quarta-feira, julho 01, 2026

"No meu tempo..."

"No meu tempo é que era.." ou "no meu tempo não era assim..." são frases que se ouvem com alguma frequência na política, no desporto, no associativismo, no jornalismo e em tantas outras áreas da sociedade em que todos vivemos.
São frases perfeitamente inúteis, que em nada valorizam o passado mas apenas traduzem a incapacidade dos seus utilizadores em aceitarem a evolução dos tempos e as mudanças que eles inevitavelmente trazem às pessoas e organizações e por isso querem fazer passar a ideia de que dantes era tudo muito melhor.
Não era.
E tentar depreciar o presente por comparação com o passado que tentam "vender" como glorioso apenas aumenta a ruptura com a actualidade e a dificuldade de a aceitarem como ela é e agirem em conformidade.
E deixo aqui uma pequena história pessoal a ilustrar o que digo mas com um exemplo positivo porque de negativos, nesta e noutras matérias, já está o mundo cheio.
Tive um grande amigo de que já aqui falei, infelizmente falecido fará em Setembro seis anos, que durante mais de trinta anos foi responsável pela sede do PSD de Guimarães onde estava normalmente cinco noites por semana, quarenta e oito semanas por ano (em Agosto estava fechada excepto em ano de autárquicas) desde 1975 até á sua reforma.
Nesses tempos remotos Guimarães tinha setenta e três freguesias ( agora tem sessenta e nove) e a preparação de um processo autárquico ( até a convocação de um simples plenário era complexa) levava muitos meses de trabalho porque não havia internet, redes sociais, telemóveis, computadores,  impressoras, fotocopiadoras e portanto tinha de ser tudo por telefone, por carta, usando máquinas de escrever e uma arcaica máquina de stencil que era uma antepassada das fotocopiadoras.
E esse meu amigo, chamado Francisco Martinho, coordenava todo esse tremendo trabalho com a ajuda de alguns voluntários que durante meses, muitos meses, trabalhavam para que o processo de candidatura pudesse ir para tribunal a tempo e horas.
Ninguém hoje, excepto as pessoas desse tempo que participaram em processos autárquicos, imaginam o trabalho que aquilo dava.
Mas também as relações de amizade, de companheirismo, de solidariedade que se estabeleciam.
Com o passar dos anos apareceram novas tecnologias que simplificaram muito os processos mas o meu amigo, excepto o telemóvel, nunca se adaptou a elas e nunca usou um computador ou uma impressora, nem nunca acedeu à net.
Um dia reformou-se do seu cargo de chefe de secretaria de uma IPSS de Guimarães e também deixou o seu part time no PSD embora continuasse a frequentar a sede e a ajudar com a sua experiência e o seu sábio conselho os seus sucessores.
E dizia-me muitas vezes qualquer coisa como isto: "Estas modernices simplificam muito o trabalho que é agora muito mais fácil que no meu tempo mas eu é que não me consigo adaptar a elas".
Uma posição tão séria quanto exemplar.
Reconhecendo as vantagens do progresso, percebendo que os tempos são outros, mas admitindo que não se conseguia adaptar às novas tecnologias e aos novos procedimentos ao invés de para justificar essa incapacidade se agarrar ao estafado e inútil " no meu tempo é que era..." ou "no meu tempo não era assim..." que mais não é do que uma recusa de nalguns casos se admitir que o tempo passou e não volta para trás.
Enfim divagações, e o recordar de velhas histórias e de um grande amigo, ao sabor de frases que se vão ouvindo.
Depois Falamos.

terça-feira, junho 30, 2026

Cristiano Ronaldo

Como cantam os adeptos vitorianos..." Eu sei que dói mas eu sei que é lindo". 
Para lá dos feitos futebolísticos, tão fabulosos como inegáveis, o que Portugal deve a Cristiano Ronaldo é esta extraordinária promoção do país no mundo. 
Que leva a que em qualquer lado se faça uma associação imediata entre o nome do jogador e o seu país. E isso não tem preço. 
Para quem gosta de Portugal e tem orgulho em ser português como é óbvio.
Depois Falamos.

