terça-feira, agosto 14, 2018

Caro ?

Uma das formas mais idiotas de populismo ligado ao futebol são aquelas afirmações de que os grande sjogadores ganham muito dinheiro e é um escândalo pagar-lhes tanto porque há muita gente a viver com dificuldades a quem esse dinheiro tanto jeito daria.
Claro que uma coisa nada tem a ver com outra.
Desde logo porque quem paga os salários são os clubes e não o Estado e estes enquanto entidades privadas gastam o dinheiro como muito bem entendem (ás vezes bem mal mas isso é outra questão) e os únicos que com isso tem a ver são os seus associados e os seus accionistas (quando se trata de SAD) e os governos não tem qualquer interferência nisso.
São as leis de mercado a funcionar e a regerem transferências e contratos.
Mas a questão substantiva é outra.
São os grandes jogadores, e portanto os mais bem remunerados, jogadores caros e que ganham demasiado dinheiro?
Creio que não.
Porque os grandes jogadores, e Cristiano Ronaldo é o maior exemplo disso, pagam-se a eles próprios!
Fruto da sua classe, da importância que tem na suas equipas, dos jogos decisivos em que são preponderantes (especialmente os avançados) ganham um mediatismo e uma legião de seguidores que tem um brutal retorno financeiro em termos de publicidade, marketing e merchandising.
Veja-se ainda agora que a Juventus com a contratação de Ronaldo já vendeu mais camisolas (sem contar com a contrafacção...) antes de começar o campeonato do que tinha previsto para toda a época bem como viu as suas acções (e as da Fiat) terem uma enorme valorização bolsista na casa das centenas de milhões de euros.
Não.
Os grandes jogadores não são caros nem ganham demasiado dinheiro.
Caros são os que não jogam pouco ou nada e ganham salários que não justificam.
Depois Falamos

Cobras Rateiras

Foto: National Geographic

Bombaim


domingo, agosto 12, 2018

Dez Conclusões

Foto: zerozero

Conclusões a tirar deste Benfica-Vitória na óptica vitoriana, é claro,que a outra não interessa para nada.

1) A equipa alinhou com um onze diferente do que defrontara o Tondela ,registando três alterações, mas os efeitos das mudanças não se fizeram sentir e o resultado final acabou por ser o mesmo.
2) A primeira parte foi muito fraca em termos defensivos concedendo grandes espaços aos avançados e médios adversários do que resultaram três golos idênticos com o marcador a aparecer à vontade em zona proibida para quem defende.
3) Alguns jogadores (Rafa Soares e Ola John são os casos mais flagrantes) estiveram bastante aquém do exigível, até com responsabilidades nos golos, pelo que aplicando-se a "Lei Miguel Silva" no próximo jogo espera-os o banco. Estranho será se assim não for.
4) Douglas não teve culpa nos golos, defendeu um penálti e esteve seguro no restante comprovando que a equipa não tem nenhum problema de guarda redes jogue ele ou Miguel Silva.
5) O "onze" inicial revelou alguma ousadia, com a utilização simultânea de André André e João Carlos Teixeira, que se compreenderá noutros jogos mas que talvez tivesse sido de evitar neste face à valia do adversário.
6) A entrada de Célis para o lugar de J. Teixeira equilibrou o meio campo, deu mais capacidade de luta e mais "músculo" e levou a crer que talvez devesse ter sido essa a opção inicial.
7) André André teve uma primeira parte muito discreta, sem influência, mas quando Luís Castro corrigiu posições com a entrada de Célis e o adiantou no terreno "regressou" o influente André que todos conhecemos com um golo, uma assistência e maior participação no jogo.
8) Tallo , que alguns tanto criticam, teve uma exibição interessante efectuando o primeiro remate perigoso do jogo e ganhando bolas na luta com os centrais. Renderá mais ,seguramente, quando tiver ao lado um ponta de lança que também poderá beneficiar muito da sua capacidade de luta.
9) Whelton e Óscar Estupinan,os dois pontas de lança do plantel, não foram convocados. Se no caso do primeiro já nem se estranha dados os seus problemas fisícos o desaparecimento do segundo das opções de Luís Castro é... estranho dado ser um genuíno homem de área com capacidade goleadora.
10) João Pinheiro fez uma boa arbitragem sem margem para grandes reparos e sem qualquer influência no resultado. Para o seu trabalho ser perfeito faltou apenas manter o critério de deixar jogar até ao fim dado que nos últimos dez minutos passou a apitar a tudo causando constantes quebras no ritmo de jogo. E o Vitória, em busca do empate, foi quem mais se ressentiu disso.
Depois Falamos

