A apresentar mensagens correspondentes à consulta Francisco Martinho ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Francisco Martinho ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, setembro 09, 2020

Francisco Martinho

Soube da triste notícia quando, em viagem, recebi via WhatsApp a mensagem de um amigo a comunicar-me que tinha falecido o nosso comum amigo Francisco Martinho.
Embora não totalmente surpreendido, porque sabedor dos problemas de saúde que o apoquentavam, foi um choque brutal o desaparecimento de um amigo de mais de quatro décadas e com quem mantive inúmeras horas de conversa, quer pessoais quer telefónicas, ao longo de todo esse tempo.
Conheci Francisco Martinho em 1975.
Era ele, como foi durante mais de trinta anos, o responsável pela sede e secretaria do PSD de Guimarães onde ao longo dessas décadas passava as noites de segunda a sexta feira terminado o seu dia de trabalho como chefe de secretaria do Lar de Santa Estefânia.
E desde logo, desde esse tempo tão remoto, identificamos pontos de interesse comuns e que ambos partilhavamos com fervor.
O andebol, modalidade a que ele dedicou boa parte da vida associativa( tendo sido o fundador da secção de andebol do Vitória) e eu fui praticante da mesma, Guimarães a nossa Terra e o PSD partido em que estive desde 1975 até 2018 e ele serviu durante grande parte da sua vida sem nunca ter sido militante.
Mas acima disso, bem acima de tudo isso, o Vitória Sport Clube!
Uma paixão que o acompanhou toda a vida, uma causa pela qua muito lutou e muito escreveu na imprensa local, um clube que conhecia e de que falava com uma sabedoria de que muito pouco se poderão orgulhar.
Com ele aprendi muito sobre o nosso clube.
Recordarei sempre muitas dessas conversas tidas nas duas sedes do PSD na praça do Toural.
Onde ele passava, como já atrás disse parte da noite, tratando do expediente do partido num tempo em que sem internet (à qual nunca se converteu), sem computadores nem impressoras, sem telemóveis, todo o trabalho dava mais trabalho ainda porque tudo era feito à mão e a simples comvocatória de um plenário demorava semanas a preparar porque eram feitas por carta individualizada, as cartas tinham de ser metidas em envelopes, nos envelopes era preciso colar as etiquetas e por aí fora numa "mão de obra" que as novas gerações nem imaginam.
E em muitas dessas noites enquanto alguns voluntários ajudavam a tratar do expediente formavam-se animadas tertúlias onde o assunto não era a política (embora estivessemos na sede de um partido) mas sim o Vitória e os seus assuntos mais mediáticos com debates bem animados e bastas vezes...acalorados.
Noutras noites, quando a disponibilidade mo permitia, passava pela sede apenas e só para conversar com ele, no sossego de uma conversa a dois, e "bebia" muitos dos seus ensinamentos, memórias e perspectivas de futuro quanto ao clube que era , a seguir à família, aquilo a que ele seguramente dedicava mais atenção e mais carinho.
Durante mais de quarenta anos foi assim.
Na sede do PSD, quando nos encontrávamos na rua ou no estabelecimento comercial do meu Pai onde ele passava quase todos os dias, na rua da Raínha perto do "Chico das Novidades" onde ele gostava de estar ao final da tarde a falar com amigos...sobre o Vitória , em todo o lado onde nos encontrássemos o assunto era sempre esse. Vitória!
Depois por razões da vida de cada um, especialmente da minha, fomos-nos encontrando menos vezes mas havia sempre um telemóvel (a que ele se converteu tarde) para ir actualizando a conversa e as novidades sobre o nosso clube.
Nos últimos anos, já ele reformado da sua actividade profissional no Lar de Santa Estefânia e da secretaria do PSD (onde continuava a ir, agora de manhã, para dar apoio às pessoas que lhe sucederam na secretaria mas também porque havia um vinculo afectivo que quis manter) criamos um hábito regular que era o da conversa das segundas feiras de manhã para falarmos do jogo do Vitória no fim de semana anterior e escalpelizarmos o resultado, a táctica, as substituições e tudo o mais que envolve um jogo de futebol.
E todas as segundas feiras, por volta das onze horas, telefonávamos um ao outro para uma meia hora de conversa (às vezes bem mais se o jogo tinha corrido mal...) que nos dava um enorme prazer e era o renovar semanal de uma velha e consistente amizade.
São muitas as memórias dessas conversas. Muitas e inesquecíveis.
A pandemia veio de alguma forma suspender isso.
Não havia jogos e por isso falamos menos vezes.
Das últimas vezes que tentei contactá-lo já não foi possível e amigos comuns deram-me conhecimento do agravamento do seu estado de saúde.
Hoje foi o desfecho que se temia mas também se adivinhava.
Francisco Martinho foi um grande vimaranense e um grande vitoriano que deixou uma marca profunda na sua terra, no seu clube , na imprensa local onde colaborou durante muitos anos, nas instituições que serviu e em todos quandos tiveram a sorte de serem seus amigos.
Pessoalmente recordá-lo -ei sempre como um amigo que me transmitiu valores, ensinamentos, paixão pelas causas, que nunca esquecerei.
Foi ele que me incentivou, há mais de trinta anos, para começar a escrever para a imprensa regional sendo um leitor atento desses textos como mais tarde se tornou também um leitor do meu blogue "Depois Falamos" através dos prints que lhe faziam chegar porque internet não era de facto com ele.
Quantas vezes me telefonava para falar sobre este ou aquele texto, elogiando ou fazendo reparos, mas sempre com uma amizade e uma postura construtiva que me deixavam sensibilizado.
Não me esquecerei nunca do que me ensinou sobre o Vitória como não esquecerei os sonhos que partilhavamos para o nosso clube (que ele infelizmente já não verá cumpridos na sua vida terrena)
e que acredito um dia serão realidade.
Se há texto que me custou a escrever e que não gostaria de escrever nunca foi este.
Ainda por cima já não está cá, para entre duas baforadas do seu inseparável cigarro me dar a sua opinião, o meu amigo Francisco Martinho.
Depois Falamos.

