terça-feira, março 24, 2020

Adiados

Foi hoje conhecida a inevitável decisão de adiar os Jogos Olímpicos, que se deveriam realizar em Tóquio este Verão, para uma data posterior que em princípio deverá ser anterior a Julho de 2021 mas nada garante que assim possa ser.
Há uma primeira nota que tem de ser dada e que se prende com o inexplicável atraso na tomada de uma decisão inevitável a partir do momento em que o covid-19 se tornou numa pandemia e consequentemente passou a ter âmbito mundial.
Perante o desespero dos atletas que não sabiam se tinham ou não Jogos,  a perplexidade dos comités olimpicos nacionais sem saberem que fazer quanto a tudo que envolve a organização das respectivas comitivas  e perante a intransigência dos responsáveis japoneses que não queriam nem por nada adiar o certame foi necessário dois importante comités (Canadá e Austrália) anunciarem o boicote aos Jogos para finalmente aparecer a decisão que se sabia ter de aparecer.
E isto porque perceberam que aos dois países se juntariam muitos outros o que inviabilizaria por completo os Jogos.
A segunda nota tem a ver com a sua realização no próximo ano de 2021.
Dependerá, como é bom de ver, de a pandemia ser vencida e o mundo poder voltar a uma normalidade que nunca será, é bom reiterá-lo, a normalidade do pré pandemia porque muita coisa vai mudar e a crise económica que se adivinha será tremenda.
Nunca como agora foi tão oportuno dizer que o futuro a Deus pertence.
De alguma forma a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio também.
Depois Falamos.

Rodes, Grécia


Monte Rushmore, EUA


Castelo de Valongo, Évora


segunda-feira, março 23, 2020

Mentira

Num momento tão difícil como aquele que o mundo vive é opinião praticamente generalizada que os tempos são muito mais de solidariedade e entreajuda do que do combate político normal em democracias.
Tem sido também essa a perspectiva dos partidos políticos em Portugal que tem deixado para segundo plano o contraditório, embora razões não faltem, em prol de um clima de unidade que ajude a ultrapassar a crise.
Tem sido também essa minha posição, quer aqui no blogue quer no Facebook, embora essa atitude me valha alguns engolir em seco face a coisas que vou vendo e ouvindo a responsáveis políticos que infelizmente não estão à altura da gravidade dos acontecimentos.
Mas tudo tem um limite.
E quando vejo num telejornal da TVI o primeiro ministro a mentir descaradamente, negando uma realidade que infelizmente é conhecida de todos, percebo que há gente com quem não se pode ter contemplações nem mesmo em alturas de crise.
Até agora não faltou nada diz o senhor António Costa com aquela desfaçatez que o torna caso único no actual panorama político.
Nem mácaras? Nem ventiladores? Nem material de protecção para os profissionais de saúde? Nem camas de hospital? Nem médicos e enfermeiros? Nem uma prevenção atempada e uma fiscalização de fronteiras eficaz? Nada?
Faltou tudo isso e falta muito mais.
Falta vergonha na cara ao primeiro ministro, por exemplo, que no auge da mais grave crise de saúde pública de que há memória não tem pejo em mentir descaradamente mais preocupado com a sua imagem e com a imagem do governo do que com dizer a Verdade ao país.
Falta uma ministra da saúde com outro gabarito, um ministro da administração interna com outra competência, uma directora geral da saúde que seja mais do que o principal motivo do anedotário nacional dos últimos dias.
Sim, também falta um verdadeiro primeiro ministro.
Que ponha Portugal á frente do seu partido, que não pense nos cidadãos apenas como eleitores, que respeite o sofrimento de tantos que não estão a ter os cuidades de saúde que deviam.
António Costa protagonizou hoje um momento lamentável de baixa política que Portugal não merecia.
Quer quer ser respeitado dá-se ao respeito.
Depois Falamos.

Consequências

O meu artigo desta semana no zerozero.

