terça-feira, julho 17, 2018

Regresso a Abril

O meu artigo desta semana no Duas Caras.


Com o passar dos anos creio que se torna inevitável, com a justa dose á sua medida para cada um de nós, não só recordar o passado como também dele extrair lições cada vez mais valiosas em relação ao presente e aos tempos que vão correndo.
Já noutros escritos tenho focado aquilo que me parece ser um cada vez maior distanciamento  das pessoas, e muito em especial das mais jovens, em relação à política e às suas instituições e muito particularmente em relação aos partidos políticos.
As razões são diversas, umas mais justas , outras menos justas e outras totalmente injustas mas a verdade é que esse distanciamento existe e é vulgar de Lineu ver os cidadãos responsabilizarem os partidos políticos por tudo que de mau sucede no país criando uma cada vez maior linha divisória entre os cidadãos e os agentes políticos.
E isso faz-me voltar a Abril de 1974  e recordar aqueles primeiros e exaltantes tempos de política em Liberdade que a minha geração,então na zona etária da adolescência, viveu com uma intensidade , um encantamento e uma militância que duvido que alguma vez tenha sido possível repetir nas décadas seguintes.
E essas memórias reportam essencialmente a Guimarães, à juventude vimaranense, a uma geração que andava então por idades entre os 14 e os 17 anos e que era na sua quase totalidade completamente ignorante em relação à política, às ideologias, aos partidos e à própria democracia.
É certo que já havia pelo Liceu de Guimarães, estabelecimento que então frequentava, alguns colegas mais velhos, mais politizados, mais interventivos dentro do quase inexistente espaço de intervenção e que pouco depois do 25 de Abril (dias ou semanas) se veio a perceber pertencerem ou estarem ligados a partidos que a ditadura obrigava a estarem na clandestinidade.
Falo obviamente de partidos como o PCP, com uma já muito longa vida clandestina, ou de pequenos partidos de extrema esquerda surgidos de dissidências do PCP como era o caso do MRPP por exemplo.
Mas esses colegas eram uma pequena excepção dentro de um universo estudantil que na sua esmagadora maioria estava de facto completamente alheado das questões políticas, que pela política não tinha qualquer interesse (em bom rigor como podia ter num regime de partido único em que as “verdades oficiais” eram lei?)e que nesse âmbito apenas se afloravam nalgumas conversas o tema das guerras de África muito por força de um avançar das idades que começava a tornar esse assunto um problema no nosso horizonte.
O 25 de Abril foi um franquear de portas até então hermeticamente fechadas.
Com a Liberdade veio a Democracia e com esta os partidos políticos.
E se o PCP era um partido na verdadeira acepção do termo, com décadas de existência e uma organização clandestina que lhe permitiu sobreviver à ditadura, que tinha os seus orgãos dirigentes e uma longa experiência política todos os outros começaram aí a dar os seus primeiros passos e a construir os caminhos pelos quais pretendiam seguir.
Havia, é certo , os tais pequenos partidos de extrema esquerda mas sem qualquer representatividade nacional e assentes em núcleos estudantis e operários e existia um PS fundado na Alemanha mas que também ele pouco mais era do que um grupo de amigos de Mário Soares cuja notoriedade internacional era bem maior do que a do partido fundado em 1973.
Apareceram então o PPD, o CDS, a UDP, a LUAR (que já existia como movimento com pretensões revolucionárias mas se viria a transformar em partido), o PPM, o PDC e mais alguns de que a História não rezou nem reza.
Para nós jovens a despertar para a política, entusiasmados com os tempos ímpares que se viviam e fascinados pela explosão de liberdade que o 25 de Abril trouxera tornou-se perfeitamente natural a adesão a um partido e o mergulhar numa militância idealista a que nos sentíamos quase obrigados para corresponder à generosidade dos capitães de Abril e assim servirmos a democracia.
Nada percebendo de política, invadidos por um manancial de informação quase atordoante que ia de programas partidários a manifestos ideológicos, a opção natural de muitos foi aderirem a partidos mais por razões de influência familiar nuns casos e dos grupos de amigos mais próximos noutros do que por qualquer arreigada convicção ideológica que não podia naturalmente existir.
Claro que também existiram outras razões como a admiração criada pelos lideres partidários nas suas aparições televisivas ( mas convém recordar que a televisão,única, nada tinha a ver com a realidade televisiva actual),nas entrevistas dadas a jornais e em várias outras razões que não valerá agora a pena justificar.
E assim uns foram para o PCP (UEC e JCP)  e para a extrema esquerda cujas máquinas de captação de novos militantes estavam bem mais afinadas, outros para o PPD (JSD), outros ainda para o CDS (JC) e alguns espalharam-se pelos pequenos partidos então existentes.
Curiosamente no PS (JS) não houve adesões significativas e terá sido dos grandes partidos aquele que, em Guimarães,teve mais dificuldade em fazer arrancar a sua organização de juventude.
Uma vez filiados fazia-se militância a sério.
Colavam-se cartazes, pintavam-se paredes, montavam-se bancas nos corredores do Liceu, faziam-se sessões de esclarecimento nos intervalos (que às vezes acabaram de forma mais acalorada...), participava-se na organização dos comícios, vendia-se nas ruas o “Povo Livre” (como perceberão falo agora apenas da JSD), distribuía-se propaganda e viva-se o momento político com um fervor e uma intensidade que nos trazia despertos para a política durante as 24 horas do dia.
Fazia-se tudo isso com militância, com dedicação, pensando em ajudar o colectivo e sem esperar nada em troca!
Era um tempo em que os partidos e as juventudes partidárias tinham o respeito dos cidadãos.
Recordo esses tempos com saudade, certo de que não voltarão e mais certo ainda de que o actual caminho trilhado pelos partidos e pelas suas organizações de juventude também não contribui muito para que isso seja possível.
Porque hoje vivemos num tempo de imediatismo.
Um tempo em que alguns querem tudo,sempre, ao mesmo tempo e quanto mais depressa melhor.
Um tempo em que ainda não fizeram, não provaram, não construiram mas já exigem, já reivindicam, já se acham credores deste mundo e do outro.
Um tempo de pressa excessiva.
Em que se queimam etapas, se atropela quem aparece no caminho, se quer para amanhã o que nalguns casos nem daqui a vinte anos deviam ter.
Um tempo de “vale tudo”.
Desde que se consigam os lugares, as mordomias, os cargos e as regalias.
Não sou, seguramente, daqueles que tem por hábito dizer “ dantes é que era bom” como se os tempos não mudassem e as sociedades não evoluíssem.
Mas sou, certamente, dos que temem que por este caminho os “amanhãs não cantem”.

P.S. Não quero puxar a brasa à minha sardinha. Mas registo com muita satisfação que a JSD de Guimarães tem sabido ao longo dos anos manter um espirito de intervenção política e de entrega ao partido que a fazem uma honrosa excepção ao que vai vendo por outros lados e por outras juventudes partidárias.

sexta-feira, julho 13, 2018

Castelo de Scotney, Inglaterra


Mosteiro de Belogorsky,Rússia


Caranguejo


Marca

Sou leitor, há muitos anos, do diário desportivo espanhol "Marca" que considero um dos melhores jornais da Europa em tudo que diga respeito ao desporto.
É um jornal de Madrid, com simpatia da maior parte dos seus jornalistas pelo Real Madrid e pelo Atlético de Madrid, mas isso não obsta a que faça uma informação de grande qualidade e com uma isenção que devia fazer corar de vergonha alguns colegas do lado de cá da fronteira.
A propósito da saída de Ronaldo do Real Madrid para a Juventus (em que nalguns artigos de opinião os seus colunistas se insurgiram contra o que consideraram um erro histórico do clube madrileno)  o jornal fez uma das melhores capas,talvez a melhor mesmo, que se viram nesse dia nos jornais de todo o mundo que deram ao assunto o maior relevo na sua primeira página.
Uma fotografia do espectacular golo de Ronaldo em Turim, na última edição da Liga dos Campeões, emoldurado por quatrocentas e cinquenta e uma bolas representado todos os golos marcados pelo jogador ao serviço do Real Madrid inserindo no centro de cada uma delas o emblema do clube a quem tinha sido marcado.
Genial!
Este sim é jornalismo que vale a pena, este sim é um jornal que vale bem o dinheiro que se paga por ele.
Depois Falamos.

