segunda-feira, maio 25, 2026

Transtornos

Normalmente num jogo de futebol com vencedor o saldo é para um a alegria de ganhar e para o outro o transtorno de perder.
Por vezes o efeito alarga-se a terceiros quando se trata de descidas de divisão, títulos ou apuramentos europeus mas raramente acontece afectar tantos como aconteceu com a vitória do Torreense sobre o Sporting na final de ontem.
Que proporciona ao clube a sua primeira taça de Portugal e o primeiro apuramento europeu da sua história e logo com entrada directa na fase de grupos da Liga Europa.
Sobejas razões de alegria a contrastar com os transtornos causados a quatro outros clubes.
O primeiro afectado foi o Sporting, por perder a final, mas o efeito fica por aí porque na próxima época entra directamente na fase de grupos da Liga dos Campeões.
O segundo, e esse foi o maior transtorno, o Famalicão que se ia estrear nas competições europeias depois de uma época brilhante e fica agora de fora com o desgosto que é possível imaginar para todo o clube.
Falo por saber por exepriência própria o que isso é porque aconteceu várias vezes ao Vitória, nos últimos anos do século XX, que ficando em quarto lugar não foi à Europa porque nesses tempos havia apenas quatro vagas e às vezes a Taça trocava as voltas.
O terceiro é o Braga que por força do Torreense ocupar a vaga directa na fase de grupos da Liga Europa, empurrando o Benfica para as pré eliminatórias , se viu por seu turmo empurrado da Liga Europa para a Liga Conferência que, convenhamos, não é bem a mesma coisa.
O quarto é o Benfica que passa de uma entrada directa na fase de grupos da Liga Europa para a disputa da segunda pré eliminatória com a consequência de ter de começar a época bem mais cedo (o que normalmente se paga lá para o fim) e ver-se obrigado a disputar seis jogos para poder entrar na fase de grupos com tudo que isso significa de desgaste.
Em suma foi como que o desabar de um castelo de cartas para Sporting, Famalicão, Braga e Benfica.
Falta agora saber se  o Torreense tem o licenciamento da UEFA necessário a disputar a Liga Europa.
Sem o qual tudo voltará à primeira forma.
A ver vamos.
Depois Falamos.

Nota: Ontem nalguns comentários televisivos que vi a grande preocupaçao de alguns comentadores não era realçarem e louvarem a vitória do Torreense mas lamentarem, com ar de carpideiras, o facto de o Benfica ter de disputar as pré eliminatórias! De Braga e Famalicão nem falavam. Nada de novo!

Little Big Horn, Montana, EUA

Mabecos

Castelo de Falkenstein, Alemanha

Conselho de Estado

Não sei se não faria sentido o Presidente da República convocar o Conselho de Estado para analisar o resultado da final da Taça de Portugal.
Porque quem vê as reportagens televisivas, lê os jornais desportivos, repara no ar de funeral da maioria dos comentadores televisivos (já para nem falar dos textos nas redes sociais dos adeptos leoninos...) fica  com a suspeita que na tarde de ontem o país foi assolado por alguma tragédia de consequências gravissímas.
Mas se calhar o que aconteceu ontem foi apenas futebol.
Até porque ao contrário do acontecido na caminhada do Sporting para o Jamor ontem a arbitragem esteve em muito bom plano e nada há a apontar-lhe.
Houve futebol e houve Taça.
O Torreense ganhou e o Sporting perdeu ao contrário do que se vai vendo e lendo, como sempre acontece quando um dos três do costume perde com outra equipa que não constante desse lote, em que parece que a outra equipa não tem mérito e apenas há demérito do derrotado.
E não me venham a com a desculpa de maus perdedores de que a culpa foi do treinador.
É evidente que ontem em termos tácticos Luis Tralhão venceu Rui Borges ou o resultado não seria o que foi.
Mas uma equipa como o Sporting no último jogo de uma época longa, em que os automatismos estão mais que assimilados, nem devia precisar de treinador para vencer um adversário da segunda divisão tal a diferença de valores entre ambos os planteis.
Acontece é que ontem os jogadores do Torrenese foram melhores que os do Sporting.
Lutaram mais, tiveram muito maior entreajuda, foram tacticamente perfeitos, disputaram cada bola como se fosse a última, aproveitaram quase todas as oportunidades de golo.
E por isso ganharam.
Os jogadores do Sporting foram perdulários nas várias oportunidades de golo ( só na primeira parte foram três flagrantes), foram displicentes em vários momentos do jogo, falharam rotundamente nos lances dos golos do Torreense, deram a sensação nalguns casos de já estarem no Mundial.
E também por isso perderam.
Acusar o treinador é fechar os olhos à realidade dos factos.
Afinal talvez não valha a pena convocar o Conselho de Estado.
O que aconteceu ontem foi apenas futebol num grande momento da Taça de Portugal.
O Torreense ganhou e fez História.
O Sporting perdeu e daí não vem mal nenhum ao mundo, ao país e ao nosso futebol.
Para o ano há mais.
Depois Falamos.

