
Aviso prévio: Este texto é completamente especulativo e centra-se em cenários que poderão nunca vir a ser colocados no panorama político nacional. Mas também poderão acontecer e apenas o futuro o dirá.
Nas muitas sondagens, barómetros e afins que estão disponíveis na comunicação social e nas redes sociais achei particularmente curiosa esta sondagem da empresa Pitagórica (uma empresa que conheço e que é credível no seu trabalho) que coloca uma realidade completamente nova no nosso xadrez político e que é a possibilidade de o Chega ser o partido com mais deputados.
No caso, conforme a imagem que ilustra este texto (e com distribuição por distritos) , o Chega elegeria 75 deputados, o PS 74, a AD 61, a IL 12,o Livre 5, a CDU 2 e o JPP 1 com a boa notícia que seria o desaparecimento do BE do Parlamento e o PCP prosseguir o seu caminho rumo a fazer-lhes companhia na total irrelevância política.
Com a nuance de o PS ter mais votos que o Chega mas menos um deputado.
E então qual é a especulação?
Naturalmente saber o que fariam os três maiores partidos num cenário destes dado que os outros não teriam qualquer importância na eventual formação de maiorias para governar.
Salvo se num cenário da abstenção da AD a IL viabilizasse um governo do Chega o que me parece muito improvável.
O que fariam Chega e PS é fácil de prever.
O Chega sendo o partido com mais deputados seria naturalmente convidado a formar governo.
Mas sem maioria corria o risco de o seu programa de governo ser chumbado no parlamento se não fizesse um acordo com a AD ( que poderia passar pela abstenção desta se garantisse o tal apoio da IL) dado que a hipótese de um governo minoritário seria de excluir.
O PS naturalmente chumbaria qualquer governo do Chega pese embora dos dois partidos se entendam em muito mais do que às vezes parece.
E então seria a AD, terceira grupo parlamentar a decidir.
Ou viabilizava um governo do Chega, em coligação ou em acordo parlamentar, ou o inviabilizava.
Correndo o risco da subalternização no primeiro caso ou do reforço do Chega no segundo (que podia levar esse partido para a periferia ou para própria maioria absoluta) porque o eleitorado de centro e de direita poderia não entender que ao contrário do que sempre defendeu a AD não deixasse governar quem tinha ganho as eleições.
E se o governo do Chega não fosse viabilizado que aconteceria?
Provavelmente o Presidente da República (socialista o que não é questão menor nesta especulação) convidaria o segundo partido a formar governo.
Ou seja o PS.
E aí enquanto o Chega teria todas as razões para votar contra já a AD ficava com uma batata bem quente na mão.
Porque ou viabilizava o governo do PS, ficando como parceiro menor de um novo e indesejável Bloco Central, ou se aliava ao Chega para o reprovar e então perante a opinião pública a AD apareceria como uma força política que não deixava ninguém governar, à sua direita e à sua esquerda, e a factura eleitoral disso seria bem pesada.
Em qualquer das circunstâncias a AD (em bom rigor o PSD) corria o sério risco de se tornar uma espécie de PRD do século XXI entalado entre a direita radical e a esquerda pouco moderada (o PS de hoje) perdendo a sua característica histórica de partido capaz de liderar governos e servindo apenas para viabilizar governos de outros partidos.
Cumprindo tragicamente o que muitos anos atrás fora, por razões diversas, o sonho político de Mário Soares, de Freitas do Amaral e interesseiro de uns rapazes das "Opções Inadiáveis" que mais não queriam que um Bloco Central que garantisse poder e negócios para toda a vida.
São especulações conforme adverti no início do texto.
Mas estamos em Portugal onde tantas vezes a realidade ultrapassa a fantasia como é sabido.
Espero bem que nada disto aconteça e que a AD vença as próximas eleições com maioria absoluta que é o cenário que interessa a Portugal.
Espero é que isso não se torne numa fantasia tão grande como a desta especulação...
Depois Falamos.
















