quarta-feira, maio 16, 2018

Vítor Campelos

Na altura em que escrevo este texto não sei se Vítor Campelos vai ou não continuar a dirigir a equipa B do Vitória( embora tudo indique que não) mas isso é completamente irrelevante quanto à intenção que norteia estas linhas que agora entendo escrever.
E essa intenção é salientar o trabalho de excepcional qualidade que o treinador fez nestes três anos em que dirigiu a equipa.
Conseguindo sempre cumprir os dois objectivos principais que são a manutenção e o preparar jogadores para subirem à equipa A.
A manutenção conseguiu-a sempre de forma tranquila, classificando a equipa a meio da tabela e melhorando todos os anos a posição classificativa ( décimo terceiro, décimo primeiro, décimo em igualdade com o Varzim) embora isso não fosse o mais importante.
Esta ultima época, e em termos de equipas B, apenas a do Porto ficou à nossa frente porque  a do Sporting desceu, a do Braga salvou-se miraculosamente de idêntico destino e a do Benfica ficou atrás da nossa.
E é preciso levar em linha de conta que em termos de arbitragens o Vitória B foi espoliado numa boa dúzia de pontos, alguns deles de forma escandalosa, que lhe teriam dado um lugar nos cinco primeiros.
Tudo isto com o treinador a ver-se obrigado a utilizar dezenas e dezenas de jogadores por época, numa delas foram cinquenta e cinco o que deve ser recorde mundial, o que naturalmente obrigava a um esforço extraordinário em termos de entrosamento da equipa, de assumpção por todos os jogadores da ideia de jogo e do estabelecimento de uma equipa base.
Já para não falar da deficiente, e ás vezes muito deficiente, colaboração que recebia do então treinador da equipa A ,Pedro Martins, que nunca teve um ideia global do que era o interesse da colaboração entre equipa A e B.
Em termos de jogadores que passaram pelas suas mãos e ascenderam à  equipa A, alguns definitivamente e outros ainda naquela fase de jogarem por uma e por outra, a lista fala por si.
Miguel Silva, Konan, Pedro Henrique, Dénis Duarte, Hélder Ferreira, Kiko, Sacko,Raphinha, Tyler Boyd, Joseph, Miguel Oliveira, João Vigário, Estupinan, Xande Silva e Marcos Valente para citar apenas quinze de um lote bem mais vasto.
A isto há que acrescentar, com gosto particular, que nas equipas de Vítor Campelos sempre se viu bom futebol e uma ideia consolidada de jogo, que se mantinha com as constantes alterações de jogadores , o que merece natural realce.
Pode pois dizer-se que Vítor Campelos cumpriu brilhantemente o que lhe foi pedido quando assumiu o cargo de treinador do Vitória B.
Aqui chegados, e dado que José Peseiro resolveu não continuar, é caso para perguntar se não seria natural que o treinador da equipa B assumisse a equipa A e desse sequência ao excelente trabalho que vinha fazendo no clube.
Natural era, mas não em Portugal e menos ainda no Vitória onde ser da "casa" e vitoriano obriga ao "pagamento" de um pesado "imposto" junto de muitos adeptos que tem toda a tolerância do mundo para quem vem de fora mas são implacáveis para quem é um dos seus.
Seja treinador seja jogador.
E por isso depois de três anos de objectivos plenamente cumpridos percebo que Vítor Campelos queira continuar a sua carreira noutro clube onde possa mostrar a qualidade do seu trabalho sem estar "vergado" ao peso do seu cartão de sócio e do seu cartão de cidadão.
Para um dia, acredito firmemente nisso, poder regressar ao Vitória pela porta grande por onde sairá agora e assumir o cargo de treinador da nossa equipa A.
E também acredito que esse dia não demorará muito...
Depois Falamos.

terça-feira, maio 15, 2018

Vira o Disco...

