sábado, maio 08, 2021

Reorganizar

Neste quadro, a que  faltam partidos mas que em nada prejudica a análise que a seguir se fará, está grosso modo o cenário da nossa política e aqueles que são os seus principais protagonistas.
Creio que do centro para a esquerda se pode falar de um quadro perfeitamente estabilizado com o PS, cada vez mais a inclinar-se para a esquerda e a afastar-se do centro, com o PCP e o BE como as três grandes forças partidárias que, desde 2015, quando necessário se entendem em defesa do "status quo" e que no resto do tempo fingem ser poder e oposição.
Também já só enganam quem quer ser enganado.
Temos depois o "Livre", nascido de uma fractura no BE, que com o disparate Joacine Katar Moreira se arrisca a ser varrido do mapa e o MRPP que é uma espécie de curiosidade arqueológica condenado a uma extinção praticamente certa num tempo não muito distante.
Há também o PAN, que ideologicamente ninguém sabe muito bem o que é (desconfio que nem eles próprios...) mas que como costuma alinhar à esquerda, dando a mão ao governo sempre que é preciso, consideremos para efeito de análise como de esquerda.
Em suma a esquerda tem a "casa" definida e arrumada pelo menos até ao dia em que o BE e o PCP/CDU, sabendo que o PS lhes está a dar o abraço que os sufocará, decidam cortar radicalmente com os socialistas.
Em bom rigor já ambos perceberam, com o BE a tentar distanciar-se e o PCP a tentar fazer de conta que é oposição, mas tem o rabo preso como se costuma dizer e ambos vão sair da geringonça mais pequenos do que lá entraram.
Do centro para a direita é que as coisas não estão nada famosas.
O PSD está mais ou menos na sua posição de sempre mas mais fraco que nunca e ninguém, salvo o circulo muito próximo da actual liderança, o vê como alternativa ao PS.
Sozinho é impensável e acompanhado cada vez mais problemático.
Depois há o Chega, claramente da direita pura e dura, que é nesta área política o único a quem a vida corre bem e continua a crescer a bom ritmo (embora as autárquicas não vão corresponder ao que delas esperam) a caminho de uma dimensão à direita equiparável à do BE à esquerda tornamdo-o no actual quadro indispensável a qualquer acordo governativo à direita se a questão se puser o que já é em si bastante duvidoso para os anos mais próximos.
Depois há PPM e MPT, nascido de uma já longínqua cisão nos monárquicos, que são partidos que dão jeito para formar coligações face ao seu perfil ecologista embora não tragam para esses "casamentos" um dote de votos com significado.
E vamos ao cerne da questão á direita.
CDS, Iniciativa Liberal e Aliança.
CDS em esvaziamento acelerado, Iniciativa Liberal em crescimento muito moderado e Aliança a procurar um segundo folêgo depois de duas eleições que lhe correram mal e de um surto pandémico de abandonos que não matou o partido mas o deixou naturalmente debilitado.
Creio que por si só cada um deles tem poucos hipóteses de ser relevante no futuro.
O CDS porque já foi um grande partido mas depois foi diminuindo até à liderança de Paulo Portas que lhe deu uma nova vida e o transformou num partido de governo em duas ocasiõess (com Durão Barroso/Santana Lopes e depois com Passos Coelho) mas com o fim do governoo Passos Coelho e o abandono da liderança do partido por Portas a queda tornou-se irreversível quer com Assunção Cristas quer com Francisco Rodrigues dos Santos que não é, manifestamente, um líder que convença quem quer que seja e contrasta com outras lideranças do passado exercidas por grandes figuras da nossa política como o citado Portas, Freitas do Amaral, Lucas Pires ou Adriano Moreira.
A Inicitiva Liberal, senhora talvez da melhor comunicação política de Portugal, tem um problema inultrapassável e que dificilmente lhe permitirá crescer para lá de um limite razoavelmente modesto  que é o facto de ser um partido das élites urbanas de Lisboa , Porto e pouco mais sem qualquer expressão em grande parte do país. 
E isso "condena-a" a nunca poder ser um grande partido capaz de disputar triunfos eleitorais mas apenas um partido que pode integrar coligações mas nunca as liderará.
Aliás basta ver a forma como abordaram as próximas autárquicas, de nariz empinado parecendo que não precisam de ninguém quando a realidade é a de não conseguirem ter listas em praticamente lado nenhum, para se perceber o que atrás foi dito relativamente a élites.
Quanto à Aliança foi fundada em 2018 e cresceu a bom ritmo até ao congresso de Évora (única altura em que foi um grande partido como costumo dizer) que foi um sucesso e acelerou o crescimento até às eleições europeias nas quais sofreu uma enorme desilusão com a não eleição de Paulo Sande.
A partir daí as coisas pioraram; Gente que era para entrar já não entrou e outra que tinha entrado começou a pensar se não seria melhor dar um passo ao lado a preparar o passo atrás e isso levou a que o partido chegasse às legislativas mais frágil do que seria suposto.
Correram mal, deu-se a tal pandemia de abandonos nos meses seguintes, e agora o partido procura uma segunda vida nas autárquicas participando em várias coligações de norte a sul e concorrendo em listas próprias nalguns concelhos (Torres Vedras, Amares, etc) em busca de uma representatividade autárquica que será pequena mas existirá.
Dito isto parece-me evidente que a direita tem de se reorganizar e essa reorganização deverá começar por estes três partidos - CDS, IL, Aliança- que do meu ponto de vista teriam tudo a ganhar se se fundissem num  único partido, liberal e de direita, aproveitando aquilo com que cada um dos três pudesse contribuir para essa futura organização e superando as naturais , mas não inultrapassáveis, diferenças programáticas entre eles.
Dando de barato que o PSD um dia equilibrará forças com o PS (como ao longos de tantos anos aconteceu) e o Chega compensará à direita o peso do BE à esquerda este novo partido deveria ter como objectivo primeiro o atingir um peso eleitoral idêntico ao da CDU para que de facto o quadro político ficasse equilibrado e não a pender claramente para a esquerda como actualmente.
Sei que é um desafio difícil.
E que os pequenos egoismos, as pequenas vaidades, as pequenas presunções tornam muito difícil esse entendimento e essa fusão.
Mas estou certo que se isso não acontecer o futuro nada trará de bom a CDS, Iniciativa Liberal e Aliança.
E, pior ainda, nada trará de bom a Portugal.
Depois Falamos.

