
sábado, dezembro 06, 2014
sexta-feira, dezembro 05, 2014
Memórias doutros Tempos

O estádio 28(depois 1º) de Maio, em Braga, é seguramente o terceiro estádio a que fui depois do então Estádio Municipal (agora D. Afonso Henriques) e do saudoso campo da Amorosa ambos em Guimarães.
E a esse estádio, onde se vê futebol muito bem de qualquer bancada, fui muitas vezes ao longo dos anos ver jogos do Vitória, da selecção nacional e também do Sporting de Braga com outros adversários que não o Vitória.
E também do Vitória com outros adversários que não o Sporting de Braga quando o nosso estádio estava interdito disciplinarmente e utilizávamos o estádio bracarense como "casa" emprestada.
Nele vi grandes jogos, dele trouxe grandes alegrias e algumas tristezas, mas é indiscutivelmente um estádio que faz parte da minha vida e da minha história enquanto adepto do futebol.
Recordo hoje quatro jogos que lá vi.
O primeiro de todos, algures em Dezembro de 1966, faz por estes dias 48 anos em que Braga (detentor da taça de Portugal da época anterior) e Vitória se defrontavam em mais uma reedição do derbi minhoto.
Bancadas cheias e vitória do Vitória, por 3-2, num jogo em que apenas recordo as alternâncias do marcador.
E não me esquecerei nunca que a primeira vez que vi o Vitória, em Braga, regressei a Guimarães com o doce sabor do triunfo.
Muitos anos mais tarde um Vitória-Porto para a Taça de Portugal.
Jogo de desempate depois de um jogo extraordinário na Póvoa de Varzim que terminara com o resultado de 3-3.
Em Braga outro grande jogo que perdemos por 3-2 depois de o Porto ter chegado a 3-0 e o Vitória conseguir reduzir para a diferença mínima.
Cabe dizer que os jogos foram nesses dois estádios porque Vitória e Porto tinham os seus interditos!
Também nesse estádio vi um Portugal-Escócia, jogo particular, que marcou a estreia pela nossa selecção A do meu falecido (e saudoso) amigo António Jesus.
Grande capitão de grande equipas do Vitória.
Guardo religiosamente uma fotografia autografada e com uma simpática dedicatória que ele me ofereceu,respeitante a esse jogo, em que veste a camisola de Portugal.
Finalmente o ultimo Braga-Vitória que vi no 1º de Maio(foi também o ultimo que lá se realizou).em Novembro de 2002, e que terminou com o triunfo do Vitória por 4-2 depois de uma exibição de gala da equipa vitoriana.
Na época seguinte o derbi, em terras bracarenses, já se disputou na "Pedreira" mas esse é lugar que não frequento.
E por isso hoje ,em véspera de mais um jogo entres os velhos rivais, é-me agradável recordar que o primeiro e ultimo jogos que vi em Braga entre as duas equipas terminaram ambos com vitórias do Vitória.
Pode ser um bom augúrio, quem sabe, para domingo...
Depois Falamos
P.S. Em 2012 voltei ao 1º de Maio para um Braga B-Vitória B que terminou 0-0.
Mas não é, evidentemente, a mesma coisa que um jogo entre as principais equipas.
quinta-feira, dezembro 04, 2014
Francisco Sá Carneiro

Trinta e quatro anos depois a República Portuguesa ainda não sabe quem matou o primeiro ministro de Portugal em 4.12.1980.
Não sabe ou não quer saber.
Mas o que se sabe, e não há quem dê volta a isso, é que Francisco Sá Carneiro foi um Homem, um Líder e um Estadista que conquistou o seu lugar na História pelo exemplo, pela obra, pelo pensamento politico que nos deixou.
E pela certeza de com ele vivo Portugal estaria hoje bem melhor.
Desapareceu o Homem mas ficou a Memória.
E essa será eterna.
Depois Falamos
quarta-feira, dezembro 03, 2014
Verdade Desportiva

Sobre o que penso da verdade desportiva no nosso país está expresso ao longos dos anos nas publicações que vou escrevendo neste blogue, e não só, acerca da matéria.
Favorecimentos a três clubes(e ás vezes a um ou outro"apêndice"), conivência da comunicação social, pressões sobre equipas de arbitragem e por aí fora é tudo um rosário de factores que deturpam a verdade desportiva dos nossos campeonatos de futebol profissional.
Mas quando é de elogiar...elogio.
Foi por isso com satisfação que vi na passada jornada da Liga a utilização pelos árbitros do spray para marcar a distância entre o local onde a falta foi cometida e o lugar onde se deve posicionar a barreira dos jogadores que defendem.
Método simples, prático, que já era usado na América do Sul há vários anos mas que o ultimo Mundial consagrou e tornou de utilização generalizada em muitas das competições europeias a começar pela Liga dos Campeões.
Fiquei até surpreso por em Portugal ter demorado dez jornadas a ser implementado mas mais vale tarde que nunca.
Embora tenha ficado com a sensação de que não foi utilizado em todos os jogos.
Falta agora dar o passo seguinte.