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

O PS de António Costa é o PS de José Sócrates!
Bastará constatar que no governo de António Costa estão cerca de trinta governantes, a começar pelo próprio António Costa é bom nunca o esquecer, que já tinham integrado como ministros, secretários de estado ou membros dos gabinetes o governo de José Sócrates.
Mais os que no governo ou fora dele continuam a integrar os orgãos nacionais do PS como já integravam no tempo de Sócrates.
São as mesmas pessoas, a mesma forma de fazer política, o mesmo conceito do que é a ligação entre política e negócios, a mesma falta de respeito pela oposição, o mesmo primado da “xico espertice” na gestão da “res publica”.
Trinta!
É , acima de tudo, o silêncio cúmplice com tudo que Sócrates fez no governo e que levou o país à quase bancarrota e o silêncio cobarde mesclado de um constante assobiar para o lado face aos espantosos sinais de riqueza do “chefe” e aos inúmeros casos que manchavam a sua carreira política, profissional e académica.
Foi mais de uma dúzia de anos em no PS quase ninguém viu nada, quase ninguém desconfiou de nada, quase ninguém foi capaz de se por à parte daquela pouca vergonha que se ia conhecendo mas que no PS era um verdadeiro tabu porque a carne é fraca e o poder afrodisíaco.
E quando se fala no PS não estamos a falar apenas da direcção nacional do partido, dos membros do governo ou dos deputados no parlamento nacional ou no parlamento europeu entre outros responsáveis nacionais.
Não.
Estamos a falar das Federações distritais e das organizações concelhias que num grau de responsabilidade evidentemente menor mas nem por isso isentas de... responsabilidade também pactuaram com esse estado de coisas.
Foi o caso, por exemplo , do PS de Guimarães.
Que nunca , mas mesmo nunca, teve uma palavra de duvida, de inquietação, de estranheza pela governação de Sócrates (pedir uma palavra de critica ou de divergência seria evidentemente demasiado para uma secção tão obediente ao chefes) mesmo quando na assembleia municipal a oposição criticava, apresentava factos e argumentos que eram impossíveis de contrariar face às evidências que constituíam.
Nunca duvidaram, nunca viram, nunca suspeitaram.
Bem pelo contrário reagiram (como curiosamente reagem agora) sempre com um ar de virgens ofendidas, mostras de grande indignação e acusações de que a oposição não só não tinha razão como não defendia os interesses de Portugal.
Porque no opinião do PS de Guimarães quem defendia os interesses de Portugal era José Sócrates e o seu governo!
Deu no que deu.
E quando os portugueses se fartaram de Sócrates e do seu governo, recearam a bancarrota e puseram termos ao desvario derrotando o PS em eleições, nem nessa altura se ouviu do PS vimaranense uma palavra de arrependimento, de contrição, de reconhecimento de que se tinham enganado.
E mesmo hoje, sabendo-se tudo que se sabe, continua essa palavra sem ser dita!
Passaram entre os pingos de chuva como se não fosse nada com eles, varreram Sócrates para debaixo do tapete e seguiram em frente como se o “ontem” tivesse sido um século atrás e a memória das pessoas fosse como a dos peixe palhaço que dura uns segundos ao que se diz.
E quando a Sócrates sucedeu António José Seguro, esse sim que nada tinha a ver com a pouca vergonha e sempre tinha mantido uma distância enorme em relação aos erros e tudo o mais do antecessor (demarcando-se especialmente da mistura entre política e negócios), o apoio que lhe deram foi muito mais de conveniência, de não perderem o comboio, do que de pura convicção como se veio a comprovar no dia em que António Costa rasgou o acordo que com ele tinha celebrado e lhe deu uma facada nas costas candidatando-se à liderança ao contrário do que se tinha comprometido a não fazer.
Nesse dia entre as muitas mãozinhas que seguravam a “faca” que Costa cravou em Seguro estava também a mãozinha do PS de Guimarães que na sua enorme maioria já se bandeara para o outro lado deixando cair um líder a quem haviam prometido apoio e alinhando nas hostes que, com razão (às vezes também acertam...) , supunham favoritas a vencer.
O resto da história é conhecido.
Os “Seguristas “ de Guimarães que não quiseram alinhar no “virar de casaca” , de que o maior exemplo é Miguel Laranjeiro rapidamente apeado do seu lugar de deputado sem qualquer vantagem para o PS (mas isso é problema deles), foram varridos para um canto enquanto outros fizeram um rápido “reset” na esperança de que o passado fosse esquecido e pudessem ter o seu lugarzinho na carruagem dos vencedores como nalguns casos veio a acontecer.
São factos.
E por isso quando se olha para o PS de Guimarães vê-se o PS de António Costa e quando se vê o PS de António Costa vê-se o PS de José Sócrates.
São os mesmos!
Porque os que tinham realmente vergonha do que o PS  andou a fazer no governo e no país, esses, eram os do PS de António José Seguro que o PS de Costa e Sócrates mandou para casa mal pôde e da forma que se sabe.