Luar


Farol, Córsega


Cavalo Marinho

Foto: National Geographic

quinta-feira, agosto 09, 2018

Tristeza

Devo dizer, à laia de intróito,que pensei muito antes de escrever este texto sobre a saída de Pedro Santana Lopes do PSD.
Há toda uma amizade, uma consideração, uma admiração e um respeito pessoal que se mantém evidentemente intactos mas não conseguem esconder uma profunda tristeza por uma decisão que não consigo entender por mais que me esforce ou nela tente encontrar um sentido.
Percebo a sua desilusão com o PSD actual.
É a de muitos de nós, incluindo alguns (muitos?) que votaram Rui Rio, que não se reveêm nesta forma de fazer política, nesta incapacidade de fazerem uma oposição " a sério",nestas cumplicidades cada vez mais evidentes com o PS e António Costa, neste desrespeito por acordos internos resultantes do congresso, nesta obsessão de destruírem em várias áreas o legado e a imagem de Pedro Passos Coelho.
Mas acredito que o combate para mudar este estado de coisas deve ser feito dentro do partido.
Como o próprio Pedro Santana Lopes tantas vezes fez, ao lado de Francisco Sá Carneiro e de outros lideres, de forma frontal, corajosa, sem temer nem medir os riscos.
Defendendo sempre o que entendia ser melhor para o partido, mesmo quando isso o punha  em rota de colisão com as lideranças, nunca  recusou os combates externos que lhe eram pedidos.
Da Figueira da Foz a Lisboa.
Entre outros relevantes serviços prestados ao PSD.
Como o de substituir um primeiro ministro de partida para a Europa sem poder recolher a legitimidade do voto popular como tanto gostaria de ter feito mas não lhe permitiram por razões que depois se viriam a entender.
Pedro Santana Lopes teve 46% nas ultimas directas recolhendo o voto de quase 20.000 militantes o que significa que quase metade do partido seguiu as suas ideias, acreditou no seu programa e se revia na sua liderança.
Respeitando-a lamento profundamente a sua decisão.
Por várias razões.
Porque os tais 46% lhe davam uma sólida base eleitoral para continuar a lutar pelas suas ideias.
Porque se Rio fracassar, o que infelizmente tem boa dose de probabilidade de acontecer, depois do ciclo eleitoral do próximo ano o partido cair-lhe -ia naturalmente nas mãos.
Porque os partidos precisam de referências e PSL era uma das ultimas grandes referências do PSD.
Porque não se deve confundir nunca o destino das instituições com o destino de quem momentaneamente as dirige.
Porque com a sua saída, e na tal hipótese de fracasso/substituição de Rio, o PSD fica com um caminho demasiadamente estreito pese embora as várias manifestações de disponibilidade que se vão conhecendo.
Porque, finalmente, nas directas de Janeiro deste ano Pedro Santana Lopes recolheu inúmeros apoios nos concelhos, distritos,regiões autónomas, estruturas do partido, de gente que deu a cara por ele, pôs a cabeça no cepo pela sustentabilidade e credibilidade da sua candidatura, de gente que nele se revia e nele acreditava como melhor líder para o partido, de gente que garantiu aos militantes o que afinal não podia garantir e toda essa gente,apenas seis meses depois, ficou de boca aberta, perplexa, incrédula sem perceber o abandono e sujeita a "cobranças" diversas por parte dos que estiveram do outro lado.
E essa gente não merecia isso!
Nem merecia esta quase "orfandade" em que se viu repentinamente mergulhada.
Pedro Santana Lopes é um político de excepcional talento mas também um homem normal sujeito a erros e acertos em cada momento em que tem de decidir.
Creio que desta vez decidiu mal.
O que não significa que deixe de ser um político talentoso e um homem Bom, merecedor de respeito e consideração, a quem desejo com toda a sinceridade que seja feliz neste caminho que decidiu corajosamente encetar.
E oxalá a sua felicidade nesse caminho possa ser compatível com a felicidade do próprio PSD.
Depois Falamos.