Farol Turka, Lago Baikal, Rússia

Rebanho

São Francisco

Tendências

Estão disputados apenas quatro jogos dos dezasseis avos de final e nos doze restantes ainda podem acontecer resultados que contrariem a maiorias das previsões ( Força Cabo Verde!!!) mas estes já jogados permitiram algumas definições.
Uma delas é que dois candidatos, Alemanha e Holanda, já foram afastados e por isso nos oitavos de final teremos um inesperado Canadá x Marrocos e provavelmente um França x Paraguai que em teoria será menos difícil para os franceses que um jogo com a Alemanha.
E por isso na metade esquerda do quadro tudo aponta para que provavelmente França e Espanha ou Portugal disputem o acesso à final porque com todo o respeito pelas outras seleções, e salvaguardando a tal possibilidade de resultados menos esperados (atenção aos EUA) , não me parece que outras o consigam.
Na metade direita, onde apenas se jogou o Brasil x Japão, as coisas também parecem simples.
Em teoria a Argentina terá um "passeio" até às meias finais onde encontrará o Brasil, a Inglaterra ou mais remotamente a Noruega o que confirma que além do mais, que já não é pouco, os argentinos também tem sorte nisto de sorteios.
Porque se passarem Cabo Verde ( esperemos que não mas a esperança não é muita) encontrarão o vencedor do Austrália x Egipto e depois uma de quatro selecções - Suiça, Argélia, Colômbia e Gana- que não me parecem capazes de travarem a seleção das pampas embora a Colômbia possa ser um osso duro de roer e capaz de um dos tais resultados menos esperados.
E portanto umas meias finais Argentina x Brasil/ Inglaterra e França x Espanha/Portugal parecem-me bastante prováveis.
Veremos se os doze jogos em falta nos dezasseis avos de final continuam a apontar nesse sentido.
Depois Falamos.

segunda-feira, junho 29, 2026

Praia de Cepães

Ponto prévio para esclarecer que tenho algum interesse pessoal neste assunto porque a praia de Cepâes fica ao fundo da rua onde moro e por isso sou frequentador da mesma. 
Acontece que as praias de Esposende, e particularmente as da cidade, tem todas elas os seus apoios de praia. 
Pequenos espaços onde se pode tomar café, beber refrescos, comer refeições ligeiras e comprar produtos típicos de praia como guarda sóis, tapa ventos, brinquedos, bolas, chapéus, etc. 
Só como exemplo direi que nas praias entre a de Cepães e a foz do rio Cávado existem quatro apoios de praia em pleno funcionamento desde o início da época balnear. 
O apoio de praia de Cepães, que sempre funcionou ao longo de muitos anos, está fechado!
Pior, está fechado há dois anos porque o ano passado também não abriu perante a surpresa e o desagrado dos frequentadores da praia.
Pensava-se que tivesse sido excepção e que este ano houvesse uma mudança e voltasse a abrir.
Não houve.
E por isso continua fechado em plena época balnear com natural prejuízo da atractividade da praia e do conforto dos seus frequentadores.
Não conheço as razões para tal e menos ainda os responsáveis por elas.
Mas que é uma situação inaceitável isso é.
Depois Falamos.

Nota: Morando a 300 metros da praia não me faz pessoalmente grande diferença. Mas a quem vem de mais longe e quer passar o dia no areal e no mar...faz!