P.S. É factual que a campanha de António Costa para a liderança do PS (contra António José Seguro) foi apoiada financeiramente, entre outros, por Carlos Santos Silva o “banqueiro” privativo de José Sócrates.
“Farinha” do mesmo “saco” e em vários sentidos diga-se de passagem.

segunda-feira, maio 14, 2018

Raphinha

Raphinha terá feito no sábado o seu último jogo pelo Vitória anunciada que está, veremos se se confirma, a sua transferência para o Sporting na próxima temporada.
E digo que terá sido o ultimo, de forma condicional, porque com as voltas que o futebol dá nada nos garante que não volte um dia, mais cedo ou mais tarde, a vestir uma camisola com que foi notoriamente feliz.
Chegou a Guimarães envolto em alguma polémica porque vindo para a equipa B, onde fez 16 jogos e cinco golos, estranhou-se o elevado montante que o Vitória tinha pago pelo seu passe tratando-se de um jogador tão jovem e sem qualquer garantia de sucesso.
A verdade é que se impôs.
E se na primeira época jogando quase sempre pela B (pela A fez apenas um jogo e nenhum golo) teve o rendimento atrás descrito rapidamente convenceu Pedro Martins a integra-lo na primeira equipa onde na temporada passada fez quarenta e um jogos e quatro golos no total das  competições.
Esta época, mesmo com o desolador percurso da equipa a condicioná-lo, melhorou substancialmente os números fazendo quarenta e três jogos e dezoito golos no total das competições e sagrando-se o quarto melhor marcador da Liga apenas atrás dos "inacessíveis" Jonas, Bas Dost e Marega mas sem jogar num candidato ao titulo nem sendo ponta de lança.
Há que reconhecer que foi um rendimento de elevada qualidade que lhe terá valido o interesse do Sporting para onde se mudará na próxima temporada.
Embora com um feitio algo polémico, que o levou até a alguns desencontros com os adeptos, Raphinha foi um bom profissional, um jogador que nunca regateou esforços e que vai deixar saudades em Guimarães pelo muito de bom que deu ao clube.
Aos 22 anos, talvez algo cedo e para o clube "errado" mas isso são contas de outro rosário, vai para um emblema que luta por outros objectivos e deixa um Vitória que tão carente está de jogadores com a sua qualidade e no qual seria sempre uma figura de primeiro plano.
Que seja feliz,,,menos contra o Vitória como se costuma dizer.
Depois Falamos.

P.S, Gostei do gesto humilde e pleno de sentimento que Raphinha teve no fim do jogo com o Porto dando a volta ao relvado para agradecer aos adeptos o apoio que deles sempre recebeu.
Foi um gesto bonito que lhe ficou muito bem.

domingo, maio 13, 2018

Janelas, Amesterdão

Tigre


Casa Rural, Inglaterra


Acabou!

Era um jogo para cumprir calendário e o calendário cumpriu-se com o Porto a vencer, o Vitória a perder e a época a acabar com enorme alívio dos adeptos vimaranenses fartos de ostentarem nas bancadas uma categoria a que a equipa em campo raramente correspondeu.
E ontem nem foi dos piores jogos da equipa vitoriana.
Que entrou bem no jogo, criou as duas mais flagrantes oportunidades da primeira parte e equilibrou o jogo ao longo dos noventa minutos embora no segundo período o Porto tenha conseguido algum ascendente e criado algumas oportunidades a que Miguel Silva se opôs com a habitual eficácia.
Num lance de bola parada (o nosso calcanhar de Aquiles defensivo ao longo de toda a época)o Porto marcou e depois o Vitória não foi capaz de responder à altura (nem dentro do campo nem a partir do banco!) e isso traçou a sorte do jogo pese embora até ao fim reinasse sempre a esperança de que o empate ainda fosse possível.
Não foi.
E manda a verdade que se diga que quando aos 71 minutos Raphinha teve de sair por lesão, e a opção foi pelo sempre inevitável e sempre ineficaz Sturgeon em vez de Estupinan ou Tallo, também o treinador não fez tudo que estava ao seu alcance para tentar inverter a marcha do marcador.
Terminou assim uma época que deixa aos vitorianos um enorme amargo de boca e a frustração de uma classificação completamente incompatível com a nossa História, as nossas ambições e a qualidade do apoio que os adeptos dão à equipa em todas as ocasiões como ainda ontem foi patente na forma como reagiram de imediato ao golo do Porto.
Muita coisa tem de mudar no próximo defeso para que a época 2018/2019 corresponda aquilo que todos os vitorianos desejam.
Mas esse é assunto a que voltaremos seguramente nos próximos tempos.
O árbitro João Capela, um dos mais consagrados "padres" da arbitragem nacional, comprovou de novo que anda a mais no futebol certamente servindo interesses que do futebol não são.
Mas é o que temos...
Depois Falamos