quinta-feira, fevereiro 25, 2021

Angústia

A angústia referida no título deste texto nada tem a ver, é bom que fique claro, com a actualidade do clube, a equipa A, B ou sub 23, as modalidades, a pandemia que nos priva de  todos os bons hábitos vitorianos desde o ir ao estádio ver futebol até ao ir ao pavilhão ver as modalidades ou participar em assembleias gerais passando pelo ir  às piscinas municipais ver o pólo aquático.
Isso, bem como a situação financeira do clube da SAD agravadas pela pandemia, são preocupações mas não são angústias e espero que nunca o venham a ser.
A angústia tem a ver com o clube em si no âmbito da sua história quase centenária e considerando aquela que é mais antiga e principal modalidade que nele se pratica, ou seja, o futebol.
Conheço o Vitória, balizando esse conhecimento com a primeira vez que o vi jogar algures entre 1964 e 1965 numa partida face ao Porto disputada na Amorosa, vai para 56 anos.
Conheci-o como todos os vitorianos da minha geração, e de outras, frequentando a "universidade" da Amorosa ao sábado á tarde para ver as "reservas" , ao domingo de manhã para ver iniciados, juvenis e juniores e ao domingo à tarde indo ao estádio municipal ver a primeira equipa.
Pontuado com deslocações a jogos fora a que era levado pelo meu Pai e pelos seus amigos que seguiam o Clube um pouco por todo o lado.
Braga, Santo Tirso, Póvoa de Varzim, Coimbra, Aveiro, Porto (Antas), Tomar, Matosinhos são algumas deslocações de que me recordo nesses já longinquos anos 60 e princípio da década de 70 e nas quais tive oportunidade de ver o Vitória extra muros.
Depois fiz o meu percurso vitoriano.
Espectador assiduo nos jogos em casa e nalguns fora, colaborador do extinto jornal "Vitória", membro da mesa da Assembleia Geral, Presidente da comissão organizadora da comemoração dos 75 anos do clube, director, secretário geral e vice presidente para o futebol e modalidades foi todo um percurso que me permitiu conhecer profundamente o clube e a realidade vitoriana.
E a par disso conhecer muitos vitorianos que muito me ensinaram sobre o que é o nosso clube.
Já referi várias vezes que para lá do meu Pai e do meu Avô, primeiros mestres na Causa, tive cinco amigos que destaco entre todos porque com eles muito aprendi sobre o Vitória e já não estando no mundo dos vivos merecem ser sempre recordados porque foram cinco enormes vitorianos.
Hélder Rocha, Custódio Garcia, Lourenço Alves Pinto, Jorge Folhadela e o recentemente desaparecido Francisco Martinho que foi seguramente a pessoa com quem em toda a minha vida mais falei sobre o Vitória e de cujos telefonemas no dia seguinte aos jogos continuo a sentir uma falta e uma saudade sem remédio.
Mas tive também o prazer, a honra e a sorte de ter convivido, mais com uns do que com outros como é habitual, com grandes presidentes do nosso clube como o foram António Pimenta Machado (para mim o melhor Presidente de sempre), Fernando Roriz, Gil Mesquita, Egídio Pinheiro, o já referido Hélder Rocha e aquele a quem chamarei sempre o "meu" presidente  Antero Henriques da Silva Júnior.
O "meu" Presidente porque era ele Presidente quando o meu Pai me inscreveu como sócio e portanto foi sempre o meu primeiro presidente e uma pessoa pela qual sempre tive uma enorme consideração pessoal mesclada pela admiração pelo enorme vitoriano que foi.
E como eles conheci e convivi com outros dirigentes que ajudaram a que o Vitória fosse o que é hoje.
Dos quais não posso deixar de destacar o eng. José Arantes cujo papel na expansão patrimonial do clube foi absolutamente relevante.
Mas para lá de todos esses que atrás referi conheci e conheço muitos vitorianos que nunca passaram pelos orgãos sociais, ou ainda não passaram mas podem vir a passar, senhores de sólidas convicções vitorianas e possuidores de qualidades pessoais e competências profissionais que postas ao serviço do Vitória os poderiam/podem constituir em reais mais valias para o clube.
Bem como gente de gerações mais novas,muitas das quais conheço apenas das redes sociais,  que pelos seus escritos, pelas suas reflexões, pelas ideias que apresentam  mostram bem que a sucessão geracional está mais que assegurada e que o Vitória continuará a ter excelente "massa crítica" entre os seus adeptos.
E não posso deixar de incluir aqui, por mérito próprio, aqueles que no mundo político local serviram e servem a "Causa Vitória" dos quais destaco de forma absolutamente justa o nome de António Xavier que foi um Presidente de Câmara que só não fez mais pelo clube  porque não pôde(ou não o deixaram) e que tem um percurso vitoriano exemplar como adepto de toda a vida, atleta e dirigente.
Chegado aqui é tempo, então, de falar da angústia.
O meu avô morreu em 1985, o meu pai em 1990, os cinco amigos que referi morreram ao longo dos últimos vinte anos (Francisco Martinho o ano passado) , alguns dos presidentes que conheci também já não estão entre nós bem como outros dirigentes e outros vitorianos destacados.
E não estarei a exagerar se disser que todos morreram sem verem o seu grande sonho como  vitorianos cumprido.
Verem o Vitória sagrar-se campeão nacional de futebol!
Alguns nem na mais "bela tarde vitoriana" em 26 de Maio de 2013 puderam participar porque já não estavam entre nós.
O Vitória para o ano completará o seu primeiro centenário.
E para lá das comemorações, que serão naturalmente condignas e com a grandiosidade que o clube e a data justificam, será também um tempo( se assim o quisermos), daqui até lá, para uma reflexão conjunta de todos quantos temos neste fantástico clube a nossa maior Causa desportiva sobre as razões pelas quais continuamos tão longe de cumprir esse sonho de sucessivas gerações.
Porque razão um clube com uma massa adepta extraordinária, uma envolvência da comunidade inigualável e sem concorrência de emblemas forasteiros, que teve dirigentes de grande qualidade e dedicação, que tem adeptos com valor, com ideias, com capacidades, um clube que tem tudo para ser único neste país continua tão longe do grande objectivo.
Mais longe do que estava, por paradoxal que pareça, há vinte, trinta, quarenta ou cinquante anos!
Porque razão este clube continua a marcar passo, a alternar épocas em que o "gigante adomecido" parece despertar com épocas de profunda letargia, a adiar sucessivamente aquilo que devia estar cada vez mais próximo.
Porque razão clubes, próximos ou longinquos, que não tem o nosso historial nem as nossas condições brutais de crescimento, discutem posições connosco ou nos deixaram cada vez mais para trás ao longo dos ultimos quinze anos depois de longas décadas em que para nos verem tinham de olhar bem para cima.
O que falta ao Vitória para ser aquilo que pode ser?
Em que falhamos, não fomos competentes, não estivemos à altura do nosso nome, da nossa tradição e do nosso símbolo?
É a reflexão que vale a pena fazer. 
Pensar que Vitória queremos para os próximos cem anos, como o vamos construir, os passos que precisamos dar, os erros que temos de corrigir, a estratégia de crescimento sustentado que vamos adoptar, as opções desportivas , patrimoniais , associativas, financeiras  e comunicacionais que terão de sustentar esse crescimento são aquilo que considero fundamental ocupar o centro da nossa reflexão.
Porque o futuro que o nosso Vitória vai ter depende dos vitorianos de hoje.
Na minha família, em linha directa, somos cinco gerações de vitorianos.
O meu avô,  o meu Pai, eu, os meus filhos e a minha sobrinha e o meu neto.
Sei bem os valores vitorianos que recebi, sei bem o quão fidedigmamente os procurei transmitir, sei bem que a quinta geração também os está a receber.
E como na minha familia isso acontece em centenas, milhares de famílias vitorianas em que o Vitória é um membro querido do agregado familiar  em que a Causa passa de avôs para pais, filhos , netos e bisnetos.
A nossa responsabilidade e o nosso dever , dos que cá estamos hoje, é legar aos que vieram a seguir um Vitória maior e melhor, mais forte , mais competitivo, capaz de cumprir o sonho inatingido dos nossos primeiros cem anos.
E tal como o meu Avô , o meu Pai, e tantos vitorianos que referi neste texto sempre me disseram esse sonho pode ser uma realidade.
Depende de nós.
Da nossa vontade, do nosso querer, da nossa capacidade de nos unirmos em torno de um grande objectivo.
E se fizermos as coisas bem feitas acredito que o sonho se transformará em realidade.
Depois Falamos.

