
A minha decisão quanto á segunda volta das presidenciais está tomada.
Não voto António José Seguro e não voto André Ventura.
Não tenho paciência nem feitio para participar no processo de "beatificação" de Seguro, em curso desde domingo passado, nem no processo de "diabolização" de Ventura em curso desde 2017 e que foi acelerado também desde domingo passado.
Não e não.
António José Seguro é um socialista moderado, tão moderado que o silêncio foi muitas vezes a sua posição sobre problemas do país, europeista sem a deriva esquerdista de alguns dos seus camaradas de partido, um político equilibrado e razoavelmente sensato.
Mas é socialista.
Esteve no governo de Guterres que levou ao pântano, apoiou e e louvou Sócrates que levou o país à bancarrota, ficou calado perante o atropelo à História do PS que foi a criação da geringonça, e calado ficou com o estado a que ela levou o país.
Com o caos instalado nos serviços publicos, na saúde, na imigração, da defesa , na credibilidade do próprio Estado com os sucessivos escândalos protagonizados pelos governos de António Costa.
A tudo isso Seguro disse...nada!
Apoiado por alguns socialistas desde que apresentou a candidatura, por outros quando se começou a perceber que podia ganhar, por quase todos quando ficou claro que tem imensa possibilidades de ser presidente da república recolhe agora o apoio de políticos de outros sectores que vivem na permanente ânsia de que a esquerda lhes passe atestados de bom comportamento democrático e que nalguns casos não tem qualquer problema em desdizerem hoje o que disseram ontem.
A que se soma o apoio de partidos totalitários defensores de ditaduras e ditadores, solidários com movimentos terroristas a quem Seguro não teve a coragem (nem sei se a vontade sequer) de rejeitar os apoios envenenados.
António José Seguro é socialista e vai ganhar as eleições tudo o indica.
Nunca votei em socialistas e não é agora que vou começar a fazê-lo.
E sou daqueles que sabe bem que não se pode ganhar sempre sem perda da coerência de posições nem acrobacias políticas interesseiras.
André Ventura é um político radical, já todos o sabemos, mas está muito longe de ser aquilo que a esquerda e os inocentes de centro e de direita "pintam" dele.
Não é fascista, não quer acabar com a democracia, não quer impor uma ditadura.
É um democrata da direita radical, muitíssimo mais democrata que qualquer comunista ou bloquista, que, por exemplo, em termos de política externa defende a participação de Portugal na União Europeia e na NATO bem ao contrário de PCP , BE e Livre.
Simplesmente tem um programa político que não é o meu, defende ideias que em grande parte não são as minhas, tem um grupo parlamentar por ele escolhido cujo comportamento (para não falar de outros aspectos não políticos de muitos deles) está longe de ser aquilo a que o Parlamento obriga.
Já lá estive, sei do que falo.
Em suma a agenda de André Ventura vai muito para lá de Belém e sendo legítima não é aquela com que me identifico nem acredito que seja a melhor solução para o país.
A isso acresce o facto de sendo André Ventura um homem extremamente inteligente e um brilhante parlamentar não me parece reunir, pelo menos nesta fase da sua vida e da sua idade, a sensatez e a maturidade que a presidência da república exige a quem a ocupa.
Do que muitos dos cartazes colocados pelo Chega (por exemplo o que compara Luís Montenegro com José Sócrates) são prova evidente.
André Ventura é um homem da direita radical já o disse.
Nunca votei em radicais e não é agora que vou começar a fazê-lo.
E por tudo o atrás exposto não votarei em António José Seguro nem em André Ventura.
Até porque como já o disse por várias vezes, antes da primeira volta quando eram cinco os putativos candidatos a passarem à segunda volta, com nenhum deles a democracia, a liberdade, o estado democrático de direito estão minimamente em causa.
Votarei nulo, desejando que o que for escolhido pelos portugueses venha a ser um bom presidente, porque em consciência não consigo encontrar a motivação necessária a votar em qualquer um deles.
Depois Falamos.
Nota 1: Se António José Seguro ou André Ventura disputassem a segunda volta com Catarina Martins ou António Filipe votaria em qualquer um deles mesmo sabendo que um é socialista e o outro radical.
Porque, aí sim, o confronto seria entre democracia e totalitarismo.
Nota 2: Não faço qualquer futurologia sobre qual dos dois será melhor ou pior para o governo da AD em que votei. Certeza é que nenhum será bom. E ainda me lembro quando o PSD de Cavaco Silva apoiou Mário Soares para o seu segundo mandato presidencial e da forma como tudo isso acabou.
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