quarta-feira, outubro 18, 2017

Responsáveis!

Não há "spin", "focus group" ou "fake news" que consigam disfarçar a realidade de o governo da geringonça, liderado por António Costa, ter pesadíssimas responsabilidades no facto de este ano terem morrido em Portugal mais de cem portugueses devido a fogos florestais.
Depois de Pedrogão, em que falhou tudo desde a prevenção à coordenação do combate aos fogos, sem que o governo tirasse consequências do seu falhanço e dos 65 mortos então registados o pais assistiu incrédulo à repetição da tragédia no passado fim de semana.
Com a agravante de a tragédia de Pedrogão em nada ter servido para, ao menos, se aprender com o então sucedido.
Já se sabia que em Maio o governo alterara toda a estrutura da protecção civil afastando gente experiente e preenchendo os lugares com "boys" do PS sem qualquer habilitação ou experiência que os recomendasse para o lugar.
Também se sabia que na mesma altura a agora tardiamente demissionária ministra tinha afirmado no Parlamento que estavam tomadas todas as medidas necessárias a enfrentar a tradicional época de fogos sem sobressaltos de maior.
Era igualmente sabido, mas pouco recordado, que o actual primeiro-ministro no tempo em que fora ministro da administração interna acabara com a Guarda Florestal seguramente uma das razões pelas quais a floresta está menos vigiada do que devia.
E embora ele não goste de o recordar foi também António Costa, nesses tempos do MAI, quem contratou o SIRESP (por um valor cinco vezes superior ao valor real) e quem montou o actual sistema de protecção civil que falhou estrepitosamente este verão.
Sabia-se tudo isto.
E aconteceu Pedrogão.
Em que o relatório da comissão técnica independente aponta erros, falhas ,omissões gravíssimas da responsabilidade da protecção civil, ou seja, do próprio Estado cuja primeira missão é defender as populações.
Que se fez então depois da tragédia de Pedrogão de molde a evitar-se a repetição da mesma?
Nada de positivo.
No orçamento de estado para o próximo ano as verbas para a protecção civil diminuíram em cerca de 10%. O que não deixa de ser espantoso face às recentes declarações de António Costa segundo as quais estes fenómenos "é inevitável que se repitam nos próximos anos"(sic)! Então são inevitáveis e diminuem-se as verbas destinadas ao seu combate? Há aqui qualquer coisa que não bate certo
Não se compraram dois aviões "Canadair" próprios para o combate a fogos cuja negociação tinha sido deixada pronta pelo anterior governo. 
Deixaram-se caducar os contratos de aluguer de alguns dos aviões que operavam no combate aos fogos o que significa que em plena tragédia esses aviões deixaram de operar!
Isto quando a protecçao civil reconhece que faltaram meios aéreos no passado fim de semana.
E caberá aqui recordar que foi o actual governo que impediu a Força Aérea de participar no combate aos fogos florestais.
De forma perfeitamente irresponsável o governo manteve as fases de combate aos fogos (que definem o empenhamento de meio no combate aos mesmos) em função do calendário e  não do clima quanto todos os alertas metereológicos apontavam para condições de risco nos primeiros dias de Outubro.
Assim terminaram a fase "Charlie" a 30 de Setembro, o que implicou desmobilizar cerca de 40% dos efectivos, absolutamente insensíveis a todos os alertas e o secretário de estado ainda afirmou no Parlamento que o fim dessa fase tinha os riscos devidamente calculados!!!
Viu-se...
Acresce a isto que o final da fase "Charlie", que podia ter sido adiado por algumas semanas como acontecera em anos anteriores, implicou o encerramento de mais de 230 posto de vigilância florestal com as consequências fáceis de perceber em termos de vigilância da floresta.
São demasiados erros, e bem graves, para um governo que ao longo destas duas tragédias deu sempre uma imagem de incapacidade, incompetência e inexperiência para fazer frente a situações de calamidade publica.
O que não deixa de ser curioso porque o PS esteve no governo em seis dos últimos dez anos e em treze dos últimos vinte e em boa parte deles com António Costa a fazer parte do elenco governativo e em funções directamente ligadas a estas matérias.
O governo, António Costa, Constança Urbano de Sousa (teve de ser o Presidente da República a pô-la na rua mas lá saiu...) e toda a estrutura ligada à protecção civil tem pesadas responsabilidades em tudo que sucedeu e mais cedo ou mais tarde responderão por isso.
Eles e quem os apoia em termos parlamentares bem entendido.
Mais de cem mortos, dezenas de feridos, famílias desfeitas, muitos milhões de euros de prejuízos, a floresta devastada, as empresas destruídas, as pessoas que perderam casas e bens e ainda não viram um cêntimo de indemnizações exigem que desta vez a culpa não morra solteira!
E não é a demissão forçada de uma ministra insensível e incompetente que expia a culpa dos responsáveis!
Depois Falamos.