sexta-feira, janeiro 20, 2017

A Minha Tia

Tendo tido a sorte de ser filho e neto de vitorianos posso dizer com toda a propriedade que o Vitória Sport Clube faz parte da minha vida desde que nasci.
Ainda por cima tive a sorte de até aos oito anos viver na rua Dr. Alfredo Pimenta (hoje Alameda) numa casa , dos meus avós paternos, de onde se via ao longe o campo da Amorosa e assistia ao domingo à romaria de vitorianos que passavam pela rua, atravessavam a ponte de Santa Luzia e subiam o estreito caminho que dava acesso aos portões em madeira do então estádio do clube.
E durante os jogos ouvia o clamor da multidão, ás vezes via a bola no ar e os jogadores a correrem , sonhava com o dia em que também eu tivesse idade para ir ao futebol.
E um dia fui. Precisamente no ultimo jogo que o Vitória lá disputou antes de passar a utilizar o estádio municipal.
Da mesma casa assisti à construção do estádio, via (aí muito melhor porque nos primeiros tempos a hoje bancada nascente não estava ainda construída) os jogos quando não ia com o meu pai ou avô ao estádio geralmente nos dias de chuva, achava imensa piada a ver equipas e árbitros descerem e subirem pelo monte dos balneários da Amorosa para o relvado porque os do estádio ainda não estavam prontos.
Depois passei a frequentar assiduamente o estádio, a ir aos treinos quando podia, a passar as manhãs de domingo na Amorosa a ver jogos dos escalões de formação.
E assim fui reforçando o meu vitorianismo e conhecendo melhor o Vitória.
Estádio, Amorosa e alguns jogos fora a que ia com o meu pai e alguns amigos dele eram parte importante mas depois havia uma "sede" de saber mais sobre o clube, para lá das conversas com pai e avô (especialmente este no que respeitava às memórias dos tempos iniciais do Vitória), que era preenchida com uma ávida leitura de jornais locais (Noticias de Guimarães e Comércio de Guimarães) , de "A Bola" e de "O Primeiro de Janeiro" que eram os jornais lá de casa.
Depois pela vida fora tive sempre a preocupação de aprender mais sobre o clube com quem sabia mais do que eu.
E tive excelentes mestres em centenas de horas de conversa.
Já aqui os citei em várias ocasiões mas volto a referir os nomes de Lourenço Alves Pinto, Custódio Garcia, Hélder Rocha e Jorge Folhadela (infelizmente já todos desaparecidos) e Francisco Martinho (felizmente ainda vivo e com a sabedoria vitoriana de sempre) como aqueles amigos que mais me ensinaram sobre o nosso clube.
Houve outros mas estes foram, e são num caso, os que mais importância tiveram e tem.
Toda esta experiência de vida vitoriana, cinquenta anos a acompanhar o clube, passagem pelos seus orgãos sociais em várias ocasiões nos últimos vinte e tal anos fizeram de mim o vitoriano que sou e em mim criaram a visão que tenho do Vitória e os objectivos que ambiciono para o clube.
Curiosamente , e embora tudo o atrás exposto tenha contribuído para fazer de mim um vitoriano que quer sempre mais e melhor para o clube, quem me ajudou a estabelecer uma fasquia de ambição foi a minha tia!
Irmã do meu pai, hoje a caminho dos 85 anos, em toda a sua vida foi ao futebol três ou quatro vezes levada pelo meu avô há mais de setenta anos.
Ao Bem-Lhe Vai, que ficava a 100 metros de casa, e ainda à Amorosa numa ou noutra ocasião.
Depois nunca mais foi mas pela vida fora manteve-se sempre  interessada pelos resultados do clube e pelo que nele se passava.
E ao longo de muitos anos quando a visitava na sua casa da Alameda Alfredo Pimenta, ou na última dúzia de anos quando a visito no Lar Rainha D. Leonor onde reside, já sei que a pergunta sacramental quando a informo que houve jogo do Vitória  é esta:
"O Vitória ganhou ou foi roubado ?" 
Na sua simplicidade vitoriana, sem pretensões, a minha tia com essa frase centenas de vezes repetida ajudou-me a estabelecer uma fasquia  para aquilo que desejo para o Vitória.
Um clube tão forte, tão poderoso, tão dominador, tão à imagem do seu símbolo maior que a normalidade dos seus triunfos apenas possa ser quebrada por factores estranhos ao desenrolar desportivo das competições.
É evidente que é uma fasquia inultrapassável, uma ambição de ganhar provavelmente utópica, uma visão optimizada para lá dos limites sobre as possibilidades do Vitória.
Reconheço isso.
Mas também sei que se não ambicionarmos muito, se não formos tremendamente exigentes nas nossas expectativas, se não quisermos o êxito desportivo como a matriz essencial do clube,  em suma se não quisermos ganhar muito acabaremos por ganhar pouco ou nada.
E por isso profundamente grato ao meu pai, ao meu avô e aos meus amigos que referi por me terem ensinado tanto sobre o Vitória guardarei sempre uma gratidão muito especial à minha tia por me ter mostrado a dimensão do que podemos sonhar para o nosso clube.
Depois Falamos.

