domingo, janeiro 20, 2019

Cacto Sábio

Donald Trump é um personagem execrável.
Sempre foi e não apenas depois de ser eleito presidente dos Estados Unidos da América faz agora dois anos.
Todo o seu percurso de vida, todos os escândalos em que se envolveu, todos os negócios tortuosos em que o seu nome apareceu envolvido criaram a imagem (verdadeira) de alguém de quem convém manter a maior das distâncias.
Dois anos atrás foi eleito presidente.
Com menos três milhões de votos que Hillary Clinton mas dentro da legalidade de um sistema eleitoral anacrónico para os europeus mas que é o que existe desde sempre no EUA e segundo o qual todos os seus antecessores foram eleitos.
Claro que depois, ou não se tratasse de Trump, percebeu-se que havia grossa marosca nas eleições com a interferência russa ainda em investigação mas apontando claramente para um forte benefício à candidatura do vencedor das eleições.
Desde o primeiro dia como Presidente, na boa tradição pessoal de sempre, Trump começou a mentir e nunca mais parou sendo hoje contabilizadas milhares de mentiras proferidas enquanto presidente nas mais diversas matérias numa forma de agir sem paralelo nos seus quarenta e quatro antecessores.
Está a meio do mandato e já anunciou a recandidatura a mais quatro anos de inevitável pesadelo caso fosse reeleito.
Resta esperar que os americanos tenham a sabedoria do cacto do cartoon.
Depois Falamos.

P.S. Ando a ler "Medo" de Bob Woodward sobre a presidência Trump.
E se há coisa que posso garantir, e ainda vou a meio, é que o título do livro não podia ser mais adequado.

Reflectir e Reforçar

Defrontar o mesmo adversário duas vezes na mesma semana, merecer ganhar ambos os jogos e perder os dois é duro e merece alguma reflexão em torno das circunstâncias próximas e menos próximas que explicam esta sucessão de derrotas perante um adversário que não só não jogou nada que se visse como demonstrou uma fragilidade que o punha perfeitamente ao alcance de um Vitória "diferente".
Se na terça feira o "colinho" arbitral, traduzido na não marcação de claro penálti contra o Benfica e na manutenção em campo de Jardel depois de entrada brutal sobre Davidson, ainda ajudam a explicar o insucesso já no jogo de sexta feira esse argumento não pode ser utilizado porque Tiago Martins, contra todas as expectativas dos adeptos vitorianos, fez uma boa arbitragem e não teve qualquer responsabilidade no resultado.
E se alguma coisa há a apontar-lhe é a tolerância perante as sucessivas faltas de um jogador sem classe chamado André Almeida, que já andou pela selecção e até foi ao Mundial do Brasil apenas por jogar no clube onde joga, que nem a primeira parte devia ter acabado sem o vermelho que fez tudo por justificar.
Mas não foi por isso que o Vitória perdeu.
Perdeu porque jogou melhor, pressionou o adversário durante todo o jogo, gizou as melhores jogadas, mostrou ser o único a procurar o triunfo face a um adversário que fez o que fazem quase todas as equipas que vem a Guimarães(jogou fechado na defesa, muitas vezes com onze atrás da linha da bola, e espreitou de longe a longe o contra ataque) mas fazendo tudo isso foi mais uma vez absolutamente desastrado na hora de rematar à baliza desperdiçando duas ou três boas oportunidades de golo de forma quase infantil e vendo todos os remates de meia distância (com excepção de um de Tozé) serem mais dignos de um pontapé de ensaio no râguebi do que remate a um baliza de futebol.
Inaceitável numa equipa profissional que se remate tão mal.
Se  a isso juntarmos um Guedes em "seca" de golos que desperdiçou nestes dois jogos pelo menos três claras oportunidades e a ausência de alternativas ao ponta de lança porque Estupinan a jogar dez minutos de cada vez nunca será alternativa e Whelton é uma sombra do jogador que brilhou em Paços de Ferreira  conclui-se que além da necessidade de se intensificarem os treinos de remate é necessário um verdadeiro reforço para a posição 9 já este mês.
É que se o quarto lugar já é inacessível face aos dez pontos para o Sporting e doze para o Braga (!!!), quando está disputada apenas a primeira jornada da segunda volta, há que defender o quinto lugar face à proximidade de Belenenses e Moreirense.
É triste mas é verdade.
E se a equipa joga bem mas não marca em consonância o risco de até o quinto lugar não conseguirmos é bem real.
Depois Falamos.

