quinta-feira, Novembro 27, 2014

Um PS em Cacos?

Pela segunda vez na história da democracia portuguesa o PS é atingido por um escândalo de repercussões ainda impossíveis de prever na sua totalidade.
Depois do ainda hoje muito mal esclarecido caso "Casa Pia" surge agora o "Caso Sócrates".
E se no primeiro foram envolvidos nomes de dirigentes socialistas (sem que nada se tenha provado)neste é um ex líder do partido que por força de uma decisão judicial é encarcerado num presídio em regime de prisão preventiva.
Nada de pior podia ter acontecido ao recentemente eleito secretário-geral António Costa (um pouco a exemplo do acontecido em 2004 ao então recém líder Ferro Rodrigues) do que ver os seus primeiros dias de liderança atingidos por um "tsunami" desta dimensão.
Com a experiência de 2004 (era então líder parlamentar e presenciou a detenção de Paulo Pedroso) e do desvario socialista subsequente, Costa procurou via SMS travar os danos e colocar o PS o mais longe possível do epicentro da questão.
Definiu uma linha de rumo (separar politica de Justiça e a primeira não comentar a segunda) e convidou implicitamente os socialistas a não se pronunciarem sobre um assunto tão explosivo quanto este.
O problema de Costa, como de quase todos os lideres do PS excepto...Sócrates, é que a autoridade interna não é uma marca afirmativa da liderança e por isso não admira que um número crescente de socialistas se marimbe para as instruções do líder e desatem a comentar o que Costa nunca quereria ver comentado.
É certo que com alguma contenção (excepto Mário Soares mas esse é um caso aparte por várias razões)mas comentando.
Ferro Rodrigues, Vieira da Silva, António Vitorino, Silva Pereira, Santos Silva, Vera Jardim entre os mais destacados não resistiram à tentação e lá vieram publicamente manifestar a convicção na inocência de Sócrates o que é, por mais que o neguem, uma critica implícita à investigação e à autonomia do poder judicial.
Isto para já nem falar em "figuras menores" como João Soares (tem a quem sair), Edite Estrela ou o inenarrável deputado Fernando Serrasqueiro que teve a ousadia de comparar Sócrates a Mandela!
Tudo isto faz "ruído", enfraquece a liderança de Costa e chama a atenção para o PS quando o líder socialista sabe bem que a ultima coisa que interessa ao PS é ver atenções concentradas nele por este assunto.
E o pior ainda pode estar para vir.
Porque este fim de semana o PS tem congresso.
E Costa sabe bem que corre o risco de o congresso que devia ser o da consagração da sua liderança se poder facilmente tornar num congresso de solidariedade com Sócrates.
Não tanto por força das intervenções das principais figuras (partindo-se do principio de que esses terão "juízo) mas porque num congresso do PS,como do PSD ou CDS, é impossível impedir que militantes de base com o coração ao pé da boca subam à tribuna para fazerem discursos exaltados de apoio a Sócrates e de critica feroz (seguindo o péssimo exemplo do fundador do partido) ao poder judicial.
E esse é um cenário de terror para Costa.
Ver um congresso em pé a aplaudir o recluso nº 44 da cadeia de Évora e a vaiar o poder judicial, os magistrados e a separação de poderes essencial à estruturação de um estado de Direito.
É uma ameaça, real, de curto prazo.
A que se junta outra , bem pior, porque vai estender-se no tempo.
E que é o estabelecimento prisional de Évora transformar-se num local de romagem, para gáudio dos jornalistas que por lá vão "acampar", de amigos de Sócrates, de saudosos do "socratismo" e de todos aqueles personagens em busca de mediatismo e que sabem que lá terão os seus cinco minutos de fama garantidos.
E isso não interessa a Costa por duas razões.
Uma porque centra as atenções no "velho" PS quando ele quer afirmar o"novo" PS (já vi esta separação de entidades em qualquer lado...)longe de escândalos e da má memória de uma herança que ironicamente o levou ao poder interno mas que é agora puro "lixo tóxico".
E a outra, a mais importante e decisiva de todas, porque Costa sabe que em Évora não está preso apenas José Sócrates o outrora "menino de oiro" do PS.
Em Évora também está em prisão preventiva a forma como o PS , e não apenas Sócrates, governou Portugal entre 2005 e 2011.
E essa é a bomba de relógio que Costa teme que lhe estoire nas mãos na pior altura.
Porque ele sabe que deste processo, inevitavelmente, surgirão danos colaterais para o partido e para alguns dos seus dirigentes ou ex dirigentes.
E por isso receia que depois da subida ao "Coliseu", este fim de semana no congresso na FIL, a porta do estabelecimento prisional de Évora seja a "Rocha Tarpeia" da sua liderança.
E a distância entre Coliseu e Rocha Tarpeia, como se sabe, nunca foi muito grande...
Depois Falamos