Que é introduzir o chamado "olho de falcão" que permite ,através do recurso aos auxílios tecnológicos, aferir se a bola ultrapassa ou não a linha de baliza em lances em que à equipa de arbitragem não é humanamente possível ter a certeza se sim se não.
Já se sabe que FIFA e UEFA tem as maiores reservas à introdução da tecnologia como meio auxiliar dos árbitros( e sabendo-se que nessas instituições mandam Blatter e Platini teme-se que pelas piores razões)preferindo aquela figura caricata do árbitro de baliza que não serve para nada excepto para deturpar a verdade desportiva como aconteceu em desfavor do Sporting ainda bem recentemente.
Mas contra ventos e marés, mais os "velhos do Restelo" do International Board, também a tecnologia chegará ao futebol como tem chegado a outras modalidades com consequente proveito destas.
Não para eliminar totalmente os erros das equipas de arbitragem, porque o erro faz parte do jogo, mas para os ajudar em questão difíceis como esta de saber se nalguns lances a bola entrou ou não e que são muitas vezes determinantes para o resultado final dos jogos.
Depois Falamos
terça-feira, dezembro 02, 2014
Objectivamente

Ouvi falar pela primeira vez de Mário Soares logo a seguir ao 25 de Abril quando regressou do exílio em Paris (essa cidade tão querida dos socialistas portugueses...) e foi recebido em Santa Apolónia por uma enorme multidão.
Acompanhei e apreciei o seu percurso politico entre 1974 e 1976 quando se bateu com enorme coragem e persistência pela liberdade, pela democracia , pela construção de um Estado de Direito.
Recordo-me de ver na televisão os grandes comícios da Fonte Luminosa e lembro-me de uma ida dele a Guimarães, em 1975, em que do Toural à sede do PS (então na esquina das ruas Gil Vicente e Francisco Agra por cima de uma pequena pastelaria que ainda hoje existe) foi acompanhado por um cortejo de muitas centenas de pessoas a quem se dirigiu da varanda.
Depois começou a desilusão.
Com a forma como governou de 1976 a 1978 (ao ponto de o Presidente Eanes o ter "despedido"), como não deixou os governos de iniciativa presidencial governarem e com a postura que teve perante a constituição da AD.
Em 1980 qualquer vestígio de admiração restante dos anos de 74/75, que ainda pudesse existir,desapareceu pura e simplesmente quando Soares alinhou numa sórdida campanha de calúnias lançada pelo PCP contra Francisco Sá Carneiro a propósito de uma suposta dívida ao...BES e da sua vida pessoal.
Percebi, logo aí, que o politiqueiro seria sempre superior ao estadista.
Fui dos que no PSD discordei da aliança de governo (Bloco Central) que Mota Pinto fez com Soares, depois de este ter ganho as legislativas antecipadas de 1983, porque não tinha a menor convicção das capacidades de Soares como governante nem sequer das possibilidades de o governo daí resultante ter êxito na governação.
Não teve.
E por isso quando Cavaco Silva, recém eleito líder do PSD, acabou com uma coligação podre e provocou eleições achei que para Portugal tinha sido a melhor solução.
Como foi de facto.
Apoiei Freitas do Amaral contra Mário Soares nas presidenciais de 1986 e as duas voltas dessa campanha, e os truques baixos usados pela candidatura de Soares como o da inventona do "Primeiro de Janeiro", apenas reforçaram o que na altura já era desprezo por um politico que não olhava a meios para atingir os seus fins.
Eleito presidente fez um primeiro mandato mais virados para os negócios e os amigos e menos para se opor aos governos de maioria do PSD.
