segunda-feira, março 16, 2026

Ruído

Provavelmente há quem pense, no âmbito de uma mentalidade com laivos  censórios desjustada dos dias de hoje que são de comunicação global e onde é sempre possível fazer passar as mensagens, que o volume do ruído ainda que disfarçado de música possa ter efeito para calar discordâncias.
Mas é um erro.
Porque o ruído pode abafar as palavras mas não abafa a razão.
E essa é que no fim conta.
Depois Falamos.

Perder

Vivem-se hoje tempos em que ganhar é o objectivo maior e dos que perdem não reza a História.
Mas nem sempre foi assim e muito em especial no mundo do desporto onde por vezes é mais forte a memória dos que perderam do que a deixada pelos vencedores. 
Johan Cruyff foi um dos maiores jogadores (e treinadores também) da História do futebol e o grande líder da inesquecível Holanda de 1974 conhecida como a laranja mecânica. 
Que embora derrotada na final foi a vencedora moral do Mundial desse ano tal a qualidade do seu futebol. 
O mesmo aconteceu com o Brasil de 1982. 
O Brasil de Zico, Falcão, Sócrates, Cerezzo e mais uma quantidade de enormes jogadores (excepto o "frangueiro" Valdir Peres e o desajeitado Serginho ) que foram derrotados nos quartos de final por uma Itália cínica numa tarde perfeita de Paolo Rossi. 
Os italianos viriam a ganhar a prova mas quando se fala do Mundial de 1982 fala-se do Brasil e do seu espectacular futebol. 
Ou seja nem sempre perder significa ser derrotado. 
Pode apenas significar ter razão no tempo errado.
Depois Falamos.

Vitória

Alguns amigos vitorianos e outras pessoas com quem interajo nas redes sociais mas nem conheço pesoalmente tem-me feito chegar mensagens incentivando-me a comentar publicamente o actual momento do Vitória.
Agradeço sinceramente as palavras que me dirigem mas não o farei.
E contextualizo porquê.
No início de 2025 eu e um conjunto de amigos vitorianos olhando a situação do clube em termos desportivos, financeiros, patrimoniais e associativos concluimos que o Vitória ia por muito mau caminho e era preciso fazer alguma coisa para lá de tomar posições mais ou menos criticas nas redes sociais.
E apresentamos uma candidatura aos orgãos sociais do clube permitindo aos associados terem uma alternativa ao caminho que vinha sendo seguido.
Diagnosticamos os problemas , construimos potenciais soluções, encontramos parcerias financeiras, elaboramos um programa eleitoral, fizemos dezasseis sessões de esclarecimento pelo concelho e eu , enquanto candidato a presidente, dei várias entrevistas a televisões, rádios locais e nacionais, jornais desportivos,  jornais de Guimarães e outros orgãos de comunicação social.
Explicamos detalhadamente e até á exaustão quais os problemas do Vitória e como nos propunhamos resolvê-los.
A outra lista optou por não dar explicações sobre o mandato terminado, por não apresentar programa eleitoral, por não fazer campanha, por não ter para com os associados o respeito que os associados mereciam.
Sabe-se qual foi o resultado das eleições.
Os votantes disseram de forma mais que clara, esmagadora até, que apoiavam aquela gestão, que gostavam daquela forma de proceder, que achavam adequado o caminho seguido, que a situação desportiva, financeira, patrimonial e associativa  (incluindo o misterioso negócio com a Vsports) era excelente e que portanto os orgãos cessantes mereciam continuar e com um apoio absolutamente expressivo.
Humildemente percebi o resultado, percebi a vontade da grande maioria dos votantes e remeti-me ao silêncio (desde o dia 8 de Março de 2025 em que neste blogue escrevi o último texto sobre o Vitória) sobre a gestão do clube, a direção, a SAD, os planteis, os jogadores, os treinadores e os jogos.
Pontualmente escrevo sobre o futebol português em termos de organização, competições, arbitragem, jornalismo e aí sim posso referir o Vitória, especialmente quando vejo o clube ser prejudicado, mas apenas nesse contexto.
No resto não.
E assim continuarei.
Porque tudo que tinha a dizer foi dito na campanha eleitoral e de lá para cá nada melhorou (infelizmente bem pelo contrário) pelo que não vale a pena estar a repetir o que então foi afirmado e que a grande maioria dos votantes não entendeu como válido.
E por isso agredecendo de novo aqueles que me incentivam a escrever sobre o Vitória manterei o silêncio a que me remeti há mais de um ano.
Espero , sinceramente, que entendam a minha posição.
Depois Falamos.

