terça-feira, maio 22, 2018

Não Aceito

O meu artigo desta semana no Duas Caras.
Não é novidade para ninguém que as sociedades vivem tempos complicados, complexos até, fruto a uma crise de valores que se torna de dia para dia mais evidente e á qual as respostas parecem tão insuficientes quanto tardias.
Esse problema social atinge também o mundo do desporto em geral mas do futebol muito em particular, com a enorme facilidade de tudo aquilo que gera paixões ser suscetível de influências fáceis,  criando situações absolutamente reprováveis de que os últimos dias tem sido pródigos face a uma “cultura” que prolifera de que “vale tudo” para ganhar.
E quando não se ganha está o “caldo” entornado e daí a aparecerem as reprováveis situações de violência, por vezes como no Sporting associadas e moralmente comandadas por um caudilhismo tão patético quanto irresponsável, vai apenas um curto passo que alguns não hesitam em dar ou em mandarem dar.
Todos sabemos o que aconteceu na passada semana em Alcochete na Academia do Sporting com a invasão das instalações por um grupo de bandidos que agrediram, sequestraram e destruíram a seu bel prazer deixando perante o país uma imagem terrível e colocando o nome honrado do Sporting Clube de Portugal pelas ruas da amargura.
Criminosos armados com barras de ferro, material pirotécnico, encapuçados como convém a quem vai cometer crimes, agrupados para o fim específico de semearem o terror e a destruição e mostrando perfeita organização na forma como agiram.
Nunca visto neste país!
Nem mesmo quando no passado supostos adeptos do Benfica atacaram jogadores com petardos numa chegada ao Seixal depois de um mau resultado, quando supostos adeptos do Porto atacaram o então treinador Co Adrianse com petardos atirados para dentro do carro, ou quando em Guimarães supostos adeptos do Vitória interromperam treinos no tempo de Rui Vitória e depois de Pedro Martins para demonstrarem a sua insatisfação.
Entre outros exemplos que podiam ser citados mas que tem em comum o não terem a gravidade do que aconteceu em Alcochete.
Acontece que correndo-se o risco, como conceptualizava uma figura sinistra da História de meados do século passado , de uma mentira repetida muitas vezes se transformar em verdade há que combater com enorme firmeza uma falsidade que vai fazendo o seu mentiroso caminho neste país e que é a de associar a violência a Guimarães e aos adeptos do Vitória como se fossem uns expoentes nacionais da mesma.
E eu não aceito isso!
Não aceito que se faça essa associação, não aceito que se faça dos vimaranenses e dos vitorianos adeptos violentos, não aceito que se queira fazer deste clube e desta comunidade os bodes expiatórios das asneiras alheias.
Não aceito que a SIC, com as responsabilidade que como televisão nacional tem, ao noticiar o sucedido em Alcochete mostre imagens do estádio D. Afonso Henriques, alimentado a tese mentirosa de que Guimarães e o Vitória são sinónimos de violência, quando o sucedido foi na margem sul do Tejo envolvendo supostos adeptos de um clube de Lisboa e sem nenhuma ligação a Guimarães e ao Vitória.
Não aceito que o desvairado que (ainda)preside ao Sporting, tentando branquear as suas pesadas responsabilidades em tudo de negativo que vem sucedendo no clube e muito em especial no criminoso acontecimento de Alcochete, tenha referido acontecimentos passados no complexo desportivo “António Pimenta Machado” como equivalentes ao sucedido em Alcochete e que só não tiveram a mesma divulgação porque não se “tratava de atacar o Bruno de Carvalho(sic)”.
Deixando de lado vários exemplos de acontecimentos mais graves passados com supostos adeptos do clube do outro lado da rua que ele tanto gosta de atacar mas que desta vez poupou para se virar para Guimarães e para o Vitória.
Não aceito que se faça dos vitorianos adeptos violentos quando todas as semanas nos chegam relatos de infracções à lei por parte de claques legais e ilegais (conforme os casos) de Porto, Sporting e Benfica que dentro e fora dos relvados fazem o que querem e lhes apetece e num dos casos ainda sobrou tempo ao respectivo líder para as narrar em livro.
Não aceito que se associe  Guimarães e o Vitória a problemas de violência mas depois quando o clube e os seus adeptos são vitimas de violência várias, que vão de armazéns saqueados por supostos adeptos do Benfica  que provocadoramente ainda colocaram filmes nas redes sociais sem até hoje terem sido punidos pelos actos, às agressões a adeptos do Vitória feita por “casuals” em dias de jogo com Porto e Benfica ou à invasão do nosso estádio num jogo da equipa B com o Braga por um pequeno bando de desordeiros vindos de Braga que se dedicaram a destruir cadeiras e a provocarem os adeptos vitorianos até estes os expulsarem do estádio se branqueiem as responsabilidades dos outros como se roubar o Vitória ou agredir os seus adeptos fosse uma justa retribuição à tal violência que nos imputam por tudo e por nada.
E estes são apenas alguns exemplos de muitos que seria possível serem dados.
Antes que venham os moralistas e os adeptos do politicamente correcto, agora muito em moda em alguns opinadores cá do burgo, afirmar que este texto visa desresponsabilizar alguns adeptos do Vitória de actos de violência por eles cometidos devo dizer o seguinte:
Condeno todo o tipo de violência.
E quando outros estavam calados não tive qualquer problema em condenar invasões aos treinos, actos agressivos para com jogadores ou treinadores, e  outros fenómenos violentos com origem em adeptos vitorianos.
Não há violência boa e violência má. Há violência e toda ela tem de ser condenada firmemente.
Agora não aceito é que por sermos adeptos únicos em termos de paixão pelo clube, por sermos uma comunidade diferente de todas as outras porque unida em volta do seu principal clube sem deixar aos três estarolas outras franjas de apoio que não as residuais que se conhecem, sejamos “punidos” com a permanente associação a fenómenos de violência numa clara tentativa de nos diminuírem e apoucarem de uma forma ignóbil.
E a isto temos todos, vimaranenses e vitorianos, que dizer não.
Não aceitamos que façam de nós aquilo que não somos!

