domingo, dezembro 21, 2014

O Nosso 14

O talento continua lá.
O trabalho da equipa técnica, o empenho e o esforço dos jogadores são realidades inegáveis.
A excelente temporada que esta uma vez mais reconstruída equipa vem fazendo não é posta em causa por uma derrota tangencial.
Mas é inegável que há um momento menos bom, alguns abaixamentos de forma, um desgaste físico e uma fragilidade nalgumas posições que não é de hoje.
E isso tem de ser ponderado nesta altura da época.
Porque reforçar rima com ganhar enquanto vender rima com comprometer!
Individualmente:
Assis: Mais uma excelente exibição retardando o golo estorilista com várias excelentes defesas. Por muito que isso desagrade a alguns "profetas da desgraça" continua a merecer a titularidade.
Bruno Gaspar: Um regresso positivo num jogo em que Kuka lhe deu muito trabalho. Também por isso foi menos ofensivo do que lhe é habitual.
Josué: A melhor exibição do quarteto defensivo. Sereno e autoritário na sua zona de acção.
João Afonso: Uma noite dificil face à qualidade de Kleber. No lance do golo tem clara responsabilidade na forma como o estorilista apareceu sozinho a rematar.
Traoré: Uma exibição apenas regular. A defender não comprometeu e a atacar não desequilibrou.
Cafu: Cumpriu sem problemas de maior. Ainda assim foi dos que mais sentiu o desacerto da equipa porque teve vários "fogos" para apagar. Mas não foi por ele que perdemos.
André: Tem a grande vantagem de não saber jogar mal. Mas também não foi das suas noites mais assertivas. Ainda assim foi dos mais inconformados como deve ser timbre de um verdadeiro capitão.
Bernard: Não vou repetir o que nas ultimas semanas tenho escrito sobre este jovem talento. Direi apenas que na Amoreira foi não só o mais discreto dos vitorianos como fez a mais discreta exibição desta época.
Hernâni:O pouco que a equipa fez ofensivamente foi ele que fez. Rematou por duas vezes, cruzou,driblou,tentou levar a equipa para a frente. Está com demasiado peso em cima dos ombros.
Tomané:Outro jogo de sacrifício do jovem avançado. Lutou, segurou bolas, aguentou cargas e tentou rematar. Mas estava "Sozinho em Casa" tal como o filme muito visto nesta época natalícia. Quando saiu a equipa ficou sem qualquer referência na área.
Alex: Não fez um grande jogo mas com a bola nos pés sabe sempre o que está a fazer. Não percebi a sua saída. Teria feito,eventualmente, mais sentido ser Bernard a sair.
Bruno Alves: Uma substituição fácil de entender. Com as coisas a não correrem bem Rui Vitória quis mais posse de bola, mais segurança defensiva e mais acerto nas marcações a meio campo. E Bruno cumpriu. Teve uma boa oportunidade de golo mas atirou ao lado.
Ricardo Gomes: Substituiu Tomané mas passou ao lado do jogo.
Crivellaro: Ultima opção de RV entrou a oito minutos do fim numa tentativa derradeira de chegar ao empate. Não teve oportunidade, nem tempo, de ser influente no jogo.
Douglas, Plange, Moreno e Caiado não foram utilizados.
Depois Falamos.