Final

França e Croácia foram as duas melhores equipas deste Mundial e por isso disputarão a final de domingo!
E se no caso dos franceses não há razão para qualquer admiração, porque desde início eram apontados como favoritos, já os croatas ganharam esse estatuto no próprio mundial face à forma convincente (mas sofrida na fases a eliminar depois de vencer categoricamente o seu grupo...) como foram ultrapassando os diversos obstáculos que lhes apareceram pela frente.
São duas equipas muito diferentes e duas estratégias de jogo também elas diversas.
A França tem grandes jogadores (Mbappé,Griezman,Pogba,etc) mas é uma equipa "à Fernando Santos", por opção de Didier Dechamps e não dos jogadores, que gosta mais de jogar no erro do adversário do que assumir o jogo e vencê-lo pelo domínio exercido ao longo da partida.
E claro que nessa estratégia jogadores "explosivos" e de grande capacidade técnica, como os referidos e outros, tornam-se decisivos pela forma como aproveitam as oportunidades.
A Croácia é diferente.
Não tem "estrelas" tão mediáticas como a França mas tem um conjunto extremamente sólido, muito competitivo, com um "coração" que nunca mais acaba e que pressiona o adversário em todo o terreno para recuperar a bola e poder organizar o seu jogo.
Porque ao contrário da França a Croácia gosta de ter bola e jogar.
E não tendo o mediatismo dos franceses tem no centro do terreno, a tal zona nevrálgica onde se decidem jogos, provavelmente os dois melhores médios deste Mundial como o são os fabulosos Modric e Rakitic que asseguram uma qualidade de posse de bola e de passe muito difícil de contrariar.
Vai ser seguramente um jogo muito interessante esta final do Rússia 2018.
Que ganhe o melhor.
E que o melhor seja a Croácia é o meu desejo.
Depois Falamos.

quarta-feira, julho 11, 2018

Falta de Civismo

Não gosto, nunca gostei, de fogo de artifício.
Fogo de artifício, foguetes, morteiros ou lá como lhe queiram chamar, embora respeite a opinião daqueles que gostam e são capazes até de andarem muitos quilómetros para verem esses espectáculos de pirotecnia que abundam neste país.
E se não acho piada nenhuma aos efeitos visuais então aos efeitos sonoros é que não acho piada mesmo nenhuma.
Detesto o ruído do rebentamento dos foguetes.
Infelizmente em Portugal não há festa, festinha ou festança que dispense esse tipo de poluição sonora obrigando-nos a todos a participar, por via auditiva, em celebrações em que não temos o menor interesse.
Com algum exagero até se pode dizer que nalguns sítios basta um cruzamento de ruas, meia dúzia de vizinhos, arranja-se um santo padroeiro, faz-se uma festarola com comes e bebes (especialmente estes) e,claro, atiram-se os foguetes para que toda a gente saiba que naquele cruzamento há arraial.
Infelizmente o arreigado hábito de foguetear por tudo e ,geralmente, por nada não conhece horários, nem normas de educação e civismo, nem o respeito pelo direito de quem nada quer com a festarola descansar nas horas a tal destinadas.
E por isso das sete da manhã, talvez achando que um dos números da festarola é fazer de despertador, até altas horas da noite é sempre tempo de atirar foguetes, fazer barulho e demonstrar a mais canhestra boçalidade, quando não estupidez, na forma como se incomodam os não festivos.
É pena que as leis de ruído que se vão aprovando no Parlamento não sejam suficientemente rigorosas para proibirem de uma vez por todas o foguetório entre as 22.00 horas e as 09.00 horas.
E que as autoridades locais, das policiais às autarquias não usem de severidade máxima para obrigarem ao seu cumprimento!
Depois Falamos.

P.S. Este texto tem uma "inspiração" próxima. 
Vivo numa freguesia, Marinhas(Esposende),que tem meia dúzia de lugares propensos a essas festarolas recheadas de foguetório.
Esta noite era quase uma da manhã e todos os moradores num raio de quilómetros em torno de um desses lugares tiveram "direito" a quinze minutos de poluição sonora via foguetes no mais absoluto desrespeito pelas horas de descanso.
E ainda não eram sete e meia da manhã e já estava a ser servida segunda "dose".
É apenas um exemplo das centenas ou milhares que há por este país fora.

terça-feira, julho 10, 2018

Adiós

Foram nove anos.
439 jogos.
451 golos.
4 Bolas de Ouro
4 Botas de Ouro.
4 Ligas dos Campeões
3 Mundiais de clubes.
2 supertaças europeias.
2 campeonatos de Espanha.
2 Taças do Rei.
2 supertaças de Espanha.
Um sem número de recordes que seria fastidioso enumerar aqui.
Uma contribuição inigualável para aumentar o prestigio do clube em todo o mundo.
O melhor jogador da História do Real Madrid.
Mas nem isso foi suficiente para que o clube espanhol tratasse o seu melhor jogador com a consideração e respeito que lhe eram devidos , cumprisse as promessas  livremente feitas e o fizesse sentir-se desejado em Madrid.
Afinal o repetir do que se passou com Raul González, Iker Casillas, Fernando Hierro, Hugo Sanchez e o próprio Alfredo Di Stéfano, cinco dos maiores jogadores da História do clube, que também se viram obrigados a deixarem o Real Madrid ,apesar de tudo que tinham feito pelo clube, por não se sentirem nele desejados.
Digamos que a ingratidão faz parte do ADN do Real Madrid.
Ronaldo, que gostava muito de jogar no Real Madrid mas não precisa do Real Madrid para nada, tomou uma atitude digna e saiu pelo seu pé certo de que noutro colosso do futebol europeu continuará a marcar golos, a ganhar títulos, a disputar "Bolas de Ouro" e Ligas dos Campeões.
Quanto a Florentino Pérez, que percebe muito de construção civil mas pouco de futebol, continuará com a sua política de contratações galácticas, de negócios de muitos milhões, de priorizar o mercado publicitário e o merchandising à componente desportiva e seguramente que já deve ter outra contratação "estrela" preparada de um qualquer jogador que nem aos calcanhares de Ronaldo chegará em termos de rendimento.
Dir-me-ao que mesmo assim tem ganho Ligas dos Campeões (quatro nos últimos cinco anos) e que esse é o principal sucesso desportivo a que um clube pode ambicionar.
É verdade que sim.
Como também é verdade, e ele vai perceber isso da pior maneira, que muitos desses sucessos se deveram à categoria excepcional de Ronaldo que resolveu jogos sozinho, que com os seus golos disfarçou planteis mal feitos, que com a enorme mais valia que constituiu no Real Madrid ajudou a disfarçar muitas lacunas.
Os caminhos agora separam-se.
Ronaldo vai para a Juventus, um clube que o quis e lhe mostrou isso de todas as formas possíveis, e seguramente que vai continuar a ser o fabuloso jogador que se conhece.
O Real Madrid ( e Florentino Perez) ficarão com Lopetegui, provavelmente contratarão Neymar, deixarão de ganhar a Champions e verão a hegemonia interna do Barcelona aumentar.
Cada um terá o que merece.
Depois Falamos,

