sexta-feira, novembro 24, 2017

Desoladora

Foto: zerozero.

Escrever sobre "este" Vitória e sobre a desoladora temporada que vem fazendo é cada vez mais "chover no molhado".
Porque jogo após jogo, competição após competição, repetem-se as más exibições que vão dando origem ao sucessivo falhar de objectivos rumo a uma época de total frustração dos adeptos face a tanto desperdício.
Ontem em Salzburgo foi apenas mais um capitulo triste daquela a quem ousaram chamar uma das melhores equipas dos últimos dez anos mas que a realidade vem provando que é provavelmente a pior.
Uma equipa sem fio de jogo, dando sinais de estar fisicamente de rastos, com jogadores que ninguém percebe o que andam ali a fazer, sem ambição nem espírito de conquista, dando uma pálida imagem daquilo que devia ser um Vitória que entrou nesta época sabendo (desde Abril !) que tinha cinco competições para disputar.
Uma equipa débil a defender (então nos flancos...) , com um meio campo sem capacidade de construção e de dar jogo aos avançados e um ataque em que cada um joga por si e todos à espera da inspiração de Raphinha.
Uma equipa que precisava bem de meia dúzia de reforços,aptos a entrarem imediatamente no onze, mas que mesmo que eles venham em Janeiro( o que não acredito) corre o risco de ser demasiado tarde para salvar o que nos resta que é a tentativa de ir a um qualquer play off da Liga Europa da próxima época.
Mau demais para o Vitória. Mais demais para nós,adeptos, que merecemos muito mais e muito melhor.
Três notas finais:
Uma para as lesões. Que demoram eternidades a curar mas cuja cura é por vezes efémera deixando muitas interrogações sobre a eficácia de um departamento médico de cuja total remodelação continuam sem se ver os resultados positivos.
Outra para o guarda redes. Que são ambos excelentes (quer Miguel Silva quer Douglas) mas que são impotentes para resolver os problemas causados por um sector defensivo débil e por uma equipa que defende mal. Jogo após jogo prova-se que o problema não está, nem nunca esteve, nos guarda redes.
A terceira para as opções de Pedro Martins. Especialmente para a teimosia em Sturgeon que se tem revelado um total disparate face à nulidade das exibições do jogador. A verdade é que até num jogo decisivo para a continuidade na Liga Europa ( prestígio e dinheiro) se apostou num jogador que em nada justificou a aposta enquanto se deixou no banco Héldon e Hélder Ferreira e na bancada Vigário.
Razões haverá para esta insistência em Sturgeon. 
Não são é visíveis no relvado!
Em suma resta a esperança, bem pequena, de que o Salzburgo vá ganhar a Marselha para podermos aspirar ao apuramento para a próxima fase desde que ganhemos em Guimarães ao Konyaspor o que com este Vitória está muito longe de poder ser uma certeza.
É o que temos...
Depois Falamos

Namur, Bélgica


Canguru


Alpinista

Foto: National Geographic

quinta-feira, novembro 23, 2017

G 15

Abaixo deixo transcritas as propostas que o Sporting de Braga levou à reunião do chamado G 15 (que acabou por ser G 11 porque lamentavelmente houve quatro clubes que faltaram)e que agora serão trabalhadas pelos restantes clubes para em próxima reunião-29 de Novembro em Vila do Conde- ser aprovado um documento final com contributos de todos eles.
Creio que é fácil estar de acordo com este documento inicial.
Pessoalmente, neste blogue  noutros espaços, já defendi ao longos últimos anos algumas delas por entender que contribuirão de forma importante para um futebol mais verdadeiro, mais competitivo, financeiramente mais equilibrado e com mais oportunidades para todos.
Creio que qualquer vitoriano que queira analisar o assunto sem palas, e menos ainda agarrado a rivalidades que neste contexto não tem lugar a existirem, estará de acordo que é do interesse do Vitória que sejam aprovadas e rapidamente implementadas.
Até porque já se perdeu demasiado tempo e este "status quo" já dura há demasiado... tempo!
E por isso espero que na próxima reunião o Vitória esteja presente e assuma as suas responsabilidades na liderança do movimento enquanto clube histórico do nosso futebol e aquele que fora do universo dos chamados "grandes" mais adeptos representa.
Depois Falamos.


