quinta-feira, junho 22, 2017

Bruno Gaspar

Na habitual "lufa lufa" de todos os defesos com a  entrada e saída de jogadores há alguns que merecem um particular destaque pela forma como vestiram a nossa camisola.
É o caso de Bruno Gaspar.
Que merece destaque quer pelo jogador quer pela transferência e as condições que a rodeiam.
Bruno Gaspar foi um "produto" da formação benfiquista que o clube da Luz não aproveitou e por isso chegou a Guimarães ainda muito jovem proveniente dos quadros do Benfica B.
No Vitória fez três excelentes épocas de alto rendimento desportivo (foi sempre um dos melhores jogadores da equipa) a par da consolidação da imagem de ser um profissional exemplar que é algo que os vitorianos sempre valorizam bastante.
Mas mais do que isso foi um jogador que rapidamente percebeu o clube, percebeu os adeptos e acabou por se tornar num de nós partilhando dos nossos valores, vivendo as nossas alegrias e comungando das nossas tristezas para lá do estatuto normal de um profissional de futebol.
Fruto dessas três épocas de alto rendimento despertou a atenção (não, desse não porque depois não sabia quem tirar...) de vários clubes estrangeiros acabando por se consumar o da Fiorentina que o contratou por cinco épocas e lhe permitirá jogar num dos melhores campeonatos da Europa.
Ao que se sabe o Vitória terá recebido cerca de quatro milhões de euros pelo seu passe o que tem de se considerar um valor bastante bom.
E é esta a nota que gostaria de salientar.
O percurso de Bruno Gaspar no Vitória, e posterior transferência para Itália, corresponde em pleno a um dos modelos de negócio que o Vitória deve cultivar como forma de ter um crescimento sustentado e conseguir subir patamares em termos de ambição desportiva.
Um jovem português, talentoso e com "escola, que o clube formador não aproveitou e que o Vitória contratou ainda muito jovem.
Três anos de permanente alto rendimento desportivo, valorização do atleta e posterior transferência para um clube estrangeiro que não disputando competições connosco não nos dará o desprazer de ver o atleta jogar contra nós.
Recebimento de um valor pela transferência adequado ao valor do jogador, em linha com a nossa realidade e com a posição que ele ocupa no terreno.
E quando as coisas são bem feitas, como neste caso, é merecido o aplauso!
Quanto ao vitoriano Bruno Gaspar deseja-se que tenha muito sucesso nesta nova etapa da sua carreira na certeza de que quem serviu o Vitória com a honestidade, profissionalismo e qualidade com que ele  o fez tem sempre abertas as portas de uma casa que também é sua.
Depois Falamos.

Houston


Orangotango


Castelo de Foix, França


quarta-feira, junho 21, 2017

Sugestão de Leitura

Este é daqueles livros que nunca poderia deixar de ler.
Porque o tema, marketing político, me interessa bastante e porque uma amizade com um dúzia de anos com o José Paulo Fafe a isso me impelia de forma completamente irresistível.
Deixando de lado a questão da amizade, que nunca pode ser critério de apreciação de um livro (e de muitas outras coisas) , devo dizer que o li num ápice porque além de bem escrito é conciso, preciso e desperta a atenção e o interesse ao longo das suas páginas.
Afinal o marketing de sucesso é isso mesmo!
Conciso, preciso e despertador de atenção.
Dividido em doze capítulos, e recheado de saborosas histórias vividas pelo autor em Portugal, América do Sul e África , o livro aborda temas tão interessantes como o marqueteiro e respectiva profissão (que o autor considera "maldita" mas fascinante) , as campanhas eleitorais, a importância das sondagens, a televisão como "arma", os debates , a importância crescente da internet, o ocaso dos comícios, a gestão de crises entre outros .
É um livro que traduz bem a enorme experiência ( e sucesso) do José Paulo Fafe nestas matérias e um guia extremamente interessante para perceber as campanhas eleitorais e tudo que em seu torno se desenrola.
Ainda por cima lançado no tempo certo (que seria de esperar de um especialista em marketing?) como é este de pré campanha autárquica em que a atenção das pessoas está virada para a política de forma especial.
Li, gostei, recomendo.
Depois Falamos.