S. Petersburgo

Macacos

Jardins

Ponto

 
Foto: Mais Guimarães
Um ponto importante , em casa do principal adversário, rumo à Liga 3.
Uma boa exibição do Vitória B em que gostei particularmente de Lucas Soares, Bisseck e Dinis. Saliência também para Tomás Handel que depois de falhar uma grande penalidade aos 4 minutos não vacilou na marcação daquela que deu o empate ao Vitória já perto do fim.
O árbitro Paulo Barradas usou um critério na marcação dos penaltis que deram os dois golos que não se vê, e mal, na primeira liga; puniu, e bem, cargas dos guarda redes sobre os avançados em cruzamentos para as áreas quando o que normalmente se vê nesses lances é a marcação de faltas ofensivas.
Em suma uma jornada positiva para o Vitória e mais uma boa transmissão do Canal 11 o verdadeiro serviço público de televisão no que toca a futebol.
Depois Falamos.

sexta-feira, maio 07, 2021

Limoeiro

Aqui há uns anos atrás, com a preciosa ajuda de quem da matéria percebe mais do que eu, plantei um limoeiro.
Comprado num horto, sendo apenas um pequeno e delgado tronco sem folhas nem flores, foi plantado num pedaço de terra razoavelmente abrigado do vento e especialmente das nortadas tão típicas na região e amparado por duas pequenas estacas para o ajudarem a fixar-se enquanto não criava raízes.
Regava-o regulamente, ia-o limpando de parasitas e insectos, tirando uma outra folha devastada pelos caracóis e o pequeno e bravo limoeiro lá foi crescendo ao seu ritmo e fazendo frente a todas as adversidades.
E quando um ou outro vizinho se detinha a olhar para ele e a vaticinar-lhe um triste fim, por entenderem que ele não se desenvolvia tão rapidamente como seria desejável e que não passava de um pequeno tronco, eu apenas respondia que era preciso dar tempo ao tempo e que um limoeiro não era uma espécie de árvore  quase  instantânea que desde que se deita á terra até dar limões são apenas meia dúzia de meses.
Tem etapas de crescimento para cumprir que demoram o seu tempo e que esse tempo não era o que nós gostaríamos mas aquele que tem realmente de ser.
E assim foi.
Começaram a aparecer as primeiras folhas, as tais que os caracóis elegeram como meu de degustação, e um dia as primeiras flores a anunciarem que os limões estariam para chegar mais dia menos dia cumprindo assim o limoeiro o seu papel.
Sabendo que desde o aparecimento do pequeno limão completamente verde até poder ser colhido já no seu tamanho normal e na cor amarela também levaria o seu tempo. Como tudo na vida.
E com que satisfação começei a ver aparecerem um ,dois, três pequenos limões, que também eles foram crescendo até poderem ser consumidos, logo seguidos de mais alguns ao ritmo normal de um normal limoeiro que conseguira resistir a chuvas, ventos, geadas, bicharada, e até a algum abandono dos proprietários num tempo em que foram residir para Lisboa e o deixaram sem os cuidados regulares a que estava habituado.
Passaram anos desde o dia em que o pequeno limoeiro foi posto na terra até dar limões de forma regular.
Anos de paciência, de assistência , de não desistência à primeira dificuldade evidenciada pela pequena árvore quer fosse pelos ataques da bicharada, quer pelos problemas normais de crescimento, quer pelas pragas, pelos àcaros, pelos "piolhos negros" e outros que tais.
Com o uso de fertilizantes, rega suficiente, folhas mais afectadas devidamente podadas e outros cuidados o pequeno limoeiro lá sobreviveu e continua a sua tarefa porque para lá da sua qualidade própria nunca dele se desistiu.
Lembrei-me hoje deste assunto ao conversar telefonicamente com um amigo sobre o partido Aliança.
Depois Falamos.

