segunda-feira, fevereiro 17, 2020

Perguntas

Em todo este sórdido "caso Marega" há perguntas para as quais bem gostaria de ter resposta.
1) Porque não há imagens e som televisivos dos supostos cânticos racistas? Se foram tantos e por tanto tempo era suposto haver. Ou não há porque não existiram?
2) Se houve actos de racismo contra um jogador negro do Porto porque razão os restantes jogadores negros do clube permaneceram em campo?
3) E a restante equipa continuou o jogo porquê?
4) E os dirigentes da SAD do Porto porque razão ficaram no camarote, impávidos e serenos, em vez de abandonarem o estádio de imediato?
5) Se os supostos actos racistas já vinham do aquecimento porque não foram de imediato comunicados ao árbitro e aos delegados da Liga?
6) Se esses supostos comportamentos foram durante todo o jogo porque razão ao intervalo não foi feita a comunicação a quem de direito?
7) E se Sérgio Conceição estava certo disso tudo porque esteve calado até ao fim do jogo?
8) Se se verificaram incidentes racistas porque razão o árbitro nao terminou o jogo conforme instruções da UEFA?
9) Porque razão Marega depois do golo em vez de festejar com os seus adeptos ali ao pé optou por correr dezenas de metros para provocar os adeptos vitorianos despoletando tudo o resto?
10) Porque razão o árbitro não mostrou o cartão vermelho a Marega face às suas atitudes de indisciplina e às provocações a adeptos ?
11) Abriu a LPFP processos disciplinares a Marega por tudo que fez e a Sérgio Conceição por repetidos insultos aos adeptos do Vitória?
12) E uma pergunta final: É ou não um acto de racismo chamar "macaco" ao líder da claque do Porto?
Talvez se um dia tivermos resposta para tudo isto possamos analisar em termos definitivos o que aconteceu ontem no estádio D. Afonso Henriques.

Massacre

Como era de esperar neste país de filhos e enteados o Vitória e os seus adeptos estão a ser massacrados desde ontem por tudo que é comentador politicamente correcto, por tudo que é político oportunista e sem vergonha, por todos que querem aparecer bem numa fotografia hipócrita mesmo não tendo visto o jogo e falando com base na versão que lhes contaram.
 As televisões, e os seus enxofráveis programas sobre os três do costume, então não dão descanso massacrando os telespectadores com um assunto que está longe de fazer parte das mil prioridades mais importantes para o país.
 Mas com a nuance habitual que é falta de contraditório. 
Nenhum responsável do Vitória foi convidado a estar nesses programas a apresentar a versão do clube sobre o assunto enquanto temos de aturar comentadores afectos ao Porto (parte interessada) e a Benfica e Sporting. 
Há muitas formas de praticar a discriminação neste país. 
Essa é uma delas!

Marega

O jogador profissional de futebol Marega protagonizou hoje no estádio D. Afonso Henriques um conjunto de atitudes vergonhosas e incompatíveis com o seu estatuto de profissional e a visibilidade que a sua profissão tem. 
Desrespeitou todos os espectadores presentes no estádio, desrespeitou a sua entidade profissional e desrespeitou o Vitória Sport Clube cuja camisola já vestiu e de cujos adeptos teve sempre apoio pese embora algumas atitudes de mau profissional que nesse tempo tomou. 
O jogador profissional de futebol Marega revelou hoje, uma vez mais, um descontrolo emocional que seguramente merecerá a melhor atenção do seu clube a nível desportivo e na ajuda psicológica de que parece necessitar.