P.S E também não aceito que numa manobra incompreensível de fragilização de Guimarães e do Vitória existam vimaranenses e vitorianos a aceitarem comparações injustas com o acontecido em Alcochete e “descobrindo” eles próprios analogias sem qualquer razão de ser entre o desvairado que preside ao Sporting e conceitos da última campanha eleitoral no nosso clube.

Estrelas

Depois deste fim de semana o firmamento do futebol europeu perdeu duas das maiores, mas mesmo maiores, estrelas que nele brilharam nas últimas duas décadas e encantaram todos aqueles que gostam de futebol.
Andres Iniesta, depois de uma brilhantíssima carreira toda ela feita no Barcelona, entendeu que aos trinta e quatro anos já não tinha a capacidade fisíca necessária a continuar a jogar ao nível e nas competições que o seu clube disputa e por isso é provável que ainda vá fazer mais um ou dois anos na China ou nos Estados Unidos antes do definitivo "adeus às armas".
Antes disso ainda teremos uma última oportunidade de o ver ao mais alto nível, no Mundial da Rússia, onde fará também a despedida de uma selecção em que foi figura de primeiro nível nos últimos quinze anos.
Gianluigi Buffon é mais que um guarda redes. É uma lenda viva.
Mais de vinte anos ao mais alto nível, grande parte deles na Juventus(dezassete épocas!!!) e na selecção italiana, com a conquista de inúmeros troféus mas mais do que isso a conquista do respeito por companheiros e adversários pelo seu altíssimo nível enquanto jogador e pela personalidade que sempre evidenciou e que o tornou uma referência.
Curiosamente no seu início de carreira(seis anos no Parma) fez a sua estreia nas competições europeias frente ao Vitória ,num jogo disputado no estádio D. Afonso Henriques, que fica assim como um marco numa carreira em que jogou 1052 (!!!) partidas repartidas entre Juventus (656), Parma (220) e selecção italiana (176).
Infelizmente não o veremos na Rússia porque a selecção italiana não se apurou e por isso o fim de carreira de Buffon terá sido (salvo se também ele optar por improvável "aventura" asiática) mesmo no passado fim de semana.
O futebol perde assim, e no mesmo fim de semana, duas das suas estrelas maiores que tanto lhe deram e tanto contribuíram para a sua popularidade a nível mundial ficando a dever-lhes dois galardões que bem mereceram mas não conquistaram por isto ou por aquilo.
Iniesta mereceu bem a "Bola de Ouro" que nunca lhe foi outorgada, mesmo quando tanto a mereceu como em 2010, por ter sido "vitima" do açambarcamento da mesma pela dupla Ronaldo/ Messi que venceram as últimas dez.
E Buffon bem merecia ter ganho uma Liga dos Campeões com a "sua " Juventus porque é o único grande titulo a nível de clubes que lhe falta.
Esteve lá perto, várias vezes, mas nunca a ganhou. E bem merecia.
Iniesta e Buffon: Foi um privilégio vê-los jogar.
Depois Falamos.

sexta-feira, maio 18, 2018

Queen Mary II


Pandas Vermelhos


Ponte, Tailândia


Os 23 da Rússia

O meu artigo desta semana no zerozero.