Foi nesse tempo que surgiram os negócios da Emaudio, a subida na vida dos amigos Melancia, Rui Mateus e outros, os negócios de Macau nunca explicados e muito menos devidamente investigados por quem de direito.
No segundo mandato, para que foi reeleito com o apoio também do PSD, e dentro da leitura muito própria que faz da Constituição e das Leis da Repúblicas achando-se acima de todas elas como demonstrou sobejas vezes ao longo dos últimos anos, arvorou-se em líder da oposição ao governo e principal factor de instabilidade politica do país.
Dedicando-se, nos tempos livres, a infernizar a vida aos seus sucessores no PS!
Saído de Belém em 1996 refugiou-se numa Fundação com o seu nome, sita num edifício que lhe foi doado pelo filho enquanto presidente da câmara de Lisboa, e sustentada com escandalosos e vultuosos subsídios públicos quer da câmara de Lisboa quer dos governos do "profundamente amigo" José Sócrates.
Pelo caminho, além de cultivar amizades de gosto duvidoso como Bettino Craxi ou Yasser Arafat, encetou uma deriva ideológica à esquerda que o transformaria num quase ícone de sectores que anteriormente o tinham combatido com ferocidade e com os quais quisera sempre uma total separação de águas.
Percebeu-se então que Soares nunca seria um "senador" da República mas continuaria a ser um politico que não sabia viver sem a luz dos holofotes e uma exposição pública que lhe afagava o ego e lhe dava a pequena vingança de ser agora louvado pelos que tinham passado décadas a criticá-lo.
Foi candidato ao Parlamento Europeu, do qual quis ser Presidente e aceitou muito mal o não o ter conseguido com umas declarações completamente deselegantes que nem vale a pena recordar, mas nem o mandato terminou preferindo regressar a Portugal é às tricas de que tanto gosta da politica interna.
Em 2006, já com 81 anos, semanas depois de ter dito num jantar de aniversário perante centenas de pessoas que política "nunca mais" resolveu candidatar-se outra vez à presidência da República.
Resolvendo um problema a Sócrates (nada interessado em apoiar dessa vez a candidatura de Manuel Alegre) mas sem perceber que o seu tempo tinha definitivamente passado e que o resultado dessa aventura só podia ser o que foi.
Uma derrota clamorosa ás mãos do odiado Cavaco Silva ficando num humilhante terceiro lugar atrás de Manuel Alegre que protagonizara uma candidatura independente.
De lá para cá é o que se sabe.
Entrevistas patéticas, momentos televisivos penosos, "Aulas Magnas" em que funciona como "atestado" de bom comportamento democrático de muitos que nunca quiseram nada com a democracia, a negação do que defendera durante décadas, a aproximação aos que sempre tinha combatido.
A rábula à porta do Estabelecimento Prisional de Évora foi apenas mais um capitulo, degradante, da perda de faculdades intelectuais e físicas de um pobre velho que a família não sabe defender de momentos que ele não merecia, apesar de tudo, passar.
Objectivamente o cidadão Mário Soares podia ficar na memória dos portugueses como um vulto que num determinado espaço temporal teve um papel importantíssimo na instauração e consolidação da democracia e que depois nesta ocupou os seus mais altos cargos.
Com a aprovação de uns e a rejeição de outros como é normal nos regimes democráticos.
Infelizmente, para ele e de certa forma também para a História, acabará por ser recordado por estes últimos desgraçados anos em que por responsabilidade inicial própria e depois falta de protecção familiar se transformou numa penosa caricatura de si próprio e motivo de riso generalizado face à forma como intervém publicamente.
Não havia necessidade.
Depois Falamos.
O Guarda Redes