quarta-feira, julho 01, 2026

"No meu tempo..."

"No meu tempo é que era.." ou "no meu tempo não era assim..." são frases que se ouvem com alguma frequência na política, no desporto, no associativismo, no jornalismo e em tantas outras áreas da sociedade em que todos vivemos.
São frases perfeitamente inúteis, que em nada valorizam o passado mas apenas traduzem a incapacidade dos seus utilizadores em aceitarem a evolução dos tempos e as mudanças que eles inevitavelmente trazem às pessoas e organizações e por isso querem fazer passar a ideia de que dantes era tudo muito melhor.
Não era.
E tentar depreciar o presente por comparação com o passado que tentam "vender" como glorioso apenas aumenta a ruptura com a actualidade e a dificuldade de a aceitarem como ela é e agirem em conformidade.
E deixo aqui uma pequena história pessoal a ilustrar o que digo mas com um exemplo positivo porque de negativos, nesta e noutras matérias, já está o mundo cheio.
Tive um grande amigo de que já aqui falei, infelizmente falecido fará em Setembro seis anos, que durante mais de trinta anos foi responsável pela sede do PSD de Guimarães onde estava normalmente cinco noites por semana, quarenta e oito semanas por ano (em Agosto estava fechada excepto em ano de autárquicas) desde 1975 até á sua reforma.
Nesses tempos remotos Guimarães tinha setenta e três freguesias ( agora tem sessenta e nove) e a preparação de um processo autárquico ( até a convocação de um simples plenário era complexa) levava muitos meses de trabalho porque não havia internet, redes sociais, telemóveis, computadores,  impressoras, fotocopiadoras e portanto tinha de ser tudo por telefone, por carta, usando máquinas de escrever e uma arcaica máquina de stencil que era uma antepassada das fotocopiadoras.
E esse meu amigo, chamado Francisco Martinho, coordenava todo esse tremendo trabalho com a ajuda de alguns voluntários que durante meses, muitos meses, trabalhavam para que o processo de candidatura pudesse ir para tribunal a tempo e horas.
Ninguém hoje, excepto as pessoas desse tempo que participaram em processos autárquicos, imaginam o trabalho que aquilo dava.
Mas também as relações de amizade, de companheirismo, de solidariedade que se estabeleciam.
Com o passar dos anos apareceram novas tecnologias que simplificaram muito os processos mas o meu amigo, excepto o telemóvel, nunca se adaptou a elas e nunca usou um computador ou uma impressora, nem nunca acedeu à net.
Um dia reformou-se do seu cargo de chefe de secretaria de uma IPSS de Guimarães e também deixou o seu part time no PSD embora continuasse a frequentar a sede e a ajudar com a sua experiência e o seu sábio conselho os seus sucessores.
E dizia-me muitas vezes qualquer coisa como isto: "Estas modernices simplificam muito o trabalho que é agora muito mais fácil que no meu tempo mas eu é que não me consigo adaptar a elas".
Uma posição tão séria quanto exemplar.
Reconhecendo as vantagens do progresso, percebendo que os tempos são outros, mas admitindo que não se conseguia adaptar às novas tecnologias e aos novos procedimentos ao invés de para justificar essa incapacidade se agarrar ao estafado e inútil " no meu tempo é que era..." ou "no meu tempo não era assim..." que mais não é do que uma recusa de nalguns casos se admitir que o tempo passou e não volta para trás.
Enfim divagações, e o recordar de velhas histórias e de um grande amigo, ao sabor de frases que se vão ouvindo.
Depois Falamos.

