quinta-feira, dezembro 05, 2019

Castelo de Trakai, Lituânia


Pelicanos


Marselha


Cirúrgico

Depois da desoladora prestação no jogo de campeonato, em que o Vitória esteve muito aquém do necessário, o regresso três dias depois ao Bonfim (ainda por cima sabendo do excelente resultado entre Sporting da Covilhã e Benfica) tinha o carácter de um autêntico tira teimas para perceber qual era a real ambição da equipa em termos da única prova em que esta época ainda pode ambicionar a conquista de um troféu.
O Vitória sabia que ganhando ficava com pé e meio na "final four" da taça da liga (que será em Braga com tudo que isso tem de aliciante) mas também sabia que qualquer outro resultado a deixava de calculadora na mão e dependente de terceiros.
A resposta dada pela equipa não podia ser melhor!
Entrou a dominar o jogo, a empurrar o Vitória FC para o seu último reduto com tal intensidade que nos primeiros quinze minutos não me lembro de ver os setubalenses passarem o meio campo, mostrando que queria ganhar e fazendo por isso desde o início.
E a sorte protegeu os audazes.
Porque embora numa tímida reacção os sadinos tenham atirado uma bola ao poste a resposta do Vitória foram dois golos, ainda por cima resultantes de excelentes lances de combinação atacante, e percebeu-se logo que só grande cataclismo impediria o triunfo que se desenhava com contornos bem nítidos.
Ao intervalo a vantagem de dois golos era mais que justa e depois no segundo tempo foi gerir a vantagem e desperdiçar mais uma ou duas oportunidades que dariam ao marcador uma expressão algo exagerada.
Gostei francamente da forma como o Vitória encarou este jogo e espero que seja padrão para a restante época porque o plantel vitoriano tem a qualidade suficiente para fazer bastante melhor do que tem feito nalguns jogos.
Sabendo-se que tenho criticado a excessiva rotação do plantel e ainda anteontem questionado o papel de Bonatini neste equipa dá a sensação de que este jogo veio contradizer as razões que tenho aduzido e confirmar que está tudo bem com essas opções.
Na verdade Ivo Vieira em relação ao jogo de domingo apenas manteve Mikel e Tapsoba ( mas este é imune a rotações porque joga sempre) e alinhou nove jogadores que não tinham sido titulares no jogo de campeonato.
E a resposta foi boa.
Miguel Silva fez uma exibição segura, Vítor Garcia e Rafa Soares deram muita projecção ofensiva aos respectivos flancos, Ola John fez a sua melhor exibição com a nossa camisola, Davidson deu agressividade no último terço do terreno, João Carlos Teixeira fez uma bela exibição e aumentou a perplexidade pelos seus "eclipses" da titularidade e Bonatini fez dois golos à ponta de lança com o primeiro a resultar de uma boa finalização a passe excelente de Ola John e o segundo um golo fácil mas com o mérito de estar lá no momento certo.
E por isso a conclusão a tirar é que ontem foi a excepção à regra quanto às rotações em grande número, que continuo a entender como prejudiciais, esperando que no caso de Bonatini não tenha sido também uma excepção à regra e se transforme numa regra goleadora de que esta equipa bem precisa.
Até ao final de 2019 o Vitória tem em termos de liga a recepção ao Portimonenses e a deslocação a Barcelos (grande romaria vitoriana se prevê) e para a taça da liga a recepção ao Sporting da Covilhã para carimbar o apuramento para a "final four".
São três jogos claramente de ganhar. 
E com todo o respeito pelos adversários acredito que mantendo a atitude de ontem tal não será muito difícil.
Depois Falamos.