Farol de Sørhaugøy, Noruega

Concorde

Bilby


sábado, março 14, 2026

Estranho

O futebol português ( ou será apenas fenómeno minhoto?) vive momentos absolutamente estranhos. Recentemente em Braga a PSP retirou uma tarja normalíssima dos adeptos do Braga a realçarem o seu clube. 
Não insultava, não ofendia, apenas era uma manifestação de amor clubistico. 
O presidente do Braga reagiu de forma indignada e levou o assunto a várias instâncias do futebol e não só. 
Hoje no D. Afonso Henriques mais do mesmo. 
Uma tarja normalíssima colocada na zona da claque White Angels - A nossa História exige respeito- que não insultava nem ofendia ninguém e apenas proclamava uma verdade indiscutível foi também retirada pela PSP. 
Fica apenas uma pergunta: Porquê?
Depois Falamos.

Nota: Isto quando noutros estádios se vêem festivais de pirotecnia passarem impunes e até se vê levantarem-se estendais com adereços do clube visitante para serem queimados numa manifestação da mais grosseira intolerância e num apelo à violência que devia merecer severa repressão e apenas recebe tolerância e encobrimento.

Dúvida

Este engenheiro dominical e socialista suscita-me uma dúvida para a qual não consigo encontrar resposta satisfatória. 
Se como apregoa está tão convencido da sua inocência porque razão não é o primeiro interessado em que o julgamento se realize o mais depressa possível para que a Justiça possa proclamar a tal inocência de que se diz credor em vez de andar com estas constantes manobras dilatórias rumo a prescrições inevitáveis? 
É que uma coisa é a Justiça declara-lo inocente e outra ver-se livre de processos por prescrição dos mesmos.
Depois Falamos.

sexta-feira, março 13, 2026

80 e 8

Sortes bem diferentes para as duas equipas portuguesas que ontem disputaram a primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa em busca de um lugar nos quartos de final.
Muito bem o Porto vencendo em casa do Estugarda, uma boa equipa alemã, com a nuance de Francesco Farioli ter procedido a oito alterações no onze inicial em relação ao jogo da Luz numa rotação que mostra a valia do plantel e ajuda a explicar que o clube se mantenha em três frentes e com claras possibilidadea (mais as internas convenhamos) de as vencer a todas.
O segundo jogo não será um pró forma, muito longe disso, porque os alemães tem de facto uma equipa de valor mas o resultado trazido da Alemanha torna o Porto claramente favorito para seguir em frente.
Mal o Braga que na Hungria foi derrotado por um Ferencvaros de boa valia com os minhotos a comprovarem uma vez mais a fragilidade da sua defesa (de longe o pior sector da equipa) num dia em que o seu bom sector atacante não foi capaz de transformar oportunidades em golos o que ajuda a explicar a derrota.
Isso não significa, longe disso, que a eliminatória esteja decidida.
Em Braga se o ataque estiver ao seu nível habitual e a defesa não voltar a comprometer (na fragilidade defensiva não incluo Hornicek que ainda vai disfarçando muita coisa) o Braga pode perfeitamente seguir em frente.
Em suma desta semana europeia resta a convicção que o Porto tem mais de meio caminho andado para o apuramento, o Braga pode consegui-lo embora seja difícil e o Sporting precisa de uma noite "mágica" para o conseguir.
Para a semana se saberá.
Depois Falamos.

Urso Polar

Goleadores

Farol Cabo Neddick, EUA

Sexta 13

São muitos aqueles que consideram que o número 13 dá azar.
E por isso os carros de F1 não usam o número 13, há companhias de aviação que nos seus aparelhos passam da fila 12 para a fila 14, tal como edifícios que passam do décimo segundo para o décimo quarto andar e há quem evite viajar, tomar decisões ou até casar em dias 13.
Há quem atribua esse azar do número 13 à última ceia de Cristo, à mitologia dos deuses nórdicos, á data de extinção da Ordem dos Templários e a várias outras razões tão válidas ou inválidas como estas aqui referidas.
E então quando o dia 13 calha à sexta feira, como hoje, são ainda mais os supersticiosos que vivem esses dias com receio do azar e por isso evitam passar debaixo de escadas, cruzarem-se com gatos pretos, quebrarem espelhos e mais uma boa série de crendices sem qualquer sustentação.
Sustentadas, as crendices, por exemplos como o da data da referida extinção do Templarios ou o dia em que Eva comeu a maçã (ambos os eventos em sextas feira 13) embor me pareça dif´cil provar que neste segundo caso as coisas foram memso assim.
Seja como for o 13 e a sexta feira 13 são propícios aos supersticiosos deixarem vir ao de cima todos os seus receios e medos.
Pessoalmente não tenho qualquer problema com superstições não só porque não as tenho e até gosto de brincar com elas.
Um dia em conversa com um treinador de futebol, e já se sabe que o futebol é o reino das superstições a um nível inimaginável para quem nunca por lá tenha andado, ele falava-me das várias superstições que tinha e admirava-se de eu não as ter.
Face a isso lá admiti que tinha uma superstição e relacionada precisamente com futebol.
E perante o olhar admirado dele disse-lhe que a minha superstição era que marcar golos dá sorte e sofre-los dá azar!
Homem inteligente percebeu a ironia e nunca mais foi assunto de conversa entre nós.
Depois Falamos.