ORGANIZAÇÃO E COMPETIÇÕES

Proibição dos empréstimos entre clubes do mesmo escalão

A possibilidade de cedência de três jogadores a um clube participante da mesma competição é uma forma indireta de exercício de influência e de condicionamento da verdade desportiva que, por um lado, permite aos clubes mais fortes criar laços e parcerias e, por outro, aumentar exponencialmente os seus quadros sem qualquer relação direta com o reforço das respetivas equipas principais, inflacionando o mercado interno.


Alterações ao sorteio condicionado

O benefício concedido a alguns clubes no sorteio das competições atenta contra os princípios fundamentais das provas e impede a igualdade de tratamento que é devida a todos os competidores. Assim, entende-se que só os critérios de ordem geográfica são relevantes para condicionamento do sorteio.

Conselho de presidentes

Criação de uma assembleia de presidentes das SAD e SDUQ constituintes dos campeonatos profissionais e da qual emana a estratégia que deve ser concretizada pela Direção da Liga. O Conselho de Presidentes deve integrar também o Secretário de Estado do Desporto, comprometendo assim o Governo de Portugal com as grandes decisões que influenciam a atividade e o sector de negócio. Deve integrar também os Presidentes da Liga Portugal e da Federação Portuguesa de Futebol.

Alterações de estatutos para reformulação da direção da Liga

O assento fixo dos três clubes que apresentam melhor somatório de classificações deve ser revisto, bem como a possibilidade de estes mesmos clubes nomearem dois representantes da Liga NOS, logo assim condicionando a atividade da Direção a uma elite. A forma de composição da Direção da Liga deve obedecer a critérios democráticos, espelhando a vontade da maioria.

Antecipação do fecho da janela de transferências de verão

Fecho da janela de transferência coincidente com a semana prévia ao arranque oficial dos campeonatos profissionais, em conformidade com a decisão já anunciada pela Premier League inglesa. A imposição desta medida deve implicar a Liga Portugal e a Federação Portuguesa de Futebol, para que, em sede própria e considerando as relações institucionais com a UEFA e a FIFA, se decida a aplicação da mesma a todos os principais campeonatos europeus.

ARBITRAGEM

Entidade autónoma para gerir a arbitragem

Proposta de criação de uma entidade autónoma, externa aos organizadores das competições, que concentre e comande todo o sector da arbitragem, a exemplo do que já sucede noutras ligas profissionais.

Ex-árbitros de elite para a função de VAR

A confusão de papéis entre os árbitros não contribui para o melhor desempenho das funções, considerando ainda que a classe varia entre os seus membros no que respeita a idade, categoria ou experiência na função. Entende-se como profícua a discussão da proposta de criação de um grupo de ex-árbitros de elite que possa desempenhar a função de VAR, libertando o atual quadro de árbitros para o terreno e inibindo os constrangimentos inerentes à relação entre pares.

Divulgação dos áudios entre árbitro e VAR

Uniformização do critério de divulgação da informação respeitante à arbitragem e à organização dos jogos, respeitando o princípio da igualdade. Assim, a divulgação não pode ser avulsa, antes se verificando para todos os jogos da mesma competição ou para nenhum. Nesse âmbito cabe a divulgação dos áudios entre árbitro e VAR.

As mesmas câmaras em todos os estádios

No âmbito da função de vídeo-árbitro, urge que se defina que e quantas câmaras são necessárias para a capaz avaliação de quem serve de retaguarda aos árbitros, garantindo também que os meios de análise são iguais em todos os estádios. Não é aceitável que o escrutínio seja maior, e logo mais capaz, nuns jogos do que noutros.

Linhas de fora de jogo e tecnologia de linha de baliza

As entidades responsáveis devem forçar a implementação das tecnologias das linhas de fora de jogo e das linhas de baliza. Tais avanços são essenciais para que se possa aferir, através do VAR, situações que são de enorme influência no desfecho de um jogo e que, através dos meios já existentes, podem ser esclarecidos de forma cabal.

RECINTOS DESPORTIVOS

Segurança nos estádios

Necessidade de diligenciar junto das entidades competentes que a segurança dentro dos estádios, e considerando que o futebol é a principal indústria do País e uma bandeira da nação, seja garantida e assegurada pelo Estado, sem custos para os clubes, os quais continuarão a poder complementar esta missão com a presença de ARD (Assistentes de Recinto Desportivo).

Criação de fanzones nos estádios

Na sequência da revisão do regime de segurança nos recintos desportivos, atuar de forma a que seja possível a criação de fanzones, como centro de convívio dos adeptos.

