sexta-feira, maio 24, 2019

Aliança

Termina hoje a campanha eleitoral para o Parlamento Europeu.
Cada um dos dezassete partidos concorrentes fez a sua campanha, dentro dos seus objectivos previamente traçados e esperando que os resultados sejam conformes com os seus desejos.
Não serão em todos os casos como sempre acontece em democracia.
Nuns casos porque os eleitores não se identificaram com as mensagens, noutros casos porque face à discriminação televisiva entre "os do costume" e os outros não houve a mínima igualdade de condições no tratamento jornalístico das campanhas, noutros ainda porque a inércia de algum eleitorado os impele a votarem sempre da mesma forma ainda que nada se identificando já com o partido em que sempre votaram e há ainda o caso (em crescendo) de número significativo de eleitores preferir dar oportunidade a novos partidos e novos rostos.
Em suma haverá explicações para todos os gostos caso os resultados não casem com os objectivos.
Mesmo que nalguns casos existam partidos, normalmente à esquerda, que "ganham" sempre seja qual for o resultado.
Na Aliança esperamos tranquilamente o veredicto popular.
Paulo Sande e os restantes candidatos fizeram uma campanha limpa, pela positiva e sem ataques aos outros partidos, falando durante vários meses de assuntos europeus e das propostas que o partido tenciona levar a Bruxelas/Estrasburgo.
Percorreram o país, das grandes cidades às mais pequenas aldeias, falaram com milhares de pessoas, responderam a perguntas e esclareceram dúvidas preocuparam-se sempre em estarem próximos dos portugueses.
A Aliança fez campanha todos os dias.
Todos os dias em vários pontos do país, com ou sem o cabeça de lista, com ou sem o presidente do partido, com os dois ou sem nenhum deles.
Porque a Aliança, ao fim de curtos seis meses, já é um partido nacional capaz de fazer campanha simultaneamente nos dezoito distritos e nas duas regiões autónomas e nisso marca toda a diferença em relação a outros partidos jovens como ela,e até a alguns dos "do costume" a quem foi raro ver fazer campanha sem o líder ou o cabeça de lista, que nunca conseguiram marcar presença em mais que um lugar de cada vez.
Por isso a Aliança está tranquila e com a consciência do dever cumprido.
Esperando que os portugueses reconheçam o trabalho, o empenho, a seriedade da campanha, a qualidade das propostas e a valia dos candidatos.
E votem na Aliança.
Depois Falamos

Guaxinim


Las Vegas


Casa Japonesa


quinta-feira, maio 23, 2019

Finalmente

O meu artigo desta semana no zerozero.

Gostando muito de futebol e seguindo as diferentes provas nacionais e internacionais desde a mais tenra juventude, ou seja há mais de cinquenta anos, devo dizer que não me lembro de estar tão ansioso pelo fim de um campeonato nacional como este ano.
Sendo-me completamente indiferente quem o ia vencer e pese embora o “meu” Vitória só na última jornada ter conseguido o quinto lugar que lhe assegurava o apuramento europeu por mérito próprio e não pela falta de inscrição na Liga Europa do Moreirense (se é que não estava mesmo inscrito...) não foram esses ,noutras circunstâncias, inegáveis motivos de interesse que cercearam a vontade de ver o campeonato acabado.
Porque o futebol em Portugal está a tornar-se insuportável.
Quer o futebol jogado, que com raras excepções não é de qualidade que entusiasme, quer o futebol  falado,escrito e comentado nos canais de televisão e na generalidade dos jornais que mais não é do que um quase constante apelo a sentimentos primários e quase tribalistas (se calhar o quase está a mais) quer a forma como alguns clubes encaram e tratam a “indústria” futebol contribuindo diariamente para o seu descrédito e desvalorização.
Não me interessa minimamente, a não ser no plano da Justiça que para aqui não é chamado, quem tem mais ou menos razão nas constantes criticas e acusações que os dois clubes de topo trocam diariamente entre eles.
Estou é farto, literalmente farto, de cinquenta e duas semana por ano e vários dias em cada uma dessas semanas ver esses dois clubes a trocarem acusações, a lançarem suspeições, a insultarem-se a um nível absolutamente deplorável alimentando querelas e polémicas que depois passam para os próprios adeptos e vão fazendo aumentar o nível da tensão entre eles até a um ponto que um dia todos lamentaremos.
O de Lisboa acusa o do Porto, o do Porto acusa o de Lisboa e independentemente de tudo que se soube sobre um no passado e tudo que se vai descobrindo sobre outro no presente há a realidade de um futebol onde os dois são claramente favorecidos em relação a todos os outros de uma forma inadmíssivel em qualquer lado e menos ainda num país de futebol de primeiro mundo cuja selecção até é campeã da Europa.
Não sei se quem tem mais razão é o Benfica ou o Porto.
Nem me interessa.
Sei, isso sim, que os outros dezasseis clubes que disputaram o campeonato tem todos eles (mesmo o Sporting) muitíssimas razoes de queixa das arbitragens, dos VAR, da disciplina ou seja de todos aqueles factores que não jogando à bola influenciam, e de que maneira, os resultados.
Foi um campeonato muito mau nessa matéria.
Na sequência de outros anteriores mas deixando a clara sensação de que o problema se está a agravar  o fosso entre o favorecimento a uns e o desfavorecimento a outros está cada vez mais largo e mais difícil de transpor.
E se a isso somarmos outros tradicionais factores de diferenciação artificial entre os clubes, que vão desde os contratos televisivos em que Portugal caminha para ser o único país da Europa que interessa a não ter a respectiva negociação centralizada até à disparidade de tratamento da comunicação social em termos da enormidade de tempo de antena que dão a três clubes em desfavorecimento de todos os restantes que são tratados como “filhos de um Deus menor”, percebe-se que o futebol português caminha para um fim triste em termos de competitividade externa e verdade desportiva interna.
E, já agora, também de audiências televisivas e espectadores nos estádios.
Porque um dos factores de atracção para um desporto é a imprevisibilidade no resultado, a eterna incerteza no confronto do mais forte com o mais fraco, a certeza de que triunfos e derrotas são consequência apenas da verdade desportiva de cada jogo resultante da performance de cada equipa.
Em Portugal é cada vez menos assim.
Porque há equipas que ganham quase sempre( tantas vezes sabe Deus como...) ficando cada vez mais a incerteza reservada para os jogos em que se defrontam entre si porque nos outros há sempre um “factor externo” que as ajuda a ganhar quando por si sós não são capazes de o fazer.
O que afasta espectadores dos estádios porque ninguém gosta de pagar bilhetes, cotas, lugares anuais para ser enganado.
E por isso o alívio por este campeonato ter acabado.
Na certeza,porém, de que o próximo não será muito diferente, pese embora discursos sensatos (como o de Bruno Lage) que se vão ouvindo no sentido de Portugal arrepiar caminho e as competições seguirem um caminho de verdade desportiva e de sensatez na relação entre alguns clubes, por que o “vale tudo” para ganhar de qualquer maneira está demasiado enraizado na classe dirigente que os clubes do nosso futebol vão tendo.
Melhores dias virão.
Não se sabe é quando...

