quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Favoritos

Jogados os restantes quatro desafios da primeira mão dos oitavos de final pode já detectar-se uma clara tendência quanto aos que passarão aos quartos de final na maior parte dos casos.
Na passada semana passada já tinha apontado claro favoritismo a Bayern e PSG, favoritismo... mas.. a Real Madrid e favoritismo a Borussia de Dortmund.
Ontem, depois de dois espectaculares jogos, é fácil prever o Atlético de Madrid na fase seguinte e algum favoritismo do Manchester City sem nada estar perdido, longe disso, para o Mónaco.
Hoje dois jogos e duas situações bem diferentes. 
A Juventus, salvo cataclismo de todo improvável, já está nos quartos de final enquanto Sevilha e Leicester deixarão tudo para decidir em Inglaterra com o favoritismo a repartir-se pelo Leicester por jogar em casa e pelo Sevilha pela experiência europeia.
Em suma "arrisco" uns quartos de final com as seguintes equipas:
Atlético de Madrid, Real Madrid, PSG,Leicester,Juventus,Manchester City,Borussia e Bayern.
Lá para meados de Março saberemos.
Depois Falamos

Futebol!

Às vezes a televisão prega-nos boas partidas.
Foi o caso de ontem com a RTP.
Que transmitindo o Manchester City vs Mónaco permitiu que milhões de telespectadores vissem um excelente jogo de futebol, cheio de golos e alternâncias no marcador, com grandes exibições individuais naquela que foi certamente uma noite de bela propaganda para o futebol
Pep Guardiola e Leonardo Jardim mostraram ontem de forma exuberante que estar a disputar uns 1/8 da Liga dos Campeões não implica necessariamente conservadorismo táctico, cautelas defensivas, jogar no erro do adversário.
Ambos consideraram, e bem, que a melhor defesa é o ataque e por isso ambas as equipas fizeram da procura do golo a sua prioridade primeira oferendo a espectadores e telespectadores um jogo vibrante e cheio de emoção que perdurará nas memórias por muito tempo.
Ganhou o City, como podia ter ganho o Mónaco, mas ganhou essencialmente o futebol que bem precisa de espectáculos destes face a tanta mediocridade que por aí se vê e afasta os espectadores dos estádios.
Uma referências às exibições individuais de Sané e Aguero no City e de Bernardo Silva e Falcao no Mónaco com saliência especial para o segundo golo do colombiano que foi uma autêntica obra de arte.
Oito golos em Manchester mais seis no Bayer Leverkusen vs Atlético de Madrid ambos jogados ontem dão o espantoso, e muito invulgar, pecúlio de catorze golos em apenas dois jogos dos oitavos de final da Champions.
E se considerarmos que,excepto a "sovinice" do golo solitário no Benfica vs Dortmund,  em todos os outros jogos já realizados se marcaram  quatro golos no PSG vs Barcelona e no Real Madrid vs Nápoles e seis no Bayern-Arsenal podemos bem estar perante os oitavos de final mais produtivos em golos desde sempre.
Para já em seis jogos já se marcaram vinte e nove golos.
Hoje tem a palavra Porto vs Juventus e Sevilha vs Leicester.
Esperemos que contribuam para manter a média.
Depois Falamos

