terça-feira, junho 23, 2026

Entusiasmo

É impressionante o entusiasmo em volta da seleção de Portugal que as televisões nos trazem de Houston. 
Dos portugueses mas também de inúmeros estrangeiros que apoiam Portugal por causa de Cristiano Ronaldo. 
É algo que ultrapassa em muito a dimensão do nosso país, este reconhecimento mundial de um jogador português, mas infelizmente será a última vez em termos de grandes competições internacionais. 
Depois de Ronaldo deixar a seleção voltaremos ao plano discreto que sempre foi o nosso. 
As coisas são o que são. 
Mas foi excelente enquanto durou. 
Disfrutemos ,pois, desta última oportunidade de sermos tão grandes como os maiores.
Depois Falamos.

Farol Eilean Glas, Ilhas Hébridas, Escócia

Saigas

"Deus" Osíris

Exageros

Ainda a propósito do regresso de Pedro Santana Lopes ao PSD, e das reações que suscitou, achei particularmente engraçado um comentário que li, penso que no "Observador", de uma senhora cujo nome não fixei (nem interessa para o caso) mas que se dizendo militante do PSD discordava do regresso de PSL e criticava Luis Montenegro e Hugo Soares por terem promovido a sua refiliação, com o argumento de que PSL era uma dos responsáveis por o "nosso (dela) Luis Marques Mendes ter perdido as presidenciais".
Até onde pode chegar o exagero, o delírio e a falta de noção.
Porque mesmo admitindo que PSL não tenha votado em Marques Mendes, não sei obviamente em quem votou, seriam precisos mais 690.000 "Santanas Lopes" a votarem em Mendes para este ao menos conseguir ir à segunda volta.
E por isso quando se profere um disparate desses apenas se pode esperar a piedade a que todos tem direito.
Mas deixando de lado os exageros e indo aos factos políticos  será que PSL tinha alguma obrigação de votar em Marques Mendes?
Triplamente não.
Não porque as candidaduras presidenciais são individuais e não partidárias pelo que não vinculam os militantes de um partido democrático ao voto em qualquer candidato mesmo que apoiado pelo partido.
Não porque mesmo que fossem partidárias e o voto vinculativo nessa altura PSL ainda não tinha regressado ao PSD.
Não  porque PSL tinha várias e importantes razões para não o fazer.
Não vale a pena puxar o "filme" muito atrás, até aos anos 80/90, mas basta recordar dois momentos .
Em 2005 quando o PSD perdeu as eleições para o PS de José Sócrates e Marques Mendes nessa mesma noite exigiu a demissão do líder do partido, que era PSL, e a realização de um congresso electivo sem sequer uma palavra de solidariedade para quem tinha perdido.
Do mesmo líder que o tinha colocado como cabeça de lista em Aveiro.
E depois o veto. O vergonhoso veto.
Alguns já não se lembrarão, outros não lhes interessa lembrar e outros ainda lembram-se mas fazem de conta que não, mas em 1997 PSL tinha ganho pela primeira vez a câmara da Figueira da Foz para o PSD e antevia-se que em 2001 a sua reeleição seria um passeio face ao sucesso do seu mandato.
Por seu turno em Lisboa o PSD nunca tinha ganho a câmara, participara na governação da mesma em coligação com o CDS sendo presidente Kruz Abecassis desse partido, e desde 1989 que o PS com Jorge Sampaio e depois João Soares liderava o munícipio face às derrotas de Marcelo Rebelo de Sousa, Macário Correia e Ferreira do Amaral.
E foi nesse cenário que Durão Barroso convidou PSL a trocar o passeio da Figueira por uma árdua batalha em Lisboa face ao presidente recandidato, João Soares, que liderava uma geringonça desses tempos, ao então líder do CDS Paulo Portas ("Eu Fico") que concorria sozinho e à candidatura do BE liderada por Luis Fazenda, entre outros.
E a verdade é que PSL venceu.
E a sua vitória, retirando Lisboa ao PS após doze anos, foi decisiva para a demissão de Guterres e a realização de eleições antecipadas que viriam a dar a vitória ao PSD.
Depois já se sabe que em 2004 Durão Barroso foi para Bruxelas, PSL sucedeu-lhe como líder do PSD e primeiro ministro, e um dia sem razão plausível Jorge Sampaio dissolveu o parlamento e nas eleições subsequentes o PS venceu com maioria absoluta e com o "lindo" resultado que se conhece da governação de José Sócrates.
Nesse contexto PSL voltoua à câmara de Lisboa para cumprir o mandato e naturalmente apresentar a recandidatura mas foi impedido disso por Luis Marques Mendes que vencendo meses antes o congresso de Pombal, por curta margem sobre Luís Filipe Menezes, era líder do PSD!
Politicamente quase tão mau como o veto, e pessoalmente bem pior, foi o "meter" PSL num saco onde estavam Isaltino Morais e Valentim Loureiro também vetados, mas por razões judiciais, sendo certo que PSL não tinha qualquer problema desse âmbito.
Ou seja Marques Mendes vetou um ex presidente do PSD, um ex primeiro ministro, um presidente de câmara em funções, de uma câmara que se ganhara muito em função de ser ele o candidato, de ser recandidato à câmara a que presidia.
Foi, no mínimo, insólito.
Num aparte sabe-se o que aconteceu a seguir.
Carmona Rodrigues venceu a eleição mas menos de dois anos depois Marques Mendes obrigou-o a demitir-se por causa do "caso Bragaparques" ( em que os tribunais o absolveram das acusações) e literalmente deu a câmara ao PS e a António Costa que iniciou aí a sua ascenção até ao governo e uma vez mais com o "lindo" resultado que se conhece.
Em suma , e concluindo que o texto já vai longo, não sei em quem votou PSL nas últimas presidenciais mas a fazer fé no que disse neste congresso não terá sido em António José Seguro nem em André Ventura.
Mas se não votou na primeira volta em Marques Mendes, e só nessa o podia ter feito, há que dizer que se compreende perfeitamente depois de tudo aquilo que atrás ficou exposto.
Porque razão havia de ser solidário com quem em 2005 foi o primeiro a puxar-lhe o tapete?
Porque razão havia de confiar o seu voto a quem não confiou nele?
Porque razão havia de ajudar a eleger para PR quem o impediu de ser candidato a uma câmara que ele próprio tinha ganho na eleição anterior?
A senhora que comentou no "Observador" , e se calhar outras senhoras e outros senhores que pensam igual, que tenha paciência mas há exageros que o ridículo mata sem piedade.
As coisas são o que são.
Depois Falamos.