domingo, setembro 19, 2021

Respeito

Jorge Fernandes é um jogador profissional de futebol que actualmente joga no Vitória. 
Joga no Vitória porque foi contratado na época passada pela administração da SAD e porque mereceu a confiança de vários treinadores.
Fez uma primeira volta do anterior campeonato de excelente nível e depois na segunda volta o seu rendimento desceu de forma acentuada tal como o de TODA a equipa. 
Esta época Jorge Fernandes não tem sido feliz e as suas actuações tem sido marcadas por alguns erros de que ontem o primeiro golo do Arouca foi exemplo maior.
Não tenho dúvidas que neste momento o melhor é sair da equipa e recuperar física e animicamente talvez com algum trabalho psicológico pelo meio. 
Mas este é para mim o limite para as critícas!
Jorge Fernandes é jogador do Vitória e como TODOS os jogadores do Vitória deve merecer o RESPEITO de todos os vitorianos.
Pelo menos daqueles que se dão ao trabalho de pensarem antes de irem para as redes sociais escreverem textos vergonhosos sobre profissionais do clube. 
Vergonhosos, injustos e que de vitorianismo nada tem.
Jorge Fernandes é um excelente profissional a quem nada há a apontar em termos de conduta enquanto atleta do clube e enquanto cidadão. 
Dá o máximo nos jogos e treinos (anda a jogar de máscara por isso mesmo !) e se as coisas não lhe tem saído bem ele é de certeza o mais preocupado e mortificado com isso não precisando dos especialistas do teclado para lhe apontarem os erros da forma como alguns o fazem. 
Já há no clube uma longa lista de jogadores estupidamente perseguidos por alguns adeptos e que tiveram de ir refazer as suas carreiras a outros lados porque aqui eram alvo de autêntico bullyng de alguns que se acham donos do Vitória e portanto autorizados a dizerem o que quer e lhes apetece sobre os profissionais do clube.
Sem limites seja de educação seja de respeito pelo ser humano que há em cada jogador.
De João Tomás a Miguel Silva passando por Paolo Hurtado a lista é longa e não nos honra. 
Agora querem juntar-lhes Jorge Fernandes, Sacko e outros que já se percebe estarem na iminência de enfileirarem na lista dos proscritos. 
Por mim, como fiz toda a minha vida desde que me conheço como vitoriano, respeitarei sempre o jogador e a pessoa que vestem a nossa camisola.
Sem a mínima pretensão de dar lições de vitorianismo a quem quer que seja. 
Até porque em boa verdade estou farto de ver gente a bater no peito proclamando-se os maiores vitorianos do universo e depois na prática é o que se vê. 
Como por exemplo aqueles que quase arrancam os cabelos para pagarem um bilhete de quatro euros para verem o Vitória mas depois nas bancadas tem comportamentos que custam milhares de euros ao clube em multas. 
De facto ser vitoriano é uma "Causa" apaixonante.
Mas, como dizia o meu saudoso amigo Francisco Martinho, também é uma "Causa" que às vezes cansa.
Depois Falamos.

terça-feira, maio 31, 2022

Plantel

Durante anos eu e o meu saudoso amigo Francisco Martinho entretinhamo-nos durante o defeso a ir apontando os nomes dos jogaodres que a imprensa (nesse tempo as redes sociais não existiam ou eram ainda incipientes) apontava como potenciais reforços do Vitória para a época seguinte bem como aqueles sobre cuja saída falavam.
Quando se iniciava o campeonato confrontávamos essa listagem com a realidade do plantel e confirmávamos que eram mais as vozes que as nozes, como se costuma dizer, porque havia sempre exageros nas saídas e entradas.
No tempo presente com a reconhecida pujança das redes sociais naturalmente que as especulações aumentaram exponencialmente pelo que até 31 de Agosto é ir andando e vendo porque os mercados fecham (muito mal) depois de se iniciarem os campeonatos e portanto há sempre movimentações de última hora.
E por isso nada como ir avaliando a realidade de forma periódica.
E que nos diz essa realidade quanto ao Vitória?
Sabemos que há as saídas confirmadas de Óscar Estupiñan, Ricardo Quaresma , Rafa Soares , Sílvio , João Ferreira e Geny Catamo, há os emprestados André André e Sacko cujo futuro não está definido e há as contratações fechadas de Anderson Oliveira, Matheus Indio e Ryoya Ogawa.
Depois há as especulações quanto a saídas e entradas sobre as quais não valerá a pena perder muito tempo porque ao momento não tem confirmação nenhuma.
Direi apenas que se saíssem todos ou boa parte daqueles que se fala seria razão para temermos seriamente a manutenção do clube na primeira liga.
E portanto vamos ás certezas.
Nas saídas é evidente que Estupiñan será extremamente difícil de substituir, que Rafa Soares nem tanto, que Quaresma deixa a sensação de que podia ter sido melhor aproveitado e os restantes são saídas sem impacto pese embora a boa impressão deixada por Catamo nos últimos jogos. 
Quanto às entradas, três até ao momento, há que dizer o seguinte.
Anderson Oliveira deixa expectativas embora os seus números, como ponta de lança, não sejam particularmente famosos. Em 115 jogos pelo Famalicão, ao longo de cinco épocas, marcou "apenas" 25 golos. Mas aos 24 anos tem uma longa carreira pela frente e portanto  é expectável que a sua produção goleadora melhore bastante.
Matheus Indio vem do Trofense e joga numa posição para a qual já existem Handel, Bamba e Alfa Semedo pelo que é de supôr que algum destes saia para abrir espaço á sua entrada no plantel. Tem 22 anos, margem de progressão, mas dificilmente será uma opção imediata. E nos seus concorrentes directos seria mau se a porta de saída se abrisse para Handel ou Bamba. Ainda é cedo.
Finalmente Ogawa.
Vem do Japão bem referenciado, é internacional A pelo seu país, candidata-se a substituir Rafa Soares na lateral esquerda. Vem por empréstimo por um ano com clausula de compra (um milhão de euros o que para o Vitória me parece...puxado) e há natural expectativas quanto ao seu rendimento
E neste momento é isto depois de duas aquisiçoes dadas como certas (até assinarem nada é certo já se sabe) terem falhado num caso e estarem tremidas noutro como são os casos de Costinha e Jota Silva.
Certo é que daqui a três semanas mais coisa menos coisa o plantel inicia a pré temporada e nessa altura o plantel não estando fechado tem de estar bastante conforme com o que vai ser a sua realidade durante a época.
Aguardemos.
Depois Falamos.

