domingo, outubro 21, 2018

Dever Cumprido

Foto: zerozero.pt

A Taça de Portugal é uma prova mítica, de largo historial e tradição, mas infelizmente sem verdade desportiva por culpa daqueles que se acham "donos disto tudo" e de uma FPF que infelizmente lhes apara o jogo.
Porque para uma prova ter verdade desportiva precisa, desde logo e como característica fundamental, de ter regras iguais para todos independentemente da sua dimensão e influência nos bastidores do futebol.
E nesta edição, como em edições anteriores, de que adianta fazer sorteios condicionados à regra de o clube do escalão inferior receber na sua casa o clube do escalão superior se depois os "donos disto tudo" arranjam sempre forma de desviarem os jogos para estádios pseudo neutros mas em que eles desfrutam de todas as vantagens?
O que aconteceu com o Sertanense (Benfica) e com o Loures (Sporting) tem apenas uma definição:
Pouca vergonha!
E pergunto-me se o Portimonense (Cova da Piedade) e o Nacional (Lusitano de Vildemoinhos) também tivessem desviado os seus jogos para campos pseudo neutros teriam sido eliminados como foram aos jogarem nos estádios dos adversários que os eliminaram.
O Vitória, esse, cumpriu o seu dever.
Jogou em Valença do Minho, num pequeno estádio, os seus adeptos fizeram do jogo uma festa do futebol que mereceu a admiração dos adeptos e dirigentes adversários e a equipa levou o jogo "a sério" entregando-se a ele com grande profissionalismo e conseguindo um resultado dilatado mas adequado ao que se passou dentro das quatro linhas.
E embora a desproporção de forças não permita tirar grandes ilacções tem de ser considerar como muito positivo o facto de Estupinan ter aproveitado o tempo que lhe foi dado para fazer dois golos à ponta de lança, para outros avançados como Guedes,Boyd e Davidson também terem marcado e para a equipa ter estado globalmente bem.
Sexta feira frente ao Braga a "música" terá de ser bem outra mas este triunfo seguramente que terá contribuído para a moralização da equipa e especialmente dos seus avançados.
Depois Falamos.

sexta-feira, outubro 19, 2018

Excelente

A Dra Joana Marques Vidal foi uma excelente Procuradora Geral da República!
Ao contrário de alguns dos seus antecessores, desde o grande "Arquivador" ao grande "Encobridor", transmitiu a ideia clara de que a Justiça é para todos,sejam ricos ou pobre, famosos ou anónimos, e mais importante ainda a prática correspondeu à realidade como é bem visível em todos os mediáticos processos que por aí andam.
Mexeu com interesses poderosos, com personagens da vida financeira e da vida política que se achavam intocáveis, não receou investigar instituições e clubes desportivos que se achavam completamente acima das leis da República.
Devolveu aos cidadãos a esperança e a convicção na Justiça.
Que é um dos mais importantes e insubstituíveis pilares do Estado democrático em qualquer país em que a democracia seja uma realidade estável.
E por isso a sua recondução nas funções para um segundo e último mandato como PGR seria completamente indiscutível em qualquer outro lado que não neste país à beira mar plantado e que vive num regime semi presidencial que está a dar as "últimas".
Estamos em Portugal.
E por isso um governo incomodado com algumas das investigações com a cumplicidade de um presidente da República cujo peso político é inverso ao da popularidades "selfiezesca" substituíram Joana Marques Vidal de forma injusta face ao trabalho realizado e indigna face à forma como tudo foi conduzido em S.Bento e em Belém.
A História (e os eleitores assim espero) os julgará pelo péssimo serviço prestado à Justiça e a Portugal.
Depois Falamos.

