quarta-feira, julho 01, 2015

Missão Cumprida

Doze vitórias (onze consecutivas), três empates e zero derrotas foi o percurso da selecção nacional de sub-21 que não foi campeã da Europa mas fez um percurso notável desde o inicio da fase de apuramento até a uma final que apenas perdeu nas grandes penalidades.
Ironia terrível esta de não ter pedido nenhum jogo e não ter sido campeã.
Agora, conhecido o insucesso, seria fácil criticar a táctica (jogar quase todo o jogo sem ponta de lança), as substituições (a de Sérgio Oliveira, salvo problema físico, foi estranhissima pelo que estava a jogar e porque é o capitão) ou os escolhidos para os penaltis (especialmente William Carvalho quando ainda havia Bernardo Silva e Iuri Medeiros por exemplo) mas penso não ser isso o que mais releva.
Importa é dizer que não se tendo cumprido o objectivo principal,que era ganhar o europeu, se conseguiram dois objectivos muito importantes e que serão a memória que fica deste europeu e desta equipa.
O apuramento para os Jogos Olímpicos de 2016, no Brasil, onde este grupo com alguns reforços terá certamente uma importante palavra a dizer.
E a confirmação de que nesta equipa e neste escalão etário existe muito talento a pedir uma oportunidade não só na selecção A como nos seus clubes.
E se há jogadores que já estão num plano consagrado, digamos assim, como são os casos de Paulo Oliveira , Bernardo Silva ou Raphael Guerreiro há outros para os quais 2015/2016 poderá ser uma época de grande afirmação.
Muito estranho será se José Sá, Sérgio Oliveira, Iuri Medeiros, Tiago Llori ou Ricardo Esgaio não surgirem em plano de grande destaque ao longo da temporada que se avizinha.
Estes e outros que estão na calha para isso.
Uma palavra final para Ricardo Pereira.
Que fez um belo europeu, jogando no seu lugar, e que merece amplamente que o seu treinador de clube não continue a apostar em estragar um excelente avançado fazendo dele um razoável defesa direito mas não mais do que isso.
Se Lopetegui não percebe a evidencia de que Ricardo é um avançado então mais vale deixarem-no ir embora.
Não faltarão clubes e treinadores que lhe saibam dar o seu justo valor.
Depois Falamos.

terça-feira, junho 30, 2015

Astrónomos e Astronautas

Dar novos mundos ao mundo que já se conhece é algo que sempre me fascinou.
Talvez por gostar muito de História, talvez por adorar ler, sempre tive uma profunda admiração por todos aqueles que ousam deixar as suas zonas de conforto e partem em busca de novos mundos e novos sonhos ousando enfrentar os perigos que o desconhecido sempre acarreta.
Movidos pelo sonho, pela fé, por uma "causa" o mundo que hoje conhecemos fez-se com base nos que ousaram ir mais longe sem olharem para trás nem se deterem com medo de fábulas, "Adamastores " ou outros perigos reais e imaginários.
Foi assim com os vikings, com os fenícios e com outros povos que desde a mais remota Antiguidade ousaram meter os pés a caminho em busca de um mundo maior que supunham existir mas não era conhecido.
Foi assim também com os portugueses.
Que no tempo das Descobertas, embarcados em navios frágeis e inseguros, tiveram a destemida coragem de navegarem por mares nunca dantes navegados (ao menos por europeus) e trouxeram ao nosso conhecimento terras, povos e civilizações até então desconhecidos.
Gente de coragem.
Hoje as " Novas Fronteiras" (na feliz definição de John F. Kennedy) são outras.
E embora na Terra ainda exista "mundo" por conhecer o paradigma do conhecimento nessa matéria está virado para o espaço que nos rodeia e cuja dimensão e limites são por nós desconhecidos pese embora os extraordinários avanços da ciência.
E aqui,como no passado, há os que vão e os que ficam.
Os que perscrutam o espaço com telescópios de extraordinária potência, mas sempre no conforto dos seus observatórios astronómicos, e os que embarcam em naves espaciais e partem à descoberta com os riscos inerentes e bem conhecidos.
Tal como nos séculos 15 e 16 uns ficavam em Sagres e outros embarcavam nas caravelas.
E por isso respeitando e conhecendo as funções de cada uns não tenho qualquer dúvida que aqueles que nos alimentam o conhecimento de um mundo maior, e o sonho de dele fazermos parte, são os que ousam partir em busca dele, correndo riscos e perigos de vária ordem, e não aqueles que ficam nas suas zonas de conforto esperando o dia em que todos possam usufruir dos benefícios da coragem de alguns.
É a diferença entre astrónomos e astronautas que baliza tantas outras diferenças em tantos outros sectores.
Depois Falamos.