quarta-feira, dezembro 04, 2019

Pôr do Sol


Papagaio


Fonte de Trevi


Bonatini

 Aquando da sua contratação, e embora seja emprestado, vi-a com alguma expectativa face ao que fizera no Estoril (que não é o Vitória...) e aos golos que marcara. 
Mas tem sido uma completa desilusão. 
Seis jogos incompletos na liga, quatro na liga europa e um na taça da liga também eles incompletos renderam o escasso peculio de dois golos apenas.
Dois golos em onze jogos, mesmo incompletos, é muito pobre para um ponta de lança.
Já para nem falar do nível exibicional. 
E um jogador emprestado ou tem um rendimento superior aos do clube ou então não vem para cá fazer nada.
Mais: Nos dois últimos jogos aquele que teoricamente devia ser uma mais valia teve o seguinte aproveitamento por parte de Ivo Vieira; Com o Liége, jogo que o Vitória tinha de forçosamente ganhar para manter aspirações de apuramento, foi opção a três minutos (!!!) do fim a substituir André Pereira. Em Setúbal, onde ganhar era imperioso para não perder terreno na classificação, não saiu do banco tendo o técnico feito apenas duas substituições! 
Aqui não se avalia a ambição nem a capacidade de correr riscos do treinador, assunto que também vai dando pano para mangas, mas apenas a utilização que ele faz do jogador.
Que é cada vez menos. 
E se a isto somarmos o prolongado ostracismo a que está votado Alexandre Guedes, que não é emprestado convém salientar, cada vez se percebe menos a gestão desportiva do plantel.
Em Janeiro se, como tudo indica, Guedes for emprestado ou vendido será então tempo de fazer outro tipo de avaliação. 
Já não sobre a gestão desportiva em si mas sobre quem a faz. 
Aguardemos...

segunda-feira, dezembro 02, 2019

Lampião


Javalis


Inverno


Treinar

O meu artigo desta semana no zerozero.

No mundo fascinante do futebol poucas profissões se revelam tão interessantes, mas também tão inseguras e tão variáveis nas avaliações que sobre ela se fazem a cada momento, como a de treinador.
Se os grandes jogadores fazem o espectáculo, criam os lances geniais, concebem as jogadas que perduram na memória e por isso ficam para a lenda do futebol também é verdade que sem o trabalho dos treinadores tal não seria possível porque sendo o futebol um desporto colectivo (com espaço para as grandes individualizações é claro) são os homens que comandam a “máquina” que tornam possível o maior espectáculo desportivo à face da Terra.
É uma profissão fascinante, sem sombra de dúvida, mas também a profissão ligada ao futebol em que se passa mais depressa de bestial a besta, quantas vezes nos escassos (para esse efeito) noventa minutos que dura um jogo, porque o treinador é sempre o bode expiatório mais à mão para justificar resultados em que bastas vezes é o menos responsável.
Nos mais de cem anos de competição que o futebol já leva é fácil recordarmos os nomes de tantos e tantos jogadores que ficam para a lenda , desde os de categoria mundial cuja valia ultrapassa a fronteira de clubes e países até aqueles que se destacaram no clube de cada um de nós e que ficam na nossa memória clubística, mas já não é tão fácil recordarmos os nomes de treinadores em igual quantidade porque pese embora a sua importância decisiva no jogo não ficam tão ligados ao imediatismo do grande golo, da grande defesa, do grande drible ou da grande jogada como os executantes propriamente ditos.
Aliás estando a História do futebol pejada de grandes treinadores, desde pelo menos os anos 30 do século passado, são poucos aqueles que deixaram uma marca mais decisiva no futebol que as grandes vitórias obtidas em clubes e selecções.
E esses são os que para lá de ganharem troféus e títulos conseguirem criar sistemas de jogo que perduraram para lá do tempo em que foram criados e constituíram factores de inovação do próprio futebol.
Foram os casos de Herbert Chapman com o revolucionário “WM”, de Helénio Herrera que aperfeiçoou até ao limite da eficácia o “catenaccio” de Nereo Rocco, de Rinus Michels que criou o conceito de “futebol total” e foi escolhido pela FIFA como melhor treinador de sempre fruto desse extraordinário modelo de jogo e da dupla Cruyff/ Guardiola que inventaram o “tiki taka” que permitiu extraordinárias vitórias ao Barcelona e é o último (até à data) grande e revolucionário modelo de jogo.
Terá havido mais um ou outro mas são realmente muito poucos os treinadores que além de ganharem os tais troféus e títulos também mereceram a “imortalidade” futebolística pela sua criatividade em termos de conceitos de jogo.
César Luis Menotti, Arrigo Sachi, Fabio Capello, Alex Ferguson, Stefan Kovacs, José Mourinho, Bob Paisley, Jurgen Klopp,  Arsene Wenger, Bill Shankly, entre muitos outros que poderia citar , foram e são treinadores de enorme sucesso pelo que fizeram em clubes e selecções mas aos quais ninguém associa a criação de um dos tais modelos de jogo que perdura para a História do futebol.
E por isso quando se fala dos grandes jogadores que integraram grandes equipas, das grandes equipas que conquistaram troféus e títulos, dos troféus e títulos que deram glória e palmarés a clubes e países é bom que fique sempre a justa recordação de que nada disso seria possível sem os tais homens que exercem a tal profissão tão fascinante quanto instável que é a profissão de treinador.
É oportuno recordar isto nestes tempos em que cada vez mais o treinador é o elo mais fraco, em que cada vez mais frequentemente é o bode expiatório dos erros dos presidentes e conselhos de administração das SAD, em que ano após ano as “chicotadas  psicológicas” parecem ser a única solução para o mau planeamento das épocas ou até para a má sorte própria do jogo propriamente dito.
Sem invalidar, como é óbvio, que sendo humano o treinador também falha, também erra, também faz más leituras do jogo, também toma opções erradas no decurso do mesmo
Quem viu, a título de exemplo , os recentes jogos do “meu” Vitória com Standard de Liége e Vitória FC ou o Leipzig-Benfica terá identificado sem qualquer dificuldade um conjunto de decisões erradas de Ivo Vieira e Bruno Lage que estiveram na origem de as suas equipas não terem ganho jogos que estavam perfeitamente ao seu alcance.
Que foram das leituras erradas dos jogos aos enormes erros nas substituições que fizeram e nas que não fizeram.
Mas também por isso a profissão de treinador é tão fascinante (e tão instável) , por permitir que sem jogar o treinador tenha tanta importância nas vitórias, empates e derrotas como os jogadores.
E às vezes mais.