900 Anos

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

Daqui a dez curtos anos  Guimarães, e espera-se (embora com algum desespero) o resto do país, vão festejar condignamente os novecentos anos da batalha de S. Mamede em que a vitória das tropas de D.Afonso Henriques transformou esse dia no primeiro dia de Portugal.
É uma realidade histórica a que só por teimosia, ignorância, má fé e algum preconceito o país tem resistido a comemorar de forma condigna.
Já sobre esse assunto tenho escrito e a ele não vou voltar neste texto a não ser como introito ao desenvolvimento do tema que hoje quero tratar e que não é a falta de reconhecimento do 24 de Junho de 1128 mas sim a forma como Guimarães olhará para essa data.
Escrevia no início “dez curtos anos” e não o fazia por acaso visto que uma década se é um período dilatado de tempo para muita coisa há outras para as quais somos obrigados a considerar que é um espaço temporal pequeno tal a dimensão do que importa fazer e a importância de o fazer bem feito.
E mais do que festejar condignamente a data, e espero que isso não seja sequer motivo de dúvida, importa que esse festejo e o facto de se tratar de um número “redondo” (900 anos) sejam motivo suficiente para apontar 2028 como uma meta plausível para o esforço de transformar a data em feriado nacional permitindo assim que seja reconhecida por todos os portugueses e não apenas pelos vimaranenses.
É um esforço grandioso, já o sabemos, que não dispensará um envolvimento solidário de toda a comunidade vimaranense e que devendo ser liderado pelas forças políticas locais não dispensará o contributo de associações culturais, da Universidade, dos organismos sócio profissionais, dos clubes desportivos, das instituições de solidariedade social, da associação comercial e industrial, enfim de todas as forças vivas do nosso concelho.
Dispensados mesmo deste esforço colectivo apenas estão o egoísmo,a partidarite, a arrogância, a soberba, a patética convicção da auto suficiência que são tantas vezes os piores adversários da nossa Terra quando ela se abalança a empreitadas que fogem ao que é comum na vulgaridade dos dias.
É por isso importante, diria até decisivo, que as principais forças políticas do nosso concelho (PS, PSD, CDS, CDU, BE, PPM,MPT) que são aquelas que tem representação no executivo camarário e/ou na Assembleia Municipal saibam olhar para a data com a importância que ela efectivamente tem e sejam capazes de nesse olhar dispensarem as agendas eleitorais que correm até 2028 e muito em especial as duas eleições autárquicas que até lá se verificarão.
É verdade que nesse capítulo já começamos mal.
Porque na última Assembleia Municipal a proposta do PSD para ser criada uma comissão de acompanhamento das comemorações dos 900 anos da Batalha de S. Mamede, que integraria todos os partidos representados no orgão e se estenderia ao longo dos dez anos, foi chumbada pela maioria absoluta do PS com o espantoso argumento de que “ainda era cedo”.
Fosse para a uma candidatura a capital europeia do chincalhão, da sueca ou dos matraquilhos e talvez o PS desse a sua anuência à criação da tal comissão mas como era para acompanhar aquela que consideramos como a mais importante data da História de Portugal (aquela data sem a qual não haveria Portugal) resolveu chumbar dando a preocupante sensação, que esperamos não se venha a confirmar, de que pretende fazer do assunto causa sua e de mais ninguém.
Nem sequer percebendo, e não era pedir muito, que a criação de uma comissão multipartidária para acompanhar os preparativos da comemoração era um primeiro e importante sinal que se estaria a dar à comunidade em termos da comunhão de esforços para atingir um objectivo que é de todos.
Foi pena mas não é nada que a qualquer momento não se possa corrigir desde que exista a vontade necessária a tanto.
São, pois, dez anos para uma comemoração que deve encerrar o tal objectivo de dar dimensão nacional à data.
Dez anos em que se espera que o concelho se torne mais atractivo, ganhe população, atraia investimento e empresas, melhore a sua mobilidade interna e externa (acreditamos que nesse prazo talvez seja possível desnivelar o nó de Silvares), se torne mais equilibrado e mais justo  em termos de investimento/desenvolvimento na cidade nas vilas e nas freguesias, reforce o peso e a importância do polo da Universidade do Minho, seja ecologicamente exemplar, tenha no rio Ave uma alavanca da sua sustentabilidade ambiental (ao contrário do que aconteceu em recente candidatura a capital verde europeia) e consiga manter manter o rigor em termos de urbanismo que lhe permitiu ganhar para o seu centro histórico o galardão de património mundial da Unesco mas que recente “mamarracho” para os lados da Costa faz temer que algo tenha mudado.
E como o Vitória está sempre presente seria fantástico que nestes dez anos o clube conseguisse finalmente ser campeão nacional de futebol.
Porque teria, no contexto muito próprio do futebol, o efeito de uma autêntica batalha de S. Mamede e seria uma vez mais em Guimarães que nasceria uma nova e revolucionária realidade.
Temos dez anos pela frente.
Saibamos aproveita-los!

sábado, julho 07, 2018

Meias Finais

E o Mundial da Rússia caminha para o seu final.
Depois de ontem França e Bélgica terem ultrapassado Uruguai e Brasil, transformando este mundial num assunto exclusivo de selecções europeias, hoje foi a vez de Inglaterra e Croácia garantirem as presenças nas meias finais deixando pelo caminho a Suécia e o anfitrião Rússia.
Deve dizer-se que os quatro apurados mereceram o apuramento.
A França desembaraçando-e sem dificuldade de maior de um Uruguai que já não dava para mais, a Bélgica demonstrando grande eficiência perante um Brasil perdulário que teve em Courtois um terrível adversário, a Inglaterra ultrapassando naturalmente uma Suécia para quem chegar até aqui já foi quase milagroso e a Croácia pondo fim ao "drama" de ver uma equipa russa que não jogava nada ir ultrapassando etapas e ameaçar ir até à final.
França, Bélgica, Inglaterra e Croácia são ,pois, os semifinalistas.
Com excepção da França, naturalmente candidata ao triunfo, há um mês atrás ninguém acreditaria que qualquer uma das outras três selecções estivesse neste momento nas quatro apuradas para disputar o acesso à final.
A verdade é que estão.
E outras em que se apostava como Alemanha, Brasil, Espanha,Portugal e  Argentina já regressaram a casa eliminadas por equipas de quem à partida não se esperaria tanto.
É o eterno sortilégio do futebol.
E por isso nem vale a pena arriscar quem é o favorito ao título mundial porque numa prova com tantos resultados inesperados é sempre de esperar que até ao último minuto o futebol nos surpreenda com mais um.
Depois Falamos.

Um Mundial Estranho

O meu artigo desta semana no zerozero.

Este Mundial da Rússia já era estranho antes de ter começado por razões que vão desde a escolha das cidades que sediaram jogos, demasiado concentradas num país que é o maior do mundo, até às selecções que não conseguiram apurar-se.
Foi, de facto estranho, constatar que a Itália,a Holanda e o Chile não marcaram presença num certame de que costumam ser, especialmente as duas primeiras, clientes habituais e no caso dos italianos com vários títulos já conquistados sendo o último deles em 2006 no Mundial da Alemanha.
Os chilenos, campeões sul americanos em título também não conseguiram lograr o apuramento não confirmando na fase de qualificação o domínio que mostraram na última Copa América.
Quanto à Holanda, a mais infeliz das selecções em termos de mundiais porque já perdeu três finais sendo duas em casa do outro finalista (Alemanha em 1974 e Argentina em 1978e nunca ganhou nenhuma) , está em fase de renovação de valores não tendo hoje craques como Cruyff, Van Bastem ou Ruud Gullit.
E o Mundial continuou estranho depois de se iniciar a fase de grupos.
Estranho porque as equipas teoricamente favoritas não tiveram prestações convincentes, vendo-se com grande dificuldades perante adversários teoricamente mais fracos e chegando ao ponto de nalguns casos nem os conseguirem ultrapassar quer nos jogos entre eles quer na própria classificação dos grupos.
E nessa estranheza insere-se, naturalmente e com grande destaque, o facto de a Alemanha campeão mundial em título e por muitos apontada como  grande favorita a revalidar o triunfo na prova ter ficado pela fase de grupos e num impensável último lugar do seu grupo depois de derrotada por México e Coreia do Sul.
Foi um aviso aos outros favoritos.
Porque nos oitavos de final a razia continuou em termos de equipas com pretensões a chegarem longe e até a ganharem a prova.
Portugal, o actual campeão europeu, ficou pelo caminho frente a um Uruguai que soube levar a  água ao seu moinho e afastou da prova uma selecção que não se assumia como favorita mas tinha as suas pretensões e apresentava como bandeira o “bola de ouro” Cristiano Ronaldo.
No mesmo dia a Argentina, duas vezes campeã mundial e com Messi como grande figura, não conseguiu resistir a uma forte selecção francesa e foi afastada depois de um dos melhores jogos deste Mundial.
No  dia seguinte também a Espanha, fragilizada pelo inacreditável episódio Lopetegui, abandonou a prova eliminada por uma selecção russa que soube sofrer e levar a disputa para penáltis onde foi mais competente e eliminou uma das principais favoritas.
E este estranho mundial, que começou sem Itália,Holanda e Chile chegou aos quartos de final sem o campeão mundial, sem o campeão europeu e sem dois ex campeões mundiais o que não sendo caso para abrir a boca de espanto constitui sempre motivo para alguma surpresa.
Mas os quartos de final não quiseram destoar do restante.
E se a vitória da França sobre o Uruguai tem de se entender como normal a todos os títulos, tal a superioridade francesa, já a queda do Brasil aos pés de uma eficiente Bélgica significou o afastamento da selecção com mais títulos , única que disputou todos os mundiais e aquela que muitos viam como principal candidata depois da eliminação da Alemanha.
E não deixa de ser...estranho saber que se França e Bélgica vão disputar uma das meias finais na outra estarão selecções como a Rússia, a Croácia, a Suécia e a Inglaterra o que significa que uma dessas quatro selecções disputará a final com o apurado do confronto franco-belga!
Porque se trata de selecções que no início deste Mundial, por razões de ranking e histórico, quase ninguém esperaria ver chegarem à final da competição face ao que se supunha maior poderio de outras equipas.
Mas o encanto e o sortilégio do futebol estão precisamente no imprevisto dos resultados, no agigantamento dos supostamente mais fracos, nos vencedores inesperados das competições.
Veja-se o Europeu 2016 como grande exemplo!
E por isso neste Mundial da Rússia se há coisa que não arrisco são previsões quanto ao vencedor.
Porque desconfio, e com bastas razões para isso, que este Mundial vai ser estranho até ao fim!