domingo, maio 24, 2026

Depor

Tenho uma velha simpatia pelo Deportivo da Corunha. 
Por um lado porque conheço muito bem a cidade da qual gosto muito e onde já estive muitas vezes. 
Por outro porque me entusiasmei com as suas grandes equipas do final do século passado e inicio deste. Onde pontificavam grandes jogadores como Bebeto, Fran, Rivaldo, Mauro Silva, Valeron, Donato, Diego Tristan, Songo , Djalminha , Makay e os portugueses Pauleta e Jorge Andrade entre tantos outros. Vi com tristeza a forma horrorosa como perderam o titulo em 1993 com um penalti falhado no último minuto do último jogo do campeonato, com um Riazor mergulhado no desespero, e festejei com alegria o título conquistado em 2000. 
Os últimos anos foram maus para o Depor. 
Esteve oito anos nos escalões secundários, e metade deles na terceira divisão, mas essa descida aos infernos terminou hoje. 
Vencendo em Valladolid o Depor garantiu a subida à primeira liga na penúltima jornada do campeonato e em 2026/2027 estará de regresso aos grandes palcos. 
Um ano bom para La Liga com o regresso dos históricos Deportivo da Corunha e Racing de Santander.
Caso para dizer " en hora buena".
Depois Falamos.

Histórico

 É um lugar comum dizer-se que hoje o Torrense fez história mas é verdade.
Disputando a sua segunda final, setenta anos depois da primeira, a equipa de Torres Vedras soube contrariar todos os prognósticos e venceu um Sporting que era encarado por todos como favorito.
E ao vencer tornou-se a primeira equipa de sempre a vencer a Taça de Portugal jogando na segunda divisão.
E há que dizer que a vitória foi justíssima.
O adversário teve mais bola, rematou muito mais vezes , mas exceptuando uma bola no poste para as restantes o excelente gurdião torreense chegou e sobrou.
E a o triunfo até podia ter sido mais dilatado se não fora aquela incrível perdida com a baliza escancarada e sem ninguém entre os postes.
Quinta feira se saberá se o Torrense na próxima época jogará na primeira ou na segunda divisão consoante a segunda mão do play off face ao Casa Pia.
Para bem do futebol português, e sem desejar qualquer mal aos "gansos", é bom que o Torreense suba de divisão.
Porque vai jogar a Liga Europa entrando directamente na fase de grupo, os pontos europeus são importantes para o ranking português, e obviamente que se tiver de construir um plantel para a primeira liga terá mais possibilidade de conseguir um percurso europeu satisfatório do que com uma equipa feita para jogar a segunda liga.
As coisas são o que são
Mas para já é tempo de os torreenses festejarem este histórico triunfo e prepararem o decisivo jogo de quinta feira onde chegarão com uma moral altíssima.
Depois Falamos.

Nota: A alegria de uns é a tristeza de outros. Para além do Sporting esta vitória do Torreense tem reflexos noutros três clubes. O Famalicão fica fora da Europa, o Braga cai para a Liga Conferência entrando na segunda pré eliminatória e o Benfica terá de jogar também a segunda pré eliminatória da Liga Europa.

Farol de Finisterra, Galiza, Espanha

Orangotangos

Alquézar, Espanha

Tradição

Há tradições que com o passar dos anos não só se mantém como ate se reforçam de alguma forma.
Uma delas é a do número de espectadores nos estádios e consequente média de assistências.
Ano após ano, campeonato após campeonato, indiferentemente ao número de jornadas (30, 34, 38), sejam quem forem os clubes que se juntam aos tradicionais, é certo que o Benfica será o detentor da maior média de espectadores e o Vitória o quarto clube logo a seguir aos chamados "grandes".
É assim há muitas décadas, tantas que se perde nas brumas do tempo o início desta tradição.
Esta época assim foi uma vez mais.
Mesmo com o Benfica a ficar em terceiro lugar, longe do título  e o Vitória em nono e longe dos lugares europeus e até com a dispensável curiosidade de ter atingido o quinto lugar mas não na classificação geral e sim na dos clubes do Minho!
Enfim a média de assistências  é a muito parca  consolação para ambos face a expectativas que apontavam para bem mais no campeonato.
As coisa são o que são.
E o que quiseram que elas fossem.
Depois Falamos.

