quinta-feira, maio 10, 2018

Futebol em Londres

Já por diversas vezes exprimi o quanto admiro o futebol inglês, que considero o melhor do mundo. pela qualidade das competições, pela verdade desportiva nelas existente, pelo fair play, pelos espectadores e também pela forma como a Liga inglesa sabe valorizar, e vender, a industria do futebol.
Em Inglaterra, reza  a História, nasceu aquela que é hoje a modalidade mais popular, mais conhecida e mais praticada em todo o planeta e por isso não admira que lá o futebol tenha a divulgação que tem e seja praticado positivamente por todo o lado.
Um destes dias num "passeio" pela internet deparei com a imagem que encima este texto e que embora algo desactualizada dá bem a dimensão da expansão do futebol desde logo na própria capital inglesa.
Ao tempo em que a imagem foi composta existiam em Londres quinze (!!!) estádios que correspondiam a treze clubes a disputarem as competições profissionais e mais dois que não pertencendo a nenhum clube tinham uma mística muito própria.
O estádio olímpico, onde se disputaram algumas das principais competições dos Jogos Olímpicos de 2012 ,e  Wembley aquele que é provavelmente o mais mítico estádio de todo o mundo.
Curiosamente na actualidade o estádio de Wembley é onde o Tottenham disputa os seus jogos na qualidade de visitado depois da demolição de "White Hart Lane"e enquanto o seu novo recinto não está pronto enquanto o West Ham deixou o histórico "Upton Park" e se mudou para o olímpico em termos definitivos.
Restam portanto onze estádios de clubes na zona urbana da cidade.
Desde os grandes clubes como o Arsenal ou o Chelsea (também ele com projectos de um novo recinto), passando por clubes que são presença regular na primeira liga como Queen Park Rangers, Fulham ou Crystal Palace e outros que por lá passaram esporadicamente ou nem isso como são os casos de Wimbledon, Charlton ou Brentford.
Inglaterra em geral e Londres em particular são, de facto, um caso à parte no mundo do futebol.
Depois Falamos.

