sexta-feira, março 29, 2019

Zeca Mendonça

Também numa sexta feira, no caso a 2 de Novembro de 2007 (quase há doze anos) escrevi aqui neste blogue um texto sobre o Zeca Mendonça.
Hoje , passado tanto tempo e no dia seguinte à sua partida para a última viagem (e tantas viagens fez o Zeca no pais e no mundo ao serviço do PSD) , relendo o que então escrevi não só reitero tudo que consta dessa postagem como atesto que estes doze anos passados desde então apenas reforçaram a imagem que tenho do Zeca há muitos anos.
Leal, competente, profissional, discreto, amigo do seu amigo , genial contador de histórias e uma pessoa que fará sempre parte da História do PSD e da própria democracia.
Há pessoas cujo lugar nunca pode ser preenchido por outras pessoas.
O Zeca é uma delas.
Depois Falamos.

terça-feira, março 26, 2019

Uma Pequena História

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

É uma história pequena, passada há vinte e três anos atrás, mas que me veio à memória ao ler este fim de semana a imprensa vimaranense e mais propriamente o jornal “Mais Guimarães” e uma troca de acusações entre o vereador do PSD Bruno Fernandes e o presidente da Câmara Municipal Domingos Bragança.
Contextualizemos:
Depois de sucessivos alternâncias na liderança camarária entre PS (venceu em1976 e 1982) e PSD (1979-1985)nas autárquicas de 1989 o PS venceu pela primeira vez com maioria absoluta sob a liderança de António Magalhães na sua segunda candidatura à presidência (fora derrotado por António Xavier em 1985) do município.
Em 1993, numa altura em que apesar do poder absoluto do PS o seu domínio da autarquia(e de aspectos vários da vida da comunidade) ainda estava longe da expressão que viria conhecer nos anos seguintes, o PSD fez uma opção altamente discutível pela renovação total da sua lista candidata ao invés de concorrer com os seus “pesos pesados” e tentar reconquistar a Câmara na lógica da alternância dos anos anteriores.
Perdeu.
E não só perdeu como ainda viu o PS reforçar a votação, solidificar o poder, lançar as bases para o que infelizmente seria o seu domínio da autarquia até aos dias de hoje.
Quiseram as vicissitudes da sua vida interna, matéria em que o PSD sempre foi de uma riqueza inigualável, que depois de anos de conflitos entre a direcção política concelhia liderada por José Mário Lemos Damião e os vereadores eleitos com a consequência inevitável de profunda divisões internas tenha sido possível chegar a um entendimento para que em 1996 fossem eleitos orgãos concelhios de consenso para tentar dar um rumo diferente ao partido face às autárquicas de 1997.
Assim foi.
E embora o consenso tenha durado pouco, por razões que neste contexto nada interessam, foi possível eleger uma comissão política concelhia com pessoas de ambos os lados da divergência presidida por mim e tendo o Emídio Guerreiro como vice presidente numa lista que integrava também o então vereador Vitor Borges, o Rui Miguel Ribeiro, o saudoso José Alberto Gomes Alves (um dos amigos mais leais que tive em toda a minha vida política), o Armando Marques entre várias outras pessoas.
A tarefe era imensa e decidimos desde logo que era preciso romper com o “status quo” e fazer qualquer coisa de diferente para tentar ganhar a câmara a um Partido Socialista cada vez mais forte.
Foi assim que se decidiu tentar convencer o então presidente do Vitória, António Pimenta Machado, a ser o candidato nas autárquicas de 1997 liderando uma lista que se pretendia  ser tão abrangente quanto possível no espaço não socialista de molde poder derrotar o PS.
Também a história dessa candidatura que não o chegou a ser dava para uma bela história, ou até um livro tantos foram os episódios, mas importa agora é contar que na preparação dessas autárquicas e para lá da escolha do candidato à Câmara importava fazer o trabalho de casa ,ou seja, preparar as candidaturas às juntas de freguesia.
E por isso a comissão política iniciou uma ronda de visitas às freguesias ora para convidar os presidentes de junta eleitos pelo PSD a recandidatarem-se ora para tentar encontrar nas freguesias socialistas personalidades que pudessem protagonizar candidaturas ganhadoras.
Nunca para convidar eleitos de outros partidos a concorrerem pelo PSD que fique claro.
Um “belo” sábado foi agendada uma visita a duas freguesias de maioria PSD, Arosa e Castelões, tendo a delegação da concelhia sido composta por mim, pelo Emídio Guerreiro, pelo Joaquim Silva Ferreira, pelo Armando Marques e mais uma ou duas pessoas que francamente já não recordo quem eram.
De manhã visitamos Arosa, onde se almoçou, e de tarde fomos a Castelões.
Em ambas as visitas, e ao contrário do previamente  combinado, fomos acompanhados apenas pelos respectivos presidentes de junta não tendo sido possível “avistar” qualquer membro dos respectivos executivos naquilo que foi uma evidente tentativa de ocultar a visita da concelhia aos eleitos locais.
Se a isso somarmos conversas daquelas que apenas servem para “deitar fora”,a par de nas visitas às freguesias se ter andado por onde não...andava ninguém, fácil foi concluirmos que andava “mouro na costa” e que aqueles dois presidentes de junta já andariam a ser tentados pelo poder municipal socialista.
E por isso regressamos dessas duas visitas certos que naquelas freguesias também teríamos de encontrar outros candidatos porque aqueles estavam de abalada.
Foi por isso que sem qualquer surpresa constatamos, meses depois, que ambos seriam candidatos pelo PS às respectivas juntas de freguesia com uma argumentação pseudo-justificativa que veríamos repetida nos anos seguintes (até à actualidade) em casos similares e que mais não servirá do que para acalmar as respectivas consciências perturbadas pela   alienação de valores e princípios.
Memórias de um passado já algo remoto despertas por notícias dos tempos que correm.

P.S. Sim, em Guimarães o PS sempre assediou politicamente os autarcas dos outros partidos.
É mais fácil negar que a Terra é redonda do que essa evidência dos últimos largos anos.