Atlético Cabeceirense

Tenho, por razões familiares, uma certa simpatia pelo Atlético Cabeceirense.
Conhecia o clube de outros tempos, nomeadamente quando andou pela III divisão, e até me recordo de no tempo em que José Maria Pedroto treinava o Vitória termos sido derrotadoes pelo Atlético Cabeceirense na final da Taça de Honra da Associação de Futebol de Braga uma prova já extinta e que se disputou entre 1978/1979 e 1992/1993 e na qual participavam todos os clubes do distrito que disputavam provas nacionais.
A talhe de foice recordo que apesar da derrota nessa final o Vitória foi o clube que mais vezes venceu a prova tendo-o feito por quatro vezes.
A verdade é que depois desses tempos aureos , e mesmo com a construção de um novo estádio municipal, o Atlético foi decaindo, mergulhou nos distritais e acabou por cessar actividade largos anos atrás.
E assim se manteve até que dois anos atrás um grupo de jovens cabeceirenses com ligações afectivas e familiares a essa primeira vida do clube resolveu, apesar de todas a sdificuldades incluindo o não terem campo próprio para jogar, dar-lhe uma segunda vida.
E assim foi.
Começaram naturalmente por baixo inscrevendo o clube na terceira escalão distrital (a que se chama primeira divisão) e na falta de instalações próprias utilizaram um campo pelado na freguesia de S. Nicolau com condições muito insuficientes para atletas e público (sei do que falo porque já lá fui ver vários jogos) mas foi o que se arranjou e mesmo assim fizeram uma época tranquila classificando-se a meio da tabela.
Este ano usando o mesmo pelado mas com uma equipa mais competitiva o Atlético fez um campeonato excelente e sagrou-se campeão da série F conseguindo a subida ao segundo escalão distrital ( a  chamada divisão de honra) que disputará na próxima época.
Já no "seu" estádio municipal, já num piso de relva sintéctica e não em pelado, já num escalão mais competitvo e interessante.
Mas para lá do sucesso desportivo acredito que a grande vitória do Atlético foi mesmo o entusiasmo que instalou nos adeptos , nomeadamente nos mais novos que nem nascidos eram na primeira vida do clube, que lhe permitiu ter regularmente assistências no campo  " António Gomes da Cunha", o tal da freguesia de S. Nicolau, de fazerem inveja a muitos clubes da  segunda liga e até a um ou outro clube de primeira liga.
E esse entusiasmo dos adeptos, essa captação continua de novos adeptos, o congregar da vila em volta do clube permitirá certamente ao Atlético Cabeceirense continuar o seu caminho tendo no horizonte, quem sabe, um dia chegar no mínimo ao campeonato de Portugal ou até à Liga 3.
Mas para já é preciso dando passos seguos estabilizar o percurso do clube.
Mais sócios, mais patrocinadores, diversificação das fontes de receita.
E depois pensando em subir ao primeiro escalão distrital ( chamado pró nacional) e a médio prazo aos campeonatos nacionais.
Mas isso pode ser o futuro de médio prazo.
Agora é o tempo de festejar um titulo e uma subida ao fim de apenas dois anos de actividade.
Parabéns Atlético Cabeceirense.
Depois Falamos.

Sugestão de Leitura

É um livro sobre politica, sobre História e sobre Espanha.
Excelente para quem gosta de política, de História e de Espanha.
E eu gosto.
E ainda por cima num género literário que aprecio muito como o são "Memórias".
Escrito na primeira pessoa pelo Rei emérito (ele não gosta muito da designação mas para já não há outra) é um retrato privilegiado sobre os anos finais do franquismo, a transição para a democracia e a Espanha dos últimos 50 anos.
Mas é também uma visão sobre a Europa e o mundo, as famílias reais europeias o os chefes de estado com que Juan Carlos se cruzou essencialmente nos trinta e nove anos do seu reinado mas também antes e depois desse período.
A história de alguém que viveu em vários países europeus, muito em especial em Portugal, que foi preparado para a chefia do estado espanhol sem ter a certeza se o seria, que escolhido pelo ditador Francisco Franco como sucessor soube criar as condições para a transição e consolidação do Estado democrático.
Nele se vê a opinião sobre momentos essenciais da História de Espanha como a tentativa de golpe de estado conhecida como 23 F ,que ajudou a contrariar, ou os Jogos Olimpicos de Barcelona e a Exposição Universal de Sevilha que ajudaram a projectar o país no mundo.
Mas também sobre os crimes da ETA ou o atentado da Al Qaeda na estação de Atocha.
Sem fugir a alguns temas delicados,como os diversos problemas familiares seus e das filhas, que são o que menos importa num livro como este.
Em suma 500 páginas que se leêm com enorme prazer e que deixam um vazio quando se chega ao fin do livro.
Pelo que não admirará que recomende vivamente a sua leitura.
Muito em especial para quem como eu goste de política, de História e de Espanha.
Depois Falamos.

Tigre

Campeões Mundo