terça-feira, maio 08, 2018

Lata...Muita Lata

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

As minhas memórias políticas, e da política, vem de muito longe o que não sendo em termos etários bom sinal tem contudo a vantagem de já tendo visto muita coisas ser cada vez menor a capacidade de me admirar ( e surpreender) com o que vou vendo nos tempos que correm.
Embora ainda muito jovem e sem qualquer sensibilidade política lembro-me bem das eleições de partido único ou quase, da propaganda que a oposição (CDE e CEUD) metiam pela calada da noite nas caixas de correio porque a PIDE existia e sem oposicionista não era nada fácil, dos colegas mais velhos que no Liceu distribuíam nas casas de banho no meio das maiores cautelas propaganda contra o regime e especialmente contra as guerras de África.
Lembro-me bem de tudo isso, como me lembro do 25 de Abril com todo o encantamento que a Liberdade provocou, transversalmente em várias gerações, com a sensação de que se viviam novos tempos e nada seria doravante como tinha sido até então.
Na minha geração, e no meu grupo de amigos então na casa dos catorze/quinze anos, já se ia falando então com alguma preocupação da guerra que era um “fantasma” ainda distante mas que em poucos anos nos ia bater à porta.
Depois com a  Liberdade veio a Democracia, os partidos políticos, a vida partidária começada na JSD em 21 de Janeiro de 1975 precisamente uma semana antes do primeiro comício do PPD em Guimarães em que o principal orador foi Francisco Sá Carneiro, e uma participação política que se prolongou por estes quarenta  e três anos que se seguiram a essa longínqua filiação.
Nesse tempo vi muita coisa.
Dentro e fora do meu partido, no nosso sistema político, na evolução de Portugal de uma ditadura para uma democracia consolidada para a qual o 25 de Novembro deu um indispensável contributo, na luta partidária, na evolução constitucional, na disputa de sucessivas eleições de âmbito diverso.
Vi eleger presidentes da república, parlamentos com e sem maiorias, deputados europeus, autarquias locais e orgãos regionais nos Açores e na Madeira.
Vi eleger lideres partidários em congressos, em eleições directas, em estranhas formas de “democracia” em que o voto é de braço no ar, vi lideres que se afirmaram nos partidos e no país e outros que nunca saíram da cepa torta e redundaram em enormes desilusões.
Vi muita coisa.
Mas apesar disso ainda me consigo surpreender com algumas coisas que vou vendo.
E uma das que me surpreendeu mais pela indignidade, pelo despautério, pela falta de vergonha foi este ataque verdadeiramente “assassino” do PS, por instruções óbvias de António Costa, à pessoa de José Sócrates.
Algo de verdadeiramente miserável.
Não tenho, como é mais que óbvio, qualquer simpatia pela personagem sinistra que é José Sócrates que foi enquanto teve poder um perigo para a democracia e para o Estado de Direito (em que tentou controlar das formas que se vão sabendo a Justiça, o poder económico e a Comunicação social) e cuja queda em eleições é mais um serviço que Portugal deve ao PSD e a Pedro Passos Coelho.
Mas daí a vê-lo, agora que caiu em desgraça, ferozmente atacado por aqueles que enquanto ele teve poder e cometeu os crimes de que é agora acusado estiveram ao seu lado sem nada verem, sem com nada se admirarem, sem nunca se terem minimamente demarcado de todo o pântano em que ele vivia e para o qual arrastou o PS é bem a prova da dimensão a que pode atingir a canalhice na raça humana.
António Costa foi o seu número dois no partido durante os anos em que Sócrates o liderou e foi também seu número dois no governo.
Nunca viu nada? Nunca se interrogou sobre a vida faustosa do chefe? Nunca encontrou nenhum motivo para dele se demarcar? Nunca percebeu as ligações perigosas de Sócrates à banca e às empresas do grande amigo Carlos Santos Silva?
Ou percebeu, viu, soube e calou-se porque era do seu interesse um procedimento à cangalheiro (“não quero ninguém morra mas quero que a vida corra”) até ao dia em que manhosamente pudesse tomar-lhe o lugar?
O mesmo se pergunta em relação ao seráfico Santos Silva, ministro de várias pastas durante os seis anos de governo de Sócrates, que ou também nunca deu por nada ou então exerceu eficientemente a arte de passar entre os pingos da chuva sem se molhar.
E que dizer de Carlos César?
Será que naqueles anos todos, ao menos num  intervalo do tempo que ocupava a empregar familiares ou a receber subsídios a que não tinha direito, não teve cinco minutos para reflectir sobre tudo que se ia sabendo e dizendo, nomeadamente nos corredores do poder partidário, sobre a estranha forma de vida do então líder e primeiro-ministro ?
E por aí fora nem valendo a pena citar personagens minúsculos como a despeitada Câncio ou o então opinador pago ( por Sócrates)João Galamba, entre outros que entretanto despertaram de um profundo “sono”, porque esses apenas servem para confirmar os malefícios da canalhice de que seres humanos são capazes.
A verdade é que depois de seis anos de absoluta conivência com Sócrates, mais que não fosse por silêncio e omissão, enquanto ele teve poder e outros seis depois de ele perder as eleições debaixo de uma orientação de Costa por SMS na noite da prisão de Sócrates (“à Justiça o que é da Justiça”)de repente abriram todos os olhos, fingiram uma vergonha que nunca tiveram mas que agora por questões tácticas dá jeito fingir que tem, e desataram a “malhar” naquele que antes idolatravam, incensavam e seguiam ao que parece de olhos fechados.
Tem pelo menos a discutível qualidade de serem bem mandados; antes por Sócrates,agora por Costa, estão sempre disponíveis para todos os fretes que o chefe, seja ele quem for, lhes ordena!
Em política não há acasos.
E estas “almas penadas” do socratismo desatarem todas a falar ao mesmo tempo, e com a mesma orientação, é evidentemente por estratégia de António Costa que vendo o terreno a fugir debaixo dos pés a um PS envolvido em tantos casos suspeitos resolveu fazer de Sócrates um alvo a abater na esperança de que isso distraia as atenções das pesadas responsabilidades do seu partido no encaminhamento da democracia para um novo pântano.
Não vai ter sorte porque a vergonha para o PS não se resume a Sócrates e Pinho e aos casos em que estes estão envolvidos.
Abarca todos aqueles que nada viram, nada fizeram, de nada quiseram saber porque importante era manterem-se na direcção do partido e no governo mesmo que para isso tivessem de vender a alma ao...Sócrates.
E boa parte deles, a começar por António Costa, continuam por lá.
Com ou sem vergonha esse é o problema que o PS vai ter de resolver mais dia menos dia!