Decisivo

Portugal defronta hoje a Rússia, país anfitrião desta taça das confederações, num jogo que tem tudo para ser decisivo quanto à permanência na prova.
Um triunfo, e considerando que o jogo a seguir é com a Nova Zelândia, garante praticamente o apuramento mas já o empate (e considerando que os mexicanos vencerão os neo zelandeses) obrigará ao recurso à calculadora enquanto a derrota nos deixará pelo caminho.
As indicações deixadas no primeiro jogo, frente ao México, não foram particularmente animadoras.
Uma equipa a defender mal, com muitas dificuldades em sair a jogar face à pressão alta dos mexicanos e um ataque que pareceu algo baralhado quanto à posição a ocupar por cada um dos seus elementos.
É verdade que a genialidade de Ronaldo e Quaresma, os dois melhores jogadores desta selecção, disfarçaram alguma coisa e até conseguiram um golo de belo recorte mas depois as insuficiências a defender comprometeram um triunfo que teria sido fundamental para enfrentar o jogo de hoje com outra disposição.
Erros de Guerreiro e Pepe no primeiro golo e de Fonte e Rui Patrício (incrível como ficou em cima da linha em vez de sair ao cruzamento e "sacar" a inevitável falta nesses casos) deram um sinal de intranquilidade num sector e nuns jogadores que tão bem tinham estado no Europeu.
Mas dias maus todos tem.
Claro que a equipa melhorou, e bastante, com as entradas de Adrien que estabilizou o meio campo, de Gelson que permitiu à equipa dispor de um extremo rápido e talentoso e passar a jogar com onze face à inexistência do substituído Nani e de André Silva que deu espaço a Ronaldo e reeditou a dupla ofensiva que tão bem tem estado nos jogos de apuramento para o Mundial.
Fica a dúvida sobre o resultado se Portugal tivesse iniciado o jogo com esses três jogadores a par da perplexidade perante a insistente titularidade de William Carvalho (oxalá Jorge Mendes o venda rapidamente...) que joga entre parado e devagar e da dúvida sobre se Bernardo Silva não desempenharia melhor o lugar atrás do ponta de lança que foi ocupado por André Gomes.
Mas como de treinador de bancada todos temos um pouco nada como esperar as decisões de Fernando Santos para o jogo de hoje para perceber se também ele ficou desagradado com alguns aspectos da exibição do passado domingo.
Depois Falamos.

terça-feira, junho 20, 2017

Insólito

O meu artigo desta semana no jornal digital "Duas Caras".

