terça-feira, junho 16, 2026

Vozinha

📷Projecto Memória

O futebol tem de facto coisas maravilhosas.
A história de Vozinha, o guarda redes da seleção de Cabo Verde, é uma delas.
Nascido nesse arquipélago africano fez toda uma carreira afastado das luzes da ribalta jogando em campeonatos de países futebolisticamente secundários, como Angola, Chipre, Eslováquia e Moldávia  e em Portugal sempre em divisões também secundárias representando actualmente o Desportivo de Chaves na segunda liga.
Pensar-se-ia que aos 40 anos já pouco mais faria no futebol e se o fizesse seria na discrição que o acompanhou durante toda a carreira.
Puro engano.
Fruto do inesperado apuramento de Cabo Verde para o seu primeiro mundial Vozinha teve a oportunidade de pela primeira vez na sua carreira aparecer num palco maior do futebol e ainda por cima no maior de todos como o é um campeonato do mundo.
E não desaproveitou a oportunidade!
Com a estreia de Cabo Verde face à Espanha, campeã europeia e para muitos a maior favorita a vencer o mundial, pensava-se que mais golo menos golos seria um passeio espanhol e a seleção africana faria o que pudesse para a cabazada não ser muito grande.
Outro engano.
Porque Vozinha aos 40 anos e estreando-se num mundial fez uma exibição verdadeiramente extraordinária e manteve a sua baliza inviolável perante o desespero espanhol e uma admiração em crescendo do resto do mundo ao ponto de o seu instagram em 90 minutos ter passado de cinquenta mil seguidores para um milhão e setecentos mil!
Foi óbvia e merecidamente o MVP do jogo e tornou-se na primeira grande figura deste mundial de forma absolutamente inesperada mas que prova bem o quão surpreendente pode ser o futebol.
E prova também que há sempre a oportunidade de cumprir sonhos, por mais inalcançáveis que pareçam, desde que haja talento, perseverança e convicção.
Depois Falamos.

Em tempo: O Instagram de Vozinha já está perto dos sete milhões de seguidores. Quanto poder tem o futebol!

Monument Valley, Arizona, EUA

"Deus" Khepri

Caranguejo

segunda-feira, junho 15, 2026

Recontagem

 
Este é o terceiro e último texto que escrevo sobre as eleiçõe do Vitória.
Li o comunicado da Lista C e o comunicado de resposta da Mesa da Assembleia Geral.
Não vou opinar sobre quem tem razão porque obviamente não estive lá no apuramento dos votos no pavilhão, desconheço a forma como se processou o apuramento dos votos por correspondência, não sei se facto houve ilegalidades ou se tudo correu da forma mais desejável.
Mas enquanto associado não posso deixar de dizer o seguinte até porque o Vitória tem de fechar este processo eleitoral e seguir em frente.
Os estatutos do clube, sobre os quais tanto tenho escrito, em nada impedem,  proibem, obstaculizam uma recontagem dos votos. Não proibem nem preveêm em bom rigor.
Mas dispõe no artigo 65 que nos casos omissos, como este, os orgãos a quem compete decidir o devem fazer segundo os principios gerais do direito e a equidade.
E por isso não vejo onde está o problema em se proceder à recontagem.
E se a lista C tem dúvidas sobre os votos expressos e sobre os votos por correspondência acredito que a lista D está perfeitamente convicta de que tudo se processou na máxima normalidade, que as contagens foram correctas e que venceu as eleições de forma transparente.
Uns terão razão e outros não como é óbvio.
Mas acho que no interesse do Vitória Sport Clube ambas as listas se deviam juntar no pedido de uma recontagem dos votos.
A lista C porque não acredita nos resultados e está convicta que são diferentes e a lista D para mostrar que "como quem não deve não teme" nada tem a recear de recontagem.
E com esse gesto mútuo de sensatez e vitorianismo seria possível fechar de vez o processo eleitoral e permitir que aqueles a quem toque a responsabilidade de dirigirem o clube possam iniciar o mandato sem o peso de qualquer tipo de suspeição.
Acho que o interesse do Vitória passa por aí e deve ser o único interesse a ser defendido.
Depois Falamos.

