terça-feira, dezembro 22, 2020

Estação de Lourenço Marques, Moçambique

Classe

 Quando se coemçou a falar da sua vinda para o Vitória foram muitos os que não acreditaram, alguns os que se riram da hipótese e em boa verdade terá sido uma pequena minoria a acreditar que Ricardo Quaresma vestiria a camisola branca e os calções pretos do Vitória.
Pese embora os seus trinta e seis anos (à data da assinatura do contrato) tratava-se de um jogador com um curriculo espectacular no qual constavam , a par de outros troféus menos relevantes, quatro títulos de campeao em Potugal, dois em Itália, dois na Turquia, taças dessses países, uma taça de Inglaterra, uma Liga dos Campeões, uma taça intercontinental e um Europeu com a selecção portuguesa pela qual já jogou oitenta vezes.
Nunca no Vitória tinha jogado alguém com curriculo sequer comparável.
A verdade é que veio!
E desde o primeiro momento, na sua famosa apresentação entrando a cavalo no paço dos Duques de Bragança, se percebeu que o seu compromisso com o Vitória era total e que vinha para vencer.
Claro que ainda apareceram alguns adeptos do Vitória a desconfiarem da "fartura" ,receando que viesse para uma reforma dourada sem grande empenho nos jogos, enquanto adeptos de outros clubes para onde foi falada a sua ida vinham com o despeito destas ocasiões dizer que pouco ou nada iria jogar e que vinha por pouco tempo e apenas para ganhar dinheiro.
Enganaram-se!
Porque Quaresma tem jogado sempre, muitas vezes bem e algumas muito bem, não regateia esforços quando está no relvado nem apoio quando no banco incita e apoia os colegas  e vê-se nele a atitude de um "menino" que está a começar a carreira e tem uma sede insaciável de vencer.
E depois é aquela classe que nos encanta.
Os cruzamentos que são meio golo, as trivelas que são sua marca registada, os dribles a partir rins aos defesas, as assistências de enorme qualidade, os pequenos pormenores que revelam uma técnica fora de série, toda uma classe que o mundo do futebol já conhecia e continua intacta para satisfação dos vitorianos, de João Henriques e do presidente que apostou na sua contratação.
Ontem nos Açores foi eleito o home do jogo.
Porque marcou o seu primeiro golo pelo Vitória num lance em que está lá o grande Quaresma de sempre, fez duas assistências para golos de André André e Estupinân, e teve um conjunto de jogadas que mereciam muito mais que público televisivo.
E essa é mesmo a única tristeza associada à vinda de Ricardo Quaresma para Guimarães e para o Vitória.
O não ter sido ainda possível jogar num D.Afonso Henriques repleto de vitorianos que certamente lhe prestariam o justo tributo pelo seu grande futebol e pelo excelente percurso desportivo e mediático que está a fazer no clube.
É doloroso ter um jogador assim no clube e só podermos vê-lo na televisão.
Pode ser que 2021 traga boas notícias nessa matéria.
Depois Falamos.

Cabo

Penso que o nosso engenheiro Fernando Santos, até porque a FPF lhe pagará algo mais do que o salário mínimo, terá em casa televisão por cabo para poder acompanhar os muitos e bons futebolistas portugueses que estão espalhados pelo pais (cada vez menos) e pelo mundo (cada vez mais) de molde a poder seleccionar com o máximo de critério.
E por isso acredito que para lá da Benfica Tv e da Eleven, assinante das quais é pela certa, também terá a sport-tv mais que não seja para ver os que actuam em Inglaterra e em Itália.
Por isso tenho a esperança, não muita mas é a que se arranja, que um destes dias arranje uns minutinhos para dar uma espreitadela a uma equipa do nosso campeonato que não joga nas competições europeias mas discute jogos e classificações com as que por lá andam pese embora acabar jogos com uma equipa com média de idade inferior a 22 anos.
E se esse dia chegar atrevo-me a sugerir que repare em jogadores que bem merecem: Bruno Varela, Jorge Fernandes e Ricardo Quaresma que jogam que se fartam e não temem comparações com alguns que são "clientes" habituais das suas convocatórias.
E se ver em simultâneo três jogadores desse clube não for esforço que o fatigue em demasia atrever-me-ia a sugerir que no seu caderno de apontamentos tomasse nota do nome , não para já mas para um futuro próximo, de um jovem que tem tudo para vir a ser um grande jogador.
Chama-se André Almeida, tem 20 anos, e joga com a classe e a sabedoria de um veterano.
Vai ver que não se arrepende.
Espero é que dessas observações não surja o velho problema do "...e quem tiro...?" porque ainda nos lembramos como o resolveu com o André André e francamente dispensamos repetições dessa "receita".
Depois Falamos