domingo, dezembro 01, 2019

Decepcionante

É já inegável que o Vitória se encontra numa crise de resultados que resulta, em grande parte, de uma crise exibicional que se vem arrastando desde há várias semanas.
Foi-se o futebol bonito de algumas partidas, foi-se o olhar o adversário olhos nos olhos e ir para cima dele sem medo (como em Londres), foi-se a equipa ambiciosa que esmagou Aves e Belenenses e não esmagou outros porque as bolas não entraram.
Foi-se isso e ficou isto.
Uma equipa banal, sem ideias, que parece recear todos os adversários em que a defesa treme (como é possível o "gordo" Ghilas correr mais depressa que alguns jogadores do Vitória ?), o meio campo não liga jogadas e o ataque desespera de tão ineficaz perante as balizas adversárias.
A isto acresce um treinador que parece perdido, que trocou rotações por teimosia, que parece absolutamente incapaz de mexer na equipa com eficácia e resolver a partir do banco aquilo que em campo os jogadores do onze inicial se mostram incapazes de fazer.
A que se acrescenta aquilo que aprece uma preocupante falta de ambição.
Com o Standard de Liége as substituições que fez , e que nada trouxeram, foram a troca de três avançados por outros três avançados com a ultima delas a três minutos do fim (André Pereira por Bonatini) o que demonstra medo de arriscar com o consequente prejuízo da ambição de vencer.
Hoje em Setúbal mexeu tarde, pouco e mal.
Tarde porque fez a primeira substituição, Poha por Teixeira, apenas a vinte e dois minutos do fim do jogo e com uma equipa a jogar mal desde o início que justificava que ao intervalo, se não antes, se operassem mudanças.
Pouco porque deixou uma substituição por fazer, tendo Davidson e Bonatini ( enfim...) no banco, denotando falta de ambição de ganhar face a um Vitória FC que foi melhor durante quase todo o jogo.
Mal porque só Ivo Vieira e o Pai Natal ainda acreditam que Ola John é solução para alguma coisa depois de tantas provas em contrário. Tem algum talento, tem alguma qualidade  mas não tem vontade e quando assim é...
Se a isto acrescermos o ostracismo a que votou Guedes (completamente inexplicável) e o desaparecimento de André Almeida das convocatórias, entre outras opções, começa a haver muita coisa a necessitar de justificação.
E de correcção como é evidente.
Sob pena de ser mais um dos tristemente famosos anos zero.
Depois Falamos

Macacos


Castelo de Lourdes, França