No país campeão europeu de selecções não faltam, infelizmente, temas sobre que escrever  mas que gravitando em torno do futebol nada tem a ver com o futebol propriamente dito naquilo que ele tem de melhor.
O jogo, os jogadores, os treinadores, as tácticas, as grandes jogadas, os grandes golos, as grandes defesas e por aí fora.
E por isso rejeitando o “apelo” de escrever sobre tudo que temos visto nos últimos dias, semanas e meses para os lados de Lisboa em torno dos dois maiores clubes dessa cidade mas que envolvem , comprometem e envergonham todo o futebol português (já para não falar de uma sociedade que dá sinais de estar gravemente doente)optei por centrar esta crónica no futebol propriamente dito.
Mais propriamente nas escolhas de Fernando Santos para o Mundial da Rússia , que começa daqui a menos de um mês, e no qual os portugueses que gostam de futebol vão concentrar as suas atenções.
Devo dizer, e tantas vezes tenho discordado das suas escolhas, que considero que Fernando Santos fez uma das convocatórias mais consensuais de sempre.
É evidente que se pode achar sempre que nesta ou naquela posição podia ir este e não aquele jogador, porque cada cabeça cada sentença e nisto de convocatórias cada um de nós é sempre um treinador de bancada, mas globalmente considero uma convocatória bem conseguida.
Por posições:
Na baliza Rui Patrício e Anthony Lopes eram indiscutíveis e depois a opção seria entre a experiência de Beto ou chamar um jovem para ir preparando o futuro numa posição em que Portugal não tem problemas nem de alguma quantidade na qualidade nem geracionais como acontece,por exemplo, no centro da defesa.
Podia ter chamado José Sá, Miguel Silva, Bruno Varela ou Cláudio Ramos, é verdade, mas optou por Beto para terceiro guarda redes (que só por muito azar terá de ser utilizado) e aceita-se até pelo percurso do jogador.
Nas laterais quatro escolhas indiscutíveis.
Cédric que tem merecido sempre a confiança do seleccionador, Ricardo Pereira que fez um grande campeonato e também pode jogar(e bem) como extremo, Raphael Guerreiro que é um dos indiscutíveis mais...indiscutível e Mário Rui que se tornou uma escolha óbvia depois da renúncia de um Fábio Coentrão em quem o talento futebolístico nunca teve equivalência no equilíbrio emocional.
No centro da defesa, onde a veterania começa a pesar sem se verem alternativas à altura, as escolhas de Pepe,Fonte e Bruno Alves eram óbvias mas já a chamada de Rúben Dias me deixa muitas duvidas e é, até, a única das 23 que não merece a minha concordância.
Nunca jogou pela selecção A, não fez uma época particularmente brilhante , nem lhe vejo actualmente (não quer dizer que não possa vir a tê-la) a qualidade necessária a jogar na selecção .
Preferia claramente a chamada de Luís Neto ou Rolando que davam outras garantias.
A verdade é que olhando para os principais clubes portugueses o que vemos?
Marcano/Filipe, Coates/Mathieu, Jardel/Ruben Dias,Raúl Silva/Bruno Viana, Pedro Henrique/Jubal.