Guimarães


Bisontes


Big Ben


segunda-feira, março 25, 2019

Guimarães e Braga

É conhecida a rivalidade milenar entre Guimarães e Braga duas comunidades vizinhas que tem entre elas uma rivalidade que a História nos diz ser anterior à própria fundação da nacionalidade pelo vimaranense D. Afonso Henriques com o importante apoio do bracarense D.João Peculiar então arcebispo de Braga.
São muitos e diversos os episódios que caracterizam essa rivalidade e que passaram,inclusive, por no século XIX Guimarães ter tentado deixar de pertencer ao distrito de Braga e passar para o do Porto na sequência de um incidente grave com procuradores de Guimarães que se dirigiram a Braga para uma reunião no governo civil em 1885.
Hoje, e bem, essa rivalidade circunscreve-se (quase só) ao futebol que foi o "herdeiro" das controvérsias do passado e é hoje o expoente visível da competição,digamos assim, entre as duas comunidades.
Que já assumiu muitas formas ao longo dos séculos como é sabido.
Até na banca quando em pleno século XIX, por alturas de 1850, foi liberalizada a emissão de papel moeda aos bancos privados (até então apenas o Banco de Portugal o podia fazer) o que teve como consequência que em Portugal passassem a existir nove bancos com essa capacidade.
Em Lisboa o Banco de Portugal, no Porto cinco bancos privados, no Minho o banco do Minho e depois,é claro, o Banco Comercial de Braga e o Banco de Guimarães!
À excepção óbvia do Banco de Portugal,que ainda hoje existe, todos os outros tiveram vida mais ou menos efémera mas não deixa de se registar a curiosidade de em tempos idos Guimarães e Braga terem tido cada uma o seu banco no quem em termos nacionais apenas foram acompanhadas por Lisboa e Porto.
Rivalidades são rivalidades.
Depois Falamos.

domingo, março 24, 2019

Desencanto

Assisti nas bancadas do estádio da Luz, com indisfarçável desencanto, ao empate de Portugal com a Ucrânia que nada pondo em causa quanto ao mais que previsível apuramento de Portugal para uma estranha fase final do Europeu (a disputar em doze países)não deixou ainda assim de confirmar que a justiça às vezes anda bem arredada dos resultados futebolísticos.
Durante 90 minutos a selecção portuguesa dominou por completo o jogo, criou várias oportunidades de golo que apenas alguma falta de pontaria e a excelente exibição do guarda redes ucraniano impediram que tivessem sucesso, mas não só não ganhou como ainda correu o risco de perder quando no único remate à baliza de Rui Patrício em toda a segunda parte os ucranianos quase faziam golo.
É futebol.
De resto há que referir que Portugal jogou bem especialmente pelos flancos onde Cancelo (excepto a centrar) e Raphael Guerreiro estiveram em bom plano, porque no jogo interior as coisas nem sempre saíram da melhor forma a Moutinho ,William e Rúben, mas na hora de concretizar a verdade é que Ronaldo e André Silva (depois Dyego Sousa) esbarraram no tal guardião em noite de grande acerto que tudo defendeu.
Na hora das substituições creio que Fernando Santos fez o que tinha a fazer metendo Rafa para dar profundidade, Dyego Sousa poderio físico na área e João Mário critério quando a equipa saía a jogar desde a sua defensiva.
Mas não era dia de Portugal vencer e por isso o 0-0 final demonstra isso mesmo.
Mas o desencanto teve também a ver com outro factor.
Estou habituado a um estádio onde vinte e tal mil adeptos dão à sua equipa um incitamento extraordinário transformando as bancadas num espectáculo dentro do espectáculo e fazendo com que para os adversários os jogos sejam mais difíceis tal o apoio que a equipa da casa recebe.
Na Luz neste jogo estavam quase sessenta mil espectadores mas o apoio à selecção foi espaçado, pouco entusiasta, e às vezes superado pelo de largas centenas de ucranianos presentes em várias bancadas do estádio.
Se a razão para haver tantos jogos na Luz é o apoio do público então é melhor os que tomam as decisões de escolha dos estádios para os jogos da selecção começarem a procurar melhor argumento porque esse já não serve. 
É que já vi na Luz vários jogos da selecção e raramente vi um apoio como devia ser.
Depois Falamos.

Caixa de Correio


Lago Oregon,Estados Unidos


Castelo de Teleborg, Suécia


A FPF e o Futebol

O meu artigo desta semana no zerozero.