terça-feira, maio 21, 2019

Europeias

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

Como a marcha do tempo é tão regular quanto inexorável eis que estamos na semana que antecede as eleições para o Parlamento Europeu. 
Passou depressa a pré campanha e mais depressa ainda a campanha algo submersa também, é a verdade dos factos, em acontecimentos de outro género como a audição de Joe Berardo no Parlamento ou a incessante subida do preço dos combustíveis no tempo de um governo que tinha jurado o fim da austeridade.
A campanha, essa, ficou marcada do meu ponto de vista pela discriminação em termo de debates feita pelas televisões a uns partidos em favorecimento de outros, pela absoluta incapacidade de os partidos com eurodeputados eleitos em 2014 discutirem temas europeus e pela ridícula comparação entre alguns eurodeputados de quem tinha feito mais em Bruxelas e Estrasburgo na absurda convicção de que alguém ligará alguma coisa a tão doutas opiniões formuladas em causa própria.
Importará ainda assim dizer mais duas ou três coisas.
A primeira é que eleições passadas não garantem votações futuras pelo que é ridículo e nada democrático proceder a uma divisão de partidos entre os que em 2014 elegeram eurodeputados e os que não o fizeram sendo que nalguns casos como por exemplo a Aliança, a Iniciativa Liberal e o Chega nem sequer existiam nessa altura pelo que é impossível dizer hoje qual a sua expressão eleitoral.
Em 26 de Maio tendo esses partidos muitos, alguns ou poucos votos aí sim será possível olhar para eles com uma bitola de comparação idêntica aquela que se usa para os que andam nisto há mais de quarenta anos (ou quase...) e foram provando o que valem e o que não valem em sucessivos actos eleitorais.
Por isso o critério das televisões de promoverem debates de primeira (com os que já tem eurodeputados mas excluindo , curiosamente, o MPT que elegeu dois) e debates de segunda com aqueles que no passado não elegeram,ou nem existiam, mas podem muito bem eleger agora se revela como profundamente anti democrático e que devia envergonha as televisões que embarcam nessa discriminação que distorce a verdade da eleição.
Quis o destino, ironia das ironias, que os melhores debates sobre temas europeus, afinal os que vão estar em jogo no próximo domingo, tenham sido precisamente aqueles que decorreram entre os partidos sem representação parlamentar cujos candidatos deram ao país um excelente exemplo de respeito pelo móbil das eleições mesclado com uma tolerância democrática   que lhes permitiu debaterem entre eles com civismo, boa educação e sentido de humor.
Que diferença, mas que diferença, face aos debates a que se assistiu entre os partidos do “sistema” cheios de gritaria, de acusações, de intolerância e no mais absoluto desprezo pela Europa e pelos temas europeus.
Caso para dizer que enquanto os partidos de “segunda” protagonizaram debates de primeira os partidos de “primeira” protagonizaram debates de...décima quinta categoria.
O que nos leva ao cerne da questão.
Em toda a Europa temos assistido a uma fragmentação dos partidos tradicionalmente hegemónicos dando lugar a novos partidos, novos rostos e novas ideias que tem vindo a enriquecer o panorama político e dado aos eleitores uma mais ampla gama de escolhas face à monotonia do passado.
Sabemos que as modas a Portugal demoram a chegar...mas chegam.
E por isso no próximo dia 26 os portugueses terão uma boa oportunidade de alinharem com a tal Europa a que todos nos queremos igualar e alargarem o leque partidário presente em Bruxelas/Estrasburgo na certeza de que com isso beneficiarão Portugal.
Pela parte que toca à Aliança estamos de consciência tranquila com o contributo que demos para essa modernização do panorama político apresentando uma lista homogénea na qualidade e heterógenea na procedência profissional do candidatos e nas regiões do país que representam.
Paulo Sande é reconhecidamente um grande especialista em questões europeias a que dedicou boa parte dos seus últimos trinta anos, Maria João Moreira é uma empresária de sucesso com negócios na Europa e que reside boa parte do seu tempo em Itália, Bruno Ferreira da Costa é professor de Ciência Política na Universidade da Beira interior e um quadro político de enorme futuro e o resto da lista alinha por esse diapasão.
Gente preparada, conhecedora dos temas, com profissão fora da política e disponível para ajudar o seu país.
Bem farão os portugueses se lhes derem um voto de confiança no próximo domingo.
Estou absolutamente certo que não se arrependerão e que esse voto será durante cinco anos posto ao serviço de Portugal.