Imagens Estoril-Vitória












Castelo de Alvito


Porco Espinho

Foto: www.nationalgeographic.com

sábado, dezembro 20, 2014

Uma Derrota Justa

Foto: Record
Serenamente há três comentários a fazer.
O primeiro para reconhecer que o Estoril ganhou com inteira justiça e a expressão do resultado até podia ter sido pior para as cores vitorianas face ao conjunto de oportunidades que a equipa estorilista criou junto da nossa baliza.
O segundo para realçar que estar em terceiro lugar nesta altura da Liga , com apenas duas derrotas, continua a ser excelente e foi este grupo de trabalho que o conseguiu.
Se os aplaudimos entusiasticamente quando ganham temos também de ser compreensivos quando as coisas não correm bem até porque sete titulares de hoje jogavam o ano passado no CNS. E a experiência não se compra na farmácia.
A terceira, pedagogicamente,é que é preciso ter cuidado com alguns discursos.
Muitos são jovens, estão a acabar a formação como jogadores e como homens, e a permanente oferta que deles é feita na praça pública (ainda por cima dando-lhes o estatuto de "pérolas quando são talentos mas ainda não confirmados na totalidade) pode contribuir para os destabilizar e por a pensar noutras coisas que não o que é a sua obrigação que é estarem totalmente concentrados no Vitória.
É humanamente compreensível que queiram dar o "salto"para outras realidades, nomeadamente financeiras, mas não devem ser instigados a isso pelo próprio clube que representam.
Acho que nessa matéria as sensatas declarações que Rui Vitória vem fazendo deviam ser escutadas com mais atenção.
Quanto ao jogo propriamente dito terá constituído uma das piores exibições do Vitória nesta época.
Menos seguro a defender do que é habitual, pouco dominador no meio campo e com uma absoluta falta de poder de "fogo" no ataque que se traduziu num remate em toda a primeira parte e em dois na segunda e sem perigo especial.
Olhando para os dezoito convocados percebia-se que se as coisas corressem normalmente daria para ganhar, ou segurar um empate, mas dificilmente permitiria dar a volta a um jogo que corresse mal ou em que nos víssemos em desvantagem conforme aconteceu.
Aquando da dupla substituição, em que me pareceu que RV já estaria a tentar segurar o empate porque terá percebido que não dava para mais, ficou-se com a sensação de que se o Estoril chegasse à vantagem o jogo estaria resolvido porque ao trocar Tomané por Ricardo Gomes a equipa ficou sem ter no banco alguém que pudesse reforçar o centro do ataque numa emergência.
Como veio a acontecer.
Mérito ao Estoril, que o teve e muito, senhor de uma equipa com alguns jogadores interessantes como Kleber, Kuka, Tozé ou Diogo Amado e esperança que a paragem da Liga dê para a equipa vitoriana regressar em Janeiro revigorada e reforçada com as aquisições já feitas e com a recuperação dos lesionados.
Gostei do trabalho do árbitro Tiago Martins.
Em cima das jogadas, com critério uniforme, decidiu bem os lances mais polémicos.
Depois Falamos

P.S. Um pequeno reparo. Sem Álvez estava convencido que RV voltaria a chamar o ponta de lança Areias. Porque oferece, na área, soluções diferentes das de Ricardo e Caiado os dois avançados que estavam no banco.

Aqui Nasceu Portugal


sexta-feira, dezembro 19, 2014

Um Erro

Há coisas que não são seguramente feitas por mal.
Mas revelam falta de ponderação, de sensibilidade, de conhecimento do que é o equilíbrio das coisas e do que deve ser a gestão de um grupo de trabalho com a complexidade  inerente ao futebol profissional.
O Vitória levou a cabo, e muito bem, a sua 1ª Gala (primeira e não quinta ou vigésima segunda) durante a qual atribuiu a diversas personalidades do clube os "Prémio Conquistador" em quatro categorias distintas:
Mérito Desportivo, Dedicação, Reconhecimento e Fidelidade.
Confesso que quando soube os nomes dos distinguidos "arrepiei-me" ao ver que deles não constava Rui Vitória.
Porque se tratava da primeira primeira gala era absolutamente imperioso reconhecer o notável trabalho que este treinador,e cidadão que tão bem absorveu os nossos valores e a nossa cultura vitoriana, tem vindo ao longos dos últimos quatro anos a desenvolver no nosso clube e atribuir-lhe um dos prémios.
E ele "cabia" em qualquer das categorias.
Mérito desportivo pela conquista da Taça de Portugal (recordo que foi a primeira Gala pós Jamor pelo que não haverá segunda oportunidade) na mais bela tarde vitoriana.
Dedicação pela forma abnegada como tem ultrapassado problemas e contrariedades sempre pondo o clube em primeiro lugar e sem atitudes de azedume ou contrariedade.
Reconhecimento pela forma extraordinária como tem sabido lançar jovens futebolistas, apostar na formação e criar possibilidades de negócios essenciais à subsistência do clube.
Fidelidade porque ao longo dos anos tem permanecido fiel ao projecto, ao clube e resistido a tentativas de ir para outras paragens onde ganharia mais dinheiro e teria menos problemas.
Cabia em qualquer das categorias.
A verdade é que não foi premiado em nenhuma.
Ao mesmo tempo que outros treinadores de futebol do clube eram alvo de reconhecimento por feitos que com todo o respeito (nomeadamente pelo Tozé Mendes que liderou a equipa campeã nacional de juvenis) não tem a dimensão nem a importância do triunfo na taça de Portugal.
Há erros importantes que eram perfeitamente escusados.
E cuja dimensão efectiva só o futuro permitirá avaliar devidamente.
É pena.
Depois Falamos.