FORMAÇÃO

Salvaguarda dos contratos de formação

Reforço urgente dos contratos de formação, permitindo às entidades formadoras salvaguardar o trabalho desenvolvido ao nível dos escalões jovens e reforçando a abrangência dos contratos de formação, atualmente um fator de diferenciação negativa.

MEDIA E ESPAÇO PÚBLICO

Intervenção sobre a qualidade da discussão do futebol

Criação de uma task force envolvendo todos os principais agentes da atividade futebol (Clubes, Liga Portugal, Federação Portuguesa de Futebol e Secretaria de Estado do Desporto) com o objetivo de restringir as intervenções públicas que lesam a honra dos vários agentes e contribuem para o descrédito do futebol nacional, estudando até a erradicação de dirigentes ou a proibição do exercício de funções de âmbito desportivo.

Promoção das competições e dos jogadores

Discussão alargada, envolvendo também os media, com o objetivo de encontrar uma plataforma comum que permita desenvolver positivamente a imagem do futebol português, garantindo espaço mediático aos seus protagonistas e permitindo a projeção, nacional e internacional, das competições.


Decisivo

O Vitória disputa hoje em Salzburgo uma partida absolutamente decisiva para a sua continuidade na Liga Europa.
Num grupo bastante disputado e em que o apuramento, bem como o primeiro lugar, ainda estão ao alcance das quatro equipas tudo dependerá dos resultados nos jogos que faltam para se saber quem segue em frente e quem fica pelo caminho nesta fase.
Com o Salzburgo a registar oito pontos, o Marselha seis e Vitória e Konyaspor quatro parece-me claro que se o Vitória vencer os dois jogos que faltam será apurado mas se vencer apenas um e empatar outro já o apuramento dependerá de muitas contas e provavelmente não acontecerá.
Para evitar isso, e num grupo que em condições normais permitiria o nosso apuramento sem complicações de maior, há que vencer hoje em Salzburgo face a uma equipa de alguma qualidade mas que está longe de ser inultrapassável mesmo para este Vitória que tantas decepções nos tem dado ao longo desta época.
Pedro Martins terá de acertar no "onze" e na estratégia de jogo, que tem necessariamente de traduzir a ambição de ganhar desde o primeiro minuto, e os jogadores terão de ter em campo a atitude compatível com essa ambição.
Se tudo isso suceder acredito que  o apuramento é possível.
Depois Falamos

