção nacional que disputou o Europeu de 1984 em França.
Otto Glória fora despedido e numa daquelas trapalhadas só possíveis no futebol nacional a seleção foi disputar a fase final do Europeu com quatro (!!!) treinadores.
Fernando Cabrita, José Augusto, António Morais e Toni sendo que os dois últimos eram uma espécie de delegados de Porto e Benfica que estavam lá para zelar pelo interesse dos clubes mais do que pelos da seleção.
Claro que deu confusão.
E ficou célebre a história de num treino com cada treinador a dar instruções diferentes o jogador Jaime Pacheco tenha agarrado na bola e com ela debaixo do braço pedido aos treinadores para se decidirem pela jogada que queriam.
Era uma boa seleção com jogadores da craveira de Chalana, Jordão, Jaime Pacheco, Gomes, Bento, Sousa, etc e que chegou, apesar da fartura de treinadores , á meia final da prova mas que debaixo de uma liderança única provavelmente tê-la-ia ganho.
A liderança é, de facto, um exercício solitário.
E a guarda partilhada de um cargo, como nestes dois exemplos referidos, tem tudo para correr mal e comprometer objectivos que de outra forma poderiam ser alcançados.
A História é um mestre precioso cujos ensinamentos nunca devemos esquecer.
Depois Falamos.
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