
quinta-feira, setembro 03, 2026
Bicos de Pés
Um dos pequenos efeitos colaterais da moção de censura apresentada pelo Chega foi o permitir ao PS pôr-se em bicos de pés arvorando-se em garante da estabilidade política.
Claro que olhar este PS como garante do que quer que seja é uma imagem divertida mas que rapidamente se anula a ela própria porque o PS não é garante de coisa nenhuma.
Basta lembrar a geringonça para perceber que assim é.
O PS, por vontade dos portugueses, é o terceiro partido parlamentar e tal como todos os outros à excepção do PSD e do Chega só conta para alguma coisa quando os dois maiores partidos não se entendem e o peso dos seus votos pode então ser decisivo.
De resto sempre que PSD e Chega se entendem em torno do que quer que seja o PS não conta para nada e a sua irrelevância, embora com representação parlamentar bem maior que esses partidos, é igual à de IL, Livre, PCP, BE , PAN e JPP.
Foi essa a vontade dos portugueses e o povo é quem mais ordena.
Depois Falamos.
quarta-feira, setembro 02, 2026
Noção
É evidente que todos, a começar por André Ventura, temos a noção de que a moção de censura para pouco mais servirá do que para mais um animado e inconsequente debate parlamentar.
E temos essa noção porque uma questão de pura aritmética somada às conveniências políticas dos diversos partidos que contam para o "totobola" a levarão ao inveitável chumbo.
A AD vai obviamente votar contra.
O PS cheio de vontade de votar a favor vai abster-se, ou até votar contra, porque por um lado tem a noção de ainda não é o seu tempo de tentar ser alternativa e por outro os complexos de esquerda em que vive mergulhado desde a geringonça o impedem de se aliar ao Chega numa questão relevante.
E portanto os votos do Chega sozinhos ficam muito longe de serem suficientes para aprovar a moção de censura.
Naturalmente nem vale a pena perder tempo a falar dos restantes partidos porque para o tal "totobola", e em bom rigor para qualquer outro do xadrez parlamentar, são completamente irrelevantes.
E então a que se deve esta moção?
Por um lado para aproveitar o inevitável desgaste a que o governo tem sido sujeito pelos sucessivos casos protagonizados pelo ministro Luís Neves e que vem gerando na opinião pública uma inegável incredulidade perante o que se vai sabendo.
E aí o Chega revelou sentido de oportunidade ao polarizar numa moção de censura essa incredulidade, e consequente descontentamento, e tirará alguns dividendos políticos o que tem de se considerar como legítimo.
Por outro, e embora sabendo que não o conseguirá afastar, o Chega revela uma enorme vontade de fragilizar ainda mais o ministro o que é entendível face aos tais casos mal explicados mas também não se pode desligar de uma outra realidade que é a de Luís Neves apresentar inegáveis resultados enquanto director da PJ e estar como ministro a tomar uma série de medidas para combater a criminalidade, diminuir a insegurança,combater a imigração ilegal e valorizar as forças policiais que apenas a prazo serão completamente perceptíveis.
E a criminalidade, a insegurança, a imigração e o descontentamento nas forças policiais foram quatro "ninhos" onde durante anos o Chega pôs os seus "ovos" e contribuiram para o seu grande crescimento eleitoral.
E por isso temos de ter a noção que esta moção de censura visa penalizar um ministro por casos mal explicados ( a gestão da comunicação neste assunto foi deplorável) mas também tentar impedir que o ministro tenha sucesso nas políticas que está a implementar e que de alguma forma estancarão o crescimento do Chega.
As coisas são o que são!
Depois Falamos.
Nota: Ouvir o Chega a falar em padrão ético é uma piada que se faz sozinha. Em que ponto desse padrão ético se inserirá o andar a abrir portas dos outros partidos,insinuando que neles ninguém trabalha, numa sexta feira ao fin da tarde ainda por cima num dia em que não houve trabalhos parlamentares?
Pote

Sempre gostei do futebol de Pedro Gonçalves (Pote) desde que anos atrás regressou de várias experiências no estrangeiro e ingressou no Famalicão onde provou, desde logo, que era um jogador muito diferente da maioria.
Inteligente a jogar, imprevisível nas suas acções, fazendo mais que um lugar na intermediária e no ataque conseguiu logo nessa época de estreia na primeira liga fazer sete golos e sete assistências o que tem de se considerar francamente bom.
E valeu-lhe a transferência para o Sporting.
Onde esteve seis épocas, venceu três campeonatos (desde o tempo dos cinco violinos não foram muitos os jogadores do Sporting a ganharem três titulos) , marcou 97 golos e fez 58 assistências.
Conseguindo até, na sua primeira época em Alvalade, ser o melhor marcador do campeonato com vinte e três golos o que é notável num jogador que não é nem nunca foi ponta de lança!
De resto , e neste século, apenas Liedson marcou mais golos pelo Sporting porque Pote marcou tantos como Gyokeres e mais que Jardel, Slimani, Bas Dost, Paulinho e Montero para citar apenas goleadores.
E esses números só não são ainda melhores porque teve o azar de algumas lesões demoradas, por exemplo na época 2024/2025 a sua pior no SCP, que o mantiveram longe dos relvados e da propria seleção nacional onde aliás nunca foi utilizado com a continuidade que o seu talento justificava e não apenas pelas lesões mas porque nunca foi uma primeira opção de Roberto Martinez vá-se lá saber porquê.
Com o percurso brilhante no Sporting e apenas 28 anos de idade eis que Pote abandona Alvalade rumo à Fiorentina, não sei se por opção própria se empurrado para sair ( sinceramente foi o que me pareceu), o que é no mínimo muito difícil de entender dado tratar-se, em minha opinião, de um dos dois ou três melhores jogadores do Sporting.
E sai por uma verba irrecusável daquelas que nem dá para pensar duas vezes?
Qual quê.
Dois milhões e meio de euros pelo empréstimo por um ano e depois uma opção de compra, não obrigatória, de vinte e dois milhões e meio de euros ou seja uma autêntica pechincha.
Acho esta saída inexplicável face ao que se sabe dela.
E também acho que um clube que prescinde de um jogador desta categoria nestas condições tem a obrigação de ganhar o campeonato com uma perna às costas.
Ou então a lógica é mesmo uma batata.
Um Pote delas diria!
Depois Falamos.
terça-feira, setembro 01, 2026
Princípio