terça-feira, fevereiro 21, 2017

Tolerância

O meu artigo de hoje no Duas Caras

Não existe, naturalmente, uma bitola universal que permita medir a qualidade da democracia, o sentir democrático das pessoas e a prática civilizada de uma convivência em sociedade que permita ultrapassar as naturais divergências de opinião e posicionamento perante factos.
Cada um terá a sua.
Eu dou imenso valor à tolerância.
A tolerância com que se ouve, a tolerância com que se dialoga, a tolerância com que ao entrarmos num debate nos permite estarmos receptivos à opinião e aos pontos de vista com quem debatemos.
Essa tolerância inclui, embora de forma sempre capaz de ser melhorada, o sermos capazes de aceitar a diferença, respeitarmos aquilo com que não concordamos e acima de tudo capacitarmo-nos que quando há duas opiniões razoavelmente diferentes sobre algo isso não significa que uma das opiniões vise céu e a outra o inferno.
Creio que a democratização das opiniões expressas que atinge o seu expoente na comunicação social e nas redes sociais ao mesmo tempo em que permite a todos terem uma opinião publicada, mais que não seja no facebook ou twitter, tem o perverso efeito colateral de exacerbar alguns tipos de radicalismo, alguns fundamentalismo bem dispensáveis e fazer aumentar o grau de intolerância tal a ferocidade com que se opina e a facilidade com que se transforma quem não pensa da mesma forma num autêntico inimigo a abater.
Para tudo tem de haver um limite.
Mais que não seja a educação, o bom senso e a humildade de se saber que nem sempre se tem razão e às vezes os “outros” também a tem.
Nos últimos dias, quer a nível nacional quer a nível local, tem aparecido alguns fenómenos de intolerância que me custam a perceber embora andando há tantos anos na vida pública, quer na política quer no desporto, já consiga reduzir o espanto a níveis próximos da insignificância.
Um ex Presidente da República entendeu, mais de um ano após deixar funções, publicar um livro sobre os dez anos em que por votações expressas, claras e maioritárias dos portugueses exerceu esse cargo.
Fê-lo como já o tinha feito quando deixara o cargo de ministro das finanças e depois o de primeiro-ministro por entender prestar contas aos portugueses da forma como exercera os cargos.
Contou a sua versão, a sua verdade e naturalmente sujeita-se ao contraditório de outros personagens que aparecem na narrativa e à crítica dos leitores e dos comentadores políticos como é de bom tom em democracia.
Mas não tem que se sujeitar, nem ele nem ninguém seja de que área politica for, ao chorrilho de mentiras, insultos, calúnias e invenções de que foi alvo quer nas redes sociais quer por parte de alguns políticos com responsabilidades, e alguns deles com frágeis telhados de vidro, desde que a obra veio a público.
Seguramente que muitos deles nem o livro leram mas o ódio e o ressabiamento contra o seu autor é de tal ordem que tiveram como primeira prioridade insultar, mentir, caluniar, denegrir fosse de que forma fosse antes de terem o rigor e a honestidade intelectual de lerem a obra.
Naturalmente que nas redes sociais, especialmente no facebook que é terreno fértil para os cobardes, o fenómeno multiplicou-se para pior porque anda por lá gente que de facto não tem os mínimos de educação, bom senso e inteligência e para os quais “vale tudo”.
Mas mesmo tudo.
Naturalmente que esse fenómeno da falta de tolerância repercute-se depois a nível local nas mais diversas áreas sociais assistindo-se a demonstrações recentes de pessoas com responsabilidades em instituições de fins diversos a aceitarem muito mal a critica, o contraditório, o afirmar de opiniões diferentes.
Agindo como se as instituições fossem delas, olhando quem diverge como perigosos agentes subversivos, arrogando-se de uma infalibilidade que nem o Papa Francisco quer embora o Sumo Pontífice tenha com ele o dogma da infalibilidade.
Em Guimarães é preciso mais tolerância, mais democracia, mais fair play em várias áreas.
Porque Guimarães é de todos.
E todos querem, de forma diferente como é normal em democracia, o melhor para o concelho e para as suas instituições.