P.S. Não estou de acordo com Rui Vitória em todas as suas opções (lá está, em cada um de nós há um bocadinho de treinador) mas daí à ingratidão que seria não reconhecer o mérito e a valia do seu trabalho há uma distância que nunca transporei.

Pés no Chão

Fruto deste excelente inicio de época do Vitória, quer nos resultados obtidos quer nos talentos confirmados, há muitos adeptos do clube que sempre com a legitima ambição de ver o Vitória atingir o topo já falam em apuramentos para a liga dos Campeões e até na conquista do titulo (como o habitual comentador deste blogue Quim Rolhas) a maior de todas as ambições.
Gostava de poder ser tão optimista como eles, até porque potencial (não explorado) para isso tem o Vitória, mas realisticamente acho que devemos fixar como nosso objectivo concretizável o apuramento para a Liga Europa através da conquista do quarto ou quinto lugar da Liga.
Por várias razões:
Que sistematizarei em quatro essenciais.
Plantel, "Sistema", Estratégia e Comunicação Social.
Não temos plantel para sermos campeões nacionais ou ambicionarmos o segundo lugar.
Temos um grupo jovem, talentoso, com imenso potencial mas a que falta a qualidade extra que permite sonhar com outros voos. Com mais três jogadores de grande qualidade, experientes, decisivos nas suas zonas de actuação talvez pudéssemos sonhar mais alto.
Mas a verdade é que não os temos.
E por isso se em Janeiro não aparecerem os cada vez mais temidos..."disparates" podemos consolidar com os reforços já anunciados (Kanu, Valente e mais um ou outro) a candidatura europeia mas não mais do que isso.
Em segundo lugar o "sistema".
Na arbitragem, na disciplina, e noutras áreas onde se faz sentir e ás quais o Vitória não chega de forma a poder,ao menos, exigir igualdade de tratamento.
E para superar esse tremendo obstáculo (veja-se como o Benfica está a ser levado ao "colo" com mais de meia dúzia de pontos dados por "erros" de apitadores) era preciso uma equipa mais forte no terreno e uma postura muito mais actuante no combate mediático.
Não temos.
Nem uma nem outra.
Em terceiro lugar a estratégia do clube não aponta para isso.
Porque, fruto até da louvável recuperação financeira alcançada nestes dois anos e ainda agora anunciada na Gala, faria sentido investir no futebol, ser "surdo" em Janeiro e apostar em reforçar decisivamente a equipa para a segunda metade do campeonato.
Apostar numa classificação no pódio, na ida à pré eliminatória da Champions, na valorização inerente dos jogadores e em negociar no final de época um ou dois mas numa posição negocial forte.
Ao invés aposta-se na permanente "oferta" de jogadores ( e até do treinador...), na reiterada necessidade de vender o que naturalmente embaratece o "produto" dado o estado de necessidade de que os compradores se apercebem, na prioridade em reduzir o passivo pela alienação constante de "activos" e não pela sua valorização.
Finalmente a Comunicação Social.
Que faz permanentemente o jogo dos outros (Benfica-Porto-Sporting e até Braga), que os valoriza ao mesmo tempo que nos desconsidera, que nos trata como um parceiro menor onde por justo direito somos um parceiro maior.
E para isso não há uma estratégia.
Mesmo quando os nossos adversários ( até para além dos quatro citados) a usam despudoradamente para inventarem favores de que não usufruímos e benesses que ao contrário deles não temos.
Ou para condicionarem árbitros dos nossos jogos.
E pese embora já toda a gente ter percebido a ineficácia da estratégia do silêncio persiste-se nela sem que se perceba porquê.
E por todos estes factores entendo que pese embora o natural desejo de qualquer vitoriano seja o ser campeão nacional ou, no mínimo,ir à Liga dos Campeões é mais adequado pormos os pés no chão e percebermos que,por factores externos e opções internas, é mais sensato definirmos como objectivo para esta época o apuramento para a Liga Europa.
No futuro...logo se verá.
Depois Falamos

