segunda-feira, março 02, 2026

Ilações

Não sendo desde 2018 militante do PSD, mas sendo seu votante em eleições nacionais, continuo a acompanhar com muito interesse, mas a compreensível distância, o que por lá se passa e muito em especial no distrito de Braga onde noutros tempos já tive responsabilidades concelhias e distritais diversas.
E foi assim que no passado sábado acompanhei as eleições para a comissão politica distrital e para as diversas concelhias.
Sobre as concelhias direi apenas que não houve surpresas e que os resultados corresponderam á lógica das coisas e quando assim é nada a acrescentar.
Sobre a eleição distrital aí sim já haverá mais a dizer.
Desde logo porque foi a única no país em que houve duas listas dado que nos restantes distritos se registaram apenas candidaturas únicas.
Duas listas encabeçadas por Paulo Cunha, que se recandidatava, e por Carlos Eduardo Reis que apareceu como alternativa e acabou por vencer a disputa por uma diferença superior a duzentos votos o que não sendo extraordinário é ainda assim motivo de registo.
Olhando os resultados o que pode concluir?
Em primeiro lugar, e isto vem de há muitos anos, sabe-se que com todo o respeito pelos restantes concelhos tudo se decide  em apenas cinco deles.
Barcelos, Famalicão, Guimarães, Braga e Vila Verde.
E cada um deles é merecedor de análise distinta nestas eleições.
Barcelos, onde Carlos Reis jogava em casa, foi determinante para o triunfo porque os quase mil votos de vantagem para a outra candidatura foram arrasadores e demonstraram, não há aqui lugar a ingenuidades, um trabalho bem feito e iniciado a larga distância da eleição.
Famalicão , onde Paulo Cunha jogava em casa e venceu, não conseguiu ser o antidoto a Barcelos porque os mais de trezentos votos de vantagem foram muito insuficientes para fazerem frente aos mil de Barcelos. De resto Carlos Reis teve em Famalicão mais ou menos o dobro dos votos conseguidos por Paulo Cunha em Barcelos o que traduz bem que a divisão interna das penúltimas eleições para a concelhia (que deram a vitória à hoje deputada e então vereadora Sofia Fernandes) não estão ultrapassadas.
Guimarães, onde o presidente da concelhia (e da Câmara) Ricardo Araújo era candidato a presidente da mesa da assembleia distrital na lista de Paulo Cunha, deu uma vitória clara a este mas com número de votantes eventualmente abaixo do expectável.
Tal como Braga em que Paulo Cunha também venceu mas com números algo modestos para o peso da concelhia.
Resta Vila Verde.
Provavelmente o caso mais interessantes destas eleições porque também foi determinante na vitória de Carlos Reis ao dar-lhe 365 votos de vantagem em relação a Paulo Cunha.
E mais interessante porque revela uma mudança de paradigma com um significado que neste momento não é possível alcançar na sua plenitude dado que nos últimos vinte e quatro anos o poder distrital assentou sempre numa "coligação" de ferro entre Famalicão e Vila Verde que nunca permitiram interferências de outros concelhos na escolha da liderança distrital que foi sempre de militantes dessas secções.
Virgilio Costa e Paulo Cunha de Famalicão e José Manuel Fernandes de Vila Verde.
E agora essa "coligação" acabou e Famalicão e Vila Verde posicionaram-se em campos opostos na disputa eleitoral.
Porquê?
Pois...aí está um assunto para acompanhar com interesse nos próximos tempos.
Pessoalmente fico com a curiosidade sobre o que terá afastado Paulo Cunha e José Manuel Fernandes que durante vinte anos fizeram um percurso solidário na distrital.
Sendo certo que não ignoro que o verdadeiro poder em Famalicão tem outro nome.
De alguém que preza a discrição mas que sabe ter e exercer o poder.
Em segundo lugar é significativo que Carlos Reis tenha vencido em "apenas" quatro concelhos (A Famalicão e Vila Verde juntaram-se Amares e Terras de Bouro duas das concelhias mais pequenas) , contra os dez de Paulo Cunha, mas isso tenha sido suficiente para a vitória demonstrando o peso específico da dimensão do seu triunfo em dois grandes concelhos - Barcelos e Vila Verde- que foram suficientes para ultrapassar a derrota nos restantes mas que o obrigarão a um trabalho empenhado de criação de consensos em todo o distrito.
Em terceiro lugar a curiosidade de depois de vinte e quatro anos de presidentes da distrital oriundos de Famalicão e Vila Verde a liderança ter regressado a Barcelos através de Carlos Reis que, mais uma curiosidade, é filho do último presidente da distrital- Fernando Reis- oriundo daquele concelho.
Nos cinco concelhos decisivos resta Guimarães que não tem um presidente da distrital desde 1996 - Fernando Alberto Ribeiro da Silva- e Braga que tanto quanto me recordo nunca presidiu à distrital.
Veremos o que o futuro reserva mas há claramente vários motivos interessantes para acompanhar o que se vai passar na distrital de Braga do PSD até para se perceber até que ponto esta eleição disputada por duas listas é a face vísivel de outras movimentaçoes no PSD nacional e de que Braga terá sido o primeiro reflexo.
A ver vamos...
Depois Falamos.

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