Castelo,Itália


Tucano


Toronto


terça-feira, novembro 21, 2017

Pedro Santana Lopes

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

A dois meses da data marcada para a eleição directa do próximo líder do PSD, 13 de Janeiro de 2018, aumenta o ritmo de campanha e as iniciativas promovidas pelas candidaturas de Pedro Santana Lopes e Rui Rio que percorrem o país procurando convencer o universo de militantes das vantagens da respectiva candidatura e dos inconvenientes da outra.
Como é normal em democracia!
Esses roteiros, no qual cada um dos candidatos dá várias voltas ao país, passam em ambos os casos por Guimarães para sessões de esclarecimento aos militantes da secção e com porta também aberta a militantes de outras secções que queiram estar presentes.
Rui Rio esteve em Guimarães na passada sexta feira e no sábado dia 2 de Dezembro será a vez de Pedro Santana Lopes vir ao encontro dos militantes vimaranenses para lhes apresentar as suas ideias e propostas.
Para o PSD e para o país. 
Por esta ordem, que é a ordem natural das coisas.
Antes de entrar noutras considerações creio que merece claro louvor a atitude do PSD/Guimarães que atempadamente endereçou convites a ambos os candidatos, em circunstâncias rigorosamente iguais, possibilitando assim que os militantes da secção tenham a possibilidade de ouvir as propostas de ambos “ao vivo” o que não acontecerá na maioria das secções do país porque embora estejamos numa das mais longas campanhas de sempre mesmo assim o tempo não estica e por isso os candidatos não poderão corresponder a todos os convites que lhes chegam.
É pois uma boa iniciativa especialmente no contexto de umas eleições directas em que por maior que seja o cuidado (onde,como em Guimarães, ele existe) em evitar o máximo possível de “fracturas” internas são sempre tendencialmente propícias a dividir secções, distritais e até famílias entre o apoio a um e a outro candidato.
Guimarães não foge naturalmente à regra e na secção há quem apoie Pedro Santana Lopes, há quem apoie Rui Rio e há aqueles que neste momento ainda não apoiam ninguém porque ainda não conseguiram decidir qual dos perfis e qual das propostas de liderança preferem.
É para isso, para esclarecer os indecisos, que as campanhas eleitorais existem.
Importante isso sim, e estou certo que é exactamente o que vai acontecer, é esta momentânea divisão de militantes entre o apoio a cada uma das candidaturas não venha a por em causa aquela que tem sido uma das grandes e decisivas características do PSD/Guimarães,desde 2010, que é a unidade interna e a convergência de esforços naquilo que será sempre a primeira prioridade da secção e que é construir uma alternativa ao poder socialista.
Pelo que tenho visto até agora, e ao contrário do que infelizmente sucede noutros lados, creio que a campanha em Guimarães se pautará até ao fim pela sensatez, pelo respeito entre as partes, pela maturidade democrática e pela certeza de que em 14 de Janeiro, ganhe quem ganhar, só haverá um PSD e  que esse PSD só terá um líder que todos deverão ajudar na construção de uma alternativa ganhadora ao governo da geringonça.
Mas para já o que está em causa é a eleição do líder.
Que será, a seu tempo, candidato a primeiro-ministro mas que antes disso tem pela frente uma enorme tarefa de reorganizar o partido, reformar os seus estatutos e regulamentos, dinamizar as suas estruturas e mobilizar os seus militantes para os grandes combates do futuro.
Costumo dizer que o PSD nos últimos anos tem levado muita pancada!
Governou quatro anos em circunstâncias dificílimas, tomando medidas impopulares e de extrema dureza, para corrigir os erros e disparates do governo socialista liderado por essa personagem de quase ficção chamada José Sócrates.
No fim desses quatro anos, mesmo desgastado por medidas que apenas se tomam porque inevitáveis já que nenhum governante impõe austeridade por gosto próprio, liderou a coligação “Portugal à Frente” que venceu uma eleições que pareciam impossíveis de serem ganhas.
Vencendo as eleições foi impedido de governar por uma frente de esquerda que se uniu debaixo da liderança de um sujeito sem escrúpulos chamado António Costa tendo como único cimento dessa união o impedirem o PSD e o CDS de governarem.
Arredado do governo mesmo depois de ter ganho eleições o PSD teve um mau resultado nas autárquicas (não tão mau como alguns,mesmo dentro do partido, o quiseram “pintar”) também por força de algumas más escolhas que fez em grandes autarquias.
Foi muita “pancada” em relativamente pouco tempo.
E por isso o próximo líder tem uma enorme tarefa pela frente.
Na qual para lá de outras qualidades e competências terá de ter também a capacidade de transmitir aos militantes o afecto, a proximidade, a comunhão de valores que fizeram do PPD e depois do PSD o partido mais genuinamente português de Portugal.
E isso só pode ser feito por quem tenha o genuíno gosto de “viver “ o partido, de conviver com os seus militantes, a disponibilidade natural de estar presente nos bons e também nos maus momentos do PSD.
Incluindo a presença em alguns congressos sem qualquer outra razão para lá estar do que a genuína vontade em estar presente no seio da família social-democrata e sem arranjar pretextos risíveis para justificar a ausência.
Por alguém que ao serviço do PSD já tenha conhecido grandes vitórias e também algumas derrotas, que saiba o que este partido custou a fazer, que tenha tido ao longo dos anos uma permanente atitude de construção de soluções ,mesmo convivendo com lideranças partidárias que aqui ou ali não eram por ele apoiadas, sem que ao longo do seu percurso alguma vez lhe possam ser imputadas responsabilidades em derrotas eleitorais de companheiros de partido.
Acredito que Pedro Santana Lopes é o líder de que o PSD precisa.
E por isso o apoio convictamente desde o primeiro momento (não gosto de tabus…) na certeza de que o PSD por ele liderado saberá construir até 2019 uma alternativa de sucesso ao actual poder “geringonçeiro” baseada na tal reorganização do partido, na dinamização das estruturas e na mobilização dos militantes.
Creio firmemente que Pedro Santana Lopes é o melhor líder para o PSD e o melhor candidato a primeiro-ministro que o partido pode apresentar em 2019.
Não misturo é as coisas, não troco calendários, nem alinho na peregrina tese de que nestas directas se está a escolher “apenas” o candidato a primeiro-ministro.
Percebo que a evolução das “coisas” leve a que alguns queiram ir por esse caminho, já que o outro se complicou bastante, mas o respeito que tenho pelo meu partido (onde contando com os tempos da JSD milito há 42 anos) não me permite desvalorizar a eleição do seu líder transformando-a num acto menor.
Para além de considerar, sem receio de desmentido, que a presunção de que um é melhor candidato a primeiro-ministro que outro (que é cada vez mais a bandeira única da candidatura de Rui Rio) e por isso deve ser eleito líder não tem nenhuma conexão com a realidade nem nenhuma forma de ser provada de forma minimamente exacta.
São apenas profissões de fé, tão legítimas como as de quem pensa exactamente o contrário, mas que por si só nem argumento válido são para a escolha de um líder do PSD.
Mal estaria o partido se um dia elegesse um líder com base em tão solitária e mal fundamentada presunção.