Pirâmides do Egipto

Gineta

Farol de Madang, Nova Guiné


 

O Nosso 16

 A  uma equipa que terminou o jogo com uma média de idades de 22 anos não se podia pedir mais nem melhor do que aquilo que ela rubricou nos Açores com um triunfo absolutamente convicente, por quatro golos sem resposta,  confirmando as boas exibições anteriores face a Benfica e a este mesmo Santa Clara.
Hoje a equipa aliou a sua fantástica eficácia defensiva (um golo sofrido em cinco jogos fora) a uma capacidade goleadora que tem tudo a ver com a utilização (finalmente!!!) de Óscar Estupiñan , o grande momento de forma de Ricardo Quaresma e a clara melhoria do processo de jogo da equipa.
Individualmente:
Bruno Varela: Uma noite sossegada em que até teve tempo para defender uma grande penalidade que o árbitro, estranhamente, mandou repetir mas sem o marcador obter sucesso atirando para fora.
Sacko: Bem a defender e muito frequente nas subidas pelo corredor combinando bem com Quaresma.
Jorge Fernandes: A classe habitual na liderança da defesa. Por ali não passou ninguém.
Mumin: A exemplo do colega do lado uma exibição em que chegou para todas as encomendas.
Mensah: Chamado á última hora, por lesão de Sílvio no aquecimento, cumpriu sem problemas. Bem a defender mas menos afoito que Sacko a atacar o que se compreende perfeitamente até porque o adversário atacou mais pelo seu lado.
Pepelu: Foi o primeiro pivot das saídas para o ataque e proporcionou sempre boa circulação de bola e uma eficaz cobertura aos adversários. Boa exibição.
André André: Regressado após dois jogos de ausência esteve em bom plano abrindo o marcador e marcando o ritmo de jogo a meio campo. Fez a assistência para o terceiro golo. Muito bem.
André Almeida: Está a tornar-se num "box to box" extremamente eficaz levando a equipa para o ataque, distribuindo jogo, marcando os adversários e tentando o remate. Para mim formou com Quaresma  e Estupiñan o trio dos melhores vitorianos neste jogo.
Quaresma: Que grande jogo fez o extremo vitoriano. Duas assistências perfeitas, um golo de grande categoria, vários cruzamentos perigosos e uma enorme demonstração de classe num jogo em que demonstrou que ainda é dos melhores extremos do futebol português. 
Estupiñan: Pois é. Três jogos, quatro golos e a certeza de que o Vitória encontrou o ponta de lança que lhe pode dar muitos golos e muitos motivos de alegria. É um goleador mas também um jogador que sabe segurar a bola, pisar perfeitamente os terrenos do ponta de lança, complicar a vida aos defesas pela forma como os pressiona. Hoje fez dois golos "à matador" e tem tudo para se tornar o próximo de uma lista de grandes goleadores que se tornaram ídolos dos adeptos vitorianos. E cabe deixar aqui uma pergunta que nunca terá resposta; onde poderia o Vitória estar se Estupiñan jogasse desde Setembro em vez de ser dispensado, posto a treinar à parte e só agora recuperado por João Henriques numa decisão que prestigia o técnico? Pois...
Rochinha: Preocupado em ajudar Mensah a defender viu-se muito pouco em acções ofensivas num jogo em que terá sido o mais discreto dos vitorianos. 
Foram suplentes utilizados:
Miguel Luís: Rendeu André André e integou-se no colectivo sem destaques.
Edwards: Procurou agitar o jogo mas estava tudo resolvido e o relvado não ajudava.
Janvier: Rendeu Rochinha mas sem oportunidade para brilhar.
André Amaro: Aos 18 anos teve uma estreia que não esquecerá. Bem andou João Henriques em dar a oportunidade a este jovem oriunda da formação e que tem evoluido na equipa B.
Bruno Duarte: Sem tempo para grandes destaques.
Não foram utilizados.
Trmal, Poha, Holm e Sílvio que se lesionou no aquecimento.
 O Vitória dá a clara sensação de ser uma equipa a entrar em velocidade de cruzeiro com os jogadores perfeitamente identificados com as ideias do treinador e este a utilizar inteligentemente todos os recursos que tem no plantel com destaque, é justo repeti-lo, para a chamada de Estupiñan à primeira equipa retirando-o de um injusto,incompreensível e inacreditável estatuto de dispensado.
Vem aí o jogo com o Porto, que será sempre um excelente teste à equipa, e depois um mês de Janeiro do qual se espera que seja mais um passo na afirmação da candidatura aos lugares europeus, ou seja, que faça corresponder os resultados desportivos à capacidade de usar a janela de mercado para reforçar a equipa.
Sendo que reforçar pode ser, no mínimo, não mexer no actual plantel em termos de saídas dos seus principais jogadores.
Depois Falamos.