segunda-feira, junho 30, 2014

Contratados e Reforços

Já com a selecção fora do Mundial é natural que a atenção dos portugueses que gostam de futebol se vire agora para os seus clubes e para o sempre emocionante mercado de transferências e toda a especulação que o rodeia.
Alguns anos atrás, juntamente com o meu amigo Francisco Martinho, entretinhamo-nos de Maio a Agosto a ir tomando nota dos potenciais reforços que a imprensa ia apontando para o Vitória para no final vermos quantos de facto se confirmavam.
Nunca, mas nunca, mais de quatro ou cinco!
Se tanto.
Pois (mal) resolvida a questão do Mundial vamos entrar em plena "silly season" futebolistica com os diários desportivos a contratarem todos os dias mãos cheias de futebolistas para os chamados "grandes" coisa que,aliás, vão fazendo também durante o resto do ano.
Se alguém um dia se desse ao trabalho, por exemplo, de contabilizar quantos jogadores "A Bola" coloca no Benfica durante os 365 dias do ano chegaria facilmente à conclusão de que a confirmarem-se todas as anunciadas transferências o clube poderia ter umas quatro ou cinco equipas!
Mas como os adeptos desse clube e leitores desse jornal gostam de alimentar ilusões...Nada a opor!
Pessoalmente tenho uma máxima de há muitos anos a esta parte.
Só acredito que um jogador vai alinhar por um clube depois de o ver envergar a respectiva camisola em jogo oficial.
Até lá são apenas probabilidades.
Tal como só nessa altura, quando se inicia a competição a "sério",inicio a destrinça entre o que é um contratado e um reforço.
Porque contratados são todos.
Reforços apenas os que trazem mais valia às equipas onde se integram.
E salvo excepções, que nos clubes portugueses são cada vez mais raras, os reforços só se revelam depois de começarem a jogar e não pelo curriculum de que são portadores ao chegarem.
Depois Falamos

segunda-feira, novembro 10, 2014

A Homenagem


Numa das muitas conversas que travo com o meu Amigo de há muitos anos Francisco Martinho (uma das pessoas que mais me ensinou sobre o Vitória a par de alguns saudosos amigos já desaparecidos e do meu Pai e Avô) recordamos a saudosíssima equipa de 1986/1987 que sob o comando de Marinho Peres elevou os sonhos vitorianos a um expoente que nunca mais se repetiu.
Porque a par  de uma grande época interna ainda fez uma carreira europeia notável que a levou aos 1/4 de final da taça Uefa.
E a "injustiça" que é essa equipa nunca ter recebido do Vitória e dos vitorianos a homenagem que globalmente merece ao contrário do seu maior expoente,Paulinho Cascavel, que já vai que me lembre na terceira homenagem.
Não que Paulinho não mereça.
Porque merece.
Mas também me lembro que ele não jogava sozinho.
E todos os outros contribuíram, e muito, quer para a grande carreira da equipa quer para o destaque individual de Paulinho Cascavel que foi o melhor marcador desse campeonato.
E por isso entendo que numa época que nos está a correr tão bem faria algum sentido aproveitar a oportunidade para homenagear essa equipa e simultâneamente puxar ainda mais pelo ego dos adeptos que nunca a esqueceram e ainda hoje a citam como a melhor equipa vitoriana de sempre.
É certo que para alguns, com Jesus o grande "capitão" à cabeça, a homenagem já é tardia.
Jesus porque infelizmente "partiu" muito cedo e outros,especialmente brasileiros, não sei se será possível encontrá-los ( a falta que fazem,também para isso, os saudosos Amigos Custódio Garcia e Jorge Folhadela) dado o tempo que decorreu.
Mas vale a pena tentar.
E como já sei que o argumento "custos" está sempre presente diria duas coisas.
Juntar esses "heróis" do vitorianismo não é um custo mas um investimento na mobilização e motivação dos vitorianos.
E uma boa campanha de marketing com produtos referentes a essa época(nomeadamente camisolas com nomes dos jogadores a preço módico e um DVD com resumos dessa época extraordinária)mais o apoio de algumas empresas vimaranenses tornaria essa homenagem perfeitamente acessível.
Até porque boa parte dos jogadores e técnicos dessa equipa andam por aí.
Depois Falamos.

P.S. Porque é justo recordar os seus nomes e dá sempre jeito a quem não os conheça, ou tenha memória desse tempo, aqui ficam :
Guarda redes: Jesus, Lopes, Vítor Pontes e Peres.
Defesas: Costeado, Néné, Miguel, Basílio, Tozé, Heitor, Rui Vieira e Castro.
Médios: Adão, Nascimento, N'Dinga, Ademir, Carvalho, Dinis, Paulo Jorge,Paulo Viana.
Avançados: Paulinho Cascavel, Roldão, N'Kama, Basaúla, Nivaldo e Palecas.
Equipa Técnica: Marinho Peres, Paulo Autuori, Pina de Morais e José Alberto Torres.

terça-feira, abril 14, 2020

Regra de Ouro

Já por várias vezes referi quatro amigos, infelizmente já todos desaparecidos, com quem aprendi muito sobre o Vitória (e também sobre futebol)  porque eram daqueles que tinham uma vida dedicada ao clube e um capital de experiência absolutamente extraordinário.
Hélder Rocha, Jorge Folhadela, Custódio Garcia e Lourenço Alves Pinto são os seus nomes e a eles devo muito do que sei sobre o Vitória.
Como também a Antero Henriques da Silva Júnior, Fernando Roriz e Francisco Martinho com quem tenho muitas horas de conversa sobre o clube.
Alguns foram presidentes do Vitória, outros directores, outros ainda funcionários.
E com todos aprendi uma regra de ouro na gestão de um plantel de futebol profissional: A gestão do grupo, a escolha dos jogadores para cada jogo, a estratégia a seguir face a cada adversário pertencem exclusivamente ao treinador.
Porque é ele e a sua equipa técnica que trabalham o grupo à semana, avaliam o estado de forma dos jogadores, sabem os seus indices físicos e motivacionais, estão habilitados a escolherem os melhores para cada jogo.
Quando tive a responsabilidade de ser vice presidente para o futebol durante uns meses em 2012 segui á risca essa regra de ouro.
E os dois treinadores com quem trabalhei, Rui Vitória na equipa A e Luis Felipe na equipa B, são as melhores testemunhas disso porque nunca questionei nenhum deles sobre a equipa que iam apresentar em cada jogo, porque jogava este e não aquele, porque ia ser assim e não assado.
Quando muito nas viagens de autocarro perguntava se a equipa ia ser dentro do normal ou se havia algo de excepcional e eles respondiam aquilo que muito bem entendiam sabendo que nunca lhes perguntaria mais do que isso.
Quis sempre que ambos percebessem que da parte da direcção não haveria nenhuma interferência nas suas opções porque todos sabíamos que eles mais que ninguém queriam ganhar os jogos e faziam as suas opções em função disso.
Mas acima da regra de ouro, e para que esta funcione perfeitamente, há uma regra de platina.
Presidente, vice presidente para o futebol, administradores da SAD, director desportivo nenhum pode ter qualquer interesse pessoal em que jogue este e não aquele por esta ou aquela razão.
Mesmo que seja mais agradável para o responsável por uma contratação ver o jogador ser regulamente utilizado (ainda que apenas por uma questão de satisfação do ego do contratador) isso deve ficar exclusivamente   ao critério do treinador.
Quem contrata, e é inaceitável que o faça sem o aval do treinador, deve preocupar-se apenas e só em contratar bons jogadores e homens bem formados que encarem a sua profissão com grande sentido de responsabilidade e assumam o profissionalismo no relvado, no balneário e em casa.
A partir daí é trabalho do treinador. Que todos devem respeitar.
Depois Falamos

