segunda-feira, abril 20, 2020

Saint Jean de Luz, França


Furão


Castelo de Évora Monte


Alternativa

Com o covid-19 a retirar espaço à política pura e dura, por razões que advém da pandemia e por razões que advém de desistências várias quanto ao exercício da oposição, parece cada vez mais provável que nas presidenciais de 2021 a corrida de Marcelo seja apenas contra os números que quer alcançar e lhe permitam a mais triunfal das reeleições.
Não se lhe adivinha oposição séria.
O PSD vai apoiá-lo, sem vontade nenhuma mas não tem outro remédio, o PS de forma mais ou menos visível também o apoiará depois de cinco anos em que teve no presidente o seu melhor apoiante e quantas vezes porta voz, o CDS acabará por o apoiar porque sabe que um candidato próprio seria humilhado face à previsível votação de André Ventura.
O Chega tem candidato próprio que se vai converter nesta eleição presidencial no depositário de muitos votos de protesto que lhe permitirão um resultado muito confortável e a aspiração de outros voos nas legislativas de 2023.
À esquerda do PS nada de novo.
Fatal como o destino o PCP terá o seu candidato, provavelmente o futuro líder a fazer rodagem, para aproveitar os tempos de antena e incansavelmente defender as mesmas causas de sempre aproveitando para uns ataques a Ventura que este obviamente muito agradecerá.
A curiosidade é saber se irá a votos mas só não o fará se à esquerda aparecer um qualquer "Sampaio da Nóvoa" que permita ao candidato do partido desistir sem perder a face.
O BE terá candidato, ou candidata se Marisa Matias repetir a candidatura, que servirá para defender umas causas já conhecidas, segurar o eleitorado, ter tempo de antena e ir a votos.
O objectivo será evidentemente captar o voto de quem à esquerda não quer votar Marcelo nem no camarada que o PCP apresentar.
É uma estratégia já conhecida e com que o BE se tem dado bem.
Depois aparecerão os habituais candidatos "queijo da serra" com quem não vale a pena perder tempo porque para lá do cumprimento de um direito de cidadania não acrscentam nada à disputa.
Ficam apenas uma dúvida e uma certeza.
A dúvida é quem será a candidatura da chamada esquerda mais ou menos independente (Sampaio da Nóvoa, Ana Gomes, Carvalho da Silva, etc) que aparecerá para disputar votos com os candidatos do PCP e BE e que permita à ala esquerda do PS (aquela que só não está no BE porque lá não há poder) não votar Marcelo e tranquilizar a consciência votando em alguém de esquerda pura.
Não será também essa candidatura que tirará o sono a Marcelo embora possa pôr definitivamente em causa a tal percentagem histórica.
E depois a certeza.
A certeza de que à direita de Marcelo e à esquerda de André Ventura há um enorme espaço vazio.
Constituído pelos PSD que não querem votar Marcelo, pelos CDS que nem querem Marcelo nem Ventura, pelos votantes da Iniciativa Liberal e da Aliança que estão divididos sem qualquer entusiasmo entre Marcelo, Ventura e a abstenção, por socialistas moderados que não querem Marcelo mas também não querem o tal candidato da esquerda independente, por muitos abstencionistas em busca de causas para apoiarem e de candidatos em quem votarem.
E nesse enorme espaço há lugar para uma candidatura de ruptura.
Uma candidatura de alguém que seja novidade, que tenha um bom discurso, ideias inovadoras e relativamente ousadas, uma excelente imagem televisiva e pessoal, um trajecto profissional reconhecidamente de sucesso, que seja jovem e de preferência mulher.
E essa candidatura não ganhando as eleições presidenciais, como está bom de ver, teria excelentes condições para ganhar o futuro.
Depois Falamos

P.S. As minhas piores notas no Liceu foram sempre na disciplina de Desenho.
Por isso não valem a pena pedirem-me para fazer um...