Inverno


Comboio


Luar


Cartoon


quinta-feira, janeiro 17, 2019

Seis Notas

O Vitória foi mal eliminado da Taça de Portugal num jogo em que foi quase sempre superior mas não conseguiu traduzir isso em eficácia.
Em seis notas:
1) O Benfica foi melhor nos primeiros quinze minuto em que fez o golo e teve um remate perigoso que Miguel Silva defendeu com a classe habitual. A partir daí o Vitória foi sempre melhor e fez o suficiente para passar a eliminatória menos...marcar golos. E quando assim é...
2) Miguel Silva conseguiu sobreviver a uma noite de frio em que o risco de hipotermia deve ter sido o mais elevado de toda a sua carreira. Na segunda parte esteve positivamente a ver o jogo.
3) O Vitória foi de uma inoperância confrangedora a rematar. Ora passavam a bola ao guarda redes tão frouxos eram os remates ora rematavam longe da baliza dando sequência a bons envolvimentos ofensivos mas em que muito poucas vezes os seus extremos foram à linha cruzar. Surpreendeu a ausência nos convocados de Tyler Boyd o mais vertical dos extremos vitorianos.
4) Luís Castro mexeu bem na equipa e desta vez, e muito bem, arriscou jogar com dois pontas de lança nos vinte minutos finais. Demonstraram falta de rotina (Guedes e Estupinan) mas ela ganha-se jogando. 
5) Joseph fez um belo jogo fazendo aumentar a perplexidade por estes meses de ausência(a saída apenas é explicável por fadiga) enquanto a entrada de Hélder Ferreira provou que ele deve ser opção com mais frequência.
6) Hugo Miguel fez um mau trabalho beneficiando o Benfica. Poupou um vermelho a Jardel aos 24 minutos de jogo após uma entrada brutal sobre Davidson (por bem menos viu Tozé vermelho no jogo com o Moreirense) e aos 45 minutos não quis ver claro penálti na área encarnada em dois enormes erros que influenciaram o resultado. Aos 73 minutos perdoou segundo amarelo a Joseph e consequente vermelho mas na altura o "trabalhinho" já estava feito. 
Em boa verdade nada a que não estejamos habituados.
E assim se continua a fazer a (má) História do nosso futebol.
Depois Falamos

P.S. A FPF anuncia agora que haverá VAR nas meias finais e final da Taça. Com Porto, Benfica, Sporting e Braga apurados a FPF resolveu preocupar-se com o reforço da verdade desportiva dando sequência à velhíssima política de filhos e enteados. É que com um VAR sério e competente (coisa que infelizmente também não tem sido frequente em muitos jogos) os semi finalistas podiam ser outros nalguns casos.

quarta-feira, janeiro 09, 2019

A Velha Novela

O meu artigo desta semana no zerozero.