A propósito de notícias e acontecimentos dos últimos dias aqui se alinhavam algumas ideias sobre os mesmos sendo que todos eles têm a ver com a Federação Portuguesa de Futebol e a própria selecção nacional.
Comecemos pelo futebol propriamente dito.
Campeão europeu em título Portugal iniciou esta sexta-feira a fase de apuramento para o Europeu 2020, que terá uma estranha fase final (assunto para próxima crónica) bem ao sabor das modas economicistas da UEFA, disputando com a Ucrânia o primeiro jogo de uma dupla jornada em que defronta precisamente os seus mais fortes concorrentes a uma obrigatória qualificação para a tal fase final estranha.
Não começou bem.
E não começou bem “apenas” porque não ganhou um jogo em que foi sempre a melhor equipa (mal estávamos…), em que criou as melhores oportunidades de golo mas em que não conseguiu vencer porque uma soberba exibição do guardião ucraniano a par das responsabilidades dos nossos jogadores no não serem eficazes na concretização a isso obstou.
Ainda assim creio que Portugal fez uma boa exibição, atacando muito bem pelos flancos (Cancelo e Guerreiro em grande plano) mas menos bem no jogo interior, demonstrando que apesar do empate continua a ser, e de longe, o grande favorito a vencer o grupo.
Creio que Fernando Santos armou bem a equipa, adoptou a estratégia de jogo correcta, fez as alterações que se impunham mas era daqueles jogos em que se tinha a sensação de que nem que se jogasse mais uma hora ou duas a bola conseguiria entrar!
E a propósito das substituições (e se algumas vezes tenho criticado o seleccionador nessa matéria ontem concordei com as opções) ouvi na bancada em meu redor pedidos para entrar João Félix, Pizzi, Diogo Jota ou Gonçalo Guedes (cada cabeça cada sentença…) mas em bom rigor creio que as entradas de Rafa para dar profundidade, Dyego Sousa para dar mais poderio físico na área e João Mário para dar critério quando a equipa saia a jogar eram as que se impunham naquele contexto.
Talvez João Mário pudesse ter entrado mais cedo, talvez devesse ter saído William Carvalho e não Ruben Neves (por causa da meia distância essencialmente) mas isso são apenas detalhes que provavelmente também não teriam dado resultado diferente.
Em bom rigor, e numa nota bem pessoal, o único jogador que talvez pudesse ter feito a diferença com os seus cruzamentos teleguiados e os momentos de magia que “saca” quando menos se espera mas mais se precisa era…Ricardo Quaresma.
Mas não fez parte das escolhas para esta dupla jornada.
E o segundo apontamento tem precisamente a ver com o facto de a jornada ser dupla e os dois jogos serem no mesmo estádio.
Li recentemente uma estatística da utilização pela selecção nacional dos estádios de Portugal e fiquei impressionado com alguns dos números que lá li.
Por exemplo a Luz ter mais do dobro dos jogos de Dragão e Alvalade juntos e de estádios sem público e onde não joga nenhuma equipa regularmente (Algarve e Leiria) serem os segundo e terceiro em utilização à frente de estádios com excelentes médias de assistências como os referidos Dragão e Alvalade ou o D. Afonso Henriques.
Pior ainda é o facto de em Alvalade nos últimos dez anos a selecção ter jogado apenas duas vezes (!) sendo que um dos jogos foi particular pelo que o estádio do Sporting apenas teve direito a um jogo oficial em toda uma década.
Isto quando na Luz se disputaram doze jogos oficia no mesmo período de tempo.
É incompreensível e é, também, uma situação que tem de ser revista o mais depressa possível a bem de equilíbrios que não podem deixar de existir no nosso futebol bem como a uma posição de neutralidade que a FPF tem de manter perante todos os clubes.
Ainda agora nesta jornada dupla é difícil perceber que sendo o jogo de sexta-feira na Luz não tenha sido marcado o de segunda-feira para Alvalade e não são seguramente os pormenores de decoração das bancadas que explicam isso.
Uma nota final para notícias destes dias que referem ser desejo da FPF diminuir o número de clubes que disputam a primeira divisão bem como acabar com a taça da liga para deixar mais datas disponíveis para as equipas portuguesas que disputam competições europeias.
Manifestando até vontade, imagine-se, de não haver jornadas do campeonato quando as equipas portuguesas disputam jornadas europeias a eliminar em semanas consecutivas para que elas possam ter mais tempo de descanso.
Evidentemente não o diz, mas o desejo está lá, que também o ficar com mais datas para jogos particulares da selecção chorudamente pagos é possibilidade que lhe agrada de sobremaneira e vem juntar o útil ao agradável.
Útil e agradável para a FPF bem entendido.
Porque para a generalidade dos clubes portugueses menos jogos, menos receitas, menos uma competição onde podem enriquecer o palmarés (Vitória Futebol Clube, Moreirense e Braga que o digam) e angariar proventos diversos não é hipótese minimamente agradável nem me parece que possa colher o seu apoio.
Creio que a FPF deve reflectir.
E essa reflexão sendo bem feita dir-lhe-á que o futebol português é muito mais que a selecção, o Benfica, o Porto e o Sporting.
E disso não s epodem esquecer nunca!

quinta-feira, março 21, 2019

Os Faz de Conta

Portugal assiste na actualidade a um dos maiores exercícios de contorcionismo político, acompanhado da indispensável desfaçatez e falta de vergonha, de que há memória em tempos de democracia.
Ainda por cima protagonizado a duas "mãos" por PCP e Bloco de Esquerda.
Como estarão recordados em 2015 esses dois partidos defensores de totalitarismos diversos ofereceram-se ao PS, a qualquer preço e sem fazerem questão em serem vistos numa fotografia conjunta, para viabilizarem uma solução de governo não tendo para isso qualquer pejo em abdicarem de coerência e princípios.
Tal como o PS aliás.
Durante quatro anos, submissos e obedientes, aprovaram todos os orçamentos de estado e todas as políticas que o governo entendeu como necessárias à execução do seu programa sem tugirem nem mugirem com exceção das "Festas do Avante" e dos "Acampamentos " do BE em que deixavam vir ao de cima a sua verdadeira natureza.
Em suma sempre que o PS precisou deles eles nunca disseram que não.
Mas este ano há eleições.
E mais do que haver eleições há sondagens e estados de alma da opinião pública que mostram que os fretes de PCP e BE ao governo poderão ter para estes partidos um alto preço eleitoral face ao progressivo descontentamento dos portugueses com o estado do país.
Pelo menos daqueles portugueses que não se deixam iludir por propaganda intensa e retórica mais ou menos elaborada num português mais ou menos perceptivel.
E então ,nesse tal acto de contorsionismo desavergonhado, PCP e BE resolveram fazer de conta que são oposição, que não tem nada a ver com estes quatro anos, que não tem qualquer responsabilidade no estado do país.
Mas tem.
E pesadas responsabilidades diga-se de passagem.
Tem responsabilidade no estado do SNS, no descontentamento de professores e enfermeiros, nos milhares de milhões que se continuam a meter na banca, na maior divida pública de sempre, nos escândalos de Tancos e Pedrogão e em tantas outras coisas em que foram fieis apoiantes do PS e do governo.
PCP e Bloco de Esquerda são tão culpados como o PS.
E por isso não adianta esta patética tentativa de tentarem fazer crer que são oposição, de tentarem colar agora o PS a medidas do anterior governo, de "ousarem" até criticar um primeiro ministro que serviram fielmente e sem que se lhes conhecesse qualquer critica ou divergência de fundo durante quatro anos.
São culpados e por mais que se contorsam não há volta a dar quanto a isso.
Esperemos que a 26 de Maio e depois a 6 de Outubro sejam todos (PS, PCP e BE) punidos pelos eleitores.
Não merecem outra coisa.
Depois Falamos