sábado, fevereiro 15, 2020

Tradição

Os jogos entre Vitória e Porto são para mim sempre muito especiais.
Porque são jogos a que assisto há mais de cinquenta anos, porque tenho grandes memórias de alguns deles e outras nem tanto, porque deve ser o adversário que já vi defrontar o Vitória em mais estádios diferentes.
Essencialmente porque o primeiro jogo que vi do Vitória foi com o Porto, ainda no saudoso campo da Amorosa , e o Vitória ganhou.
Foi aliás o único jogo que me lembro de ver da equipa principal (das reservas e dos escalões de formação vi muitas dezenas) no campo da Amorosa porque logo na época seguinte passou a usar o então estádio municipal.
Mas além desses dois estádios vimaranenses já vi o Vitória jogar com o Porto nas Antas, no Dragão, na Póvoa de Varzim, em Braga, em Fafe, em Felgueiras, em Aveiro e , é claro, duas vezes no Jamor em finais de taça de má memória.
E muitos desses jogos ...foram grandes jogos.
É o que se espera do jogo de amanhã.
Duas equipas em bom momento, o Vitória vindo do mais expressivo triunfo de todo o campeonato até ao momento (7-0 ao Famalicão em Famalicão) e o Porto acabadinho de derrotar o Benfica que lidera a liga, disputarão um jogo de enorme importância para ambos.
O Vitória numa luta pelo acesso à Liga Europa via quinto lugar que envolve, neste momento, um número inusitado de equipas e até de equipas que na sua maior parte nem costumam andar envolvidas nestas disputas como são os casos de Famalicão, Santa Clara, Rio Ave , Gil Vicente e os "clássicos" Vitória Futebol Clube e Boavista que há bastantes anos se encontram arredados dessas andanças. 
Isto dando de barato que , infelizmente, o Vitória já vê Sporting e Braga a uma distância que dificilmente será recuperável o que significa que terceiro e quarto lugares já tem donos falta saber por que ordem.
Por seu turno o Porto, que há duas jornadas estava a sete pontos do Benfica, sabe agora que depois de ele próprio ter derrotado o líder e de este ter hoje sido derrotado pelo Braga um triunfo em Guimarães o deixará a um escasso ponto da liderança com tudo que isso traz de motivação extra para o jogo de amanhã.
Espero e desejo que seja um grande jogo e que o Vitória vença sendo ou não a melhor equipa em campo.
Que vença pelo mérito ou pela sorte do jogo mas que vença com verdade desportiva porque só assim vale a pena vençer.
Depois Falamos.

Eutanásia

A discussão em torno da eutanásia, agora que os projectos de lei de cinco partidos se encontram prestes a serem discutidos e votados, tem vindo a aquecer na sociedade portuguesa com dois campos claramente definidos e entre os quais parece não haver ponto de encontro.
Os que defendem o direito à eutanásia como forma digna de por termo a uma vida a que só resta doloroso sofrimento e os que defendem que tal constitui um crime e que por isso nenhum cidadão tem o direito de tirar a vida a outro ainda que o faça com base nas leis do Estado.
Ambos os lados tem as suas razões, respeitáveis mais na essência do que nos argumentos com que são defendidas, pese embora se lamente que um assunto tão sério não tenha um período de debate mais alargado bem como o primarismo de alguns argumentos que em nada ajudam ao esclarecimento das pessoas.
Recordo a propósito que quando se debateu a interrupção voluntária da gravidez, vulgo aborto, aquando dos dois referendo sobre a matéria também a discussão se extremou entres os dois campos (que com ligeiras diferenças eram os mesmos de agora) com recurso a argumentos extremos e a verdade é que a lei acabaria por ser aprovada consagrando uma legislação moderada e com base na qual não consta que tenha havido um aumento substancial das práticas abortivas consoante profetizavam os seus opositores.
Creio que com a actual questão da eutanásia acabará por acontecer o mesmo.
Desde logo porque haver uma aprovação da mesma (o que inevitavelmente acontecerá por força do peso dos votos no Parlamento)  significa que os doentes passarão a ter direito a decidirem sobre  a sua própria vida, em circunstâncias extremas e devidamente regulamentadas,mas isso não significa que por terem o direito sejam obrigados a exercê-lo.
Tal como acontece no aborto ou no divórcio por exemplo.
Mas significa também que nenhum profissional de saude será obrigado a prticar esse acto médico se tal violar a sua consciência e por isso aqueles que o venham a praticar fá-lo-ão por sua livre vontade e sabendo que está a respeitar uma decisão do doente tomada em condições de poder decidir com perfeito conhecimento de causa.
Põe-se  a questão do referendo, por parte dos opositores das propostas de lei, como forma de dar aos portugueses a forma de se pronunciarem sobre se desejam ou não ter o direito à prática da eutanásia nas tais circunstâncias referidas.
Pessoalmente sou um defensor dos referendos. 
Mas tenho duvidas sobre se a atribuição de um direito, que é apenas um direito e não um dever/obrigação, é matéria referendável.
Não sei.
Mas sei que ninguém tem o direito de em nome das suas convicções, por mais respeitáveis que sejam, condenar os outros a um sofrimento que apenas aos próprios diz respeito e que deve merecer de todos o maior dos respeitos e das solidariedades.
A questão da eutanásia é uma questão de liberdade individual, que não colide com direitos ou liberdade de terceiros , em que ninguém é obrigado a morrer e ninguém é obrigado a auxiliar a morte de alguém.
Gostaria que o assunto, repito, tivesse sido discutido com mais tempo e maior esclarecimento para as pessoas que sobre o assunto tem, de forma geral, muito pouca informação e conhecimentos relativamente escassos.
Mas não foi.
E por isso devo dizer, de forma serena e muito reflectida, que se fosse deputado votaria favoravelmente as propostas de lei.
Considero que a eutanásia deve ser um direito de quem está doente, sem qualquer esperança de cura e em grande sofrimento.
Depois Falamos.