P.S. Recordo bem o quanto António José Seguro foi criticado, por alguns desses, pelo simples facto de se querer demarcar o mais depressa possível do legado de Sócrates consciente do quanto ele era gravoso para o PS.

domingo, maio 06, 2018

Histórico

João Sousa escreveu hoje a mais bela página do ténis português ao vencer o Estoril Open , uma competição do circuito ATP, que até hoje nunca tinha conhecido um vencedor nacional o que ainda releva mais o feito do tenista vimaranense.
Foi a sua terceira vitória em circuitos ATP, depois de Kuala Lumpur e Valência, e vai permitir-lhe reentrar no top 50 a caminho daquela que pode ser a sua melhor época de sempre e que confirmará aquilo que já se sabe há muito e que é o facto de João Sousa ser o melhor tenista português de todos os tempos.
Uma carreira feita à custa de muita dedicação, muito esforço, muito sacrifício que começou logo em 2004 quando decidiu mudar-se para Barcelona, com apenas 15 anos de idade, por reconhecer que a sua evolução no ténis profissional precisava de ser trabalhada num meio como o da Federação Catalã de Ténis com uma larga tradição na formação de grandes tenistas.
Sem outro apoio financeiro que não o dos pais, com portas que lhe deviam ter sido abertas a serem-lhe fechadas (nos últimos anos escancararam-se...), João Sousa não teve medo e arriscou tudo na sua carreira na certeza de que teria sucesso.
E teve.
Teve e vai continuar a ter porque aos 29 anos de idade ainda tem alguns anos pela frente para ganhar torneios, para subir no ranking profissional, para continuar a orgulhar o seu país e a cidade de Guimarães onde nasceu e onde vive a sua família.
E naturalmente o Vitória clube de que é adepto desde sempre e onde chegou a jogar futebol nos escalões de formação.
Hoje fez-se História no ténis português.
E foi um vimaranense e vitoriano quem a fez.
Depois Falamos.

Farol


Fiorde, Noruega


Coruja


quinta-feira, maio 03, 2018

Desavergonhados!

Nunca gostei de José Sócrates.
Mas hoje quase me sinto solidário com ele face ao nível de pulhice que alguns camaradas dele tem evidenciado nos últimos dias numa tentativa miserável de se demarcarem de quem sempre apoiaram e defenderam até às ultimas consequências.
Agora que ele está a contas com a Justiça, não tem poder, cargos e benesses para distribuir alguns heroicos socialistas abriram finalmente os olhos e viram o que já toda a gente que não eles via há uma década ou mais.
Vem Carlos César, essa sinistra criatura, falar em "vergonha do PS, maior até no caso Sócrates do que no de Manuel Pinho" (sic) esquecendo-se que ele é a ultima pessoa que pode falar em vergonha depois de andar anos a receber reembolsos a que não tinha direito e a usar o cargo que ocupou para arranjar emprego para a família quase toda.
Aparece João Galamba, esse bloquista infiltrado no PS, dizendo que o que se passa com Sócrates "obviamente é algo que incomoda qualquer socialista"(sic) e assim mordendo na mão que lhe deu de comer com o despudor próprio de quem já se esqueceu dos tempos em que Sócrates lhe pagava para escrever a seu favor e do seu governo nas redes sociais e noutros espaços.
E até Santos Silva, o sujeito que na história da democracia mais pastas ministeriais deve ter ocupado vã-se lá saber porquê, não resistiu a vir com aquela candura que deve ter aprendido a martelo no Palácio das Necessidades afirmar que " se se verificar que algum dos meus colegas cometeu um crime em exercício de funções sentir-me-ei enganado" (sic) como se por acaso não tivesse estado com Sócrates no governo de principio a fim sem nada ter visto e sem de nada ter suspeitado.
E para a "ópera bufa" destes socialistas desavergonhados e ingratos não perder uma dimensão de faca e alguidar aparece Fernanda Câncio, a ex namorada de Sócrates,a também, ela querer pregar moral depois de durante anos ter beneficiado à tripa forra de férias ,viagens e boa vida à custa de dinheiro cuja origem nunca pôs em causa.
Mas e António Costa?
Esse, como de costume quando as coisas por cá se tornam desagradáveis e não quer ser questionado, está em viagem ao estrangeiro (no caso ao Canadá) mantendo uma distância segura dos problemas e esperando que as coisas acalmem.
Mas mesmo assim lá foi dizendo (porque numa conferencia de imprensa conjunta com o PM do Canadá lhe puseram a questão que se fosse por vontade própria nem uma palavra se lhe ouvia) que "se essas ilegalidades se vieram a confirmar será certamente uma desonra para a democracia" (sic)!
E sobre esta espantosa declaração apenas três coisas a dizer.
A primeira é que não se trata de ilegalidades mas sim de crimes. E graves.
A segunda é que não acredito que César, Galamba e Santos Silva tivessem dito o que disseram se não fosse por ordem directa de António Costa o que lhe garante um primeiríssimo lugar na lista de desavergonhados, ingratos e "ceguinhos" que nunca viram nem suspeitaram de nada até ao início desta semana.
A terceira é que estes crimes cometidos por governantes socialistas são uma desonra,sim, ,mas apenas e só para o PS e não para a democracia.
Era o que mais faltava querer meter todos os outros num saco onde só cabem esses governantes socialistas e os que com eles pactuaram mais que não fosse pelo silêncio e pela omissão.
Pedir a este PS vergonha eu sei que é pedir demais.
Mas ao menos estejam calados e não andem por aí a insultar a inteligência das pessoas!
Depois Falamos

