quinta-feira, abril 18, 2019

Meias Finais

Barcelona, Liverpool, Tottenham e Ajax estarão nas meias finais da Liga dos Campeões.
Tinha previsto aqui que os dois primeiros se apurariam, o que aconteceu com a naturalidade expressa nos resultados, mas nos outros dois casos funcionou a eterna imprevisibilidade do futebol com o apuramento das equipas à partida menos favoritas.
Barcelona e Liverpool eram claramente favoritos.
A equipa catalã venceu os dois jogos sem problemas de maior face a um Manchester United sem andamento para contrariar aquela que, em teoria, é a mais forte candidata a vencer a presente edição da prova.
Os homens de Liverpool eram favoritos e confirmaram-no plenamente perante uma boa equipa do Porto mas de um patamar competitivo inferior e que nunca chegou a pôr em causa o resultado da eliminatória.
Em Manchester, num dos melhores jogos desta edição da Champions, incerteza até final (até no tempo de descontos houve incerteza quanto a quem passava) com o Tottenham a ser mais forte e a provar que nem sempre um orçamento (bem) maior é garantia de sucesso.
Finalmente o Ajax.
Que vi jogar na Luz e me pareceu uma boa equipa mas não tão boa que conseguisse chegar às meias finais da prova.
A verdade é que chegou.
Eliminando Real Madrid e Juventus o que dá a clara dimensão da sua valia competitiva e o quanto a equipa foi evoluindo ao longo da época.
E agora?
É lugar comum, mas aqui perfeitamente aplicável, dizer-se que qualquer uma das quatro pode vencer a prova tal a valia das equipas ainda em prova e a capacidade que qualquer uma delas inegavelmente possui.
Pessoalmente aposto numa final entre Barcelona e Ajax.
Veremos...
Depois Falamos

Sugestão de Leitura

Sempre tive uma enorme admiração por Eusébio.
Dos grandes jogadores do futebol mundial foi seguramente aquele que mais vezes vi jogar ao vivo , especialmente pelo Benfica mas também duas ou três vezes pela selecção e uma pelo Beira Mar, porque só depois do seu tempo (e de Pelé, Cruyff, etc) é que as transmissões televisivas se tornaram vulgares permitindo que, por exemplo, todas as semanas possamos ver Ronaldo e Messi os dois melhores da actualidade.
Eusébio, como Pelé, nasceu antes do tempo!
Hoje seria um jogador sem preço face à sua extraordinária qualidade futebolística mas também a  uma capacidade de sofrimento igualmente extraordinária e que lhe permitiu fazer a carreira que fez massacrado por lesões.
Nos anos 60 e 70 sem os relvados, as bolas, as botas e equipamentos, a medicina desportiva, o conceito de profissionalismo, as metodologias de treino, a liberdade de transferência que existem hoje ainda assim Eusébio fez uma fantástica carreira que só não foi ainda melhor porque a infame "lei de opção" (os clubes eram donos dos jogadores que estes até para casar tinham de pedir licença à direcção) mais o salazarismo não o deixaram ir para Itália onde podia ter atingido patamares ainda mais altos.
Ainda assim foi extraordinário.
E terá certamente o seu lugar inamovível na galeria dos melhores de sempre.
O livro de Sónia Louro , uma biografia romanceada mas com grande aproximação à realidade, narra todo esse percurso do menino pobre nascido em Moçambique que se tornou uma grande estrela do futebol mundial.
Lê-se com muito agrado.
Depois Falamos.

quarta-feira, abril 17, 2019

Por do Sol


Patos


Castelo de Haar, Holanda


10 Grandes

O meu artigo desta semana no zerozero.