Em dez centrais normalmente titulares apenas um é português!
No meio campo nenhuma surpresa.
William Carvalho é o “seis”  indiscutível, depois da grave lesão e consequentemente  grave ausência de Danilo que dava várias soluções ao treinador, João Moutinho é um dos mais experientes e melhores  médios do nosso futebol, Adrien não fez uma grande época no Leicester mas é jogador de grandes jogos e de grandes competições assegurando versatilidade posicional, João Mário idem idem aspas aspas, Bruno Fernandes foi o melhor médio do campeonato português e é um talento em “explosão” e finalmente Manuel Fernandes traz experiência, versatilidade, conhecimento do que é a Russia onde joga há vários anos (e isso tem a sua importância) e fez um grande campeonato sagrando-se campeão pelo Lokomotiv.
Parecem-se seis escolhas indiscutíveis.
Claro que se pode falar de Rúben Neves, de André Gomes e de Sérgio Oliveira mas em bom rigor aqui aplicava-se(bem) a velha e nem sempre feliz máxima de Fernando Santos “mas para ele entrar quem sai ?” e percebe-se porque não foram convocados.
No ataque as dúvidas eram...uma.
Ronaldo é Ronaldo e o treinador já tinha garantido meses atrás que era o único que estava garantidamente convocado, Quaresma tem feito grandes jogos desde que Fernando Santos o recuperou do ostracismo “Paulo Bentiano” e os seus cruzamentos tem valido golos e pontos, André Silva não fez uma boa época no Milan mas foi o segundo melhor marcador da selecção na fase de apuramento e garante uma parceria letal com Ronaldo, Gelson fez um grande campeonato e este Mundial pode significar a sua afirmação a nível...mundial e Bernardo Silva fez uma época sensacional no Manchester City campeão inglês e promete acompanhar Gelson na afirmação a nível mundial.
Estes cinco eram indiscutíveis e grossa surpresa seria se algum não fosse chamado.
Restava o sexto avançado.
E aí havia algumas duvidas.
O histórico Nani que fez uma época discreta mas foi na última meia dúzia de anos uma das principais referência da selecção e em especial no Europeu de França?
Éder que também não fez grande temporada na Rússia (embora tenha marcado o golo do título para o Lokomotiv) mas cuja convocatória poderia ser entendida quase como um amuleto da sorte por razões que todos entenderão?
Ronny Lopes que fez uma bela temporada no Mónaco mas que ainda não tem histórico em termos de selecção A?
A opção foi Gonçalo Guedes e acho que muitíssimo bem.
Fez uma excelente temporada no Valência, pode jogar como extremo ou segundo avançado ( e até dá um jeito como ponta de lança se for preciso)e é um jovem de enorme talento que tal como Gelson e Bernardo Silva pode fazer a sua afirmação neste mundial embora previsivelmente não vá ter tantas oportunidades de jogar como os outros dois.
Em suma , e concluindo, acho que a convocatória de Fernando Santos é excelente, merece a confiança dos adeptos e garante um Portugal competitivo e ambicioso no Mundial da Rússia.
O rolar da bola dirá até onde poderemos ir.