Moreno

O jogo de ontem com o Porto foi um jogo triste para todos os vitorianos.
Não tanto pela derrota,porque em bom rigor o jogo não contava para nada, nem pelo nono lugar no campeonato que estava previsto há alguns dias mas porque o "capitão" Moreno se despediu dos relvados depois de uma carreira de que se pode orgulhar.
Não se despediu a jogar, como tanto gostaria,mas quis o destino que tivesse de ser apenas com uma presença no relvado onde sentiu o carinho das bancadas e o testemunho de apreço de colegas e adversários que reconhecem nele alguém que sempre deu o máximo pela sua camisola mas com lealdade e desportivismo.
Acompanhei toda a carreira de Moreno desde os escalões de formação.
Foi um jogador que sempre apreciei pela categoria, pela entrega ao jogo, pelo profissionalismo e por um amor sem limites ao Vitória de que sempre deu provas mesmo quando a carreira o levou episodicamente para o Leicester e depois para o Nacional da Madeira.
Mas também porque sempre foi alguém que em campo nunca teve medo de arriscar, fosse em passes em profundidade fosse em remates de meia distância (às vezes perante a impaciência dos adeptos quando saiam mal) quando lhe seria mais fácil passar a bola para dois metros ao lado e eliminar o risco de errar.
Penso que tendo feito uma bela carreira ainda assim podia ter feito uma carreira ainda melhor porque qualidade não lhe faltava para isso.
Talvez lhe tenham faltado,isso sim, mais treinadores que soubessem extrair dele todo o potencial de que dispunha mas que ficou muitas vezes subalternizado face às necessidades das equipas que o impediram de se fixar duradouramente numa posição e não andar a saltar entre defesa e meio campo.
Mas agora nada disso interessa.
A caminho dos 37 anos entendeu que era tempo de pendurar as botas e terminar a sua carreira de futebolista profissional.
É a lei da vida.
Pessoalmente tenho pena de ver o balneário perder a sua última grande referência de vitorianismo, deixando um vazio que apenas Miguel Silva poderá preencher se por cá continuar mais alguns anos, porque é fundamental a presença de homens com a mística do clube no seio dos grupos de trabalho.
Mas a vida continua e até pode ser (não faço a mínima ideia se assim será) que Moreno continue ligado ao Vitória.
Seja como venha a ser ...obrigado "capitão".
Depois Falamos.

sexta-feira, maio 11, 2018

Rinoceronte

Foto: National Geographic

Trânsito


Castelo de Ross, Escócia


Calendário

Amanhã joga-se um dos menos interessantes Vitória-Porto de que me lembro.
Aquilo a que se chama um jogo para cumprir calendário onde o que está em causa é apenas o respeito pelos espectadores e o profissionalismo de todo os envolvidos que tem a obrigação de se empenharem como se ainda houvesse classificações em disputa.
Em bom rigor até há.
Porque se o Porto já se sagrou, com inegável mérito, campeão nacional e portanto este jogo em termos de classificação já nada lhe traz no que ao Vitória concerne não é tanto assim.
A equipa vitoriana, actualmente classificada num impensável (em Agosto do ano passado) oitavo lugar, ainda pode ambicionar (!!!) subir ao sétimo mas também pode descer ao nono tudo dependendo do que se vai passar nos jogos Boavista-Belenenses e Marítimo Sporting.
E , é claro, também do que se passará no D.Afonso Henriques.
Certo é que no que depende dela própria a equipa apenas pode defender o oitavo lugar porque para mais do que isso terá de vencer e esperar que o Marítimo perca ou empate na recepção a um Sporting em luta pelo segundo lugar.
Seja como for, seja sétimo,oitavo ou nono, o Vitória ficará classificado num lugar completamente incompatível, indigno até, com a sua grandeza, a sua História e aquilo que os seus adeptos merecem face ao apoio constante e incansável que dão à equipa.
É uma época de completa frustração, depois do quarto lugar do campeonato anterior e das expectativas com que se iniciou este, e que se espera ao menos sirva de lição para que nunca mais se repitam os erros que deram origem a este mau posicionamento classificativo.
Espera-se, ao menos, que a equipa amanhã queira acabar a época dando uma pequena alegria aos adeptos e faça tudo que lhe for possível para conquistar os três pontos e assim se despedir do campeonato vencendo o campeão.
Será bonito se assim for.
Depois Falamos.