Petra, Jordânia


Lendas da B.D. - Pinguim


Nútria


segunda-feira, junho 29, 2015

Ponto de Situação

A dois meses do encerramento do mercado futebolistico seria precisa uma enorme dose de ingenuidade, de que felizmente não padeço, para considerar como definido o plantel de qualquer clube que vá participar nas provas nacionais e europeias .
Até ao fim de Agosto ainda se vão fazer muitos negócios, processar muitas entradas e saídas, mexer com alguma profundidade nos grupos de trabalho.
Naturalmente que para alguns a pressa de definir um plantel tão aproximado quanto possível do que vai fazer a época (pelo menos até Janeiro...) será maior do que para outros por força das pré eliminatórias de acesso ás competições europeias que começarão dentro de um mês aproximadamente.
E mesmo esses em muitos casos esperarão para saberem se tem acesso à fase de grupos (ou seja...dinheiro) para optarem por reforçar as respectivas equipas ou caso fiquem pelas pré eliminatórias se limitarão a manter o que já tem ou até a vender este ou aquele jogador com mais mercado.
O Vitória não andará longe dessa lógica.
Neste momento, a exactamente um mês do primeiro jogo da pré eliminatória de acesso à Liga Europa(sem esquecer que passando a pré eliminatória ainda terá um play off com um adversário teoricamente mais forte) constata-se que o Vitória já fez algumas aquisições e registou algumas saídas do seu grupo.
Nas saídas merece destaque a de André André, um dos esteios da equipa nos últimos três anos, e a dos três jogadores emprestados pelo Porto que não deixarão grandes saudades ao contrário do citado André.
Nas entradas (Montoya, Tyler Boyd, Digo Gomes, Serginho, Dalbert, João Correia e Kafu) a constatação óbvia é que além do colombiano, e de alguma boa surpresa pela afirmação imediata, são jovens que terão de fazer o seu percurso na B antes de poderem sonhar em jogar nos principais palcos do nosso futebol pela equipa A.
Pelo que , mesmo contando com as mais valias vindas da B (João Pedro, Areias, Vigário, Zitouni, etc), é evidente que ainda há lacunas a preencher na equipa A para esta poder almejar a chegada à fase de grupos da Liga Europa
Diria que um central "feito", um ponta de lança (se Álvez ficar o assunto está bem resolvido) e um extremo que jogue pelos dois flancos.
Partindo, é claro, do pressuposto de que não sai mais ninguém do grupo de  jogadores considerados como potenciais titulares.
Uma coisa é certa: o tempo agora corre muito depressa e a entrada na fase de grupos da Liga Europa é uma das prioridades para esta época.
Depois Falamos

Primeira Dama

Agora que o estado de saúde de Maria Barroso não permite alimentar nenhuma esperança positiva,segundo os últimos boletins médicos, é expectável que nos próximos dias os elogios à pessoa e ao seu percurso aumentem exponencialmente ou não vivêssemos nós em Portugal.
E por isso gostaria, singelamente, de aqui deixar uma peque na reflexão sobre a cidadã Maria Barroso.
Portugal teve quatro presidentes eleitos desde 1974.
Ramalho Eanes,Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva.
Todos eles cumpriram dois mandatos, ou não estivessemos nós em Portugal onde apesar de vivermos num regime republicano existe uma forte tendência monárquica na forma como se olha para o chefe de estado ( e não só em bom rigor...), de forma muito diferente e cuja avaliação não importa aqui fazer.
E embora em Portugal não exista formalmente a figura de "primeira dama", como nos Estados Unidos, convencionou-se denominar assim a esposa do Presidente da República.
E foram quatro,até à data, as primeiras damas portuguesas.
Manuel Ramalho Eanes, Maria Barroso, Maria José Ritta e Maria Cavaco Silva.
Personalidades diferentes, tempos históricos e políticos diversos, mas do meu ponto de vista a certeza de que Maria Barroso foi aquela que melhor exerceu a função e que mais prestígio acarretou para esse cargo oficioso.
Porque teve uma agenda própria, porque soube fazer um percurso que só se misturou com o do marido/presidente quando estritamente necessário, porque mostrou sempre uma independência de pensamento e acção que foram afinal a imagem de marca de um percurso de vida.
Essencialmente porque foi sempre muito mais "Maria Barroso" do que "Primeira Dama".
E esse é um legado, pelo exemplo, que deixa ás vindouras.
Depois Falamos