domingo, junho 28, 2026

Falsidade

Faço parte daqueles milhões de portugueses que apoiam sem reservas a seleção nacional.
Jogue quem jogar, treine quem treinar, sejam quais forem os convocados basta vê-los vestirem a camisola da seleção para merecerem automaticamente o meu apoio.
Posso discutir, e discuto, os convocados, posso achar que devia ir este e não ir aquele, mas quando a seleção entra em competição essa discussão acaba e os que vão são os melhores do mundo.
Depois da competição acabar faço o meu balanço, deixo os elogios e as críticas, mas recuso-me a fazer "ruído" (salvo uma ou outra pequena discordância que manifesto a propósito desta ou daquela decisão) enquanto a equipa luta por apuramentos, troféus e títulos.
Faço também parte daqueles milhões que não entendem como há uma faixa ultra minoitária de portugueses que não gostam da seleção nem a apoiam porque não gostam deste ou daquele jogador, deste ou daquele treinador, desta ou daquela convocatória como se porventura houvesse jogador, treinador ou decisão mais importantes que a camisola de Portugal.
E jamais perceberei como essa gente fica feliz quando Portugal perde e/ou quando os jogadores de que não gostam fazem más exibições os os treinadores que abominam erram na táctica e nas substituições.
Deve ser triste ser assim.
Mas ainda há pior.
Os falsos, os dissimulados, os hipócritas.
Aqueles que quando a seleção ganha se fingem contentes embora estejam danados da vida e quando a seleção perde se fingem de tristes mas rejubilam interiormente.
E desses tamto os há nas redes sociais como no comentário televisivo em que alguns jornalistas, comentadores e narradores de jogos disfarçam muito mal a sua clubite e orientam os seus comentários em função dos clubes em que este ou aquele jogador joga ou já jogou ( e às vezes"vendo" exibições fabulosas que mais ninguém conseguiu "ver") e não disfarçando a sua azia quando este ou aquele que entendem que devia jogar fica no banco ou é substituido.
E aí disfarçam muito mal a sua satisfação quando as coisas não correm bem.
É pena que haja gente assim  mas é uma realidade incontornável neste país de pequenas invejas.
Depois Falamos. 

Orictéropo

Farol de Kermorvan, França

"Deus Rá"

Sugestão de Leitura

A vida por vezes reserva boas surpresas.
Não conhecia este livro, nunca dele teria ouvido falar e provavelmente se o visse numa livraria não o comprava.
Mas foi-me oferecido e como se costuma dizer " a cavalo dado não se olha o dente".
E uma vez lido ,,,ainda bem que mo ofereceram!
Porque é um livro muito, mas mesmo muito, interessante sobre a história dos livros.
Desde o seu nascimento, a sua evolução e das muitas formas de que se revestiram ao longo de mais de trinta séculos desde a seda ao papiro, da argila à pele, das cascas de árvore até à actualidade dos livros em papel e dos e-book.
Mas é também um livro de viagens que percorre diversos destinos do mundo antigo desde os campos de batalha de Alexandre o Grande até Pompeia pouco antes da erupção do Vesúvio, as grandes bibliotecas do passado como a de Alexandria, o copistas dos mosteiros medievais, os livros proibidos nos gulags, os livros queimados pelo nazismo, a biblioteca de Sarajevo e os túneis de Oxford.
É uma história fascinante que se lê com um interesse em crescendo e no qual a autora, Isabel Vallejo, nos relata tantas e tantas peripécias de um objecto que mantém bem vivos as ideias, as descobertas e os sonhos
Mas é também a história de milhões de leitores ao longo dos anos cuja interesse pela leitura e pelos livros os mantiveram vivos resistindo a todas as vicissitudes que os assolaram ao longo dos anos.
Em suma um belo livro.
Depois Falamos.