Macaco


Castelo Javier, Espanha


segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Bisontes


O Nosso 14

O Restelo foi o primeiro jogo pós Janeiro em que Pedro Martins pôde contar praticamente com todo o plantel, incluindo reforços , sem as restrições causadas pelos empréstimos nem ausências por esta ou aquela razão.
É verdade que não pôde contar com Rafael Miranda (mas isso infelizmente tem sido mais regra que excepção) nem com Bernard (cuja influência tem sido muito abaixo do expectável) mas todos os outros estavam disponíveis para um primeiro teste ao "plantel mais equilibrado e com mais soluções" que é a " bandeira" erguida para justificar as saídas de Soares e João Pedro.
Correu mal.
O Vitória foi a melhor equipa, a que mais oportunidades criou mas as "falhas na concretização" identificadas pelo treinador, e para as quais me dispenso de apontar uma razão óbvia tão evidente ela é, impediram o regresso a Guimarães com os três pontos que tanto jeito dariam.
Individualmente:
Douglas: Sem culpa no golo ainda fez duas intervenções de bom nível. Jogo tranquilo.
Bruno Gaspar: Não foi tão ofensivo como habitualmente face à presença regular de Miguel Rosa (como é que este talento ainda joga no Belenenses?) nos seus terrenos mas esteve em bom plano.
Josué: Boa exibição sem problemas a defender e tentando ajudar o ataque. Quase marcou.
Pedro Henrique: O Belenenses não lhe pôs grandes problemas e ele também não os criou. Divide com Konan responsabilidades no golo porque Miguel Rosa isolou-se em zona que lhes competia defender.
Konan: Melhor a atacar do que a defender ,o que vem sendo habitual nele, embora neste ultimo aspecto apenas se lhe possam apontar algumas responsabilidades no golo.
Zungu: Já sabemos que tem bom toque de bola. Mas joga sempre à mesma velocidade,lenta, sem uma aceleração de ritmo, sem um passe longo, sem criar um desiquilibrio que seja.
Celis: Parecido com Zungu o que origina um centro de terreno vitoriano amorfo, sem mudanças de ritmo, sem variações de flanco nem pressão alta. É neste meio campo modificado para pior, por força das lesões de Rafael Miranda e da saída de João Pedro que reside boa parte da quebra de rendimento da equipa.
Hurtado: Não há dois sem três. E o peruano, embora jogador de raio de acção mais vasto que Zungu e Celis, passa boa parte do jogo dando a sensação de que anda à procura da sua verdadeira posição. E é pena porque podia ser uma unidade bem mais importante na equipa.
Marega: Não foi feliz embora tivesse tentado lutar contra a má sorte. Um remate ao poste, algumas iniciativas a tentar levar a equipa para a frente, mas uma exibição aquém do que desejaria. Foi o primeiro a sair ,provavelmente devido ao problema de "fadiga crónica", quando pelo andamento do jogo isso nem se justificaria.
Rafael Martins: É seguramente melhor do que aquilo que tem mostrado e que anteriores passagens pelo nosso futebol atestam. O maior problema dele será o necessitar de algum tempo para ganhar ritmo (quase não jogou no Levante)  e se adaptar quando se sabe que a meio da época tempo é um bem muito escasso. Apenas um remate relativamente perigoso.
Hernâni: Está em forma! Os dribles saem-lhe bem, as arrancadas desbaratam as defesas e em termos de remate nota-se que está confiante. Um grande golo, um remate que lhe saiu por alto quando estava bem posicionado para fazer melhor e algumas jogadas que foram o melhor que se viu no jogo de ontem. A sua substituição só pode dever-se a cansaço. 
Foram suplentes utilizados:
Raphinha: Percebeu-se a sua chamada ao jogo e ele procurou corresponder. Teve o seu melhor momento na execução de um livre às malhas laterais.
Sturgeon: Teve a melhor oportunidade da segunda parte mas o remate saiu-lhe por alto.
Texeira: Esperava-se a sua chamada mais cedo para formar dupla com Rafael Martins, e não para o substituir, porque o Belenenses dava claros sinais de estar contente com o resultado e pouco interessado em arriscar na busca do segundo golo. Entrou a quatro minutos do fim. Muito tarde.
Não foram utilizados:
João Miguel Silva, João Aurélio, Prince e Tozé.