quarta-feira, Novembro 26, 2014

A Jornada da Champions

A penúltima jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, e no que toca ás equipas portuguesas, limitou-se a confirmar uma tendência que se vinha afirmando desde algum tempo a esta parte.
O Porto realizou uma fase de grupos brilhante e já está apurado como vencedor do respectivo grupo o que, em teoria, lhe permitirá escapar nos oitavos de final aos clubes mais difíceis que são os que como ele vencerem os respectivos grupos.
Em teoria porque nos oitavos de final da liga dos campeões há tudo menos adversários fáceis.
Ontem , jogando em casa do Bate Borisov, o Porto fez uma exibição tranquila e venceu com toda a naturalidade.
Obrigação cumprida.
O Sporting tem lutado bravamente pelo apuramento é o mínimo que se pode dizer.
Que até já podia estar garantido se não fosse a ingenuidade com que deixou o Maribor empatar em tempo de descontos no jogo disputado na Eslovénia e depois aquele "roubo de igreja" de Gelsenkirchen que o privou de um precioso ponto.
Mas continua a só depender dele próprio e do que conseguir fazer em Londres perante um Chelsea já apurado.
Ou até pode nem precisar desse resultado se o Maribor,em casa, não perder com o Schalke 04.
O Benfica também ele confirmou o que se esperava.
Derrotado por um Zénit que não lhe foi superior despede-se da Champions com o sabor amargo de ter feito uma fase de grupos abaixo das suas possibilidades e ver apurarem-se equipas ao seu alcance.
Terá pago, uma vez mais,o provincianismo do seu treinador para quem é mais importante tentar ser o "rei da paróquia" do que afirmar o clube no espaço europeu que é o que mais interessa a um clube com a dimensão e o palmarés do Benfica.
E se esta época o SLB não tem equipa que lhe permitisse sonhar com altos voos na prova milionária já nos anos anteriores, com equipas de bem maior valia, podia ter feito outro percurso se tivesse um treinador com outras ambições.
Problema dele.
Do Benfica.
Para a ultima jornada as expectativas são bem diferentes.
O Porto vai cumprir calendário e tentar acabar a fase de grupos com mais um triunfo(e os correspondentes milhões) , o Sporting lutar por um apuramento que bem merece e o Benfica  tal como o Porto também cumprirá calendário.
Mas num contexto bem diferente dos "dragões".
Porque fruto da derrota de hoje e do triunfo do Mónaco face ao Bayer Leverkusen o SLB está afastado quer da Champions quer da Liga Europa.
Sortes bem diferentes para os três clubes.
Depois Falamos