Tulipas


Atenas


Cães Selvagens


segunda-feira, maio 20, 2019

Europa

Foi sobre a linha de meta, é verdade, mas o Vitória lá conseguiu apurar-se para a Liga Europa por mérito próprio e não por uma eventual não inscrição do Moreirense que durante largas jornadas ocupou a posição que garantia esse apuramento.
Foi uma situação nova esta de ver as duas equipas de Guimarães lutarem entre elas pelo último lugar que dava acesso às competições europeias, gratificante para o Moreirense que fez o seu melhor campeonato de sempre mas preocupante para o Vitória que está cada vez mais longe dos quatro primeiros, numa disputa que o sorteio da liga destinou que se resolvesse na ultima jornada e num jogo entre elas.
Foi no estádio do Moreirense que as coisas se resolveram embora em boa verdade o Vitória tenha jogado em casa tal o número de adeptos que se deslocaram à vila vimaranense de Moreira de Cónegos para darem à equipa aquele apoio que nunca lhe falta em lado nenhum.
E resolveram-se muito por força da esplêndida exibição de Miguel Silva, eleito o homem  do jogo que negou vários golos "cantados" aos "cónegos", a par do acerto goleador de Davidson e de algumas exibições de bom nível de mais este ou aquele jogador vitoriano.
Um triunfo que acabou por ser justo, mas excessivo, e que permite ao Vitória apurar-se para a Europa por mérito próprio e não em função de uma eventual não inscrição do Moreirense de que se muito se ouviu falar mas que o clube nunca confirmou.
Conseguiu-se o mínimo admissível, é verdade, mas a distância para os quatro primeiros voltou a alargar e isso é um factor de preocupação que retira qualquer motivo para festejar um apuramento europeu que levará a equipa a ter de fazer seis jogos antes de se apurar para a fase de grupos da Liga Europa.
Esperemos é que não apareça nenhum Altach pelo caminho...
Depois Falamos

Sugestão de Leitura

Devo dizer que nunca dei, nem darei, para o peditório da comparação entre Cristiano Ronaldo e Leonel Messi na tentativa de definir quem é o melhor jogador do mundo.
É uma polémica com dez anos, que regista fervorosos defensores de um e outro lado, mas que considero absolutamente estéril porque apenas serve para distrair algumas pessoas daquilo que é essencial e que é desfrutar plenamente do genial futebol de ambos.
Até porque são em tudo, menos no génio, jogadores muito diferentes.
E foi precisamente em torno dessas diferenças, comparadas em mais de vinte itens, que os jornalistas Luis Miguel Pereira (português) e Luciano Wernick (argentino) escreveram a quatro mãos este livro sobre os dois jogadores.
Conclusão?
Depois de 300 páginas de comparação exaustiva nem eles chegaram à conclusão de quem é o melhor!
O livro não é uma obra prima, longe disso, mas é interessante especialmente para quem se interessa por futebol e por aquilo que ele tem de melhor que são os jogadores.
E estes dois são os melhores de todos.
Depois Falamos

Ursos


Comboio


Alvorada


domingo, maio 12, 2019

Cinco

Foi um jogo invulgar.
Desde logo na hora a que se disputou (15.00 h) que é uma hora do antigamente mas que na actualidade é muito pouco usada para jogos da primeira liga e , menos ainda, quando estamos em Maio e o calor ronda.
Invulgar também no número de golos entre duas equipas de valor aproximado com uma a marcar cinco e a outra a ficar-se por aquilo que de há muito se convencionou chamar o golo de honra.
Invulgar ainda porque ao intervalo o resultado era um 0-0, que correspondia em absoluto ao jogo sonolento a que se assistiu nos primeiros quarenta e cinco minutos, tendo os seis golos sido apontados no segundo período.
Invulgar, finalmente, na perspectiva vitoriana porque sendo a evidente a pouca produtividade dos seus pontas de lança (Guedes e Whelton) foi num dia em que nenhum deles jogou que a equipa conseguiu fazer cinco golos.
É futebol.
E foi bom futebol que se viu na segunda parte com o Vitória a ser absolutamente eficaz (sete remates e cinco golos) e a construir um resultado dilatado através de belas jogadas que deram origem a golos espectaculares e permitiram um final de época no D.Afonso Henriques que atenuou tristezas anteriores mas, evidentemente, não fez desaparecer as suas causas.
Agora na mais curta deslocação do campeonato o Vitória vai a Moreira de Cónegos disputar com o Moreirense o quinto lugar tentando que o apuramento europeu suceda por mérito próprio e não apenas porque o clube vizinho não se inscreveu nas competições europeias.
Um facto este, o da disputa do quinto lugar entre dois clubes de Guimarães, também ele absolutamente invulgar.
Depois Falamos