Melhor em campo: Hernâni

O Vitória foi a melhor equipa, a que mais oportunidades criou mas a verdade é que não ganhou o jogo. 
Do meu ponto de vista, naturalmente discutível, também porque Pedro Martins não arriscou o suficiente para isso quando na segunda parte o adversário conseguiu "adormecer" o jogo sem reacção visível do Vitória.
Substituir dois extremos e um ponta de lança por outros dois extremos e outro ponta de lança foi manter tudo como estava, sem inovar, sem mudar a estratégia, sem em suma ...arriscar.
Ter-se-ia, talvez, justificado trocar um dos trincos por Tozé para dar mais dinâmica à intermediária e Hurtado por Texeira para aumentar a pressão no centro da defesa belenense que me pareceu francamente vulnerável.
Não foram essas as opções de Pedro Martins e o treinador é ele.
A verdade é que empatamos.
Há que dar a volta a este ciclo que já vai em quatro maus resultados.
Depois Falamos.

Cinco Casos

O meu artigo desta semana no zerozero.
Cinco Casos
Depois Falamos

Com o campeonato a encaminharem-se para a fase das decisões parece-me oportuno reflectir sobre alguns casos que tem marcado as ultimas semanas dos cinco primeiros classificados e a influência que esses casos podem ter na sua carreira até final da prova.
Farei a análise do primeiro para o quinto correspondendo à presente classificação da Liga.
O primeiro caso é o nervosismo do Benfica.
É verdade, o Benfica está nervoso.
E isso é patente de várias formas a começar pela última conferência de imprensa de Rui Vitória em que o treinador benfiquista apareceu num registo que não lhe é nada habitual em termos de exaltação e contundência das afirmações.
Mas é patente também neste pedido urgente de reunião com o conselho de arbitragem numa muito mal disfarçada tentativa de pressão, nas exibições descoloridas das últimas jornadas ou naquela milagrosa vitória sobre o Borussia Dortmund num jogo que teve tudo para os alemães vencerem por goleada.
O triunfo tangencial em Braga pode ajudar a dissipar algum desse nervosismo mas a verdade é que sentir no pescoço o bafo do “dragão” não está a fazer nada bem a este Benfica.
O segundo caso é a cirúrgica contratação de Soares pelo Porto.
Única contratação dos “dragões” na reabertura de mercado o ponta de lança tem tudo para se transformar num jogador decisivo no Porto (acho até que já o é…) como no próprio campeonato podendo significar para a sua equipa a diferença entre ser ou não ser campeão.
Porque marca golos, dá dimensão e agressividade ao ataque, segura a bola de forma exímia dando tempo à equipa para subir e ainda pressiona tremendamente os adversários.
Uma grande contratação e ainda por cima a preços de segundos saldos!
O terceiro caso tem a ver com o regresso de Francisco Geraldes ao Sporting em Janeiro.
O jovem médio estava a fazer uma época notável no Moreirense onde era o “cérebro” da equipa, teve papel importantíssimo na conquista da taça CTT pelos “cónegos” e foi de forma súbita mandado regressar ao Sporting para ajudar a colmatar as vagas criadas no plantel leonino pelo descartar apressado de algumas sonantes contratações de Verão que se tinham revelado autênticos flops.
Chegado a Alvalade no primeiro jogo foi para o banco, no segundo para a bancada (estava nos vinte convocados) e no terceiro nem para a bancada depois de ter ido jogar pela equipa B frente ao Varzim.
Ou seja passou de uma equipa onde tinha espaço para o crescimento e afirmação, que lhe permitiriam no final da época ser um jogador mais preparado para outros níveis de exigência, para o limbo que sempre existe para os jovens que andam entre as equipas A e B dos tradicionais candidatos ao título.
Oxalá não se perca nessa zona de indefinição porque me parece um jogador de grande talento e que se der (e o deixarem dar…) os passos certos pode chegar longe.
O quarto caso tem a ver com o despedimento de José Peseiro pelo Braga.
Regressado à “Pedreira”, onde tinha deixado muito boa imagem em anterior passagem pelo clube, o técnico ribatejano iniciou a época com grandes expectativas face ao percurso do Braga na temporada anterior e aos reiterados desejos da sua SAD em conquistar títulos e troféus.
E a verdade é que sem poder contar com um plantel tão rico em soluções como alguns dos seus antecessores o Braga de Peseiro vinha fazendo um bom campeonato, jogando bom futebol e lutando pelo terceiro lugar.
Mas depois veio a “trágica” noite com o Covilhã para a Taça de Portugal.
E Peseiro não resistiu à já conhecida impaciência do presidente bracarense e foi substituído por Jorge Simão.
Com quem o Braga passou a jogar pior, a perder mais vezes, a atrasar-se na luta pelo tal terceiro lugar e a perder a final da taça CTT para o Moreirense.
Depois da derrota caseira com o Benfica, e com o Sporting a seis pontos, parece restar ao Braga a defesa de um quarto lugar para o qual o principal concorrente (o Vitória) não se tem cansado de fazer cerimónia para ocupar.
Ou seja mudou para pior.
Prova de que as soluções mais fáceis nem sempre são as melhores.
O quinto caso é o já tradicionalmente fatídico Janeiro para o Vitória.
Que vinha fazendo uma boa carreira, também ele na luta por um terceiro lugar que estava acima dos objectivos , mas perfeitamente ao seu alcance como se foi vendo pelo desenrolar da prova, mas depois vendeu dois jogadores essenciais (Soares e João Pedro) perdendo com o primeiro tudo que ele deu ao Porto, e que já está atrás descrito, e com o segundo um médio com visão ampla do jogo, com capacidade de passe longo, bom remate de meia distância e capaz de pressionar a toda a largura do campo.
E pese embora as optimísticas declarações de Pedro Martins sobre um plantel mais equilibrado e com mais soluções a verdade diz-nos que nos últimos doze pontos possíveis o Vitória fez apenas dois (!!!), perdeu o Sporting de vista e já sente sobre ele a pressão de Marítimo e Chaves.