Primeiras Impressões

Disputados os primeiros jogos deste longo mundial e enquanto se espera pela desejada estreia da seleção nacional há algumas conclusões que se podem ir tirando daquilo que até agora se viu nestes primeiros dias de prova.
Para já, o que não é novidade, excelentes estádios e grandes assistências pese embora os bilhetes terem preços muito elevados pelo menos para a realidade dos adeptos da maioria dos paises participantes.
Quanto aos doze jogos já disputados tivemos oito triunfos e quatro empates não se podendo falar de especiais surpresas pese embora um ou outro resultado não estivesse nas previsões como sendo os mais prováveis.
Como foram os casos das vitórias de Austrália sobre a Turquia e da Coreia do Sul sobre a República Checa e dos empate de Japão com a Holanda, que alguns veêm como uma possível canddiata ao titulo, e de Qatar com Suiça.
Depois três goleadas com uma a ser esperada,  outra a ser surpreendente pela dimensão mas não pelo vencedor e a terceira a ser também ela expectável.
Esperado o massacre da Alemanha a um Curação que nunca pensou ver-se nestas andanças ,alguma surpresa não pela vitória mas pela dimensão da mesma dos Estados Unidos frente ao Paraguai mostrando que a seleção norte americana pode querer fazer uma gracinha e mais golo menos golo compreensível a vitória da Suécia sobre a Tunísia porque os suecos tem uma excelente equipas e certamente aspirações elevadas.
Chegados aqui alguns perguntarão se não houve surpresa no empate de Brasil e Marrocos.
Só para quem não viu o jogo porque para quem viu o empate foi lisonjeiro para o ...Brasil.
Porque Marrocos foi , em minha opinião, a seleção que até agora melhor jogou neste mundial e a mante ro nível pode chegar a fases bem adiantadas da competição.
Uma coisa é certa e Marrocos, Japão, Austrália e Coreia do Sul comprovam-no.
Nunca como hoje o futebol foi tão universal e mesmo países afastados dos grandes centros de futebol competitivo ( Essencialmente Europa mas também América do Sul) tem muitos jogadores seus naturais a jogarem nos melhores campeonatos e isso contribui para elevar o nível competitivo das suas seleções.
Pelo que com uma ou outra excepção (Curaçao, Jordânia, Haiti) não há adversários fáceis neste Mundial.
E algumas das seleções mais fortes já deram por isso.
Convém que Portugal também tenha isso presente.
Depois Falamos.

domingo, junho 14, 2026

"FIFAda"

 O jogador marroquino na imagem chama-se Ayyoub Bonnadi, tem 18 anos e joga no Lille.
No Lille e na seleção de Marrocos ao serviço da qual fez ontem uma monumental exibição frente ao Brasil naquele que terá sido até agora o melhor jogo desde mundial.
A defender, a atacar, a ligar o jogo esteve em todo o lado e meteu literalmente no bolso o meio campo do Brasil onde estavam consagrados como Casemiro, Paquetá e Bruno Guimarães.
Esperava-se que com toda a naturalidade fosse eleito como o MVP do jogo.
Mas qual quê.
A FIFA sempre atenta ao negócio, sempre defensora dos interesses dos mais poderosos, sempre servil a quem tem poder escolheu como MVP o brasileiro Vinicius Júnior.
Pela exibição? Seguramente que não porque não foi nada de especial.
Pelo golo? Foi bom mas o golo marroquino também e um golo não é uma exibição.
Então porquê?
Porque se chama Vinicius Junior, porque representa a seleção do Brasil e porque é jogador do Real Madrid.
E face a isso um jogador chamado Bonnadi, que joga por Marroco e é atleta do Lille não tem hipóteses perante as habituais "FIFAdas".
As coisas são o que são.
Depois Falamos.

Tigre

Exportações

Concorde

 

Legitimidade e Fragilidade

Nota prévia: Escrevo este texto no absolutamente desejável pressuposto de que as eleições de ontem terão decorrido na maior normalidade, transparência e legalidade sem qualquer tipo de irregularidades ou habilidades. Se assim não foi também não é a mim que compete pronunciar sobre o assunto e menos ainda tomar atitudes em função dele.
Na eleição mais renhida de sempre para um clube desportivo a lista encabeçada por Rui Rodrigues bateu a de Viriato Sampaio por escassos dois votos deixando as de Belmiro Pinto dos Santos e de Júlio Vieira de Castro a distâncias consideravelmente superiores.
Costuma dizer-se,  e é verdade, que por um voto se ganha e por um voto se perde e por isso a legitimidade de Rui Rodrigues é absolutamente inquestionável e ele será o presidente do clube no próximo triénio.
Mas dessa inquestionável legimidade não se pode separar a absoluta fragilidade com que iníciará o seu mandato.
Porque 70% dos vitorianos não o queriam nem à sua lista.
É uma taxa de rejeição absolutamente brutal.
Bem sei que esses 70 % se repartiam por três listas, com diferentes candidatos e projectos, mas estavam absolutamente unidos em não quererem Rui Rodrigues e a lista D à frente do destinos do clube.
Nunca em 103 anos de História um presidente iniciou o seu mandato tão fragilizado e sabendo que uma enorme maioria de associados não o queria como presidente.
É duro, pode ser até injusto, mas as coisas são o que são.
E por isso o grande desafio de Rui Rodrigues, mais que o financeiro e o desportivo que por sí só já são tremendos, é ter a capacidade de unir o clube.
Sabendo-se que no Vitória o primeiro factor de união é sempre o sucesso desportivo e por isso o novo presidente estará mais do que qualquer outro no passado, dependente da bola que entra ou bate no poste e vai para fora.
E aí, de alguma forma, fecha-se o circulo.
Porque a direção de que Rui Rodrigues fez parte, e em lugar de destaque, desbaratou o plantel dispensando jogadores essenciais (a quem apelidaram de vaidosos) e vendendo tudo para quem apareceram interessados e com um passivo que se agravou bastante neste último ano face à crónica falta de soluções de fundo, que foi a imagem de marca destes quatro anos, dificilmente terá meios para ir  ao mercado contratar jogadores à altura de corresponderem á expectativa dos 70 % que não o queriam como presidente já que para os restantes 30% está provado que qualquer coisa serve.
E por isso Rui Rodrigues sendo o rosto da continuidade, de uma continuidade que 70% dos vitorianos não desejavam,  corre bem o risco de ser dela vítima também.
Mas, repito, as coisa são o que são.
E por isso desejo sinceramente que Rui Rodrigues e a sua equipa consigam ultrapassar estas fragilidades, consigam unir o clube  e sejam capazes de encontrarem para o Vitória as soluções de que   desesperadamente necessita sob pena de o futuro poder ser muito negro.
Depois Falamos.

