Quinta-feira, Novembro 12, 2009
Na Mouche

Manuela Ferreira Leite proferiu ontem, no Parlamento, uma intervenção durissima para com as altas instâncias da Justiça (leia-se Procurador Geral da República e Presidente do Supremo Tribunal de Justiça) e para com o primeiro ministro.
Fê-lo no lugar certo, na forma adequada e com um conteúdo exacto.
E cheia de razão o que também ajuda.
Porque o que se passa entre PGR e STJ é inaceitável num estado de direito.
A irresponsabilidade, o jogo do empurra, a recusa em assumir decisões.
Mas pior do que isso, e aí MFL esteve particularmente bem, é este permanente estado de suspeita em relação a José Sócrates.
A quem constantemente estouram castanhas debaixo dos pés.
A licenciatura, a casa, a casa da mãe,os projectos que assinou sem ter feito,o aterro sanitário,a sociedade de que não se lembrou ter sido sócio, o Freeport,agora a "Face Oculta".
Entre casos menores.
É demais.
E a líder do principal partido de oposição,que tem feito questão em não misturar politica com justiça,neste caso não podia ficar calada.
Porque este acumular de casos mal explicados põe em causa a Justiça sem sombra de dúvida.
Mas pior do que isso abala,seriamente,os alicerces do regime democrático.
Porque nenhum país democrático aguenta ser governado por um primeiro ministro sobre o qual não param de cair suspeições,casos mal explicados,suspeitas várias.
E nenhum politico responsável pode ficar calado perante isso.
Aliás para quem vir a cara de vários deputados socialistas durante a intervenção da líder do PSD (http://www.psd.pt/) perceberá o profundo incómodo que o assunto lhes causa.
Daí o aplauso,neste espaço onde noutras vezes tem sido criticada, a Manuela Ferreira Leite.
Porque fez,no tempo certo,aquilo que se espera do líder de uma oposição responsável.
Depois Falamos
Quarta-feira, Novembro 11, 2009
Ditadura Televisiva
Imagem: http://vgsempre.blogspot.comPubliquei hoje este artigo no site da Associação Vitória Sempre
Basta ler com alguma atenção os muitos blogues dedicados ao Vitória para perceber um incómodo em crescendo face aos horários e dias em que o clube é obrigado a jogar devido ás transmissões televisivas.
Bastará atentar no facto de termos jogado com o Sporting numa terça feira (!!!) e irmos jogar com o Porto numa sexta para todos constarmos que algo não bate certo.
Já para não falarmos de todas aqueles jogos (Coimbra, Olhão, Restelo,etc) em que jogamos ou vamos jogar em dias de semana.
Sobre o assunto, porque nada tem de inocente, tenho tido a preocupação de ir falando com diversas pessoas ligadas ao fenómeno futebolístico para tentar perceber a razão porque as coisas são assim.
Evocando, até , o que se passa noutros campeonatos bem melhores do que o nosso (Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha) onde não se assiste a nada disto pese embora alguns terem jogos distribuídos por três dias.
E o que me dizem é assustador.
Para além do facto evidente de os orçamentos dos clubes portugueses estarem largamente dependentes dos contratos televisivos existem alguns que já receberam antecipadamente os próximos dez anos (!!!) de receitas televisivas.
Ou seja estão completamente na mãos da sporttv!
Que face a isso decide a seu bel prazer jogos, horários, transmissões e ás tantas até os ridículos condicionalismos a que foi sujeito o sorteio do calendário da presente edição da Liga Sagres.
A verdade é que, em minha opinião, o actual estado de coisas não pode manter-se por muito mais tempo sob pena de o já desacreditado futebol português mergulhar num poço sem fundo em termos de credibilidade e verdade desportiva.
Porquê ?
Por três razões muito simples.
Em primeiro lugar porque não se defende o futebol com a dispersão por dias e horas das jornadas do campeonato que por vezes começam na sexta feira á noite e acabam na terça da semana seguinte.
O futebol vive,também, dos espectadores criarem hábitos e rotinas de frequentarem estádios.
E essas rotinas só fazem sentido em dias de lazer em que existe mais disponibilidade para as pessoas se deslocarem no acompanhamento da sua equipa.
Um exemplo claro foi o Académica – Vitória.