P.S. Como se tudo isto já não fosse suficientemente mau o país ainda teve de ouvir, incrédulo e indignado, declarações estúpidas do primeiro ministro sobre "vontade de rir" , infantilidade de demissões", "inevitabilidade de estas situações se repetirem" , da ministra sobre as "férias que não teve" e sobre a "resiliência das populações" não faltando a este lote o secretário de estado com a espantosa tese de que as populações "não podem esperar pelos bombeiros e pelos aviões tem é que se organizar" !!!
Infelizmente a nenhum deles se ouviu o pedido de desculpas que era o mínimo exigível a pessoas decentes face a tudo que se passou.
A pessoas decentes repito...

terça-feira, outubro 17, 2017

Cisne


O Futuro do PSD

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.
 Já foi suficientemente visto, analisado e comentado o resultado das últimas eleições autárquicas que se saldou por uma clara vitória do PS, por um derrota do PSD, uma grande derrota da CDU e a estagnação autárquica do Bloco de Esquerda com quem definitivamente os portugueses nada querem em termos de autarquias.
Também se sabem as consequências dos resultados.
No PS nada se passou, nem tinha que passar, porque quando um partido ganha eleições isso normalmente corresponde à escolha de estratégias e protagonistas acertados pelo que dos felizes não costuma rezar a História.
Na CDU também não se passou nada porque em bom rigor lá nunca se passa nada seja qual for o resultado eleitoral porque desde sempre cantam vitória mesmo nas maiores e mais estrondosas derrotas como foi a de um de Outubro passado.
Enquanto noutros partidos (leia-se PSD e PS) a perda de um terço das câmaras municipais provocaria um autêntico terramoto interno que descambaria na deposição do líder, em congressos antecipados e na eleição de novos dirigentes nos partidos da CDU nada disso aconteceu.
No PCP porque existe a tal cultura de nunca assumir derrotas seja qual for o resultado e nos “Verdes” porque à queda dos actuais orgãos suceder-se-ia inevitavelmente a eleição das mesmas pessoas para os mesmos cargos porque as coisas...são o que são.
No Bloco de Esquerda a derrota , a estagnação, a rejeição das suas soluções autárquicas foi recebida com um silêncio e um assobiar para o lado que tem sido a imagem de marca do partido desde que se associou à geringonça e perdeu o “pio” que outrora era diário,insistente e até incomodativo.
No PSD, o partido mais português de Portugal, é que as coisas foram substancialmente diferentes na forma como o resultado foi recebido e interpretado e no desfecho a que isso conduziu.
Como é sabido o líder, agora de saída, Pedro Passos Coelho entendeu não ter condições para se recandidatar a novo mandato e com a serenidade que sempre foi a sua imagem de marca anunciou que uma vez terminado o seu mandato não seria candidato à reeleição.
Sem dramas, sem emotividades, considerando que era tempo de terminar este ciclo de liderança no qual dirigiu o partido durante seis anos ,e o país durante quatro, em tempos reconhecidamente difíceis e de grande esforço pessoal face a situações que nunca evocou, mas que são conhecidas, da sua vida pessoal.
A História lhe fará a devida justiça em relação ao que foi a sua acção neste período na certeza de que o partido e o país voltarão a contar com ele mais dia menos dia ultrapassado um período de inevitável afastamento da vida política.
Em bom rigor este afastamento de Passos Coelho deve-se a uma leitura pessoal da situação política e do que entendia serem as suas condições para exercer com êxito a liderança nos próximos anos e não a pressões dispersas e pouco significativas de alguns militantes que se achando ilustres e credores de privilégios que a todos os outros não são reconhecidos passaram os últimos largos meses/anos mais preocupados em criarem condições para afastarem o líder do que empenhados em ajudarem o partido a ganhar as autárquicas.
Felizmente não faltará oportunidade para julgar esses comportamentos em próximos actos eleitorais internos!
Vai agora o PSD escolher o seu próximo líder através de eleições directas em que todos os militantes terão direito de participarem sendo parte integrante da escolha.
Como é sabido estão já anunciadas duas candidaturas ,nas pessoas de Pedro Santana Lopes e de Rui Rio, não sendo de excluir (embora considere pouco provável que isso venha a acontecer) que ainda possa aparecer mais uma outra candidatura cuja legitimidade será tão inegável quanto a sua inutilidade no que concerne a efectiva opção para a liderança por parte dos militantes.
Não faltará certamente oportunidade para em próximos textos me pronunciar sobre estas eleições, sobre estas candidaturas e sobre estes candidatos mas hoje , de uma forma genérica, direi apenas que o próximo líder do PSD para além da óbvia preocupação em construir uma alternativa política ganhadora a esta geringonça que por ai anda vai ter ter de se preocupar também, e muito, com o próprio partido e com aquilo que entendo dever ser a sua reorganização ideológica e organizativa.
Reforçar nas suas propostas externas e no programa eleitoral que vai construir, para em 2019 ser sufragado pelos portugueses, a nossa inequívoca matriz social democrata de molde a disputar ao PS um espaço político ao centro que é onde se ganham eleições.
Mas também reflectir e tomar medidas na organização interna do partido.
Estatutos, regulamentos, inerências, incompatibilidades e outras matérias e temas cuja reforma não pode ser adiada sob pena de o partido se anquilosar (ainda mais…) em torno de práticas e “praticantes” que impedem o bom funcionamento dos orgãos e a abertura do partido a mais militantes e mais participação dos mesmos na direcção do partido desde os núcleos às distritais.
Assunto a que também voltarei com detalhe um destes dias.