Há casos em que a realidade consegue ultrapassar largamente a ficção proporcionando-nos momentos tão insólitos e inesperados que é preciso lermos duas vezes algumas notícias para acreditarmos nos nossos próprios olhos.
E creio que nem a onda de calor, que pode perturbar alguns cérebros mais sensíveis a esse tipo de influência, pode explicar o sucedido nestes últimos dias entre Guimarães e Braga.
Refiro-me, como está bom de ver, ao inacreditável comunicado do Sporting de Braga acerca das declarações do candidato à Câmara de Guimarães, André Coelho Lima, à saída de uma reunião com a direcção do Vitória.
A história conta-se em pouca palavras.
Depois de uma reunião com a direcção vitoriana, a exemplo de muitas outras que tem mantido com os mais diversos clubes do concelho ao longo dos anos, o candidato comparou os apoios que os clubes vimaranenses, e particularmente o Vitória, recebem da respectiva câmara municipal com aqueles que são dados a clubes de concelhos vizinhos como Braga, Famalicão, Barcelos ou Fafe.
Que são em todos eles muito maiores e especialmente em Braga em que até o clube de andebol ABC recebe mais que o Vitória e o Moreirense em conjunto.
Referindo ainda, o que é rigorosamente verdade, que se para clubes que disputam idênticas competições os apoios municipais são de valores substancialmente diferentes isso acaba por ter um reflexo directo na competitividade das suas equipas (não apenas no futebol)e nos resultados alcançados.
Bastará referir a titulo de exemplo que aos Vitória são atribuídos cem mil euros por ano, para todas as modalidades, que na verdade são apenas cerca de cinquenta mil porque o clube gasta por ano um verba próxima dos quarenta e cinco mil euros apenas no aluguer de pavilhões para as suas equipas treinarem e nalguns casos competirem.
Daí que o candidato, criticando a falta de apoio da Câmara de Guimarães aos clubes concelhios, tenha explanado a sua visão do que deve ser a política desportiva do município que passará por um maior apoio aos clubes e pela atribuição directa desses apoios em vez de passarem por uma cooperativa municipal como é a velha prática socialista.
Até aqui tudo normal.
Como normal seria a resposta a estas declarações vir do PS de Guimarães caso delas discordasse ou da situação tivesse uma leitura diferente o que até à data não aconteceu pelo que me dispenso de aplicar aqui um velho provérbio popular que a todos ocorrerá sem dificuldade.
Mas não.
Quem ficou muito incomodado com estas declarações foi o...Sporting de Braga e o seu presidente António Salvador.
Que de imediato deram à estampa um absolutamente insólito comunicado recheado de insinuações, omissões e falsidades naquilo que constitui uma intromissão nunca dantes vista, em lado nenhum, de um clube desportivo numa disputa política que ocorre noutro concelho que não aquele em que está sediado e onde é um dos principais clubes em termos de apoio popular.
Não comentarei ponto por ponto o fastidioso comentário do Braga.
Sobre ele direi apenas o seguinte no que me parece mais relevante:
O comunicado do Braga não desmente André Coelho Lima.
Porque embora discordando dos valores apresentados pelo candidato admite que o Braga recebe anualmente da câmara de Braga mais do triplo do que o  Vitória recebe da câmara de Guimarães.
Está lá escrito.
A justificação de que essas verbas são para apoio às modalidades e não ao apoio profissional é pura redundância porque nunca nas declarações do candidato foi mencionado para que fim era destinado o apoio que o Vitória recebe da respectiva Câmara.
E depois o Braga entra por um caminho de delírio que nem o calor explica ao referir-se aos gastos com os estádios de Braga e Guimarães.
Ao afirmarem que o Vitória ficou com o estádio pelo valor simbólico de um euro estão a mentir.
Não foi um euro mas sim cinco mil o que sendo igualmente simbólico não deixa de ser uma diferença significativa em termos de valores e o seu não reconhecimento apenas pode ser explicado pela excelência dos critérios de gestão que notabilizaram alguns bracarenses “clientes” habituais dos noticiários jornalísticos sobre falências de empresas.
Depois o Braga “esquece-se” de referir que dispõe de dois estádios municipais, o 1 de Maio e a “Pedreira” .
Que custam ao erário público muitíssimo mais do que os cem mil euros que a Câmara de Guimarães gasta com o Vitória sendo que no segundo deles só os juros dos empréstimos bancários que permitiram a sua construção atingem valores  de milhões de euros que serão pagos ao longo das próximas duas décadas.
O Braga perdeu, pois, uma rica oportunidade de estar calado.
Porque cobriu-se de ridículo, meteu-se onde não era chamado, comentou o que não lhe dizia respeito e em nada conseguiu desmentir o candidato André Coelho Lima.
Mas deste insólito comunicado há uma concluso final que não pode deixar de ser tirada:
A política desportiva preconizada para o município de Guimarães e para os seus clubes por André Coelho Lima e pela coligação “Juntos por Guimarães” desagrada ao Sporting de Braga e ao seu presidente António Salvador.
E apenas isso pode justificar, ainda que remotamente, a emissão de um comunicado onde o incómodo é bem evidente e a simpatia , não expressa mas de fácil intuição, pelo “status quo” existente é inegável.
O que não deixa de ser um dado muito interessante que os vimaranenses devem valorizar no tempo certo.

