terça-feira, agosto 30, 2016

O Nosso 14

O resultado foi excelente, a exibição atingiu períodos de brilhantismo, mas esta equipa está ainda longe de ser "produto acabado" quer na sua constituição ideal quer no grupo que lhe dá suporte em termos de alternativas ao que se pode considerar o onze base.
Precisa de duas coisas essencialmente.
Uma  é um central experiente e um trinco mais "pesado" que dê garantias em terrenos de inverno.
A outra é não sair mais ninguém.
Muito menos se isso for pretexto para virem mais "emprestados".
Individualmente:
Douglas: Sem culpa nos golos ainda evitou outro com defesa de grande nível.
João Aurélio: Melhor a atacar do que a defender, onde dá demasiados espaços, precisa de melhorar fisicamente. Neste estado de forma não entendo porque não joga Bruno Gaspar.
Josué: Bom jogo do capitão vitoriano. A defender nada a apontar e a atacar saiu várias vezes a jogar de forma esclarecida.
Pedro Henrique: Tem responsabilidades no primeiro golo pacense.Depois uma exibição algo intranquila nomeadamente com a bola nos pés.
Rúben Ferreira: Não me parece um jogador em forma com a agravante de, ao contrário de J.Aurélio, não existir alternativa visível. A saída de Luís Rocha foi um erro evidente.
Rafael Miranda: Uma exibição de altos e baixos. Bem a desarmar, regular a passar, mal quando recuou para a beira dos centrais e complicou alguns lances.
João Pedro: Formou com Marega a dupla de melhores e mais decisivos jogadores vitorianos nos ultimos dois jogos. É claramente um jovem talentoso a caminho de uma bela carreira. Joga , faz jogar, lidera o meio campo vitoriano com classe.
Hurtado: Um belo golo, uma movimentação mais consistente mas longe de tal lhe garantir a continuidade como titular. Especialmente agora que chegaram Bernard e Hernâni.
Marega: Três golos em dois jogos, jogadas impressionantes de força, um terror para a defesa adversária. Pela compleição e forma de jogar lembra-me Yekini que tanto brilhou (e marcou) no outro Vitória. A continuar assim temos boas razões para recear...Janeiro.
Soares: Encontrou o golo que procurava com algum "desespero" desde que tinha falhado o penalti com o Braga. E vai certamente marcar muitos mais porque é homem-golo.Um bom jogo e um entendimento prometedor com Marega.
Rafinha: Um jovem cheio de talento que de jogo para jogo se vem afirmando fruto da confiança que está a ganhar. Um golo na Madeira, uma assistência para Marega depois de uma excelente jogada, um talento para extremo que qualquer equipa aprecia. Não é um jogador feito (naquela idade ninguém o é) mas promete ser um grande jogador se continuar a evoluir a este ritmo. Para isso tem de jogar.
Os suplentes utilizados foram:
Bernard: Mostrou a boa técnica que já se lhe conhecia e ao fim de apenas dois dias de treino não se podia exigir mais. Uma coisa é certa: Esta equipa é veloz na forma de jogar e Bernard tem de se adaptar a isso se quiser ter lugar nela.
Alexandre Silva: Sem tempo para grande coisas.
Moreno: Entrou para queimar tempo.
Não foram utilizados:
João Miguel Silva, Bruno Gaspar, Tozé e Areias

Melhor em Campo: Marega

Decorridos três jogos, e agora que a Liga vai parar duas semanas, podemos considerar que o Vitória teve um bom inicio de época (o percalço da 1ª jornada foi apenas isso,um percalço) e as perspectivas são positivas.
Desde que não se pratique um "hara quiri" em relação ao plantel.
Depois Falamos

Curta Reflexão

Não sou muito, nem pouco, de ver noticiários televisivos sobre desgraças.
A maior parte não passam de lixo televisivo.
Crimes, mortes, assassinatos, desgraças várias, "directos" de funerais, entrevistas a familiares próximos dos mortos, roubos e assaltos, sequestros e agressões é toda uma girândola de aproveitamento sensacionalista da desgraça alheia que repudio por completo.
E por isso não escrevo sobre esses assuntos.
Mas hoje abro uma excepção para breve comentário a dois casos recentes:
O de Ponte de Sor e o de Gondomar.
Que envolvem apenas e só adolescentes.
Num caso dois jovens de 17 anos, embriagados, agridem brutalmente um de 15 anos levando-o à cama do hospital numa situação clínica muito grave.
Noutro um jovem de 16 anos mata, por ciúmes, um outro de 14 anos.
Embriaguez e ciúmes.
Numa faixa etária entre 14 e 17 anos?
Idades demasiado precoces, digo eu, para jovens beberem alcool e para namorarem.
Antiquado?
Talvez seja.
Mas o que é ser moderno?
Conviver com realidades destas?
Duvido.
Depois Falamos