P.S. Nunca gostei de tabus. E por isso assumo gostosamente que nas próximas directas apoio sem reservas e com entusiasmo a candidatura de Pedro Santana Lopes.

segunda-feira, outubro 16, 2017

Lago


Raposito


Pescador


Decisivo

Ultrapassado o primeiro compromisso na Taça de Portugal, face a um Vasco da Gama da Vidigueira que não teve naturalmente argumentos face ao maior poderio da equipa vimaranense, vem aí o segundo "mata mata" da temporada face ao Marselha.
Sendo que o primeiro foi uma supertaça ingloriamente perdida.
Entendendo-se" mata mata", na boa acepção de Scolari, como um jogo em que apenas o triunfo interessa porque a derrota deixa o Vitória fora da Liga Europa, em termos de poder passar à fase seguinte, e o empate obrigá-lo-à a ter de fazer muitas contas e depender sempre de terceiros.
E por isso há que ganhar.
O que sendo mais fácil de dizer do que de fazer é, ainda assim, algo que está ao alcance do Vitória actual (do da época passada estava de certeza...) se a equipa for rigorosa a defender e no ataque souber concretizar em golo alguma(s) da(s) oportunidade(s) que venha a conseguir criar.
Em último lugar num grupo acessível, o que apenas é explicável por uma equipa que foi preparada (?) para uma época com cinco competições de forma insuficiente e pouco responsável, o Vitória tem ainda assim argumentos para fazer frente a um Marselha longe das equipas poderosas que teve no passado mas que ainda assim segue em quarto lugar no campeonato francês.
Pede-se uma equipa bem montada, uma táctica eficaz e adequada ao adversário e às circunstâncias, o máximo rigor dos jogadores e da equipa no cumprimento do plano delineado para este jogo.
Que com as naturais precauções defensivas não pode deixar de ter uma considerável dose de ousadia ofensiva e a capacidade de saber correr riscos num jogo em que apenas o triunfo serve os nossos interesses.
Há que arriscar, há que não ter medo, há que fazer jus ao epíteto de "Conquistadores".
Porque seria muito mau que se chegasse a meio de Outubro e apenas nos restasse campeonato(onde a prestação tem sido muito abaixo do expectável) e taça de Portugal para disputar visto que uma derrota em Marselha arrumava a Liga Europa, a supertaça está perdida e a taça CTT teve um começo que não entusiasmou.
Acreditemos que Marselha pode ser um ponto de viragem.
Depois Falamos.