Portofino,Itália


Boi Almiscarado


terça-feira, Novembro 25, 2014

Talento Imenso

Ver jogar Hernâni é hoje um privilégio para quem gosta de futebol independentemente da respectiva cor clubistica.
Porque os grandes jogadores, os senhores de um talento imenso, não são apenas jogadores de um clube mas património de todos aqueles que gostam e seguem a mais fabulosa modalidade desportiva existente no nosso planeta.
Não é preciso ser do Real Madrid para apreciar Ronaldo, do Barcelona para apreciar Messi, do PSG para apreciar Ibrahimovic, do Manchester United para apreciar Falcao ou do Manchester City para apreciar Kun Aguero para citar apenas alguns exemplos do topo do mundo.
Pelo contrário é preciso não gostar nada de futebol para não se gostar de ver esses jogadores espalharem talento, magia e arte pelos relvados.
Em termos nacionais o ser vitoriano não me impede de apreciar o talento de Gaitan, de Jackson Martinez, de Nani, de Miguel Rosa, de Rafa (este, por acaso, no domingo não apreciei nada...) e de outros jogadores que dão qualidade e dimensão ao futebol.
É o caso de Hernâni.
Que é não só um dos melhores jogadores deste campeonato como um dos melhores futebolistas portugueses da actualidade com um futuro absolutamente brilhante se a sua evolução continuar e confirmar tudo que tem mostrado até aqui.
É um jogador que entusiasma.
Pela velocidade, pelo drible, pela espontaneidade, pela fantasia, pela capacidade de remate, pelas assistências que faz, pela coragem com que sendo castigado com sucessivas faltas se põe a pé e na jogada seguinte vai outra vez "para cima" do adversário faltoso.
Num país que formou grandes extremos (José Augusto, Simões, Dinis, Marinho, Néné, Seninho, Chalana, Costa, Futre, Figo, Quaresma, Nani entre outros) , daqueles que levantam as bancadas com o brilho das suas arrancadas,dribes,cruzamentos e golos o vitoriano Hernâni está no caminho de se juntar a essa galeria de ilustríssimos executantes.
Tem tudo para isso.
Por isso o gosto que temos de o ver com a nossa camisola e a pena que teremos quando um dia ele partir para outros voos no futebol internacional e de preferência num grande clube europeu.
Espero apenas que quando esse dia chegar a tristeza de o ver partir seja devidamente recompensada por um encaixe financeiro compatível com o seu talento e com o prejuízo desportivo de deixar de jogar por nós.
Porque de Paulinho Cascavel a Paulo Oliveira são já demasiados os exemplos de tristezas mal compensadas!
Depois Falamos

Lendas da B.D. - Demolidor


Luar


segunda-feira, Novembro 24, 2014

O Nosso 14

Fizeram tudo para ganhar.
Com garra, coração, talento e esforço.
Jogando, em boa parte do jogo, bom futebol e reduzindo o adversário à vulgaridade.
Mas há dias assim...
Individualmente:
Assis: Sofreu dois golos sem culpa e ainda terá evitado mais três.Uma excelente exibição de um guarda redes com com jogos em continuidade tem mostrado o seu valor.
Bruno Gaspar: Um jogo de grande intensidade em que procurou apoiar o ataque. A defender ...algumas dificuldades.
Josué: Fez um bom jogo sem grandes problemas para resolver. A substituição ter-se-à devido ao "amarelo" mas não sei se foi boa opção. O seu bom jogo de cabeça podia ter ajudado nos últimos minutos.
João Afonso: Tal como Josué não teve grandes ( mas com Éder quem tem ?) problemas embora aqui ou ali tenha denotado alguma precipitação . A atacar bem procurou o golo mas não era dia.
Traoré: Não fez um grande jogo muito por força das cautelas defensivas a que Pardo o obrigou. E não podendo atacar como gosta o seu jogo perde dimensão. Saiu numa substituição natural.
Bouba: Um dos melhores vitorianos uma vez mais. Bem a defender, bem a sair para o ataque com processos simples, é um jogador essencial nesta equipa. O seu recuo para central,depois da saída de Josué, abriu uma clareira na nossa intermediaria que bem cara nos podia ter saído se o Braga tivesse aproveitado melhor esse espaço. Felizmente, e com muito mérito de Assis, isso não aconteceu.
André: Empenho e vontade inegáveis. Mas o jogo não lhe "saiu" particularmente bem. Por vezes parecia algo perdido em terrenos que não lhe são habituais. No penalti uma execução perfeita.
Bernard: Vai a caminho de ser um grande jogador. Mas que, até pela juventude, tem de ser defendido. E isso passa por retirá-lo do jogo quando,como ontem a partir dos 60/65 minutos, se encontra cansado. E o cansaço fê-lo perder discernimento, começou a refugiar-se em jogadas individuais em que parecia querer fazer tudo sozinho, e as consequentes perdas de bola deram origem a perigosos ataques adversários. Enquanto esteve bem..."tivemo-lo" em muito bom plano.
Hernâni: De longe a "estrela" maior do jogo de ontem. Grandes jogadas, grandes dribles,passes de encantar um gama de recursos que torna o seu futebol espectacular. Muito "castigado" com faltas (perante a tolerância do apitador) nunca se atemorizou e fez 90 minutos de alto nível.
Tomané: Continua a sacrificar-se como ponta de lança fixo quando as suas caracteristicas apontam para jogar mais solto caindo dos flancos no meio a secundar um avançado mais em ponta. Luta bravamente, não regateia esforços, sai esgotado mas não se tira todo o partido das suas qualidades.
Alex: Fez um bom jogo. Quer nas jogadas de ataque quer quando recuou para lateral após a saída de Traoré. Nos lances de bola parada dividiu com Bernard um série de cruzamentos perigosos. Se noutros jogos ser o primeiro a sair se tem justificado ontem ,se calhar, nem devia ter saído.
Álvez: Está com falta de jogo como se notou em alguns pormenores. Lutou muito mas teve muito poucas oportunidades de visar a baliza. Acho que a equipa ganharia mais com ele a ponta de lança e Tomané mais solto.
Crivellaro: Mereceu uma oportunidade mas longe das zonas onde podia ser mais eficaz. Jogador eximio no ultimo passe e no remate forte e colocado jogou muito longe da área adversária e dos pontas de lança. Acabou quase a lateral esquerdo depois da saída de Alex.
Ricardo Gomes: Ultima tentativa de chegar ao empate percebeu-se a intenção da sua entrada. Alto,forte,com bom jogo de cabeça podia dar maior poder de "fogo" na área bracarense. Teve um remate perigoso mas ligeiramente ao lado.
Miguel Oliveira, Plange, Cafu e Gui não foram utilizados.
Depois Falamos.

