
O dia de hoje termina com a triste notícia do inesperado falecimento de Emílio Macedo da Silva.
Foi fundador e presidente de "Os Sandinenses", vice presidente e presidente do Vitória, presidente da Junta de Freguesia de S. Martinho de Sande e empresário reconhecido na área da construção civil.
Conheci o Milo (era assim que era conhecido) nos anos oitenta quando era autarca de freguesia e mantivemos uma relação cordial e amiga nos quarenta anos seguintes mesmo quando no Vitória estavamos em divergência que teve o seu ponto alto nas eleições de 2010.
Felizmente sempre soubemos separar a relação pessoal das divergências associativas ao ponto de mesmo após as referidas eleições me ter convidado para a direção, aquando da demissão do eng. Júlio Mendes, convite que não aceitei e ele percebeu perfeitamente as razões.
Foi um presidente a quem o Vitória deve muito.
Sendo certo que cometeu alguns erros graves que levaram à sua demissão em 2012 é igualmente verdade que teve a coragem de em 2007 pegar num clube à deriva e mergulhado em lugares do fundo da tabela na II divisão encetando uma recuperação épica que o levaria ao regresso à I divisão ao fim de um ano de "inferno" com a imprescíndível colaboração de Manuel Cajuda.
E se o Vitória não tem subido no ano a seguir à descida não se sabe o que lhe poderia ter acontecido.
Foi também o presidente daquele que foi até agora o último terceiro lugar no campoenato, o presidente que levou o Vitória à porta da fase de grupos da Liga dos Campeões (o roubo de igreja de Basileia não o permitiu) e o presidente que mais terá feito pelo ecletismo do clube.
Com ele o Vitória foi campeão nacional de voleibol masculino e ganhou a primeira taça de Portugal de basquetebol masculino entre outros triunfos menos mediáticos noutras modaliddes.
Recordo que em anos de luta pelo supremacia no voleibol entre Vitória e Sporting de Espinho, em que os jogos entre ambos eram sempre de especial intensidade no recinto e nas bancadas, um dia me pediu para organizar um almoço em Gaia entre ele e o responsável pelas modalidades no clube por um lado e um ex director do Sporting de Espinho (meu amigo e colega de trabalho na câmara de Gaia) e Miguel Maia o melhor voleibolista português de sempre com o objectivo de o trazer para o Vitória bem como mais dois ou três dos melhores jogadores do Espinho para tornar o Vitória o clube hegemónico do voleibol nacional.
Acabou por não acontecer mas não foi por falta de empenho de Emilio Macedo.
Talvez o presidente, repito, que olhou para as modalidades de forma mais ambiciosa percebendo a importância do ecletismo no clube.
Os seus anos finais no Vitória não foram felizes , com problemas financeiros e judiciais, mas honra lhe seja feita continuou a frequentar o estádio, a votar nas eleições, a acompanhar com interesse a vida do clube.
Falei com ele pela última vez há mais de um ano quando lhe telefonei (como fiz com Miguel Pinto Lisboa, Júlio Mendes e António Pimenta Machado e só não fiz com Fernando Roriz porque não consegui contactar) no dia em que apresentei a minha candidatura à presidência do clube e entendi ,por cortesia, dar conhecimento prévio aos ex presidentes do clube.
Conversamos com a cordialidade de sempre e até falamos de um almoço que infelizmente já não se realizará.
De Emílio Macedo da Silva guardarei sempre a imagem de um homem bom e amigo dos seus amigos.
Que descanse em paz.
Depois Falamos.
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