sexta-feira, julho 06, 2018

Cores

Foto: National Geographic

Lago Braies,Itália


Boleias...

O Negócio Marega

Não conhecendo,ainda, todos os detalhes em volta do negócio que Vitória e Porto celebraram em volta dos 30% sobre as mais valias de uma transferência de Marega posso ainda assim considerar o seguinte:
O Vitória tinha 30% sobre as mais valias de uma possível transferência do jogador Marega (até ontem pensei sempre que tinha essa percentagem sobre o passe e não sobre as mais valias) percentagem essa calculada com base na clausula de rescisão do jogador.
Feitas as devidas contas apura-se um valor na ordem dos 5,5 ME mais euro menos euro.
Naturalmente o valor seria outro se a percentagem fosse sobre o valor do passe mas não sendo é sobre este valor que assenta o raciocínio.
Por razões que apenas o Porto conhecerá, provavelmente estar prestes a vender o jogador , o clube azul e branco mostrou interesse em ficar detentor de 100% do passe(e respectivas mais valias) e para isso chegou a acordo com o Vitória para lhe comprar os tais 30% a que tínhamos direito no caso de uma transferência.
Comprar através de pagamento em "espécie" (leia-se jogadores) e não em dinheiro o que é perfeitamente normal em negócios entre clubes.
Com base nessa "linha de crédito" de 5,5 ME o Vitória contratou André André e Rafa Soares, recebeu Osório por empréstimo (e talvez venha a ficar com ele em termos definitivos se entender que vale a pena) e tudo indica que venha a receber mais um jogador em termos definitivos.
Foi bom ou mau negócio?
Tudo indica que foi um bom negócio.
Porque o Vitória para ter uma equipa com aspirações compatíveis com as ambições dos adeptos e com o seu próprio historial  tem de investir em jogadores de qualidade que elevem substancialmente o seu nível face à ultima época.
André André e Rafa Soares são apostas seguras.
O primeiro jogou três anos no Vitória e a todos deixou saudades quando foi para o Porto pelo que o seu regresso, na maturidade dos 28 anos e com mais alguns pela frente para jogar ao mais alto nível, é  uma garantia de qualidade.
Rafa Soares é um jovem, já com experiência de primeira liga, e aos 23 anos é um dos mais prometedores laterais esquerdos do nosso futebol e com uma margem de progressão que a manter-se lhe permitirá um dia chegar à selecção.
São boas apostas no plano desportivo e no plano financeiro porque qualquer um deles pode valorizar-se e garantir uma transferência futura por valores interessantes.
A vinda de um terceiro jogador, quiçá Hernâni (para lá do empréstimo de Osório),poderá ainda melhorar este panorama até porque bem feitas as contas a "linha de crédito" ainda não está totalmente usada.
E depois há outro factor a ter em linha de conta.
Marega.
Que tem tanto de bom jogador como de feitio instável ,capaz do melhor e do pior,como bem sabemos pelo tempo que cá passou.
Capaz de este ano ter feito um grande campeonato e no próximo "desaparecer" do radar e desvalorizar-se substancialmente.
E por isso a SAD do Vitória entre receber já, em jogadores, o valor da tal percentagem ou ficar à espera de uma transferência tão boa (na casa dos 35,40 ME) que aumentasse os 5,5 ME garantidos, mas que poderá nunca acontecer, preferiu jogar pelo seguro.
Não trocar o certo pelo incerto.
E por isso acho que fez bem e agindo assim acautelou os interesses do Vitória.
Depois Falamos.

P.S. Reitero que esta reflexão é feita com base na informação disponível sobre o assunto até ao momento.

terça-feira, julho 03, 2018

Quartos de final

A 28 de Junho quando foram conhecidas as selecções que iriam disputar os oitavos de final do Mundial deixei aqui as minhas previsões sobre quais delas seguiriam em frente e marcariam presença nos quartos de final.
Concluídos hoje os oitavos de final constato, mera curiosidade, que acertei em seis selecções apenas tendo errado nas previsões com...Portugal e Espanha.
Por pouco , mas errei nessas duas  e infelizmente no que diz respeito a Portugal.
É agora tempo de olhar para os quartos de final e tentar perceber quais são as quatro selecções que vão seguir em frente para as meias finais.
No Uruguai-França aposto claramente na selecção francesa que é, juntamente com a brasileira, uma das duas maiores candidatas a vencerem a prova.
Os uruguaios não terão seguramente a mesma sorte que tiveram frente a Portugal, de encontrarem um adversário que num jogo de "mata mata" se entreteve com equívocos e erros primários, e por isso acredito que ficarão pelo caminho.
No Brasil-Bélgica (grande jogo se adivinha) aposto na selecção brasileira que está muito forte, muito competitiva e tem jogadores que desequilibram como são os casos de Neymar e William.
Mas na certeza de que os belgas, terceiros no ranking FIFA, também tem uma bela equipa à qual não podem ser dadas facilidades de qualquer espécie porque jogadores como Hazard, De Bruyne ou Lukaku são também de categoria muito acima da média e podem resolver um jogo num momento de inspiração.
Rússia-Croácia é um jogo equilibrado mas em que a maior valia individual dos croatas pode fazer a diferença perante uns russos que ainda devem perguntar a si próprios como conseguiram chegar a esta fase da competição jogando tão pouco.
Finalmente o Suécia-Inglaterra promete ser um jogo de grande equilíbrio mas acredito que a maior valia dos avançados ingleses (Kane, Vardy, Sterling, Rashford) acabará por fazer a diferença e levar a sua selecção às meias finais.
Em suma aposto numas meias finais Brasil-França e Croácia-Inglaterra.
Lá para sábado saberemos do acerto destas previsões.
Depois Falamos.

Pôr do Sol


Bruges


Castor


Mau Nome

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras. 