quarta-feira, maio 02, 2018

Kiev Promete

Depois de jogos da segunda mão em que Liverpool e Real Madrid quase complicaram a vantagem adquirida nos jogos iniciais da eliminatória os dois favoritos confirmaram o favoritismo e estarão em Kiev a disputar a final da Liga dos Campeões.
O Real Madrid, tal como nos quartos de final frente à Juventus, começou por vencer fora mas depois no seu estádio iniciou o jogo a perder (outra semelhança com os quartos de final) ,deu a volta ao resultado,consentiu o empate e acabou o jogo em grande dificuldade perante um Bayern que nunca desistiu e que se pode queixar da arbitragem.
O Liverpool que viajava para Roma com a vantagem de três golos, mas com o exemplo do Barcelona bem vivo, entrou bem no jogo e ao adiantar-se no marcador deu toda a ideia de assunto resolvido.
A Roma empatou, o Liverpool voltou a marcar e ao intervalo vencendo por 2-1 parecia que a segunda parte seria um passeio até ...Kiev.
Mas não foi.
A Roma igualou e depois adiantou-se no marcador numa fase já algo tardia da partida mas a tempo de preocupar seriamente os ingleses e o seu treinador, Jurgen Klopp, que foi reforçando a defesa não fosse o diabo tece-las.
E quase tecia com o quarto golo romano a acontecer no ultimo minuto dos descontos e portanto sem dar tempo para mais.
Os ingleses nunca tiveram o apuramento verdadeiramente em risco, longe disso, mas que apanharam um pequenino susto isso apanharam.
De qualquer forma importa realçar um facto que é um motivo de optimismo para o futebol e abre o "apetite" para uma  final que face ao perfil das duas equipas finalistas tem tudo para ser verdadeiramente espectacular.
E o facto prende-se com nesta meia final terem sido marcados treze golos e na outra sete o que dá a excelente média de cinco golos por jogo o que nesta fase da prova é francamente de enaltecer como exemplo do que o futebol deve sempre privilegiar.
Aguardemos por Kiev.
Depois Falamos