domingo, abril 19, 2020

Futurologia

Nestes tempos de confinamento social em que a política parece ter hibernado, ora ao sabor do interesse do governo, ora conforme a vontade de trocar alternativa por colaboração, ora por outras razões que agora não importa especificar, é um tempo bom para reflectir sobre o que será o futuro dos partidos no pós pandemia.
À esquerda nada de novo.
O PS que merece dos portugueses, desde sempre, uma grande credulidade quanto às promessas e uma enorme tolerância quanto ao seu não cumprimento, "navega" em sondagens confortáveis e que mais milhão para os artistas, mais 15 milhões para a imprensa, mais outras inevitáveis benesses a grupos específicos lhe valerão umas autárquicas tranquilas em 2021 e umas legislativas previsivelmente satisfatórias em 2023 ou antes se António Costa o entender útil.
Á sua esquerda nada de novo também.
O PCP (ou CDU que é mais ou menos o mesmo) continuará com um pé dentro e um pé fora, resistindo ao seu maior adversário que é o passar do tempo e resignando-se à inevitabilidade de perder mais umas câmaras para os socialistas continuando a diminuição da sua expressão autárquica.
Mas resistirá. Pelo menos mais alguns anos.
O BE, que é uma espécie de Carochinha que se oferece a quase todos para casar mas quase nenhum a quer para mais do que namorar, e à distância que isto do confinamento às vezes dá jeito, continuará destinado a ser um partido de protesto, de algumas causas ditas fracturantes, entregue à demagogia das irmãs Mortágua, à verborreia daquela espécie de mascote que o lidera e a um ou outro dirigente mais susceptível de andar com os pés no chão da realidade.
Continuará a ser peça importante , à esquerda, do galheteiro em que Costa apoia a sua governação ( a peça à direita é o PSD que Costa usa quase exclusivamente para ameaçar os que estão á sua esquerda mas nada mais) mas está consciente que dificilmente chegará ao governo do país e menos ainda ao de qualquer autarquia porque nas 308 que o país tem não há uma que dê os seus votos maioritários aos bloquistas.
Uma que seja!
Nos partidos parlamentares há  depois aquele fenómeno moribundo chamado Livre cujo destino parece ser voltar rapidamente para um quase anonimato, do qual nunca devia ter saído, depois do monumental hara quiri chamado Joacine Moreira.
E portanto à esquerda reinará a tranquilidade no pós pandemia.
Eu sei que é injusto mas é a realidade.
À direita do PS é que as coisas mudam bastante de figura face ao que se tem vindo a passar desde as legislativas de 2015.
De lá para cá nada correu bem aos partidos não socialistas.
Correram mal as autárquicas de 2017, correram mal as europeias de 2019, correram mal as legislativas de 2019 e , tudo o indica, igualmente vão correr mal os próximos actos eleitorais de curto/ médio prazo.
Marcelo vai ser reeleito, é verdade, mas Marcelo hoje é tudo menos um candidato que faça o pleno do centro direita desagradado que este está com a forma como exerceu a presidência e colaborou , muito para lá do admissível, com o governo de Costa.
O PSD, mergulhado numa estratégia colaboracionista que ninguém lhe agradecerá pese embora as boas intenções de que se reveste, vai ter o primeiro impacto negativo já em 2021 quando as autárquicas se traduzirem por um reforço da já predominante posição autárquica do PS.
Não nas suas câmaras maiores porque não vejo Ricardo Rio perder Braga, Carlos Carreiras perder Cascais ou Rogério Bacalhau perder Faro (para citar uma do norte, outra da região de Lisboa e outra do sul) mas prevejo que nas médias e pequenas câmaras pode haver algumas perdas com significado que ainda fragilizarão mais o maior partido da oposição.
O que fará dele uma não alternativa nas próximas legislativas mesmo que a linha de rumo e os protagonistas sejam outros porque das perdas de agora não se recupera num passe de mágica nem num estalar de dedos.
O CDS, que saiu fortemente contundido das últimas legislativas, tem uma nova liderança,a que o país se tem mostrado algo indiferente, mas em bom rigor é outro que como o PSD caminha para mais um mau resultado eleitoral o que à sua dimensão corre o risco de ser francamente desolador.
O mesmo se pode dizer da Iniciativa Liberal.
Elegeu um deputado, é verdade, fruto da excelente comunicação (redes sociais e outdoors particularmente criativos) mas não existe como partido no todo nacional e está muito concentrado em Lisboa o que se notará nas próximas autárquicas de forma particular.