P.S. Não posso deixar de dizer que tive saudades de...Barrientos.
Mas isso são outros contos...

Carcaju


Imagens do Vitória-Braga

  
                                                                                                                 

                    
                                   

Castelo de Kisimul, Escócia


Cataratas do Niágara


domingo, Novembro 23, 2014

Inglório

Há derrota que provocam mais azia do que outras.
Já se sabe que perder com o Braga é uma das piores derrotas para um verdadeiro vitoriano.
E quando se perde como hoje então a azia é ainda maior.
Em traços gerais há que dizer que num jogo de sentido quase único, e de completo domínio vitoriano, os bracarenses souberam aproveitar bem duas oportunidades e construíram uma vantagem que se revelou intransponível para a equipa vitoriana.
O Vitória até entrou bem no jogo empurrando o adversário para um jogo defensivo, continuamente faltoso e de queima de tempo do mais primitivo que se tem visto nos últimos tempos, mas que não impediu que em esporádicos contra ataques criasse dois lances de grande perigo junto da baliza vitoriana.
Por seu turno o Vitória, especialmente através de uma soberba exibição de Hernâni, criou vários lances de golo junto da baliza visitante mas a verdade é que por isto ou por aquilo a bola não entrou e as oportunidades goraram-se.
E como quem não marca...sofre foi precisamente isso que aconteceu.
Num lance em que os jogadores vitorianos fizeram demasiada cerimónia em tirar a bola da sua área um ressalto isolou Rafa que fez golo sem qualquer hipótese para Assis.
Logo a seguir, e aproveitando alguma ânsia do Vitória (e também alguma ingenuidade derivada da falta de experiência), num lance de contra ataque em que tudo lhes correu bem (a começar pela "cegueira do árbitro)o Braga conseguiu chegar ao segundo golo e foi para intervalo com uma vantagem em nada merecida.
Na segunda parte mais do mesmo.
Faltas atrás de faltas, queimas de tempo atrás de queimas de tempo, o Braga lá foi gerindo o tempo e esperando que o discernimento da equipa adversária fosse diminuindo com o aproximar do fim do jogo.
Pelo meio, e aproveitando o balanceamento ofensivo vitoriano, lá foram ensaiando uns contra ataques com algum perigo a que a defensiva vitoriana e Assis conseguiram por cobro em dois dos casos com imenso mérito do guardião vitoriano.
O Vitória ainda marcou, de grande penalidade (à terceira o árbitro lá marcou...), e até ao fim continuou a pressionar intensamente o adversário com a bola a rondar a baliza bracarense com perigo em meia dúzia de ocasiões mas sem a felicidade que tivemos em Arouca mas nos faltou hoje.
E como os golos é que contam o Braga lá se apurou com uma exibição pouco mais que miserável mas a que a sorte, a eficácia ofensiva em dois momentos e a complacência do árbitro deram o acréscimo necessário a vencer .
Sendo certo que a jogar assim não irá muito mais longe.
O Vitória sai da Taça de cabeça erguida e credor de aplauso, que não lhe foi regateado pelos seus adeptos, pela exibição que fez e por tudo ter tentado para sair vencedor.
Mas hoje a sorte do jogo não estava com a equipa.
Sobre o árbitro não me vou pronunciar longamente porque há hoje pessoas na nossa SAD que são remuneradas para defenderem os interesses do Vitória.
Se estiverem tão incomodadas como eu e a generalidade dos vitorianos que o façam.
Se não estiverem, tudo bem, também já estamos habituados aos silêncios nestes assuntos.
Mas ainda direi o seguinte sem querer falar das três faltas não assinaladas no segundo golo do Braga ou dos dois penaltis que ficaram por marcar contra os visitantes.
Na segunda parte foram feitas seis substituições, a equipa médica bracarense entrou em campo três ou quatro vezes, foram mostrados a jogadores de ambas as equipas um total de oito cartões e foi apontado um golo.
Um árbitro que com tantas interrupções dá quatro minutos de compensação anda a mais no futebol.
Depois Falamos.

