terça-feira, maio 24, 2016

Nós e Eles

Há textos que gostaria de não escrever.
Como há textos, provavelmente os mesmos, que alguns não gostarão de ler.
Mas não é por nos negarmos a olhar a realidade de frente que ela deixa de existir, nem fazermos de conta que não se passa nada faz com o que se está a passar deixe de ser realidade.
Todos os vitorianos, talvez com excepção daqueles que obstinadamente se recusam a andar de olhos abertos para as realidades,  tem a perfeita noção de que estes últimos dez/doze anos foram quase sempre maus para o Vitória e quase sempre bons para o Sporting de Braga.
Ontem terminou o ultimo ponto que nos dava vantagem sobre o velho rival neste período de tempo.
Nós tínhamos legítimo orgulho de neste período termos vencido uma Taça de Portugal enquanto eles a única que tinham no seu palmarés tinha sido ganha em 1966.
Agora não só eles venceram a Taça como passam a ter duas enquanto nós só temos uma!
Em seis finais que disputamos. Tantas como eles.
No resto as comparações são-nos completamente desfavoráveis não há volta a dar-lhe.
É verdade que fomos o primeiro clube fora de Lisboa e Porto a ir à Liga dos Campeões mas não passamos do play off de acesso à fase de grupos (com o roubo de Basileia à mistura mas isso não conta para as estatísticas) enquanto eles já disputaram três fases de grupos defrontando, e ás vezes com sucesso,algumas das melhores equipas europeias.
Por isso quando vejo manifestações de exacerbada clubite , procurando empequenecer os sucessos deles e hiper valorizar os pequenos sucessos nossos tenho a noção triste de que deve haver muitas vezes em que eles se riem de nós.
Nós chamamos-lhes marroquinos.
Eles ganham a taça da liga que nós nunca ganhamos
Nós dizemos que "Braga é merda".
Eles são vice campeões nacionais lugar que nunca conquistamos
Nós afirmamos que em Braga há mais benfiquistas que braguistas.
Eles vão a uma final da Liga Europa enquanto nós fomos há trinta anos aos quartos de final.
Nós dizemos que eles só tem gente no estádio com borlas.
Eles em 10 campeonatos ficam oito vezes à nossa frente!
Nós, num tempo em que as coisas eram diferentes, andamos anos e anos a disputar o quarto lugar com o Boavista enquanto eles se arrastavam pelo meio/fundos da tabela.
Depois eles cresceram, o Boavista caiu, e passamos a disputar esse quarto lugar com eles.
E agora?
Agora eles olham para cima e veem Porto, Sporting e Benfica com quem disputam lugares e acesso á liga dos campeões.
Nós olhamos para cima e vemos Belenenses, Estoril,Paços de Ferreira, Rio Ave e Arouca ,porque os quatro primeiros já vão tão longe que deixamos de os ver, e nem o acesso à Liga Europa conseguimos.
Eles vendem por milhões, reinvestem em jogadores  fazendo equipas sempre fortes e competitivas e os resultados aparecem com toda a regularidade.
Nós vendemos por "tostões", encharcamos-nos em emprestados que nada acrescentam (na sua maioria) e fazemos campeonatos em regra desoladores com uma ou outra excepção.
É a realidade.
É certo que os mais irredutíveis, ou menos propensos a verem a realidade com a necessária frieza, dirão que temos mais gente no estádio do que eles.
É verdade.
Ainda temos.