Palanca Negra


Pai Natal


quinta-feira, dezembro 18, 2014

A Gala

O Vitória levou ontem a cabo a sua 1ª Gala dos Conquistadores no âmbito da qual para além da habitual atribuição dos emblemas de prata e ouro aos associados com 25 e 50 anos de filiação associativa premiou ainda alguns técnicos, associados, atletas e funcionários.
A realização desta Gala é uma excelente ideia e dá uma qualidade superior, e que importa destacar, à tradicional cerimónia de aniversário do clube.
Uma festa bonita, num cenário adequado, com uma decoração a condizer.
Um galardão muito bonito, com base no Rei e nos motivos históricos de Guimarães, a que só falta o símbolo do Vitória para ser uma peça perfeita.
Talvez no escudo, talvez no topo da pequena torre, a verdade é que a peça fica valorizada se dela constar o emblema do clube que está a homenagear os que entende merecerem a distinção.
Pormenor fácil de rectificar para as próximas edições da Gala.
Não sei qual o critério de escolha dos homenageados, nem quem procedeu à escolha(a direcção? o conselho vitoriano?) e tão pouco se existe algum regulamento para o efeito mas naturalmente que gostei muito de ver reconhecidos os méritos de pessoas que fazem parte da História do clube como Fernando Sá, Tozé Mendes, Pedro Guerreiro ou José Luís Machado.
Entre outros.
São nomes indiscutíveis e que bem mereceram a distinção pelo que fizeram e fazem pelo clube.
Assim como espero que no futuro, e no que a funcionários se refere, sejam lembrados nomes como Fernando Vasconcelos, Fernanda Oliveira ou Albertina Menezes.
Mas importa neste momento é salientar, e louvar, a iniciativa.
E esperar que no futuro se repita, aperfeiçoe e torne num momento marcante da vida do clube.
Depois Falamos

Caixa de Correio


Castelo de Schwerin,Alemanha


quarta-feira, dezembro 17, 2014

Atletismo e Futebol


O futebol é, de longe, a minha modalidade desportiva favorita.
Mas também gosto de outras.
Andebol (de que fui praticante no DFH) , basquetebol, ténis e naturalmente o atletismo que nas suas diversas competições é a mais completa de todas elas.
No atletismo gosto particularmente das provas de velocidade e do salto à vara que considero uma modalidade extremamente difícil dada a necessidade de conjugar velocidade, força, técnica e coragem para conseguir saltos perfeitos.
Uma das razões pelas quais gosto de atletismo, especialmente  a nível de Jogos Olímpicos e campeonatos mundiais onde se junta a fina flor dos praticantes, é por se tratar de um desporto extremamente simples em que é facílimo saber quem são os melhores.
O mais rápido, o mais forte, o que salta mais alto são sempre os melhores.
Ou não estivesse isso traduzido no lema olímpico "altius,fortius,sitius" desde os Jogos de 1924 em Paris numa feliz definição aproveitada pelo Barão Pierre de Coubertin.
No futebol já não é bem assim,
E por isso as saudáveis (embora ás vezes nem tanto...) polémicas ao longo dos anos sobre quem é o melhor jogador dos campeonatos nacionais, da Europa e do mundo.
O melhor é o que marca mais golos ou o que os evita?
O melhor é o que corre mais ou o que faz a bola correr?
O melhor é o que executa jogadas brilhantes ou aquele que as pensa e cria ensejos para que elas apareçam?
O melhor é o que empurra a bola para golo ou o que lha põe à frente "limpinha" para empurrar?
O melhor é o que dribla três adversários ou o que não precisa de o fazer para ganhar espaços?
O melhor é o que "come " relva ou o que põe a inteligência ao serviço do jogo colectivo?
E por aí fora.
Há jogadores para todos os gostos.
E por isso se discutirá sempre quem é o melhor.
Seja numa Liga nacional, seja nas competições internacionais de clubes e selecções.
Porque gostos não se discutem, como é sabido, mas essencialmente porque em cada adepto há um treinador de futebol e é também isso que dá à modalidade o interesse e a paixão que lhe permitem ser a mais popular de todo o planeta.
Depois Falamos.

Lendas da B.D. - Batmoça