terça-feira, setembro 19, 2017

Ponte

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

Há muitos anos atrás uma banda que já não existe, os Jafumega, cantavam uma música-Ribeira- cujo refrão era “...a ponte é uma passagem,para a outra margem...” e que fez grande sucesso nesses tempos.
Hoje nas eleições autárquicas em Guimarães também há uma “Ponte” que separa de forma inultrapassável duas margens que nada tem a ver entre elas.
De um lado está a margem da decência percorrida por todos quantos tem da politica uma visão assente em ética, valores, coerência e respeito por companheiros e adversários enquanto do outro lado se situam todos aqueles que acham simplesmente que na política e na vida...vale tudo.
Mas não vale.
Em 2013 a freguesia de Ponte era governada pelo PS dando sequência anteriores vitórias socialistas nessa freguesia.
Nesse ano a coligação “Juntos por Guimarães” apresentou uma candidatura liderada por um cabeça de lista cujos méritos pessoais e profissionais não discuto, também porque não os conheço, mas que politicamente não era rigorosamente ninguém por ser completamente desconhecido das lides políticas.
Foram a coligação e André Coelho Lima que lhe deram a oportunidade aparecer e ser alguém na politica vimaranense.
Durante quatro anos o presidente de junta e a sua equipa governaram a freguesia tendo tido da parte da coligação e dos partidos que a compõe todo o apoio, toda a solidariedade, todas as oportunidades de promover a imagem (do presidente de junta bem entendido) por considerarem que era um quadro político capaz, leal e no qual valia a pena apostar.
Recordo a propósito a vinda a Guimarães do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, durante a sua campanha presidencial, e em que no almoço realizado foi dada ao presidente de junta uma notoriedade e um protagonismo manifestamente acima do que seria normal precisamente no âmbito dessa ideia de que era um político para o futuro e com futuro.
Ao longo desses quatro anos em  todos os contactos, em todas as reuniões em que esteve presente, em todas as conversas que manteve com André Coelho Lima e restantes dirigentes da coligação nunca o presidente de junta manifestou uma discordância, uma divergência, uma opinião diferente.
Nomeadamente no grupo parlamentar do PSD, de que fazia parte, e onde nunca lhe foi conhecida qualquer divergência com a orientação política seguida.
Nenhuma!
Tudo parecia decorrer , pois, na maior das normalidades dentro do que deve ser a relação entre um eleito e a força política que o elegeu.
Parecia…
Porque em simultâneo com essa atitude “às claras”o presidente de junta, no negrume da “noite” , andava em negociações com o PS, em grandes negociações com Domingos Bragança, num 
”namoro” eticamente obsceno que dificilmente podia deixar de resultar num “casamento” para as autárquicas de 2017.
Deve dizer-se que em abono da verdade há muito tempo que algumas atitudes amáveis a raiarem a pura bajulação do presidente de junta para com Domingos Bragança e em simultâneo atitudes descorteses para com André Coelho Lima indiciavam que à primeira “cavadela” apareceria grande “minhoca” que é ,como se sabe,  um verme invertebrado.
E como se sabe que nesta matéria de “comprar” autarcas de outros partidos o PS de Guimarães nunca foi de cerimónias, nem que para isso tenha de por de lado os seus próprios camaradas das freguesias onde vai fazer essas “aquisições”, havia mais que razões para estar de pé atrás com as movimentações numa das margens da Ponte.
Bastava ver a página de Facebook do presidente de junta para se perceber o “negócio” que se desenhava entre ele e Domingos Bragança.
Mas em nome de um personalismo de que o PSD não abdica, e da recusa em fazer falsos e eventuais injustos juízos sobre terceiros (mesmo quando paulatinamente iam existindo cada vez mais razões para isso…), esperou-se uma definição por parte do presidente de junta que ao longo dos últimos meses nunca disse aos dirigentes da coligação que não seria por ela candidato.
Mas um dia, quando já não podia adiar mais, lá assumiu o segredo mais mal escondido da politica vimaranense e afirmando-se candidato pelo PS não resistiu a numa de subserviência , sabujice e ingratidão lançar um ataque pessoal mentiroso e desavergonhado ao André Coelho Lima através da comparação dele e de Domingos Bragança com personagens do mundo futebolístico  não atingindo sequer o ridículo de que se cobriu ao enveredar por esses caminhos.
Percebo que quem nasce para dar 8 não possa dar 80 em termos de intelecto, de elegância, de correcção nos procedimentos e portanto lhe fuja a boca para a facilidade da linguagem  futebolística, quando quer justificar o injustificável, mas nada explica o tratar mal quem sempre o tratou bem.
Felizmente Ponte tem outra margem.
A margem da decência.
Na qual se reuniram diversas pessoas de vários partidos,e outras sem partido, que não se conformando com a imagem que o presidente de junta estava a dar da freguesia nas suas trocas e baldrocas político partidárias resolveram convergir no essencial e deixando de lado naturais divergências partidárias (as que militam em partidos obviamente) uniram-se em volta de um projecto comum para a sua freguesia apostadas em contribuírem para o seu progresso pelo mérito próprio da comunidade e não por razões de outra ordem.
Sob o sugestivo nome de “O Nosso Partido é Ponte” e lideradas por Diana Fernandes, uma pessoa inteligente, dinâmica e profunda conhecedora da sua freguesia, esse grupo de cidadãos protagoniza uma candidatura independente das forças partidárias que tem como objectivo primeiro, único e ultimo o desenvolvimento da vila de Ponte sem que para tal necessitem de vender a alma ao diabo ou recorrerem a um qualquer “alfaiate” da politica que as ajude a virar a casaca.
“ A ponte é uma passagem para a outra margem” cantavam os Jafumega.
No dia 1 de Outubro os eleitores de Ponte terão,também eles,a oportunidade de levarem a sua freguesia para a outra margem. 
A da decência.
Apoiando Diana Fernandes e a sua equipa!