P.S. Também se espera que a equipa entre em campo de camisola branca, calção preto e meia branca.
Jogamos em casa, não estamos de luto e não somos a Académica nem o Tirsense.

Saber Ganhar

O meu artigo desta semana no zerozero.

Os jogos entre Vitória e Porto, os dois maiores clubes do norte de Portugal, tem larga tradição e inúmeras histórias para contar em volta das peripécias, dos resultados, das rivalidades e de outros temas que dão ao futebol aquele sabor único que ele possui.
Infelizmente o do próximo sábado, e bem ao contrário de tantos no passado, não terá nenhum outro interesse que não o de se esperar um bom jogo de futebol porque não conta para nada em termos classificativos dado que ambas as equipas tem o seu balanço final perfeitamente definido.
O Porto é, com toda a justiça, campeão nacional enquanto o Vitória terá uma classificação decepcionante a meio da tabela e , portanto, muito longe do que deve ser sempre o seu posicionamento num campeonato em que não pode ter ambição menos que ficar entre os quatro primeiros!
Daí o aproveitar esta crónica de hoje para duas reflexões.
Uma, curta, sobre a justiça na conquista do título pelo F.C. Porto e outra mais alargada sobre como é a postura dos “dragões” quando ganham troféus e a forma como se posicionam perante os seus adversários.
O Porto ganhou o campeonato com toda a justiça, já o disse atrás, porque foi a melhor equipa, a que melhor futebol jogou em grande parte da prova e aquela que melhor soube superar as adversidades próprias das provas de regularidade como o são os abaixamentos de forma e as lesões.
Creio que há um enorme mérito de Sérgio Conceição, que desta vez sim surpreendeu pela positiva, quer no fortíssimo espírito de equipa que implantou, quer na ambição que os seus jogadores puseram em campo, quer na forma como extraiu um enorme rendimento de jogadores em relação aos quais havia poucas expectativas de que Marega é seguramente o melhor exemplo porque foi apenas e só, na minha opinião é claro, o jogador mais decisivo deste campeonato.
Penso que o Porto começou a ganhar o título com o “bluff” de Agosto, espalhado aos sete ventos, de que por razões orçamentais não podia contratar jogadores e por isso apenas registava a entrada a custo zero do guarda redes Váná vindo do Feirense.
E era verdade.
Mas não era a verdade toda.
Porque discretamente o Porto fez regressar seis jogadores que tinha a rodar noutros clubes e esses seis jogadores, embora com niveis de participação diferentes, foram excelentes reforços para o plantel e seguramente bem melhores do que os reforços contratados pelos seus rivais.
Refiro-me ,como está bom de ver, a Marega, Aboubakar (os dois melhores marcadores da equipa com mais de vinte golos cada), Ricardo, Hernâni, Reyes e Sérgio Oliveira
E esses seis jogadores, a que em Janeiro se juntaria Gonçalo Paciência também regressado de um empréstimo, deram ao treinador um leque de soluções que se revelaria como decisivo na conquista do campeonato.
E se no ganhar não se põe em causa o mérito e a justiça já no saber ganhar há algumas coisas a dizer.
O futebol português vive de há muitos anos a esta parte uma macrocefalia asfixiante a que por comodismo se convencionou chamar os três "grandes" e que é composta por Benfica, Sporting e Porto.
Mas não foi sempre assim.
Em boa verdade, durante quatro décadas do século passado (do final dos anos 30 ao final dos anos 70) eram apenas dois clubes que disputavam a supremacia do desporto (não apenas futebol) português:
Benfica e Sporting.
Com domínio inicial do Sporting, décadas de 40 e 50 muito por força dos "5 violinos", que ao tempo seria o maior clube português mas depois tudo se transformaria com o momento decisivo que foi a chegada de Eusébio ao Benfica.
Que fez toda a diferença para os 15 anos seguintes.
Que foram de grandes vitórias do Benfica, com as duas taças dos campeões á cabeça, de grandes equipas e grandes exibições que trouxeram ao clube uma enorme legião de adeptos que lhe permitiu tornar-se no maior clube português.
E o Porto?
O Porto, que até tinha sido dos primeiros a ganhar títulos nacionais, vivia numa permanente subalternidade ganhando um campeonato de vez em quando e umas  taças de Portugal de quando em vez.
É então que, em 1976, se dá no Porto um facto de importância equivalente à chegada de Eusébio ao Benfica 16 anos antes.
Não através da contratação de qualquer jogador excepcional mas da tomada de poder interno por uma dupla histórica.
José Maria Pedroto e Jorge Nuno Pinto da Costa.
Um como treinador e o outro como director do departamento de futebol.
Os ideólogos do Porto actual mas também do "portismo" que a seguir definiremos.
O Porto actual conhece-se:
Um clube muitíssimo bem organizado, o clube com mais títulos nacionais do futebol português (campeonatos, taças e supertaças) e de longe o clube português com mais títulos internacionais em que avultam duas ligas dos campeões e duas taças UEFA .