Que jogado num sábado ou domingo á tarde teria, como sempre teve ao longo de dezenas de anos, milhares de vimaranenses a deslocarem-se a Coimbra para apoiarem a sua equipa numa das deslocações com mais tradição ao longo dos tempos.
Jogado numa segunda feira á noite, estive lá e vi, tinha três centenas de corajosos adeptos vitorianos nas bancadas.
E o absurdo maior, embora propositado, é que no sábado anterior tinham transmitido ás 18 h um jogo da Liga Vitalis com as bancadas despidas de público como é tradicional nessa competição.
O jogo de Coimbra, se a sporttv se preocupasse minimamente com o futebol e não apenas com os lucros, jogado no sábado á tarde teria uma moldura humana bem mais condigna e que prestigiaria a própria transmissão.
Em segundo lugar porque o actual status quo (monopólio do futebol na sporttv) visa apenas defender os chorudos lucros televisivos dessa operadora. A quem não interessa público nas bancadas mas sim sentadinho no sofá a pagar o aluguer da aparelhagem e a “consumir” os anúncios televisivos que a sporttv vai profusamente passando.
Nessa lógica claro que um clube como o Vitória, com adeptos fidelíssimos, é um alvo apetecível para a calendarização de jogos que os empurrem para o sofá e os desviem das bancadas.
Repito os exemplos por evidentes: Coimbra, Olhão e Restelo.
Em terceiro lugar, e este o mais grave, acredito que a calendarização das transmissões televisivas é feita de molde a defender os interesses de uns em prejuízo do de outros.
Mais claramente para defender os interesses do Porto, Benfica e Sporting em detrimento dos restantes concorrentes.
Exemplos ?
Jogar no d.Afonso Henriques é reconhecidamente difícil para qualquer equipa (ás vezes até para o Vitória…) face ao ambiente das bancadas de grande apoio á equipa.
Daí que quanto mais vitorianos lá estiverem mais difícil para os adversários.
Claro que jogar á terça (Sporting) ou á sexta (Porto)torna as coisas menos difíceis porque evidentemente não é possível estar tanta gente adepta do Vitória.
Dir-me –ão que o jogo com o líder Braga foi a um sábado á noite.
Precisamente !
Porque aí interessava aos “programadores” (não apenas de transmissões) que o Vitória tivesse o máximo de apoio.
E isto é completamente inaceitável.
Ter um operador televisivo que quer influenciar pelos meios mais ínvios a verdade desportiva das provas.
Que se vem juntar aliás ao escândalo do jogo transmitido semanalmente na RTP ser obrigatoriamente de um desses três clubes beneficiados pelos vários “Sistemas” que existem no futebol português.
Com claro favorecimento dos seus patrocinadores e claro prejuízo dos patrocinadores dos outros.
Daí que seja necessário fazer alguma coisa para alterar esta pouca vergonha sob pena de o vazio dos estádios se acentuar drasticamente nos tempos mais próximos.
O ideal, mas não acredito possível, seria a Liga tomar em mãos os direitos televisivos e negociá-los com as operadoras face á melhor proposta mas reservando-se o direito de ser ela , Liga, a definir horários de transmissão e jogos a serem transmitidos
De molde a garantir racionalidade desportiva no processo.
Racionalidade e verdade.
Como me parece que tal não será possível, porque a uns convém assim , outros não tem força para imporem a mudança e alguns nem coragem quanto mais vontade o caminho terá de ser outro.
E, pese embora os pruridos da Uefa/Fifa quanto á matéria, terá de ser o governo (este ou outro a seguir) a intervir de molde a dar alguma seriedade ao futebol mais desacreditado dos principais campeonatos europeus.
A exemplo, aliás, do que fez há não muito tempo o governo italiano em relação ao seu futebol.
Para grandes males…grandes remédios !
Terça-feira, Novembro 10, 2009
Segunda-feira, Novembro 09, 2009
O cordeiro e o lobo
Curiosa estratégia a do Governo/PS no recente debate do programa de governo apresentado na Assembleia da República.Depois de quatro anos de maioria absoluta,durante os quais governou como quis e lhe apeteceu,o PS viu o eleitorado castigá-lo com a retirada dessa maioria e a imposição de governar negociando apoios.
Numa primeira fase,para disfarçar,os socialistas propuseram acordos á esquerda e á direita pretendendo fazer passar uma imagem de grande abertura ao diálogo e de radical mudança de atitude.
Claro que ninguém os levou a sério e daí o terem ficado a falar sozinhos.