P.S. Quinta feira às 18.00 h na SIC.

O "Fair Play" da Taça

O meu artigo desta semana no zerozero.
A taça de Portugal é, todos o sabemos, uma prova diferente que tendo um sortilégio muito próprio (o chamado “espírito” de Taça) a torna particularmente atraente para todos os clubes que nela participam.
Também porque permite, ao contrário de competições em que a regularidade é o factor predominante, que equipa mais fracas num dia de inspiração se imponham a equipas mais fortes e consigam ultrapassá-las tornando-se naquilo a que se convencionou chamar os “tomba gigantes”.
Aliás a isso se deve o facto de em Portugal apenas cinco equipas terem ganho o campeonato enquanto a Taça já teve doze vencedores diferentes a saber Benfica,Porto,Sporting,Boavista, Belenenses (os tais cinco campeões), Vitória, Académica, Vitória de Setúbal, Braga,Leixões ,Beira Mar e Estrela da Amadora.
É uma prova muito mais “democrática” e daí advém também boa parta da sua enorme popularidade.
Não sendo também despiciendo considerar que o facto de a Taça levar aos quatro cantos de Portugal as equipas da primeira liga, permitindo que nalguns pontos do país se vejam jogar emblemas e jogadores que em condições normais nunca lá jogam, se torna também uma atracção suplementar para os portugueses dedicaram tanto carinho e atenção a esta prova.
Reconhecendo isso, e muito bem, a FPF teve o cuidado de incluir no regulamento da prova uma alínea segundo a qual na terceira eliminatória (a primeira em que participam equipas do primeiro escalão) as referidas equipas da primeira liga jogam obrigatoriamente fora quando o adversário que lhe tocar em sorteio seja de um escalão inferior.
Com isto se pretende fomentar a tal “festa” da Taça e a promoção do futebol levando as equipas de maior valia a visitarem estádios onde de outra forma dificilmente ou nunca iriam e com isso fomentando também a aparição dos tais “tomba gigantes” que dão um sabor especial à prova.
Mas estamos em Portugal.
Onde há clubes que se acham os “donos disto tudo” e que com a ajuda das televisões e da subserviência da generalidade dos dirigentes dos clubes com quem jogam rapidamente transformaram a boa ideia da FPF numa perfeita inutilidade dando cabo do “espírito” de taça e fazendo do fair play existente na tal alínea uma palavra vã.
Com argumentos de maior receita, de falta de segurança nos estádios, ou de não terem estádios à altura de receberem jogos com equipas de escalões superiores convenientemente ajudados pelo factos de nalguns desses estádios não existirem realmente condições para as transmissões televisivas rapidamente os jogos de alguns clubes primodivisionários deixaram de ser onde deviam para passarem a ser onde lhes deu mais jeito.
E foi assim que o Porto em vez de jogar em Évora foi defrontar o Lusitano ao Restelo, foi assim que o Benfica em vez de jogar em Olhão (onde há apenas três anos se jogava para a primeira liga) jogou com o Olhanense no estádio Algarve, foi assim que o Braga em vez de ir a S. Martinho do Campo fez o jogo em Vila das Aves entre outros exemplos possíveis desta época e de épocas anteriores.
Ou seja em vez de eliminatórias da Taça tivemos treinos dos clubes mais fortes.
Honra seja feita, porque eles sim serviram o legítimo interesse do nosso futebol, aos dirigentes do Vasco da Gama da Vidigueira, do Oleiros, do Torcatense e do Vilaverdense ( e este clube, fruto da coragem da sua direcção, acabou por ser “tomba gigantes”) entre outros que souberam dizer não a pretextos mentirosos, souberam por a verdade desportiva acima do interesse financeiro, não”venderam” o resultado aceitando jogar onde dava jeito ao adversário e receberam Vitória, Sporting,Marítimo e Boavista nos seus recintos dando com isso também um enorme sinal de respeito pelos seus adeptos.
Vitória e Sporting passaram sem dificuldades, Marítimo sofreu mas passou e o Boavista caiu em Vila Verde, mas de uma coisa todos podem ficar certos; é que foram jogos em que a verdade desportiva prevaleceu e o respeito pelas regras do sorteio foi plenamente cumprido.
Noutros, com outros protagonistas, foi a habitual “xico espertice” que corrói o nosso futebol e que põe cada vez mais em causa a verdade desportiva das suas competições.
Uma nota final sobre o fair play da Taça e especificamente no jogo entre o Vasco da Gama da Vidigueira e o Vitória.
A partida disputou-se na Vidigueira, num estádio de pequena lotação (sabendo-se que o Vitória se faz sempre acompanhar de numerosos adeptos) e com piso sintéctico sem que da parte dos dirigentes locais tivesse sido manifestada qualquer intenção de jogarem noutro lado e sem que da parte dos dirigentes vitorianos existisse qualquer diligência nesse sentido.
Muito bem uns e outros porque Taça é Taça e quem acha que não tem recintos adequados a receber adversários de escalão superior então mais vale nem se inscrever na prova.
Fez-se o jogo, o Vitória ganhou naturalmente e com goleada à mistura, mas isso não obstou a que no final do jogo ambas as equipas se juntassem no centro do relvado para uma foto de família.
Isto sim é espírito de taça, isto sim é “fair play”, isto sim é defender o futebol.