segunda-feira, dezembro 21, 2020

Natal Feliz

Não tenho qualquer dúvida que o Natal dos vitorianos vai ser mais feliz depois desta noite açoriana em que a equipa foi simplesmente arrasadora e goleou um adversário que que nunca teve andamento nem categoria para travar a equipa do Vitória que passou pelos Açores como um autêntico anticiclone.
Em bom rigor as razões para o contentamento dos adeptos, por paradoxal que pareça, já tinham algumas raizes em duas derrotas(!) recentes mas em que já se percebera que havia uma equipa a engrenar, a jogar melhor e a que apenas faltava poder de concretização para traduzir em golos o jogo jogado.
Fora assim apenas oito dias atrás quando em Guimarães fora derrotado por este mesmo Santa Clara num resultado injusto porque o Vitória dominou, jogou bem a largos espaços mas sem conseguir o golo e foi assim na Luz cinco dias atrás em que o Vitória marcou cedo e se deixou dominar mas mantendo sempre o controle do jogo e apenas num penalti "à padre" o adversário chegou a uma igualdade que não mereceu e logrou um apuramento que devia ter sido do oponente.
Hoje  o Vitória mantendo a sua fantástica segurança defensiva (um golo sofrido em cinco jogos fora é obra), que até passou por Bruno Varela defender um penalti que o árbitro resolveu mandar repetir com remate desta feita para fora,  soube controlar o jogo a meio campo com belas exibições do seu trio de médios e na frente a magia de Quaresma aliada à eficácia de Estupiñan arrasaram a defesa do Santa Clara e construiram uma justa goleada que até podia ter sido maior.
Há a clara sensação de uma equipa a entrar na sua velocidade de cruzeiro que finalmente consegue aliar a capacidade goleadora à eficácia defensiva e solidifica desta forma o seu nível exibicional e a candidatura a um lugar europeu.
Individualmente falarei noutro texto mas é impossível não destacar  a soberba exibiçãode Ricardo Quaresma com um excelente golo e duas assistências, a classe de Estupiñan que veio dar à equipa uma capacidade goleadora que ela não tinha e a forma como André Almeida se está a tornar num "box to box" de grande categoria.
Vamos ter um Natal mais feliz enquanto vitorianos.
E quem sabe ainda outra alegria antes do Ano Novo.
Depois Falamos.

Escritório

A jornada que hoje termina com o Santa Clara-Vitória foi mais um fim de semana no escritório dos clubes que mandam no futebol português, na comunicação social nacional e muito em especial nos comentadores televisivos nos quais um tal Pedro Henriques na sport-tv assume, com destaque,  o desprezível papel de voz do dono!
Todos jogaram, todos ganharam, todos foram ajudados de forma clara pela arbitragem perante o silêncio cumplice na esmagadora maioria dos casos daquele que andam sempre de olho arregalado quando se trata de outros clubes.
Em Alvalade  e perante um 0-0 que punha em perigo o magno objectivo de o Sporting passar o Natal em primeiro lugar (quase vinte anos à espera) o apitador de serviço lá marcou um penalti salvador aos 89 minutos num lance em que de facto há grande penalidade mas não a que ele marcou. Pelo caminho ainda expulsou o guarda redes do Farense sem motivo para tal.
Em Barcelos o "ferrari vermelho" ( no cartão de cidadão está escrito Nuno Almeida) não enjeitou a possibilidade de ser útil ao seu clube  usando dois critérios disciplinares bem distintos e permitindo que a escola de cotoveladas que Ruben Dias deixou instalada no Benfica tivesse mais uma aplicação prática desta vez através de Gilberto que agrediu o adversário num lance de claro cartão vermelho mas escapou com o amarelo e o "ferrari" quase pedia desculpas de tanto rigor.
O que permitiu ao seu (dele, "ferrari") querido clube jogar a segunda parte em vantagem numérica e fazer os golos que até então não tinha feito.
No Dragão com o Porto a vencer por 1-0 no lance em que a equipa da casa faz o segundo golo há uma clara falta  de Diogo Leite sobre Riascos no início da jogada que árbitro e VAR não quiseram ver e permitiu que o golo subisse ao marcador.
Dirão aqueles que de forma mais fanática apoiam esses clubes que venceriam de igual forma sem os erros dos árbitros.
Pois, é isso mesmo que todos que não são adeptos desses clubes gostariam de saber.
Se sem os árbitros a ajudá-los venceriam tantas vezes.
Eu tenho a certza que não.
Depois Falamos.