Mocho


Kimberley, Austrália


Más Notícias

A Marktest publicou recentemente um estudo, com base em dados do INE, que demonstra que nos primeiros dezasseis anos deste século a imprensa regional do Continente (as ilhas não são abrangidas por este estudo) perdeu cerca de 28% das suas publicações diminuindo o seu número dos 1674 títulos existentes no ano 2000 para os 1212 existentes em 2016.
Ou seja 462 jornais e revistas, talvez mais porque entretanto também apareceram novas publicações, encerraram portas ou suspenderam indefinidamente a sua publicação neste período de tempo.
E se há concelhos (39) em que o número de publicações periódicas aumentou e outros (100) em que se manteve inalterável em 139 concelhos o número diminuiu ao ponto de existirem hoje em Portugal 96 concelhos sem qualquer publicação periódica.
Dando-se o casos de em quarenta e seis concelhos que em 2000 tinham entre uma e cinco publicações não existir hoje nenhuma!
São dados preocupantes.
Porque se por um lado reflectem de forma indubitável a perda de hábitos de leitura de jornais e revistas por muitos portugueses que preferem outro tipo de leituras ou de obtenção de informação (televisões, internet, etc) por outro lado significam uma clara perda para a democracia porque são espaços noticiosos, de publicação de opiniões e de exercício do contraditório que desaparecem e em concelhos e regiões que deles tanto careciam dada a macrocefalia infomativa das televisões.
Guimarães não foge a essa triste realidade.
Em termos de informação geral tem hoje o "sobrevivente" "Comércio de Guimarães", o recente "Mais Guimarães"(incluindo a revista), a revista "Bigger", o "Reflexo" e o "Lordelo Jornal"(de publicação mensal) , o "Desportivo de Guimarães" (dedicado à informação desportiva) e creio que em termos de publicação regular...mais nada.
Depois tem ainda os jornais digitais "Guimarães Digital ", "Duas Caras" e "Reflexo Digital" mas não é dessa realidade que este texto se ocupa mas sim dos jornais e revistas impressos.
Pode considerar-se que, apesar de tudo, não é um panorama desanimador face ao que se vê em tantos lados.
Mas mesmo assim faz reflectir que na última década o concelho tenha perdido jornais com décadas de existência como o "Notícias de Guimarães", o "Povo de Guimarães", o "Expresso do Ave" (antes Toural) ou que se publicaram por períodos bastante menores mas que ainda assim tiveram o seu espaço como foram os casos do "Tribuna de Guimarães" e do "Semanário de Guimarães".
Seriam jornais a mais?
Talvez.
Mas em questões de pluralidade democrática, de espaços de opinião, de possibilidade de contraditório, de abrangência de todos os sectores  , de investigação, de isenção e independência mais vale a mais do que menos!
Depois Falamos

terça-feira, maio 01, 2018

Campeões e outros Perigos

O meu artigo desta semana no zerozero.

