Passos Seguros

Publiquei este artigo na edição de hoje do "Povo de Guimarães"
Ao contrário do que alguns mais espirituosos possam pensar o titulo deste artigo nada tem a ver com os líderes dos dois maiores partidos portugueses.
Mas tem tudo a ver, certamente, com as condições em que acho admissível um qualquer vitoriano concorrer à presidência ou aos órgãos sociais do Vitória nestes tempos tão conturbados da vida do clube.
Eu sei, porque já ando no clube há dezenas de anos não cheguei agora, que tudo que envolva o nosso clube implica desde logo uma enorme dose de paixão e de entusiasmo mas também de exigência e até alguma intolerância.
Para muitos, levados por essa paixão, é “tudo estrada” e o que importa é dotar o clube de uma gestão intrinsecamente vitoriana porque os problemas depois vão se resolvendo com maior ou menos dificuldade.
E durante muito tempo foi assim.
Mas já não é.
Porque fruto do que se passou nos últimos dez anos (e muito em especial neste três ou quatro mais recentes) gerir o Vitória significa a partir do primeiro dia encontrar um mundo de problemas financeiros, de compromissos a resolver e de situações perante o Estado (fisco e segurança social nomeadamente) que exigem não só uma enorme ponderação como a capacidade de estar preparado para os resolver.
Note-se que não estou aqui a alimentar o mito dos presidentes ricos que metiam dinheiro no clube ou tudo resolviam com avales aos financiamentos concedidos pela banca.
Porque a história nunca foi bem assim e mesmo que fosse já não é!
Por isso quem hoje quiser dirigir o Vitória necessita, para além de bons dirigentes e de um programa exequível e bem estruturado, de estar preparado para dar uma resposta financeira imediata aos problemas que lhe vão aparece pela frente.
E isso dificilmente será alcançável fora de uma SAD com investidores capazes de injectarem no clube as verbas necessárias a inverter uma situação desportiva (futebol essencialmente) que actualmente não gera as receitas que todos sabemos estarem ao seu alcance.
Mas antes de dar o passo para a SAD (e se for para uma SDUQ a necessidade não se altera) é importante que quem deseje assumir uma candidatura o faça sabendo exactamente o que vai encontrar pela frente de molde a estar preparado para implementar soluções.
E por isso, com a mesma tranquilidade com que assumi o desejo de ser candidato na AG de 28 de Outubro de 2011 ou posteriormente pedi eleições antecipadas como forma de tirar o clube do impasse em que estava mergulhado, solicitei agora a formação de uma comissão de sócios para apurarem o real passivo do Vitória.
Sócios com habilitações na área financeira (economistas e técnicos de contas) capazes de debaixo de um compromisso de reserva se sentarem á mesa com a direcção do clube, o conselho fiscal, o revisor oficial de contas e o departamento de contabilidade para apurarem os números exactos do passivo e as responsabilidades assumidas perante os credores.
E nessa comissão poderão, naturalmente, ter assento representantes dos vitorianos que já assumiram o desejo de serem candidatos à presidência do clube.
Fiz essa proposta formalmente ao senhor presidente da Assembleia Geral, cujo espírito de cooperação devo salientar, e espero agora a resposta por parte do clube para que caso concorde a comissão possa em dois /três dias apresentar os resultados do seu trabalho.
E o que se pretende de facto saber?
Muito simples.
Dividas à banca e respectivos prazos de pagamento.
Dividas ao fisco e à segurança social e acordos de regularização existentes.
Dividas a atletas, técnicos e funcionários.
Dividas a fornecedores.
Montante de eventuais processos já em contencioso.
Valor dos passes por regularizar junto de clubes onde contratamos jogadores.
Titularidade dos passes dos jogadores com contrato profissional com o VSC.
Eventuais adiantamentos de receitas nomeadamente de contratos televisivos.
Entre outras questões que não importa agora detalhar.
Creio que da resposta a estas questões, que nos possibilitarão saber não apenas o valor real do passivo mas também em que activos o clube pode estruturar a sua politica financeira e desportiva, depende a construção de candidaturas responsáveis e capazes de resolverem os reais problemas que afligem a nossa quase centenária instituição.
È com verdade, e sem a demagogia habitual nestes períodos pré eleitorais (da promessa de jogadores/treinadores á exibição de patrocínios e patrocinadores mirabolantes), que se pode servir bem o Vitória.
E para isso podem contar comigo.
Para servir o Vitória.