Nota: Desde 2010 que no meu blogue e noutros espaços escrevi vários textos referindo a necessidade de uma revisão esatutária que modernizasse os estatutos e introduzisse várias alterações incluindo a segunda volta em eleições sempre que na primeira não houvesse uma maioria absoluta de uma lista.
Ontem essa necessidade ficou exuberantemente comprovada. E foi pena que a proposta de revisão elaborada pela comissão de revisão de estatutos em funções não tenha sido levada a AG pela direção cessante para discussão e aprovação pelos associados. Teriam prestado um bom serviço ao clube!

sábado, junho 13, 2026

Povo

O povo é quem mais ordena.
O povo é sempre quem mais ordena.
O que não significa que orde sempre bem!
Dispensando-me de citar exemplos, não porque nãoexistam mas porque não vale manifestamente a pena, esperemos que hoje o povo vitoriano ordene bem.
E ordenar bem significa ser feliz na escolha que vai fazer.
Não era supsoto haver eleições este ano, apenas em 2028, mas as coisas são o que são e é em função delas que é preciso agir.
A existência de quatro listas demonstra a vitalidade associativa do clube mas a inexistência estatutária de uma segunda volta pode criar problemas atendendo a ser previsível que a lista vencedora fique longe dos 50% e portanto tenha bastantes menos votos que as listas derrotadas em conjunto.
Mas não vale a pena sofrer por antecipação e menos ainda face a um cenário que pode nem se verificar.
Hoje é dia de escolher bem.
Dia de escolher gente capaz, competente, séria, transparente, que goste realmente do clube e que seja capaz de ajudar a resolver os seus muitos problemas sem fugir às suas responsabilidades nem aos desafios que lhes serão postos.
Por mim exercerei o meu direito de voto optando pela lista que considero ser a que me transmite melhores perxpectivas de poder ajudar o Vitória nesta fase tão difícil da sua existência mais que centenária,
Boa sorte Vitória Sport Clube.
Depois Falamos.

Penoso

Tal como o título indica a tradicional procissão do Corpo de Deus não passa este ano no Martim Moniz como era habitual.
Piedosamente, e nem outra coisa era de esperar de um Patriarcado, foi explicado pelo mesmo que as razões se prendiam com levar a procissão a zonas onde normamalmente não ia e até a alargar o seu percurso face a anos anteriores.
De forma igualmente piedosa receio que a verdade não seja bem essa mas outra bem pior.
O Martim Moniz é hoje uma zona de Lisboa ocupada por praticantes de religiões bem menos tolerantes em relação a outros religiões do que a católica é tolerante com elas.
E por isso o Patriarcado para evitar possíveis incidentes desviou a procissão do Corpo de Deus para outras paragens reconhecendo implicitamente que o Martim Moniz parece não fazer parte do Estado português mas sim sendo uma região autónoma de um qualquer Califado.
É triste mas parece ser verdade.
E nem é um fenómeno que se circunscreve a Portugal porque já é frequente noutros países  da União Europeia onde os europeus vão recuando nas suas leis valores, e convicções  e cedendo posições nessas matérias  a imigrantes africanos, árabes, indianos e de outras regiões sempre em nome do politicamente correcto e sempre receando acusações de racismo e xenofobia.
É absolutamente penoso assistir a isto e perceber que ainda há ( a esquerdalha de que o PS não se consegue demarcar) quem queira impedir que o Estado se defenda, defenda os seus cidadãos e explique a quem quer para cá vir que ou vem para trabalhar, aceitar as nossas leis e costumes e respeitar as nossas tradições e valores ou então as portas estarão fechadas para os que cá chegam e querem impor-nos as suas formas de vida, a sua religião, os seus usos e em muito casos viver de sunsídios porque trabalhar não é com eles.
Hoje na Europa é preciso lutar sem receios nem cedências pela defesa da nossa civilização tal como é.
Livre, tolerante , democrática e inclusiva.
Mas casos como o do Martim Moniz são um mau indício quanto ao sucesso dessa batalha.
Depois Falamos.