quarta-feira, maio 16, 2018

Vítor Campelos

Na altura em que escrevo este texto não sei se Vítor Campelos vai ou não continuar a dirigir a equipa B do Vitória( embora tudo indique que não) mas isso é completamente irrelevante quanto à intenção que norteia estas linhas que agora entendo escrever.
E essa intenção é salientar o trabalho de excepcional qualidade que o treinador fez nestes três anos em que dirigiu a equipa.
Conseguindo sempre cumprir os dois objectivos principais que são a manutenção e o preparar jogadores para subirem à equipa A.
A manutenção conseguiu-a sempre de forma tranquila, classificando a equipa a meio da tabela e melhorando todos os anos a posição classificativa ( décimo terceiro, décimo primeiro, décimo em igualdade com o Varzim) embora isso não fosse o mais importante.
Esta ultima época, e em termos de equipas B, apenas a do Porto ficou à nossa frente porque  a do Sporting desceu, a do Braga salvou-se miraculosamente de idêntico destino e a do Benfica ficou atrás da nossa.
E é preciso levar em linha de conta que em termos de arbitragens o Vitória B foi espoliado numa boa dúzia de pontos, alguns deles de forma escandalosa, que lhe teriam dado um lugar nos cinco primeiros.
Tudo isto com o treinador a ver-se obrigado a utilizar dezenas e dezenas de jogadores por época, numa delas foram cinquenta e cinco o que deve ser recorde mundial, o que naturalmente obrigava a um esforço extraordinário em termos de entrosamento da equipa, de assumpção por todos os jogadores da ideia de jogo e do estabelecimento de uma equipa base.
Já para não falar da deficiente, e ás vezes muito deficiente, colaboração que recebia do então treinador da equipa A ,Pedro Martins, que nunca teve um ideia global do que era o interesse da colaboração entre equipa A e B.
Em termos de jogadores que passaram pelas suas mãos e ascenderam à  equipa A, alguns definitivamente e outros ainda naquela fase de jogarem por uma e por outra, a lista fala por si.
Miguel Silva, Konan, Pedro Henrique, Dénis Duarte, Hélder Ferreira, Kiko, Sacko,Raphinha, Tyler Boyd, Joseph, Miguel Oliveira, João Vigário, Estupinan, Xande Silva e Marcos Valente para citar apenas quinze de um lote bem mais vasto.
A isto há que acrescentar, com gosto particular, que nas equipas de Vítor Campelos sempre se viu bom futebol e uma ideia consolidada de jogo, que se mantinha com as constantes alterações de jogadores , o que merece natural realce.
Pode pois dizer-se que Vítor Campelos cumpriu brilhantemente o que lhe foi pedido quando assumiu o cargo de treinador do Vitória B.
Aqui chegados, e dado que José Peseiro resolveu não continuar, é caso para perguntar se não seria natural que o treinador da equipa B assumisse a equipa A e desse sequência ao excelente trabalho que vinha fazendo no clube.
Natural era, mas não em Portugal e menos ainda no Vitória onde ser da "casa" e vitoriano obriga ao "pagamento" de um pesado "imposto" junto de muitos adeptos que tem toda a tolerância do mundo para quem vem de fora mas são implacáveis para quem é um dos seus.
Seja treinador seja jogador.
E por isso depois de três anos de objectivos plenamente cumpridos percebo que Vítor Campelos queira continuar a sua carreira noutro clube onde possa mostrar a qualidade do seu trabalho sem estar "vergado" ao peso do seu cartão de sócio e do seu cartão de cidadão.
Para um dia, acredito firmemente nisso, poder regressar ao Vitória pela porta grande por onde sairá agora e assumir o cargo de treinador da nossa equipa A.
E também acredito que esse dia não demorará muito...
Depois Falamos.

terça-feira, maio 15, 2018

Vira o Disco...