Infelizmente Natural

Não vale a pena procurarmos explicações muito rebuscadas para a derrota do Vitória em Braga num jogo em que nunca deu,sequer, a sensação de o poder ganhar.
Porque estavam frente  a frente realidades muito diversas.
De um lado o Braga que aprendeu com os erros da época passada, reforçou quantitativa e qualitativamente a equipa de forma significativa, preparou a temporada de forma consistente e ambiciosa face às competições que tem para disputar e vinha de vencer em casa do quinto classificado da liga alemã a apenas dois pontos do primeiro.
Do outro lado um Vitória onde o quarto lugar da época passada parece ter sido, para alguns, algo de excepcional (como se o clube não tivesse já alcançado esse lugar-e melhores-por varias vezes) a merecer festejos sem fim, que preparou a época de forma leviana e incapaz, que dispensou e cedeu jogadores que tinham lugar neste plantel (e ,pior, fê-lo sem ter alternativas) , que se reforçou mal deixando lacunas graves em todos os sectores, que esperou por empréstimos que nunca vieram, que se viu obrigado a recorrer ao mercado de desempregados para tentar colmatar tarde e a más horas o que teve imenso tempo para fazer e que vinha de um empate em casa face a um Salzburgo que a equipa de há um ano teria vencido sem problemas de maior.
Eram as realidades em confronto na "Pedreira".
E por isso o Braga ganhou e por isso o Vitória perdeu.
Perdeu face a um Braga fisicamente mal, que apesar de ter um excelente plantel não fez uma excelente exibição, perdeu porque deu durante noventa minutos uma aflitiva imagem de fragilidade, de impotência, de incapacidade de jogar e de jogar como equipa.
Por isso a derrota foi infelizmente natural.
E pese embora uma inevitável decepção com a gestão técnica da equipa a cargo de um Pedro Martins que parece baralhado, e até perdido, na liderança de um plantel com número significativo  de jogadores chegados às "pinguinhas" e que ainda estão a fazer a pré época, dois meses depois do tempo destinado a isso, é óbvio que a responsabilidade maior não é dele mas sim de uma SAD que não soube preparar a época, consolidar o que de bom foi feito na época passada e merecer a confiança e entusiasmo dos adeptos que como sempre são o que de melhor e mais fiável o clube tem.
O que em tempo de gestões profissionais é completamente inadmissível.
Depois Falamos