A ideologia que permitiu tudo isso, lançada por Pedroto e Pinto da Costa e ainda hoje em vigor, é o "portismo".
Que se caracteriza basicamente por três premissas:
Criação de um inimigo externo, preferencialmente os clubes de Lisboa e a imprensa quase toda, que permita unir as "tropas" e motivá-las para a guerra.
Passagem da ideia que são todos contra o Porto e que a nível de poder futebolistico(e não só) há uma permanente conspiração contra o FCP.
O Porto é a bandeira do Norte em permanente luta contra o centralismo lisboeta e as suas instituições.
Com base nesta ideologia, e numa organização muito superior há de qualquer outro clube, o Porto vem de há quase 40 anos a esta parte a assumir-se como um clube hegemónico e a ganhar muito mais competições internas que qualquer outro.
Perguntar-se-á então porque é que a ganhar há quase 40 anos o Porto não é hoje o maior clube português em termos de adeptos quando ao Benfica, noutro contexto e noutro regime politico é verdade, bastou pouco mais de uma década para atingir esse estatuto.
A resposta não é simples mas vou tentar dá-la em cinco itens:
Em primeiro lugar o Porto não sabe ganhar com fair play e desportivismo.
Ganha com arrogância, com acinte, sempre minimizando o adversário e exaltando-se a ele próprio.
È uma postura agradável para os adeptos,odiosa para os adversários e desagradável para os indecisos que impede muita gente de aderir ao "portismo".
O Porto não sabe ganhar por si e para si; tem de ganhar sempre contra alguém!
Em segundo lugar , e claramente dentro da ideologia do "portismo", o Porto quando ganha não se limita a ganhar. Ganha contras as conspirações,contra Lisboa, contra a mais diversa espécie de inimigos nos quais inclui com todo o á vontade os clubes vizinhos renegando assim qualquer possibilidade de ser a tal "bandeira" do norte.
É um pouco a sindrome da pequena aldeia gaulesa de Astérix, rodeada de romanos (leia-se lisboetas) por todo o lado e em que a "poção mágica" é a união dos portistas contra o mundo exterior.
Infelizmente para o FCP esta visão do mundo é um resíduo do provincianismo que Pedroto tanto quis combater.
Em terceiro lugar manda a verdade que se diga que o "portismo" e o FCP nunca gozaram dos favores e fretes da imprensa nacional toda ela ,com raríssimas excepções, devotada à glorificação do Benfica e do "benfiquismo" e que tratou sempre o Porto como um clube menor.
E isso, nomeadamente em termos televisivos, faz diferença.
Em quarto lugar os métodos usados para ganhar.
Que muitas vezes não são agradáveis, algumas vezes não são conformes com a verdade desportiva, e indignam muita gente contra a forma como o Porto usa o poder de que dispõe nas instâncias do futebol.
Nada que outros não façam mas o Porto fá-lo com um descaramento despropositado e ainda exibe esse poder como um troféu de que se orgulha.
E isso afasta todos aqueles que acham que ganhar é bom mas não a qualquer preço.
Em quinto lugar o "portismo" tem um intrigante, mas bem vivo,complexo de inferioridade em relação ao Benfica que não tem reciprocidade por parte do clube de Lisboa.
E isso é patente nos cânticos das claques (que são o "portismo" no seu estado puro)contra o SLB mesmo quando o adversário em campo é outro clube qualquer como ainda aconteceu no jogo com o Feirense em que a certa altura lá vieram os cânticos insultuosos contra o Benfica.
Estar na festa do título, com o estádio completamente cheio, e em vez de viverem o momento da sua conquista estarem com o pensamento na perda do adversário é deprimente, é pequeno, é provinciano.
É profundamente irónico que a forma como o "portismo" festeja as vitórias sobre o Benfica dê ao adversário, com a dimensão desses festejos, o estatuto de importância que tanto lhe querem retirar.
O Futebol Clube do Porto é hoje o clube de maior sucesso no futebol português considerando os últimos quarenta anos.
Mais títulos nacionais, melhor organização, melhor curriculum internacional.
Mas não é o maior clube português, em termos de adeptos,  nem me parece que venha algum dia a sê-lo.
Porque o "portismo", afinal a ideologia que o fez começar a ganhar de forma consistente, ironicamente o limita a ele próprio fechando-o dentro de uma barricada que lhe limita o crescimento e cerceia a expansão para fora das "fronteiras" que ele próprio definiu.
Veremos se um dia a História não definirá o "portismo" como algo de essencial ao crescimento do FCP mas que acabou por se transformar no seu mais temível adversário.
Não sei se assim será.
Sei que um dos seus grandes ideólogos já morreu e o outro caminha para a reforma por força da lei da vida.
E o grande desafio para o futuro, nomeadamente o futuro pós Pinto da Costa, será saber se o Futebol Clube do Porto consegue libertar-se do "portismo" e encetar uma nova e diferente fase, igualmente ganhadora, da sua vida mais que centenária.