P.S Claro que ambos os casos tem uma complexidade e uma envolvência (especialmente o primeiro) bem maiores. Mas o objectivo deste texto é mesmo uma reflexão muito simples

Sacré Coeur, Paris


Balão


Elefante


domingo, agosto 28, 2016

Categórico

Antes de mais há que dizer que este jogo foi uma excelente propaganda para o futebol.
Muitos golos (e alguns de grande espectacularidade), alternância no marcador, excelentes jogadas, correcção dos intervenientes e um público vitoriano que valorizou o espectáculo e ajudou a equipa com um apoio permanente e ás vezes espectacular.
Dito isto há que dizer que o Vitória fez uma bela exibição em termos ofensivos, marcando cinco golos (número raramente atingido nos últimos anos) e criando ocasiões para outros tantos na demonstração de um agradável poderio ofensivo como não se via há bastante tempo.
A defender é que as coisas estiveram menos bem com a equipa a denotar alguma permeabilidade, especialmente pelos flancos, sem com isto tirar mérito ao adversário que nunca baixou os braços mesmo quando o resultado ameaçava atingir uma expressão histórica.
Serenamente parece que Pedro Martins está a construir uma boa equipa, que joga bom futebol e marca golos, prometendo se continuar neste rumo devolver aos adeptos um entusiasmo e uma motivação que de há muito estavam arredias  das bancadas.
Foi bonito ver a alegria dos adeptos, o entusiasmo nos cânticos, o apoio avassalador das bancadas para o relvado durante os noventa minutos numa comunhão entre equipa e adeptos que no passado fez coisas bonitas de que todos nos lembramos.
Mas nem tudo são "rosas" pelo que há que por alguma calma nas expectativas.
A equipa não é um projecto "acabado", continuam a faltar um ou dois jogadores que deem consistência ao que de bom já existe (um central experiente e um trinco mais "pesado"),e espera-se que até ao dia 31 de Agosto o plantel não seja fragilizado com saídas desportiva e financeiramente desnecessárias.
Quanto ao trio de arbitragem ficam-me sérias dúvidas no pénalti contra o Vitória porque me parece que a falta foi fora da área e ainda não vi repetição televisiva que me esclarecesse.
No resto fez um trabalho perfeitamente aceitável.
Depois Falamos

P.S Não adianta chorar sobre "leite derramado" mas não deixo de pensar que o adversário da 1ª jornada teve muita sorte...