A saída de Rui Vitória do Benfica, além de ser o facto mais previsível na actualidade do futebol português, é também uma novela que se vinha arrastando desde a época passada e se acentuou quando o desejado penta campeonato não foi conquistado.
Rui Vitória, um treinador competente, culto, extremamente bem educado e de um nível claramente superior à média ai que se vê por aí nunca fui um técnico amado no clube a que deu vários títulos.
O seu estilo de comunicar, a elegância que sempre prezou exibir, a recusa de entrar em “peixeiradas” tão ao gosto de alguns adeptos mas que apenas prejudicam o futebol foi sempre um factor de atrito com um sector de adeptos que preferia claramente o estilo Jorge Jesus cuja saída do clube deixou abertas feridas que ainda hoje estão por sarar como se constata através da novela de escolha do novo treinador encarnado.
Acresce a isso, a esse estilo urbano de Rui Vitória mal digerido por apreciadores de outros estilos mais a fugir para  o fato de treino e a chinela, o facto de a qualidade do plantel do Benfica ter vindo a piorar de forma clara ano após ano com os jogadores transferidos por bastantes milhões a não serem substituídos por jogadores de idêntico valor capazes de proporcionarem à equipa uma estabilidade em contínuo.
Bastará lembrar nomes como Aimar, Saviola, Cardozo, Ederson, Renato Sanches, Bernardo Silva, Nélson Semedo, Matic, Gonçalo Guedes, Lindelof entre outros para se constatar que Jorge Jesus teve sempre melhores jogadores e melhor plantel que Rui Vitória mas sem que os resultados tenham sido superiores face ao tempo que cada um orientou o clube.
Factos são factos.
E por isso quando os resultados , condizentes com a realidade do clube em termos de valia do plantel, criaram uma contestação cada vez maior nos adeptos que viam o Porto a distanciar-se no comando da Liga e Braga e Sporting a discutirem taco a taco o segundo lugar com o Benfica a saída do “bode expiatório” quero dizer de Rui Vitória tornou-se perfeitamente inevitável até por vontade (é minha convicção) do próprio treinador farto de andar no arame sem rede.
Entendendo-se como rede a protecção e solidariedade que o próprio presidente do Benfica, vendo ou deixando de ver luzes inspiradoras, já não estava em condições de lhe dar face ao clima pré eleitoral que se vive já para os lados do estádio da Luz.
Rei morto rei posto.
E agora a novela orienta-se para o sucessor do treinador que foi embora.
Área que  os jornais desportivos adoram porque a incerteza “vende” e a especulação atrai sempre a atenção de adeptos naturalmente ansiosos por saberem quem será o próximo treinador do clube.
Pena é que essa adoração dos jornais desportivos os leve por caminhos invíos, ora especulando com o nome de treinadores que estão a trabalhar em Portugal um dos quais que não por acaso tem dois jogos com o Benfica na próxima semana (papel deplorável este a que alguns jornalistas se prestam...) ora atirando para as primeiras páginas com nomes simplesmente impossíveis para a realidade do Benfica e do próprio futebol português.
É o caso de José Mourinho.
Que terá o seu futuro num grande clube europeu, provavelmente até no país vizinho, e que não está seguramente interessado em regressar a Portugal para treinar o Benfica (ou qualquer outro clube ) que não faz parte dessa elite europeia onde o treinador quer continuar a trabalhar.
Jorge Jesus ?
Acredito que é uma hipótese que agrade muito ao presidente do Benfica e a uma parte dos adeptos, pela óbvia razão de que é um excelente treinador que deu muitos títulos ao clube, mas existe também uma outra corrente que se opõe ferozmente ao seu regresso  e isso caso os resultados não correspondessem no imediato provocaria fracturas ainda maiores num universo associativo que se pressente dividido.
Então quem?
Pode sempre haver uma surpresa, como é normal no futebol, mas se tivesse de apostar num nome poria as “fichas” em Rui Faria.
Está disponível, é o mais parecido que se arranja com Mourinho, há a expectativa de que repita o percurso do próprio Mourinho quando passou a treinador principal depois da aprendizagem com Bobby Robson e existe o exemplo de André Villas Boas a dar força à opção.
É certo que são pessoas diferentes, a história nem sempre se repete, mas acredito que tentação é tão forte que Rui Faria será o próximo senhor do banco da Luz.

P.S. Ah, é verdade, e Jorge Mendes também gostará que assim seja.