sábado, Novembro 22, 2014

PS "Tóxico" ?

Ponto prévio: Ser detido não é ser preso, ser investigado não é ser julgado, ser acusado não é ser condenado.
E por isso José Sócrates tem direito, como qualquer cidadão, à presunção da inocência até prova definitiva de culpa.
A Justiça fará o seu trabalho e o que se espera é que consiga apurar toda a Verdade.
Agora é inegável que a sua detenção no âmbito de investigações complexas e que o levam a ser suspeito de crimes graves (corrupção, fraude fiscal agravada, branqueamento de capitais e falsificação de documentos) pressupõe a existência de indícios fortíssimos porque só isso levaria um juiz a autorizar a detenção de um ex primeiro ministro e ex líder do PS ao invés de o constituir arguido e convocar para depor.
E se na liderança de António José Seguro o PS poderia passar relativamente ao lado deste caso dado o distanciamento do também ex líder em relação á acção governativa de Sócrates já com António Costa o caso muda, e muito, de figura.
Porque Costa foi durante anos o número dois de Sócrates no partido, integrou o seu primeiro governo e sempre alardeou uma profunda solidariedade politica e pessoal com o agora detido.
Aliás o "golpe de estado" que patrocinou no PS para depor Seguro teve como agentes activos alguns ex governantes de Sócrates (Pedro Silva Pereira, Vieira da Silva, Marcos Perestrelo, Santos Silva, etc) a par de outros apoiantes "ilustres" como Mário Soares, Manuel Alegre e Ferro Rodrigues num autêntico exército de ressabiados contra o PSD e o CDS mas também contra Seguro e a sua equipa dirigente.
Que nunca esconderam a saudade dos tempos de Sócrates, os elogios ao seu governo e à sua pessoa e o desejo de um regresso rápido a esses tempos via António Costa.
Todos recordamos o patético (e agora comprovadamente pateta) discurso de Ferro Rodrigues no Parlamento,semanas atrás, numa tentativa de reabilitação pura e dura do ex primeiro ministro.
Muito aplaudido por quase toda a bancada socialista convém lembrar.
E por isso no dia em que vai ser formalmente eleito líder do PS o alcaide lisboeta tem o mais sério problema da sua vida politica para resolver.
E as hipóteses são apenas duas:
Ou tem uma atitude humilde, reconhece os erros, admite que o tempo de Sócrates foi um "buraco negro" na governação e na transparência do governo e deixa-se de arrogâncias e de um ar de "salvador" da Pátria que não convence ninguém fora do circulo de fieis esperando que os portugueses façam o seu juízo relativo a esses tempos.
Ou então procura, num estilo que é mais o dele há que reconhecer, misturar o que não é misturável, evocar sinistras "conspirações",demarcar-se do que apoiou, renegar o que seguiu, desdizer o que disse e fazer tudo isso sem parecer um "troca tintas" e procurando convencer as pessoas de que aquilo que agora diz é que é verdade e o que andou anos a dizer não era bem assim.
Porque Costa sabe bem que a partir de ontem tudo que diz respeito a Sócrates é altamente "tóxico".
E se essa toxicidade se estender ao PS, ainda que por mero contágio e sem factos adicionais que envolvam outros governantes desse tempo, então vencer 2015  será ainda mais difícil do que acreditar
que Sócrates está inocente de tudo que o acusam.
Depois Falamos

Alcatraz, S. Francisco, USA