Mas a tal realidade para que alguns não gostam de olhar diz-nos que o fenómeno do bi clubismo em Braga atinge cada vez menos as novas gerações, aquelas abaixo dos 40 anos, que são cada vez mais pelo clube da terra e por nenhum outro e a tendência é para manter e até exponenciar face ao que tem sido os desempenhos do clube nesta última década.
E ninguém duvide que a conquista da Taça de Portugal vai dar um poderoso contributo para isso face ao impacto que tem nos mais novos em termos de admiração pelo clube e fidelização ás suas cores.
E por isso se a tendência da última década se mantiver ninguém se poderá admirar se as assistências em Braga tiverem uma curva claramente ascendente enquanto em Guimarães há uma curva claramente descendente que acabará por se cruzar com a ascendente do rival minhoto.
Hoje, em Braga, já se pensa seguramente em novas conquistas enquanto em Guimarães há muita gente que ainda vive agarrada à recordação do Jamor/2013 como se o mundo tivesse acabado aí.
Hoje a realidade é essa.
Que em nada nos tira o orgulho em sermos vitorianos, o amor ao Vitória, a consciência de que somos adeptos de um clube diferente de todos os outros.
Mas é preciso mudar.
Porque enquanto ao discurso ambicioso deles respondermos com o discurso depressivo sobre o passivo que já (quase) ninguém suporta.
Enquanto ás vendas de jogadores por milhões que eles fazem respondermos com a satisfação pelo encaixezinho do milhãozito de euros da ordem(num ou noutro acaso algo mais) pela venda de alguns dos nossos melhores.
Enquanto á valorização dos próprios activos que eles fazem "respondermos" com a valorização de emprestados que findo o empréstimo se vão sem qualquer proveito para nós.
Enquanto tudo isso e muito mais acontecer é escusado pensarmos que podemos competir com o Braga por classificações, apuramentos europeus ou até troféus.
Há ilusões que por não terem qualquer razão de ser ainda se tornam mais perigosas pelo risco de destruição que encerram.
E por isso o Vitória tem mudar de vida.
É bom que a SAD se consciencialize que é preciso apostar seriamente no futebol e que o faça por actos e não por palavras.
Um bom treinador, uma boa equipa, valorização do que é nosso para vendermos quando for do nosso interesse e por valores adequados e não quando aparece quem queira a dar verbas ridículas, um discurso ambicioso e reivindicativo, um inconformismo sem limites quando formos prejudicados pelos poderes ocultos do futebol .
Um projecto desportivo ambicioso, sustentável, que olhe e planifique o médio prazo.
Se assim for, se houver o "rasgo" necessário a mudar o paradigma desta década "maldita", ainda é possível reverter este estado de coisas que tem caracterizado os últimos  anos e devolver o Vitória ao seu verdadeiro lugar de quarto clube do futebol português com a ambição de ainda ser mais do que isso.
E estou absolutamente certo, pela experiência de quase 50 anos a acompanhar o Vitória, que se houver uma liderança mobilizadora, um projecto atractivo e uma equipa que corporize no relvado as nossas aspirações não será pelos adeptos que o o clube deixará de voltar aos seus melhores tempos.
Os vitorianos, agora sim podemos evocar a paixão pelo clube, nunca deixaram o Vitória caminhar só.
E não será agora que vão fazê-lo.
Não podemos é perder mais tempo.
Nós.
Porque eles não vão perde-lo de certeza absoluta.
Depois Falamos