terça-feira, março 19, 2019

Televisões

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

Quando em meados do século passado surgiu uma nova tecnologia chamada televisão, uma tremenda novidade para a época, não faltaram aqueles que lhe auguraram uma vida curta e um insucesso inevitável face à preponderância da rádio (ao tempo o grande meio de comunicação) e á crescente popularidade do cinema que era então o supra sumo do entretenimento de massas.
Dizer que os agoirentos estavam errados será manifestamente pouco face à realidade dos nossos dias em que a televisão é aquilo que se sabe que é.
Ao longo dos anos, e com a evolução da tecnologia, a televisão sofreu uma enorme evolução que não se resumiu à já distante evolução do preto e branco para a cor mas passou por muitas outras alterações das quais as transmissões por satélite e posteriormente por cabo permitiram ao comum dos cidadãos o acesso na comodidade do seu sofá a centenas de canais versando uma enorme variedade de temas.
Mas também a programação, as horas de emissão, o tipo de programas que são emitidos tem vindo a sofrer uma constante evolução (nalguns casos chamar-lhe evolução talvez seja impróprio…) adequando a televisão ao gosto dos telespectadores mas mais do que isso formatando os gostos dos telespectadores aos interesses das televisões.
Concentremo-nos em Portugal.
Onde como em tantas outras áreas a moda que se segue é a moda que já não se usa, ou se usa apenas residualmente, nos países onde vamos buscar os exemplos que gostamos de seguir e dos quais nos tornamos entusiásticos adeptos do dia para a noite.
Não tenho qualquer dúvida em afirmar que as televisões generalistas (RTP,SIC,TVI), tão iguais em quase tudo e tão diferentes em quase nada, tem hoje programações de uma falta de qualidade, de uma vacuidade em termos culturais, de um contributo para o “embrutecimento” que devia fazer corar de vergonha os seus responsáveis se tivessem outros objectivos que não fossem os “shares” de audiência.
Ele são as infindáveis telenovelas, ele são os tão horríveis quanto imensos programas sobre futebol, ele são os concursos sem nível nem qualidade, ele são a ausência quase total de boa programação cinematográfica, de bons documentários, de boas séries como se vêem na FOX, no AXN, no Canal História, no Discovery, no National Geographic e em tantos outros.
Ele é, também, o remeterem alguns dos poucos programas com real qualidade para horários tardios só ao alcance de quem não tenha que trabalhar no dia seguinte como aconteceu ainda recentemente, por exemplo, com a série “Versalhes” exibida na RTP 1.
Escrevo isto ao sabor de uma noite de domingo em que a RTP passa em horário nobre um concurso de culinária (!) e onde SIC e TVI passam concursos aviltantes para a raça humana como o “Quem quer namorar com o agricultor?” e o “Quem quer casar com o meu filho?”
Uma vergonha!
Mas que tem público, dão bons “shares”, e por isso existem para gaudio dos accionistas privados dessas televisões cujo único móbil é o lucro e por isso são completamente indiferentes ao “telelixo” que metem pelas casas dentro via receptores televisivos.
E este é um daqueles casos em que claramente as televisões souberam perceber os gostos de muitos telespectadores e criando problemas que dão satisfação a esses gostos conseguiram formatar o consumidor para aquilo que lhe querem vender.
Levando a questão para o campo político é evidente que esta capacidade de as televisões formatarem os gostos dos telespectadores levanta sérias questões sobre a forma como essas mesmas televisões põe em causa o regular funcionamento da democracia a partir do momento em que decidem privilegiar uns partidos em detrimento de outros aliás a exemplo do que também fazem no campo desportivo mas não é disso que se trata aqui e agora.
A verdade é que as três televisões generalistas favorecem claramente os partidos já instalados e com representação parlamentar ( (PSD,PS,CDS,PCP,BE) através dos noticiários, dos programas em estúdio com representantes partidários, dos comentadores televisivos em detrimento de todos os outros que tem de ultrapassar verdadeiras “muralhas” para terem acesso a uns “pingos” de presença televisiva.
E se isso já é lamentavelmente assim todo o ano, ao longo dos anos, mais reprovável se torna quando a prática desses comportamentos abarca períodos pré eleitorais e eleitorais mesmo quando todos os partidos deviam ser tratados em absoluto pé de igualdade.
Deviam… mas não são.
Com as “europeias” à porta a questão ganha especial acuidade quando se começa a desenhar uma tentativa de as televisões fazerem dois tipos de debate entre as candidaturas que no terreno disputam, em aparente igualdade, o voto dos portugueses.
Um entre os partidos com representação no Parlamento Europeu e outro entre aqueles que não a tem (ou ainda não a tem mas previsivelmente vão ter) o que em termos democráticos é completamente inaceitável e merece severa reprovação.
Uma espécie, voltando rapidamente ao desporto, de campeonato da primeira liga para uns e da segunda liga para outros como se em democracia pudesse haver diferentes escalões para partidos que face à lei são rigorosamente iguais em termos de direitos.
Não compete às televisões fazerem a diferença entre partidos.
Fá-la-ão democraticamente os portugueses através do voto a 26 de Maio e essa é a única diferenciação política e democraticamente aceitável. 

