quarta-feira, Agosto 20, 2014

Simbolismo

Esta fotografia retrata o presidente do Estados Unidos, Barak Obama, no decurso de uma visita oficial ao Senegal.
Mais propriamente na deslocação que fez á ilha Goreia e a estas ruínas de um edifício do qual milhões de africanos embarcaram rumo a uma vida de escravatura na América naquela que terá sido uma das mais trágicas migrações forçadas de toda a História da humanidade.
Hoje em tributo a esses milhões de vidas a ilha e a fortaleza de onde partiam os escravos são património da Humanidade.
O que realça o simbolismo brutal desta fotografia.
Porque retrata o longo caminho percorrido entre a expedição de negros para uma vida de escravatura na América e o dia em que um negro regressa a esse local como presidente dos Estados Unidos da América.
Ou seja o homem mais poderoso da Terra.
Depois Falamos

Incompreensível e Inaceitável.

A triste história conta-se em poucas palavras.
O antigo hospital de Cabeceiras de Basto foi transformado a expensas da Misericórdia local numa unidade de cuidados continuados com capacidade para 31 camas e serviços diversos.
Um investimento de dois milhões de euros, parte dele com recurso a financiamento bancário, a que a Misericórdia meteu ombros respondendo a um desafio lançado pela ARS/Norte (ou seja o Estado) em 2006 afim de integrar a unidade num plano de expansão da rede de cuidados continuados.
O edifício está pronto desde 2012!
Há dois anos.
Mas fechado.
Porque a ARS/Norte (ou seja o Estado) continua a não dar luz verde á sua abertura.
Nada o justifica.
Nem as estafadas questões orçamentais nem a discordância do actual governo em relação a planificações feitas pelo anterior governo nesta área.
A unidade está pronta e há utentes a necessitarem dela com uma urgência que não contempla mais atrasos nem querelas politicas sem sentido em volta do assunto.
As pessoas, sim pessoas, que precisam deste tipo de unidade estão numa fase final da sua vida em que um dia é muito tempo e um ano o infinito.
Argumentar que a recente abertura de uma unidade idêntica no antigo hospital de S. Marcos em Braga, com a consequente oferta de camas, torna menos urgente a abertura desta unidade é "brincar" com os idosos de Cabeceiras de Basto e com as suas famílias de quem parece quererem desterrá-los num fase da vida em que os familiares assumem particular importância.
Ou, pior ainda, vir-se dizer que a planificação feita pelo anterior governo nesta área foi errada porque a maioria dos idosos se encontram em Lisboa e no Porto é fazer uma demonstração grosseira e inaceitável de ignorância sobre a  da realidade do país.
Bastará consultar as estatísticas para perceber que a região de Basto tem uma preponderância,em crescendo, de cidadãos idosos face a razões que todos conhecemos e que não vale a pena citar aqui.
Esta é uma questão urgente e de cuja resolução os deputados eleitos pelo distrito de Braga não se podem demitir ou passar ao lado.
Nas ultimas legislativas votei, como sempre, no PSD.
Que elegeu nove deputados neste distrito.
E esses nove deputados tem a obrigação de serem parte activa, empenhada e interessada na resolução imediata deste assunto.
Depois Falamos

P.S. Resta acrescentar, como se já fosse pouco, que a recusa de abertura da Unidade põe em causa a sustentabilidade financeira (por causa dos encargos do empréstimo) da Misericórdia de Cabeceiras de Basto e consequentemente os valiosos serviços que presta à comunidade.

Lago Kotor, Montenegro


Pinguins


Tibidabo,Barcelona


segunda-feira, Agosto 18, 2014

Filho ou PPR?