Poderá reeleger no futuro o deputado que tem, ou até mais um ou dois, mas por si só não deixará de ter de conviver com a sua pequenez.
O único que tem boas razões para estar contente, pelo menos por agora, é o Chega.
Elegeu um deputado que pese embora a sua solidão parlamentar tem sido o principal rosto da oposição ao governo e as sondagens indicam que isso tem sido reconhecido pelos portugueses dado apresentarem um crescimento contínuo das suas intenções de voto.
Claro que esse crescimento traz riscos associados e o partido já estará a dar por ela disso com o despertar de muitas e variadas ambições em seu torno que levaram inclusivé André Ventura a demitir-se para impor uma clarificação.
Se tiverem o bom senso de não matarem a "galinha dos ovos de ouro" o Chega poderá crescer exponencialmente nas próximas legislativas e ambicionar a formação de um sólido grupo parlamentar em 2023. Nas autárquicas é que não me parece que vá ter grande sucesso. A seu tempo se verá.
Não é um partido parlamentar mas a Aliança também entra nesta análise e adiante se perceberá porquê.
A Aliança teve um 2019 particularmente diverso.
Começou muito bem com a realização do seu primeiro congresso, cuja dimensão e espectacularidade não receiam comparações com os do PSD ou do PS, continuou bem com o estabelecimento rápido de estruturas em todos os distrito do país e nas regiões autónomas, criou expectativas de bons resultados nos actos eleitorais do ano.
Correram mal.
As europeias não elegeram Paulo Sande, pese embora a excelência do candidato e da lista, as regionais da Madeira correram muito abaixo do esperado e traduziram uma primeira fuga de votos em relação às  europeias e as legislativas foram um brutal banho de água fria não elegendo deputados nem sequer atingindo uma votação equivalente à das europeias com todas a consequências daí advindas.
Num partido que tinha uma implantação e organização  nacional superior a Chega, Livre , Iniciativa Liberal e até PAN.
Aqui chegados vamos então à futurologia.
Creio que os os próximos anos trarão um PS a caminho da hegemonia, um BE relativamente tranquilo, uma CDU a resistir e um Livre a desaparecer no que à esquerda toca.
Mais detalhe menos detalhe as coisas andarão por aí.
O PSD continuará a ser o segundo partido mas cada vez mais longe do primeiro e nem nas mais optimistas previsões capaz de voltar a ganhar umas eleições nacionais sozinho.
Perderá dimensão nacional, verá reduzida a sua posição autárquica, encontrar-se-à na maior encruzilhada da sua História desde 1978 quando forças diversas o quiseram reduzir a um pequeno partido. Mas em 1978 tinha Francisco Sá Carneiro. Agora não tem. Nem nada que , ainda que remotamente, se pareça.
O Chega continuará a crescer (se não fizer disparates) e será no curto/médio prazo um partido com dimensão nacional e um grupo parlamentar relativamente numeroso. Para ele o futuro promete ser radioso.
CDS, Iniciativa Liberal e Aliança terão forçosamente de se entenderem.
Aproveitando a dimensão, passado histórico e representatividade autárquica do CDS , a excelente comunicação  e algumas das suas boas  propostas da IL e a implantação nacional , os quadros de valor que a Aliança tem em todos os distritos do país bem como o valioso conjunto de ideias que produziu neste ano e meio de vida.
Se esse entendimento passará por uma coligação , por uma fusão dos três num partido de ideologia liberal, ou por uma coligação seguida de fusão isso é prematuro saber-se.
Penso é que é urgente fazer-se.
Para oferecer uma alternativa política sólida e com potencial de crescimento quase ilimitado a todo o eleitorado, e é muito, que está hoje descrente do PSD, nunca acreditou no PS e não quer apoiar a direita representada pelo Chega.
Se os três partidos quiserem entender-se, e entender-se depressa, creio que Portugal lhes agradecerá nas urnas de forma progressivamente significativa.
Se preferirem ficar-se pela medição dos umbigos, por distanciamentos ideológicos sem sentido dada a irrelevância de quase todas as diferenças, por aquele "clubismo" que faz sentido noutros lados mas na politica cada vez menos então o "agradecimento" de Portugal será manifestado de outra forma.
Fazendo-os desaparecer do mapa político.
Um, depois outro, outro ainda a seguir.
Mas todos!
Depois Falamos.