segunda-feira, março 18, 2019

Quartos da Liga Europa

Tal como a Liga dos Campeões também a Liga Europa se encaminha para o tempo das grandes decisões rumo à final de Baku.
Por isso é também o tempo de olhando para o quadro dos quartos de final tentar perceber quem serão as equipas que vão marcar presença nas meias finais da prova.
Aqui o equilíbrio não é tão grande como na prova principal da UEFA pelo que as previsões, em teoria, se afiguram como mais simples.
O Arsenal vs Nápoles é o grande jogo desta fase, um jogo de Champions tal a valia das equipas, e daí a dificuldade em perceber quem poderá passar dada a inexistência de um claro favorito porque o equilíbrio reina.
Aposto no Arsenal mas é jogo de tripla.
No Villareal vs Valência, um jogo entre equipas espanholas, parece-me que a equipa onde alinha Gonçalo Guedes é a favorita pese embora a boa prova que o adversário vem fazendo.
Slávia de Praga vs Chelsea é jogo de claro favoritismo inglês com a equipa de Maurício Sarri a assumir-se mesmo como uma das grandes favoritas a vencer a prova.
Finalmente o Benfica vs Eintracht de Frankfurt um confronto que opõe o líder da Liga ao quinto classificado da Bundesliga no qual jogam Jovic (que pertence ao...Benfica), Gonçalo Paciência formado no F.C.Porto e Gelson Fernandes que jogou no Sporting.
É uma eliminatória de grande equilíbrio, com o desafio da segunda mão a jogar-se num estádio em que o apoio dos adeptos é simplesmente espectacular, mas penso que o Benfica tem razoáveis probabilidades de seguir em frente.
Aposta para as meias finais, portanto, em Arsenal, Valência, Chelsea e Benfica.
Depois Falamos

Mosteiro de Nadi Quelt,Israel


Confusões


Torre de Menagem, Melgaço


Miguel Silva

Sou, desde sempre, um apreciador das qualidades futebolística de Miguel Silva que considero ser um dos melhores guarda redes portugueses e perfeitamente capaz de discutir a primazia entre os melhores da sua geração.
É claramente um jogador com potencial para chegar à selecção nacional A e por lá ficar durante muitos e bons anos.
Considero isso mas considero também que depois da aposta corajosa que nele fez Sérgio Conceição a gestão desportiva da sua carreira tem sofrido alguns solavancos que tardam a sua definitiva afirmação no panorama do nosso futebol.
Pedro Martins nunca apostou seriamente nele (vá-se lá saber porquê...) e teve em relação a ele algumas decisões duvidosas como pô-lo a jogar uma final da Taça depois de várias semanas de inactividade por lesão que o impediram obviamente de estar nas melhores condições para um jogo dessa responsabilidade.
Essa e outras decisões difíceis de entender.
Depois veio José Peseiro, que também preferiu a experiência de Douglas, e Luís Castro parecia ir pelo mesmo caminho conservador até que repentinamente lhe deu a titularidade ao que Miguel Silva respondeu com três excelentes exibições mostrando bem todo o seu potencial.
Com a renovação de Douglas, aos 36 anos, parece claro que finalmente Miguel será a aposta para o presente e para o futuro enquanto a Douglas estará reservado o papel de ser a alternativa quando tal for necessário.
Já não é sem tempo e espera-se que agora Miguel Silva tenha a continuidade e estabilidade que lhe permitam marcar uma época no nosso futebol.
Qualidade para isso não lhe falta.
Depois Falamos

domingo, março 17, 2019

Sorteio 1/4 Final

A Liga dos Campeões entra agora na sua fase decisiva com as oito melhores equipas da Europa,desta edição,a lutarem por se manterem no caminho que levará duas delas ao estádio Wanda de Madrid para a ansiada final.
Como habitualmente aqui deixo as minhas previsões com perfeita consciência de que nesta fase já é difícil, mas não impossível, falar de favoritos tal a valia das oito equipas que ainda se mantém em prova.
Começando pelo Tottenham-Manchester City, um confronto entre duas das quatro equipas inglesas ainda em prova,parece-me que os comandados de Pep Guardiola merecem favoritismo não só pela valia da equipa como pela época que estão a fazer.
O Ajax-Juventus é um jogo muito curioso entre a equipa que eliminou o Real Madrid e a equipa onde milita o jogador que fazia a diferença a favor do Real Madrid em tantos confrontos da Liga dos campeões e não só.
Apesar do emergir de uma nova geração de enormes talentos no Ajax aposto na Juventus para a presença nas meias finais.
O confronto entre Barcelona e Manchester United põe frente a frente uma equipa em grande forma e que domina a seu belo prazer o campeonato espanhol e um colosso inglês que começou mal a época mas tem vindo a reencontrar-se sendo prova disso a forma como eliminou o PSG.
Ainda assim aposto no Barcelona.
Finalmente o Porto que volta a encontrar um Liverpool que lhe traz más memórias de um confronto anterior e de pesada goleada sofrida no "Dragão" que significou a sua eliminação da prova.
Não há eliminatórias iguais, não há equipas iguais mas há pontos de comparação que nos dizem que este Liverpool está ainda mais forte e que o Porto já teve melhores tempos na época que corre e em que mostrou um potencial superior ao actual.
O Liverpool é favorito e só dois jogos perfeitos do Porto impedirão que os ingleses sigam em frente.
Por isso, e sintetizando, acredito que Manchester City, Juventus, Barcelona e Liverpool estarão mas meias finais começando a desenhar-se no horizonte (mas ainda falta muito para lá chegar)uma possível final entre Barcelona e Juventus.
Ou seja entre Messi e Ronaldo naquilo que seria um negócio de sonho para a UEFA e respectivos patrocinadores.
Depois Falamos