Sim,porque os pressupostos de um acordo com o PSD são bem diferentes das bases de entendimento com PCP e BE.
Já o CDS é outra história...
Ultrapassado a fase "cordeiro" o PS e o eng Sócrates voltaram á pele de "lobo" aquela que, de facto, é mais consentânea com a sua forma de ser e de estar.
Vai daí passaram a ameaçar a oposição.
Responabilizando-a pela instabilidade,pela ingovernabilidade,por todos os males possíveis e imaginários que possam acontecer ao país.
Só faltou ameaçarem a oposição pela crise do Sporting ,mas como Sócrates é benfiquista não se deve ter lembrado...
Até a rábula guterrista da espada e da parede desenterraram como forma de dizerem á oposição que não tem medo a moções de censura.
Claro que Sócrates sabe que PCP e BE não tem qualquer interesse na queda do governo, o CDS terá ou não,pelo que a mensagem vai direitinha para o PSD.
Que Sócrates e o seu núcleo duro sabem bem que é a chave de qualquer mudança.
E assim sendo tentam condicionar os sociais democratas pela via das ameaças.
Creio que escolhem mal o alvo.
Porque se há coisa de que o PSD nunca teve medo foi de assumir as suas responsabilidades.
Pela via parlamentar e pela via eleitoral.
Claro que este discurso,perante este PSD em coma induzido,ainda pode ter algum efeito.
Mais que não seja por jogadas de estratégia interna.
Mas mal esteja resolvido o problema da liderança,e bem resolvido espera-se,depressa o eng Sócrates vai ter de voltar ao papel de cordeiro.
Sempre é menos doloroso do que esborrachar-se numa parede !
Depois Falamos
Sábado, Novembro 07, 2009
Aula Magna
Cartoon: http://miguelsalazar.blogs.sapo.ptNa passada segunda feira foi,de facto,assim.
André Vilas Boas deu uma verdadeira aula táctica a Paulo Sérgio.
Como,em bom rigor,já na jornada anterior tinha feito a Jesualdo Ferreira.
Hoje,no D.Afonso Henriques, o Vitória recebe um Braga a 18 pontos de distância e liderando o campeonato.
Não me lembro de circunstância igual.
Daí que o Vitória tenha uma excelente ocasião de transformar uma dificuldade numa oportunidade.
E iniciar a recuperação que os vitorianos anseiam.
Depois Falamos
Sexta-feira, Novembro 06, 2009
Porto Laranja
O Porto Laranja é um grupo de reflexão política nascido de uma primeira candidatura,vencida nas urnas,á concelhia do Porto.Ao invés de desistirem, ou de desatarem frenéticamente a filiar militantes,os seus principais responsáveis liderados pelo Luís Artur (um amigo de há mais de vinte anos) resolveram enveredar por outro caminho.
Que tem a vantagem de ser o que melhor serve o partido.
E esses caminho tem passado por promover jantares/debates para discussão de ideias.
Como se fazia,dantes,no PPD.
Por lá tem passado oradores de alto nível e os mais variados temas.
Luís Filipe Menezes, Pedro Passos Coelho,Carlos Magno,Fernando Almeida, Pedro Arroja,João Dias da Silva são exemplos de oradores em sessões memoráveis.
Regionalização,Desemprego, A democracia portuguesa e o PSD,Crise Financeira,Educação,Social Democracia foram alguns dos principais assuntos debatidos.
Embora não sendo militante no Porto tenho procurado,aliás correspondendo aos convites amigos do Luís Artur,estar presente sempre que tal me é possível.
Pela amizade referida mas também pelo gosto em estar num raro espaço de debate de ideias dentro do PSD.
Ontem mais uma memorável sessão.
Tendo por tema a reforma do sistema político.
Por força do brilho intelectual e da clareza de pensamento e exposição de ideias de Paulo Teixeira Pinto.
Com um conjunto de pensamentos a reter:
Recusa do Bloco Central.
Limitação de mandatos para todos os titulares de cargos políticos.
Círculos uninominais para escolha de deputados e circulo eleitoral único para escolha de governos.
Paradoxos do sistema semi presidencial.
Necessidade de aproveitar a revisão constitucional para melhorar a eficiência do sistema politico.
Afirmação da diversidade como a essência da democracia.
Recusa de falsos consensos apenas desejados por quem quer ganhar por falta de comparência das alternativas.