É quase um lugar comum dizer-se hoje, em Portugal, que a política tem mau nome e é uma actividade praticada por gente pouco recomendável e que não merece a confiança do comum dos cidadãos.
Sendo certo que alguns, uma reduzida minoria, dos políticos justificam essa desconfiança e esse mau nome pela forma errada como desempenham os seus cargos em contraponto existem milhares de pessoas envolvidas na actividade política que são credoras de respeito e ás vezes agradecimento pela forma como se empenham na defesa do bem comum.
É o tal perigo da generalização maldizente, tão comum na sociedade portuguesa e tão do agrado do ADN português, de tomar a parte pelo todo e meter todos no mesmo pacote ao invés de o fazerem apenas com aqueles que realmente merecem.
Seja como for a verdade é que num país em que pelas mais diversas razões há tanta gente a fugir ao excesso de impostos (e o excesso de carga fiscal será provavelmente a primeira das razões) , a procurar pagar facturas sem IVA, a enganarem o Estado em tudo que podem o mau nome fica apenas para os políticos quais bodes expiatórios da sociedade da qual emanam.
Sim, porque ao contrário do que muitos parecem pensar, os políticos vem da sociedade que tanto os critica e tem as suas qualidades e defeitos em perfeita equivalência.
Seja como for não vale a pena negar evidências e elas apontam para o tal mau nome da classe política e da política em si mesma.
E assim sendo cabe aos políticos, mais do que a ninguém, tomarem as medidas correctas para inverter esse estado de alma da opinião pública e procurarem devolver aquela a que um dia chamaram a mais nobre das artes o prestigio e a credibilidade necessários a um exercício que não esteja perante permanente suspeição.
Do meu ponto de vista, que ando nisto ora a tempo inteiro (doze anos) ora em part time (trinta e um anos) , isso só será possível se os partidos tiverem a coragem de tomarem medidas que efectivamente aproximem os cidadãos da política, os políticos das comunidades e outras que permitam um escrutínio democrático cada vez mais rigoroso da actividade política e de quem a exerce.
Porque se essa coragem não existir, e o tempo para o fazer corre muito mais depressa do que parece, Portugal caminhará inevitavelmente para fenómenos de extremismo que se veem já despontar por essa Europa fora e que só não chegaram cá, ainda, porque aqui as coisas chegam historicamente com alguma lentidão.
Mas acabam por chegar.
E o combate a esses fenómenos indesejáveis não se faz , bem pelo contrário, com o exacerbado populismo que assalta a sociedade portuguesa e que tem no Presidente da República e no primeiro-ministro dois expoentes do que não devia ser feito mas é feito sempre que é possível.
Seja em “flash interviews” dos jogos da selecção (especialmente quando esta ganha...) seja naquele inenarrável espectáculo proporcionado no "Rock in Rio" quando as três primeiras figuras do Estado (porque o presidente do Parlamento também não perde oportunidade de dar o seu arzinho de populista ) mais esse personagem menor que preside à Câmara de Lisboa não acharam melhor actividade para exercerem do que fazerem parte do coro dos Xutos e Pontapés e andarem aos saltos no palco como “teen agers” que não são.
E um dos pilares do prestigio da política é, convém não esquecê-lo, a respeitabilidade que os titulares transmitem aos cargos que ocupam.
Mas também não se faz pela criação de novos partidos ou agrupamentos políticos pela simples razão de que em Portugal, hoje, o problema é as pessoas estarem fartas de partidos (vejam-se as taxas de abstenção)e não apenas dos partidos que existem .
Que fazer?
Creio que ,e já o defendi aqui mais do que uma vez, uma das soluções passará pela reforma das leis eleitorais que permita que eleitos e eleitores estejam mais próximos e os segundos possam acompanhar de forma efectiva a actividade dos primeiros.
Defendo:
Presidente da República eleito para um mandato único de seis anos que lhe permita uma estabilidade de actuação do primeiro ao último dia.
Círculos uninominais para a eleição dos duzentos e trinta deputados para que cada eleitor saiba quem é o deputado do seu círculo e possa acompanhar a sua actividade ao pormenor.
Presidente de câmara eleito uninominalmente com absoluta liberdade de escolha e remodelação do seu executivo.
Utilização do instrumento “referendo” , que está na Constituição mas de quem os partidos tem fugido como o diabo da cruz, com mais frequência dando a palavra ao povo em matérias em que o povo deve ser ouvido directamente.
Alargamento da limitação de mandatos a outros titulares de cargos políticos, nomeadamente deputados(enquanto não forem eleitos uninominalmente) e vereadores camarários, para lá do presidente da república e presidentes de câmara e juntas de freguesia.
São apenas algumas medidas, outras serão necessárias, mas que se houver a coragem de as tomar certamente que a imagem da política e dos políticos beneficiará de uma considerável melhoria na opinião pública.
Haja coragem.

P.S. Claro que os partidos também tem de se reformar por dentro. Mas isso é assunto para próxima oportunidade.

segunda-feira, julho 02, 2018

E Agora Ronaldo?

Terminado o Mundial, onde ele e o sonho colectivo dos portugueses não tiveram equipa que os acompanhasse à altura, põe-se agora a questão de saber onde vai Cristiano Ronaldo continuar a sua fabulosa e inigualável carreira.
É certo que tem contrato até 2021 com o Real Madrid mas é patente a insatisfação do jogador perante uma entidade patronal a quem deu mais que qualquer outro jogador na História do grande clube madrileno sem que o reconhecimento tivesse sido proporcional.
E por isso as palavras na final da Liga dos Campeões que quase anunciaram uma despedida a que o RM não parece opor-se desde que apareça um clube a pagar a clausula de 120 milhões ( a própria descida da clausula indicia vontade de o ver sair) desde que esse clube não seja o Barcelona ou o PSG para os quais se mantém a inalcançável clausula de 1000 milhões de euros.
Até pode não passar tudo de uma tempestade num copo de água e Ronaldo acabar por ficar em Madrid e possivelmente lá concluir a sua carreira.
Mas atendendo ao modo de ser de Florentino Pérez, cujo jeito para os negócios de milhões e contratação de nomes sonantes apenas tem equivalência na sua ignorância sobre futebol, é bem provável que Ronaldo acabe por partir para dar lugar à contratação de um qualquer Neymar cujo valor futebolístico embora grande está muito longe do do fabuloso jogador português.
E se sair irá para onde?
Eu gostava que fosse para o Barcelona, onde com Messi, Suárez e Coutinho formaria o melhor ataque da História do futebol mundial.
Mas isso não será possível por várias razões a começar pela tal clausula.
China e um contrato de muitos e muitos milhões?
Não acredito.
Porque dinheiro não é propriamente o problema de Ronaldo e ir para lá significaria desaparecer dos grandes palcos e da luta pelos grandes títulos.
Estados Unidos?
Mais provável, a pensar no pós futebol, mas igualmente com os problemas da China em termos de grande competição.
E na Europa?
Na Europa parece haver dois grandes candidatos, excluído o PSG pela razão da clausula (salvo se os árabes perderem completamente a cabeça), a contratarem Ronaldo: Manchester United e Juventus.
Um regresso a Inglaterra ou experimentar o Calcio.
E aí, deixando de lado os factores afectivos que o levariam para Old Trafford sem hesitação, creio que Ronaldo escolherá o clube que lhe dê mais possibilidades de voltar a lutar pela Liga dos Campeões e pelo recorde (mais um) de ser o primeiro jogador a ganhá-la por três clubes de três países diferentes.
Um assunto a seguir com muito interesse neste defeso.
Depois Falamos