Farol


Comboio


Elefantes


sexta-feira, maio 10, 2019

Espantoso

Nunca como agora o futebol inglês justificou tão bem ser considerado como o melhor do mundo.
Depois dos épicos apuramentos de Liverpool e Tottenham, na Liga dos Campeões, foi ontem a vez de Arsenal e Chelsea conseguirem o passaporte para a final de Baku conseguindo ultrapassar com maiores (Chelsea) ou menores(Arsenal) dificuldades os seus adversários.
É uma prova de força extraordinária dos clubes ingleses e , mais do que deles, da própria Liga inglesa cuja competitividade ajuda a explicar este fenómeno de serem inglesas todas as equipas que vão disputar as finais europeias.
Nunca na história das competições europeias tinha acontecido um domínio destes.
Nunca os finalistas de Liga dos Campeões e Liga Europa, numa mesma época, tinham sido todos clubes do mesmo país.
Dá que pensar.
Especialmente em países, como Portugal, em que os ventos de mudança e modernização do futebol sopram de forma tão fraca que mal se dá por eles face aos tufões vermelhos, azuis e verdes que continuam a ser um travão a um melhor futebol no nosso país.
Ponham os dirigentes do futebol português os olhos nas grandes virtudes da liga inglesa e perceberão as razões do sucesso.
Competitividade, verdade desportiva, justa distribuição das receitas televisivas cuja negociação é centralizada, aposta consequente em grandes treinadores estrangeiros (Guardiola, Klopp, Mourinho, Pochetino, Sarri, Emery, Rainieri, etc) e forte investimento na formação (veja-se a subida da qualidade da selecção principal e os sucessos das selecções em escalões de formação) são algumas das razões que explicam esta supremacia actual.
Que ameaça manter-se nos próximos anos.
Até porque o sucesso atrai investimento.
Depois Falamos

P.S. A UEFA tem as suas opções que umas vezes se percebem e outras não. Mas mesmo sabendo que o local de uma final tem de ser escolhido com alguma antecedência faz impressão que o Chelsea vs Arsenal, duas equipas da cidade de Londres, se jogue em Baku no Azerbaijão a milhares de quilómetros de distância quando tinham ali à mão a catedral de Wembley.

quinta-feira, maio 09, 2019

Tigres


Avião


Bratislava


Final

E estão encontrados os finalistas da Liga dos Campeões na temporada 2018-2019.
Contrariamente ao que aqui previ não serão Barcelona e Ajax mas precisamente os seus opositores nas meias finais, ou seja, Liverpool e Tottenham.
E com inteiro mérito , diga-se de passagem, depois de dois espectaculares jogos em que ambos deram a volta a uma diferença negativa de três golos e lograram apurar-se perante  a perplexidade do mundo do futebol que nunca tinha visto semelhantes reviravoltas em meias finais da Liga dos Campeões.
Porque a juntar-se à épica vitória do Liverpool,esmagando o Barcelona numa noite de sonho em Anfield, veio o Tottenham escrever outra página inimaginável conseguindo contrariar o 0-1 da primeira volta e o 0-2 ao intervalo da segunda rumo a outro apuramento épico.
Teremos uma final totalmente inglesa da Liga dos Campeões como resultado disso.
Entre um Liverpool "velho" cliente desses jogos derradeiros e um Tottenham que pela primeira vez disputará uma final da maior prova de clubes do mundo do futebol.
A seu tempo se falará desse jogo.
Por agora resta felicitar os apurados, e também os eliminados que durante muito tempo pareciam serem eles os apurados, e manifestar alguma satisfação por no rol das equipas que disputaram as meias finais e agora a final não estarem Real Madrid, PSG e Manchester City três clubes que reduzem o futebol ao (muito) dinheiro.
Pois nesta edição da Liga dos Campeões o futebol encarregou-se de lhes provar que dinheiro não é tudo.
Felizmente!
Depois Falamos.

quarta-feira, maio 08, 2019

Alpes


Leões


Bali


Testemunho

Fui deputado eleito pelo PSD em duas legislaturas que não chegaram ao fim.
A de 1999 a 2002 terminada pela fuga de Guterres ao pântano que o próprio PS tinha criado na governação do país (algo frequente quando os socialistas governam) e a de 2002 a 2005 abruptamente cessada por um golpe de estado orquestrado e comandado a partir de Belém pelo então presidente da República Jorge Sampaio.
Nesse tempo o PSD teve dois líderes.
José Manuel Durão Barroso e Pedro Santana Lopes.
Com quem nem sempre o grupo parlamentar esteve de acordo nalgumas decisões, o que motivou bem acalorados debates nas reuniões do grupo,  e eles próprios não terão concordado com algumas opções do grupo parlamentar tomadas dentro da autonomia de funcionamento, estatutariamente reconhecida, desse orgão do partido.
Mas posso testemunhar que nunca, mas mesmo nunca, José Manuel Durão Barroso e Pedro Santana Lopes tiveram qualquer atitude, declaração, desabafo até que pusesse em causa o prestigio do grupo parlamentar, desautorizasse as suas opções ou humilhasse os seus deputados.
Porque havendo divergências, e houve-as nesses seis anos, acima delas esteve sempre o respeito pelas pessoas, pela autonomia do orgão e pela imagem do partido.
É um testemunho ao sabor do que os tempos nos vão mostrando.
Depois Falamos.

Obrigado Futebol.

