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Muito raramente partilho textos de outras pessoas.
Mas este comentário de Elsa Veloso ao " casinho" oportunisticamente plantado nas redes sociais, a que a comunicação social deu um relevo jornalisticamente incompreensível, é de uma clareza e de um bom senso que merece a máxima divulgação possível.
Depois Falamos
Uma leitura serena e juridicamente responsável deste episódio com João Cotrim de Figueiredo impõe prudência, proporcionalidade e sentido institucional.
Em primeiro lugar, João Cotrim de Figueiredo não foi acusado formalmente de nada, não existe qualquer processo judicial conhecido, nem factos apurados que sustentem uma condenação pública. Num Estado de Direito, a presunção de inocência não é um detalhe retórico: é um pilar civilizacional. Vale para todos — sobretudo quando é politicamente incómodo que assim seja.
Em segundo lugar, o timing e o modus operandi levantam, legitimamente, questões. Um relato divulgado a poucos dias de eleições, por alguém com formação jurídica sólida, consciência do impacto mediático e experiência institucional, seguido da remoção rápida do conteúdo, mas mantendo-o tempo suficiente para ser replicado e amplificado, não é um gesto neutro. Não é censura dizê-lo; é análise crítica. Quem conhece minimamente comunicação política sabe que retirar não apaga — potencia.
Terceiro ponto, igualmente relevante: quando alguém exerce hoje funções num governo que apoia um candidato adversário, a fronteira entre o direito à expressão pessoal e o risco de instrumentalização política torna-se inevitavelmente mais sensível. Isso não invalida a palavra de ninguém, mas obriga a um escrutínio redobrado, sobretudo quando se opta por não seguir canais formais e se escolhe o espaço público digital em plena campanha eleitoral.
Nada disto é negar direitos, silenciar vítimas ou relativizar temas graves. É, precisamente, o contrário: é recusar julgamentos sumários, linchamentos mediáticos e a transformação de redes sociais em tribunais paralelos. É também recusar a lógica perigosa de que basta “lançar a suspeita” para que o dano esteja feito — mesmo quando todos são, como se diz “inocentes até prova em contrário”.
Defender João Cotrim de Figueiredo neste contexto não é um ato partidário. É um ato de defesa do Estado de Direito, da ética institucional e da decência democrática. Porque hoje é ele; amanhã pode ser qualquer um. E quando normalizamos exceções convenientes, acabamos sempre por pagar o preço coletivo.

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