Espinha Dorsal

Não sou treinador de futebol nem tenho qualquer habilitação para isso.
Mas ao fim de quase 50 anos a ver futebol ao vivo e na televisão, depois de centenas /milhares de horas de conversas sobre futebol , de ter tido o privilégio de conhecer e conversar com muitas pessoas que sabem de futebol muito mais do que eu (especialmente com alguns treinadores) sinto que as reflexões que sobre ele vou fazendo terão alguma sustentação.
A propósito do que escrevi sobre um dos jogos da selecção de sub 21 (com a Suécia) e da discordância que manifestei, e mantenho, sobre as opções de Rui Jorge ocorre-me precisamente uma pequena reflexão sobre aquilo que aprendi sobre como se estrutura uma equipa de futebol.
Que como tudo na vida deve ter uma espinha dorsal.
Grosso modo estruturada em função de um guarda redes que "valha" pontos, dois centrais que façam jus à velha máxima de "os avançados ganham jogos e as defesas ganham campeonatos", um trinco de largo raio de acção que saiba sair a jogar quer com passes curtos quer com aberturas de longa distância, um "número" 10 que defina os ritmos de jogo e seja exímio no ultimo passe e um ponta de lança que faça golos.
É a espinha dorsal essencial a quem quer lutar por objectivos.
Depois há os laterais, os extremos, os médios construtores que são muito importantes nos apoio a essa espinha dorsal e dão largura e profundidade ao jogo da equipa como é sabido.
Mas sem esse eixo central bem construído, e respeitando as posições básicas dessa espinha dorsal, não há equipas que possam funcionar bem durante toda uma competição.
Podem fazer uma "gracinha" num ou noutro jogo mas não a podem fazer numa prova inteira porque se tornam demasiado previsíveis e relativamente fáceis de anular por treinadores argutos e que saibam ler eficazmente o jogo e produzir nele as alterações necessárias no decorrer do mesmo.
E pensar-se que é possível construir uma equipa sem ponta de lança é, para além de um erro primário que mais cedo ou mais tarde se paga caro, negar a essência do futebol.
Que é o golo!
Depois Falamos

Nashville, Estados Unidos


Castelo de Sortelha


Mar e Piscina, Austrália

Foto: NationalGeographic

sexta-feira, junho 26, 2015

Cumplicidades Conhecidas!

Neste blogue, no exercício da inalienável liberdade de opinar sem ofender, publiquei aqui e aqui a minha opinião sobre a promoção de Armando Evangelista a treinador da equipa principal do Vitória.
Manifestando uma discordância a que tenho direito como qualquer vitoriano a tem.
Não ofendi, não insultei, não caluniei nem inventei.
No passado sábado o Vitória realizou uma assembleia geral conforme o previsto estatutariamente.
No final da mesma, como é normal, os jornalistas questionaram o senhor presidente da direcção sobre vários assuntos da actualidade do clube.
Entre os assuntos postos estavam alguns que os senhores jornalistas leram neste blogue.
Embora no exercício de um entendimento muito particular do que é a liberdade(no sentido mais lato da mesma)de imprensa em lado nenhum tenham referido a "fonte" a que foram buscar as razões para a pergunta.
Na resposta o senhor presidente da direcção permitiu-se, no gozo da sua já conhecida falta de jeito para lidar com opiniões divergentes, tecer um conjunto de considerações sobre o autor das criticas (eu próprio), infelizmente sem a frontalidade de lhe citar o nome (no velho género de Octávio Machado "...vocês sabem do que eu estou a falar..."), que merecerão a resposta adequada noutro contexto que não aquele que aqui se trata.
Porque eu respeito muito as opiniões divergentes, convivo bem com a critica, mas não aceito ao senhor engenheiro Júlio Mendes lições de vitorianismo nem de amor e respeito ao Vitória.
Respeito-o como presidente eleito do meu clube na mesma proporção que lhe exijo respeito por um associado com 43 anos de vida associativa e quase cinquenta de acompanhamento e apoio ao Vitória em todas as suas modalidades.
Todas!
Na sequência da resposta do senhor presidente da direcção seria obrigatório, até no respeito por uma deontologia que os jornalistas tão abundantemente citam quando lhes dá jeito, que o visado tivesse o elementar direito de resposta face ao teor do afirmado.
Como é "normal" isso não aconteceu.
Como não acontece nunca quando este e outros blogues, ou outros modos de exprimir opiniões, são visados por algum tipo de poder.
Por mim quero que saibam que pouco me importa.
Registo, para memória futura, mas isso não me impedirá nunca de continuar a escrever sobre os assuntos que entender.
Com frontalidade, sem tabus nem subserviências, respeitando as pessoas mas divergindo das ideias e das práticas quando for caso disso.
É o exercício de uma liberdade de que nunca prescindirei.
Depois Falamos.

