quinta-feira, fevereiro 05, 2026

Retrato

Estes números divulgados pela Liga são bem o retrato de um certo futebol que temos em Portugal.
Eles traduzem a média de jogadores nacionais e estrangeiros utilizados por cada clube nas primeiras dezoito jornadas do campeonato e são...aterradores.
Só o Vitória consegue equilibrio entre ambos porque todos os outros utilizaram em média mais jogadores estrangeiros do que portugueses o que não augura nada de bom ao nosso futebol e põe seriamente em causa a imagem e o proveito de sermos um país formador de talentos.
Convém recordar que temos uma das mais fortes seleções do futebol mundial e que nos escalões de formação temos titulos europeus e mundiais de que a recente conquista do mundial sub 17 é mais uma prova.
Mas depois o principal campeonato está inundado de estrangeiros, boa parte deles em nada superiores aos portugueses, tapando os caminhos de progressão e afirmação de tantos e tantos jovens talentos que depois acabam nas divisões secundárias sem proveito para quem os formou e sem poderem contribuir para a elevação da qualidade do nosso futebol.
Creio que este é um assunto que deve merecer atenção do governo, da FPF e da LPFP porque é um sério problema para o futuro do nosso futebol e para a sua manutenção nos mais elevados patamares a nível internacional.
Depois Falamos.

Nota: Registo com satisfação que os dois melhores clubes neste rácio são o Vitória e o Moreirense.
Os dois clubes de Guimarães. Que nesta matéria dão um bom exemplo ao país.

Templo de Puthia, Bangladesh.

Natais

Camaleão

CR 41

Imagem: Record

Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro faz hoje 41 anos.
O melhor jogador da História do futebol e o cidadão português mais conhecido de sempre continua, numa idade em que a esmagadora maioria já pendurou as botas, a jogar ao mais alto nível e a bater recordes atrás de recordes estabelecendo marcas que nenhum de nós verá algum dia serem batidas. 
Independentemente de quanto mais anos vai jogar, e ao que parece tem a reforma prevista para 2027 mas com ele nunca fiando, certo é que daqui a uns meses vai disputar o seu sexto mundial estabelecendo mais uma marca absolutamente extraordinária para um futebolista que ainda por cima não é guarda redes.
Sem esquecer que os mil golos em jogos oficiais estão à curta, para ele, distância de apenas trinta e nove remates certeiros.
Por isso hoje é dia de lhe dar os parabéns pelo aniversário porque pela carreira, pelos recordes, pelos titulo e troféus todos os dias são dia bom para isso.
Depois Falamos.

Destaque

É chover no molhado mas não faz mal.
Ontem a A.D. de Fafe, da Liga 3 , e o Torrense da II liga defrontaram-se na primeira mão de uma das meias finais da Taça de Portugal.
Ver duas equipas de escalões inferiores numa meia final com a consequente garantia de que uma delas estará no Jamor devia merecer o maior destaque na comunicação social pelo que tem de invulgar e também como estimulo ao chamado espirito de Taça que elas cumprem plenamente.
Pois sim, passou em todo o lado como notícia menor.
E é particularmente censurável que no chamado serviço público de televisão, vulgo RTP, que anda a transmitir jogos de futsal e de futebol feminino em horário nobre no primeiro canal não tenha feito o mesmo com este jogo que bem o merecia.
Mas nisso a RTP é igual às outras.
Para ela (s) futebol é Sporting, Porto e Benfica.
Os únicos clubes de quem transmite jogos da Taça de Portugal como o Sporting  vs Aves de hoje bem o prova uma vez mais.
Lamentável.
Depois Falamos.