Portugal

Portugal joga hoje com o Uzbequistão na segunda ronda do Mundial.
Não sei qual o onze titular nem isso importa porque opiniões todos temos mas a decisão compete apenas a Roberto Martinez e por isso apenas desejo que seja feliz na escolha da melhor equipa para vencer o adversário que teremos pela frente.
Tem 26 jogadores à disposição (mais Ricardo Velho de prevenção), embora existam dúvidas sobre  o estado físico de Tomás Araújo e Nuno Mendes, e joguem os que jogarem é Portugal que joga e por isso os que vestirem a nossa camisola devem ser apoiados de forma uniforme sem se olhar a cores clubísticas ou a preferências pessoais de molde a que em torno da seleção exista apenas energia positiva que a ajude a alcançar os seus objectivos que é o que em bom rigor interessa a todos os portugueses com algumas tão lamentáveis como irrelevantes excepções.
Acredito, naturalmente, que Portugal vencerá e dará assim um passo importante  para a fase a eliminar porque a nossa seleção, jogue quem jogar, é muito melhor e tem muito mais soluções desde que não se torne, como com o Congo, a maior adversária dela própria.
E por isso , e porque se trata de Portugal e não de um qualquer clube, ganhando ganhamos todos e perdendo perdemos todos também embora essa hipótese não me passe sequer pela cabeça para lá do plano teórico.
E como diz o slogan da FPF para este Mundial hoje "Vai dar Portugal".
Depois Falamos.

segunda-feira, junho 22, 2026

Sim...Mas...

Se me perguntarem quem é o meu realizador de cinema preferido não tenho qualquer dúvida em responder que é Steven Spielberg a quem devo muitas e muitas horas de puro entretenimento numa filmografia que vi quase toda e quanta dela vi e revi.
"Tubarão", "Encontros Imediatos de Terceiro Grau", a saga "Indiana Jones", "1941 Ano Louco em Hollywood", "E.T." , "A Cor Púrpura", "Império do Sol",  "Jurassic Park", "A Lista de Schindler", "O Resgate do Soldado Ryan", "A.I Inteligência Artificial", "Relatório Minoritário", "Prenda-me se for capaz", "Terminal de Aeroporto", "Cavalo de Guerra", "Munique", "Guerra dos Mundos", "Os Fabelmans", "Ponte dos Espiões", "The Post- A Guerra Secreta", são apenas alguns exemplos de filmes de Spielberg que me proporcioanram as tais excelentes horas de entretenimento.
Por estes dias estreou em Portugal o seu mais recente filme, "o Dia da Revelação", a que ontem tive oportunidade de assistir.
E a verdade é que não tendo saído do cinema desiludido também não saí com o encanto de outros filmes do cineasta.
Sim, é um filme de Spielberg, com uma excelente direção, bons actores, um enredo bem construido e uma excelente banda sonora que se vê com muito interesse.
Mas, ficou uma sensação de "dejá vu". De uma espécie de "Encontros Imadiatos de Terceiro Grau 3.0".
O mesmo tema, o mesmo encobrimento, a mesma luta pela revelação da verdade.
Feito com meios técnicos que não existiam em 1977, com algumas inovações em termos de argumento e de abordagem ao tema dos extraterrrestres, mas no essencial uma linha de rumo já conhecida.
Não quero com isto dizer que não valha a pena ver o filme porque vale.
É um bom filme, que prende a atenção e com as qualidades atrás referidas.
Mas quem for deve ir consciente de que com ele Steven Spilberg não propõe uma revolução na abordagem a um  tema como aconteceu com Tubarão, Encontros Imediatos de Terceiro Grau, ET, Jurassic Park, A Lista de Schindler.
Propõe "apenas" a continuidade na abordagem a um tema que já revolucionara em 1977.
Depois Falamos.

