
Acho que o tempo é de reflexão.
Não só sobre a opção de voto na segunda volta de cada cidadão, que se espera seja individual e livre de pressões, mas essencialmente sobre o que os resultados da primeira volta revelaram e que presumivelmente os da segunda confirmarão.
Reflexão especialmente para a área política do governo e da AD que são os grandes perdedores destas eleições seja qual for o resultado final.
A imagem que ilustra este texto, retirada do mural "Mais Liberdade" é perfeitamente exemplificativa do que devem ser as preocupações dos responsáveis da AD porque se não for encontrado um antidoto eficaz para a actual situação as preocupações podem bem converter-se em pesadelos!
Nas legislativas de Maio de 2025a AD venceu em 199 concelhos, o Chega em 60 e o PS em 49.
Na primeira volta das presidenciais o candidato apoiado pela AD venceu em 3 concelhos (Fafe, Boticas e Sernancelhe), o candidato apoiado pelo Chega em 80 concelhos e o candidato apoiado (a custo) pelo PS em 225 concelhos.
O que numa extrapolação simples permite concluir que a AD perdeu 20 concelhos para o Chega e 176 para o PS.
É, como diria outro ex lider do PS, uma questão de fazer as contas.
Claro que eleições legislativas e eleições presidenciais são realidades diferentes, claro que as motivações dos eleitores são diversas, claro que o grau de satisfação com o governo não estava em avaliação nestas eleições.
Mas as coisas são o que são.
E o que neste caso são é que houve uma brutal transferência de votos da AD para outras áreas politicas representadas pelos seus candidatos presidenciais.
Especialmente para a Iniciativa Liberal que atrás de Cotrim de Figueiredo viu o seu score aumentar em 564.537 votos (não venceu nenhum concelho mas ficou em terceiro na sua imensa maioria e em segundo nalguns como Lisboa e Porto por exemplo) e para o PS que via António José Seguro conseguiu mais 313.570 votos e são a maior fatia do 1.334.023 votos perdidos pela AD das legislativas para o candidato Luís Marques Mendes.
Curiosamente o Chega através de André Ventura perdeu 110.939 votos.
O que significa isto para o futuro?
Para já que seja qual for o resultado da segunda volta o PS e o Chega já ganharam e a AD já perdeu.
A IL parece também ter ganho mas creio ser claro que a votação de Cotrim de Figueiredo é dele e não será transmissivel para o partido pelo que destas eleições a IL não poderá retirar grandes razões para optimismo bem pelo contrário porque as posições de apoio a Seguro na segunda volta vão provocar danos internos que nesta altura não são quantificáveis.
Depois que há um conjunto significativo de eleitores que abandonou a AD rumo ao PS, que pelo PS continuará na segunda volta e que no PS poderá ficar se a AD não tiver uma resposta política eficaz a esta "tragédia" eleitoral que foi o resultado do seu candidato.
E esse número até poderá aumentar se tiverem sucesso os apelos ao voto em Seguro de personalidades (seja lá isso o que for) da área da AD e do governo que estão a funcionar como verdadeiros cabos eleitrais de Seguro e do PS (nesta fase já são indissociáveis) para a segunda volta.
A seguir, e se as sondagens se confirmarem (na primeira volta bateram certo excepto o frete de uma empresa a Marques Mendes) , António José Seguro vencerá claramente a segunda volta e André Ventura terá o melhor resultado de sempre da sua área politica com uma votação acima dos 30% tudo o indica .
E isso significará um PS a cavalgar o resultado de Seguro, mesmo tendo relativo mérito nele mas as coisas são que são, e o Chega a ver a sua posição reforçada com um resultado que percentualmente pode até ser superior ao da AD nas legislativas o que fará aumentar o volume do discurso de André Ventura sobre a liderança do espaço á direita do PS.
Tudo más notícias para a AD.
O que reforça as razões sensatas pelas quais Luís Montenegro explicou que o PSD não dará indicação de voto na segunda volta mas também torna cada vez mais inexplicáveis as razões insensatas pelas quais outros dirigentes e autarcas do partido em desrespeito pela posição vinculada pelo líder foram a correr marcar lugar nas fotografias ao lado ( mais propriamente atrás) de António José Seguro mostrando-se mais interessados em receberem os atestados de bom comportamento que a esquerda lhes passa do que em cerrarem fileiras num momento difícil do PSD e por tabela do governo
Será assim tão difícil perceber que ao PSD e à AD nem interessa um enorme vitória de Seguro nem um grande resultado de Ventura?
E por isso jamais poderia recomendar o voto num ou noutro?
Alguns parece que precisam que lhes façam um desenho para entenderem.
Outros nem com desenho lá iam porque o que realmente lhes importa é o protagonismo pessoal.
Seja como for depois de 8 de Fevereiro começa outro ciclo político.
E é para vencer esse ciclo difícil, com PS e Chega cada vez mais acutilantes na oposição ao governo até chegarmos ao quase inevitável drama do OE para 2027, que a AD vai ter de encontrar estratégias e soluções para manter não só a liderança do processo político como o próprio governo.
A ver vamos se para tanto há engenho e arte.
Espero sinceramente que sim!
Depois Falamos.
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