P.S. Nas directas de 2008 e 2018 integrei a direcção nacional de campanha de Pedro Santana Lopes.
Se a questão,por hipótese, me voltasse a ser posta hoje voltaria a fazê-lo sem qualquer hesitação.

Um Aviso

Como não se trata de Benfica,Porto ou Sporting o assunto tem passado relativamente despercebido porque a comunicação social está focada nos três clubes, a tutela (Governo) assobia para o ar, Liga e Federação não estão para se incomodar com arraia miúda e por isso a grave crise do Belenenses é assunto menor embora na verdade de importância maior.
A essência do futebol, a paixão dos adeptos, o historial das instituições construído ao longo de muitas décadas está nos clubes.
As SAD são,pelo menos em teoria, instrumentos de racionalização do negócio futebol e de potenciação dos proveitos económicos a ele ligados no pressuposto de isso ser feito em total harmonia com os clubes de quem dependem.
No Belenenses, depois de muito tempo de conflitos entre direcção do clube e a SAD (que não coincidem em termos de responsáveis), a corda partiu e nesta época que agora começa o clube inscreveu uma equipa nos distritais,que jogará no Restelo, enquanto a SAD onde o clube é minoritário inscreveu a equipa na primeira liga e jogará no Jamor.
Percebo bem a tristeza e a revolta de muitos adeptos do clube que veem uma História gloriosa de décadas ser posta em causa e o futuro de "Os Belenenses" seriamente ameaçado com esta ruptura.
Não vou sequer especular sobre como uma equipa que já tinha poucos adeptos a ver os jogos no Restelo será apoiada no mais distante e absolutamente desconfortável estádio do Jamor onde os adeptos não terão bancadas cobertas como no seu estádio e jogar à noite e no inverno será um quase terror.
Prefiro olhar para este mau exemplo como um enorme aviso para outros clubes em que as SAD são maioritariamente dos accionistas e os clubes minoritários na sua estrutura accionista.
Porque enquanto os dirigentes no clube e na SAD forem os mesmos a questão não se porá mas quando os accionistas decidirem que assim não seja, e que as SAD sejam dirigidas exclusivamente por quem tem acções, o assunto pode tornar-se muito complicado em muitos lados.
Porque ninguém está livre que este exemplo se repita e que, a exemplo do que acontece na NBA, as administrações decidam levar as equipas de um lado para outro ao sabor do negócio que a cada momento se lhes ofereça.
Daí a importância de uma eficaz blindagem de estatutos e de pactos sociais entre clubes e respectivas SAD.
Depois Falamos.

domingo, julho 22, 2018

O Meu Clube

O meu artigo desta semana no zerozero.