No futebol, grandes, são os jogadores.
Quando muito também os treinadores que conjuntamente com os jogadores são quem ganha jogos, competições, troféus e assim contribuem para que os clubes que representam tenham um palmarés que vá fazendo a diferença entre eles.
É certo que em Portugal há um gosto, mesclado de subserviência, em chamar “grandes” a uns clubes em detrimento de outros mas a expressão prática disso apenas resulta no favoritismo de que esses clubes gozam a todos os níveis e que ajuda a empolar diferenças que a realidade das coisas devia fazem bem menores.
Vamos ao que interessa.
Os grandes jogadores.
Escrevendo isto na noite em que os dois maiores da actualidade tiveram sortes bem diferentes na Liga dos Campeões, com Messi a seguir em frente e Ronaldo  a ficar pelo caminho, parece-me oportuna uma peque na reflexão sobre o que tem sido os grandes jogadores da História do futebol e a velha polémica (em que nunca entrarei) sobre quem foi o melhor de sempre ou quem é o melhor da actualidade.
Mais de cem anos de futebol, mas com enfoque nos últimos sessenta, dizem-nos que houve um número razoável de jogadores de excepcional qualidade mas muito pouco ao nível da genialidade pura aquela que permite fazer a diferença com absoluta regularidade.
Falo dos que vi jogar.
Nunca vi Di Stéfano jogar mas todas as opiniões convergem no sentido de o declarar como um dos melhores de sempre o que ,aliás, o seu palmarés individual confirma na plenitude.
Génios que vi jogar?
Pelé, Eusébio, Maradona, Cruyff, Beckenbauer, Ronaldo, Ronaldinho, Messi , Cristiano Ronaldo e Zico.
Para mim os dez melhores jogadores que vi num relvado.
Infelizmente boa parte deles (Pelé, Maradona , Zico) muito menos vezes do que gostaria porque nos seus tempos as trasnmissões televisivas não eram tão frequentes e diversificadas como nos tempos que correm.
Os brasileiros praticamente apenas nos mundiais (Pelé vi uma vez ao vivo no estádio das Antas num Portugal-Brasil) e o argentino pouco mais do que isso embora o seu tempo já tenha sido um tempo televisivo.
Foram os melhores que vi e dois deles, Messi e Ronaldo, ainda vejo e espero ver por mais alguns anos.
O melhor dos dez?
Nem me atrevo a dar opinião porque jogadores tão diferentes, em tempos tão diferentes, não permitem que se façam comparações justas dadas as diferenças abissais em termos de qualidade dos relvados, qualidade dos equipamentos e especialmente das botas, diferença das bolas, dos métodos de treino, da medicina desportiva , dos próprios conceitos de profissionalismo.
Imagino, por vezes, aonde teria chegado Maradona sem o vicio da droga que lhe arruinou os últimos anos de carreira.
Imagino o que seria Pelé nos tempos de hoje.
Mas imagino, essencialmente, até onde chegaria Eusébio com os métodos de treino actuais, com bolas e botas muito mais leves, com uma medicina desportiva que lhe teria evitado sete operações aos joelhos, sem ter de jogar em pelados, sem alinhar infiltrado em jogos particulares porque o cachet para o clube seria menos se ele não jogasse, com uma consciencialização bem maior dos árbitros para defenderem os grandes jogadores do jogo “sujo”, tendo oportunidade de fazer carreira num grande clube europeu onde pudesse ganhar Ligas dos Campeões.
Nunca saberei , e em bom rigor pouco me interessa, qual dos dez em igualdade absoluta de condições e jogando no futebol actual seria o melhor de sempre.
Mas não me custaria a crer que fosse Eusébio.