domingo, dezembro 20, 2020

Lago Bled, Eslovénia

Manama, Bahrein

Lince

Líder

Costuma-se dizer que não é líder quem quer mas quem pode e sabe.
Desde que deixou a liderança do PSD e renunciou ao mandato de deputado o cidadão Pedro Passos Coelho tem mantido um grande distanciamento do palco político e mediático, também por razões muito tristes da sua vida pessoal com o falecimento da mulher e de um irmão, ao qual apenas regressa de forma muito esporádica e com significativos espaços temporais.
Recordo a participação numa iniciativa da JSD como exemplo disso e mais uma outra aparição sempre seguidas ao regresso à discrição da sua vida profissional e familiar que nesta fase do seu percurso são a sua prioridade primeira.
Acontece é que quando vem a público exprimir opiniões tem uma repercussão e um impacto que líderes políticos que falam todos os dias, da direita à esquerda, não conseguem nem para lá caminham por mais que nesse sentido se esforçem.
E a razão é muito simples.
Pedro Passos Coelho fala com a autoridade de quem sabe o que diz e com o prestígio que lhe advém de ter governado com coragem, eficácia e patriotismo numa das fases mais difíceis da vida de Portugal enquanto país.
E por isso as suas intervenções tem um brutal peso político.
Porque mesmo os que não gostam dele, os que sonham todas as noites com os seu fantasma, os que não conseguem, por mais que se lhes ponham as evidências debaixo do nariz, reconhecer o seu notável trabalho em prol do seu país, os que lhe sucederam e sabem bem que qualquer comparação lhes será desfavorável, mesmo esses não ficam insensíveis ao que ele diz e aos caminhos que aponta.
Ser líder formal é ser eleito para um cargo. E muitos embora eleitos nunca o são.
Ser líder , de facto, é fazer com que vastas camadas dos seus compatriotas se revejam nas suas posições, apoiem as suas ideias, estejam dispostos a segui-lo no rumo que lhes apontar, lhe reconheçam a autoridade moral e política que advém da competência e honestidade com que exerceu cargos públicos.
É o caso de Pedro Passos Coelho.
Depois Falamos.

Os Choques do SEF

Até hoje não escrevi nada sobre o SEF (Serviço Estrangeiros e Fronteiras), pese embora ser o triste assunto dos últimos dias, porque quis perceber bem o que estava para lá do assassinato do cidadão ucraniano por funcionários de um serviço do Estado que se supõe ser de segurança!
Choca-me, como a qualquer pessoa, que um cidadão que não fez mal a ninguém seja morto da forma como o foi, com requintes de malvadez que remetem para uma criminalidade violenta que se supunha ser combatida e não praticada pelas forças de segurança.
Choca-me que pelos vistos as práticas que levaram a este assassinato sejam, ao que se vem sabendo, prática relativamente corrente naquele serviço praticadas sobre pessoas de várias nacionalidades que dele tem o azar de terem de se abeirar.
Choca-me que mesmo depois de tudo que se disse e escreveu sobre o assassinato do cidadão ucraniano se venha a saber que nos últimos dias continuaram a ser maltratadas pessoas que entraram em contacto com o SEF com um sentimento de impunidade por parte dos seus funcionários que é simplesmente assustador.
Choca-me que se não fora a reportagem do jornal "Público" todo este assunto continuasse abafado, e a ser tratado num sigilo que nos envergonha enquanto Estado de Direito, sem ninguém assumir responsabilidades e com governo e Presidente da República a ignorarem olimpicamente o assunto.
Choca-me e insensibilidade com que o Estado português se portou perante a família da vítima não tendo para com ela uma palavra, uma justificação, uma atitude que à posteriori e sem poder resolver o que já não tinha solução ao menos mostrasse dignidade, assumpção da responsabilidade e, já agora, que mostrasse que não somos um país de bandidos onde se mata por dá aquela palha ou mesmo sem palha nenhuma.
Choca-me que o médico que denunciou o caso ao Ministério Público tenha sido despedido do Instituto de Medicina Legal já depois de lhe ter sido chamada a atenção por causa da prontidão do seu relatório sobre o assunto.
Choca-me a forma como vários altos responsáveis do SEF se foram deixando estar, fazendo de conta que nada tinha acontecido e só se demitiram quando o assunto lhes rebentou nas mãos.
Choca-me que Eduardo Cabrita continue a ser ministro da administração interna.
Depois Falamos.