domingo, maio 22, 2016

Uma Final Disputada

André Silva e Marafona: As duas figuras maiores da final da Taça
Dizem os entendidos , entre os quais José Mourinho, que as finais não são para jogar mas sim para ganhar.
E o Braga interpretou bem esse principio.
Entrou melhor no jogo, foi eficaz no aproveitamento de uma falha infantil da defesa adversária, e depois impôs a estratégia que mais lhe convinha e que passava por "arrefecer" o jogo e ir quebrando o ritmo ao adversário numa sucessão de falta e faltinhas.
E durante a primeira parte teve sucesso.
No segundo tempo o Porto entrou francamente melhor (pior também não era possível...) assenhoreou-se do jogo e foi criando alguns lances que faziam prever que o empate podia suceder mais minuto menos minuto.
Mas outra incrível falha da defesa portista "deu" ao Braga o segundo golo (e só não deu terceiro num falhanço caricato de Helton porque...não calhou) e aí pensou-se que tudo estaria decidido porque não se antevia ao Porto capacidade de reacção.
Foi então que, provando que a História ás vezes se repete, o Braga de Paulo Fonseca cometeu exactamente o mesmo erro do Braga de Sérgio Conceição na final do ano passado; recuou em demasia, deu toda a iniciativa ao adversário e refugiou-se num anti jogo completamente inaceitável (então Marafona foi demais) numa competição profissional e só possível com um árbitro sem categoria como Soares Dias.
E o Porto, muito por força da forma acertada como Peseiro mexeu na equipa, começou a criar sucessivas ocasiões que lhe permitiram marcar por duas vezes e levar o jogo para um prolongamento durante o qual foi a única equipa que quis ganhar tendo até construído boas ocasiões para isso.
Mas não marcou.
E nos pénaltis o Braga foi mais eficaz a rematar, e Marafona completou defendendo por duas vezes os remates dos portistas ,permitindo assim a conquista do troféu.
Merecida?
Nem por isso.
Pela segunda parte e pelo prolongamento o Porto merecia ter saído vencedor, pese embora os espantosos erros da sua defesa, até porque o Braga "desistiu" do jogo muito cedo preferindo defender com as linhas muito recuadas e com o tal recurso ao anti jogo que merece a censura de quem gosta de futebol com "fair play".
Mas, lá está, as finais são para ganhar e não para jogar e nisso a estratégia bracarense foi bem sucedida.
Três notas finais.
Uma para André Silva. Grande exibição, dois golos (o segundo simplesmente espectacular) e mais duas oportunidades no prolongamento que podiam ter evitado os penáltis. Para mim o melhor em campo por tudo que fez nas duas horas de jogo. 
E passando um atestado de burrice a Fernando Santos é claro.
Outra para dizer uma verdade de "La Palisse". Numa final devem jogar sempre os melhores e o "sentimentalismo" de fazer alinhar o guarda redes normalmente suplentes nestes jogos saiu muito caro ao Porto. Porque Helton já não está para estas andanças (ainda por cima depois de uma época de banco),porque Casillas é muito melhor e porque, digo eu, ao fim de duas horas de esforço e desgaste os bracarenses encarregados de marcar os pénaltis não gostariam de ter pela frente um guarda redes da categoria mundial do espanhol. Ainda por cima especialista em pénaltis.
A ultima para Soares Dias.
Só um árbitro sem categoria  permite tanto anti jogo sem a correspondente e atempada sanção disciplinar. O Braga usou e abusou das simulações de lesão e o árbitro foi na conversa.
Mas para a História fica quem ganhou.
E esse foi o Braga.
Que tem nesta taça o corolário de uma década em que tem sabido fazer o seu trabalho de casa bem feito.
E nisso o mérito é todo dele.
Depois Falamos.