Sou ,desde há muitos anos (dos tempos de Cruyff jogador) um simpatizante do Barcelona e tinha fundadas esperanças de o ver ganhar esta Liga dos Campeões depois do convincente resultado da primeira volta que o levou para Anfield com três golos de vantagem.
Mas o futebol tem no imprevisto um dos seus maiores factores de atracção.
E, como dizia ontem José Mourinho, se há estádio onde o impossível pode acontecer é em Anfield Road com toda a mística da mais famosa bancada do mundo (O Kop retratado nesta fotografia) a empurrar uma excelente equipa do Liverpool orientada por um dos melhores treinadores do futebol mundial.
E quando tudo parecia contra os ingleses, desde o resultado da primeira mão às lesões de Salah e Firmino (provavelmente os seus melhores jogadores) que os impossibilitaram de jogar, a equipa no relvado encarregou-se de mostrar que não era bem assim e conseguiu uma reviravolta épica perante um Barcelona que deu sempre a sensação de não acreditar no que lhe estava a acontecer.
E mesmo levando em linha de conta que este ou aquele golo foram mal sofridos (então o quarto nem nos juniores...) não vamos com isso retirar o enorme mérito do Liverpool , dos seus jogadores e do genial Jurgen Klopp que bem merecem estar em Madrid no jogo da final.
Pessoalmente, e embora tendo também simpatia pelo Liverpool desde as suas grandes equipas dos anos 70, preferia que fosse o Barcelona a jogar a final não o escondo.
Mas o apuramento do Liverpool foi justíssimo, conseguido dentro das quatro linhas e sem polémicas à mistura, e se o futebol pode estar-lhe grato pelo grande espectáculo também todos quanto gostamos de futebol podemos agradecer à modalidade momentos extraordinários como este.
Que diferença para o futebolzinho quezilento,queixinhas e pobrezinho que por cá se vê todas as semanas.
Depois Falamos.

terça-feira, maio 07, 2019

Mau

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

Um breve regresso à temática do futebol, e especificamente do Vitória, assuntos sobre os quais tenho cada vez menos vontade de opinar face à tristeza e desencanto de que se revestem nos tempos que correm.
Comecemos pelo futebol no seu todo.
Num campeonato que está a chegar ao fim, que terá o vencedor mais habitual de todos, e que verá equipas serem despromovidas à segunda liga e outras lograrem um apuramento europeu que com uma ou outra excepção outro resultado não terá que umas agradáveis excursões pela Europa seguidas da inevitável eliminação.
Um campeonato que envergonha quem goste de seriedade e de verdade desportiva.
Porque um campeonato em que se confirmou, plenamente, que o VAR não é um instrumento ao serviço da verdade desportiva e de um maior equilíbrio das competições mas apenas e só um instrumento de poder para os que já detinham todo o poder.
Já não bastavam as equipas de arbitragem a inclinarem os campos e os conselhos de disciplina e justiça a tratarem uns como filhos e outros como enteados (mais a comunicação social nacional a fazer todos os fretes possíveis e imaginários a dois mais um clubes) ainda foram arranjar um instrumento infalível na deturpação da verdade desportiva como o VAR tem sido com todas as facilidades que lhe são dadas por decisões tomadas a larga distância dos estádios na tranquilidade de uma sala com ecrans de televisão.
Uma vergonha.
Que é hoje o retrato de um futebol mentiroso, quezilento, malcriado e dirigido em larga medida por gente que manifestamente devia estar bem longe de modalidade e de clubes seguidos por milhões de portugueses.
O problema, para além da mentira que são as competições futebolísticas em Portugal, é que o futebol e os clubes que mais ganham são seguidos e apoiados por milhões de portugueses, entre os quais muitos jovens, que tem nele, futebol, um permanente mau exemplo de falta de regras, princípios e valores que pode levar muitos deles a considerarem que na vida, como no futebol, o que importa é ganhar de qualquer maneira sem olharem a qualquer tipo de regra.
E isso, em termos sociais, é a prazo devastador!
Quanto ao Vitória há que dizer que a época tem sido muito longe daquilo que legitimamente os seus adeptos ansiavam.
Muito longe mesmo.
A equipa A vai provavelmente terminar a época num discreto sexto lugar(embora o quinto ainda possa acontecer) muitíssimo longe do “seu” lugar” que é o quarto e mais longe ainda da velha ambição de se intrometer na luta pelos três primeiros lugares.
Estará na Europa, é certo, mas apenas devido a um feliz conjunto de coincidência entre as quais o facto de o Moreirense não se ter inscrito nas competições europeias (caso os “cónegos” terminem em quinto como parece provável) o que diz bem do desencanto que a época vitoriana tem constituído.
E devo deixar claro que a ficar abaixo do quinto lugar o que me aborrece mais não é ficar atrás do Moreirense (prefiro isso a ver acima de nós o Boavista, o Belenenses, o Marítimo,etc) mas sim o não ficar pelo menos em quarto lugar à frente de todas essas equipas e também do Braga.
Grave , repito, não é ficar atrás do Moreirense mas sim o ficarmos tão longe do quarto lugar.
Se a isso somarmos a triste descida da equipa B (com a terrível sensação de que nada foi feito para a evitar), o melancólico campeonato da novel equipa de sub 23 e os resultados das equipas da formação longe do que tem sido habitual pode falar-se, sem receio de desmentido,num mau ano do futebol vitoriano.
Que exige reflexão.
Quer por parte da administração da SAD, quer por parte dos seus accionistas, quer pelos próprios adeptos do clube que já estarão cansados de serem o único facto continuamente positivo no futebol vitoriano.
E a conversa dos “melhores adeptos do mundo” para disfarçar tudo o que falha já cansa de tanto ouvir.
O clube não existe para ter sucesso nas bancadas mas sim nos terrenos de jogo.
E é isso que cada vez falta mais.