Veremos, lá para Maio, até que ponto estes casos influenciaram realmente as carreiras e classificações dos actuais cinco primeiros classificados da Liga.

Geiranger, Noruega


domingo, fevereiro 19, 2017

Frustrante

Frustração é o único termo que encontro para definir este pobre e melancólico empate do Vitória face a um Belenenses que se pode dar como bem contente pelo ponto que ganhou na sua própria casa num jogo que o adversário dominou.
Frustração por duas razões.
A primeira porque o Vitória foi a melhor equipa, criou mais oportunidades, dominou o jogo e não fazendo um grande desafio (longe disso) fez ainda assim o suficiente para vencer um adversário que esta época lhe arrancou dois empates.
Mas as já habituais falhas na concretização (um golo nos últimos quatro jogos) impediram isso.
Frustração também porque uma vez mais o Vitória desperdiçou a oportunidade de alcançar o quarto lugar (porque o terceiro,esse, já lá vai...) limitando-se a reduzir a diferença para o Braga numa Liga em que bastaria manter o nível da primeira volta para ainda estar na luta pela pré eliminatória da Champions.
Quanto ao jogo não há muito que dizer.
Boa entrada do Vitória, golo de Hernâni seguido de remate à trave de Marega, empate do Belenenses num lance em que a defesa se esqueceu de Miguel Rosa e depois duas oportunidades não concretizadas por Hernâni e Rafael Martins.
Numa primeira parte em que Douglas, sem culpa no golo, apenas teve de se aplicar a fundo por uma vez num remate de fora da área.
Na segunda parte o Vitória...apagou-se.
Menos intensidade, menos ataques, menos pressão e algum facilitismo provavelmente assente na convicção de que o golo acabaria por aparecer mais cedo ou mais tarde.
Não apareceu pese embora uma boa oportunidade de Sturgeon (atirou por alto) e um livre de Raphinha (rasou o poste) que foram o mais perto que o Vitória esteve do golo num segundo período em que a equipa caiu muito.
Face ao afirmado por Pedro Martins ("plantel mais equilibrado e com mais soluções") esperava-se que do banco viessem opções que permitissem à equipa elevar o nível de jogo, para padrões ao menos idênticos aos da primeira parte, mas isso não aconteceu .
O técnico foi conservador, tirou dois extremos e um ponta de lança para meter dois extremos e um ponta de lança, não inovou, não arriscou, não mudou minimamente o sistema de jogo.
Ou seja nada mudou para melhor com as substituições.
A que acresce a estranheza por tirar Marega e essencialmente Hernâni que estava a ser o melhor jogador do Vitória e aquele que mais perturbava a defensiva belenense.
Uma noite frustrante em Belém.
Perdida qualquer hipótese de atingir o terceiro lugar é verdade que estamos mais perto do quarto mas também temos Marítimo (especialmente se amanhã vencer o Nacional ) e o Chaves a aproximarem-se paulatinamente e isso é claro factos de preocupação.
Na próxima jornada recebemos o Moreirense e depois vamos a Alvalade.
A margem de erro é cada vez menor.
O árbitro Hugo Miguel fez uma excelente arbitragem num jogo em que as duas equipas também não lhe complicaram o trabalho.