Não há no futebol posição tão especifica como a de guarda redes.
Tanto assim é que até tem regras diferentes das dos outros jogadores desde o poder jogar com as mãos ao ter uma área de protecção na qual não poder alvo nem de uma simples carga de ombro.
Tem também a "regalia" (chamemos-lhe assim) de quando está lesionado fazer parar o jogo que só pode ser reatado quando ele estiver recuperado ou substituído.
Mas a par disso tem também alguns anátemas.
Nos jogos de miúdos normalmente vai para a baliza quem não tem jeito para jogar à frente seja em jogos de cinco, de sete ou até de onze.
E no Brasil diz-se que ser guarda redes é tão ruim que a relva nem cresce no espaço em que eles jogam.
A verdade é que o guarda redes sendo peça indispensável numa equipa tem como missão contrariar aquilo que é a própria essência do futebol; o golo!
O golo que arrasta multidões, desata paixões, cria lendas, faz palmarés, distingue os mais fortes dos mais fracos.
E por isso o guarda redes é o "antipático".
O que impede o momento sublime que arrasta adeptos aos estádios.
Devo dizer que tenho uma imensa admiração pelos grande guarda redes que vi e vejo jogar.
Como não apreciar nomes como Sepp Maier, Preud'Homme, Buffon, Casillas, Schmeichel, Van der Saar, Dino Zoff, Manuel Neuer entre tantos outros.
Ou em Portugal nomes como Vitor Baía, Damas, Bento, José Henriques, Neno, Silvino, Jesus, Pedro Espinha entre muitos outros que poderia citar sem qualquer dificuldade.
Todos eles proporcionaram momentos sublimes de futebol com defesas espectaculares , saídas de baliza arrojadas, momento de uma coragem a toda a prova metendo a cabeça onde outros não metiam o pé.
Evitando golos!
Tudo isto para dizer que não acredito, em termos de filosofia de futebol, que Manuel Neuer possa ganhar a Bola de Ouro.
É certo que Lev Yashin a ganhou em 1963.
Noutro tempo, noutro futebol, há 51 anos.
Mas foi a excepção que confirma a regra.
Depois dele nunca mais um guarda redes venceu esse troféu.
E por isso este ano, pese embora o extraordinário guarda redes que Neuer é, acredito que o troféu se disputará(uma vez mais)entre Ronaldo e Messi.
E face ás épocas que ambos protagonizaram parece-me evidente que Ronaldo chegará ao tri.
Depois Falamos
segunda-feira, dezembro 01, 2014
Filhos e Enteados

Ás vezes reflicto sobre a sorte(?) que tem aqueles cidadãos que não gostam de futebol, não lhe ligam nenhuma, e por isso não convivem com a realidade do sector mais injusto que existe na sociedade portuguesa 40 anos depois do 25 de Abril.
Porque nada mudou tão pouco, do antigo regime para a democracia, como o futebol e os que nele ocupam o poder para seu exclusivo beneficio atropelando as mais elementares regras da ética desportiva e da verdade das competições,
Na ditadura, desportivamente falando, existiam três senhores feudais.
Benfica,Sporting e Porto.
Na democracia três senhores feudais continuam a existir.
Benfica, Porto e Sporting.
A única alteração foi que o Porto ultrapassou o Sporting e se colou ao Benfica no que ao controle do "sistema" diz respeito. Porque tudo o resto ficou igual.
A jornada de ontem foi apenas mais uma em que isso se confirmou.
Em Coimbra o Benfica venceu por 2-0 com o segundo golo a ser obtido em flagrante fora de jogo.
Nas bancadas os seus adeptos, habituados à mais absoluta impunidade, arremessaram cadeiras, atiraram petardos e tochas, obrigaram à interrupção do jogo por mais de cinco minutos e ainda ficaram admirados por a PSP lhes ter distribuído umas bastonadas em que só se perderam as que não lhes acertaram!
Aguardo, sentado, o castigo que o clube de Lisboa vai sofrer.
E cá estaremos para o comparar com os castigos que o Vitória tem sofrido.
No Dragão o Porto venceu o Rio Ave por 5-0 e por isso falar de árbitros parece ridículo.
Acontece que aos 79 minutos o resultado estava em 1-O e Olegário Benquerença(outro que nunca mais atinge o limite de idade...)já tinha perdoado um penalti ao Porto por evidente mão de Herrera e já tinha perdoado os merecidos vermelhos a Casemiro( com tempo é outro Paulinho Santos que ali se está a fazer) e Brahimi num caso por constantes faltas grosseiras e no outro por pontapear um adversário sem bola por perto.
E se o árbitro tivesse cumprido de forma isenta as leis do jogo de certeza que o resultado seria outro.
Em Alvalade, no parente mais pobre do trio de senhores feudais, realce para a forma trapalhona como William Carvalho marcou a falta que dá origem ao primeiro golo (deu dois toques sucessivos na bola mas o "enorme" Soares Dias deixou andar...) e em mais uma agressão de Maurício ( este tipo deve ter uma impressionante falta de neurónios...para além de ser fraco jogador) que passou completamente impune embora tenha sido nas "barbas" do fiscal de linha.
E é assim que neste futebol mentiroso e sem verdade desportiva se constroem campeões nacionais e se apuram clubes para a Liga dos Campeões.
Com a cumplicidade (quase) total de uma comunicação social, desportiva e não só, completamente enfeudada aos ...senhores feudais.
Um nojo!
Depois Falamos.
P.S: Querem uma prova? Vejam as reportagens da RTP sobre os incidentes de Coimbra e reparem se alguma vez aparece na narrativa a palavra Benfica.
Nem uma.
Para a RTP deviam ser adeptos sem clube...
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