Saint Fargeau, França


Egersund, Noruega


A Casa da Cabra


sábado, junho 30, 2018

Um Adeus Anunciado

Não foi por acaso que depois de se saber que nos oitavos de final nos calhava em...azar o Uruguai exprimi desde logo, nomeadamente aqui, as minha preocupações quanto ao apuramento de Portugal para os quartos de final.
Preocupações que radicavam essencialmente em três factores:
O primeiro a inquestionável valia da selecção uruguaia.
Que não joga um futebol espectacular mas que é uma equipa muito eficaz a defender (Godín e Giménez são uma dupla de categoria mundial) e letal a atacar por força da excepcional categoria da dupla Suárez/Cavani a quem não se pode dar um palmo de terreno porque nele fazem "miséria".
Para lá de outros jogadores de indiscutível valia como Bentancur, Vecino ou Laxalt.
A segunda preocupação radicava nas fracas exibições de Portugal que empatara com a Espanha num jogo que mereceu perder, que venceu Marrocos numa partida em que o empate já seria lisonjeiro e que empatou com o Irão acabando o jogo em pura aflição o que deixava claro que ou melhorávamos ou então com o Uruguai as coisas tinham tudo para correr mal.
E a terceira, curiosamente a que mais me preocupava, tinha a ver com a irreprimível tendência tão portuguesa para complicar nas piores alturas comprometendo resultados que de outra forma podiam ser bem melhores.
Nem todas as preocupações se confirmaram embora o resultado tenha sido o temido.
O Uruguai confirmou tudo que dele pensava.
Muito bem a defender, chegou a este jogo sem golos sofridos, usando um estilo de jogo muito parecido com o Atlético de Madrid (lá está, Godín e Giménez) e letal a atacar porque fez três remates e marcou dois golos enquanto no outro Rui Patrício teve de fazer uma grande defesa.
Em termos exibicionais Portugal melhorou e fez o seu melhor jogo deste Mundial.
Por um lado porque Bernardo Silva finalmente "apareceu" e com ele a jogar ao seu nível a equipa cresce, torna-se mais acutilante e consegue ter bola e por outro porque o Uruguai também consentiu nesse domínio português recuando as linhas e construindo um sólido bloco em frente a Muslera enquanto espreitava o contra ataque com o perigo que se conhece.
Mas foi na tendência para complicar que Portugal perdeu o jogo e saiu do Mundial.
E aí Fernando Santos, não sendo o único , é o grande responsável.
Começou logo na equipa e na táctica escolhidas para o jogo que não lembrava ao "careca" mas lembrou-lhe a ele no pior dia possível para inventar.
Com uma equipa rotinada no 4-3-3 resolveu-se por um estranho losango com William mais recuado, Bernardo a jogar a 10 mas alternando com João Mário que começou sobre o flanco direito mas aparecia pelo meio enquanto Adrien jogava sobre a esquerda compensado as subidas de Raphael Guerreiro e a lentidão a recuperar de William.
Na frente prescindiu de Quaresma em forma e motivado pelo grande golo ao Irão para dar lugar a mais um médio e trocou André Silva por Gonçalo Guedes que trazia como carta de recomendação as duas deprimentes exibições face a Espanha e Marrocos.
E se a entrada de Bernardo se justificou a de Guedes foi mais um fracasso, tal a sua completa inoperância,  que o seleccionador demorou longos setenta e quatro minutos a reconhecer até proceder à sua substituição por um André Silva que devia ter jogado de início.
Tal como a manutenção em campo de João Mário, oitenta e cinco minutos a fintar para trás e passar para o lado, foi um erro e o desperdiçar da possibilidade de ter outro jogador que oferecesse outras perspectivas a uma equipa que pareceu pouco imaginativa.
Mas o erro decisivo, do meu ponto de vista, foi aos 55 minutos quando com a equipa a perder tem Quaresma prestes a entrar e face ao golo de Pepe suspende a entrada.
Ou seja em vez de aproveitar a galvanização do golo do empate (e consequente desnorte adversário), meter Quaresma e ir para cima dos uruguaios para tentar ganhar desde logo o jogo o seleccionador fez outra coisa completamente diversa que lhe saiu totalmente mal.
Suspendeu a entrada do jogador,trocando a ambição pelo conservadorismo, e ficou a ver em que paravam as modas .
Pararam no segundo golo do Uruguai e Quaresma entrou,três minutos depois,não para ajudar a uma tentativa de ganhar vantagem mas sim para o habitual contributo para correr atrás do prejuízo que já era então de sucesso duvidoso.
Depois demorou mais dez minutos a meter André para o lugar de Gonçalo (podia perfeitamente ter feito as duas substituições em simultâneo)e outros dez para a entrada de Manuel Fernandes que trouxe à equipa em nove minutos aquilo que lhe faltara durante o restante tempo que foi o remate de meia distância em que não tendo sido feliz fez,ao menos, algo de diferente.
Mas já era tarde.
E assim a confirmaçaõ da valia uruguaia mais o receio confirmado das invenções portuguesas foram mais fortes que a melhoria exibicional da nossa selecção e ditaram um perfeitamente evitável regresso a casa.
Como tantas vezes no passado podemos queixar-nos, essencialmente, de nós próprios.
Depois Falamos.

Suricatas


Mau

Vi o França-Argentina com um duplo interesse.
Por um lado o de ver um jogo de futebol entre duas das melhores selecções do mundo, recheadas de jogadores de classe mundial e que certamente ofereceriam um grande espectáculo e um apuramento renhido para a que saísse vencedora.
E isso vi.
Não um grande jogo, porque não o foi, mas um jogo intensamente disputado e com alternâncias no marcador fruto de grande golos, grandes jogadas e um apuro final de sete golos o que nuns oitavos de final de um Mundial é fantástico.
O segundo interesse era ver a Argentina ganhar.
Porque estando definido que o vencedor deste jogo defrontará o vencedor do Portugal-Uruguai, e partindo do duvidoso princípio de que a nossa selecção sairá vencedora, eu preferia claramente um Portugal-Argentina nos quartos de final do que um terrível Portugal-França com o gauleses ansiosos pela desforra do Euro 2016.
Mas preferia a Argentina essencialmente porque a França é melhor.
Como se provou nos noventa minutos com os franceses a serem sempre melhores,a  dominarem o jogo e a desfrutarem do poder "de fogo" desse entusiasmante Mbappé e do consagrado Griezman dois jogadores que por si sós assustam qualquer defesa.
É claro que o treinador argentino ajudou à festa francesa.
Num jogo decisivo jogar com Messi a "quilómetros" da área e daqueles trinta metros finais em que ele é devastador, jogar com dois extremos clássivos junto às linhas (Di Maria e Pávon)e sem ponta de lança, deixar no banco talentos como Aguero (quando entrou, marcou...) Dybala e Higuain e só  recorrer ao primeiro deles quando perdia por dois golos  é de quem não sabe o que anda a fazer e se entretém a desperdiçar talentos que tem à sua disposição (e Icardi nem convocado foi) em quantidade e qualidade que lhe permitiam fazer bem melhor.
Passou a França.
Uma equipa poderosa, muito equilibrada entre todos os sectores e que se constitui como um dos principais candidatos a vencer o Mundial face ao que se tem visto até agora.
Esperemos que Portugal,uma vez mais,lhes troque as voltas.
Mas para isso é preciso ultrapassar o Uruguai...
Depois Falamos

Zebras


sexta-feira, junho 29, 2018

Tolices

O Portugal-Uruguai de amanhã já concentra, neste país "futebolizado" , as atenções dos portugueses quer pela importância do jogo quer pelas doses industriais de futebol que as televisões nos metem por casa dentro sem dó nem piedade.
Num desses programas, na sic notícias, ouvi um habitual comentador da estação defender duas teses que me pareceram uma franca tolice ainda por cima vindo de um analista que normalmente é bastante moderado nos seus comentários.
A primeira defendendo que Portugal amanhã deve alterar a sua estratégia habitual de jogo ,deixando o 4-3-3 e optando pelo losango no meio campo, para assim se adaptar melhor a idêntico sistema táctico dos uruguaios.
Mudar de estratégia num jogo decisivo lembrou-me logo o rematado disparate de Pedro Martins, na final da taça de Portugal de 2016/2017, quando armou a equipa do Vitória de forma diferente da que tinha actuado durante toda a época e conseguiu perder com o Benfica mais fraquinhos dos últimos anos.
Se Fernando Santos fosse por aí (espero que não vá) apenas estaria a mostrar receio ao adversário e isso  podia ser um desastre para lá do facto de se a selecção a jogar no esquema habitual já joga...pouco que faria com mudanças de ultima hora.
O segundo disparate,do meu ponte de vista é claro, tem a ver com as mudanças de jogadores preconizadas pelo comentador.
Mantinha William como elemento mais recuado,à sua frente metia Bruno Fernandes(!!!) e nos lados do losango Moutinho à direita e Adrien à esquerda enquanto na frente Ronaldo teria a companhia de Gonçalo Guedes!
Ou seja retirava Quaresma da equipa, um jogador em forma e motivadíssimo pelo golo ao Irão, retirava o ponta de lança André Silva que tão bem se entende com Ronaldo (para além de ser um verdadeiro homem de área) para meter os dois piores jogadores dos primeiros jogos da selecção neste Mundial.
No caso de André Silva com o argumento de que G.Guedes é um avançado mais móvel.
Ora eu um ponta de lança não quero que seja mais ou menos móvel quero é que marque golos  e isso André faz bem melhor que Gonçalo.
Em suma se fossem alguns comentadores a fazer a equipa creio bem que o Uruguai amanhã teria um fim de tarde bem descansado.
Como não são...pode ser que não tenha.
Depois Falamos