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Super Lua


Clássico

Os jogos entre Vitória e Belenenses são autênticos clássicos do nosso futebol ou não se disputassem eles entre dois clubes que são "apenas" o quarto e o quinto com mais participações no campeonato da 1º divisão.
76 participações para o Belenenses e 72 para o Vitória.
Tive ao longo dos anos a oportunidade de assistir a muitos e muitos jogos entre ambos os clubes.
Ao vivo vi dezenas em Guimarães e alguns no Restelo enquanto na televisão também vi bastantes ao longo destes anos de liberalização das transmissões.
A propósito do jogo deste fim de semana, com as equipas separadas por dez pontos favoráveis ao Vitória, recordarei três jogos no Restelo separados por décadas de diferença mas com um ponto comum entre eles.
O primeiro é na época de 1968/1969.
Não vi esse jogo mas ele permanece na minha memória por duas razões.
Uma é porque a derrota terá custado o título ao Vitória e a outra porque tendo o meu pai e alguns amigos ido ver o jogo a Lisboa recordo sempre a indignação com que falavam da arbitragem tendenciosa desse jogo responsável pela derrota.
E a história é fácil de contar.
Na jornada anterior o Vitória tinha derrotado em Guimarães o Benfica por 2-0 e igualara-os no primeiro lugar, a quatro jogos do fim, nas com a vantagem de ter ganho em casa e empatado na Luz na primeira volta.
A derrota no Restelo perante um tranquilo Belenenses (ficaria em oitavo nesse campeonato pelo que não foi seguramente ele o maior interessado nos erros da arbitragem) atrasou o Vitória e nem o triunfo na jornada seguinte sobre o Braga por 5-0, seguido de empate em Setúbal e novo 5-0 sobre a Sanjoanense na ultima jornada, permitiu recuperar porque o Benfica viria a vencer os restantes jogos e seria campeão.
O Vitória foi terceiro a três ponto de distância!
O segundo é na temporada de 1986/1987.
Estive no Restelo, juntamente com o Lázaro Nunes, para fazermos o relato do jogo para a Rádio Fundação de que ao tempo éramos colaboradores nas horas vagas.
Foi um jogo sem grande história que terminou com um empate a um golo tendo o do Vitória sido apontado por Ademir repondo a igualdade no marcador.
A história engraçada desse jogo é outra.
Ao tempo existiam em alguns estádios (Restelo, 1º de Maio, Coimbra, Alvalade,são os que me lembro de ver mas havia mais) uns marcadores do totobola onde um funcionário ia actualizando os resultados conforme os relatos radiofónicos (os jogos eram todos ao mesmo tempo) e seguindo a chave dessa semana pelo que era preciso saber,por exemplo, quem eram os intervenientes do jogo 5 para perceber o resultado que ia aparecendo à frente do número 5.
Nessa tarde de domingo lembro-me bem que na segunda parte  começamos a reparar que um desses jogos estava a dar muito trabalho ao funcionário dadas as constantes alterações no marcador que o obrigavam a subir a um escadote para alterar os números.
E quando chegou ao 7-1 não resistimos à curiosidade e perguntamos para o lado que jogo era esse de marcador tão elevado.
Curiosamente era um derbi de Lisboa, disputado em Alvalade(a  meia dúzia de quilómetros do Restelo) e em que a equipa que viria a ser campeã regressou a casa com um saco de golos às costas.
O Vitória , esse, regressou a Guimarães com um empate que soube a pouco mas contribuiu para o terceiro lugar no final da prova.
O terceiro jogo é bem mais recente.
Foi em 2007/2008 quando o Vitória ,treinado por Manuel Cajuda, chegou ao Restelo na penúltima jornada a defender o segundo lugar e a entrada directa na fase de grupos da Liga dos Campeões,
Apoiado por milhares de adeptos o Vitória começou mal com um golo madrugador do adversário logo seguido de um erro gravíssimo de Jorge Sousa ,que apenas amarelou uma entrada criminosa de Rodrigo Alvim sobre Carlitos que obrigou à substituição do extremo vitoriano, a que se seguiriam outros erros menos graves mas que dificultaram a vida ao Vitória e o impediram de ganhar o jogo.
Ainda chegamos ao empate,por Flávio Meireles, mas não deu (nem o árbitro deixou) para mais.
Na jornada seguinte o triunfo por 4-0 sobre o Estrela da Amadora apenas confirmou o terceiro lugar.
E são estas as memórias de três jogos separados por décadas mas com o ponto comum de em todos essas épocas o Vitória ter terminado o campeonato em terceiro lugar.
Depois Falamos

