sexta-feira, maio 29, 2026

Geografia 2

Num texto anterior abordei a geografia de La Liga, o campeonato primodivisonário de Espanha, e o equilíbrio existente entre litoral e interior bem como a dispersão geográfica da prova que está presente em nove das dezassete regiões autónomas do país e, dependendo de quem será o vigésimo participante, ainda pode estar em mais uma.
E depois olha-se a geografia do campeonato português.
Em dezoito distritos do continente e duas regiões autónomas qual é o panorama?
As autonomias estão bem com a Madeira a ter dois participantes (Nacional e Marítimo) e o Açores um através do Santa Clara.
Mas depois é o descalabro.
Em dezoito distritos apenas 5 (!!!) tem futebol de primeira divisão.
Lisboa com seis clubes (Sporting, Benfica, Estoril, Alverca, Estrela da Amadora e Casa Pia), Braga com cinco (Braga, Famalicão, Gil Vicente, Moreirense e Vitória), o outro poderoso Porto com apenas dois (F.C.Porto e Rio Ave), Aveiro com o Arouca e Viseu com o regressado Académico,
Ou seja dois distritos, Lisboa e Braga, tem mais de metade dos participantes enquanto treze distritos não tem um único incluindo aqueles com larga tradição de primeira liga como Faro, Setúbal, Coimbra e até Leiria.
É evidente que a responsabilidade disto está longe, muito longe, de ser exclusiva do futebol porque corresponde à realidade de um país há muitos anos em permanente fuga para o litoral, com tudo que isso significa em termos de desertificação demográfica e económica do interior, mas o futebol tem de saber encontrar no seu seio mecanismos que permitam combater este fenómeno profundamente negativo.
E essa devia ser uma preocupação prioritária de FPF e LPFP ao invés de viverem na permanente ânsia de modificarem regulamentos e encontrarem ainda outras formas de beneficiar os que são desde sempre beneficiados.
Depois Falamos.

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