Ursos


Hong Kong


Descolagem


quinta-feira, junho 28, 2018

Previsões

Concluída a fase de grupos, com o apuramento de dezasseis equipas para os oitavos de final, o Mundial da Rússia entra agora na sua fase decisiva com os jogos a eliminar que irão decidir as duas equipas que a 15 de Julho vão disputar a final da prova.
Com excepção da Alemanha e ,vá lá, da Polónia pode dizer-se que em cada grupo passaram os favoritos embora a "cruel" eliminação do Senegal (mesmos pontos e golos do apurado Japão foi eliminado por ter mais cartões amarelos que era a sexta regra de desempate) tenha sido a surpresa de última hora.
Mas a eliminação da Alemanha, mesmo depois da derrota frente ao México já ter mostrado que havia ali qualquer coisa que não funcionava bem, foi de facto o mais surpreendente desta fase e pode ter evitado uns oitavos de final com um Brasil-Alemanha que seguramente provocaria alguns calafrios aos brasileiros ainda bem lembrados do acontecido há quatro anos.
Mas a prova faz-se com quem está e quem está são as dezasseis melhores selecções deste mundial.
Previsões?
Começando pelo lado esquerdo e pelo Uruguai-Portugal não será novidade para ninguém que a nossa selecção enfrenta um adversário forte que tem a provavelmente melhor dupla de avançados da prova e dois centrais (felizmente Gimenez está em dúvida e talvez não recupere) de categoria mundial.
Acredito que o "melhor" Portugal poderá passar mas para isso terá de jogar mais e melhor do que até agora.
O França-Argentina é um dos grandes jogos destes oitavos.
Os franceses apuraram-se sem dificuldade enquanto os argentinos sofreram até ao fim para conseguirem o apuramento.
Jogo de tripla mas com ligeiro favoritismo para os franceses fácil de contrariar se Messi estiver num daqueles dias que o celebrizaram no...Barcelona.
Pessoalmente preferia que passasse a Argentina. Não só pelo possível Ronaldo-Messi mas também porque selecção francesa...longe com ela.
Brasil-México é jogo de favoritismo brasileiro que com maior ou menor dificuldade passará aos quartos de final tal como o Bélgica-Japão em que o favoritismo europeu é indiscutível.
Teremos, portanto, um Portugal-França e um Brasil-Bélgica nos quartos de final segundo a minha previsão.
Do lado direito do quadro as previsões são em teoria, mais fáceis.
A Espanha ultrapassará a Rússia,embora o factor "casa" possa pesar, e rumará a um quase inevitável encontro com a Croácia (talvez a equipa que melhor tem jogado) que é favorita frente à Dinamarca.
Isto enquanto a Suécia deverá vencer a Suíça e assim encontrar a Inglaterra que é provável vencedora do jogo com a Colômbia.
Ou seja Espanha-Croácia e Suécia-Inglaterra nos quartos de final fruto dos jogos deste lado do quadro .
São previsões feitas com base no que se tem visto, e no valor que se reconhece às equipas, mas claro que jogos de "mata mata" podem trazer pequenas surpresas (nesta fase já não há lugar a grandes surpresas) porque o futebol é imprevisível e nisso reside o seu maior sortilégio.
A partir de sábado começaremos a saber da exactidão destas previsões.
Esperando-se que o primeiro acerto seja precisamente o apuramento de Portugal!
Depois Falamos.

P.S: Não deixa de ter o seu significado o apuramento de dez selecções europeias, quatro sul americanas, uma centro americana e outra asiática.
É a realidade do futebol dos nossos dias.

quarta-feira, junho 27, 2018

Assim Não!

José Silvano teve hoje o seu pior momento, até agora, como secretário geral do PSD naquilo que constituiu também um momento triste para o partido.
Porque percebe-se, e aplaude-se, que estando em todos os noticiários que algumas estruturas e militantes do partido estão sob investigação o secretário geral tenha vindo expressar a posição do PSD sobre o assunto e reiterar a total disponibilidade para colaborar com a Justiça em tudo que lhe for pedido.
Até aí nada a dizer.
Mas não se percebe , nem se perceberá nunca, que tenha começado por dizer que as investigações versam factos anteriores à liderança de Rui Rio e ao mandato da actual direcção como se o PSD não fosse sempre e só um único partido e cada líder e cada direcção não tivessem que assumir tudo de bom e de mau que os seus antecessores fizeram.
Sempre foi assim.
Sempre.
Mas pelos vistos com a actual direcção e com o actual líder já assim não é.
Há um PSD de Francisco Sá Carneiro a Pedro Passos Coelho pelos vistos cheio de defeitos ,e com esse eles nada tem a ver (o que aliás já se desconfiava e por várias razões...) nem querem, e depois há o PSD "deles" que é o mais sério,impoluto, ético e sabe-se lá que mais ainda que essa tese seja posta em causa por algumas notícias e noticiários.
Hoje ao ver José Silvano proferir aquelas tristes declarações, procurando sub repticiamente atirar para o anterior líder e a anterior direcção responsabilidades que eles não tem no que está a ser investigado, lembrei-me do que a esquerda totalitária mais o PS andaram anos a dizer: " A culpa é do Passos"!
É triste e incompreensível ver o actual SG seguir essa narrativa.
Tenho pena que vão por esse caminho.
Porque é errado, nada tem a ver com a História do partido, apenas serve para aumentar a "fractura" que alarga todos os dias entre dirigentes por um lado e bases e eleitores por outros.
Porque é cada vez mais difícil reconhecer "neste" PSD o PSD de sempre.
Depois Falamos