P.S. Os mais atentos terão reparado que não analisei o PAN. Defeito meu que não consigo olhar para "aquilo" como um partido normal. Pelo que tanto poderão ter vida longa como desaparecer numa próxima eleição. Dependerá de como estiverem certas modas.

Candeeiros


Lagarto


Castelo de Montalegre


O Concorde e Eu

Gosto imenso de viajar.
Ao ponto de dizer que uma das principais razões pelas quais deve valer a pena ser rico (infelizmente não tenho essa excelente experiêvia) é ter a disponibilidade material para viajar pelo mundo, conhecer tudo aquilo que nos apetece e aumentar o conhecimento sobre este planeta em que todos vivemos.
Gostando de viajar, gosto também, de viajar de avião.
Que não nos permitindo disfrutar dos tipos de conhecimentos que outros meios de transporte facultam, das paisagens à gastronomia dos locais, tem a vantagem de nos permitir chegar mais depressa aos destinos que escolhemos para visitar.
Em quase quarenta anos a viajar de avião tenho a sorte de nunca ter apanhado um susto daqueles que a alguns retira qualquer vontade de voltarem a entrar nesse meio de transporte.
Diria até que o mais parecido com um susto que tive foi uma suspeita de bomba numa viagem de Zurique para Budapeste (mas com o avião ainda em terra) , uma aterragem no Porto vindo do Funchal com um temporal que abanava o avião todo e , claro, a primeira viagem à Madeira em 1987 e respectiva aterragem na pista de então que era muito mais curta que a actual.
A aterragem mais brusca de que me lembro.
Tudo isto para dizer que há um sonho de viagem de avião que nunca cumprirei com grande pena minha.
Viajar no Concorde.
Infelizmente um avião já reformado, o que impossibilita de todo a tal viagem, e que admiro desde a primeira imagem que dele vi décadas atrás momento em que nasceu o sonho de nele um dia poder viajar.
Curiosamente nestes anos todos de viagens e aeroportos só por uma vez vi o Concorde "ao vivo".
Foi no aeroporto John F. Kennedy em Nova Iorque, nos anos 80, e o avião em que viajava desde Lisboa (um Lockeed Tristar da TAP) estacionou numa manga ao lado da qual, noutra manga, estava um Concorde da British Airways.
Foram uns minutos de silenciosa admiração e o redobrar do desejo de um dia poder viajar no avião da manga ao lado.
Não acontecerá.
Depois Falamos.

25 de Abril

Quero crer que a grande maioria dos portugueses, diria até a esmagadora maioria, tem uma imagem positiva do 25 de Abril e nele reconhecem o momento em que Portugal conquistou a Liberdade e a Democracia.
Pese embora a Democracia plena só tenha sido alcançada com outro 25. O de Novembro.
É também essa a minha opinião porque à data e aos capitães que a fizeram, dos quais a figura maior é Salgueiro Maia, reconheço uma importância decisiva para termos o Portugal que hoje temos e que é indiscutivelmente melhor que aquele que tínhamos em 1974.
Por isso enquanto deputado à Assembleia da República nunca faltei a uma comemoração lá feita do 25 de Abril, por isso enquanto membro da Assembleia Municipal de Guimarães participei em várias cerimónias comemorativas tendo por mais que uma vez usado da palavra em representação do PSD.
Dito isto considero que hoje haver muita gente a criticar as comemorações do 25 de Abril no Parlamento não significa que elas (pelo menos na sua enorme maioria) sejam contra o 25 de Abril propriamente dito mas apenas que discordam de em tempos de estado de emergência, com a vida de todos tão severamente condicionada, a Assembleiea da República pela votação maioritária dos partidos de esquerda teime em fazer uma comemoração que é precisamente o contrário daquilo que se pede aos cidadãos.
Que é o ficarem em casa.
Porque se aos portugueses se veda, por razões compreensíveis,a vida social, a participação em actos de culto, a realização de festas de  casamento, a ida aos funerais de entes queridos, a visita a idosos em lares e a doentes em hospitais e tantas outras coisas que fazem parte da normalidade dos dias sem pandemia, porque razão se juntarão umas centenas de pessoas no Parlamento para umas comemorações que, com bom senso e respeito pelas leis que devem ser para todos (ironicamente são lá que elas são feitas), podiam perfeitamente ser feitas doutra forma neste ano tão diferente.
O que está em causa não é deixar de comemorar o 25 de Abril.
Era comemorá-lo, este ano em função das circunstâncias, de uma forma que fosse um bom exemplo para o país e não o triste exemplo que o Parlamento vai dar com comemorações impostas pela maioria de esquerda.
Pode dizer-se, sem receio de erro, que a teimosia insensata de realizar a tradicional comemoração parlamentar prestou um péssimo serviço ao 25 de Abril.
Precisamente por aqueles que se acham os donos da data, para não dizer da democracia e da liberdade também.
Depois Falamos.