E a longa “noite” do futebol prossegue.
Do futebol e do desporto em geral (já se sabe que também dos países mas estes textos são sobre matéria desportiva) sabendo-se já que o Europeu fica para o ano enquanto as competições nacionais e europeias de clubes estão suspensas por tempo indefenido mas dificlmente serão reatadas ainda no decorrer da presente época.
Em simultâneo, e perante a inexplicável teimosia do Japão em realizar os Jogos Olimpicos a qualquer preço, foi hoje conhecida a posição de Canadá e Austrália que anunciaram que não estarão presentes aguardando-se que a manter-se a teimosia nipónica outros países o venham a fazer dados os condicionalismos provocados pela pandemia.
Em Portugal, pese embora algumas vozes avisadas que chamam a atenção para o que será o futuro (Pedro Proença, Jorge Castelo, Luís  Campos) , vejo muito mais energias concentradas na por agora inútil discussão de quem será o campeão do que na preparação do pós covid-19 que será dífícil e até traumático para muito clubes e para muitas modalidades.
Na sequência da pandemia, cujo fim ainda não está no horizonte, prevê-se uma crise económica imensa que será transversal a todos os sectores da sociedade e terá uma dimensão mundial cujas consequências não é possível neste momento prever.
Isso significa, que ninguém tenha dúvidas, uma retracção significativa nos investimentos publicitários das empresas que terão de orientar as suas tesourarias para áreas bem mais importantes do que aqueles que se prendem com a publicidade aos seus produtos.
Ou seja, terão muito menos disponibilidade para investir no desporto em geral e no futebol em particular.
O resultado disso, quer da diminuição dos investimentos directos no patrocíno de competições quer na publicidade televisiva, serão verbas muito menores a distribuir pelos clubes e selecções que participam nessas provas prevendo-se essencialmente a nível de Liga dos Campeões, mas também de Liga Europa, o fim da autêntica”árvore das patacas” que elas tem sido com os clubes a receberem muito menos dinheiro.
Por outro lado, mas igualmente muito importante, com a quebra das receitas publicitárias também as televisões terão menos dinheiro para o futebol o que significará, com boa dose de probabilidade, a impossibilidade de cumprirem os actuais contratos em vigor ou sequer de os renovarem por verbas semelhantes às actuais o que afectará todos os clubes e não apenas aqueles que participam em competições da UEFA.
E como uma má notícia nunca vem só é igualmente evidente que as verbas para patrocínio de camisolas e para publicidade estática nos estádios serão também reduzidas o que terá igualmente forte repercussão no orçamento dos clubes já severamente afectados pelos cortes anteriormente referidos.
Em suma no pós pandemia os clubes terão muito menos receitas ( e já nem falo na quebra de rendimentos das famílias que provocará, outra má notícia, uma baixa nas receitas associativas oriundas de quotas , venda de lugares anuais e merchandising, etc) o que os obrigará a enfrentar uma realidade de grande dureza e de necessária adaptação aos novos tempos.
Que terá de passar inevitavelmente pela redução de orçamentos, pela diminuição da folha salarial para valores muito inferiores aos da actualidade, por gestões de grande rigor, pelo fim de transferências milionárias, por uma aposta redobrada na formação e por uma necessidade de captação de receitas fora dos mercados tradicionais.
E, é claro, por uma conscencialização de que as receitas televisivas já não serão o “abono de família” dos respectivos orçamentos.
Tempos difíceis aí vem e para os quais é necessário os clubes portugueses irem-se preparando de forma prudente, organizada e profundamente realista.
No que terão de ser acompanhados por FPF e LPFP (  e pela UEFA em termos europeus) na exigência de orçamentos realistas, na fiscalização do seu cumprimento, num rigoroso “fair play” financeiro para as provas nacionais e pela detecção atempada das movimentações de dinheiros suspeitos.
Então a nível de UEFA há que olhar com grande  rigor os dinheiros vindos dos xeques arabes e dos oligarcas russos que se não forem devidamente controlados matarão a competitividade das competições.
No caso português a crise financeira terá ainda outra vertente desportiva.
Se o futebol, modalidade raínha, será severamente afectado que dizer então das restanres modalidades?
Modalidades onde com base num ecletismo pouco comum noutros países (Espanha será o mais parecido connosco) os principais clubes portugueses que tem no futebol a primeira vertente desportiva estão igualmente presentes no andebol, no basquetebol, no voleibol, no futsal , no pólo aquático e no hóquei em patins que serão as principais modalidades de equipa a seguir ao desporto rei.
Não estão todos em todas mas estão todos em parte significativa delas e nalguns casos com orçamentos absolutamente irrealistas pagando a praticantes dessas modalidades salários que muito clubes da primeira liga de futebol não pagam aos seus futebolistas.
Também aí a vida terá de ser outra.
Adequando os orçamentos às receitas (que são quase nenhumas) e percebendo que se calhar terão de deixar de ter tantas modalidades,que em boa verdade são sustentadas em grande parte pelo tal futebol que também terá de apertar o cinto, para passarem a ter apenas aquelas que de facto for viável terem.
Não faltam, neste tempo tão estranho sem competições desportivas, assuntos para uma reflexão tão séria quanto profunda por parte dos dirigentes desportivos dos clubes, das Ligas profissionais e das Federações.
Enquanto é tempo.
Porque a própria pandemia já se encarregou de demonstrar que não reagir a tempo apenas complica, e muito, o problema.