O futebol e a modalidade desportiva mais popular em todo o mundo.
Praticado por milhões e seguido por milhares de milhões ele é fonte de atracção para imensas crianças que desde a mais tenra idade se habituam a ouvir falar de futebol, de clubes e dos principais jogadores que nos seus sonhos infantis esperam poder imitar um dia.
Mas o futebol é também negócio.
De milhões.
E perigoso se não for bem gerido nas expectativas que gera nas crianças, mas também nos pais e famílias.
Hoje, para além da formação desde sempre existente nos clubes,proliferam as "escolinhas" de jogadores onde as crianças praticam desporto e simultâneamente aprendem os princípios básicos do futebol que mais tarde lhes poderão servir(ou não) para darem outros passos na modalidade.
No futebol, a partir dos seis anos de idade (ás vezes menos), não há problemas de oferta para quem o julgue poder ter como opção de vida futura.
De forma clara ou mais ou menos oculta existe toda uma "industria" vocacionada para alimentar sonhos de crianças (e expectativas dos pais) no sentido de que um dia poderão ser como o Ronaldo ou o Messi se derem os passos certos nesse sentido.
E se o facto de as crianças acreditarem nisso não é particularmente grave porque ter sonhos faz parte da infância muito pior é existirem pais que entranham essa convicção e depois, em nome dela, se tornam os piores "carrascos" da infância e adolescência dos seus filhos.
Porque muitas vezes, e muito mais que as próprias crianças, se convencem que os filhos vão ser grandes jogadores e ganharem muito dinheiro que proporcionará a toda a família um futuro abastado e sem preocupações.
Um PPR (Plano Poupança Reforma) em forma de bola de futebol.
E em nome disso exigem aos filhos, pressionam os seus treinadores, chateiam os dirigentes dos clubes e das "escolinhas" quando eles não conseguem ver o "Ronaldo" que tem pela frente.
É um problema que não cessa de crescer.
O dos pais, virados empresários de jogadores, que não cessam de negar uma infância e uma juventude normal aos seus filhos em nome de um sonho que na esmagadora maioria dos casos não terá nunca pernas para andar e corre o sério risco de acabar em pesadelo.
Porque "Ronaldos" e "Messis" há dois, depois existem um dezena de jogadores excepcionais, umas dezenas de jogadores muito bons e umas centenas de bons jogadores.
A partir daí é a banalidade.
No talento e no salário.
E para chegar a esse patamar, mesmo o das centenas, há centenas(mas de milhares) que o tentam mas não conseguem nunca.
Acho que toda a gente, mas muito especialmente os que sabem o que é o futebol, lúcida e sensata tem a obrigação de fazer uma pedagogia insistente em volta deste tema.
Um filho não é um PPR.
E o talento para ser um jogador de eleição não se compra nem faz.
Pode aperfeiçoar-se,é verdade, mas nasce com os predestinados para isso.
Deixemos as crianças serem crianças, preocupemos-nos em lhes dar a educação e o ensino que serão as suas ferramentas fundamentais para enfrentarem a Vida, e aqueles que tiverem de ser futebolistas profissionais que o sejam quando já tiverem essas ferramentas asseguradas.
Já todos conhecemos demasiadas desgraças em torno de sonhos insensatos e ambições desmedidas.
Depois Falamos.

Focas


Dresden, Alemanha


domingo, Agosto 17, 2014

Bela Estreia

Fotos: www.vitoriasc.pt / João Santos

O Vitória entrou com o pé direito na liga 2014/2015.
Numa deslocação a Barcelos, onde não vencia há dez anos, e privado de um apoio muito maior dos seus adeptos por uma daquelas "Fiuzices" em que o nosso futebol é fértil a equipa vitoriana deu uma resposta à altura e conseguiu um triunfo justo e categórico.
Alinhando com seis portugueses num onze inicial (e um trio atacante totalmente nacional composto por Alex-Tomané-Hernâni) do qual faziam parte vários jogadores que na temporada passada alinharam quase sempre pela equipa B( Cafu-Bernard-Hernâni-Alex) o Vitória mandou no jogo e procurou sempre a baliza adversária com uma determinação que importa realçar.
Fez três golos em jogadas de bola corrida, podia ter feito mais, e foi sempre superior a um adversário que vai ter de melhorar muito caso não queira na próxima época jogar com a nossa equipa B.
Em termos individuais há nomes a salientar.
Hernâni que fez dois golos e mostrou ter potencial suficiente para se fixar como titular e ser um dos bons extremos da Liga.
Defendi num regresso que trouxe serenidade , confiança e qualidade ao sector defensivo.
E Bernard.
Que sigo com particular atenção desde os juniores ,vi o ano passado fazer grandes exibições (e golos) pela equipa B ,e assumiu a titularidade da A com o à vontade dos predestinados.
Tem 19 anos,e muito trabalho pela frente , mas uma qualidade que não engana e fará dele um jogador de elite se continuar a evoluir como o tem feito nestes últimos anos.
Comparo-o a outro africano que durante dez anos nos encantou a todos pela qualidade e regularidade das suas exibições.
N'Dinga.
Ainda hoje o jogador que disputou mais jogos de campeonato pelo Vitória.
Pois Bernard pode ser o N'Dinga do século 21.
Tem tudo para isso.
Não se pode é exigir-lhe tudo de uma vez.
Foram,para mim, os maiores destaques numa equipa que esteve globalmente muito  bem.
Na exibição e na atitude.
Depois Falamos.