Circunstâncias

A vida, toda ela e não apenas a política, é dinâmica e por isso é sempre muito ingrato avaliar o passado à luz do presente quando as circunstâncias, as pessoas, os condicionalismos mudaram e às vezes de forma radical.
É um pouco como avaliar os Descobrimentos à luz de critérios, valores e pressupostos éticos actuais.
Não faz qualquer sentido.
E por isso nunca me arrependi, em já muitos anos de vida política incluindo o ser cidadão eleitor desde 1979, das opções que fiz em cada momento por entender que elas eram as melhores e as que mais correspondiam ao meu pensamento e posicionamento.
E isso aplicou-se quer a eleições nacionais (autárquicas, legislativas e presidenciais) quer a eleições europeias em que de uma forma geral votei sempre no partido em que militei durante 43 anos ou nos candidatos por ele apoiados embora aqui ou ali com alguma....dificuldade.
A única excepção, tanto quanto me recordo, foram as presidenciais de 1991 em que pela única vez na vida me abstive porque era absolutamente incapaz de votar quer em Mário Soares quer em Basílio Horta,os principais candidatos, quer num dos outros candidatos que a elas concorreram.
Também nas eleições internas do partido em que fui militante optei sempre por um dos candidatos à liderança (naquelas em que havia mais que um candidato) e devo dizer que aí nunca tive razão para me arrepender independentemente de eles terem sido ou não eleitos.
Houve até casos, como José Manuel Durão Barroso e Luís Filipe Menezes, em que primeiro perderam e depois ganharam.
Noutras eleições, como por exemplo autárquicas e presidenciais, já tive uma ou outra vez (remotas e recentes) boas razões para me arrepender mas não o faço pela simples razão, atrás exposta, de que no momento em que votei entendia serem a melhor opção!
Depois percebi que me tinha enganado e que me tinham enganado, porque pareciam uma coisa e eram outra, mas foi...depois!
E desses pouquíssimos casos, pese embora o tempo que já passou (32 anos) , aquele em que estou mais perto do arrependimento foi o voto em Freitas do Amaral nas presidenciais de 1986.
Porque no momento pareceu-me a melhor opção mas de lá para cá foram desilusões atrás de desilusões com um personagem que é um exemplo acabado de falta de coerência ideológica e de enorme oportunismo político.
Nunca perceberei, mas em bom rigor também para nada me interessa, como é que alguém que foi vice primeiro ministro de Francisco Sá Carneiro conseguiu depois ser ministro num governo de José Sócrates e andar permanentemente de braço dado com uma esquerda e uma extrema esquerda que passaram anos a insultá-lo , a hostilizá-lo e até a perseguirem violentamente o partido de que foi líder noutros tempos.
Depois Falamos

terça-feira, outubro 16, 2018

A Obra

O meu artigo desta semana no jornal digital "Duas Caras".

No final do artigo da passada semana tinha anunciado que no de hoje escreveria sobre a comunicação social de âmbito local dentro da temática “Democracia e Informação” que tinha começado a desenvolver no referido artigo.
Contudo, e isto de formular opinião exige alguma flexibilidade temporal, um tema dos últimos dias parece-me merecer uma reflexão imediata face ao interesse de que se revestes e às implicações políticas e desportivas que encerra pelo que o artigo prometido ficará para próxima oportunidade.
Refiro-me ao lançar da ideia, e neste momento é apenas isso, de o Vitória vender os terrenos do complexo desportivo para um projecto imobiliário de significativa dimensão e com o dinheiro arrecadado no negócio construir um moderno centro de estágio fora da cidade e num espaço suficientemente grande para preencher todas as necessidades do clube para os próximos largos anos.
A ideia foi lançada por Júlio Mendes, em entrevista a “O Jogo”, e como é normal numa proposta que tem tudo para ser polémica face às idiossincrasias próprias do clube já divide opiniões quer nas redes sociais quer na assembleia geral  do passado sábado em que das poucas intervenções sobre o assunto não colheu grande apoio.
Penso que é uma ideia interessante, que merece uma reflexão alargada e uma ponderação serena tão ao arrepio do que é moda nas redes sociais, mas que pode ter pernas para andar se as coisas forem bem feitas.
Vejo ,à partida, dois problemas que poderão por em causa a realização do negócio :
A zona onde hoje se encontra o complexo desportivo “António Pimenta Machado” (que eu saiba o nome é esse e nenhum outro) tem já em redor do mesmo uma elevada densidade construtiva  e os terrenos onde está implantado não poderão permitir novas construções salvo se o PDM for alterado de molde a torna-los zona de construção.
E fácil será prever que qualquer tentativa de os urbanizar será fortemente contestada com argumentos ambientais, ecológicos e até de qualidade de vida.
Esse é um primeiro problema que só a Câmara poderá, em princípio, resolver nada podendo o clube fazer que não seja pressionar o município nesse sentido mas sem qualquer garantia de sucesso porque a autarquia quando se trata do Vitória para dar um “presunto” quer em troca um “porco”.
O segundo problema poderá ser o contrato de cedência dos terrenos pela Unidade Vimaranense ao Vitória.
Se bem me lembro de uns documentos que li largos anos atrás,quando desempenhava o cargo de secretário-geral do Vitória,  terá sido estipulado que a cedência desses terrenos ao clube se fazia sob a condição de eles não poderem ser alienados nem utilizados para outros fins que não os desportivos.
Posso estar errado mas creio que o  sentido era esse e dada a extinção da “Unidade Vimaranense” , anos atrás, creio que  ele nunca terá sido alterado.
São, a confirmarem-se, dois problemas muito complicados de ultrapassar .
Quanto à ideia em si ela parece-me muito positiva.
Aliás já na campanha eleitoral de 2010, que opôs as listas de Emílio Macedo e Pinto Brasil, a deste último defendia que se devia construir um moderno centro de estágio , no caso apenas para o futebol profissional, longe da cidade para que as equipas que nele trabalhassem pudessem ter todas as condições de tranquilidade , privacidade e reserva.
Defendendo até que uma parte separada desse centro de estágio devia ser para alugar a equipas estrangeiras que no inverno vem estagiar a Portugal afectando a receita desses alugueres aos custos de manutenção.
Mas a lista de Pinto Brasil perdeu as eleições e a ideia morreu.
Ressurge agora de uma forma mais global pretendendo levar para a zona de Silvares todo o futebol do clube, e não apenas o profissional, de molde a que o Vitória possa ter o seu “Seixal”, “Alcochete” ou “Olival” ultrapassando as lacunas do actual complexo desportivo que tendo sido pioneiro e inovador no seu tempo está hoje ultrapassado e sem espaço para a expansão que todos vemos como necessária.
É a minha opinião e com ela pretendo contribuir para o tal debate reflexivo e ponderado que permita num espaço de tempo razoável tomar as decisões certas naquilo que dos associados do Vitória depende.
Sabendo-se que um moderno centro de estágio potenciará a capacidade competitiva das nossas equipas de futebol profissional mas não fazendo da sua construção a condição única para que essa competitividade exista.