Com os campeonatos nacionais a encaminharem-se para os seus desfechos, quer em termos de campeões e apurados para as competições europeias quer nos habituais dramas das descidas,torna-se interessante olhar para tendências que se vem confirmando e que em si encerram alguns perigos para o futebol.
Consideremos alguns dos principais campeonatos europeus como são os casos de Inglaterra, Espanha, França,Itália, Alemanha,  Portugal, Suíça, Holanda, Grécia e Escócia.
E olhando para esses campeonatos o que vemos?
Em Inglaterra o Manchester City, que antigamente não era nem de perto nem de longe candidato de primeira linha ao titulo, venceu com facilidade deixando o outro Manchester, esse sim um candidato habitual, a larga distância bem como Liverpool e Tottenham enquanto Arsenal e Chelsea nem para esse campeonato contaram esta época.
Na Alemanha o Bayern acaba de conquistar o sexto titulo consecutivo, e décimo quarto nos últimos vinte anos, o que traduz uma superioridade impressionante sobre a concorrência e torna o campeonato alemão num verdadeiro passeio para os bávaros.
Vale, apesar de tudo, que os outros campeões foram o Borússia Dortmund (três vezes), o Werder Bremen,Estugarda e Wolfsburgo uma vez cada, o que demonstra a existência de alguma diversidade apesar do sufoco imposto pelo Bayern.
Em Itália, onde o campeão ainda não está definido mas tudo indica que a Juventus alcançará o seu sétimo titulo consecutivo (!!!), existe um claro domínio da equipa de Turim que assenta no valor próprio ,como é evidente, mas também num cada vez mais longo “apagão” de Inter e Milan cada vez mais arredados da luta pelo “scudetto”.
Luta essa que tem ficado para o Nápoles,  que falha nos momentos decisivos como ainda agora se viu indo ganhar a casa da Juventus mas logo a seguir perdendo em Florença, e para a Roma que nunca conseguiu verdadeiramente ameaçar o domínio da “Velha Senhora”.
Em Espanha o panorama não é muito diferente.
O Barcelona acaba de ganhar o sétimo campeonato em dez anos deixando a grande distância o Atlético de Madrid e o Real Madrid, garantindo essa conquista a cinco jornadas do fim (o que nunca tinha acontecido) e não tendo ainda sido derrotado na presente edição da prova.
Para Real Madrid ficaram dois títulos e para o Atlético de Madrid um o que demonstra que o campeonato de Espanha  (que ironia...) é cada vez mais um passeio dos catalães do Barcelona.
Em França o PSG venceu facilmente o seu quinto titulo nos últimos seis anos, intervalado apenas pela vitória do Mónaco de Leonardo Jardim na época transacta, o que demonstra bem uma hegemonia que começa a impor-se e sustentada ,como no caso do Manchester City, pelos tais milhões que repentinamente vão aparecendo no futebol sem origem bem definida.
O campeonato da Escócia é, desde sempre, algo de sui generis.
Há mais de trinta anos que o titulo é dividido entre Celtic e Glasgow Rangers ( o último a fugir a essa lógica foi o Aberdeen em 1984/1985) que são as duas grandes potências do futebol escocês.
O Celtic acaba de conquistar o seu sétimo titulo consecutivo (os três anteriores tinham ido para o Rangers) muito por força dos problemas financeiros que afectaram o Rangers e levaram à sua despromoção para os escalões inferiores, de que já regressou, deixando caminho livre aos grandes rivais.
Mesmo que o Rangers recupere a pujança característica a liga escocesa continuará a ser um campeonato a dois.
Na Holanda o panorama é mais “arejado”.
PSV e Ajax são os grande ganhadores mas Feyenoord, Twente e Alkmaar também venceram títulos nos últimos dez anos o que mostra alguma diversidade embora sem esconder o predomínio dos dois clubes referidos.
Na Grécia o campeonato tem sido uma quase coutada do Olimpyakos que venceu dez dos últimos doze restando um para o Panathinaikos e outro para o AEK que venceu a edição deste ano depois de quase trinta anos de “seca”. Veremos se isso significa um “democratizar” da prova ou se o Olimpyakos,agora treinado por Pedro Martins, recupera na próxima época o título.
Na Suíça o panorama não é muito diferente.
O Basileia venceu onze dos quinze últimos campeonatos(com oito vitória consecutivas entre 2009 e 2017) com o Zurique a ganhar três e o Young Boys a vencer o deste ano depois de muitos anos afastado do título.
Resta Portugal.
Um campeonato desde sempre dominado por três clubes, com a excepção de um título para Belenenses e outro para Boavista, que nestes últimos anos tem sido dominado quase exclusivamente por Porto e Benfica que nos últimos dez anos venceram cinco títulos cada um.
Esta época,tudo o indica, o Porto será campeão pondo fim a um ciclo de quatro vitórias do clube de Lisboa que ameaçava, caso conseguisse o ambicionado penta, hegemonizar o futebol português por muitos anos.
Com ajudas que nada tem de desportivas e que estão agora sob investigação judicial como é sabido.
Que concluir desta breve análise sobre dez campeonatos europeus?
São várias as conclusões possíveis mas parecem-me relevantes duas que constituem, em simultâneo, um perigo para o futebol.
Uma é a monotonia, que afasta espectadores e patrocinadores, que ameaça vários campeonatos que são sempre ganhos pelo mesmo ou pelos mesmos retirando às provas a incerteza do vencedor que é sempre um grande factor de atracção.
A outra são os milhões que “chovem” no futebol em quantidades cada vez maiores mas na inversa proporção da limpidez das fontes de que provém e sem que os seus fins sejam claros e se cinjam apenas a fins desportivos.
São esses milhões que da noite para o dia transformam clubes sem histórico ganhador em campeões e dominadores das respectivas provas sem terem um percurso de crescimento e consolidação do estatuto de candidatos que o justifique.
Manchester City e PSG , campeões de Inglaterra e França, são hoje os exemplos mais visíveis desse fenómeno mas ninguém terá duvidas de que nesses campeonatos (especialmente o inglês)e noutros como o italiano isso também está a acontecer sem que os benefícios imediatos para os clubes não deem garantias de que não se vão transformar em problemas imensos no futuro.
A ver vamos...