quinta-feira, março 14, 2019

Santorini, Grécia


Torre de Londres


Víbora Azul


Acertos e Erros

Está definido o quadro dos quartos de final da Liga dos Campeões nos quais as oito melhores equipas europeias desta competição (nesta época) vão disputar o acesso às meias finais da prova rumo à ansiada final em Madrid .
Em Dezembro, aquando do sorteio, tinha previsto aqui que os apurados seriam Barcelona, Porto, Manchester City, Liverpool, Borússia Dortmund, Real Madrid, PSG e Juventus pelo que constato que acertei cinco e falhei três das previsões.
Nos falhanços avulta a previsão quanto ao Real Madrid que venceu quatro das cinco ultimas edições da prova (as três últimas consecutivas) mas foi afastado por um Ajax que soube ser muito superior no jogo de Madrid depois de ter sido derrotado em casa na primeira mão.
Uma equipa em claro fim de ciclo e que sem Cristiano Ronaldo (como escrevi várias vezes desde o último verão) é sempre uma boa equipa mas longe do que valia com o jogador português.
E por isso este ano, o primeiro sem Ronaldo nos últimos nove, não vai ganhar Champions, nem Liga , nem Taça do Rei.
São factos.
Nos outros dois confrontos o Tottenham foi claramente superior ao Dortmund vencendo ambos os jogos enquanto o Manchester United, tal como o Ajax, soube compensar fora o que tinha perdido em casa.
Merece ainda realce a goleada (7-0) do Manchester City ao Schalke por números nada habituais nesta competição bem como a categórica vitória do Liverpool em Munique depois de um nulo na cidade dos Beatles.
Quanto a Barcelona e Porto venceram as suas eliminatórias como se esperava enquanto uma noite mágica de Ronaldo, o "tal" que tanta falta faz noutro lado, permitiu à Juventus seguir em frente depois de uma derrota comprometedora em Madrid no estádio onde se disputará a final.
Oito apurados.
Saliência para o facto de metade serem equipas inglesas (as duas de Manchester, Tottenham e Liverpool) sendo as restantes divididas por Portugal (Porto), Itália (Juventus), Holanda (Ajax) e Espanha (Barcelona) num mosaico que não deixa de ser interessante nomeadamente face à ausência de equipas alemãs e francesas nesta fase da competição.
Sexta feita há sorteio e depois se poderão alinhavar previsões quanto aos apurados para as meias finais.
Depois Falamos

quarta-feira, março 13, 2019

Noite Mágica

Noite mágica de Cristiano Ronaldo ontem em Turim.
Afinal "apenas" mais uma de um jogador que só nos surpreende quando...não surpreende tantas são as suas proezas e feitos ao longo dos últimos quinze anos ao serviço dos clubes e da selecção nacional.
Ontem a Juventus, regressada de Madrid com uma derrota difícil (0-2 é um resultado . a este nível, muito complicado de superar), tinha pela frente para lá da desvantagem uma das melhores equipas europeias dos últimos anos que ataca e defende com enorme eficácia.
O Atlético de Madrid, liderado por Diego Simeone, não é adversário fácil para ninguém e andando há anos a roçar o triunfo na Liga dos Campeões via nesta edição mais uma possibilidade de conquistar um "caneco" que já lhe fugiu por várias vezes e em finais com algum dramatismo há mistura.
Mas a Juventus tem Ronaldo.
E o português está como peixe na água nestes jogos decisivos em que se vê a verdadeira categoria de qualquer jogador.
Ainda por cima quando depois do jogo da primeira mão, e nos dias seguintes até ontem mesmo, foi alvo de provocações várias de dirigentes, adeptos e ex jogadores do adversário que não aprenderam nos anos em que jogou no rival de Madrid que provocar Ronaldo não é nada boa ideia.
Ontem tiveram a resposta.
Três golos, apuramento da Juventus e mais um passo rumo ao "Olimpo" do futebol.
Depois Falamos

sexta-feira, março 08, 2019

Assuntos Vários

O meu artigo desta semana no zerozero.

Vários assuntos dominam a actualidade futebolística nacional e europeia.
Começando lá por fora há que destacar aquilo que parece ser o fim de um ciclo no Real Madrid com a equipa merengue a ser eliminada da Taça do Rei e depois da Liga dos Campeões vendo-se assim impossibilitada de atingir o tal tetra que ninguém consegue desde há mais de cinquenta anos quando outra equipa “galáctica” do mesmo Real Madrid conseguiu o feito de vencer cinco taças dos campeões de forma consecutiva.
Se a isso se juntarem os doze inultrapassáveis pontos de atraso para o Barcelona na Liga espanhola pode falar-se de um ano de fracasso no clube e do fim de um ciclo de vitórias que lhes permitiu vencer, entre outros troféus, quatro ligas dos campeões nos cinco últimos anos.
Para aqueles, no Real Madrid, que com uma arrogância mesclada de alguma xenofobia diziam que a saída de Ronaldo não teria qualquer influência e o clube continuaria a ganhar da mesma forma está feita a prova de que não tinham qualquer razão e que o genial avançado português era mesmo insubstituível numa equipa onde fazia toda a diferença.
Bem feito!
Ainda lá por fora há a registar mais um fracasso do PSG na Liga dos Campeões desta feita eliminado por um Manchester United que embora longe de anos recentes, em termos de qualidade futebolística, continua a ter um naipe de jogadores que não pode ser  menosprezado.
Vencendo em Manchester por 2-1 o PSG terá olhado para o segundo jogo como um pró forma que mais golo menos golo se resolveria sem dificuldades de maior.
Enganou-se.
E a sua principal estrela, Neymar, teve mais uma prova do erro que cometeu ao trocar Barcelona por Paris em busca de ombrear com Ronaldo e Messi no galarim máximo do futebol mundial porque muito dinheiro não significa necessariamente muito sucesso e em termos europeus o PSG não é um clube na primeira linha de candidatura a vencer a Liga dos Campeões.
Cá por dentro duas notas particulares.
Uma para o Benfica que sob o comando de Bruno Lage tem vindo a recuperar na tabela classificativa, também por força da perda de pontos do Porto nas duas visitas a Guimarães (empates com Vitória e Moreirense) mas essencialmente pela justo triunfo no “Dragão”, associando a essa recuperação pontual uma clara subida na qualidade do futebol exibido em relação aos tempos de Rui Vitória.
O Benfica hoje joga bem e isso deve-se em grande medida ao novo treinador ,e à aposta que ele tem feito em jovens que conhece muito bem do Seixal e que tem trazido à equipa uma qualidade e uma irreverência assinaláveis, mas também à subida de forma de alguns jogadores que fizeram uma primeira metade da época muito discreta.
Liderando a tabela, tendo vencido no “Dragão”, em Alvalade e no D.Afonso Henriques e restando ao Benfica uma saída de risco com a ida a Braga na ultima semana de Abril, tudo indica que o clube lisboeta é o principal candidato a vencer a Liga.
A seu tempo se verá.
Finalmente uma palavra para o desagradável caso que opõe Vitória e Sporting em torno do (não) pagamento da transferência de Raphinha dos “Conquistadores” para os “leões” efectuada no início da corrente época e que vai agora para tribunal ao que tudo indica.
A questão é aparentemente simples.
Em Janeiro de 2018 os dois clubes terão acordado a transferência do jogador, a efecturar no final dessa época, com as contrapartidas financeiras que ambas as partes terão livremente acordado nas negociações entre as duas SAD.
No início da corrente época o jogador apresentou-se em Alvalade mas o dinheiro não se apresentou em Guimarães tendo o Sporting falhado os sucessivos pagamentos a que se tinha comprometido, até à data, pese embora todos os esforços do Vitória para receber as verbas a que tem direito.
É portanto natural que o clube vimaranense que ficou sem o jogador (que tão importante foi para o clube na passada temporada) e sem o dinheiro com que contava para cumprir os seus próprios compromissos recorra aos meios legais que tem ao seu dispor para receber as verbas a que tem direito e que durante meses procurou debalde receber.
Já o Sporting, que não tem dinheiro para pagar Raphinha mas teve dinheiro para se reforçar no mercado de Janeiro, não tem razão para a indignação que ostenta (falam até em corte de relações por iniciativa do devedor e não do credor o que não deixa de ser uma originalidade) porque quem está em falta é ele e não o Vitória como está bom de ver.
Tratando-se de dois clubes históricos, e que tradicionalmente se dão bem, espera-se que o assunto se resolva da melhor forma e sem ser necessário o recurso aos tribunais mas fica o alerta para mais uma situação no futebol português em que não foi cumprido o que foi combinado.
Ou como se diria noutros lados a palavra dada (ainda) não foi honrada!