segunda-feira, outubro 15, 2018

Luar


Farol de Leça da Palmeira


Pinguins

Foto: National Geographic

A Taça

O meu artigo desta semana no zerozero.

Não há no futebol português nenhuma prova que tenha a amplitude geográfica e afectiva, porque nela participam equipas de todo o país, da Taça de Portugal.
De Norte a Sul, de Este a Oeste, nos dezoito distritos do continente e nas regiões autónomas há equipas a participarem na prova, a sentirem o seu sortilégio, a sonharem com a presença na final do Jamor para inscreverem o seu nome na História do nosso futebol.
É certo que só duas lá chegam, e algumas por repetidas vezes, mas enquanto há vida há esperança e por isso até os clubes mais modestos quando iniciam a sua participação na Taça fazem-no com a expectativa de conseguirem chegar ao jogo derradeiro ou então, o que é apesar de tudo menos improvável, conseguirem encontrar-se pelo caminho com uma equipa da primeira liga e se possível uma daquelas que como Benfica, Porto, Sporting ou Vitória Sport Clube garantem receita de boa dimensão.
Já por diversas vezes ao longo dos anos, e algumas aqui no zerozero, tenho manifestado a minha frontal discordância com o facto de a final se disputar no Jamor que considero um estádio sem condições para um jogo dessa envergadura por mais que o folclore dos piqueniques na mata, o ar helénico das bancadas e a tradição sirvam para a defesa desse palco para esse jogo.
Quem tiver assistido lá à final de 2017 entre Vitória e Benfica perceberá bem o que estou a dizer.
Mas o tema que hoje quero abordar não se prende com o estádio em que se joga a final mas sim com os vários jogos em que se deviam disputar jogos da taça e não se disputam face à realidade mentirosa do nosso futebol.
Um dos sortilégios que sempre contribuiu para a popularidade da Taça de Portugal foi o facto de ela proporcionar a visita ao interior do país, normalmente arredado da primeira liga, das equipas que as populações dessas zonas normalmente só veem através da televisão e que apenas na Taça tem a possibilidade de ver ao vivo.
O que somado à possibilidade de o clube mais fraco  a jogar em casa, num recinto a que já está habituado e com apoio do seu público, se tornar num “tomba gigantes” acresce uma substancial dose de mística à prova.
Mas estamos em Portugal.
E por isso ao contrário do futebol verdadeiro, o que se disputa em países como Inglaterra, Espanha,Alemanha, Itália ,etc, onde essas manobras seriam impossíveis, no Portugal actual (dantes não era assim) mal algumas equipas sabem o seu destino ou seja a casa do “pequeno” a que se deslocam começam logo a arranjar pretextos para levarem o jogo para outro campo que lhes seja mais propício.
Ou é o relvado que não serve, ou os balneários que não tem condições, ou as bancadas possuem pouca lotação, ou não há condições para a transmissão televisiva, ou qualquer outro pretexto que lhes permita transformar um jogo com algum grau de dificuldade num passeio agradável e pouco cansativo.
Normalmente os interpretes destas manobras são Benfica,Porto e Sporting.
Que com essas manobras, em que às vezes se insere a oferta ao anfitrião da totalidade da receita, conseguem deturpar por completo a verdade desportiva da competição transformando-a numa prova em que há filhos e há enteados.
Como em todas as outras aliás.
Veja-se a titulo de uma das centenas de exemplos possíveis ao longo dos últimos trinta anos o que se vai passar no próximo fim de semana.
Enquanto o Vitória vai ao campo do Valenciano, o Braga ao do Felgueiras, o Nacional ao do Lusitano de Vildemoinhos, o Moreirense ao do S. Martinho, o Chaves ao do Pedras Salgadas, o Vitória Futebol Clube ao do Armacenenses, o Marítimo ao do Moura, o Feirense ao do Mirandela e até o Porto ao do Vila Real  (este ano não terão conseguido deslocar o jogo para outro lado), entre outros exemplos possíveis o que acontece com Benfica e Sporting?
O Benfica em vez de ir à Sertã, como aconteceu por exemplo com o Porto em duas ocasiões, conseguiu desviar o jogo para o estádio Cidade de Coimbra com o pretexto de que o relvado do Sertanense não estava em condições e tem um jogo europeu na semana seguinte.
O Sporting em vez de ir a Loures jogará noutro estádio (à hora a que escrevo ainda não se sabe qual) em que as dificuldades serão presumivelmente menores com o argumento da lotação e da iluminação serem insuficientes.
Claro que os dirigentes dos visitados são seduzidos por receitas muito maiores (e com a tal nuance de às vezes até poderem ficar com a totalidade) e anuem à pretensão dos visitantes fazendo tábua rasa do interesse dos seus adeptos que apoiando as suas equipa ao logo de toda o ano bem gostariam de ter esses jogos nos palcos habituais.
Há que dizer que isto não é sério, não respeita a verdade desportiva, não defende os interesses do futebol.
E é pena que ninguém queira tomar medidas para acabar de uma vez por todas com esta autêntica pouca vergonha que transforma uma prova fantástica como a Taça de Portugal num arranjinho para favorecer alguns no percurso para o Jamor.
Mas estamos em Portugal.
E o futebol português é isto!