Tigre


Banguecoque


Moínho


Sugestão de Leitura

Tinha tido conhecimento da publicação da edição portuguesa deste livro algumas semanas antes dela suceder através da recomendação do mesmo pelo meu amigo, e grande vitoriano, Vasco Rodrigues que me dissera ser uma obra imperdível.
E a curiosidade foi tanta que o comprei na pré-venda da FNAC para garantir que me chegaria às mãos mal fosse posto à venda.
E assim foi.
E que dizer dele?
Em primeiro lugar que é uma fabulosa obra de investigação do jornalista e sociólogo italiano Pippo Russo acerca do mais famoso empresário do futebol actual o português Jorge Mendes.
Cuja carreira começa na contratação de Nuno Espírito Santo, do Vitória para o Deportivo da Corunha, e depois ao longo de vinte anos constrói todo um império que o torna no mais famoso, mais influente e mais rico empresário do mundo do futebol cujos negócios hoje vão muito para lá da intermediação na contratação de jogadores e cobrem muitas outras áreas algumas das quais ainda longe de serem totalmente conhecidas mas já suficientemente nebulosas para merecerem o interesse de autoridades judiciais de vários países.
Em segundo lugar é um retrato magnifico do que é o futebol português.
Das guerras de bastidores, das influencias deste e daquele clubes, da forma como Jorge Mendes alternadamente concentrava negócios ora no Porto ora no Benfica ora no Sporting ao sabor dos seus interesses e dos interesses dos seus múltiplos parceiros de negócios.
Mas também da enorme fragilidade dos nossos clubes completamente expostos a quem, como Jorge Mendes, apareça com dinheiro e jogadores e de imediato se torne numa figura liderante com mais peso e influência do que as próprias direcções eleitas.
Acredito que os adeptos do Sporting de Braga, do Rio Ave, do Paços de Ferreira que são os clubes mais "Mendisados" (expressão do autor) de Portugal lerão com profunda preocupação, e tristeza, este livro.
E cabe aqui referir que o Vitória, felizmente num contexto ainda diferente, é várias vezes citado no livro e tem até direito a um capitulo próprio.
Em terceiro lugar este livro é um sério aviso, para quem o quiser entender como deve ser entendido, para aqueles clubes que ainda não caíram na órbita deste e de outros empresários (e dos fundos de investimento...) mas são por eles cobiçados e com eles, nalguns casos, parecem recriar uma espécie de  "Danças com Lobos" que só pode terminar mal.
Porque este(s) empresário(s) e os interesses financeiros que gravitam em volta do futebol dele só querem o lucro, as mais valias, os negócios e estão-se completamente nas tintas para a identidade dos clubes, para a paixão dos adeptos, para a História que cada clube construiu ao longo de décadas.
É, repito, uma obra magnifica.
E creio que toda a gente que gosta de futebol, que gosta do seu clube, que vê no futebol muito mais que apenas um negócio deve lê-lo com toda a atenção e dele tirar as necessárias ilacções porque a todos cabe um pouco a responsabilidade de impedir a destruição da mais apaixonante das modalidades e dos seus respectivos clubes (e selecções...) por gente sem escrúpulos, sem Pátria nem clube, que apenas pensa nos negócios, nas percentagens e nas comissões.
Pessoalmente adorei ler este livro embora da sua leitura tenha resultado um significativo aumento da preocupação em volta de notícias que vou lendo nos últimos dias e que não me agradam nada enquanto adepto do futebol e adepto do Vitória.
Depois Falamos

P.S. Pippo Russo terminou a edição portuguesa em Dezembro de 2016. Mas o que se está a passar com os problemas fiscais de Cristiano Ronaldo e José Mourinho (os dois principais clientes de Jorge Mendes) ou com a ida de Nuno Espírito Santo (o mais antigo cliente e o mais "Mendisado"dos treinadores) para o Wolverhampton caberia perfeitamente na lógica narrativa do livro.

segunda-feira, junho 19, 2017

Três Pontos

O meu artigo desta semana no zerozero.pt.