P.S. Declaração de interesses: Além do apoiante que seria sempre integro a direcção de campanha de Pedro Santana Lopes a convite do próprio.

Palácio de Budavári, Budapeste


Leão

Foto: National Geographic

segunda-feira, novembro 20, 2017

G15

O meu artigo desta semana no zerozero.

Amanhã pode ser o inicio de um processo de mudança no nosso futebol, com a reunião do denominado G15 no Porto, mas também pode não passar de uma tentativa que dá em em nada se os clubes envolvidos não tiverem a coragem e o discernimento de levarem o assunto por diante.
Vamos por partes.
Segundo a comunicação social tem divulgado, mas perante o silêncio de alguns deles, os quinze clubes da primeira liga a que não chamam “grandes” descontentes com o rumo que o nosso futebol vem levando agendaram uma reunião a quinze dela excluindo Benfica, Porto e Sporting para debaterem problemas que são comuns a todos eles mas que nada dizem aos outros três a quem comummente se pode chamar os “donos disto tudo”.
Sob a liderança de Sporting de Braga, Marítimo e Belenenses (pelo menos os respectivos presidentes tem sido os mais visíveis) os clubes pretendem discutir matérias que vão dos direitos televisivos, que são um dos vértice do triângulo de poder  dos chamados “grandes”( os outros são a arbitragem e a comunicação social quase toda) , à regulamentação dos campeonatos passando pelo triste espectáculo que Benfica,Porto e Sporting tem dado com as suas guerras,guerrinha e guerrilhas constantes que apenas servem para estragar a imagem da industria do futebol e afastar patrocinadores e adeptos.
É evidente que estes quinze clubes (a confirmar-se que todos estão neste movimento) tem toda a razão para este verdadeiro “grito do Ipiranga” que agora dão.
Desde logo porque os “DDT” não jogam sozinhos, o campeonato não é só deles, sem os outros não poderiam competir mas na hora de distribuírem as receitas televisivas assiste-se  à pouca vergonha de os os três levarem o grosso do bolo enquanto aos outros tocam percentagens bem inferiores e desfasadas da realidade.
Claro que por razões de audiências seria impensável que todos recebessem o mesmo e aceita-se que quem tem mais adeptos, e portanto mais telespectadores, receba mais do que aqueles que nessa matéria (e não importa agora e aqui discutir as razões disso) são pouco mais que residuais ou que tendo números que não envergonham ainda assim andam longe dessas realidades.
Isso é uma coisa.
Outra a discrepância que existe que contribui para que o fosso entre os três e os outros seja cada vez maior com prejuízo do equilíbrio interno das competições mas também da prestação das equipas portuguesas que nas competições europeias acabam por encontrar uma competitividade a que não estão habituadas.
E por isso a exigência de mudar.
Que só pode ser no sentido de uma negociação centralizada dos direitos televisivos, feita por uma Liga que não a Liga do Proença que já deu sobejas mostras de ser incapaz de se libertar das velhas “amarras”, e na qual o “bolo” a distribuir tenha duas “fatias.
Uma a distribuir igualmente por todos e outra em função das classificações obtidas.
Só assim existirá uma distribuição equitativa, justa e que permita equilibrar minimamente as competições.
Mas também na arbitragem há que mudar.
Nomeadamente transformando o vídeo-arbitro num verdadeiro auxiliar da verdade desportiva e acabando com aquilo que ele tem sido e que é ser mais um factor de protecção e favorecimentos dos “donos disto tudo” como semana após semana se vem assistindo.
Também na área da comunicação social, especialmente das televisões e da descarada protecção e promoção que oferecem a Benfica,Porto e Sporting bem como aos seus patrocinadores, os clubes tem de tomar posições firmes e exigir equidade no tratamento, no acesso à opinião televisiva, na cobertura justa das suas actividades e na divulgação da suas posições.
O G15 é um movimento justo e que tem toda a razão de ser.
Se algum defeito tem é pecar pelo atraso porque já devia ter surgido há muitos anos atrás de molde a evitar a triste situação que temos hoje de um futebol sem credibilidade, com a verdade desportiva pelas ruas da amargura e com uma imagem pública cada vez mais semelhante às rixas de taberna por culpa exclusiva dos chamados “grandes” , dos seus responsáveis e alguns funcionários.
A pergunta para o milhão de dólares é contudo esta:
Terá o movimento a força, a coragem e a liberdade de avançar rumo ao pretendido ou vai ser sabotado por alguns “cavalos de Troia” que sempre surgem nestas oportunidades dispostos a venderem-se por um prato de lentilhas a que também se pode, neste caso, chamar empréstimos de jogadores?
Essa é a questão fundamental.
Que pode transformar esta terça feira no principio de uma revolução no nosso futebol ou apenas numa declaração de intenções sem qualquer efeito prático.
A ver vamos….