P.S. Começar com um triunfo categórico é bom mas não dá para embandeirar em arco e muito menos para euforias absolutamente prematuras.
Porque foi o primeiro de 34 jogos e o adversário,em boa verdade,é fraquinho.

sexta-feira, Agosto 15, 2014

Liga 2014/2015

Começa hoje o principal campeonato do futebol português.
Num palco clássico e com um jogo que promete ser interessante entre Porto e Marítimo.
Mas é uma liga que arranca cheia de interrogações.
A começar pela própria LPFP sem direcção eleita, com processos em tribunal, sem patrocinadores para as provas e sem qualquer credibilidade no actual momento.
Mas também interrogações, e muitas, sobre a forma como a crise no BES vai afectar o futebol português e em especial os clubes altamente devedores desse banco agora que previsivelmente vão ser chamados a pagarem o que devem e não a substituírem créditos por novos créditos como vinha sucedendo.
Um parêntesis para dizer que hoje vi uma entrevista do presidente do Benfica dizendo,muito satisfeito e orgulhoso, que o clube não será afectado pelo BES porque tem cumprido as suas obrigações e é um bom cliente dado nos últimos dez anos ter pago a esse banco mais de 200 milhões de euros (quarenta milhões de contos!!!) só em juros.
Há gestões que não entendo mesmo. Quarenta milhões de contos em juros...
Voltando ao início da Liga que é o tema deste post.
Em Portugal, como noutros países, há a péssima regra de o mercado só fechar a 31 de Agosto em vez de, como seria lógico, fechar com o inicio do campeonato o que permitiria definir desde logo o plantel de cada concorrente sem o risco de sofrerem alterações com o campeonato já iniciado.
Assim nos próximos quinze dias ainda vamos ter muitas movimentações o que impede que se tenha,desde já, uma visão clara do potencial de cada equipa e daquilo a que pode aspirar.
Mesmo assim não será arriscado prever que o Porto é o principal candidato ao titulo face à valia do seu plantel e que Benfica (com um plantel enfraquecido em relação à temporada finda mas claro que a crise do BES nada tem a ver com isso)e Sporting serão os seus principais oponentes como quase sempre.
Depois...os do costume também.
Vitória, Braga, Marítimo, Nacional, Estoril(?) disputarão os lugares europeus e os restantes jogarão para não descer.
Dificilmente será diferente deste o panorama da Liga 2014/2015.
Depois Falamos