Académica

Equipa da Académica Vice Campeã nacional em 1966/1967
A Académica faz parte, juntamente com Sporting de Braga, Tirsense e Varzim das minhas mais velhas memórias enquanto adepto vitoriano a acompanhar o Vitória pelos estádios do país.
E embora a Braga e à Póvoa tenha ido muito mais vezes, a Santo Tirso muito menos por força das longas ausências do Tirsense do primeiro escalão, tenho das idas a Coimbra uma memória diferente (de que já aqui falei noutras oportunidades) quer pelo tipicismo de que se revestiram quer por peripécias de alguns jogos a que assisti.
Posso por isso afirmar que a Académica faz parte da minha história enquanto adepto do futebol.
E devo dizer, embora isso possa chocar alguns vitorianos com uma sensibilidade mais exacerbada, que é um clube que sempre olhei com alguma simpatia não só por essas memórias mas também pelo que de diferente representou durante muitas décadas no nosso futebol apresentando equipas compostas por estudantes da Universidade com uma mística muito própria.
Eu sei que há em Coimbra muitos adeptos que não gostam do Vitória por causa do famigerado "caso "N'Dinga" mas esse é problema deles porque não me parece que os vitorianos tenham motivo para não gostarem da Académica por causa disso.
Nesse ano já longínquo a Académica não desceu por causa do "caso N'Dinga".
Desceu porque em campo não conseguiu os pontos suficientes para conseguir a manutenção e depois tentou, sem sucesso, ganhar na secretaria o que não conseguira no sítio próprio.
Mais nada!
E por isso mantenho esse olhar de simpatia sobre a Académica.
Reforçado pelas muitas vezes em que fui a Coimbra ver o Vitória mas também pelas vezes em que, nos tempos em que estudei em Coimbra, ia ao domingo até ao Calhabé ver jogos da Académica com outros clubes.
Aliás, numa perspectiva já extra futebol, Coimbra é uma cidade de que gosto imenso.
Este ano a Académica desceu.
Fruto da má gestão desportiva, fruto dos azares próprios do futebol, a verdade é que uma das mais tradicionais equipas do nosso desporto rei deixa na 1ª Liga um vazio que será difícil de preencher porque outro clube que não a própria Académica.
Mas há uma outra razão que ajuda a explicar esta descida.
A falta de adeptos.
Coimbra é uma das maiores e mais históricas cidades do país mas a Académica nunca teve adeptos em número correspondente a essa dimensão.
Quer porque muitos dos que para lá vão estudar já são adeptos de outros clubes e hoje dificilmente fazem da Académica o seu segundo clube como acontecia no passado.
Quer porque a própria cidade de Coimbra historicamente olhou sempre a Académica como o clube dos "doutores" ,com a inveja bem típica dos portugueses a preponderar, e preferiu durante muito tempo o União de Coimbra que era o clube do "povo".
E finalmente porque Coimbra, como se pôde ver ainda em dois episódios recentes ( a visita a Coimbra do Sport Lisboa e a final da taça da liga), é uma cidade onde os adeptos de sofá e os adeptos das vitórias dos chamados "grandes" existem em número extremamente significativo com enorme prejuízo do clube local.
A Académica desceu.
E penso que infelizmente o seu regresso não estará para breve frutos dos muitos problemas que atravessa.
Mas também porque a "sua" cidade não a ajuda tanto e quanto o podia fazer.
Depois Falamos.

P.S. Espero que apesar de tudo o regresso venha a ser uma realidade.
A 1ª Liga precisa da Académica.

Monte Shokai,Japão


Leoa

Foto:National Geographic

sexta-feira, maio 20, 2016

Observador

Sou, já o disse muitas vezes, um fiel leitor dos jornais em papel um gosto que me acompanha há quase 50 anos e que nunca mudarei.
Jornais na net só por obrigação profissional, curiosidade por algum tema, ou fruto da recusa definitiva em comprar os jornais desportivos que neste país se fazem e que mais não são do que orgãos mal disfarçados de três clubes.
Quando dois anos atrás apareceu um jornal digital chamado "Observador" fui espreitar,pela curiosidade natural de ver o que dali sairia, sem nenhuma intenção de me tornar um leitor diário e entusiasta do jornal.
A verdade é que tornei.
E desde então a primeira coisa que faço todas as manhãs quando abro o computador é ir ver o "Observador".
Desde logo o fabuloso "360º" que é um excelente sumário noticioso do que se passou durante a noite e madrugada mas que deixa também "pistas" para o que se via passar ao longo do dia nas mais diversas áreas.
Inicialmente escrito por David Dinis, o primeiro director do jornal, é agora assegurado por Miguel Pinheiro e Filomena Martins depois da saída do primeiro para a TSF.
Depois o resto.
Os artigos de opinião, os "explicadores", os "live blog" as fotogalerias, enfim tudo um mundo fascinante de informação que me leva a consultar o jornal várias vezes por dia até ao "Macroscópio" e "Hora de Fecho" que de alguma forma estão para o final da tarde como o "360º" está para o inicio da manhã.
Na minha página "política" no facebook partilho quase diariamente notícias  e artigos de opinião do "Observador" tal o interesse que neles encontro e a actualidade do que lá escrevem o José Manuel Fernandes, a Maria João Avillez, o Rui Ramos, a Laurinda Alves, a Maria João Marques, a Helena Matos e alguns outros.
Para mim o "Observador" só tem um enorme defeito:
Não ser em papel.
Pois agora no seu segundo aniversário o "Observador" fez uma incursão no papel e publicou uma excelente revista com quase 150 páginas (a capa é a imagem que encima este texto) na qual fez uma recolha do melhor que o jornal publicou ao longo destes dois anos.
Uma edição de coleccionador para guardar como é óbvio.
Desejando ao jornal uma longa vida e, quem sabe, o regresso periódico ao papel para nos permitir guardar as tais edições de colecção.
Depois Falamos