Politiquice

Em Portugal há duas revistas chamadas de grande informação.
Visão e Sábado.
Que esta semana decidiram em unissono darem mais um valente pontapé no que deve ser o jornalismo livre, isento e independente trocando-o por pura militância política incompatível com a mais elementar deontologia jornalística.
Durante anos fui assinante da Visão e deixei de ser (e de a comprar avulso também) precisamente pela sua orientação sectária que a levou a cada vez mais frequentemente enveredar por capas e conteúdos que não respeitavam a tal independência e isenção que lhe era exigível e a beneficiar a esquerda prejudicando o centro e adireita.
Esta semana, a três dias das presidenciais, retrata os dois candidatos de forma inaceitável.
Um representa a ordem e o outro a desordem.
Um é o incendiário e o outro o bombeiro.
Não, isso não é jornalismo nem informação mas pura militância política por uma das partes e contra a outra.
Nos Estados Unidos há a boa tradição de antes de eleições presidenciais os grandes jornais declararem os seus apoios e por isso quem os lê sabe que está a ler um jornal apoiante do candidato republicano ou do candidato democrata.
A isso se chama respeito pelos leitores !
Cá é esta bandalheira.
E depois ainda se acham no direito de irem pedir ajudas aos governos por estarem em dificuldades financeiras oriundas das quebras publicitárias e da redução de vendas .
Com este tipo de "jornalismo" não podiam esperar outra coisa.
Não conheço, creio, o ministro Leitão Amaro.
Não me lembro de alguma vez ter sequer falado com ele, nos meus tempos de militante do PSD, nem sequer é um dos ministros com quem sinta maior empatia política para ser franco.
Mas o que a Sábado lhe faz com esta capa...não se faz.
O ministro nada tem a ver com os negócios do cunhado, não é sócio dele em nenhuma empresa, nada tem a ver com as investigações da Justiça portuguesa e angolana em torno dele.
Nada!
Aliás lê-se a peça de nove páginas e nela o ministro é referido duas vezes.
Uma no primeiro parágrafo da primeira página para referir o seu parentesco com o cunhado e depois a propósito da compra de uma casa pelo ministro ao cunhado e sem mais valias para este.
Mais nada.
E com base em nada se faz uma capa na qual se dá grande destaque, foto e legendas, ao ministro quando o assuntos tratados e em causa  nada tem a ver com ele.
Isto não é informação nem jornalismo mas apenas politiquice reles e pelo caminho, não sejamos inocentes que para isso já por aí andam muitos, uma verdadeira caça ao homem e um ataque sub repticio ao governo.
E por isso cada vez que um destes orgãos de comunicação fecha não consigo ter pena.
Apenas tem o que merecem!
Depois Falamos.

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

San Francisco

Estádio de Molde, Noruega

Lua

Bolha

Será certamente motivo de estudo para a ciência política durante muitos anos o estranho fenómeno que assolou o centro e a direita portuguesas perante umas eleições presidenciais fáceis de ganhar e que conseguiram perder.
Olhemos o cenário.
No Parlamento existe uma imensa maioria (embora com dificuldade em juntar votos em diversas matérias) do centro e da direita com cerca de 70% dos deputados eleitos com a AD a ter 88, o Chega 60 e a Iniciativa Liberal 9.
A ela se opõe a mais pequena esquerda de que há memória com o PS reduzido a 58 deputados, o Livre a 6, a CDU 3, e BE e PAN com um cada.
Bastaria um candidato forte e agregador da área do centro e direita para vencer à primeira volta.
E eles existiam.
Pedro Passos Coelho que faria facilmente o pleno de todo o centro e direita porque com ele a concorrer acredito que nem André Ventura nem Cotrim de Figueiredo teriam concorrido, Pedro Santana Lopes cuja candidatura não sendo tão abrangente como a de Passos ainda assim uniria a sua área política sem concorrentes de peso e José Manuel Durão Barroso que com maior dificuldade conseguiria ainda assim ser abrangente e vencer a eleição.
Três ex primeiros ministros, um deles ex presidente da comissão europeia com tudo que isso implica de vantajoso para Portugal  em termos de relações internacionais, mas nenhum foi candidato à eleição.
Por razões pessoais, por razões politicas, por razões partidárias , isso agora pouco importa a não ser aos estudantes de ciência política porque a verdade é que não foram candidatos.
E com isso o centro e direita perderam as eleições.
Porque ao invés de constituirem um bloco unido e forte que elegesse facilmente o seu candidato dispersaram-se por várias candidaturas das quais apenas uma, aquela que dificilmente terá possibilidades de vencer a eleição, conseguiu passar à segunda volta.
E isto perante as irrelevantes candidaturas de PCP, BE e Livre, que apenas foram a votos para terem tempo de antena para atacarem o governo,  um candidato do PS que não entusiamava ninguém nem apoios significativos tinha dentro do partido até se perceber que podia ser vencedor e um candidato independente que se apresentou a votos com o pressuposto errado de que o bom trabalho na questão das vacinas se traduziria automaticamente em votos.
O que explicará semelhante erro do centro e da direita?
Francamente não sei porque não conheço o pensamento dos decisores.
Mas sei, de há muito, que há em Lisboa uma bolha política com uma tremenda dificuldade em conhecer e perceber o país real e que confrontada com ele tem muitas vezes surpresas desagradáveis.
Essa bolha, dentro da qual vivem políticos, comentadores, analistas, jornalistas e figuras vips do passado dos partidos, constroem cenários em volta da sua forma de pensar e depois admiram-se do comum dos cidadãos não pensarem como eles.
Basta ver a dificuldade que ainda hoje tem para compreenderem o Chega para perceber isso.
E então talvez esteja nos residentes de centro direita na bolha a explicação para este insucesso.
Porque não perceberam (se calhar alguns não quiseram perceber...) que havia no seu espaço natural candidatos claramente ganhadores mas era preciso criar as condições para eles avançarem por mais que isso desagradasse a pré candidaturas há muito no terreno. E não o fizeram.
Porque não perceberam ( se calhar alguns não quiseram perceber...) que a candidatura de Luís Marques Mendes nem sequer fazia o pleno da AD quanto mais agregar os votos de todo o centro e de toda a direita e que era em si mesma um convite ao aparecimento de mais candidaturas naquela área política.
Porque quando se percebeu que a candidatura estava em perda absoluta, conforme todas as sondagens o indicavam, não tiveram o bom senso de pressionarem á desistência de Marques Mendes a favor de Cotrim de Figueiredo para permitir que a segunda volta fosse uma disputa equilibrada entre ele e Seguro e não uma consagração do candidato de esquerda.
E cabe aqui recordar que em termos de desistência a favor do seu candidato mais bem colocado a esquerda já foi várias vezes bem mais esclarecida.
Porque mesmo depois de tanto erro muitos deles  ainda conseguem cometer mais um indo como bons anjinhos que são (nem todos, nem todos...) na procissão atrás de António José Seguro sem sequer perceberem o "aviso" que o líder do seu partido (no caso o PSD) fez quanto ao erro que isso constitui porque uma vitória dilatada do socialista é evidentemente um factor de ameaça para o governo e a base sólida para a recuperação política de um PS que até esta eleição estava nas ruas da amargura.
Enfim nada há a fazer.
Os dados estão lançados e os portugueses decidirão mas por mim não tenho qualquer dúvida que a bolha política lisboeta prestou mais um mau serviço a Portugal.
Depois Falamos