Farol do Cais de Kenosha, Wisconsin, EUA

Galo da serra

Concorde

Congresso

Dos quarenta a três congressos do PSD o do passado fim de semana terá sido daquele que mais me passou ao lado em termos de seguir o que lá se passou.
Porque não considerando os vinte e quatro em que estive presente os outros procurei sempre segui-los pelas televisões, mesmo depois de deixar de ser militante do partido, porque os congressos do PSD para quem gosta de política são sempre um espectáculo e completamente inigualáveis.
Este passou-me ao lado quase totalmente porque era, também, um congresso sem grande história dado não ter havido disputa nas directas, o partido estar à frente do governo e a liderança do Luís Montenegro completamente indiscutível.
Ainda assim assisti a três ou quatro momentos.
O discurso inicial do presidente do partido por curiosidade em ouvir o que tinha para dizer sobre vários assuntos e depois de forma mais ou menos casual, fruto de zappings durante jogos do Mundial, ouvi a sua intervenção a anunciar os nomes que iria apresentar aos orgãos, o discurso quase todo da ministra do trabalho e a intervenção de Pedro Santana Lopes.
E sobre esses quatro momentos que vi direi sucintamente o seguinte.
O discurso inicial foi dentro do esperado defendendo a acção governativa, criticando a opoição que bloqueia reformas, mostrando entusiasmo pela dinâmica do governo e apresentando as linhas mestras da moção de estratégia que como aconteceu a qualquer outra do passado "morre" cinco minutos depois do congresso estar encerrado.
Sobre a intervenção em que anunciou os nomes, que seria aquela fossem quais fossem os nomes, direi apenas que tenho muita pena que o exemplo de Francisco Sá Carneiro tenha sido há muito esquecido no PSD. Porque em 1979 e 1980 quando foi primeiro ministro separou totalmente partido e governo (a começar por ele próprio) definindo que quem estava no governo não estava na direção do partido e quem estava na direção do partido não estava no governo.
Não foi essa a opção de outros líderes e não foi essa a opção de Luís Montenegro neste congresso.
"Encheu" a CPN de ministros e presidentes de câmara naquilo que foi fechar o partido em torno de um núcleo duro em vez de o abrir a outros nomes e outras perspectivas ficando a minha curiosidade em perceber como ministros de um governo minoritário sob pressão constante das oposições e os presidentes de duas enormes câmaras como Lisboa e Porto vão ter tempo para se dedicarem à vida partidária.
Fica a curiosidade mas pouca porque a resposta é evidente.
Do discurso da ministra do trabalho guardei apenas os aplausos e os entusiasmo dos delegados o que me pareceu ,para lá da solidariedade face ao chumbo da reforma laboral, um toque a reunir do congresso em volta das políticas do governo e das reformas que está a tentar implementar o que foi obviamente positivo. Aliás, ao que li, aconteceu o mesmo aquando da intervenção da ministra da saúde.
Finalmente o regresso de Pedro Santana Lopes (PSL) ao PSD.
Não fiquei minimamente surpreendido porque de há muito, mais propriamente desde que Luís Montenegro se tornou líder, que achava isso mais que provável e que acabaria por acontecer mais cedo ou mais tarde.
Aliás PSL já tinha participado noutras iniciativas do PSD nestes últimos anos e era patente o seu apoio ao partido.
Sinceramente achei muito bem.
O PSD é a "sua " casa, as razões porque saiu diluiram-se no tempo, e não foi o primeiro nem será certamente o último destacado militante do PSD a regressar depois de ter saído em divergência com direções ou opções do partido.
Mota Pinto, Carlos Macedo, José Augusto Seabra, António Marques Mendes, entre outros, saíram do PSD e depois voltaram tendo nele exercido elevadas funções sem que a saída e posterior reentrada tenham sido óbice.
Com PSL creio que não será diferente até porque não acredito que o seu regresso signifique disputa por qualquer tipo de cargo dirigente mas apenas o apoio a quem lidera e um sinal importante de convergência de esforços na área política do PSD.
O tal toque a reunir que se percebeu em vários momentos do congresso.
E sobre o congresso do PSD é aquilo que me apraz dizer.
Depois Falamos.