sexta-feira, abril 09, 2021

Andebol

Esta fotografia retrata uma das primeiras equipa de andebol do Vitória algures no início dos anos sessenta. Que utilizava para os seus jogos em casa o célebe rinque da Amorosa onde anteriormente tinha jogado a equipa de hóquei em patins do clube. Outros tempos bem patentes na realidade de se jogar andebol ao ar livre e com o piso encharcado como no dia desta fotografia. Foram os percursores do andebol no clube em que ao longo dos anos se escreveu uma bonita história na modalidade. E é bom recordá-los nestes tempos em que o andebol voltou ao Vitória.

P.S. Na fila de trás o primeiro a contar da direita é o meu saudoso amigo Francisco Martinho, falecido em Setembro do ano passado, que foi o fundador da secção de andebol do Vitória e toda a vida um apaixonado da modalidade. E do Vitória.

quarta-feira, maio 24, 2023

Pausa

Nota prévia: Embora goste e cultive a ironia fica desde já claro que neste texto não há nenhum tipo de ironia subjacente ao que está escrito. 
É mesmo para ser lido como está sem busca de segundas intenções ou significados nas linhas ou entrelinhas.
Vai para quarenta anos que iniciei a publicação de opiniões e comentários acerca do Vitória Sport Clube.
Foi no jornal "Comércio de Guimarães", a convite do seu então director o dr. João Barroso da Fonte, que me iniciei nas lides jornalísticas publicando uma crónica semanal sobre assuntos vitorianos.
Depois um longuíssimo percurso nos quase quarenta  anos referidos.
Rádio Guimarães, Rádio Fundação, Rádio Santiago, Toural/Expresso do Ave, Povo de Guimarães, Diário do Minho, Correio do Minho, Porto Canal, Zero Zero, "Duas Caras" e site da AVS com dezenas de artigos escritos para esse espaço vitoriano.
Entrevistas e debates pontuais na RTP, SIC, Antena 1, Rádio Renascença,TSF, etc.
Com o advento das redes sociais essa participação intensificou-se e diversificou-se também.
Blogue "Depois Falamos" desde 2006, Twitter desde 2008, Facebook desde 2009.
Toda esta participação não foi apenas em função do Vitória, como está bom de ver, mas o Vitória foi sempre o tema central de tudo.
Ao longo de todo este tempo, reconhecendo erros, omissões e falhas, sempre procurei  participar , escrever, falar, o melhor que podia e sabia para defender aquilo que em minha opinião eram os interesses do Vitória.
Nunca procurei guerras mas também nunca fugi delas.
O famigerado "Caso Marega" é um bom exemplo disso.
E nessa matéria de procurar defender sempre o "meu" clube  não tenho pesos na consciência. 
De nenhuma espécie.
Mesmo quando fazê-lo arrostava incompreensões, críticas, ataques pessoais, insultos.
Não apoiei a candidatura de Vitór Magalhães e critiquei muitas vezes a sua gestão perante a indignação de muitos dogmáticos que viam nele a última Coca Cola antes de um tenebroso deserto.
Bem sei o que aturei vindo de alguns fanáticos que convivem mal com as divergências de opinião.
Sabe-se como as coisas acabaram.
Hoje é difícil encontrar quem nele tenha votado e muitos que na defesa dele ultrapassaram as marcas da decência e da boa educação. 
Em relação a mim e a em relação a outras pessoas que discordavam da gestão feita.
Há gente a negá-lo mais depressa do que Pedro negou Cristo.
Não apoiei nenhuma das candidaturas de Emílio Macedo da Silva embora fose e continue a ser seu amigo.
Integrei até com outros conhecidos vitorianos uma candidatura alternativa em 2010 que percorreu o concelho a explicar aos associados o que estava mal e os perigos que o Vitória corria se continuasse por aquele caminho.
Tivemos 30% dos votos mas menos de dois anos depois sabe-se o que aconteceu.
Dos 70 % que o reelegeram rumo ao descalabro financeiro não há vestigios. Evaporaram-se.
Integrei a primeira candidatura de Júlio Mendes.
Ao fim de apenas oito meses apresentei a minha demissão movido por imperativos de consciência que o passar dos tempos viria a confirmar estarem correctos.
Também aí se sabe como as coisas acabaram.
Não apoiei a primeira candidatura de Miguel Pinto Lisboa (nem nenhuma outra porque estava então a residir em Lisboa e ausente do dia a dia da realidade vitoriana) mas apoiei a segunda por estar convicto de que MPL é um homem inteligente, com um projecto claro e definido para o clube e que tendo aprendido com os erros seria certamente um presidente muito melhor nos mandatos seguintes.
Não foi essa a vontade dos associados e foi eleita a lista chefiada por António Miguel Cardoso.
Do que se passou nessa campanha eleitoral e nos meses em que coordenei a comissão do centenário ainda não é tempo de falar porque as comemorações foram prolongadas até Setembro deste ano (e sempre disse que só falaria depois do Centenário terminar) mas lá virá o dia em que responderei cabalmente a mentiras, calúnias, insultos bem como a alguns que as propagaram e dos quais andei anos convencido de serem meus amigos.
Muitos anos num ou noutro caso.
E se recordo tudo isto agora é apenas para atestar que nestes quase quarenta anos de intervenção pública sobre o Vitória, em que incluo com muito orgulho as quatro vezes em que estive nos orgãos sociais com António Pimenta Machado (três das quais na direcção), nunca me escondi atrás do politicamente correcto, nunca me privei  de ter e exprimir opinião, nunca fugi de polémicas e disputas quando entendia que a defesa da Causa o merecia.