Lendas da B.D. - Fantasma


Monte Fuji, Japão


quinta-feira, junho 25, 2015

"À Portuguesa"...

Tenho acompanhado com algum interesse a participação da selecção de sub-21 no europeu da categoria a decorrer na República Checa.
Não por sentir actualmente um intrínseco "espírito de selecção", o que Paulo Bento, Fernando Santos e Rui Jorge tornaram impossível, mas pela simpatia pessoal por dois jogadores (Paulo Oliveira e Ricardo Pereira) e por algumas boas exibições que se vão vendo dos jogadores portugueses.
Vistos os três jogos e conseguido o apuramento para as meias finais, que foi justo mas bem à portuguesa com um sofrimento maior que o necessário, há que dizer que nesta equipa estão jogadores que prometem chegar rapidamente ao patamar mais elevado das nossas selecções para lá ficarem por bons anos.
É o caso do já referido Paulo Oliveira, um central de enorme qualidade, mas também de Bernardo Silva provavelmente o melhor jogador deste europeu tal a qualidade das suas exibições e os espectáculos que tem proporcionado.
Ou de Raphael Guerreiro que mesmo estando a fazer um campeonato abaixo das suas possibilidades é um belíssimo lateral esquerdo como já o provou na própria selecção A.
Mas há mais.
Ricardo Pereira, se Lopetegui perceber que ele é um excelente avançado/extremo e não um razoável lateral, Sérgio Oliveira, Ivan Cavaleiro e José Sá um guarda redes que tem feito exibições excelentes deixando a inevitável interrogação de como é possível andar pelo Marítimo B ao invés de estar a jogar na 1ª liga.
E dois casos particulares.
Gonçalo Paciência, que pode vir a ser um excelente ponta de lança se continuar a evoluir como o tem feito, e  William Carvalho que tem excelente imprensa (roça o ridículo o entusiasmo dos comentadores da RTP quando ele tem a bola) e seguramente um óptimo empresário mas tem de perceber que o futebol não se joga a passo como ele faz na maior parte dos jogos.
Penso que esta selecção merecia, isso sim, ter um treinador de outro nível que soubesse( ao menos)que para marcar golos dá jeito jogar com um ponta de lança e não com aquele losango complementado com dois extremos que até cria situações de golo mas depois não há quem finalize.
E ontem Gonçalo Paciência provou-lhe isso mal teve oportunidade.
Agora vem a Alemanha.
Que mesmo em sub 21 é a Alemanha mas está longe de ser imbatível.
Especialmente se Portugal enfrentar o jogo com a estratégia correcta e com o onze inicial que melhor potencie as qualidades dos nossos jogadores.
Depois Falamos.

P.S. Claro que não gosto de Rui Jorge como seleccionador.
Porque é mais um que selecciona pelos clubes e não pelo valor e mérito dos jogadores.
É absolutamente escandaloso que jogadores como Josué, Cafu e Tomané que jogaram regularmente na 1ª Liga não estejam na selecção enquanto por lá andam alguns que passaram a época na 2ª Liga ou no banco dos seus clubes jogando uns minutinhos de quando em vez.
Por isso esta e a A são cada vez mais as selecções "deles" em vez de serem de "todos nós".