Nota: Vi muitos comentários da área do PSD sobre o regresso do PSL. A maioria favorável, alguns discordantes e outros típicos dos que dizem o que pensam mas não pensam no que dizem. Nada que me admire nalguns simpatizantes e militantes do PSD que só não excomungam Pedro Passos Coelho porque não podem

domingo, junho 21, 2026

Dalot

Um jogador profissional de futebol tem de estar preparado para tudo já se sabe.
Para o elogio e para a crítica, para a justiça e para a injustiça, para o admirador e para o hater.
Tive oportunidade de ouvir a conferência de imprensa em que Diogo Dalot, de forma tão sensata quanto explicita, falou sobre o momento da seleção desmentindo atoardas e canalhices e reiterando o absoluto empenho de todo o grupo em fazer esquecer a má exibição com o Congo e conseguir um percurso mundialista que orgulhe Portugal e os portugueses.
Mas também percebi onde queria chegar com as palavras duras mas verdadeiras sobre haver gente que não quer que Portugal ganhe.
Porque há.
E neste tempo de comunicação global é evidente que os jogadores tomam conhecimento daquilo que se vai dizendo e escrevendo no seu país (sim, no seu país...) sobre a seleção , sobre eles próprios e sobre o selecionador Roberto Martinez.
E por muito preparado que se esteja, e por muito profissional que se seja, acredito que é difícil aceitar e fazer de conta que não se passa nada quando a canalhice, a má educação, a cretinice, atingem a expressão que se vê nas redes sociais mas também nos jornais onde alguns colunistas que raramente ou nunca escreveram sobre futebol e agora fala de cátedra como se percebessem alguma coisa do assunto e em comentadores televisivos simplesmente asquerosos.
É evidente que essa gente apenas se representa a ela própria e está muito longe do sentir daquela que acredito ser da esmagadora maioria dos portugueses e que é de apoio e incentivo á seleção.
Mas para quem está a vestir a camisola de Portugal numa grande competição desportiva  internacional, a maior a seguir aos Jogos Olimpícos, deve ser desanimador e triste constatar que há uma pequena rectaguarda sempre ansiosa e desejosa de que as coisas corram mal para poderem espalhar com alegria o seu veneno e praticarem  o "bota abaixismo" de que tanto gostam.
Quem diria que o famoso cavalo de Tróia deixaria tão fracos seguidores...
Mas deixou!
Depois Falamos. 

sábado, junho 20, 2026

Uzbequistão

Ao resultado com o Congo não há volta a dar e por isso há que olhar para a frente a aproveitar as lições boas e más que resultaram da estreia portuguesa no Mundial.
Estas duas imagens ajudam a isso.
Uma é um erro que não pode ser repetido e que se prende com a excessiva circulação de bola, como se ela fosse um objectivo e não um meio, e que levou a que no total imenso de 724 passes apenas sete tenham chegado ao interior da área. 
É precisa mais objectividade e mais jogo para a frente, mais cruzamentos da linha que deêm vantagem a que tem de finalizar e mais velocidade nas transições.
A outra revela uma curiosidade que tem de ser aproveitada.
Como não é provável que os congoleses sejam leitores de alguns murais de Facebook portugueses ou ouçam alguns comentadores das nossas televisões a atenção que deram a Ronaldo foi em função do seu valor e não da opinião dos seus críticos. 
E por isso cada vez que ele tinha a bola arrastava na marcação dois ou três adversários ( como aconteceu nos dois remates que fez estorvado por dois defensores) criando espaços por onde os seus colegas deviam ter aparecido mas raramente o fizeram. 
Não acredito que a equipa do Uzbequistão tenha mais informação sobre os tais Facebooks ou sobre os tais comentadores que os congoleses. 
E por isso é muito provável que se repita a marcação apertada a Ronaldo e os consequentes espaços para outros jogadores aparecerem a finalizar. 
E talvez aqui fizesse sentido jogar com dois pontas de lança porque certamente da complementaridade em Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos surgirão os tais golos pelos quais todos quantos desejam o sucesso de Portugal anseiam. É apenas a minha opinião.
Depois Falamos.

Nota: A utilização de Gonçalo Ramos mais em ponta e Gonçalo Guedes mais solto, guardando Ronaldo para um forcing final caso necessário, também seria uma boa solução. Até porque o jogo com a Colômbia será decisivo para o primeiro lugar do grupo e aí um Cristiano Ronaldo mais "fresco" pode ser importante

Route 66

Elefantes