sexta-feira, agosto 26, 2016

A Professora

Ás vezes lembro-me da Professora.
Quer da que mais me marcou, a da escola primária, quer das outras que pelo percurso escolar me ensinaram tanta coisa e me mostraram novos mundos que ainda não conhecia e que depois de conhecidos me marcaram a Vida de forma indelével.
Também tive professores, é verdade, quer no liceu quer na universidade mas de nenhum (e alguns excelentes) me ficou recordação tão forte e perene como das professoras que me marcaram a Vida.
Desde logo a D. Maria Emília Azevedo que me ensinou as primeiras letras e números, que era uma senhora adorável com ar de avó e olhava os alunos como netos e netas ,tratando-os com um carinho e uma sensibilidade especial, mas na hora da severidade (ou seja dos nossos erros) não tinha contemplações e a régua e o ponteiro "trabalhavam" de forma "instrutiva" a par de alguns bofetões que não faziam mal a ninguém mas melhoravam o nosso rendimento escolar de forma substancial.
Politicamente incorrecto face aos actuais métodos de ensino, não duvido, mas há quarenta e tal anos atrás as crianças vinham educadas de casa e os professores tinham apenas de se preocuparem em ensinar usando os métodos que melhor lhe pareciam sem preocupações (embora aqui e ali corrigindo e aperfeiçoando) com a educação propriamente dita.
A verdade é que em cada aluno e aluna deixava um amigo e comovia-se até ás lágrimas quando antigos alunos a visitavam em casa na fase final da sua vida.
Fi-lo por mais que uma vez e bem sei o quanto ela adorava os seus meninos e meninas que o eram para sempre sem ligar à idade em que se encontravam.
Era extremamente exigente com o português e devo-lhe o ter aprendido a escrever correctamente (já as pontuações...) mantendo pela vida fora a exigência que ela sempre me inculcou desde a primeira classe quanto à nossa língua materna.
Talvez por isso ao longo da Vida sempre mantive perante as minhas professoras de português uma atitude de permanente atenção, observação atenta, juízo critico e vontade de fazer bem feito, tendo recebido delas ensinamentos, lições e exemplos que mantenho sempre presentes e que me são caros no meu dia a dia.
Reconheço,contudo, que pese embora os esforços de todas elas sem excepção ainda não afinei a questão das pontuações tão bem quanto desejaria embora também ainda não tenha desistido de o fazer.
E uma das coisas em que preservo e homenageio a memória das minhas professoras, especialmente de português, é o recusar-me a escrever segundo as regras dessa aberração chamada acordo ortográfico que apenas serve para deturpar a língua portuguesa.
Não foi assim que a D. Maria Emília (e a sua régua...) me ensinaram a escrever e não vou desperdiçar as suas preciosas lições ( e reguadas...) em prol de um acordo que não serve para nada e de que ninguém gosta.
Neste tempo em que o regresso ás aulas está iminente deu-me para me lembrar da minha professora primária  e de outras professoras que tive porque face ao que se vê hoje na Educação dou muito valor ao que elas sempre transmitiam e algumas ainda hoje transmitem.
Amor pela profissão, paixão pelo ensino, respeito pelos alunos.
Depois Falamos

quinta-feira, agosto 25, 2016

Sorteio da Champions

Hoje foi dia de sorteio na Liga dos Campeões com a presença de três equipas portuguesas.
Dentro dos condicionalismos e surpresas que uma prova deste nível sempre encerra pode dizer-se que Benfica e Porto tiveram "sorte" e o Sporting "azar".
Mas os jogos se encarregarão de confirmar.
Previsões por grupo?
Vamos a elas.
No grupo A parece-me claro o favoritismo de Arsenal e PSG. 
Os outros são claramente inferiores.
No B creio que Benfica e Nápoles serão apurados mas aqui há duas equipas, especialmente o Besiktas, que podem desfazer prognósticos.
O grupo C tem dois favoritos claros, Barcelona e Manchester City (regresso de Guardiola a Camp Nou) , um outsider a considerar (Borussia Monchengladbach) e um Celtic que não se apurará mas certamente animará os jogos com os seus fantásticos adeptos.
No D penso que Bayern e Atlético de Madrid são favoritissimos. O PSV anda longe do passado e o Rostov vem ganhar experiência.
O Grupo E é o mais aberto de todos.Nele qualquer uma das equipas se pode apurar dado não existirem significativas diferenças em termos de qualidade.
Aposto em ingleses e alemães mas os monegascos podem discutir o apuramento. Os russos, cabeças de série, parecem-me o elo mais fraco.
O Grupo F parece-me caso arrumado.
Real Madrid e Borússia Dortmund são claramente favoritos e passarão.
O Sporting, ainda por cima com Jorge Jesus empenhadissimo em ganhar o campeonato e em não desperdiçar forças na Europa, terá como objectivo fazer alguns pontos e valorizar este ou aquele jogador.
O Grupo G parece-me também ele caso arrumado a favor de Porto e Leicester.
Se nenhum deles ligar o "complicador" como é evidente.
Finalmente no H creio que Juventus e Sevilha serão os grandes candidatos face a Lyon e Dinamo de Zagreb que são de outro "campeonato".
Mas são previsões que o rolar da bola confirmará ou desmentirá.
Aguardemos pelos jogos.
Depois Falamos

