
Não sendo militante não tenho que aprovar ou desaprovar esta decisão de antecipar as eleições directas no partido.
Mas sendo eleitor do PSD gostava de a perceber.
De perceber porque razão numa situação de absoluta normalidade se antecipam eleições e se encurta um mandato em quase 25% da sua duração prevista.
Porque os mandatos são de dois anos e não de vinte meses.
O governo está a governar com absoluta normalidade e dando boa resposta a problemas inesperados como os temporais de semanas atrás, o primeiro ministro resolveu muito bem a substituição da ministra da administração interna que se demitira, o grupo parlamentar e o seu líder tem estado em bom plano no parlamento fazendo frente à oposição com eficácia, o partido com absoluta normalidade acaba de eleger distritais e concelhias em todo o país e numa clima de grande abrangência apenas se tendo registado a disputa entre duas listas na distrital de Braga.
Então porquê esta antecipação?
Pelas declarações públicas de Pedro Passos Coelho?
Vamos lá ver as coisas como elas são.
Passos Coelho foi presidente do PSD , levou o partido a duas vitórias eleitorais em legislativas, tem um capital de prestigio e de simpatia que ultrapasssa largamente as fronteiras do partido.
Como cidadão tem feito algumas intervenções públicas, bem poucas por sinal, em que se tem pronunciado essencialmente sobre o país, sobre alguns aspectos de governação e aquilo que entende serem prioridades e que me recorde nunca sobre o partido.
Elogiando o que entende ser de elogiar e criticando o que lhe parece estar mal.
No passado ( e no presente já agora) outros ex lideres fizeram o mesmo.
Cavaco Silva no espaço entre ser primeiro ministro e presidente da república pronunciou-se muitas vezes sobre os governos do PSD e do PS e nunca foi meigo nas críticas quando entendeu dever ser caustico.
Continua a fazê-lo depois de deixar a presidência da república mas como Passos Coelho sem falar do partido.
Marcelo Rebelo de Sousa passou décadas como comentador, no Expresso, na TSF, na TVI e na SIC a pronunciar-se sobre a vida política e arrasando nos comentários vários lideres do PSD ao longo dos anos.
Luís Marques Mendes passou a última década no comentário político televisivo e várias vezes criticou decisões do PSD e especialmente decisões dos governos incluindo os governos de Luís Montenegro.
Outros ex lideres como Pedro Santana Lopes, Luis Filipe Menezes , Manuela Ferreira Leite e Rui Rio tem ocupado espaços de comentários em jornais e televisões e quando o entendem criticando governos do PSD e o próprio partido.
E nunca isso foi motivo para antecipação de eleições para a liderança do partido.
Nunca.
Por isso não se entendem esta decisão de agora.
Introduzindo alguma instabilidade onde havia estabilidade, afirmando divisões onde era suposto elas não existirem e criando justificadas dúvidas nos eleitores sobre as razões para isto acontecer.
Não percebo.
E quando não percebo...não gosto!
Depois Falamos.
Nota: Sobre o possível desafio a Passos Coelho nem vou comentar. Apenas direi que quem conhece Pedro Passos Coelho sabe que ele não toma decisões em função de desafios mas sim de convicções. De resto ele já disse dias atrás que quando e se quiser ser candidato se-lo-á. A resposta está dada.
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