P.S.: A foto não é do limoeiro cá de casa porque ele ainda não tem este tamanho. Mas lá chegará. Como no resto...a seu tempo.

quinta-feira, maio 06, 2021

Castelo de Hohenzollern, Alemanha

Comares, Espanha

Abutre

Triste

Ao longos dos anos já fiquei muitas vezes triste, desapontado, aborrecido ao ver o Vitória perder ou empatar jogos que podia perfeitamente ter ganho.
Mas em muitas dessas vezes olhava a equipa, olhava o plantel e percebia que não dava para mais.
E conformava-me.
Não é o caso de hoje.
Porque empatamos o jogo graças ao talento dos nossos quatro extremos mas podíamos perfeitamente ter ganho porque a equipa e o plantel dão para muito mais do que para isto que vimos.
Um onze inicial em que se prescinde dos dois maiores talentos do plantel deixa logo as maiores interrogações sobre qual a real ambição para este jogo.
Entramos a ganhar, é verdade, graças ao talento do extremo Rochinha mas tão rapidamente o Vitória desapareceu do jogo como o Farense deu a volta ao resultado contando para isso, contigências do futebol, com um lance infeliz de Bruno Varela que em tantas ocasiões nos tem valido pontos.
Ao intervalo nada se mudou,pese embora a exibição estar a ser confrangedora, e quando Suliman foi expulso adensaram-se as nuvens negras sobre a equipa mas não a vontade de mudar porque ainda passaram mais 15 minutos antes das primeiras mexidas com inevitável saída de André Almeida (com três extremos no banco é penoso vê-lo jogar fora do seu lugar como falso extremo) e de Mensah para entrarem Quaresma e Lameiras.
Depois a troca do costume ,de Estupiñan por Bruno Duarte, com a falta de resultado também costumeira e só aos 82 minutos foi dada entrada a Edwards (e também a Janvier que bem podia ter entrado mais cedo) quase que por favor.
Claro que o Farense vendo Quaresma e Edwards retraiu-se (é, há jogadores que tem esse efeito nas equipas adversárias mas só quando estão em campo...) e num lance entre três extremos assistiu-se a um passe genial de Edwards, cruzamento perfeito de Lameiras e cabeceamento eficaz de Quaresma mostrando que o talento torna simples o que parecia complicado.
E mesmo em inferioridade numérica, e perante um Farense atarantado, o Vitória ainda ia chegando ao triunfo se Edwards tem rematado mais baixo num lance em que encontrou espaço para visar a baliza.
Em suma dois pontos perdidos mas não por culpa do Bruno .
Foi mesmo do Bino.
E este campeonato que nunca mais acaba...
Depois Falamos.

Treinadores

Dos treinadores da primeira liga quantos não gostariam de terem Quaresma e Edwards no plantel? Para serem titulares, é claro, das suas equipas.
Desconfio que quase todos...
Depois Falamos.

quarta-feira, maio 05, 2021

Zebras

Ilha de Mexcaltitan, México

Casa das Quimeras, Kiev

Horário

A taça de Portugal, definitivamente, não anda em boa maré.
Depois de durante décadas a fio nos terem "vendido" o Jamor como o estádio dos estádios, aquele onde final de taça tinha uma dignidade e um enquadramento inigualáveis, repentinamente arrumaram com ele e na época transacta passaram a final para o Estádio "Cidade de Coimbra" que, coitado dele, nem é grande estádio para se ver futebol nem tem qualquer tipo de beleza.
É até bastante feiinho.
Agora repetem o estádio mas inovam na hora.
Muito mal outra vez.
Porque jogar uma final de taça às 21.00 h de um domingo é uma aberração completa.
Se o jogo tiver prolongamento e desempate por grandes penalidades vai atirar a cerimónia de entrega do troféu para segunda feira conseguindo-se assim mais uma originalidade que é estender uma final por dois dias.
Para lá dos adeptos que não podendo ir ao estádio acompanharão pela televisão e quererão no final festejar com os seus jogadores na chegada a casa.
Que sendo Braga ou Lisboa se processará pela madrugada dentro daquele que será um dia normal de trabalho.
Tem toda a razão o Braga em protestar.
Não lhe vai é servir de nada porque há matérias em que há uma espécie de "Superliga" dentro do futebol português.
E esses que nela mandam (e neste caso não é nenhum dos finalistas que fique claro) decidem apenas com base no critério do dinheiro, ou seja, dos desejos das televisões.
Depois Falamos.