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

O PS de António Costa é o PS de José Sócrates!
Bastará constatar que no governo de António Costa estão cerca de trinta governantes, a começar pelo próprio António Costa é bom nunca o esquecer, que já tinham integrado como ministros, secretários de estado ou membros dos gabinetes o governo de José Sócrates.
Mais os que no governo ou fora dele continuam a integrar os orgãos nacionais do PS como já integravam no tempo de Sócrates.
São as mesmas pessoas, a mesma forma de fazer política, o mesmo conceito do que é a ligação entre política e negócios, a mesma falta de respeito pela oposição, o mesmo primado da “xico espertice” na gestão da “res publica”.
Trinta!
É , acima de tudo, o silêncio cúmplice com tudo que Sócrates fez no governo e que levou o país à quase bancarrota e o silêncio cobarde mesclado de um constante assobiar para o lado face aos espantosos sinais de riqueza do “chefe” e aos inúmeros casos que manchavam a sua carreira política, profissional e académica.
Foi mais de uma dúzia de anos em no PS quase ninguém viu nada, quase ninguém desconfiou de nada, quase ninguém foi capaz de se por à parte daquela pouca vergonha que se ia conhecendo mas que no PS era um verdadeiro tabu porque a carne é fraca e o poder afrodisíaco.
E quando se fala no PS não estamos a falar apenas da direcção nacional do partido, dos membros do governo ou dos deputados no parlamento nacional ou no parlamento europeu entre outros responsáveis nacionais.
Não.
Estamos a falar das Federações distritais e das organizações concelhias que num grau de responsabilidade evidentemente menor mas nem por isso isentas de... responsabilidade também pactuaram com esse estado de coisas.
Foi o caso, por exemplo , do PS de Guimarães.
Que nunca , mas mesmo nunca, teve uma palavra de duvida, de inquietação, de estranheza pela governação de Sócrates (pedir uma palavra de critica ou de divergência seria evidentemente demasiado para uma secção tão obediente ao chefes) mesmo quando na assembleia municipal a oposição criticava, apresentava factos e argumentos que eram impossíveis de contrariar face às evidências que constituíam.
Nunca duvidaram, nunca viram, nunca suspeitaram.
Bem pelo contrário reagiram (como curiosamente reagem agora) sempre com um ar de virgens ofendidas, mostras de grande indignação e acusações de que a oposição não só não tinha razão como não defendia os interesses de Portugal.
Porque no opinião do PS de Guimarães quem defendia os interesses de Portugal era José Sócrates e o seu governo!
Deu no que deu.
E quando os portugueses se fartaram de Sócrates e do seu governo, recearam a bancarrota e puseram termos ao desvario derrotando o PS em eleições, nem nessa altura se ouviu do PS vimaranense uma palavra de arrependimento, de contrição, de reconhecimento de que se tinham enganado.
E mesmo hoje, sabendo-se tudo que se sabe, continua essa palavra sem ser dita!
Passaram entre os pingos de chuva como se não fosse nada com eles, varreram Sócrates para debaixo do tapete e seguiram em frente como se o “ontem” tivesse sido um século atrás e a memória das pessoas fosse como a dos peixe palhaço que dura uns segundos ao que se diz.
E quando a Sócrates sucedeu António José Seguro, esse sim que nada tinha a ver com a pouca vergonha e sempre tinha mantido uma distância enorme em relação aos erros e tudo o mais do antecessor (demarcando-se especialmente da mistura entre política e negócios), o apoio que lhe deram foi muito mais de conveniência, de não perderem o comboio, do que de pura convicção como se veio a comprovar no dia em que António Costa rasgou o acordo que com ele tinha celebrado e lhe deu uma facada nas costas candidatando-se à liderança ao contrário do que se tinha comprometido a não fazer.
Nesse dia entre as muitas mãozinhas que seguravam a “faca” que Costa cravou em Seguro estava também a mãozinha do PS de Guimarães que na sua enorme maioria já se bandeara para o outro lado deixando cair um líder a quem haviam prometido apoio e alinhando nas hostes que, com razão (às vezes também acertam...) , supunham favoritas a vencer.
O resto da história é conhecido.
Os “Seguristas “ de Guimarães que não quiseram alinhar no “virar de casaca” , de que o maior exemplo é Miguel Laranjeiro rapidamente apeado do seu lugar de deputado sem qualquer vantagem para o PS (mas isso é problema deles), foram varridos para um canto enquanto outros fizeram um rápido “reset” na esperança de que o passado fosse esquecido e pudessem ter o seu lugarzinho na carruagem dos vencedores como nalguns casos veio a acontecer.
São factos.
E por isso quando se olha para o PS de Guimarães vê-se o PS de António Costa e quando se vê o PS de António Costa vê-se o PS de José Sócrates.
São os mesmos!
Porque os que tinham realmente vergonha do que o PS  andou a fazer no governo e no país, esses, eram os do PS de António José Seguro que o PS de Costa e Sócrates mandou para casa mal pôde e da forma que se sabe.