quinta-feira, março 07, 2019

Snu

Embora goste muito de cinema confesso que não sou grande espectador do cinema português.
Tirando os grandes clássicos do tempo de António Silva, Vasco Santana, Ribeirinho, Beatriz Costa e outros "monstros" sagrados do nosso cinema (que apenas vi na televisão) que esses vi-os todos devo ter ido a uma sala ver um filme português duas ou três vezes se tanto.
Recordo "O Lugar do Morto" com Pedro Oliveira e Ana Zanatti como protagonistas e em boa verdade não recordo mais nenhum.
Ontem, meio desconfiado, a convite de um casal amigo fui assistir à ante-estreia de "Snu" um filme baseado na história de Snu Abecassis e a sua ligação a Francisco Sá Carneiro com quem viria a morrer no atentado de Camarate.
Em boa hora o fiz.
Porque é um excelente filme, com uma interpretação fantástica de Inês Castel Branco como "Snu" e uma boa interpretação,mas não tão conseguida, de Pedro Almendra como "Sá Carneiro" e que se vê com imenso prazer dada a fluidez e factualidade narrativa, a qualidade das interpretações, a banda sonora e, naturalmente, a excelente direcção de Patricia Sequeira.
E, seguramente, um filme que não foi fácil de fazer dadas todas as componentes emocionais que ainda hoje envolvem a figura de Francisco Sá Carneiro quer em termos políticos quer por causa da sua corajosa relação com Snu.
Em suma um excelente momento do cinema português.
Depois Falamos

quarta-feira, março 06, 2019

Castelo Matsumoto, Japão


Comboio


Dublin


Quatro Notas

Este Vitória.Marítimo que terminou com justo triunfo vitoriano, e sobre o qual já estará tudo (ou quase) dito merece ainda assim quatro curtos comentários.
O primeiro para dizer que considero inaceitável, seja a que titulo for, que o Vitória a jogar em casa use o equipamento alternativo enquanto o adversário usou o equipamento principal e, ainda por cima, tratando-se de cores que em nada se confundem.
A nossa identidade passa ,também, pelo nosso equipamento. 
E está a vulgarizar-se o uso da camisola preta sem que nada o o justifique.
O segundo para considerar que o Vitória fez uma boa exibição, em especial no segundo período, e que ficou a dever a si próprio mais golos mas a habitual falta de perícia na hora de rematar a par de uma grande exibição do guarda redes insular impediram que o resultado tivesse mais consonância com o que se viu em campo.
O terceiro para destacar Whelton.
Que fez um excelente golo e só não fez outro a seguir porque Charles fez uma defesa espantosa quando já se gritava golo nas bancadas. Esperemos que este golo e a forma como o festejou, denotando uma enorme ansiedade por marcar agora desfeita ,sejam o ponto de partida para o reencontro com um Whelton que ainda não foi visto em Guimarães mas que marcara um tempo em Paços de Ferreira.
O quarto e último para falar de Miguel Silva.
Que chamado a jogar, na semana em que Douglas acabara de renovar contrato(...), correspondeu em absoluto e rubricou uma exibição tão segura quanto tranquila demonstrando ao treinador que pode (e deve) contar plenamente com ele.
Em suma mais três pontos, uma exibição agradável e o quinto lugar continua a ser um objectivo com o Vitória a não esmorecer na perseguição ao Moreirense.
Depois Falamos

terça-feira, março 05, 2019

A Outra Coligação

O meu artigo desta semana no jornal digital  "Duas Caras".