Balanço

Terminada a fase de grupos é tempo de fazer um balanço sobre apurados, eliminados, surpresas, desilusões e acasalamentos dos dezasseis avos de final que começam a mostrar o caminho para a desejada final.
Sobre os apurados a lógica confirmou-se e todas as grandes selecções conseguiram o apuramento para a fase seguinte sem que se tenha registado qualquer surpresa como aconteceu em mundiais anteriores com seleções como França ou Portugal.
Nos eliminados também não houve surpresas excepto a Turquia de quem se esperava bem mais e que não conseguiu utrapassar a fase de grupos.
Bos surpresa foram as seleções africanas, com natural destaque para Cabo Verde, com nove delas a conseguirem o apuramento para a fase seguinte o que mostra bem o que tem sido a evolução do futebol africanos nos últimos anos.
No caso especifico de Cabo Verde a curiosidade de ter ficado num grupo com dois ex campeões mundiais - Espanha (2010) e Uruguai (1930 e 1950) - e agora defrontar o campeão mundial em título num jogo em que ou conseguem um feito extraoridário seguindo em frente ou restas-lhe a consolação de serem eliminados pelo campeão do mundo.
Desilusão o nível das arabitragens com vários juízes ( no campo e no VAR) a mostrarem-se aquém do que um mundial exige deixando um claro sinal à FIFA de que neste tipo de competição tem de chamar os melhores árbitros europeus e sul americanos e reduzindo ao lote dos vindos de outras confederações e que não estão à altura do futebol a este nível.
Desilusão também, mas sendo a FIFA nada que admire, com a pausa para hidratação que é apenas o pretexto para as televisões aproveitarem esses momentos para espaços publicitários deixando, como sempre, o bem estar dos jogadores como pretexto muito mais do que como real motivação.
Quanto aos dezasseis avos de final acredito que África do Sul, Brasil, Alemanha, Holanda, Noruega, França, México, Inglaterra, Bélgica, EUA, Espanha, Portugal, Suiça, Austrália, Argentina e Colômbia marcarão presença nos oitavos de final.
Com uma ou outra pequena suroresa é claro.
Porque grandes surprsas seriam o Japão eliminar o Brasil, o Paraguai a Alemanha, o Congo a Inglaterra ou Cabo Verde a Argentina.
E favoritos para vencer o Mundial?
Ainda é cedo, faltam muitos jogos, pode acontecer muita coisa,  mas a seleção que neste momento me parece mais perto disso é a França.
A ver vamos.
Depois Falamos.

Insuficiente

Não era este o resultado que Portugal queria e desejava mas em bom rigor face aos 90 minutos dificilmente podia ser melhor. 
A equipa entrou mal e demorou largos minutos a equilibrar o jogo face a uma Colômbia muito perigosa a atacar e bem na acção defensiva. 
Depois Portugal equilibrou e na segunda parte o jogo foi mais repartido embora a equipa sul americana tenha estado mais perto de marcar. 
Não é um resultado que envergonhe, longe disso porque a Colômbia é uma boa equipa com excelentes jogadores, mas não é o resultado de que Portugal precisava. 
E em bom rigor do banco também não terão vindo as decisões que pareciam óbvias. 
Ou, por outras palavras, a equipa que tinha de ganhar arriscou pouco e o facto de o MVP ter sido Diogo Costa ( que grande exibição) diz muito sobre isso. 
Deste jogo os factos mais positivos terão sido mesmo, para lá de Diogo Costa, as exibições de Renato Veiga e a boa entrada em jogo de Rafael Leão. 
Agora o jogo com a Croácia, que obrigará a uma longa viagem até ao Canadá , é o inicio de uma fase onde os erros não tem remédio. 
No relvado e no banco.
Depois Falamos.

Nota: Não percebo mesmo como uma equipa que precisava de ganhar faz a última substituição aos 92 minutos e trocando de laterais. Quando quer Gonçalo Ramos quer Francisco Conceição podiam perfeitamente ter entrado e mais cedo. O tal arriscar para ganhar.

"Colombianos"

O profissionalismo dos jornalistas devia ser completamente incompatível com o clubismo, ainda para mais exacerbado, ou com embirrações pessoais em relação a jogadores ou treinadores.
Infelizmente na comunicação social portuguesa há muito quem não respeite esses princípios básicos e vá para o comentário televisivo, especialmente o televisivo mas também o radiofónico e o escrito com a camisola do clube por baixo da camisa e por isso comente em função disso.
Já para nem falar dos ignorantes profundos, como essa aberração jornalística chamada Sofia Oliveira, que se preocupam apenas em zurrarem comentários que lhes deêm protagonismo e mediatismo por irem ao contrário da opinião generalizada.
Tudo isto a propósito dos comentadores da RTP, que no jogo há pouco terminado com a Colômbia, muita pena devem ter tido de não poderem gritar efusivamente um golo colombiano tal a forma como se entretiveram durante todo o jogo (muito em especial na primeira parte) a critiarem a seleção nacional por tudo e por nada e a elogiarem a colombiana.
Uma tristez mais naquele que se intitula serviço público de televisão.
Depois Falamos.