Tubarão


Faroa Ilha Griffiths, Austrália


Castelo de Tata, Hungria


Horror

Já nem me vou alongar sobre o horror que é ter à frente dos destinos de algumas das maiores potências mundiais três idiotas perigosos e irresponsáveis como o são Donald Trump, Boris Johnson e Jair Bolsonaro.
Tão pouco sobre o discernimento de eleitorados que os elegem.
Apenas desejo que o covid-19 sirva, ao menos isso, para que em próximas eleições os três sejam varridos do mapa. 
A Humanidade agradece.

sexta-feira, março 20, 2020

Júlio Verne

Devo à minha Mãe, em primeiríssimo lugar, a Enyd Blyton e a Júlio Verne grande parte do gosto pela leitura que me acompanha desde a infância e que teve nela a pessoa que sempre me incentivou a ler e nos autores referidos aqueles que me ajudaram a tornar num autêntico viciado dos livros.
Primeiro a escritora inglesa essencialmente com os "Famosos Cinco" mas também com o "Clube dos Sete" e vários outros livros e colecções que li e reli quase desde que aprendi a ler e ainda hoje guardo como um quase tesouro.
Depois o escritor francês, já eu andava pela adolescência, que me fez positivamente "devorar" com enorme interesse algumas das suas obras primas como ""20.000 Léguas Submarinas", "A Volta ao Mundo em 80 dias", "A Ilha Misteriosa", "Cinco Semanas em Balão", "Viagem ao Centro da Terra", "Da Terra à Lua", "Em Redor da Lua", "Miguel Strogoff" e alguns outros (talvez umas vinte obras no total) mas não todos os seus livros.
Isto entre os doze e os dezoito/dezanove anos de idade e a par , naturalmente, de outras leituras.
Depois "abandonei" quase totalmente Júlio Verne, embora de quando em vez folheasse um ou outro dos livros (também eles religiosamente guardados), porque apareceram outros interesses em termos de leituras e não li mais nada do autor.
Passados quarenta anos, e porque ficara sempre com a ideia de que o meu conhecimento das obras de Júlio Verne era menor do que gostaria e a curiosidade sobre o que não lera bastante, decidi voltar ao autor.
Aproveitando um lançamento das suas obras naquela modalidade de entrega de um livro por semana, num total de 67 volumes, pedi a um familiar dono de uma papelaria para me ir guardando os livros e eu de vez em quando ia lá buscar um saco deles com o que consegui ficar com a colecção completa das obras de Júlio Verne.
Nelas reencontrei "velhos amigos", já atrás citados, mas também "novos amigos" que venho conhecendo nestes ultimos anos intervalando a sua leitura com a de outros livros a um ritmo regular e que mais dia menos dia me permitirá dizer que li toda a obra de Júlio Verne.
Nestes "novos amigos" tenho encontrado alguns de especial interesse: 
"O Soberbo Orenoco", "Os Filhos do Capitão Grant (um clássico que por qualquer razão não lera na juventude) , "César Cascabel", " O Farol do Cabo do Mundo", "As Indias Negras", "A Escola dos Robinsons" entre outros que tem constituído uma agradável descoberta.
Há quem pense, erradamente, que Júlio Verne é um autor de literatura para adolescentes e nada mais cingindo a essa faixa etária os leitores potencais da sua obra.
Nada mais errado.
Verne foi um visionário que previu factos e engenhos que só veriam a luz no século seguinte, situou os seus livros nos cinco continentes demonstrando uma cultura e erudição absolutamente invulgares para o seu tempo (e para qualquer tempo em boa verdade) e legou à posteridade uma colecção de livros absolutamente intemporais que fizeram, fazem e farão as delícias de milhões de leitores.
Seguramente um dos maiores da História da Literatura.
Depois Falamos

Hanói, Vietname