Andam cada vez mais revoltas as “águas” do nosso futebol ao sabor de sucessivos acontecimentos que vem ocupando as primeiras páginas dos jornais, e dos noticiários em geral, nestes últimos dias e que prometem continuar na ordem do dia por algum (bastante?) tempo mais.
Hoje vou referir aqui três assuntos, diversos entre si, mas bem demonstrativos da intranquilidade que por aí anda.
O primeiro é, inevitavelmente, o caso dos e-mails.
Que começou pela divulgação de uma troca de e-mails entre Pedro Guerra e Adão Mendes mas já atingiu proporções bem maiores e implicando muitas outras pessoas com responsabilidades no futebol bem maiores do que dos dois protagonistas iniciais.
Ao que se sabe hoje, mas não esquecendo que cada terça feira traz a promessa de mais e mais gravosas actualizações do assunto, há já matéria mais que suficiente para que o Estado se envolva de forma empenhada no cabal esclarecimento do assunto usando todos os meios ao seu dispor para que a Verdade seja esclarecida e as responsabilidades assacadas a quem de direito.
Polícia Judiciária, Procuradoria Geral da República, seja quem for tem de investigar profundamente os bastidores do nosso futebol e fazê-lo de forma determinada, eficaz, isenta face aos envolvidos e tão célere quanto possível.
Na defesa do futebol, da verdade desportiva, dos clubes, dos árbitros e de tudo que rodeia uma modalidade que não merece estar mergulhada no lodaçal para que certo dirigismo desportivo a tem conduzido nas últimas décadas.
Investigue-se tudo e investiguem-se todos!
Instaurem-se inquéritos, reabram-se processos se necessário for, corte-se a direito no apuramento do que realmente se passa no submundo do futebol e que sucessivos escândalos nos últimos anos tem posto a lume com uma clareza que só não vê quem não quer e a que o Estado não pôs cobro ainda por uma reiterada cobardia face ao poder do futebol e de alguns clubes.
É impensável que a próxima época desportiva comece (a 5 de Agosto com a disputa da supertaça entre Vitória e Benfica) debaixo deste ambiente de suspeição, com uma tensão tremenda entre clubes e a arbitragem debaixo da pressão terrível que sobre ela se exercerá face a todas estas suspeitas.
O segundo ponto tem a ver com a selecção nacional.
Que lá longe na Rússia participa ,como campeã europeia em título, na taça das confederações procurando conquistar para Portugal mais uma grande prova internacional na qual participa pela primeira vez e graças ao triunfo no Europeu de França.
E não deixa de ser uma ironia cruel que o país campeão da Europa de selecções enquanto vê a equipa de todos nós a participar numa grande competição internacional esteja mergulhado no lodaçal atrás referido , absolutamente indigno de um país civilizado e de um Estado de direito que funcione normalmente, que desqualifica a nossa imagem internacional e deixa os nossos jogadores da selecção como a brilhante ponta de um icebergue de sujidade.
Não merecem eles, não merece o brilhante trabalho que a FPF vem fazendo a nível de selecções, não merecem muitos (não todos) adeptos que gostam de futebol e de futebol com Verdade desportiva.
A participação não começou da melhor forma, quer exibicionalmente quem em termos de resultados, mas já é tradição bem portuguesa começar as competições “assim assim” e depois encarreirar e construir bons resultados.
Esperemos que assim seja e que também Fernando Santos suba de forma (deixar Gelson, André e Bernardo Silva no banco para dar a titularidade a Nani foi um fiasco) para que a máquina da selecção carbure em pleno como aconteceu após a entrada dos dois primeiros e que quase deu para ganhar o jogo.
O terceiro ponto tem a ver com Ronaldo.
E com o facto de Espanha tendo porventura os dois maiores clubes do mundo (Barcelona e Real Madrid) ,e neles jogando os dois melhores futebolistas mundiais da última década (Ronaldo e Messi), fazer pouco por merecer a excelência que esses dois jogadores dão às suas provas e os troféus internacionais que tem ajudado os seus clubes a ganhar.
E porquê?
Porque um é português e o outro argentino e isso “cai” muito mal ao orgulho espanhol que convive pessimamente com a realidade de os melhores do mundo joguem em dois clubes espanhóis sem serem dessa nacionalidade.
Não vou entrar aqui, até por não perceber nada da matéria, em análises individuais ou comparativas dos processos em que ambos se viram envolvidos pela fiscalidade espanhola e que tantos rios de tinta tem feito correr.
Registo, apenas, a satisfação com que na imprensa de Madrid se acompanharam os problema de Messi e que foi correspondida pela satisfação da imprensa catalã no acompanhamento do que está a acontecer com Ronaldo.
E se isso se pode inserir na rivalidade tradicional entre Madrid e Barcelona já não entendo, a não ser por esses despeito atrás referido, a forma como o Real Madrid tem agido em todo este processo.
É verdade que fez um comunicado a apoiar Ronaldo (também era o que faltava não o ter feito) mas simultaneamente andou a pedir aos jornais para nas notícias que publicassem sobre o assunto não inserirem fotografias do jogador com a camisola do clube!
E isso é simplesmente miserável.
A fazer lembrar, ressalvadas as diferenças que são muitas, o que aconteceu no Canadá quando Ben Johnson ganhou a épica final dos 100 metros nos Jogos Olimpicos de Seul frente a Carl Lewis.
No dia do triunfo alcançou o estatuto de herói do Canadá e assim era tratado pela imprensa local.
Dois dias depois, quando se conheceram os resultados positivos do controlo anti doping, deixou de ser o herói do Canadá e passou a ser o filho de emigrantes jamaicanos transformando-se num quase vilão de épicas proporções.
No Real Madrid a linha de raciocínio a nível directivo, que não dos adeptos, é idêntica.
Quando dá ao clube títulos e troféus é o melhor jogador do mundo, um herói madrileno, o melhor da História do clube. Quando aparecem problemas como este passa a ser o...”português”.
Tudo porque há muito “bom “ espanholito e madrileno que não suporta a ideia de que o melhor jogador de sempre do Real Madrid, que vai deixar no clube recordes que vão durar gerações, é orgulhosamente português e não espanhol como tanto gostariam que fosse.
Percebo bem a vontade de Ronaldo sair do Real e de Espanha.
Inveja, ingratidão e xenofobia são realmente difíceis de suportar.