domingo, outubro 14, 2018

Boa Onda

É indiscutível que a selecção nacional está numa dinâmica de vitória independentemente do adversário e das experiências que Fernando Santos vem fazendo na equipa para fazer frente a abaixamentos de forma, ausências mais ou menos...inexplicáveis e jogadores que pela lei da vida vão terminando as suas carreiras.
Não é certamente por acaso que o seleccionador já deu a internacionalização a trinta e oito jogadores incluindo as estreias , hoje, de Hélder Costa,Pedro Mendes e Cláudio Ramos que cumpriram os seus primeiros minutos como internacionais A.
Depois do triunfo na Polónia, em jogo a contar para a Liga das Nações, hoje foi a vez de visitar a Escócia (longe dos seus melhores tempos) para um particular que tinha como objectivo rodar jogadores menos utilizados e em simultâneo permitir ao treinador ver em acção alguns estreantes bem como jogadores que ultimamente não tinham sido chamados.
Por isso procedeu a dez alterações no equipa inicial em relação ao jogo anterior, apenas se mantendo Rúben Dias ele próprio com muito pouca experiência ainda em termos de selecção, nas quais algo inexplicavelmente não se incluiu Cláudio Ramos que apenas jogou os últimos minutos (não sei que dúvidas tem em relação a Beto e que futuro tem este na selecção aos 36 anos...) mas da qual fizeram parte o estreante Hélder Costa e os quase estreantes Kevin Rodrigues, Sérgio Oliveira e Bruma.
E Portugal não estranhou as rotações fazendo uma exibição tranquila, especialmente a partir da meia hora de jogo, controlando completamente o adversário e desenvolvendo algumas jogadas de bom recorte sem nunca descurar a segurança defensiva.
Fez três excelentes golos por Hélder Costa, Eder e Bruma e sofreu um no ultimo minuto do jogo, no melhor lance de ataque dos escoceses, que deram ao resultado uma expressão justa e que se adequa ao decorrido ao longo dos 90 minutos.
Dir-se-à que esta Escócia é hoje uma equipa de terceiro nível europeu mas isso não retira mérito a Portugal que também jogou, sem desprimor para os utilizados, com quase uma equipa B face às ausências ou não utilizações de Ronaldo, Bernardo Silva, Rui Patrício, André Silva,Pepe, José Fonte,William Carvalho Quaresma,etc.
Dos estreantes há a registar a prometedora exibição de Hélder Costa enquanto Pedro Mendes e Cláudio Ramos tiveram muito pouco tempo de jogo para se poder fazer qualquer tipo de juízo sobre as suas exibições. Outras oportunidades terão assim se espera.
Em suma a seleção está numa boa sequência de triunfos (Itália,Polónia,Escócia) a que urge dar consequência nos jogos do próximo mês em Itália e com a Polónia em Guimarães.
Depois Falamos