quinta-feira, fevereiro 13, 2020

Jamor ?

Depois de duas enlameadas, pelos árbitros e pelo VAR, meias finais da Taça de Portugal em que os erros foram mais que muitos e sempre a favorecerem os mais fortes (com excepção de um penalti sonegado ao Porto no jogo de Viseu) apuraram-se para o jogo derradeiro os clubes que o "sistema" mais desejava, ou seja, Benfica e Porto.
Há dezasseis anos que não acontecia uma final entre estes dois inimigos figadais do desporto português que nos propiciam (por mim bem dispensava) diariamente um confronto de insultos, insinuações e suspeições absolutamente indignas de colectividades de um país que se supõe civilizado.
E é. O país. Eles é que não.
Pois agora a propósito dessa final, que nos seus patéticos "mind games" já ambos andam a preparar, começam a surgir vozes a pôr em causa ( e muito bem diga-se de passagem) as condições de segurança que o Jamor oferece para um jogo de tão elevado risco.
Bem vindos ao clube.
Pela parte que me toca quer neste blogue, quer em artigos no zerozero, quer em artigos publicados em jornais, quer até nos tempos de comentador televisivo no Porto Canal h+a muito tempo que defendo que aquele estádio já não tem condições para albergar jogos da dimensão da final da taça.
Deixo a seguir cinco links ( aquiaquiaqui,aquiaqui) em que fundamento a minha opinião.
O primeiro deles de 2011 embora haja mais antigos.
É um estádio sem conforto por ser descoberto (já lá apanhei um calor insuportável na final de taça de 1988 e chuva torrencial na de 2017), sem a lotação necessária para grandes jogos, sem casas de  banho e bares condignos e sem as condições de segurança necessárias a eventos em que vem ao de cima grandes paixões e enormes rivalidades.
Não nego que a FPF tenha desenvolvido um grande esforço de modernização mas definitivamente é um estádio ultrapassado, o enquadramento e a paisagem são excelentes mas isso não interessa para nada, que a própria selecção nacional deixou de utilizar há muito tempo preferindo uma dezena de estádios bem mais modernos que há no país.
A única razão para ser mantido como local permanente da final da taça é ser em Oeiras, ao pé de Lisboa, e isso dá muito jeito, por todas as razões, aos dois clubes maiores da capital e aos seus adeptos que assim evitam deslocações quando os seus clubes marcam presença no jogo da final.
Pode ser que a propósito da final deste ano, e esperemos que apenas por razões e não por factos a lamentar, se comece a pensar seriamente em deixar o Jamor e marcar o local da final por acordo entre os dois finalistas de cada edição.
É muito mais adequado aos tempos que vivemos e às realidades que temos.
Depois Falamos.

Sidney


Torre de Pisa


Vespa