P.S São conhecidas as imagens ,posteriores ao jogo, de um bem animado jantar entre os jogadores do Vasco da Gama da Vidigueira e adeptos do Vitória todos em alegre confraternização num restaurante local.
Fosse com outros clubes e seria notícia de telejornal.
Como não foi resta o consolo de sabermos que até um pequeno clube alentejano dos distritais de Beja pode, em termos de desportivismo, ser tão grande como os maiores.
Provavelmente maior até...
E que os adeptos do Vitória, tantas vezes tão mal tratados pela imprensa, se limitam em todo o lado a saberem retribuir na exacta proporção da forma como são tratados.

domingo, outubro 15, 2017

Sugestão de Leitura

Não é habitual ler duas biografias seguidas escritas pelo mesmo autor.
Mas desta vez aconteceu.
E pela pena de Joaquim Vieira li as biografias de Mário Soares , em primeiro lugar por ordem de compra, e agora a de Francisco Pinto Balsemão saída mais  recentemente em Julho do corrente ano de 2017.
Se já tinha gostado da de Soares devo dizer que também gostei bastante da de Balsemão.
Antes de ler a obra já tinha lido algumas críticas ao autor por causa de determinadas referências que faz no livro, e que alguns muito à portuguesa interpretaram como ajustes de contas entre o autor e o seu antigo patrão, mas uma vez lido este concluo que essa criticas são injustas e sem razão de ser porque nada do que Joaquim Vieira narra é falso ou desconhecido da opinião pública.
No resto, que é o que mais importa, creio que é globalmente uma biografia muito bem escrita sobre um homem que foi fundador do PPD e primeiro-ministro de Portugal mas que ficará para a História (e acredito que isso agradará ao próprio) como jornalista e grande empresário na área da  imprensa que fundou alguns dos mais relevantes orgãos de comunicação social deste país como o Expresso e a SIC.
Embora como primeiro-ministro e líder do PSD também tenha deixado o seu nome ligado a momentos relevantes como a revisão constitucional que acabou com o conselho da revolução ou a aprovação da lei de defesa nacional.
É uma biografia muito completa sobre o homem, o político, o empresário, a sua vida pessoal, académica e profissional, os negócios e os amigos, as zangas e as cumplicidades e pelo livro passam todas as grandes personalidades portuguesas desde os finais dos anos 50 do século passado até à actualidade.
Indispensável a quem quiser conhecer a História de Portugal dos últimos sessenta anos.
Gostei muito.
Depois Falamos