quinta-feira, maio 10, 2018

Futebol em Londres

Já por diversas vezes exprimi o quanto admiro o futebol inglês, que considero o melhor do mundo. pela qualidade das competições, pela verdade desportiva nelas existente, pelo fair play, pelos espectadores e também pela forma como a Liga inglesa sabe valorizar, e vender, a industria do futebol.
Em Inglaterra, reza  a História, nasceu aquela que é hoje a modalidade mais popular, mais conhecida e mais praticada em todo o planeta e por isso não admira que lá o futebol tenha a divulgação que tem e seja praticado positivamente por todo o lado.
Um destes dias num "passeio" pela internet deparei com a imagem que encima este texto e que embora algo desactualizada dá bem a dimensão da expansão do futebol desde logo na própria capital inglesa.
Ao tempo em que a imagem foi composta existiam em Londres quinze (!!!) estádios que correspondiam a treze clubes a disputarem as competições profissionais e mais dois que não pertencendo a nenhum clube tinham uma mística muito própria.
O estádio olímpico, onde se disputaram algumas das principais competições dos Jogos Olímpicos de 2012 ,e  Wembley aquele que é provavelmente o mais mítico estádio de todo o mundo.
Curiosamente na actualidade o estádio de Wembley é onde o Tottenham disputa os seus jogos na qualidade de visitado depois da demolição de "White Hart Lane"e enquanto o seu novo recinto não está pronto enquanto o West Ham deixou o histórico "Upton Park" e se mudou para o olímpico em termos definitivos.
Restam portanto onze estádios de clubes na zona urbana da cidade.
Desde os grandes clubes como o Arsenal ou o Chelsea (também ele com projectos de um novo recinto), passando por clubes que são presença regular na primeira liga como Queen Park Rangers, Fulham ou Crystal Palace e outros que por lá passaram esporadicamente ou nem isso como são os casos de Wimbledon, Charlton ou Brentford.
Inglaterra em geral e Londres em particular são, de facto, um caso à parte no mundo do futebol.
Depois Falamos.