Dubai


Caravana


quarta-feira, Agosto 13, 2014

Um Galinheiro Vazio

Barcelos tem sido ao longo dos anos (quando o Gil Vicente está na 1ª liga o que nem sempre acontece...)palco tradicional de grandes deslocações de adeptos vitorianos.
Mesmo quando o clube local jogava no autêntico galinheiro que era o estádio "Adelino Ribeiro Novo".
Entretanto mudaram de galinheiro.
E tem de há anos a esta parte um estádio bonito e funcional ( "Cidade de Barcelos"), onde se vê relativamente bem futebol, e por isso o acompanhamento de vitorianos aos jogos em Barcelos até terá aumentado.
É perto, é um clube com quem o Vitória mantém um bom relacionamento,que quase não tem adeptos porque os barcelenses dividem-se entre Porto e Benfica ( e alguns por um clube cujo nome nem vale a pena dizer)e por isso o Gil Vicente- Vitória do próximo sábado prometia ser jogo de casa cheia.
1ª jornada, natural expectativa dos adeptos em verem as equipas, tempo de férias, muitos emigrantes que teriam a possibilidade de ver o Vitória antes do regresso ao trabalho, muitos vimaranenses nas praias entre Vila do Conde e Esposende.
Pareciam estar reunidas todas as condições para o futebol ter algo que lhe é essencial:
Público.
Mas há Fiuzas no futebol.
E o presidente do Gil Vicente, bem conhecido por algumas "xico espertices" que tem protagonizado ( de que eleição de Mário Figueiredo para a Liga foi a pior de todas), resolveu entrar em cena com mais uma das suas habilidades.
Talvez por estar habituado ao galinheiro onde jogam e aos galo que tem no emblema achou que os adeptos do Vitória são a "galinha dos ovos de ouro" à custa dos quais ia encher os cofres e toca a pôr os bilhetes a um preço que não faz sentido nos tempos que correm.
Ainda para mais com o jogo a ser televisionado.
Enganou-se
Porque se eles são galos nós não somos galinhas.
E por isso vai ter o estádio vazio (o que nem o admirará muito porque é o mais normal) mas vai ter os vitorianos à porta a apoiarem a equipa da parte de fora e a protestarem contra o estado a que chegou o futebol português.
Há adeptos, e nesse aspecto os vitorianos e as claques do clube já deram sobejas provas disso, que são muito melhores do que o futebol em que infelizmente o seu clube tem de competir.
E sábado vamos prová-lo mais uma vez.
Depois Falamos.

P.S. Ficaria satisfeito se soubesse que o Vitória nem sequer levantou os convites destinados aos seus orgãos sociais.
Não devem ser só os adeptos a indignar-se, e a reagirem, contra os atropelos que nos são feitos.

2015 - Os Círculos Eleitorais

A extensa, complexa e desactualizada Constituição da Republica Portuguesa que para alguns devia funcionar para a nossa democracia como o Alcorão para os muçulmanos tem perdida lá pelo meio uma disposição aprovada em 1976 mas que certamente por falta de tempo de todos os Parlamentos desde então eleitos nunca foi cumprida.
A que institui as regiões administrativas.
Criadas, e bem, para Madeira e Açores mas sucessivamente adiadas, e mal, para o resto do país.
E é curioso como todos os juízes que passaram pelo palácio Ratton nunca se tenham lembrado de exigir aos sucessivos governos e maiorias parlamentares que dessem andamento ao que a Constituição preconiza.
Eufemisticamente os governos, todos sem excepção, preferem adiar a regionalização constitucional substituindo-a por aquilo a que chamam descentralização administrativa e que nunca ninguém soube exactamente o que era, de onde vinha e para onde ia!
Bastará lembrar a instituição em 2002/2003 das áreas metropolitanas e das áreas inter-municipais para se perceber na plenitude onde quero chegar.
Adiar, maquilhar, deixar estar.
Num post anterior defendi a criação dos círculos uninominais como forma de restaurar o prestigio do Parlamento junto dos cidadãos e um incentivo à maior participação dos mesmos nos actos eleitorais.
Naturalmente que essa alteração do sistema pressupõe o fim dos actuais círculos eleitorais, de raiz distrital, e a sua reformulação para a divisão do país em 230 círculos uninominais a eleger cada um o seu deputado.
O que naturalmente obrigaria ao agrupar de concelhos mais pequenos num circulo eleitoral com interesses e afinidades comuns( o que pressupõe em muitos casos a junção de concelhos pertencentes a diferentes distritos) para poderem eleger um deputado enquanto concelhos maiores teriam mais que um deputado como é óbvio.
Digamos que em função dos inscritos nas ultimas legislativas (9.429.024), e a sua divisão por 230 eleitos, faria que cada circulo eleitoral tivesse um mínimo 40.995 eleitores inscritos para a eleição do seu respectivo deputado.
Uma substancial melhoria em relação à actualidade em termos de identificação entre eleitos e eleitores e avaliação do trabalho dos primeiros por parte dos segundos.
E um passo importante, pelo que significa em termos de fim da lógica dos distritos, para a tal instituição das regiões administrativas de que andam todos muito esquecidos ao que parece.
Depois Falamos

Ratel