terça-feira, fevereiro 03, 2026

A Verdade

Em suma e concluindo. 
A imagem é verdadeira e é falsa. 
Como? Muito simples. 
O fotojornalista do jornal Público quis fazer política com a fotografia e publicou-a com a legenda que lhe dava jeito para atacar André Ventura. 
E sendo a foto verdadeira onde está a falsidade? Muito simples. 
Instantes depois a bombeira cumprimentou o candidato com toda a normalidade mas sem registo fotográfico 
E daqui três conclusões se podem tirar. 
A primeira é que a bombeira agiu com educação e foi vítima de um escroque armado em fotojornalista que induziu deliberadamente os leitores em erro. 
Devia ser despedido! 
A segunda é que isso isentando a bombeira de qualquer atitude reprovável não isenta os que apoiaram essa suposta atitude de serem defensores da má educação e da grosseria como forma de actuação política. 
Perderam uma bela oportunidade de estarem calados mas ao menos mostraram bem o que acham quanto a educação e civismo. 
A terceira é que definitivamente o jornal "Público" não passa de um instrumento político da esquerdalha pago pela Sonae.
Depois Falamos.

Nota: Para aqueles que quiserem confirmar que o cumprimento existiu basta verem a RTP Noticias de ontem às 18.53 h.

Vermelho

Só em Portugal!
Só num futebol de filhos e enteados, de árbitros sem autoridade nem isenção, de orgãos disciplinares vesgos conforme as cores uma atitude destas passa em claro.
Terminado o jogo em Tondela o "capitão"  (hoje essa distinção não vale nada) do Benfica abeirou-se do árbitro Luís Godinho (outro que anda a mais no futebol) e agarrando-lhe no braço olhou para o relógio para conferir se  o tempo de desconto tinha sido integralmente cumprido
Nem o ser, desde sempre, um arruaceiro alheio ao fair play como Otamendi justifica esta atitude embora ajude a compreender porque ela surgiu.
Que devia ter merecido de imediato um cartão vermelho pela falta de respeito que constitui. 
Mas qual quê, valeu apenas um sorriso cumplice.
E recordo a propósito um jogo Vitória vs Benfica, na já longinqua época de 1982/1983 e que terminou 0-0, em que perto do final do jogo há um livre perto da área do Vitória que podia ser uma boa oportunidade de golo.
O árbitro, Carlos Valente, assinalou o lugar da  falta e contou os passos para posicionar a barreira à distância regulamentar como sempre acontece.
Mas o benfiquista João Alves, o "luvas pretas", discordando da distância tanto protestou que acabou por ir ele próprio contar os passos desautorizando o árbitro.
Viu imediatamente cartão vermelho.
Outros tempos? Sim sem dúvida.
Porque a sensação que se tem é que "isto" de arbitragem está cada vez pior.
Depois Falamos.

Ricos

Livraria El Ateneo, Buenos Aires