P.S. É factual que a campanha de António Costa para a liderança do PS (contra António José Seguro) foi apoiada financeiramente, entre outros, por Carlos Santos Silva o “banqueiro” privativo de José Sócrates.
“Farinha” do mesmo “saco” e em vários sentidos diga-se de passagem.

segunda-feira, maio 14, 2018

Raphinha

Raphinha terá feito no sábado o seu último jogo pelo Vitória anunciada que está, veremos se se confirma, a sua transferência para o Sporting na próxima temporada.
E digo que terá sido o ultimo, de forma condicional, porque com as voltas que o futebol dá nada nos garante que não volte um dia, mais cedo ou mais tarde, a vestir uma camisola com que foi notoriamente feliz.
Chegou a Guimarães envolto em alguma polémica porque vindo para a equipa B, onde fez 16 jogos e cinco golos, estranhou-se o elevado montante que o Vitória tinha pago pelo seu passe tratando-se de um jogador tão jovem e sem qualquer garantia de sucesso.
A verdade é que se impôs.
E se na primeira época jogando quase sempre pela B (pela A fez apenas um jogo e nenhum golo) teve o rendimento atrás descrito rapidamente convenceu Pedro Martins a integra-lo na primeira equipa onde na temporada passada fez quarenta e um jogos e quatro golos no total das  competições.
Esta época, mesmo com o desolador percurso da equipa a condicioná-lo, melhorou substancialmente os números fazendo quarenta e três jogos e dezoito golos no total das competições e sagrando-se o quarto melhor marcador da Liga apenas atrás dos "inacessíveis" Jonas, Bas Dost e Marega mas sem jogar num candidato ao titulo nem sendo ponta de lança.
Há que reconhecer que foi um rendimento de elevada qualidade que lhe terá valido o interesse do Sporting para onde se mudará na próxima temporada.
Embora com um feitio algo polémico, que o levou até a alguns desencontros com os adeptos, Raphinha foi um bom profissional, um jogador que nunca regateou esforços e que vai deixar saudades em Guimarães pelo muito de bom que deu ao clube.
Aos 22 anos, talvez algo cedo e para o clube "errado" mas isso são contas de outro rosário, vai para um emblema que luta por outros objectivos e deixa um Vitória que tão carente está de jogadores com a sua qualidade e no qual seria sempre uma figura de primeiro plano.
Que seja feliz,,,menos contra o Vitória como se costuma dizer.
Depois Falamos.

P.S, Gostei do gesto humilde e pleno de sentimento que Raphinha teve no fim do jogo com o Porto dando a volta ao relvado para agradecer aos adeptos o apoio que deles sempre recebeu.
Foi um gesto bonito que lhe ficou muito bem.