terça-feira, abril 16, 2019

Liberdade

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

Costuma dizer-se que a Liberdade é algo de tão precioso que só quem não a tem lhe consegue dar o devido valor.
E é verdade.
Portugal, felizmente, é um país onde se vive em Liberdade desde 25 de Abril de 1974 e em democracia plena desde 25 de Novembro de 1975 pelo que há sucessivas gerações que não conheceram a ditadura e não fazem nem ideia do que é viverem provados da Liberdade.
Mas é um bem que tem de ser defendido todos os dias!
Recordo-me, porque já tenho idade para isso, dos tempos a seguir ao 25 de Abril em que Portugal que acabava de se livrar de uma ditadura de direita correu sérios riscos de mergulhar numa ditadura de esquerda ao sabor do assalto ao poder do PCP e das forças da extrema esquerda, então com alguma implantação popular, que tomaram conta de parte do aparelho de Estado, de grande parte da comunicação social e conduziram o país para uma quase guerra civil.
Valeu o 25 de Novembro, valeu a luta de muitos milhares de portugueses que não tinham medo, valeram as lideranças de homens que acreditavam na democracia como Mário Soares e Francisco Sá Carneiro que à frente de dois grandes partidos democráticos foram uma barreira inultrapassável para os totalitários de esquerda.
Foram tempos difíceis.
Tempos em que os comícios e sessões de esclarecimento do PPD e do CDS, e nalguns locais também do PS, enfrentaram ameaças de boicote, viram os seus militantes serem agredidos por gente da esquerda não democrática e forçaram os seus dirigentes e militantes a organizarem a segurança dos seus próprios comícios numa acção de legítima defesa adequada aos tempos que então se viviam.
Isso acontecia essencialmente no sul do país, onde PCP e extrema esquerda (UDP, PSR, FEC-ML, MRPP, OCMLP, etc) tinham maior implantação, mas também a norte se registaram graves incidentes em comícios dos partidos democráticos tendo em Guimarães ocorrido um dos mais graves de todos com o famoso cerco ao comício do CDS no Teatro Jordão que só por muito pouco não acabou num banho de sangue.
Mas também num comício do PPD, em Janeiro de 1975, houve incidentes graves que só não foram piores porque a segurança do partido foi extremamente eficaz na contenção e expulsão do mesmo Teatro Jordão da turba esquerdista que o tentara invadir.
Foi uma luta difícil, um processo revolucionário que acabou num Estado de Direito (mas podia ter acabado numa ditadura marxista) e a implantação da democracia plena começou em 25 de Novembro de 1975 mas só terminaria vários anos depois numa revisão constitucional em que entre outras reformas se acabou, finalmente, com o Conselho da Revolução e a tutela que este exercia sobre o sistema político.
Mas a construção da Democracia e a preservação da Liberdade não são nunca processos acabados.
A Democracia pode ser sempre aperfeiçoada fomentando a participação no processo democrático de cada vez mais cidadãos e forças políticas e a Liberdade deve ser sempre defendida contra todas as ameaças ainda que elas, por vezes, venham de onde menos se espera.
Em Portugal há hoje um clube relativamente restrito, e que envida todos os esforços para que assim continue a ser, de partidos que por vezes parecem achar serem donos da democracia e os únicos a terem direito a em nome dela elegerem representantes para qualquer tipo de orgão nacional ou internacional.
PS, PSD, CDS, PCP, BE são esse quinteto que diferindo em muita coisa , e algumas delas particularmente distintas, há contudo uma em que estão de acordo absoluto e na qual a cumplicidade é total.
Não querem mais partidos a elegerem deputados para o Parlamento, nem para o Parlamento Europeu nem para as autarquias.
E não querem por razões de conveniência política fáceis de entender,mas impossíveis de aceitar em termos democráticos, mas também por por razões de ordem económica dado que a eleição de parlamentares por outros partidos os obriga a dividirem com eles as subvenções estatais.
E por isso fazendo da comunicação social uma coutada sua, com a dócil aquiescência da própria Comunicação Social diga-se de passagem, bloqueiam a participação dos partidos que não tem representação parlamentar em Bruxelas nos debates sobre as eleições para o Parlamento Europeu tentando com isso impedi-los de fazerem chegar as suas mensagens a um grande número de eleitores.
É de uma pobreza democrática confrangedora.
Especialmente quando vem de partidos que fizeram da luta pela Liberdade uma das formas da sua implantação e afirmação no nosso panorama político.
As atitudes ficam com quem as toma.
Na Aliança, pese embora todos os bloqueios e boicotes vindos dos “velhos” “donos disto tudo”, continuaremos a lutar pela Liberdade, pela Democracia e pelo direito de os portugueses terem uma Liberdade de escolha informada na hora de votarem.
A Liberdade está no nosso ADN e não  apenas nas nossas conveniências como parece ser o actual paradigma de outras forças políticas que outrora valorizavam a verdadeira Liberdade.
Aquela que é para todos por igual!