Dança dos Carrões


Farol dos Capelinhos


Abu Dhabi


terça-feira, janeiro 08, 2019

Votos para 2019

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

Embora 2019 seja um ano de muitos votos, com três eleições bem diversas (Europeias, regionais da Madeira e Legislativas) ao longo dos próximos meses, não é desse tipo de votos que se pretende falar neste texto de hoje.
São outros votos.
Aqueles que normalmente se formulam no início de cada ano, sempre com a esperança que se cumpram, e que depois ao longo do tempo se vai aferindo do seu cumprimento ou nem por isso consoante as coisas se vão desenrolando.
Na passada semana formulei aqui alguns votos de índole política e agora é tempo de olhar para o desporto (hoje apenas para o futebol) e formular votos para aquilo que gostaria de ver cumprido ao longo de 2019.
Começando pela selecção nacional A que ainda por cima terá a responsabilidade de jogar em casa a fase final da Liga das Nações que que vai disputar com Suíça, Holanda e Inglaterra um troféu que se disputa pela primeira vez  e logo no nosso país.
E não só no nosso país como também em Guimarães onde se jogará uma espectacular(assim se espera) meia final entre Holanda e Inglaterra e depois o sempre ingrato jogo para atribuição do terceiro lugar.
O primeiro voto, por estranho que pareça, é que Portugal não jogue em Guimarães porque isso significaria não disputar a final e que por cá apareça a Suíça para defrontar o derrotado do jogo entre holandeses e ingleses.
O segundo voto, naturalmente, é que Portugal vença a competição e se sagre como primeiro vencedor de um troféu que dá agora os seus primeiros passos e que terá sempre um lugar especial na sua história para a selecção que o vença em primeiro lugar.
O terceiro e último voto, quanto à selecção, é que o imbróglio Ronaldo se resolva e ele passe a ser um jogador como todos os outros que é convocado quando o justificar (e ele justifica sempre em boa verdade) e fique de fora quando assim não for porque isso me parece importante quanto à estabilidade do grupo.
Passando ao futebol “doméstico” são necessárias duas palavras; uma para o Vitória e outra para o Moreirense, os dois principais clubes do concelho, que terão em 2019 desafios teoricamente diferentes mas que a “herança” de 2018 tem mostrado não serem tão diferentes assim.
Do Vitória espera-se um apuramento europeu, por via do campeonato ou da Taça, que é a sua obrigação miníma para cada época face à dimensão do clube, ao seu historial e à grandeza do apoio que recebe dos seus adeptos.
Entra em 2019 a lutar em duas frentes, campeonato e Taça, esperando-se que este Janeiro não traga desilusões em nenhuma delas para nos restantes meses poder alicerçar a sua candidatura europeia.
Sem perder de vista o Jamor onde se deseja que volte em Maio com maior eficácia e sucesso do que no passado domingo.
Em termos de Vitória o ano de 2019 será também fundamental noutras vertentes mas isso será assunto para futuro artigo que não é hoje o tempo de abordar essa temática.
Quanto ao Moreirense, a fazer a sua melhor primeira volta de sempre (neste momento a uma jornada do fim da mesma, curiosamente visita o Vitória nessa jornada que falta, segue em quinto lugar) tem a permanência praticamente garantida e poderá fazer uma segunda volta de absoluta tranquilidade o que merece assinalável registo.
Assim consolidando  o seu estatuto de clube de primeira divisão e mantendo Guimarães como o único concelho que não é capital de distrito a ter duas equipas na primeira liga.
Votos finais para duas realidades que envergonham o nosso futebol e cuja continuidade é uma vergonha e um escândalo cada vez maior.
Votos de que as equipas de arbitragem e o malfadado VAR façam um caminho que os leve no sentido da verdade desportiva e do fim deste tratamento de décadas em que três (ás vezes quatro) clubes são tratados como filhos e os restantes como enteados pelos poderes do futebol.
E votos finais para que a comunicação social nacional, especialmente televisões e jornais desportivos, deixem de ser autênticas cornetas ao serviço desses três clubes e passem,ao menos, a respeitar todos os outros por igual.
E nessa matéria cabe aqui dizer que a sport-tv ,então, tem um longo caminho a fazer face à parcialidade, falta de rigor e verdade com que alguns dos seus comentadores analisam e comentam os jogos transmitidos no canal.
Será pedir muito que todos estes votos se cumpram?
Em Dezembro saberemos.