Dos quarenta a três congressos do PSD o do passado fim de semana terá sido daquele que mais me passou ao lado em termos de seguir o que lá se passou.
Porque não considerando os vinte e quatro em que estive presente os outros procurei sempre segui-los pelas televisões, mesmo depois de deixar de ser militante do partido, porque os congressos do PSD para quem gosta de política são sempre um espectáculo e completamente inigualáveis.
Este passou-me ao lado quase totalmente porque era, também, um congresso sem grande história dado não ter havido disputa nas directas, o partido estar à frente do governo e a liderança do Luís Montenegro completamente indiscutível.
Ainda assim assisti a três ou quatro momentos.
O discurso inicial do presidente do partido por curiosidade em ouvir o que tinha para dizer sobre vários assuntos e depois de forma mais ou menos casual, fruto de zappings durante jogos do Mundial, ouvi a sua intervenção a anunciar os nomes que iria apresentar aos orgãos, o discurso quase todo da ministra do trabalho e a intervenção de Pedro Santana Lopes.
E sobre esses quatro momentos que vi direi sucintamente o seguinte.
O discurso inicial foi dentro do esperado defendendo a acção governativa, criticando a opoição que bloqueia reformas, mostrando entusiasmo pela dinâmica do governo e apresentando as linhas mestras da moção de estratégia que como aconteceu a qualquer outra do passado "morre" cinco minutos depois do congresso estar encerrado.
Sobre a intervenção em que anunciou os nomes, que seria aquela fossem quais fossem os nomes, direi apenas que tenho muita pena que o exemplo de Francisco Sá Carneiro tenha sido há muito esquecido no PSD. Porque em 1979 e 1980 quando foi primeiro ministro separou totalmente partido e governo (a começar por ele próprio) definindo que quem estava no governo não estava na direção do partido e quem estava na direção do partido não estava no governo.
Não foi essa a opção de outros líderes e não foi essa a opção de Luís Montenegro neste congresso.
"Encheu" a CPN de ministros e presidentes de câmara naquilo que foi fechar o partido em torno de um núcleo duro em vez de o abrir a outros nomes e outras perspectivas ficando a minha curiosidade em perceber como ministros de um governo minoritário sob pressão constante das oposições e os presidentes de duas enormes câmaras como Lisboa e Porto vão ter tempo para se dedicarem à vida partidária.
Fica a curiosidade mas pouca porque a resposta é evidente.
Do discurso da ministra do trabalho guardei apenas os aplausos e os entusiasmo dos delegados o que me pareceu ,para lá da solidariedade face ao chumbo da reforma laboral, um toque a reunir do congresso em volta das políticas do governo e das reformas que está a tentar implementar o que foi obviamente positivo. Aliás, ao que li, aconteceu o mesmo aquando da intervenção da ministra da saúde.
Finalmente o regresso de Pedro Santana Lopes (PSL) ao PSD.
Não fiquei minimamente surpreendido porque de há muito, mais propriamente desde que Luís Montenegro se tornou líder, que achava isso mais que provável e que acabaria por acontecer mais cedo ou mais tarde.
Aliás PSL já tinha participado noutras iniciativas do PSD nestes últimos anos e era patente o seu apoio ao partido.
Sinceramente achei muito bem.
O PSD é a "sua " casa, as razões porque saiu diluiram-se no tempo, e não foi o primeiro nem será certamente o último destacado militante do PSD a regressar depois de ter saído em divergência com direções ou opções do partido.
Mota Pinto, Carlos Macedo, José Augusto Seabra, António Marques Mendes, entre outros, saíram do PSD e depois voltaram tendo nele exercido elevadas funções sem que a saída e posterior reentrada tenham sido óbice.
Com PSL creio que não será diferente até porque não acredito que o seu regresso signifique disputa por qualquer tipo de cargo dirigente mas apenas o apoio a quem lidera e um sinal importante de convergência de esforços na área política do PSD.
O tal toque a reunir que se percebeu em vários momentos do congresso.
E sobre o congresso do PSD é aquilo que me apraz dizer.
Depois Falamos.
Nota: Vi muitos comentários da área do PSD sobre o regresso do PSL. A maioria favorável, alguns discordantes e outros típicos dos que dizem o que pensam mas não pensam no que dizem. Nada que me admire nalguns simpatizantes e militantes do PSD que só não excomungam Pedro Passos Coelho porque não podem