Este texto é apenas o reforçar de uma posição de princípio que defendo há muitos anos e naturalmente surge na sequência do jogo de ontem face ao que nele vi.
E o que vi foi mais uma vez o Vitória a jogar um derbi, o jogo de maior tradição da nossa História, com o equipamento alternativo preto como se fossemos o Académico de Viseu ou a Académica de Coimbra.
Não somos.
E os dérbis, tal como os clássicos com Sporting, Porto e Benfica jogam-se com a camisola branca.
É a nossa camisola.
Os equipamentos alternativos são para outros jogos, quer o segundo quer o terceiro, mas não para este.
E é preocupante, na equipa A, na B, na formação e nas modalidades, a quantidade de vezes em que sem qualquer necessidade as nossas equipas jogam de camisola preta nestes últimos anos.
É adulterar a nossa imagem e subestimar o "peso" que a camisola branca tem e sempre teve, como qualquer pessoa que conheça minimamente a História do Vitória bem sabe, nos nossos adversários.
Bem sei que estamos num tempo em que para alguns tanto faz jogar de branco como de preto porque para eles está sempre bem e muito em especial se independentemente dos resultados houver espectáculo nas bancadas.
Ao ponto de se desvalorizarem os maus resultados no relvado para se sobrevalorizarem as coreografias nas bancadas.
Cada um "come" do que gosta.
Para mim o Vitória contra o Braga, especialmente contra o Braga, joga sempre de camisola branca.
Sempre.
É uma posição de princípio da qual nunca abdicarei.
Depois Falamos.
Nota: E não me venham justificar a camisola preta com imposições da Liga. O Braga na época passada jogou em Guimarães com a camisola tradicional tradicional. Se eles podem porque razão não haveremos nós de poder também?
Basta comunicar à Liga atempadamente a alteração de equipamento. Haja vontade e percepção da importância das coisas.
domingo, agosto 30, 2026
Mercado

O mercado futebolístico tal como existe na actualidade serve todos os empresários, muitos jogadores, alguns clubes mas dificilmente o futebol.
Porque acentua o poder dos mais fortes, fragiliza os mais fracos, vicia a verdade desportiva das competições e introduz um sentimento de cada vez maior descrença nos adeptos porque nunca sabem aquilo com que podem contar.
O período de transferências é demasiado longo, quer no Verão quem em Janeiro, os mercados não encerram todos no mesmo dia o que contribui para que algumas transferências de última hora (especialmente quando se pagam cláusulas de rescisão e o clube vendedor nada pode fazer para impedir) lesem severamente a valia competitiva das equipas "assaltadas", jogadores sob contrato em vez de se concentrarem no clube onde estão andam com a cabeça no ar a pensarem em transferências, vigora uma autêntica lei da selva.
Que fazer para o impedir?
A UEFA devia impor um periodo de mercado para todos os países sob a sua jurisdição, por exemplo entre 31 de Maio e 15 de Julho, após o termino do qual não seriam permitidas transferências entre clubes europeus nem aceites saídas ou entradas para outras confederações.
O mercado de Janeiro devia ser num período mais curto, por exemplo de 1 a 15 de Janeiro, após o qual seriam igualmente impedidas transferências para ou de outras confederações.
Caso a UEFA não quisesse ir por esse caminho então devia ser a própria LPFP a tomar medidas nesse sentido estabelecendo que o mercado funcionaria nessas datas com a nuance de no mercado de Verão o término do mesmo poder ser não a 15 de Julho mas sim com a disputa do primeiro jogo oficial da época.
Sei que com estas ou com outras medidas idênticas no efeito algo tem de ser feito porque as coisas tal como estão são uma autêntica bandalheira de que apenas alguns tiram proveito para enriquecerem enquanto o futebol empobrece.
Depois Falamos.
Ironia

Na sua trôpega tentativa de justificar o injustificável o PCP, via Paulo Raimundo, teve a ousadia desesperada de pôr no mesmo plano Nélson Mandela e os terroristas da FPLP.
E nos murais dos seus apoiantes fizeram circular esta fotografia para tentarem ajudar à mistificação. Mas ela, fotografia, não é mais do que uma cruel (para o PCP) ironia.
Porque mostra um homem que toda a vida lutou pela Liberdade ladeado por outros dois que toda a vida lutaram pela implantação de uma ditadura.
Realça Mandela e comprova o falhanço ideológico e político do PCP.
Depois Falamos.
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