O meu muito saudoso amigo Francisco Martinho, provavelmente a pessoa com quem mais terei conversado sobre o Vitória nestes quarenta anos, dizia-me de vez em quando, especialmente em períodos em que as coisas não corriam bem, que defender o Vitória é uma Causa que vale a pena mas que às vezes cansa.
É esse o ponto a que cheguei agora.
Cansaço.
Foram quarenta anos de participação activa, intensa, que valeu a pena mas desgastou.
E quando na passada sexta feira percebi , sem falsas modéstias mas com grande tristeza, que mais uma vez tinha razão antes do tempo (como com Vitor Magalhães, como com Emílio Macedo...) que bem podia ser uma razão a tempo se fosse essa a opinião da maioria dos associados mas não foi porque  na AG votaram um caminho com o qual não me identifico.
E nem trago à colação o facto indesmentível de que o que foi negado na AG de Março tornou-se realidade na AG de sexta feira dentro da adaptação de uma velha máxima segundo a qual o que em Março era verdade em Maio tornou-se mentira.
Isso ficará para a consciência de cada um resolver consoante o sentido de voto pelo qual tenha optado.
A questão para mim é outra.
A mente vulgar de que sou possuidor, pese embora ter feito um grande esforço nesse sentido (imaginem que até li e reli o documento que foi votado) não conseguiu vislumbrar o interesse, o ganho, a vantagem de o Vitória abdicar de prerrogativas que eram suas como detentor da maioria da SAD a favor de um parceiro minoritário a quem ainda concedeu direitos de veto (e sabe-se lá que mais...) em matérias importantes a troco de uns meros 5,5 milhões de euros mais 2 milhões de mal explicado donativo.
Como nem explicadas foram as razões pelas quais os Vitória assinou um acordo parassocial por 30 anos (!!!) com a Vsports (via SAD) sem se conhecer nenhum compromisso concreto desta e amarrando a esse acordo as próximas dez direcções do clube.
Vale que 258 mentes brilhantes, seguramente vendo para lá das evidências a que as mentes vulgares conseguem chegar, terão descortinado nas alterações ao pacto social as bases dos amanhãs que cantam e projectarão o Vitória para patamares nunca dantes atingidos.
E quando refiro mentes brilhantes repito o que escrevi no início deste texto. Não há ironia nenhuma nestas palavras. Rigorosamente nenhuma.
É preciso um raro brilhantismo para num negócio do qual apenas se conhecem obrigações e deveres do Vitória, parte deles já plasmados nas alterações que o parceiro impôs ao pacto social, mas não se conhece nada de concreto no que toca a deveres e obrigações do parceiro ( em bom rigor nem o contrato com a Vsports é conhecido dos associados mas isso imagino que seja mais um não assunto) descortinar os pressupostos que nos garantirão o sucesso.
E não só não se conhece como há uma permanente recusa em dar explicações por parte da direcção do clube e do conselho de administração da SAD que são, do meu ponto de vista, uma enorme falta de respeito por associados e accionistas.
O que sa sabe, isso sim, de forma indesmentível é que o parceiro ainda antes de entrar na SAD já chantageou o Vitória na base de que ou era como eles queriam ou não havia negócio.
Muito mau início de parceria convenhamos.
Que faz temer pelo que poderá acontecer agora que são accionistas da SAD, tem administradores nomeados e um poder de decisão que ultrapassa largamente o que a sua percentagem accionista lhe devia proporcionar.
Mas a AG de sexta feira teve em mim um outro efeito colateral que acentuou o cansaço.
Esperando e desejando que as tais 258 mentes brilhantes tenham tomado a decisão correcta com base na tal percepção superior já referida, e partilhando da satisfação generalizada se assim for, não deixo de talvez por velhos hábitos recear que assim não seja e que mais uma vez tenha tido razão antes do tempo.
E mesmo sabendo que se assim for a maioria desses 258 (menos de 2% dos associados mas aí a responsabilidade não é deles)  e muitos outros que não votaram mas se revêm na votação provavelmente desaparecerão por artes mágicas como desapareceram os apoiantes/eleitores de Vitor Magalhães e Emilio Macedo (e muitos de Júlio Mendes que agora o negam com vigor idêntico ao que o apoiaram em três eleições que venceu) também sei que até lá muitos deles continuarão a defender de forma assanhada a votação que protagonizaram e o caminho que escolheram.
Bem como alguns deles irão pelo mau caminho de ostracizarem, atacarem, segregarem aqueles que não pensam como eles. Provocarem polémicas escusadas e debates estéreis. Enveredarem pelo ataque pessoal ao invés de discutirem as ideias.
E para esse peditório não darei mais.
Não por receio, como é bem evidente, mas pelo tal cansaço atrás mencionado.
E nesta fase nem no amor de toda a vida pelo Vitória  encontro a motivação e a energia necessárias  para continuar a intervir publicamente como o fiz nos últimos quase quarenta anos.
Intervir sobre o clube e na defesa do que considero ser o melhor para o clube.
É tempo de parar.
Não sei se definitivamente ou apenas por algum tempo.
O futuro o dirá.
Até lá resta-me agradecer a todos ( e muitos foram)  que com os seus conselhos, sugestões, critícas, elogios e opiniões ajudaram a que a minha intervenção pública fosse melhor.
Estou-lhes imensamente grato.
Viva o Vitória.
Sempre!