Desejo de que a unidade interna seja construída a partir de uma liderança forte.
Convicção de que liderar exige motivação e projecto mas dispensa sacrifício ou favôr.
Apoio claro,sem reservas,á candidatura de Pedro Passo Coelho á liderança
Mantendo a posição de há um ano sem receio de a reiterar publicamente.
Uma inesquecivel lição de verdadeiro pensamento político.
E uma frase lapidar,utilizada no contexto da História de Portugal mas com óbvias nuances com o PSD, a fechar estas citações:
"...Nos momentos decisivos da História de Portugal (com D.Afonso Henriques,com D.João I,com D.João IV entre outros) o povo esteve sempre do lado certo e as elites sempre do lado errado..."
Enquanto o povo estava com o seu Rei e o seu país as elites preferiam Espanha .
Nada mais verdadeiro!
Foi um prazer ouvir Paulo Teixeira Pinto.
A prova provada de que no PSD,para além dos chavões e "sound bytes" com que fomos inundados no último ano , continua a existir gente que pensa muito bem a política e Portugal.
E,sacrilégio dos sacrilégios,não faz parte do grupinho que se auto intitula das elites do partido.
Depois Falamos
Sinais...
O debate do programa de governo não trouxe grandes novidades ao país.
Quer quanto ao programa,decalcado das propostas eleitorais do PS,quer quanto á intervenção política de governo/PS e oposições.
De uma forma ou de outras,com maior ou menor cinismo,todos vão preparando terreno para a possivel quede do executivo num prazo não muito longo.
O PS sabe que perdeu a maioria absoluta,sabe até porque a perdeu,mas assobia para o ar e vai atirando o ónus da eventual instabilidade para cima dos outros partidos.
B.E e PCP, lá se vão olhando de esguelha,tratandodos seus nichos de mercado e esperando a hora em que possam fazer valer o seu peso.
Pela positiva ou pela negativa logo se verá.
O CDS, feliz da vida pelo seu esplêndido resultado,também aguarda a sua hora.
Espreitando,divertido,para a banca do lado.
Aquela á custa da qual espera poder continuar a crescer.
Para Paulo Portas o tempo corre a favôr.
Se corre...
O PSD perdeu as eleições mas faz de conta que o importante é a maioria absoluta inexistente e só faltou cantar vitória.
Um caso irremediável de corte com a realidade.
Aliás expressa na votação "romena" com que elegeu para lider parlamentar o ultimo deputado a quem devia ter confiado o cargo.
Porque logo a seguir á lider,actualmente virtual,é o rosto das estratégias erradas,das escolhas disparatadas e de uma derrota inimaginável.
O que o PSD fez,ao escolhê-lo,foi dar um péssimo sinal ao país.
O de que se está "marimbando" para o que o que os portugueses lhe disseram a 27 de Setembro.
E que contra todas as evidências persiste nos rostos e estratégias que os portugueses já repudiaram.
E isso tem um preço.
Chamado credibilidade !
Depois Falamos
Quinta-feira, Novembro 05, 2009
Um Excelente"Conselheiro"

Tinha lá ido pela ultima vez há uma dezena de anos.
Guiado pelo sábio conselho de José Quitério,mestre dos mestres em matéria de critica gastronómica, lido no Expresso.
Confesso,tão bem comi,que não percebo porque demorei tanto tempo a lá voltar !
Talvez porque Paredes de Coura fica um pouco afastada dos principais itinerários e a pressa com que hoje se anda de um lado para outro nos faz perder o bom hábito dos pequenos,mas compensadores,desvios.
Ontem voltei ao restaurante "Conselheiro".
Como sempre superiormente dirigido por Vilaça Pinto fundador e alma do espaço.
E valeu bem a pena.
Porque das pataniscas aos rojões de sorça,passando pelo leite creme e pelo verde tinto da casa,tudo atingiu um nível de qualidade excelente.
Ficou a curiosidade,e que curiosidade,pelas especialidades de fim de semana:
Feijoada de corno de bico ao sábado e panela de cozido ao domingo.
De facto neste restaurante,onde do cartão de visita á decoração tudo se inspira em Aquilino Ribeiro (a casa de Romarigães também não fica muito longe...),difícil mesmo é estar dez anos sem lá voltar.
Erro que não repetirei.
Depois Falamos