Estrelas


Bérgamo, Itália


Macaquices


segunda-feira, setembro 18, 2017

Lugar Ingrato

O meu artigo desta semana no zerozero.

Não há no futebol lugar mais ingrato que o de guarda-redes.
Tão ingrato é que no Brasil, onde ser guarda-redes é quase “castigo”, se costuma dizer que guarda-redes é lugar tão ruim que onde ele joga nem nasce relva!
A verdade é que jogar à baliza pressupõe qualidades e a aptidões muito diferentes das que são necessárias para jogar noutras posições, desde logo porque os jogadores de campo jogam essencialmente com os pés enquanto os que vão para a baliza jogam quase sempre com as mãos, o que torna o guarda-redes num corpo quase estranho numa equipa de futebol.
Estranho mas decisivo.
Porque enquanto os jogadores de campo tem o “direito” de falharem, sem que desses falhanços resultem situações comprometedoras em muito dos casos, já quando o guarda-redes falha o mais certo é a equipa ser penalizada com um golo.
E por isso desde os grandes mestres aos treinadores recentemente diplomados (já no que toca a dirigentes o panorama é por vezes bastante diferente) todos sabem que uma boa equipa se constrói de trás para a frente e nessa construção o guarda-redes tem um papel absolutamente decisivo.
Não é em vão que se diz que os ataques ganham jogos mas as defesas (incluindo os guarda redes como é óbvio) ganham campeonatos pelo que ter um grande guarda-redes equivale a ganhar desde logo alguns pontos.
E por isso ao longo dos anos, nomeadamente nas últimas décadas, o treino dos guarda-redes que dantes se processava sem grandes diferenças em relação ao dos restantes jogadores passou a adquirir características extremamente especificas surgindo técnicos especializados no seu treino e autonomizando cada vez mais os guarda-redes dos outros colegas de equipa.
Bastará atentar, e eu gosto bem de o fazer, na forma como jogadores de campo e guarda-redes fazem o aquecimento antes dos jogos para perceber que há todo um mundo de diferenças entre eles ao ponto de alguns guarda-redes trabalharem mais no aquecimento do que no próprio jogo que se lhe segue.
Não admira por isso que nos clubes onde se sabe que a diferença está nos detalhes, e se valoriza devidamente a competência provada e comprovada, se dê hoje uma particular atenção à contratação dos treinadores de guarda-redes porque do seu trabalho podem resultar os tais pontos que no fim das provas fazem a diferença.
Sendo igualmente certo que por maior que seja a sua competência não fazem milagres como o de transformarem guarda-redes “apenas” bons nos tais guarda-redes de topo que podem dar muitos pontos, títulos e troféus.
Atente-se, a título de exemplo, no que se passa nos três candidatos ao título.
Enquanto o Sporting tem na baliza um dos melhores guarda-redes do mundo e titular indiscutível da selecção campeã europeia, o Porto tem como número um uma autêntica lenda do futebol que é um dos melhores guarda-redes de todos os tempos, o Benfica vendeu o excelente Ederson, manteve um Júlio César em fim de carreira e muitas vezes lesionado o que levou Rui Vitória a ver-se obrigado a dar a titularidade a um jovem Bruno Varela que sendo um bom guarda-redes está muito longe de se poder comparar aos que defendem as balizas dos principais rivais.
E é um caso paradigmático de um clube que tendo um dos melhores treinadores de guarda-redes do futebol europeu, Luís Esteves, não lhe pode pedir o milagre de transformar Bruno Varela num iker Casillas ou num Rui Patrício porque isso não está ao alcance dele nem de ninguém.
É simplesmente impossível.
E isso, mais a opção errada dos dirigentes em não contratarem um guarda-redes ao nível do transferido Ederson, vai custar os tais pontos que no apuramento final do campeonato podem fazer diferença.
Muita diferença diria.
Tenho muito apreço pelos guarda-redes.
Posição solitária, que requer qualidades muito específicas das quais a coragem não é a menor, facilmente responsabilizados pelas derrotas mas mais raramente apreciados na hora dos triunfos são ainda assim um espectáculo dentro do espectáculo e proporcionam ao futebol alguns dos seus momentos mais sensacionais.
Já vi jogar tantos guarda-redes de elevado nível que me é impossível dizer com justiça quais os melhores porque correria sempre o risco de me esquecer de algum.
Ainda assim se tivesse de escolher dez seriam estes:
Michel Preud’Homme, Peter Schmeichel, Manuel Neuer, Rinat Dasaev, Gianluigi Buffon, Iker Casillas, Lev Yashin, Vitor Baía, Sepp Maier e Edwin Van der Sar sem que a ordem tenha qualquer significado.
Opções de quem aprecia, desde sempre, a forma de jogar dos “donos” das balizas.