P.S. Até no basquetebol a época foi frustrante depois de anos de sucesso e da conquista de troféus e de dois vice campeonatos.
É mesmo preciso reflectir...

quinta-feira, maio 02, 2019

Casillas

O problema cardíaco de Iker Casillas, felizmente já superado embora o regresso aos relvados seja altamente duvidoso, centrou a atenção em três questões importantes.
A primeira tem a ver com todos nós e demonstra a fragilidade de que a vida se reveste, e da qual tantas vezes nos esquecemos, quando até um atleta de alta competição (e toda a gente sabe que um profissional de futebol de topo tem um acompanhamento clínico muito superior ao vulgar cidadão) é surpreendido por um problema desta dimensão.
Felizmente foi num treino e por isso a assistência foi imediata e eficaz porque noutras circunstâncias o desenlace podia ser fatal.
A segunda revela o que o futebol tem de melhor e está patente na onda de solidariedade em torno do jogador vinda de clubes e colegas de profissão de todo o mundo.
Do Barcelona,grande rival do Real Madrid onde fez quase toda a carreira, ao Benfica ,grande rival do F.C.Porto seu actual clube, todos disseram "presente" e isso merece realce.
A terceira, agora que é altamente duvidoso que Iker Casillas volte a jogar, é para destacar o facto de ele ter sido o jogador mais laureado que alguma vez jogou no nosso país.
Campeão do mundo e bi campeão europeu a nível de selecções, várias ligas dos campeões no Real Madrid entre muitos outros troféus ganhos em Espanha e em Portugal (onde também foi campeão)fazem de Casillas um dos grandes nomes do futebol mundial de sempre.
E isso em Portugal, pelas paroquiais razões clubístico/jornalísticas de todos conhecidas passou relativamente despercebido e até desvalorizado.
Veremos, se realmente Casillas deixar de jogar, quando voltará a pisar os nossos relvados um jogador da sua dimensão.
Não será seguramente amanhã. 
Depois Falamos.

Primeiro de Maio

Ontem celebrou-se mais um Primeiro de Maio.
Data que todos conhecem, todos sabem o que nela se comemora, mas também data em que cada vez mais as pessoas pensam é no feriado e menos em participação em celebrações que continuam a fazer sentido mas já não o sentido de antigamente.
Porque se noutros tempos o "Primeiro de Maio" tinha um forte conceito de luta de classes, servia muitas vezes como forma de se organizarem manifestações contra regimes ditatoriais (como Portugal antes do 25 de Abril)e se homenageava apenas um determinado sector laboral , nos tempos que correm isso já faz pouco sentido excepto para os partidos da esquerda não democrática que não conseguem ultrapassar o trauma da queda de um certo muro lá para os lados de Berlim.
Hoje, trabalhadores, são quase todos.
Por conta de outrém, por conta própria, comerciantes e empresários, industriais e funcionários públicos, operários e trabalhadores de serviços, todos eles merecem que se comemore a um de Maio o contributo que dão para a economia dos países.
Como Portugal!
Onde é mais que tempo de o "Primeiro de Maio" ser um factor de unidade entre quem trabalha e não o pretexto estéril para continuar a alimentar fracturas onde elas não existem e apenas no interesse particular de forças políticas não democráticas e de alguns sindicalistas sem sucesso profissional nas empresas onde deviam trabalhar.
Depois Falamos.

domingo, abril 28, 2019

Tozé

Ao que se vai lendo, que pode não corresponder à verdade, Tozé prepara-se para deixar o Vitória no final da época rumando ao futebol turco onde o poder do dinheiro terá falado mais alto e convencido o jogador a trocar a relativa visibilidade do nosso futebol pela relativa invisibilidade da liga turca.
Desejando que não seja verdade parece-me serem poucas as hipóteses de não o ser.
Tenho pena.
Porque Tozé tem sido o melhor jogador do Vitória ao longo desta época, porque vai fazer falta num plantel que não é nada rico de valores a este nível  e porque vai sair a custo zero o que é difícil de compreender nos tempos que correm.
Até porque a carreira de Tozé no Vitória foi bem gerida.
Fez dois anos de pouca afirmação, foi bem emprestado ao Moreirense na época passada fazendo um belo campeonato (e 11 golos) e no regresso confirmou todas as qualidade que tinham levado à sua contratação assumindo papel de relevo na equipa.
Razões haverá para não renovar.
Não as conheço para lá da explicação "chapa quatro" de que vai ganhar mais dinheiro na Turquia.
Mas sei que se for embora, como tudo indica, será um passo atrás na construção do plantel para 2019/2020 e mais uma dificuldade no caminho de termos um Vitória à altura da sua História e do que o seu presente merece.
Depois Falamos.

Castelo de Lindoso


Caixa de Correio


Lobo


Futebol

O meu artigo desta semana no zerozero.