Pôr do Sol


Alpes Austriacos


Pássaros


sexta-feira, outubro 13, 2017

Goleadores

Portugal, em termos de selecção A, nunca foi um país famoso pelos seus goleadores.
Houve Eusébio,é claro, um dos melhores jogadores mundiais de todos os tempos e que marcou muitos golos pela selecção num tempo em que as selecções tinham muito menos jogos do que actualmente.
Antes dele houve outros goleadores como Pinga, Peyroteo ou Matateu mas cuja safra goleadora (porque no seu tempo ainda havia menos jogos que no de Eusébio) não ficou nem perto da do "Pantera Negra" e depois dele houve também grandes goleadores nas provas nacionais mas que na selecção nunca revelaram a mesma veia goleadora como foram os casos de Jordão, Gomes, Néné ou Manuel Fernandes.
Veio então um trio composto por Pauleta, Nuno Gomes e Hélder Postiga que se revelaram os melhores no pós Eusébio com o primeiro deles a ultrapassar,inclusive, o seu recorde de golos sendo durante algum tempo o melhor marcador de sempre da selecção com 47 golos.
Nuno Gomes com 29 e Postiga com 27 vinham logo a seguir a Pauleta e Eusébio tendo entre eles apenas Figo que fez 32 golos pela selecção embora não sendo um goleador por excelência.
Foi então que surgiu o "furacão" Ronaldo que com os 79 golos já apontados coloca o recorde em números fabulosos e que ainda vão aumentar nos três ou quatro anos de carreira que tem pela frente se continuar a marcar ao ritmo a que o tem feito desde 2003.
Mas se ter um grande goleador na selecção já era excelente ter dois em simultâneo é extraordinário, algo que Portugal nunca tinha tido, e abre excelentes perspectivas para as próximas grandes competições internacionais em que o país estará presente.
André Silva aos 21 anos tem já números "à Ronaldo" que o catapultam para uma carreira que muito promete face à produtividade goleadora demonstrada.
Pela selecção fez 17 jogos e onze golos com o particular destaque  de nosso grupo de qualificação para o mundial da Rússia ter feito 9 golos em 10 jogos o que é magnifico e o coloca no topo dos melhores europeus nesta fase de apuramento.
Ele e Ronaldo, que ainda por cima se complementam muito bem nas suas movimentações, são sem sombra de duvida os alicerces em que assentará a nossa participação no mundial e aquilo que nele de positivos se conseguir.
Porque ter duas "máquinas" de fazer golos na frente de ataque de uma selecção não é para quem quer mas para quem pode.
E Portugal pode.
Depois Falamos.