sexta-feira, setembro 15, 2017

O Nosso 14

Pela primeira vez na história das competições europeias uma equipa iniciou um jogo sem nenhum europeu no onze inicial.
Um facto descoberto pelo jornal inglês Daily Mirror e rapidamente reproduzido por imprensa europeia e mundial tal o insólito do sucedido.
Uma triste estreia que calhou em azar ao Vitória, um clube que vem fazendo da formação e do aproveitamento dos talentos das suas camadas jovens uma  "bandeira", mas que na noite de ontem contradisse por completo essa "bandeira" alinhando onze afro-americanos (e depois entrariam mais dois) mais parecendo estar a disputar a Copa América ou a CAN do que a Liga Europa.
Embora tenhamos de compreender que depois de nos últimos anos terem sido vendidos tantos jovens portugueses da nossa formação (Ricardo, Paulo Oliveira, João Pedro, Tiago Rodrigues,Josué, etc) a "árvore dos talentos" não consiga repôr ao mesmo ritmo as baixas sofridas como, aliás, sempre escrevi desde 2013.
E se isso, a utilização simultânea de onze afro-americanos, já é mau por várias razões pior se torna quando constatamos que toda essa aposta em jogadores importados rendeu bem pouco em termos exibicionais e de resultados.
Como infelizmente vem sendo norma esta época.
Individualmente:
Douglas: Fica ligado ao resultado pelas enormes responsabilidades que tem no golo com uma saída dos postes em que ficou a meio do caminho. No resto teve pouco que fazer também graças à fraca pontaria dos adversários.
Vitor Garcia: Aguentou-se bem não comprometendo a defender e integrando-se no ataque sempre que possível.
Jubal: Não comprometeu mas evidenciou dificuldades quando a bola era metida nas suas costas.
Pedro Henrique: Fez o golo e partilhou das dificuldades do colega de sector.
Konan: Francamente mal. Um inicio de jogo a agarrar-se à bola, a querer driblar e tudo a sair-lhe mal com a equipa a ser apanhada em contra pé. Condição fisíca deficiente,especialmente perceptível quando precisava de recuperar a posição e o fazia a ritmo de "jogging", está longe do jogador da época passada. Muito trabalho pela frente.
Wakaso: Boa exibição a dar agressividade à intermediária e a recuperar bolas. Até agora a mais acertada das contratações.
Célis: O mais inconformado dos vitorianos sempre a empurrar a equipa para o ataque e com boa colaboração defensiva. Um bom jogo.
Hurtado: Uma exibição muito discreta num dia em que a equipa precisava do melhor Hurtado. Fez o cruzamento para o golo e pouco mais. Lamentável a forma como saiu, a passo, aquando da substituição dando ares de vedeta que a exibição infelizmente não confirmou.
Rincón: Um dos que está a fazer a pré temporada e em processos de adaptação a uma nova realidade. E isso reflectiu-se numa exibição esforçada mas nada mais.
Texeira: Uma exibição esforçada em que se fartou de ganhar lances aos centrais mas depois nunca teve a ajuda necessária dos colegas na segunda bola. Sem cruzamentos e últimos passes eficazes não teve ensejo de rematar. Creio que rende mais jogando num esquema de dois pontas de lança jogando ligeiramente atrás do colega.
Raphinha: Um jogo discreto.
Foram suplentes utilizados:
Kiko: A um jovem de 20 anos a fazer a sua terceira aparição na equipa A não era justo pedir-lhe que pusesse "ordem" numa "casa" em alguma desordem e num meio campo que não conseguia ligar jogadas.Não comprometeu mas também não pôde ter a influência que o treinador gostaria.
Heldon: Trouxe algum,pouco, irrequietismo mas sem qualquer influência no desenrolas do jogo.
Rafael Miranda: Entrou nos instantes finais para ajudar a segurar o empate o que de alguma forma diz tudo sobre como o jogo correu para o Vitória.
Não foram utilizados:

Miguel Silva, João Aurélio, Marcos Valente e Sturgeon

Melhor em campo: Célis

Depois deste arranque a meio gás na Liga Europa a equipa tem de se concentrar no campeonato e em especial na difícil deslocação a Braga onde vai encontrar o velho rival moralizadissimo pelo triunfo na Alemanha face a um adversário que vinha de derrotar o Bayern de Munique.
O Vitória entra com um ponto de avanço na classificação e é de desejar que no mínimo saia com o mesmo ponto para que a equipa ( e os adeptos) aí encontrem um facto de moralização para os difíceis compromissos que se avizinham.
Depois Falamos

Buraymi, Omã


Baleia

Foto: National Geographic

Regresso Amorfo

O Vitória é um dos clubes portugueses como mais participações europeias, longe é certo dos três "donos disto tudo" e atrás de Braga,Boavista e Vitória Futebol Clube, mas nunca teve com a Europa uma relação particularmente feliz!
Desde a sua estreia há quase cinquenta anos atrás que as participações do clube nas três provas das UEFA (agora são apenas duas mas ainda chegamos a participar na Taça das Taças) raramente se saldaram por um sucesso face às expectativas sempre despertadas nos adeptos por essas participações.
Com excepção da inesquecível caminhada de 1986/1987 até aos quartos de final da taça Uefa e da eliminação uma década depois do então poderoso Parma as participações europeias vitorianas raramente fugiram da mediania restando-nos a consolação de pelo nosso estádio terem passado emblemas como Barcelona, Ajax, Lázio, Aston Villa, Parma, Atlético de Madrid, Borússia de Monchengladbach, Anderlecht , Celtic entre outros.
Sétimo clube português em número de jogos europeus o Vitória ainda deve a si próprio, neste século 21, uma grande participação europeia ao nível das conseguidas nos últimos anos por clubes que com ele disputam classificações como Braga ou Boavista.
Esperava-se que fosse este ano, quer devido à forma  como terminamos a época anterior quer por força do grupo que nos tocou em sorte, mas dada a forma como o plantel foi constituído, tarde e a más hora e mesmo assim com lacunas, começa a parecer que vai ser difícil que isso aconteça.
O jogo de ontem foi a prova disso.
E não deixa de ser sintomático que em noite de regresso à Europa, numa amena noite de Verão e com bilhetes e packs perfeitamente acessíveis, a lotação do estádio tenha estado abaixo dos 15.000 espectadores (menos de meia casa) o que traduz algum cepticismo dos adeptos em relação às possibilidades da equipa nesta competição.
E é esse o primeiro e grande problema que urge resolver.
Restaurar e reforçar a confiança e o entusiasmo dos adeptos desnecessariamente abalados por um início de época decepcionante.
Depois Falamos

