sexta-feira, julho 09, 2021

Mercado

O meu artigo desta semana no zerozero.pt

Estamos naquela altura do ano que no passado se alcunhava de “silly season” face às transferências, rumores de transferência, especulações e boatos que acompanhavam a movimentação do mercado de jogadores mas que no momento presente bem se pode apelidar de “poor season” tal a quietude desse mesmo mercado.
E isso verifica-se quer a nível nacional quer no âmbito das grandes Ligas onde mesmo com um Europeu em curso, mas no qual já só restam duas selecções, poucas movimentações de relevo tem existido dando-se até a curiosidade de Messi estar sem clube, Ronaldo e a Juventus interessados em quebrar o vínculo por valores módicos mas sem interessados e os dois mais prometedores jogadores mundiais da actualidade-Haaland e Mbappé- parecerem “condenados” a ficarem no Borússia Dortmund e no PSG por falta de quem se chegue á frente com os valores necessários a pagar as respectivas cláusulas de rescisão.
Original de facto!
Mas voltando ao mercado português, aquele que mais nos interessa, é realmente insólita a falta de movimentação que por esta altura se verifica ainda para mais com a Liga a começar a 8 de Agosto (a menos de um mês) e a taça da Liga no fim de semana anterior.
É certo, já todos o sabemos, que fechando o mercado apenas a 31 de Agosto e conhecendo a preferência de clubes e empresários de deixarem alguns negócios para os últimos dias e às vezes últimas horas até essa data ainda existirão movimentações em todos os emblemas com entradas e saídas de jogadores.
Fatal como o destino.
Mas neste momento qual´é então o panorama?
Numa rápida vista de olhos pelos dezoito primodiviosionários constata-se, pelas contas do zerozero, que apenas foram efectuadas até á hora em que escrevo este texto sessenta e nove contratações o que dá uma média inferior a quatro por clube.
Não se incluindo nestas contas, naturalmente, jogadores emprestados que regressaram aos clubes de origem e jovens da formação que tenham subido às primeiras equipas.
E assim constamos que o campeão Sporting até ao momento apenas oficializou a contratação de Ricardo Esgaio ao Braga.
O Porto, para lá do há muito contratado Pepê, oficializou as entradas de Fábio Cardoso e Bruno Costa que regressa aos quadros do clube depois de passagens por outros emblemas.
O Benfica, que face ao noticiário dos últimos dias tem bem mais com que se preocupar do que com contratações, confirmou Rodrigo Pinho (há muito contratado) e Gil Dias.
O Braga tem sido, destes primeiros classificados da época anterior, o mais activo tendo já anunciado as entradas de Tiago Esgaio, Paulo Oliveira, Lucas Mineiro e Mário González todos eles jogadores de créditos firmados.
Depois o Paços de Ferreira que contratou João Vigário ao Nacional e André Ferreira ao Santa Clara mais dois jogadores sul americanos totalmente desconhecidos.
O Santa Clara com quatro contratações, todas elas em escalões inferiores nacionais e estgrangeiros, das quais Buldini ex Académica será o de melhores créditos.
O “meu” Vitória esse tem dado prioridade, para já, ao arrumar da casa emprestando ou dispensando jogadores excedentários no plantel que Pepa não desejou ver incluidos no grupo de trabalho (e ainda foram bastantes) para agora se começar a movimentar no mercado de que a contratação de Toni Borevkovic (ex Rio Ave) é o primeiro exemplo.
E daqui para baixo embora o cenário mude ligeiramente, porque com a excepção de um ou outro clube há mais contratações que nos primeiros classificados, o padrão é idêntico para todos.
Jogadores contratados nos escalões inferiores, em mercados secundários de ligas mais competitivas , em países sul americanos habituais “fornecedores” do nosso futebol.
Há casos estranhos como o Boavista que ainda não contratou ninguém ou o Tondela que regista apenas a entrada do badalado Tiago Dantas emprestado pelo Benfica, de Moreirense e Arouca com apenas dois reforços até ao momento e depois muitas contratações dos tais ilustres desconhecidos ou quase.
Nove contratações por Gil Vicente e Marítimo (para já “campeões” nessa matéria) , sete pelo Portimonense, seis pelo Vizela, cinco por Famalicão e B SAD e quatro pelo Estoril.
Do padrão de “anonimato” de todas essas contratações, sem que isto signifique qualquer falta de respeito pelos jogadores, quem escapa?
Kritciuk no Gil Vicente , David Tavares no Famalicão, Imbula (outrora muito badalado quando anos atrás veio para o Porto) no Portimonense, Miguel Silva no Marítimo, Charles , Bruno Wilson e Schettine no Vizela e mais um ou outro neste ou naquele clube.
E, é claro, a contratação de Bruno Alves pelo Famalicão que traz de regresso ao nosso futebol aquele que foi e é um dos seus melhores centrais dos últimos vinte anos e detentor de valioso palmarés em que avulta o Europeu de 2016.
Aos 39 anos será, ainda, uma das grandes atracções da Liga.
Em suma a duas semanas da taça da liga e quatro do campeonato ainda haverá seguramente muitas movimentações de mercado, muitas entradas e saídas de jogadores com especial incidência nos candidatos às competições europeias, mas nada disso apagará a relativa estranheza face à quietude actual.
E essa estranheza é apenas relativa porque todos (?) sabemos bem dos efeitos da pandemia nas finanças do futebol, todos(?) tememos as incertezas do futuro próximo face à persistência dessa mesma pandemia e todos(?) conhecemos bem a fragilidade financeira dos clubes por essa e outras razões.
Veremos o que se vai passar até 31 de Agosto.
Com curiosidade mas também com preocupação.

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