O Nosso 14

Para este jogo o treinador Pedro Martins fez algumas mexidas na equipa, como aliás lhe tem sido habitual, a mais significativa das quais terá sido a utilização de Wakaso deixando Moreno no banco e nem sequer convocando Dénis Duarte pese embora as lesões de Jubal e Marcos Valente.
Individualmente:
Douglas: Regressou à baliza e numa noite de pouco trabalho não foi feliz porque no golo podia ter feito bem mais.
Vítor Garcia: Uma exibição de bom nível sendo incisivo a atacar e sem problemas a defender.
Wakaso: Jogando fora do seu lugar cumpriu sem especiais problemas.
Pedro Henrique:Finalmente de regresso transmitiu segurança ao sector.
Konan: Atacou ao nível da época passada,ou seja, bem, e defendeu como sempre,ou seja,mal.
Rafael Miranda: Discreto.
Célis: Muito lutador mas pouco esclarecido na hora de sair a jogar.
Francisco Ramos: Esteve pouco em jogo.
Héldon: Fez o golo com sentido de oportunidade mas depois foi inconsequente.
Rafael Martins: Lutador e perdulário.
Raphinha: Um golo espectacular, uma assistência magnifica para outro, uma bola na trave e uma oportunidade negada por grande defesa do guarda redes é o resumo de uma bela exibição do melhor jogador desta equipa. E o o mais esclarecido também.
Foram suplentes utilizados:
Hurtado: A enorme vaia que o senhor Hurtado recebeu ao entrar em campo deve ter-lhe dado a medida do descontentamento dos adeptos com as suas opções profissionais. No jogo propriamente dito deu pleno cumprimento ao plano de preparação para o Mundial,ou seja, não se cansou nem correu o risco de se lesionar.
Sturgeon: Mais uma oportunidade a que correspondeu mais um desperdício da mesma. Da mesma e de uma oportunidade de baliza aberta em que falhar era mesmo o mais difícil. Mas conseguiu. 
Kiko: Rendei Ramos mas sem tempo para nada de especial.
Não foram utilizados:
Miguel Silva, Moreno, João Aurélio e Texeira.

Melhor em campo: Raphinha

Pese embora o nível exibicional ainda não ser o desejável ( e exigível) a equipa denota melhorias nos processos ofensivos criando várias oportunidades de golo que depois desperdiça a um ritmo inglório na hora de concretizar. 
Para essa melhoria contribui o facto de Raphinha não estar "preso" a um flanco, e ter liberdade de percorrer toda a frente de ataque tornando-se mais difícil de marcar pelas defensivas adversárias, surgindo ora à direita,ora à esquerda ou até no centro para rematar ou assistir companheiros.
Mas não deixa de ser um sistema muito dependente de um só jogador o que fragiliza a equipa perante uma eventual ausência por lesão,castigo, abaixamento de forma ou uma qualquer "janeirice".
De qualquer forma neste jogo o essencial foi conseguido e o Vitória estará no sorteio dos oitavos de final.
Depois Falamos.

Salzburgo