Rui Bragança


Cartoon de Miguel Salazar

quinta-feira, maio 19, 2016

Vergonha Europeia

Já se sabe que o estádio de Basileia é propenso aos atropelos à verdade desportiva!
O Vitória que o diga.
Mas o que ontem se viu na final da Liga Europa, considerando até a importância do jogo, foi demais e deixa cada vez mais interrogações sobre o que é hoje o futebol.
A história, para quem não viu, conta-se em poucas palavras.
O Liverpool ao intervalo vencia por um a zero e o quinteto de arbitragem já tinha deixado por marcar TRÊS grandes penalidades a seu favor que puniriam claras mãos na bola de defensores sevilhistas dentro da sua grande área.
Infracções cometidas de forma visível (então duas delas nem se fala...)perante o árbitro e nas "barbas" dessa inutilidade a que se convencionou chamar árbitros de baliza.
A verdade é que não foram marcadas.
A lembrar a final entre Sevilha e Benfica em que os espanhóis também contaram com enorme cegueira dos árbitros face a lances idênticos.
Não sei exactamente o poder e a influência que o Sevilha tem junto da UEFA mas imagino que o facto de o espanhol Angel Maria Villar ser o actual presidente interino (desde a suspensão de Platini)da organização não deve ser alheio ao que se passou ontem naquele estádio.
Dir-me-ão, e é verdade, que na segunda parte o Sevilha entrou melhor e fez jus ao triunfo com três golos de excelente recorte perante um Liverpool compreensivelmente atordoado por ter ido para o descanso a ganhar por apenas um golo quando podia ter ido com a final completamente resolvida.
Para mim a competição desportiva terminou ao intervalo e já gravemente lesada na sua verdade.
O que se passou depois foi apenas a sequela de uma farsa montada pela UEFA e que teve como beneficiário o clube espanhol.
Uma vergonha.
E que a um mês do Europeu deixa fundadas preocupações sobre a verdade desportiva dessa competição.
É que com esta UEFA está provado que vale tudo.
Depois Falamos.

P.S: É verdade que o Benfica,como o Liverpool, foi prejudicado numa final europeia com o Sevilha.
Não pensem alguns, eventualmente mais distraídos, que existe da minha parte qualquer pena em relação ao clube de Lisboa.
Foi muito bem feito para saberem o que custa ser prejudicado pelos árbitros.
E enquanto me lembrar, por exemplo, das arbitragens de Carlos Xistra e Bruno Paixão nos jogos entre Vitória e Benfica desta época não terei qualquer razão para mudar minimamente de opinião.

David Beckham


Bagnoregio,Itália


quarta-feira, maio 18, 2016

Deputados de Aluguer?