sexta-feira, abril 17, 2020

Lua


Castor


Farol


Memória

Vamos ter memória?
Ok, vamos lá então. 
Em 2011 o Parlamento tinha sido dissolvido e estavam marcadas eleições para 5 de Junho.
Não se pôde, portanto, realizar lá a tradicional cerimónia comemorativa do 25 de Abril. 
Ficou a data por celebrar condignamente?
Não. 
O Presidente Cavaco Silva convidou os ex Presidentes Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio para uma cerimónia no Palácio de Belém na qual os quatro discursaram.
Foi uma cerimónia bonita, com grande dignidade e o país gostou de ver os quatro presidentes eleitos a celebrarem conjuntamente o 25 de Abril. 
Não teria sido difícil este ano fazer qualquer coisa do género. 
Que comemorasse a data, respeitasse o estado de emergencia e desse um bom exemplo ao país.

Brincadeira

Estou-me marimbando para as prioridades eleitorais do senhor Presidente da República.
Votei nele em 2016, não votarei nele em 2021, espero que cumpra o que lhe falta de mandato com a dignidade possível (pelas muitas amostras não vai ser fácil...) e se continuar na presidência a responsabilidade será de outros que não minha!
O meu voto não o ajudará alcançar a tão ambicionada percentagem superior à de Mário Soares em 1991 de certeza absoluta.
Tenho alguma pena, desde logo por alguma simpatia pessoal pelo cidadão Marcelo Rebelo de Sousa, porque isso significa que do meu ponto de vista foi um Presidente que não cumpriu as expectativas daqueles que o elegeram.
Por muitas razões, ao longo destes mais de quatro anos, que seria fastidioso estar a enumerar agora porque numerosas  mas se alguma dúvida tivesse o documento que prorrogou por mais quinze dias o estado de emergência seria a gota que faria transbordar o copo.
Porque quando se prolonga um estado de emergência mas se prevê uma excepção para fazer a vontade à CGTP, que quer festejar o 1 de Maio como se vivessemos num país sem pandemias (a brutal irresponsabilidade da CGTP nem comento porque dali nunca se pode esperar nada em termos de bom senso), isso mostra uma atitude impregnada de eleitoralismo num constante piscar de olho à esquerda cujos votos não quer perder.
Mas demonstra também um enorme desprezo pelos profissionais de saúde que há meses  arriscam a vida, pelos profissionais de vários ramos  que diariamente correm riscos de infecção para assegurarem serviços e fornecimentos vitais, pelas empresas, empresários e trabalhadores com a actividade suspensa e sem saberem qual o futuro, pelas famílias separadas pela pandemia , pelos idosos em lares sem visitas há mais de um mês, por todos os portugueses que estão fechados em casa há semanas respeitando as regras do estado de emergência com os inerentes prejuízos profissionais, pessoais e familiares.
Já todos conhecemos, de há muitos anos, a disposição para a brincadeira do senhor Presidente da República e em especial se a brincadeira for em conluio com o governo como tantos exemplos bem ilustram. Este documento e este estado de emergência a "brincar" é apenas mais um.
Não quero para o meu país um Presidente assim.
E por isso não votarei nele.
Depois Falamos.

P.S. Como é evidente a crítica que faço ao Presidente é extensível ao governo e aos partidos que no Parlamento aprovaram a extensão do estado de emergência com essa vergonhosa cláusula.
Em bom rigor estão todos muito bem uns para os outros.