Luar


Papagaio


quarta-feira, agosto 24, 2016

Mais do Mesmo

Começou mais uma época futebolística.
Só mais uma porque na verdade tudo se mantém na mesma em relação aos últimos largos anos.
A Liga que devia zelar pela seriedade e verdade desportiva das duas competições que organiza é a primeira a aldrabá-las com um sorteio feito à medida dos interesses de três clubes.
Os restantes, em vez de defenderem os seus direitos e impedirem a aberração, mantém a postura atenta , veneradora e obrigada de chapéu na mão e mão estendida na esperança de apanharem umas "migalhas" (leia-se jogadores emprestados) caídas da mesa do poder.
A comunicação social escrita mantém, também ela, a postura de sempre: A Bola e o Record defendem os interesses de Benfica e Sporting (por esta ordem) e O Jogo os do Porto fazendo dos outros clubes (já para nem falar das restantes modalidades) apenas o recurso necessário a encherem páginas.
Os clubes candidatos ao titulo, que pela sua dimensão associativa e implantação nacional, deviam ser os primeiros a zelarem pelo bom nome da competição e pelo respeito por todos os intervenientes (até pelo interesse comercial no prestigio da industria futebol) já estão envolvidos nas patéticas, absurdas e apalermadas discussões de quem é mais beneficiado ou prejudicado como se por acaso não fossem os três muito mais beneficiados que todos os outros juntos!
E ainda vamos na segunda jornada...
Restam as televisões.
Onde o "mais do mesmo" é cada vez mais "mais do mesmo".
Programas com comentadores afectos apenas a esses três clubes, discussões intermináveis que apenas rebaixam e descredibilizam o futebol, utilização desses programas para pressionarem de forma imoral e canalha os agentes do futebol, nomeadamente os árbitros, que já sabem que se tomarem decisões que desagradem aos "donos disto tudo" tem "missa cantada" na rtp,sic,tvi e cm tv .
Nunca vi uma intoxicação tão intensa e nociva da opinião pública como a feita por esses canais de televisão em relação ao futebol e a três clubes que monopolizam noticiários, debates, reportagens e comentários.
Uma vergonha digna de um país de terceiro mundo e de uma sociedade brutalmente inculta em termos desportivos.
Felizmente a época futebolística também começou em Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha, França.
E desses campeonatos podemos ver o que realmente interessa.
Grandes equipas, grandes jogadores e grandes jogos.
Valha-nos isso.
Depois Falamos

segunda-feira, agosto 22, 2016

Medalhas...

Portugal é um país engraçado.
Com a louvável excepção dos que gostam verdadeiramente de Desporto,que são uma minoria, os restantes passam três anos e cinquenta semanas sem o mínimo interesse por outra modalidade que não seja o futebol e as suas incidências mil vezes repetidas e discutidas até à exaustão e ao absurdo.
Querem lá saber da canoagem, do judo, do ténis de mesa, da ginástica, da natação , do atletismo, do taekwondo, do ciclismo, do ténis,do hipismo, da vela.
Mas depois, de quatro em quatro anos, chegam as tais duas semanas em que se disputam os Jogos Olimpicos.
E aí todos passam não só a perceber de tudo como se acham no direito de opinar, ás vezes de forma violentamente critica, sobre modalidade de que nada entendem e pelas quais só se interessam por serem moda momentânea.
E a exigirem medalhas é claro.
Como se Portugal, com aquilo que é a sua tradição desportiva em termos de ecletismo e condições de formação, tivesse a obrigação de ombrear com países da nossa dimensão (já nem falo de EUA, Rússia, China, Alemanha, etc para não cair no ridículo),mas que levam o desporto a sério há muitas décadas, na conquista de titulos e medalhas.
Não temos essa obrigação.
Ou melhor, não temos o direito de exigir aos nossos actuais atletas que façam mais do que aquilo que fazem nas condições em que praticam os seus desportos favoritos. E que, sabe Deus e sabem eles, são bem diferentes daquelas que se consideram geralmente adequadas.
Muitas vezes a custas suas ou dos pais como há exemplos conhecidos!
Por isso não acho que a participação portuguesa no Rio 2016 tenha sido tão má como ás vezes se quer fazer crer.
Disputaram-se finais, ganharam-se diplomas, conquistou-se uma medalha de bronze.
É pouco?
Talvez seja.
Mas a cultura desportiva de Portugal e da maioria dos portugueses não merece mais.
Quando o Estado quiser levar a sério o ensino, a prática e o fomento desportivo; quando os portugueses perceberem que há mundo para lá do futebol; quando a comunicação social der ás restantes modalidades 10% da atenção que dá aos penaltis, foras de jogo, "casos " e "casinhos" do desporto-rei então Portugal ganhará medalhas e os portugueses terão o direito de serem mais exigentes com os seus atletas olimpicos.
Até lá, e porque Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Nélson Évora (para só citar os medalhados com ouro) são excepções que confirmam a regra teremos de nos contentar com o que temos que corresponde ao que merecemos.
Muito fizeram eles no Rio 2016.
Só temos que lhes estar gratos.
Depois Falamos