Lisonjeiro

O regresso do Vitória às competições europeias esteve longe de corresponder às expectativas acalentadas pelos seus adeptos que porventura iludidos pelo "pouco" nome europeu do adversário terão pensado, em muitos casos, que seria uma equipa acessível a este Vitória.
A outros , de passado até recente, seria mas a este não.
Entrando em campo com uma verdadeira "sociedade de nações" afro-americanas (primeira vez na história das competições europeias em que uma equipa alinhou com onze não europeus, duvidosa "honra" que bem dispensávamos,...), com alguns jogadores acabados de chegar e que mal conhecem o nome dos colegas e outros em plena pré época (nalguns casos os mesmos) o Vitória só não foi uma presa fácil para a equipa austríaca porque esta revelou, felizmente para nós, uma pontaria desastrosa na hora de finalizar fazendo vários remates saírem perigosamente perto dos postes da baliza de Douglas.
No resto o Salzburgo, muito mais "equipa", controlou o jogo a seu bel prazer, impôs o ritmo que lhe dava jeito e quando acelerava no último terço do terreno criava situações de grande desconforto à defensiva vitoriana que se via em palpos de aranha para suster as jogadas de entendimento dos adversários que nalguns casos se davam ao "luxo" de trocarem a bola dentro da grande área do Vitória.
É certo que na primeira parte ainda existiram alguns períodos em que o Vitória desenvolveu jogadas de bom recorte e deu a sensação de poder aspirar a ganhar o jogo muito especialmente depois de se adiantar no marcador.
Mas o empate ao cair do pano, num lance em que Douglas ficou a meio caminho ( o que diriam alguns se fosse Miguel Silva a cometer aquele erro...), "matou" animicamente o Vitória que na segunda parte se foi abaixo,também fisicamente, e acabou o jogo a defender o resultado em casa perante o adversário em teoria mais acessível do grupo.
Sem que tivesse feito, em toda a segunda parte e tanto quanto me lembro, um único remate digno desse nome.
Com as duas primeiras substituições( o cabo verdiano Heldon e o português,aleluia, Kiko) o técnico vitoriano ainda tentou "consertar" a equipa e dar-lhe mais posse e melhor circulação de bola por um lado e mais criatividade nos flancos por outro mas foram tentativas falhadas perante um adversário que já controlava o jogo como queria.
Ao que num acto de pragmatismo, que se compreendeu mas se lamenta a necessidade, acabou por meter o brasileiro (décimo terceiro afro-americano utilizado no jogo) Rafael Miranda para ajudar a defender o "pontinho" possível.
No final do jogo, em declarações à imprensa, Pedro Martins considerou a conquista de um ponto um resultado positivo (e face ao que se viu até foi, mas esperava-se era ver muito mais) e atribuiu a queda de rendimento a "problemas mentais na equipa"(sic) , "problemas fisícos"  e "quatro ou cinco jogadores que ainda não estão bem fisicamente" (não se percebe então porque jogaram e muito menos porque jogaram todos) como se poderá confirmar aqui.
Desculpas e justificações à parte este melancólico inicio de participação do Vitória na Liga Europa tem uma explicação muito simples que todos conhecem e que só não reconhece quem se recusa a olhar para a realidade de frente.
Uma época mal preparada, contratações tardias e nalguns casos com valor por provar, jogadores que são nossos que foram mal dispensados e mal emprestados, um plantel inferior ao que iniciou e até ao que terminou a época passada, uma aposta completamente falhada em empréstimos que não se concretizaram, uma equipa abaixo do necessário para disputar as cinco competições que há muito tempo sabíamos que teríamos para disputar em 2017/2018.
Factos!
E por isso perdemos uma supertaça que estava ao nosso alcance, por isso ganhamos "à rasquinha" dois jogos em casa, por isso fomos goleados por Sporting e Estoril, por isso fomos empatar ao Paços de Ferreira mais fraco dos últimos anos.
Há que melhorar, e muito, para não ser mais um "ano zero", mais uma época frustrante, mais tempo perdido na construção da equipa que os adeptos merecem e que vem sendo sucessivamente adiada por erros de gestão desportiva.
Não sendo o mercado de desempregados solução para quase nada, por razões tão óbvias que me dispenso de as elencar,  será com os que estão que o Vitória terá de relançar a sua época e dar resposta aos difíceis compromissos que tem nas próximas semanas.
Mas para isso exige-se, a Pedro Martins, a criatividade, o risco e a abertura de espírito  necessários para tomar as decisões que se impõe.
Aguardemos...na certeza de que domingo já teremos de ter um Vitória diferente para melhor sob pena de as coisas se complicarem.
Depois Falamos.

