Pedro Proença, Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo proporcionaram um triste episódio que o nosso futebol e a nossa seleção bem dispensavam e que nasce de absoluta falta de sensatez de todos eles.
Ao que se sabe, e a história começa meses atrás, a cronologia dos acontecimentos é mais ou menos esta.
Capitulo 1.
Depois do Mundial dos Estados Unidos Ronaldo terá entendido que era tempo de deixar a seleção e terá comunicado isso à FPF.
É então que Pedro Proença e Jorge Jesus se deslocam a casa do jogador para o convencerem a permancer na seleção pelo menos até ao fim da Liga das Nações.
JJ porque entendia que ele podia ser útil e Proença porque sabe bem que muitos e chorudos contratos publicitários da FPF se baseiam na presença de Ronaldo na seleção e por isso quis aproveitar até ao limite essa presença.
Ronaldo que sempre adorou representar o seu país aceitou continuar por mais algum tempo.
Capitulo 2
Em conversa com Ronaldo o treinador ter-lhe-à garantido que nestes quatro jogos alinharia no primeiro e no último e eventualmente alguns minutos nos outros.
Capitulo 3
Em conferência de imprensa antes do jogo com Gales o treinador garante que Ronaldo será titular e que pode divulgar isso porque ele tem estatuto enquanto em relação a outros nomes, no caso Palhinha, não o podia fazer porque não o tinham.
Capitulo 4
No fim do jogo com Gales e questionado sobre Ronaldo o treinador garante que ele teria minutos frente à Noruega embora não garantisse a sua titularidade.
Capitulo 5
Antes do jogo com a Noruega o treinador diz a Ronaldo que ficará no banco mas será utilizado durante cerca de trinta minutos entrando a substituir um colega.
Capitulo 6
Em Oslo Ronaldo fica no banco, o que corresponde ao "acordo" feito com JJ, e no início da segunda parte é posto a aquecer o que faz durante longos minutos mas sem chegar a entrar o que o jogador terá considerado como falta de respeito.
Capítulo 7
Terminado o jogo e sem ir saudar os adeptos Ronaldo regressa de imediato ao balneário e percebe-se que vinha aí uma crise.
Capitulo 8
Ronaldo não treina com a equipa nos dois dias seguintes, Jesus diz , notoriamente incomodado, que irá falar com ele e Proença mete-se num avião para ir a Malmoe com uma urgência aque até parecia que o mundo estava a acabar.
Capitulo 9
Ronaldo e Jorge Jesus tem duas conversas e o incidente é dado como resolvido semp recisarem de Proença para nada.
Capitulo 10
Face à Dinamarca perceberemos se o assunto está de facto encerrado ou se restam sequelas que venham prejudicar o desempenho da seleção que é o que mais interessa em tudo isto.
Erros em tudo isto?
De Pedro Proença essecialmente dois.
Um ir a casa de um jogador, por mais importante que esse jogador seja (e é) pedir-lhe para ficar na seleção naquilo que é uma clara inversão de hierarquia que apenas o fragiliza,
O outro ir a correr para o estágio da seleção na Suécia empolando um assunto que já que nasceu também devia morrer no balneário da seleção.
De Jorge Jesus...vários.
Ir a casa do jogador, dar-lhe estatuto que nega aos colegas, garantir-lhe titularidades, prometer-lhe entrar minutos num jogo e sabe-se lá que mais.
Seguramente que não faz isso com nenhum outro e mesmo sendo Ronaldo quem é trata-se de um claro erro.
Também ele fragilizou a sua liderança face ao grupo até a um ponto que para já é impossível de prever.
De Cristiano Ronaldo vários também.
Já se sabe que ele adora jogar na seleção onde atingiu números estratosféricos de presenças e golos, percebe-se que sabendo que o seu tempo como jogador está a acabar queira aproveitar ao máximo para jogar e marcar, entende-se que face ao que combinou com JJ se sinta enganado.
Mas Ronaldo sabe, porque tem imensa experiência e é uma pessoa extremamente inteligente, duas coisas.
Uma é que as decisões do treinador tem de ser respeitadas ainda que não se concorde com elas.
E a outra que um plano de jogo pode perfeitamente ter de ser alterado conforme as incidências desse mesmo jogo. E em Oslo o jogo , e aí JJ tem razão, não propiciava a sua entrada porque face ao assédio norueguês era preciso ter em campo onze jogadores com disponibilidade para defenderem algo que ele não faz.
Em suma um triste episódio em que nenhum dos protagonistas fica bem na fotografia mas também não é nenhum drama nacional como a imprensa e alguns comentadores excitados das redes sociais parece quererem fazer crer.
Agora importa é a seleção.
Importa, jogue quem jogar, ganhar o jogo em Copenhaga e manter Portugal na liderança do seu grupo.
Costuma dizer-se que o futebol é o momento.
E neste caso é bom que assim seja.
Porque atrás de momentos maus podem e devem vir momentos bons.
Vamos lá Portugal!
Depois Falamos.