" O projecto de lei foi uma iniciativa do Bloco de Esquerda mas foram 24 deputados do PSD - incluindo Passos Coelho - que tornaram possível que a gestação de substituição fosse aprovada.
Teresa Leal Coelho é o rosto social-democrata dessa ponte com a esquerda. No fim da votação desta sexta feira,que aprovou as barrigas de aluguer em caso de doença,fez sinal de vitória com o polegar para Catarina Martins. A líder do Bloco cruzou o hemiciclo para lhe dar um beijinho."

(Expresso)

Lembro-me, sem especial dificuldade, das palavras de Passos Coelho após a geringonça assumir o poder dizendo que no dia em que o governo do PS precisasse do apoio parlamentar do PSD teria de pedir desculpa aos portugueses e apresentar a sua demissão!
A realidade não tem sido essa.
E já por três vezes, pelo menos, o PSD deu a mão ao governo e ao PS.
No "caso Banif", na redução das contribuições sobre pensões elevadas e agora nas "barrigas de aluguer".
Se os anteriores são um incumprimento do afirmado, e só por isso já chocam,este último caso é particularmente chocante porque se trata de um assunto sem especial relevância nem qualquer importância para os problemas que afectam Portugal e os portugueses.
Todos já percebemos a estratégia:
Quando há más noticias da economia, quando os desentendimentos na geringonça ameaçam vir ao de cima, quando as fragilidades do governo se tornam por demais evidentes a manobra passa sempre por umas "causas fracturantes" levadas ao Parlamento pela força liderante da maioria -o Bloco de Esquerda- para distrair as atenções do essencial.
Direitos de gays e lésbicas, casamento de homossexuais, co-adopção, adopção por casais gay, eutanásia e agora as barrigas de aluguer tudo serve para desviar atenções do que é essencial.
E, normalmente dentro da anormalidade que é este governo, os votos da esquerda chegam para aprovar essas leis "fracturantes" sempre com o adorno folclórico de uns deputados do PSD que se acham mais progressistas, mais evoluídos e mais cultos (acham eles)que os restantes colegas de bancada.
O que pensa o partido sobre isso e essencialmente o que pensam os eleitores que os levaram para S.Bento sobre essas leis e sobre os seus votos nelas parece importar muito pouco.
O afago ao ego de votarem em "liberdade de consciência" supera tudo o resto!
Neste caso das "barrigas de aluguer" é que a coisa fiou mais fino.
Porque ao natural voto contra do CDS juntou-se o PCP e o voto folclórico de adorno passou a ser voto decisivo para a aprovação de tão "importante" lei pela qual o país suspirava ansioso.
E assim foi.
24 dos 89 deputados do PSD juntaram-se a PS , BE, PAN, PEV e aprovaram a lei das "barrigas de aluguer" enquanto 65 deputados do PSD , PCP, CDS e dois deputados do PS votaram contra registando-se ainda três abstenções de deputados do PSD (um grupo parlamentar verdadeiramente multifacetado...)  naquela que terá sido das mais estranhas votações desta legislatura.
E assim com o voto desses 24 progressistas deputados do PSD a lei passou e a geringonça foi poupada a uma derrota parlamentar.
Resta dizer que o PSD deu liberdade de voto mas a orientação do partido era o voto contra  e entre os deputados que votaram contra a orientação do partido estava o próprio...Pedro Passos Coelho.
Mais uma originalidade dos tempos que correm esta do líder votar contra a orientação do próprio partido!
Que concluir de tudo isto?
Que na verdade, para além dos méritos e deméritos da sua governação, a geringonça vai-se habituando a que quando é preciso há sempre uns deputados de "aluguer" para viabilizar as leis que dividem os partidos que sustentam o governo.
Triste mas é verdade.
E por isso o caminho das "pedras" para o PSD ameaça ser muito mais longo do que aquilo que alguns optimisticamente pensavam meses atrás.
Basta ver as sondagens...
Depois Falamos