Gosto muito de futebol!
E gosto de futebol praticamente desde que me conheço a mim próprio e desde que o conheço enquanto a mais entusiasmante de todas as modalidades desportivas.
Ou seja desde meados dos anos sessenta do século passado quando pela mão do meu pai e do meu avô comecei a ir ver jogos do Vitória, ainda no saudoso campo da Amorosa, com o entusiasmo próprio de uma criança que entrava pela primeira vez num novo mundo do qual (ainda não o imaginava na altura) nunca mais sairia.
Passados mais de cinquenta anos, vistos milhares de jogos em estádios e na televisão, continuo a gostar muito de futebol e a adorar o “meu” Vitória mas essas são as duas únicas certezas que ainda mantenho quanto à modalidade.
Gosto de futebol.
Do futebol dos grandes jogadores, das equipas de sonho, dos grandes jogos e das competições de excelência onde a modalidade verte aquilo que tem de melhor e que fez dela a mais popular do planeta.
Do futebol de Cristiano Ronaldo e Messi, de Pelé e Eusébio, de Cruyff e Maradona, de Ronaldinho e Ronaldo, de Beckenbauer e Marco Van Basten entre tantos outros que poderia citar para ilustrar o meu pensamento.
Do futebol das grandes jogadas, dos golos memoráveis, da emoção e incerteza no resultado, da inteligência posta ao serviço do jogo.
Das grandes equipas que contribuíram para a lenda do futebol desde a “laranja mecânica” holandesa de 1974 ao Barcelona do “tiki taka” passando pelo espantosa selecção brasileira de 1970 no México sem esquecer outra selecção brasileira, a de Espanha 1982, campeã sem título de um Mundial inesquecível.
Gosto do futebol das grandes competições.
Dos Mundiais, dos Europeus, da Liga dos Campeões que são competições onde é fácil encontrar memórias fantásticas de jogos e jogadores fabulosos.
Mas também gosto de campeonatos nacionais.
Da fabulosa Liga inglesa, para mim a melhor do mundo, com os seus jogos imprevisíveis, o seu compromisso com a verdade desportiva, o fair play como regra e não como excepção, a rapidez e independência da Justiça desportiva, a sua História mais que centenária.
Como gosto da Liga espanhola.
Da sua emotividade, da rivalidade tantas vezes cavalheiresca entre Barcelona e Real Madrid e quase sem limites entre Sevilha e Bétis, das especificidades exemplares do Atlético de Bilbau, da luta titânica do Atlético de Madrid para ombrear com Barça e Real Madrid, de uma realidade que nos diz existirem nove clubes que já venceram a Liga.
Como gosto da Liga alemã com a sua organização exemplar, os seus estádios cheios, a competitividade do campeonato ao longo dos anos e uma louvável certeza de através da organização evitarem complicações e suspeições.
Como vejo, embora com menos interesse, a liga italiana que depois de muitos anos de grande competitividade entrou nesta última década numa monotonia que deve preocupar os seus responsáveis porque não é bom para o futebol ver numa das suas principais ligas o mesmo clube ganhar consecutivamente oito campeonatos.
Infelizmente não gosto do futebol português.
E tenho imensa pena que o “meu” Vitória tenha de competir num campeonato, e mais do que isso numa realidade futebolística global, em que alguns dos principais valores que prestigiam as grandes Ligas europeias estão completamente arredados.
O futebol português não tem verdade desportiva.
Não a tem nos relvados, não a tem nas novas tecnologias que supostamente para ela deveriam contribuir decisivamente, não a tem no relato que dela faz uma comunicação social que em grande parte não é isenta, não é rigorosa e quantas vezes não é verdadeira.
Pior.
O futebol português, que interessa a milhões de portugueses entre os quais muitos jovens, não é um bom exemplo para a sociedade, não é um modelo a seguir pelos jovens em formação, não é motivo de orgulho para todos quantos gostando de futebol e dos seus clubes não sofram em simultâneo de uma clubite cega e incapacitante em termos de raciocínio.
Porque é um futebol de conflitos, de suspeição, de maus exemplos vindos de quem mais devia zelar pela sua imagem (a maioria dos dirigentes clubísticos), de constantes querelas e zaragatas, de nenhum ou quase nenhum “fair play”.
É um futebol em que o dirigismo inculcou a ideia de que o mais importante é ganhar não importando como, em que grande parte dos adeptos de quem ganha mais só se preocupam em vencer não parando um minuto para pensar em como algumas dessas vitórias foram obtidas, um futebol que consagra o principio do “vale tudo” compensador face a uma justiça desportiva caricata e que apenas tem como prioridade ser fraca com os fortes e forte com todos os outros.
No futebol português vale tudo para alguns ganharem.
Porque o futebol português é um “Estado” dentro do Estado a quem todos os poderes tem medo, com quem nenhum poder ousa confrontar-se a sério, e que consegue fruto da tal clubite cega e incapacitante em termos de raciocínio fazer com que tanta gente absolutamente séria na sua vida pessoal e profissional pactue (nem que seja pelo silêncio cúmplice) com os maiores atropelos, desonestidades e aldrabices desde que o seu clube ganhe campeonatos e taças.
Porque no futebol português há milhões que são adeptos de quem ganha mais vezes, apenas e só por isso, em vez de apoiarem os clubes das suas terras e assim contribuírem para um maior equilíbrio e competitividade das competições.
Em Portugal o futebol é cada vez menos um desporto e cada vez mais um sério caso de polícia.
E pese embora o pavor do poder político (desde sempre em boa verdade) em afrontar os podres do futebol, com medo que isso tenha repercussões eleitorais, lá terá de vir o dia em que alguém terá de ter a coragem para dizer que os “reizinhos” vão nus e fazendo a Justiça funcionar de forma implacável obrigue o futebol a seguir as leis da República a que todas as outras áreas sociais estão obrigadas.
Infelizmente esse dia não será amanhã.
E creio que só chegará (infelizmente uma vez mais) quando um destes dias, num estádio próximo de nós, acontecer uma inevitável desgraça motivada pelo estado de permanente “guerra civil” de uns, na ânsia de ganharem sempre ainda que de qualquer maneira, e de crescente indignação de outros, fartos de serem “filhos de um Deus menor” e constantemente prejudicados pelo “vale tudo “ instalado (e televisivamente incentivado de todas as maneiras e feitos) em proveito dos tais que ganham sempre.
Por mim continuo a gostar de Futebol e a adorar o Vitória.
“Deste” futebol português é que não consigo gostar mesmo.
Não é possível!