quinta-feira, setembro 14, 2017

Avião


Caracol


Dubrovnik, Croácia


E Continuou...

Depois de ter começado na terça feira a primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões conclui-se ontem com os restantes oito jogos que com uma ou outra excepção foram menos interessantes que os que os antecederam.
Talvez também porque as equipas envolvidas, com algumas excepções (Real Madrid, Manchester City, Liverpool, Dortmund, Tottenham) , eram mais de perfil de Liga Europa do que de liga dos Campeões.
Os factos de maior destaque?
Três. 
A derrota caseira do Porto, os dois golos de Ronaldo e a convincente vitória fora de portas do Manchester City.
No "Dragão" um Porto confiante (e com adeptos muito divertidos depois da derrota na noite anterior do Benfica) foi surpreendido por uma boa equipa do Besiktas que segura a defender e venenosa a atacar construiu um triunfo que não deixa duvidas e que dará muito que pensar aos portistas.
Valerá que é um grupo tão equilibrado que está tudo em aberto (tal como no do Benfica em que apenas o Manchester United é de outro "mundo") e o Porto ainda poderá ir buscar fora o que perdeu agora em casa.
Duas notas a salientar: Uma para o facto de o Porto ter terminado o jogo tendo em campo seis jogadores (Ricardo, André André, Hernâni, Otávio, Marega e Soares) que já passaram pelo Vitória e cá deixaram gratas memórias. Curioso mesmo ter terminado o jogo com um trio de ataque (Marega,Soares e Hernâni) que tão importante foi na época passada em Guimarães!
A outra para o bonito aplauso do "Dragão" em pé aquando da substituição de Quaresma. O fair play e a gratidão ficam sempre bem.
Em Madrid Ronaldo regressou e não fez a coisa por menos; dois golos e a prova provada de que o Real sem ele vale para aí metade. Como se tem visto no campeonato aliás.
Em Roterdão passou o "furacão" Guardiola que levou o seu City a um triunfo esmagador deixando  a "banheira" afogada no desconsolo de um resultado que não esperava de forma nenhuma.
Este Manchester City promete quer na liga dos campeões quer no campeonato inglês.
Nos restantes jogos reinou o equilíbrio, ligeiramente quebrado na sólida vitória do Tottenham sobre o Dortmund (3-1), prometendo uma fase  de grupos bastante equilibrada e tornando praticamente impossível prever desde já quem passará à fase seguinte.
Com excepção, é claro, de clubes como Barcelona, Manchester United, Real Madrid, Manchester City, PSG, Chelsea e Bayern que já lá estão.
A 26 e 27 de Setembro há mais, com Sporting-Barcelona, Dortmund-Real Madrid e Atlético de Madrid.Chelsea a despertarem as maiores atenções.
Depois Falamos