Alesund, Noruega


Farol de Ílhavo


Caravela Portuguesa


terça-feira, junho 26, 2018

Mãe e Madrasta

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

Desde que me conheço, e já lá vão uns bons aninhos, que sempre ouvi dizer que Guimarães é má mãe e boa madrasta.
Um adágio antigo, que tanto quanto sei vem de tempos imemoriais, e que quer significar que em Guimarães mais depressa se dá valor, reconhecimento, mérito a quem vem de fora do que aos filhos da Terra que esses tem de fazer sempre muito mais e muito melhor que os forasteiros para obterem o merecido reconhecimento.
É sina nossa.
Sina que se aplica às mais diversas áreas da comunidade vimaranense, da política ao desporto, da cultura ao associativismo, da educação ao jornalismo e por aí fora que exemplos na matéria é algo de que não existe qualquer tipo de carência.
Na política, por exemplo, e sem pôr minimamente em causa os méritos de quem inegavelmente os tem os vimaranenses demonstraram muito mais apreço pelo presidente de câmara António Magalhães, nascido em Cabeceiras de Basto (mas radicado em Guimarães há tantos anos que já se pode considerar um vimaranense), do que pelo presidente de câmara António Xavier nado e criado em S.Torcato e que sendo dos vimaranenses mais notáveis do seu tempo, com obra e participação em áreas tão diversas como a política,a acção social, o desporto entre outras, não mereceu dos eleitores o reconhecimento dos seus méritos e da sua visão para o concelho.
Outros exemplos poderiam ser dados, noutras áreas, mas estamos em tempo em que o futebol domina, por força do Mundial russo, e por isso de futebol se falará no restante artigo.
De futebol na vertente “mãe e madrasta” é claro.
Porque há algo em que o “mãe e madrasta” se aplica de forma tão total quanto injusta (injustíssima às vezes) é aos jogadores formados no Vitória que sendo vimaranenses de nascimento e vitorianos de coração tem uma bitola de apreciação por parte de muitos adeptos que raia o absurdo em termos de exigência perante as suas prestações quase se exigindo que cada um deles seja um Ronaldo ou um Messi para merecer aplauso.
Ao contrário do que acontece com muitos jogadores vindo de fora que ao segundo pontapé bem aplicado na bola viram ídolos aos quais tudo se aceita, tudo se compreende, tudo se perdoa mesmo que desrespeitem a camisola do clube como nalguns casos conhecidos.
Aos da Terra é que não.
Talvez por isso tendo o Vitória reconhecidamente excelente formação nos escalões mais jovens, desde pelo menos o saudoso Augusto Barreira na sua oficina da Amorosa, são muito poucos os jovens que conseguiram subir à primeira equipa e nela se afirmarem como titulares  durante um razoável período de tempo.
Se fizermos um esforço de memória recordaremos , nos últimos cinquenta anos, uma dúzia de nomes nessas condições: Abreu, Romeu, Ibraim , Costeado, Miguel, Carvalho, Laureta, Pedro Mendes, Fernando Meira, Targino, Agostinho, Quim Berto e poucos mais(e alguns deles tiveram de sair para rodar antes de regressarem e se fixarem na equipa) a atestarem bem as dificuldades de os jovens da formação se imporem.
Em 2012 /2013 com a criação da equipa B, como última etapa do processo de formação e primeiro passo no profissionalismo, tentou-se com algum sucesso inverter esse paradigma fazendo a equipa A beneficiar do trabalho dos escalões de formação.
E conseguiu-se.
Nomeadamente vencendo a Taça de Portugal com vários titulares que tinham começado a época na equipa B (e feito a formação no clube) como foram os casos de Ricardo Pereira, Paulo Oliveira e Tiago Rodrigues num plantel sem jogadores emprestados.
A partir de então começou a haver mais espaço na equipa principal para os jovens vindos da formação embora com o ónus daqueles que se afirmavam serem rapidamente vendidos não permanecendo no clube o tempo suficiente para o clube poder beneficiar do seu desempenho desportivo.
Paulo Oliveira, Ricardo Pereira e Tiago Rodrigues já citados mas também Cafu ,João Pedro e Josué entre outros.
Mas se as oportunidades aumentaram o “mãe e madrasta” de alguns adeptos não diminuiu e bastará atentar nas redes sociais para perceber que o grau de exigência para os da casa continua a ser muito maior do que para aqueles que vem de fora  sendo Miguel Silva na actualidade o melhor(pior) exemplo disso.
Curiosamente o “mãe e madrasta” também alastrou a alguns técnicos do clube.
E por isso há jogadores feitos na casa, vimaranenses e vitorianos, que tiveram de ir mostrar o seu talento para outros lados porque no Vitória também os seus treinadores tinham para com eles uma bitola de apreciação muito rigorosa em relação a outros colegas.
Exemplos ao longo dos anos?
Tantos que seria fastidioso recordá-los a todos.
Mas cito Tomané, que esta época fez nove golos pelo Tondela, enquanto nós nos desesperávamos com Tallo, Rincon, Sturgeon e afins e que é um exemplo de um jogador desperdiçado pelo clube de forma incompreensível.
Mas também podia falar de João Amorim, de Pedro Lemos, de Luís Rocha entre outros.
Vem toda esta reflexão a propósito da carta de despedida que Rui Areias publicou nas redes sociais a despedir-se do Vitória, agora que vai continuar a sua carreira no Penafiel, e que me impressionou pelo seu conteúdo.
O Vitória ao longo dos anos , desde a tal oficina da Amorosa,formou excelentes jogadores em todas as posições mas nunca formou um grande ponta de lança que nos desse as alegrias que nos deram Mendes, Jeremias, Cascavel, Saganowski,etc.
Podia ter sido Artur Jorge mas não teve oportunidades (outros tempos...) e fez uma bela carreira a marcar golos em todo o lado menos no Vitória.
Podia ter sido Armando...mas não foi.
Podia ter sido Tomané mas também não foi porque hoje é muito mais um extremo ou um segundo avançado do que um homem de área para além de não jogar no clube.
Mas aquele que conheço desde menino da formação e que sempre pensei que seria o “tal” (não confundir com Tallo...) esse era Rui Areias cujo talento inato para jogar na área é garantia de golos.
Acompanhei a sua etapa na equipa B, que integrou no ano inicial de 2012/2013, e pelo que fui vendo reforcei  essa convicção de que seria o grande goleador formado no clube e que nos iria dar golos e alegrias numa primeira fase e depois uma grande transferência.
Num campeonato difícil como a II liga marcou apenas dois golos no ano de estreia, mas estava longe de ser primeira opção como ponta de lança, mas a seguir encarreirou marcando 11, 14 e 9 golos nas três épocas seguintes sempre acompanhados de uma completa falta de oportunidades para jogar na equipa A porque os golos que marcava na B não impressionavam os treinadores da A.
“Mãe e madrasta” no seu estado puro.
Em 2016/2017 foi estranhamente emprestado ao Porto B  onde fez sete golos mas nem isso foi suficiente para ter uma oportunidade no Vitória sendo na época passada cedido ao Arouca onde fez uma época discreta num clube que também não alcançou os objectivos de subida.
Esta época nem oportunidade lhe foi dada para fazer a pré temporada e sai a caminho do Penafiel ,candidato à subida, despedindo-se com a tal profissão de amor a Guimarães e ao Vitória que me impressionou e me levou a esta já longa reflexão sobre como Guimarães (e às vezes o Vitória) são tão hospitaleiros, tolerantes e compreensivos com quem vem de fora e tão absurdamente exigentes com quem é de cá.
E apesar de todos perdermos, desde sempre, com essa mentalidade não há forma de muitos aprenderem e mudarem de atitude!

Mais e Melhor

Portugal conseguiu o seu primeiro objectivo neste Mundial ao conseguir apurar-se para os oitavos de final da competição através de resultados, dois empates e uma vitória tangencial,  que serviram mas com base em exibições muito, mas muito, aquém do exigível a um campeão europeu.
Valeu a Portugal o talento de alguns dos seus jogadores, nomeadamente Ronaldo e Quaresma a marcarem e Pepe e Rui Patrício a defenderem, para suprir as deficiências de uma equipa que funciona mal como ...equipa.
Ontem face ao Irão, uma equipa de terceiro nível do futebol mundial (e treinada por alguém sem...nível) , Portugal até entrou bem mas depois afundou-se na mediocridade habitual e permitiu que a equipa adversária equilibrasse o jogo e remetesse os portugueses para uma aflição defensiva completamente impensável.
Que o banco, ou seja Fernando Santos, nunca conseguiu emendar parecendo também ele baralhado pelo clima conflituoso que os iranianos e o seu treinador imprimiram a todo o jogo mas muito em especial à segunda parte do mesmo em que até o árbitro paraguaio andou quase sempre aos papeis.
Aos papeis e ao VAR.
Demorando muito tempo a mexer na equipa, e mexendo mal, o seleccionador contribuiu para que o desnorte se acentuasse e foi um quase milagre que nos últimos instantes da partida um iraniano tenha rematado às malhas laterais em vez de fazer o golo que pareceu inevitável.
A troca de Quaresma por Bernardo Silva apenas confirmou que o segundo está longe da sua melhor forma, a de João Mário (que devia ter saído bem mais cedo) ainda trouxe alguma experiência a uma equipa aflita mas a de André Silva por Gonçalo Guedes foi simplesmente ridícula porque a equipa naquela altura precisava bem mais de alguém como Bruno Alves ou Manuel Fernandes para ajudarem a defender do que de um avançado para refrescar o ataque.
Enfim, correu bem e isso foi o que mais importou, mas desiludam-se aqueles que dizem que os resultados é que importam porque jogar bem não interessa porque diz-nos a experiência que quando se joga bem é mais fácil ganhar.
E sábado, face a uma excelente equipa do Uruguai que tem provavelmente a melhor dupla de avançados deste Mundial (Suárez e Cavani) , Portugal ou joga bem mais do que nestes três primeiros jogos ou corre o sério risco de terminar a sua participação na prova.
Resta dizer, e não é questão menor no resultado do jogo, que Portugal tem sobejas razões de queixa da arbitragem e do VAR.
Para além da contemporização com as continuas palhaçadas de Carlos Queiroz (com um bom árbitro tinha sido expulso) há ainda um conjunto de lances de que temos farta razão de queixa.
O penálti a favor do Irão é invenção pura e dura do VAR.
No penálti falhado por Ronaldo quando o jogador português remata o guarda redes iraniano está um metro à frente da linha de golo pelo que devia ter existido repetição da marcação.
Há um livre de Ronaldo em que um jogador iraniano intercepta a bola com o braço num penálti que ficou por marcar.
Na primeira parte Quaresma é agredido com uma cotovelada que o árbitro não viu e o VAR fez de conta que também não viu.
E depois há o estranho lance em que o VAR tenta expulsar Ronaldo e apenas o bom senso do árbitro o impediu.
Em suma muitos erros graves, com influência directa no resultado do jogo , na classificação final do grupo e no percurso que Portugal (e Espanha....) terão de fazer daqui em diante.
Sábado há mais. E espera-se que melhor!
Depois Falamos.