Central Parque, Nova Iorque


quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Salar de Uyuni, Bolívia


Voltou

Voltou.
A Liga dos Campeões bem entendido. 
E voltou com quatro grandes jogos a que na próxima semana se juntarão outros quatro de molde a ficar completa a primeira mão dos oitavos de final e selecionar os oito clubes que seguirão em frente rumo aos quartos de fina.
Quatro jogos, quatro resultados, um ponto em comum e quatro diferenças.
O ponto em comum centra-se no facto de as quatro equipas que jogaram como visitadas terem ganho os respectivos jogos o que confirma o factor" casa", de certa forma, mas esgota aí qualquer semelhança entre jogos e resultados.
Em Madrid o Real venceu o Nápoles com alguma clareza (3-1) mas é um resultado "perigoso" porque no inferno do S.Paolo os dois golos de vantagem podem ser muito mas também podem ser nada face ao golo fora marcado pelos napolitanos.
A vantagem é do Real mas a eliminatória não está decidida.
Em Paris, numa noite de gala do PSG ,e de horror do Barcelona, o resultado de 4-0 a favor dos parisienses coloca-os, praticamente, nos quartos de final tal a vantagem adquirida.
Nunca na História da Liga/Taça dos campeões europeus uma equipa conseguiu dar a volta a uma desvantagem de quatro golos e creio que ainda não será desta vez. É claro que quem tem um trio de ataque com Messi-Neymar-Suarez pode sempre sonhar com uma noite mágica no Nou Camp mas creio que ,com muita pena minha, desta vez o Barça vai ficar pelo sonho.
Em Munique acredito que o Bayern resolveu a questão.
Um triunfo esmagador (5-1) sobre o Arsenal remete para o reino dos "milagres" (raríssimos no futebol) a possibilidade de os londrinos conseguirem manter-se em prova.
É bem provável,isso sim, que os alemães voltem a ganhar na segunda mão.
Em Lisboa o triunfo do Benfica sobre o Borússia (1-0) é o resultado mais enganador dos quatro jogos disputados.
Jogo de total domínio alemão, meia dúzia de claras oportunidades desperdiçadas (até um penálti), duas ou três monumentais defesas de Ederson tiveram como contrapartida o golo encarnado no único remate enquadrado com a baliza que fizeram em noventa minutos.
Seria motivo de farta admiração que na segunda volta os alemães não conseguissem o apuramento.
Em suma acredito que Real Madrid, PSG, Bayern e Borússia marcarão presença nos quartos de final.
A sete e oito de Março se confirmará. 
Ou não...
Depois Falamos