O meu clube é o Vitória.
Mais propriamente o Vitória Sport Clube, nascido e sediado em Guimarães, que é hoje um dos mais históricos, tradicionais e carismáticos clubes portugueses por força de uma História honrosa de quase 100 anos e de uma massa associativa e adepta que é a melhor de Portugal e que leva a todo o lado o nome do clube.
Nascido em Guimarães, essa Terra onde adeptos de outros clubes são mais raros que os pandas fora da China, desde que me conheço que sou vitoriano por força de uma magnífica cultura vimaranense que nos ensina a todos a valorizarmos o que é nosso e entre o que é nosso acima de tudo a sermos vitorianos como expressão maior do nosso vimaranensismo.
É certo que há excepções, na orla da pura irrelevância, mas não fazem mais do que confirmar a regra e a regra é “quem é de Guimarães é do Vitória”.
Parágrafo!
Estamos assim libertos desse mal, que afunila e diminui o desporto em geral mas muito especialmente o futebol, que é o chamado bi clubismo reinante no resto do país e segundo o qual as pessoas são do clube da terra e depois por um dos chamados “grandes” embora a realidade na maioria dos casos nos diga que são , isso sim, por um dos “grandes” e depois pelo clube da terra mais que não seja por vergonha de não o serem.
Em  Guimarães não é assim.
Especialmente em termos de equipas de futebol da primeira liga.
Somos pelo Vitória, com simpatia pelo Moreirense , ou pelo Moreirense (os habitantes de Moreira de Cónegos e arredores)com simpatia pelo Vitória mas aí se esgotam as simpatias clubísticas sem necessidade de outras cores que nos tragam a ilusão de títulos e troféus que nunca seriam nossos mas sim e sempre deles.
O Vitória é a nossa “Fé” e o vitorianismo a nossa doutrina.
É uma opção consciente, que passa de geração em geração (na minha família já vamos na quinta geração de adeptos e associados do Vitória) como componente importante da educação que passa de avós para pais e de pais para filhos e assente na valorização daquilo que é nosso em detrimento do que não nos pertence nem disso fazemos questão.
É uma opção que tem os seus custos.
Sabemos que não ganharemos tanto como os chamados “grandes”, nem nada que se pareça, porque a dimensão do clube a vários níveis é compatível com a dimensão da região em que está inserido e não contamos com uma trituradora máquina de exercício do poder, que vai da comunicação social aos orgãos próprios do futebol ( e das modalidades de alta competição já agora), completamente formatada para levar ao colo o Benfica, o Porto e o Sporting como a História do nosso desporto bem documenta.
Também não temos adeptos das vitórias, como esses clubes, que lhes enchem bancadas e estádios (menos um ...) por esse país fora dando-lhes um apoio que os adeptos idos de Lisboa ou do Porto nunca dariam dada o reduzido número em que se deslocam a jogos fora dos seus estádios.
E isso ajuda, quantas vezes, a fazer a diferença em termos de apoio.
O Vitória é, provavelmente, o clube português que mais adeptos leva da sua Terra a apoiarem-no pelo país e isso é para os vitorianos também uma questão de honra e um motivo de orgulho pela forma como fazemos a diferença face aos clubes que “vivem” do apoio dos adeptos das vitórias muitos dos quais nunca puseram os pés no estádio do clube que apoiam e de que se dizem adeptos.
Nunca ganhamos um campeonato (lá chegará o dia...), em sete finais de taça de Portugal vencemos uma ( outra foi-nos roubada de forma escandalosa por um sujeito que nem o nome merece que se pronuncie), vencemos uma supertaça e em termos de futebol sénior por aí se fica um palmarés muito curto em relação ao que o clube e os seus adeptos mereciam.
Mas o que ganhamos...merecemos ganhar.
E ganhamos pelo nosso mérito e esforço,sem favores de ninguém, nem ficando a dever aos poderes ocultos as nossas vitórias.
Somos, de facto, um clube único.
Na paixão dos adeptos, no orgulho que todos temos em sermos do Vitória, nessa magnífica tradição que passa de geração em geração de em Guimarães sermos vitorianos.
E isso permite-nos outros “titulos”.
Um é o de sermos campeões do amor clubista, da dedicação ao nosso emblema, de o seguirmos com um fervor sem igual e que portanto não teme comparações.
Outro titulo é o de campeões da invencibilidade.
Porque no nosso estádio, seja no D.Afonso Henriques, fosse na Amorosa ou no Bem-Lhe-Vai, podemos ter perdido muitos jogos mas nunca perdemos em número de adeptos fosse quem fosse o visitante ao ponto de podermos tranquilamente dizer que em Guimarães todos que nos visitam são “pequenos” face á tremenda inferioridade numérica em relação aos vitorianos.
Bem ao contrário do que acontece em qualquer outro estádio do país visitado pelos chamados “grandes” em que o “normal” é os seus adeptos das vitórias serem em número superior aos adeptos do clube local.
Finalmente há um terceiro titulo de que nos orgulhamos muito.
Que é o titulo do exemplo.
Quando em todos os pontos do país o exemplo do Vitória e dos vitorianos for seguido seguramente que o nosso desporto, e o futebol em particular, serão bem melhores.
Porque mais verdadeiros, mais competitivos e melhor dimensionados.
Haja esperança!

Avião


Salto de Pinguim