P.S. Os "polegares vitoriosos" de Teresa Leal Coelho e os beijinhos de Catarina Martins fazem parte de um lixo político que me recuso a comentar.
Direi apenas que para "cavalo de Troia" das esquerdas no PSD já bastava Pacheco Pereira.
Com a vantagem de ser muito mais inteligente e muito mais culto que essa senhora que passou de vice presidente de Vale e Azevedo no Benfica para vice presidente de Passos Coelho no PSD!

terça-feira, maio 17, 2016

Os Meus 23

Daqui a poucas horas o seleccionador Fernando Santos divulgará os 23 escolhidos para o Europeu de França levando,como sempre, em consideração o peso das camisolas e a importâncias dos empresários de cada jogador.
É normal que cada adepto também tenha os "seus"convocados e eu não fujo à regra.
Por mim iam estes:
Guarda redes:Rui Patrício-Anthony Lopes-João Miguel Silva.
Laterais: Vieirinha-Cédric- Antunes-Raphael Guerreiro
Centrais: Ricardo Carvalho-Pepe-José Fonte-Paulo Oliveira.
Médios: Adrien-João Moutinho-André Gomes-Danilo-João Mário-Tiago
Avançados: Ronaldo-Quaresma-Nani-André Silva-Hugo Vieira-Rafa
Eu explico:
Rui Patricio: Tem sido o titular e não sendo um "grande",como Vitor Baía,Damas ou Bento, dá garantias.
Anthony Lopes: Experiência no futebol internacional e uma boa época no Lyon.
João Miguel Silva: A grande revelação do campeonato, e uma das melhores dos ultimos anos no posto, iria como terceiro guarda redes para ganhar experiência dos grandes palcos que mais cedo ou mais tarde pisará.
Vieirinha: Sempre que chamado correspondeu e fez uma excelente época.
Cédric: nas poucas oportunidades deixou boas indicações. O futebol inglês deu-lhe competitividade.
Ricardo Carvalho: Foi durante anos um dos melhores centrais do mundo e ainda hoje joga a alto nível.
Pepe: Titular do Real Madrid e com grande experiência internacional.
José Fonte: sucessivas excelentes épocas no melhor campeonato do mundo. Dá poder de choque e sobriedade.
Paulo Oliveira: Não acabou a época a titular,também por força de uma lesão, mas tem aquele "pormenor" de nunca jogar mal e sempre que chamado...corresponde.
Antunes: Com vasta experiência internacional,jogou em vários campeonatos, e dá todas as garantias.
Raphael Guerreiro: Um jovem talento que brilha em França. Dá velocidade e profundidade ao corredor.
Adrien: Um grande campeonato a comandar o meio campo do Sporting.
João Moutinho: Vem de lesão mas dá classe e experiência numa zona nevrálgica.
André Gomes: Bela temporada no Valência. Jovem, talentoso e já muito experiente.
João Mário: O melhor jogador português da Liga agora terminada.
Tiago: Vem de longa paragem e só agora recomeçou a jogar. Muito experiente e líder de balneário. Uma presença importante no grupo.
Danilo: Um dos poucos que brilhou na desastrosa temporada do Porto.
Ronaldo: Este nem precisa de explicação.
Quaresma: Enorme talento que tem sido decisivo nos últimos jogos da selecção.
Nani: Algo irregular mas com inegável talento fez uma época que justifica a chamada.
Hugo Vieira: Nunca foi internacional vá-se lá saber porque. Campeão da Sérvia pelo  Estrela Vermelha fez 21 golos no campeonato.
André Silva: O mais talentoso ponta de lança português aparecido nos últimos largos anos. "Entre" Ronaldo e Quaresma pode ser letal.
Rafa: Um enorme talento que fez um grande campeonato pelo Braga. Alternativa natural para qualquer dos flancos ou até para jogar a "10".
Seriam as minhas escolhas.
Admito que discutíveis, algumas polémicas até, mas eu penso pela minha cabeça e não pela dos empresários, jornalistas, paineleiros e afins.
Depois Falamos.