O Drama do Vitória B

Consumidos com as tristezas deste decepcionante início de época da equipa A muitos adeptos vitorianos nem se terão apercebido,ainda, do drama em que vive a nossa equipa B a fazer um inicio de campeonato quase aflitivo.
A verdade é que a nossa equipa B decorridas nove jornadas do campeonato da II liga se encontra em último lugar na classificação fruto de dois triunfos, dois empates e cinco derrotas deixando fortes preocupações quanto ao resto da prova e à sua manutenção no segundo escalão do nosso futebol.
O campeonato é longo- tem 38 jornadas- e naturalmente que nos 29 jogos que ainda tem para disputar a equipa pode recuperar e alcanças um posicionamento classificativo idêntico ao dos últimos anos que lhe permita manter-se na divisão adequada a ser um "fornecedor" privilegiado da equipa A.
A questão é se tem os recurso humanos-jogadores- necessários a essa recuperação.
Creio que se (quase) todos estamos de acordo sobre a forma insuficiente e descuidada como foi constituído o plantel A não admirará ninguém que na B o panorama ainda tenha sido pior e os resultados estejam em linha directa com isso.
Como é sabido, mas nem por todos lembrado,a equipa B foi criada para ser a última etapa de formação dos nossos jovens vindos dos escalões inferiores e simultaneamente a sua primeira etapa de profissionalismo.
Equivale isto a dizer que (e foi para isso que as equipas B foram criadas) devia ser constituída maioritariamente por jovens portugueses formados no clube a que se juntariam outros jovens portugueses recrutados noutros clubes e excepcionalmente jovens estrangeiros de indiscutível valor que através da equipa B se adaptariam ao clube e ao futebol português antes de transitarem para a A.
É inequívoco que a equipa B do Vitória desde a sua criação em 2012 tem dado excelentes frutos.
Paulo Oliveira, Ricardo, Tiago Rodrigues, Hernâni, Miguel Silva, João Pedro, Tomané, Bruno Alves, João Amorim, Areias, Josué, Luís Rocha,Diogo Lamelas, Bernard, Cafú, Konan, Dalbert, Zitouni, Vigário, Denis Duarte,Xande Silva, Tyler Boyd, Pedro Lemos, Kanu, Raphinha, Zungu, entre outros.
Uns estão no clube, outros transferidos com proveitos económicos, outros que por isto ou aquilo não triunfaram no Vitória mas estão noutros clubes da nossa primeira e segunda liga ou no estrangeiro a fazerem carreiras meritórias.
Num ou noutro caso bem podiam estar ainda no Vitória porque me parece que tinham cá lugar.
Mas, como se diz nos fundos de investimento, rentabilidades passadas não garantem rentabilidades futuras o que equivale a dizer que não é por a equipa B no passado ter obtido bons resultados e formado bons jogadores para a A que isso vai acontecer sempre e de forma automática.
Especialmente se, como nesta época, a sua constituição em termos de plantel tiver sido feita ao "deus dará" sem a elementar preocupação de lhe garantir um grupo sólido, coeso e competitivo para enfrentar um campeonato tão longo e tão duro como o da II liga.
Já todos sabemos que na época passada Vítor Campelos se viu obrigado a utilizar 55 (!!!) jogadores naquilo que deve ser recorde mundial numa equipa de futebol profissional.
Esta época, e nem considerando nomes como Vigário e Marcos Valente que são mais da A que da B, o plantel parece ter trinta e oito jogadores dos quais 20 (!!!) são estrangeiros e 18 portugueses o que obviamente nada tem a ver com um projecto de gestão desportiva racional e pensado mas apenas com o fazer da equipa B um autêntico entreposto de jogadores na esperança de que alguns deem certo e possam reforçar a A ou serem vendidos.
Como pode um treinador, seja ele quem for, gerir um balneário com 38 jogadores de 12(!!!) nacionalidades diferentes de molde a construir a tal equipa coesa e competitiva?
Não pode.
Portugal com 18 jogadores (ainda) é a nacionalidade mais representada mas depois aparece o Brasil com sete jogadores, o Gana a Costa do Marfim e a África do Sul com dois, e Mali,Rússia,Tunísia, Líbia, Luxemburgo, Hungria e Camarões com um cada.
Convenhamos que não faz sentido nenhum seja qual for o ponto de vista.
E por isso a equipa B pena no último lugar da classificação e o seu futuro apresenta-se carregado de preocupações no que concerne à manutenção na II Liga quando o expectável era que após a boa temporada feita na época passada este ano a bitola se mantivesse e a equipa estivesse a fazer um campeonato tranquilo.
Ou seja uma história idêntica à da equipa A ressalvadas as devidas diferenças.
Depois Falamos

P.S. Os dados sobre o número de portugueses e estrangeiros foram retirados do site zerozero e creio , mais um menos um , corresponderem à realidade.
Em relação a este drama da B ainda podia referir mais este ou aquele detalhe mas por hoje não vale a pena. Fica para próxima oportunidade.

Monument Valley