quinta-feira, março 12, 2026

Drama

Pelo que vou lendo nas redes sociais os sportinguistas, incluindo alguns amigos meus, mergulharam num drama depois da derrota pesada sofrida ontem na Noruega face a um Bodo/Glimt que nesta altura é tudo menos uma surpresa face aos adversários que já venceu nesta edição da Liga dos Campeões.
Há, contudo, algumas coisas a dizer.
Primeiro não é drama nenhum perder (mesmo por 0-3) com uma equipa que já derrotou o Manchester City, o Atlético de Madrid e o Inter de Milão, guia destacado do campeonato de Itália, a quem eliminou na ronda anterior.
Segundo o resultado foi pesado mas não é irreversível se na segunda volta o Sporting fizer bem feito aquilo que tem para fazer.
É certo que a exibição de ontem foi uns furos abaixo do normal mas para lá da boa valia do adversário, do relvado sintéctico e do frio há que reconhecer que a equipa do Sporting parece cansada em termos fisicos e mentais o que, aliás, já fôra perceptível na segunda parte do jogo de Braga e ontem se confirmou.
E é fácil de perceber porquê.
O Sporting entrou nesta época a disputar cinco frentes.
Perdeu a supertaça com o Benfica, foi eliminado na final four da taça da liga pelo Vitória, mas permanece com legítimas aspirações de vencer campeonato e taça de Portugal e de continuar na Liga dos Campeões.
Só que o plantel não é inesgotável e parece-me até curto para tantas frentes.
E quando como ontem não pode contar com Pedro Gonçalves (para mim o mais talentoso jogador leonino), Maxi Araujo, Ioanidis, Ricardo Mangas e Quenda e se vê obrigado a levar para o banco cinco miudos da equipa B percebe-se bem a dimensão do problema.
Não se percebem é algumas opções da SAD que não me parece ter acautelado devidamente o desgaste que esta época provocaria e deixou sair jogadores que agora fazem falta.
Dou apenas um exemplo.
Qualquer equipa com aspirações em várias frentes deve ter pelo menos três pontas de lança.
O Sporting tem apenas dois e está muito dependente de um pelo que não se percebe a saída em janeiro do jovem e talentoso Rodrigo Ribeiro que seria mais uma opção para o lugar e já com alguma experiência de jogos de alta competição.
E está na escassez de soluções, muito mais que num jogo mal conseguido, o grande problema do Sporting para o que resta de Liga dos Campeões e da própria época.
Depois Falamos.

Nota : Vejo também algumas comparações, algo despropositadas, entre a rotação que Francesco Farioli faz entre jogos de campeonato e competição europeia com as rotações que Rui Borges não faz nas mesmas vertentes. E são despropositadas porque o plantel do Porto é superior ao do Sporting e porque o grau de dificuldade da Liga Europa não é o da Liga dos Campeões.

quarta-feira, março 11, 2026

11 Março

Hoje é dia 11 de Março.
Uma data que ninguém comemora mas que também não deve ser esquecida por ninguém.
Porque representa o início de um processo que colocou Portugal, nem um ano depois do 25 de Abril, novamente à beira de uma ditadura.
Desta vez uma ditadura marxista que os sectores radicais do MFA em conluio com a extrema esquerda albergada no PCP, na UDP, no PSR, na FEC-ML ( que hoje se chamam Bloco  de Esquerda e Livre) e mais uns grupelhos extremistas, como os terroristas da LUAR, tentaram implantar à boleia de um suposto golpe ainda hoje mal explicado dos sectores afectos ao general Spinola.
Foi o tempo da nacionalização da banca e dos seguros, da ilegalização de partidos como o MRPP e o PDC, da perseguição a PPD e CDS ( e até ao próprio PS), dos mandatos assinados em branco por Otelo, da assembleia selvagem do MFA que queria mandar fuzilar os supostos golpistas afectos a Spinola, das detenções sem culpa formada de portugueses apenas por serem opositores à extrema esquerda, das barricadas nas estradas montadas por militantes dos partidos de extrema esquerda.
Portugal via o PREC acelerar rumo ao "Verão Quente"  (e a uma ameaça cada vez maior de guerra civil) que nem as eleições para a Assembleia Constituinte, que deram a PS e PPD as duas maiores bancadas, conseguiu arrefecer.
Depois viria o 25 de Novembro em que as forças militares democráticas chefiadas por Ramalho Eanes e Jaime Neves com o apoio de PS, PPD e CDS reporiam o país num curso normal e garantiriam a Democracia e a Liberdade.
Talvez por isso ainda hoje os que não tem a coragem de festejarem o "seu" 11 de Março não gostam das comemorações do 25 de Novembro.
Para eles foi o fim de festa. 
E da tentativa de tornarem Portugal a Cuba da Europa!
Depois Falamos.