sexta-feira, abril 26, 2019

Sugestão de Leitura

Há livros, pensamentos e políticos que são intemporais.
Começam por ter razão antes do tempo, no caso dos políticos, e depois tem tanta razão que ela se torna eterna mantendo-se mesmo depois de os políticos terminarem o seu ciclo de vida terrena.
Este livro tem essa rara virtude.
Tornou-se intemporal por perpetuar pensamentos políticos que também o são porque oriundos de um dos tais raros políticos que começou por ter razão antes do tempo e depois a manteve para lá da própria morte.
Para mim, que ainda sou do seu tempo, Francisco Sá Carneiro será sempre a referência política maior e o grande "responsável" pelas quatro décadas que militei no partido que fundou.
E recordar o seu pensamento, hoje, é relembrar que com ele Portugal podia ser bem melhor se o atentado de Camarate não o tivesse roubado ao nosso país.
Um livro para ler, reler e voltar a ler.
Depois Falamos.

terça-feira, abril 23, 2019

Construir vs Destruir

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

É sabido que na vida pública, seja política, desportiva ,associativa ou qualquer outra é muito mais difícil construir , mostrar ideias, projectos, definir objectivos e alcançar metas do que pura e simplesmente destruir tudo aquilo que outros se proponham fazer.
E no destruir não me refiro literalmente a arrasar, demolir, “dar cabo de...”, não deixar pedra sobre pedra mas “apenas” a outro tipo de destruição que é aquele que se consubstancia em dizer mal, criticar sem fundamento, falar por falar e  até caluniar  quando o resto falha.
São formas de estar.
Que em Portugal, por questões de tradição, “cultura” e ADN tem uma larga aplicação em todos os sectores ao ponto de se entender como vulgar que exista muito mais gente a destruir do que aquela que está realmente empenhada em construir.
As razões são várias, as motivações da mais diversa ordem, mas o fim é que não varia muito e traduz-se, regra geral, num enfraquecer daquilo que sem esse tipo de atitude podia ser bem mais forte.
Na gíria desportiva aqueles que tem opinião sobre quase tudo sem perceberem de quase nada costuma chamar-se os “treinadores de bancada” que é uma espécie que pulula não só nas bancadas dos estádios (mas aí,vá lá, com algum propósito) como em todos os outros sectores da vida social.
Nas empresas, nos partidos políticos, nas associações, na comunicação social (então aí...)não faltam profissionais da opinião que regra geral não conseguem ter opinião profissional como seria exígivel a quem gosta tanto de se pronunciar sobre tudo.
Não se põe aqui em causa, minimamente, o direito inalienável de as pessoas terem opinião e de a tornarem conhecida seja ela elogiosa seja critica em relação seja ao que for.
Numa sociedade livre e democrática não pode existir qualquer ónus ao direito de criticar, de divergir, de exercer o contraditório em relação seja ao que for e em especial relativamente a quem detém poder.
Mal estávamos!
Mas acho razoável que se peça, para não dizer exija, que a critica, a discordância, a divergência venham sempre acompanhadas de uma solução alternativa, de uma proposta construtiva, da oferta de uma possibilidade de escolha.
Num pequeno aparte, mas para exemplificar, lembro que o partido Aliança discorda da solução Montijo para o novo aeroporto de Lisboa mas propôs em alternativa, devidamente estudada e fundamentada, a solução Alverca.
Discordou mas apresentou alternativa.
No fundo o importante é não transformar o acto critico, a postura divergente, num simples “dizer mal” inconsequente que mais não visa do que desvalorizar e desqualificar quem tem opinião diferente sem que se saiba o que pensa de facto aquele que exerce o acto critico.
Até porque como defendo desde sempre a única forma de ser credível na crítica é ser justo no elogio.
Quem só critica, quem só sabe pôr defeitos, quem prefere a denúncia de um pequeno erro à valorização de mil grandes acertos nunca terá credibilidade nas suas críticas nem poderá ser levado minimamente a sério por que ande minimamente informado.
Infelizmente sempre assim foi e assim continua a ser em muitos sectores da sociedade portuguesa.
Fenómeno defeituoso que as redes sociais vieram agravar de forma exponencial.
Porque para lá das qualidades e benefícios que trazem, e são inegáveis, acarretam de igual forma a maximização desses defeitos “genéticos” de uma certa “cultura” portuguesa que passam por um “voyeurismo” desenfreado, por uma irresistível tentação da critica fácil, por um gosto deplorável pela denúncia , por uma irreprimivel necessidade de “contar novidades” , por um dedo permanentemente esticado apontando em direcção aos erros dos outros ou aquilo que o dono do dedo acha que são.
Muito mais isso em boa verdade.
Já para não falarmos daquilo que parece ser uma nova doença “profissional” cujo principal sintoma é um formigueiro nos dedos perante um teclado!
A concluir diria que esta forma de ser traduz, essencialmente, dois vícios intoleráveis em quem age desta forma: O pensarem que  tem conhecimentos abalizados sobre tudo e está toda a gente ansiosa por os conhecer e o acharem-se no direito de julgar permanentemente atitudes e comportamentos dos outros.
Continuo a pensar, e não mudarei de ideias, que se está bem melhor do lado de construir.
Ideias, projectos, instituições.
Dá muito mais trabalho, acarreta muito mais preocupações, arrosta incompreensões e injustiças mas o “produto” final vale a pena porque se traduz na construção de algo que vai perdurar e que deixa marca.
Ao contrário da critica fácil, do apontar obsessivo de possíveis falhas e possíveis erros, do achar que os outros fazem tudo mal, porque isso embora incomode ligeiramente mais do que uma melga no Verão acaba por se esvair na inconsequência e na falta de sustentação.
Vale a pena Construir.
E é a força dessa convicção que dá alento a todos aqueles que andam na vida com uma atitude positiva e empenhados em deixarem uma marca duradoura e não sopros que a primeira brisa leva para longe.