Na passada semana escrevi neste espaço sobre a Aliança Democrática que criada em 1979 por Francisco Sá Carneiro, Diogo Freitas do Amaral e Gonçalo Ribeiro Teles permitiu a primeira vitória eleitoral de forças não socialistas e significou uma viragem no rumo que Portugal então seguia e que já motivara uma primeira intervenção do FMI.
O seu ideólogo, e proponente, foi Francisco Sá Carneiro um político e Estadista extraordinário que deixou para os vindouros um pensamento estruturado, baseado em sólidos princípios e que tinham como referência fundamental o serviço a Portugal.
Dele, como fundamento maior do seu pensamento político, ficou a célebre frase “..primeiro Portugal, depois a democracia e só depois a social-democracia…” deixando bem claro que para ele Portugal estava acima de tudo, vindo a seguir o regime democrático e só depois o seu partido.
Foi também com base nos ensinamentos colhidos junto de Francisco Sá Carneiro, de quem foi discípulo dilecto, que Pedro Santana Lopes ousou romper com o conformismo que parece afectar a área não socialista/comunista de Portugal e propor uma vasta coligação entre Aliança, PSD e CDS que permitisse aos portugueses mudarem o rumo de desgraça que o país vem prosseguindo e encetar outro caminho que levasse Portugal a ser aquilo que tem potencial para ser mas…não tem sido.
E aqui há que dizer com toda a clareza, porque há quem não o saiba mas também não faltam os que fazem de conta que não sabem a par dos que fingem não perceber, que a Aliança não tem qualquer receio em ir sozinha a votos e enfrentar o veredicto dos portugueses.
Fá-lo-á já em Maio e nas Europeias e depois em Setembro nas regionais da Madeira como é sabido.
E se o mesmo acontecer nas Legislativas, como tudo indica, será para a Aliança um gratificante desafio o poder ir a votos com as suas bandeiras, as suas causas, os seus candidatos e a tranquilidade de nunca tendo sido poder não lhe poderem ser assacadas responsabilidades de qualquer espécie no estado em que o país se encontra.
Porque se há matéria em que a Aliança está perfeitamente à vontade é precisamente nas causas que propõe aos portugueses.
Crescimento económico e competitividade, coesão territorial, um sistema de saúde com qualidade para todos e não apenas para os que o podem pagar, valores fundamentais que defende (Liberdade, respeito, decência, mérito, ordem e autoridade), uma fiscalidade orientada para a desoneração de contribuintes e empresas, uma aposta na Educação e qualificação dos portugueses, a defesa do Ambiente, a reforma do sistema político e uma nova atitude na Europa e face à Europa são algumas das muitas causas que a Aliança defende e que colocará à apreciação dos portugueses.
É firme convicção do partido que estas causas, os protagonistas que as defenderão e a convicção com que elas serão afirmadas junto dos portugueses merecerão da parte destes uma adesão que resultará num excelente resultado eleitoral e porá o partido em posição de ter uma palavra a dizer no pós legislativas.
Então porquê a proposta de coligação quando o partido sozinho está em condições de atingir os seus objectivos?
Precisamente pela mesma razão que levou Francisco Sá Carneiro a criar outra Aliança em 1979.
Portugal!
Portugal que está mal governado pela Frente de Esquerda e que caminha para novo resgate e novo período de grande dificuldade para os portugueses face ao degradar das contas públicas (a dívida pública está em máximos históricos), à conflitualidade social, á erosão grave da autoridade do Estado, à falência para que caminha o SNS, à irresponsabilidade do governo em matérias tão importantes como a protecção civil e a defesa nacional, entre muitos outros exemplos possíveis e que apontam para um novo “pântano” para que os discípulos de Guterres e Sócrates encaminham o país.
E isso só pode ser travado se as forças não socialistas tiverem uma maioria absoluta no parlamento.
Sendo hoje claro para todos (ou quase…) que nenhuma delas pode vencer sozinha com maioria absoluta e que pelo contrário todas as sondagens apontam para uma vitória sem maioria do PS o risco de nas próximas eleições sair novo governo socialista é enorme e não pode ser tratado com a leviandade a que por vezes se assiste.
Sabendo-se que o método de Hondt favorece as coligações e que um entendimento pré eleitoral que valorize convergências e subalternize diferenças tem um efeito galvanizador no eleitorado é óbvio que apenas uma coligação pré eleitoral entre PSD,CDS e Aliança pode conseguir uma maioria absoluta no Parlamento e criar condições para a formação de um governo bem melhor que o actual.
E por isso a Aliança propôs esse entendimento.
Ao que se sabe quer PSD quer CDS recusaram.
Um porque mais do que achar que pode ganhar as eleições tem a (pobre) ambição de contribuir como parceiro menor para um “Bloco Central” que defenda múltiplos interesses de clientelas várias e o outro porque tem a ilusão de que conseguirá repetir no país o “fenómeno” irrepetível das autárquicas em Lisboa.
Perdida entre a defesa de interesses de uns e a medição de egos de outros a área não socialista tem na Aliança a única força política que para além de fazer oposição ao governo quer seriamente construir uma alternativa ganhadora à frente de Esquerda e fazer de Portugal um país às direitas.
A seu tempo os portugueses dirão de sua justiça!

segunda-feira, março 04, 2019

Como?

Tenho procurado, e assim continuarei a fazer, escrever pouco sobre o Vitória porque se por um lado me falta o tempo por outro também falta a vontade face aquilo que vou vendo nas prestações desportivas do clube e não apenas da sua principal equipa de futebol.
Mas ao deparar com esta notícia, capaz de fazer abrir a boca de espanto a qualquer vitoriano que conheça minimamente a História do clube, não resisto a deixar aqui meia dúzia de linhas sobre o assunto.
É uma realidade que o Vitória é o quarto clube português em termos de número de adeptos, e provavelmente o primeiro na qualidade desses adeptos, mas a verdade é que os motivos de satisfação ficam por aí dado que nas prestações desportivas esta última dúzia de anos tem sido de quase contínua perda de  terreno face a outros clube e especialmente em relação ao Sporting de Braga.
Esta época até em relação ao Moreirense.
E por isso há um ciclo negativo que importa inverter o mais depressa possível para que o Vitória se reencontre com o seu destino histórico que é o de ser, em tudo,o quarto clube português sempre com a ambição de se intrometer entre os três do costume.
Mas para isso, e enquanto os resultados não chegam, é importante que também se mude o discurso e se introduzam nele factores de ambição que comprometam o clube e galvanizem os adeptos.
Esta frase de Luís Castro é, por isso, muito infeliz.
Para um vitoriano a verdadeira meta é ser campeão e a Europa uma obrigação que  tem de ser cumprida todas as épocas.
Todas!
Enquanto o discurso(e a ambição) não forem por aí não vamos a lado nenhum.
Depois Falamos.