
sexta-feira, outubro 30, 2026
Incómodo


Disse-o por mais que uma vez, e repito agora na introdução a este texto, que se pudesse votar nas eleições presidenciais do Brasil jamais votaria em Lula ou Bolsonaro por razões diferentes mas convergindo na convicção de que o Brasil merece bem melhor.
Mas não sendo eleitor resta olhar os resultados e exprimir três conclusões que geram no mínimo algum incómodo mas sem pôr em causa o resultado e menos ainda legitimando teses não provadas até agora de fraude eleitoral.
Lula venceu, Bolsonaro perdeu e talvez esse tenha sido o resultado menos mau para o Brasil embora só o futuro o possa confirmar.
E então onde está o tal incómodo.
Em três pontos.
Gera incómodo que no dia seguinte a a uma eleição num país democrático as autoridades queiram apreender o passaporte ao candidato derrotado.
Gera incómodo o não se perceber que numa eleição tão disputada que teve de haver segunda volta nessa segunda volta o candidato derrotado tenha tido entre zero e dez votos em mais de três mil secções de voto enquanto o vencedor teve centenas de milhares de votos nessas mesmas secções.
Qualquer entendido em estatística dirá que é simplesmente impossível.
Causa ainda algum incómodo o saber-se que o bloco político liderado por Lula foi amplamente derrotado na eleição de governadores estaduais, da câmara dos deputados e do senado federal enquanto ele venceu a eleição presidencial.
Sendo certo que é um incómodo pequenino porque a eleição presidencial é claramente diferente de todas as outras e ser eleito um presidente de esquerda e haver uma maioria clara de direita noutros orgãos não é fenómeno exclusivo do Brasil.
Basta pensar em Portugal por exemplo.
Seja como for a eleições está feita restando desejar que da próxima vez o Brasil possa virar definitivamente esta deprimente página de Lula & Bolsonaro.
Depois Falamos.
Incompreensível

Não sei as razões que levaram à rescisão do contrato entre Luís Tralhão e o Torreense.
Segundo o comunicado do clube a rescisão processou-se de mútuo acordo o que dizendo tudo acaba por não dizer nada porque falta saber em que residiu o referido acordo.
Sei que o treinador comandando uma equipa da segunda liga venceu a Taça de Portugal, o que nunca tinha acontecido com uma equipa do escalão secundário, apurando o clube pela primeira vez para as competições europeias e logo para a fase de grupos da Liga Europa.
Provavelmente uma das poucas equipas europeias a jogar essa fase militando num escalão secundário.
Na Liga Europa estreou-se com uma surpreendente vitória na Suécia, face ao Lillestrom, e depois registou duas derrotas sendo que a caseira (na casa emprestada de Leiria) resultou de um golo adversário já em tempo de descontos e na Hungria a expressão do resultado é completamente enganadora como quem viu o jogo sabe perfeitamente.
É verdade que no campeonato as coisas não estavam a correr particularmente bem mas até equipas de primeira liga e com potencial desportivo e financeiro incomparavelmente superior tem por vees dificuldades em compatabilizar boas carreiras internas com boas participações europoeias de que o F.C.Porto é esta época um claro exemplo.
De facto o futebol português, e o dirigismo desportivo em Portugal, são cada vez mais difíceis de entender.
Quanto a Luís Tralhão não terá seguramente qualquer dificuldade em encontrar um novo projecto, e seguramente com ambições bem superiores ao Torreense, para dar seguimento à sua carreira.
Porque é, de facto, um excelente treinador.
Depois Falamos.
quinta-feira, outubro 29, 2026
Quinze

Hoje fez um hat trick.
Aos 41 anos!
Faltam 15 para a mítica marca dos 1000 golos.
É português, chama-se Cristiano Ronaldo, e é o melhor futebolista de sempre.
Depois Falamos.
Knesset

As eleições para o Knesset (Parlamento de Israel) disputadas na passada terça feira estão ainda muito longe de estarem terminadas pese embora a contagem dos votos já ter definido os 120 deputados eleitos em representação de três blocos.
E ainda não estão terminadas não porque existem suspeitas de interferência estrangeira (desta vez não foram os hackers russos amigos de Trump) , nomeadamente do Catar, mas que não estão confirmadas nem porque o partido Likud de Benjamim Netanyahu acusa os adversários de fraude eleitoral o que também não está confirmado até ao momento, mas sim porque como é tradiocional em Israel nenhuma força obteve maioria e agora há que negociar a formação de uma.
E aí é que está o busilis da questão
O bloco de partidos liderado por Netanyhau elegeu 53 deputados, o bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot elegeu 48 e os partidos árabes (é, em Israel são permitidos partidos árabes) elegeram dezanove deputados quando anteriormente tinham apenas dez e são agora essenciais à formação de governo.
A questão é que enquanto Netanyahu não os quer no governo nem sequer fazer com eles um acordo parlamentar já Eisenkot também não os querendo no governo admite com eles fazer um acordo que viabilize uma maioria.
E por isso há várias dúvidas a esclarecer.
Se haverá governo?
Se Netanyahu chegou ao fim do percurso?
Se as suspeitas de interferência externa e de fraude se vão ou não confirmar?
Se uma eventual mudança de governo poderá mudar a atitude face aos palestinianos e influenciar a diplomcia regional.
O futuro mais ou menos próximo responderá a estas dúvidas que acabam por ser naturais num Estado democrático que foi a eleições num momento particularmente delicado em termos de política interna e externa.
Mas foi a eleições.
Democráticas.
Ao contrário de Gaza e da Cisjordânia onde há mais de vinte anos que não há eleições legislativas nem presidenciais porque os terroristas do Hamas não permitem.
E é disso que deliberadamente se esquecem muitos portadores de panos de cozinha e de bandeiras de um Estado que de facto não existe.
Esquecem-se da diferença entre uma democracia, ainda que imperfeita, e uma tirania sem qualidades nem méritos.
Depois Falamos.
quarta-feira, outubro 28, 2026
Entrevista

Se há entrevista que ouvi nos últimos largos tempos que simplesmente adorei foi esta.
De Luís Osório a Conceição Monteiro.
Que aos 92 anos mantém uma memória, uma clareza de pensamento, uma firmeza de convicções extraordinária.
Uma entrevista por onde passa parte importante da História do Portugal democrático na visão da militante número dois do PSD.
Uma entrevista absolutamente extraordinária (parabéns também ao Luís Osório) e absolutamente imperdível.
Depois Falamos.
https://www.youtube.com/watch?v=wD-bW_kdB3Q
Kane

A "Bola de Ouro" face a algumas escolhas polémicas dos últimos anos já não tem a aura de prestigio de outros tempos porque ou não se percebiam os critérios ou percebiam-se bem demais.
Mas, honra lhe seja feita, este ano foi atribuída com inteira justiça.
Harry Kane, um dos melhores goleadores mundiais da última década, fez uma temporada magnifica no Bayern e teve uma presença destacada no Mundial.
É uma atribuição justa por este último ano e de alguma forma também um prémio de carreira.
Depois Falamos.
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