domingo, abril 14, 2019

Enfim...

Hoje , em Vila do Conde, o Vitória jogou com a camisola branca!
E esse facto, que devia ser normalíssimo mas não é, constitui mesmo o único facto positivo que se encontra na desoladora tarde do estádio dos Arcos.
O resto foi mais do mesmo.
Um adversário que fez pela vida (não ganhava em casa desde Outubro mas a generosidade vitoriana nessa matéria é já lendária) , uma equipa amorfa que ainda começou bem mas depois de sofrer o primeiro golo se "apagou" e um treinador que fez (mais uma vez) substituições difíceis de perceber e que em nada melhoraram o desempenho global do onze vitoriano.
Devo dizer que não sendo treinador ,mas vendo futebol há mais de cinquenta anos, não percebo como estando a equipa a perder por 0-2 e não estando  Guedes lesionado nem a jogar pior que a generalidade dos colegas seja o ponta de lança precisamente o primeiro a sair para dar lugar a outro ponta de lança (que nada acrescentou bem pelo contrário...) ao invés de jogar com dois homens na área e tentar assim desequilibrar a defesa adversária.
Mas quase tão lendária como a generosidade vitoriana em dar pontos a quem precisa é a teimosia do treinador em não mudar o sistema táctico, mesmo quando entra pelos olhos dentro que o devia fazer, para em determinadas situações jogar com dois pontas de lança em simultâneo.
Teimosias que tem ajudado a perder pontos diga-se de passagem.
Em suma mais uma derrota e o quinto lugar mais longe (agora a quatro pontos) quando faltam cinco jornadas e o Vitória termina a Liga com uma visita ao...Moreirense.
O árbitro Manuel Oliveira teve uma tarde infeliz, com prejuízo do Vitória, mas nem isso serve de desculpa nem estar a falar de arbitragem seria adequado face ao que é essencial.
E essencial é assumir que o Vitória perdeu por culpa própria fruto de erros cometidos no campo e no banco.
Depois Falamos

Sugestão de Leitura

Shimon Peres , falecido em 2016 aos 93 anos, foi uma das mais influentes personalidades de História do Estado de Israel onde desempenhou vários cargos de grande responsabilidade como ministro da defesa, dos negócios estrangeiros, primeiro ministro e presidente da república.
Em quase de 70 anos de vida pública assistiu (e participou) em grandes momentos não só do seu país como também do Médio Oriente e da própria política mundial como o foram a criação do Estado de Israel, as guerras de 1967 e 1973, o assassinato dos atletas olímpicos israelitas em Munique, o raide a Entebbe, os acordos de Oslo com a OLP (viria a ganhar o Nobel da Paz em conjunto com Arafat e Rabin) , o tratado de paz com a Jordânia, os acordos de Camp David e tantos outros em que foi participante.
Colaborador de David Ben Gurion, o lendário fundador do Estado de Israel e seu mentor político, Shimon Peres foi um visionário que dedicou os seus últimos anos de vida, depois de abandonar cargos governativos, a lutar por uma paz duradoura no Médio Oriente que permita a Israel viver em coexistência pacífica com os seus vizinhos árabes.
Este livro é uma visão do próprio sobre os seus setenta anos de vida pública e simultaneamente um contributo para um melhor conhecimento da História de Israel e do Médio Oriente.
Depois Falamos