terça-feira, março 31, 2015

Selecção B

Os jogadores constantes desta fotografia (tirada durante o Portugal-Sérvia),mais os que sobraram do jogo de domingo da selecção A, vão enfrentar hoje num desafio amigável com intuitos beneficentes a "poderosa" selecção de Cabo Verde .
Um jogo de tal relevância que foi marcado para o campo do Estoril onde nunca a selecção A tinha jogado nem é nada provável que volte a jogar nos próximos anos.
É um jogo de tripla beneficiência.
1)A receita vai para as populações da Ilha do Fogo, em Cabo Verde, afectadas por recente erupção vulcânica.
2)Fernando Santos acalmará a consciência ao dar a oportunidade de vestirem a camisola que habitualmente é usada pela selecção A a alguns jogadores com quem sabe que tem sido injusto ao longo da época.
3) Jogadores que nunca foram internacionais, e em condições normais dificilmente o voltarão a ser, vão envergar a camisola da selecção A( nem que seja para estarem os 90 minutos no banco) e assim já ficarão com uma recordação para um dia contarem aos netos.
Em suma é isso.
Chamar-lhe um jogo da selecção A, por mais piedosa que possa ser a intenção nesta quadra pascal, é que não faz sentido nenhum.
É um jogo de uma selecção B reforçada por alguns jogadores que normalmente são chamados à A , e por outros que deviam ser mas não são, e nada mais do que isso.
Ao menos que sirva para garantir o voto de Cabo Verde na candidatura de Figo à FIFA....
Depois Falamos.

P.S. No caso do Vitória encerra a curiosidade de ter jogadores em ambas as selecções.
André por Portugal e Ricardo Gomes por Cabo Verde.
Esperemos que ambos tenham oportunidade de jogar.

segunda-feira, março 30, 2015

O Bom e o Mau

 
O resultado das eleições regionais de ontem, na Madeira, tiveram para a coligação no poder em Lisboa um aspecto positivo e outro negativo.
O positivo foi os dois partidos coligados no continente terem obtido o primeiro e segundo lugar nas eleições regionais com um total de cerca de 60% dos votos expressos infligindo à esquerda mais uma tremenda derrota.
É evidente que na Madeira, onde nem no tempo da AD estiveram coligados, o CDS lidera a oposição ao PSD pelo que estes votos não podem ser somados para este efeito mas seguramente que já o poderão ser nas legislativas e este resultado é um indicio muito positivo para essas eleições.
Já sei que vão aparecer alguns a dizer que não se podem extrapolar resultados e que estas eleições regionais tem de ser interpretadas no âmbito exclusivo da Região mas esses são os mesmos que se o PSD tivesse perdido a maioria ou até as eleições já andariam por tudo que é comunicação social a dizer que tinha sido uma enorme derrota de ...Passos Coelho.
Até o agora mudo, afónico, engasgado ou sabe-se lá o quê António Costa participaria nesse regabofe ao invés de nos privar, como actualmente, do prazer de o ouvirmos comentar esta espantosa derrota do PS na Madeira.
Mas há também um aspecto negativo nestas eleições.
Que o PSD soube contornar e o CDS não.
Coligados em Lisboa no governo do país era desejável que ambos os partidos se tivessem abstido de envolver os seus principais dirigentes e membros do governo na campanha eleitoral na Madeira deixando isso para os dirigentes regionais.
O que o PSD fez.
Do presidente do partido ao secretário-geral, passando por ministros e secretários de estado, ninguém participou na campanha eleitoral madeirense.
Poupando aos eleitores da coligação o desconforto causado por verem dirigentes nacionais do CDS, com Paulo Portas à cabeça, e ministros do governo como Assunção Cristas a participarem em acções de campanha contra o PSD.
Não se pode estar com Deus e com o Diabo nem com um pé dentro e outro fora conforme dá eleitoralmente jeito.
E percebendo o empenho de fazerem crescer o seu partido na Região parece-me que é muito mais importante contribuir para a coesão da coligação no governo do país com vista a vencer as eleições legislativas de Outubro próximo.
E atitudes como esta não reforçam a coligação, não aumentam a confiança entre os dirigentes intermédios de ambos os partidos , não criam uma "onda" positiva entre o eleitorado decidido a votar PSD/CDS nem atraem um único indeciso para o seu lado.
Não havia,realmente, necessidade...
Depois Falamos 

Desafio Ultrapassado

O PSD/Madeira e Miguel Albuquerque enfrentavam nestas eleições regionais um dos maiores desafios de sempre postos ao partido na região autónoma.
Quase quarenta anos de poder, dez vitórias com maioria absoluta em anteriores eleições regionais, uma oposição que recorreu a artifícios nunca dantes vistos para alcançar o poder de que a inacreditável coligação patrocinada pelo PS foi o pior exemplo.
Mas essencialmente havia o desafio de pela primeira vez ir a votos sem Alberto João Jardim o líder carismático de quatro décadas de poder.
Ainda por cima depois de poucas semanas atrás o PSD/M ter estado envolvido num processo eleitoral interno que envolvera seis candidatos à liderança com todas as implicações que isso sempre tem em termos de unidade.
Pode hoje dizer que Miguel Albuquerque e o PSD/M ultrapassaram com absoluto sucesso esses múltiplos desafios.
Vencendo pela décima primeira vez com maioria absoluta e mantendo o partido no governo regional para os próximos quatro anos.
É evidente que há uma perda de votos em relação a 2011, é óbvio que a maioria absoluta foi obtida à tangente, é claro que não foi uma vitória "à Jardim".
Mas o essencial era ganhar e ganharam.
Se possível com maioria absoluta e ela foi alcançada.
Estas seriam sempre as eleições mais difíceis,por tudo que atrás se escreveu, para Miguel Albuquerque e para o PSD/M.
Estou certo que daqui a quatro anos tudo será menos difícil e o PSD/M voltará ás vitórias expressivas das ultimas décadas.
Depois Falamos

Lendas da B.D. - Robin


Enguia Eléctrica


domingo, março 29, 2015

Serviu...

O essencial foi conseguido.
Ganhar.
E Portugal venceu a Sérvia com mérito, por um resultado adequado ao que se viu no terreno de jogo, e reforça claramente as suas hipóteses de estar presente no Europeu 2016 em França enquanto o adversário de hoje está praticamente arredado da fase final.
Mas o resultado foi mesmo o melhor que se viu hoje na Luz.
Porque a exibição não sendo muito fraca esteve longe de ser condigna com a valia individual dos jogadores portugueses.
Muito por força de um conjunto de equívocos de Fernando Santos.
Desde logo a colocação de Ronaldo como ponta de lança(posição de que ele não gosta particularmente) que lhe roubou influência no jogo pese embora ele ter recuado bastante em busca da bola, como faz no clube,deixando Portugal sem...ponta de lança.
Depois a utilização simultânea de Eliseu e Coentrão no flanco esquerdo que não trouxe grandes benefícios ao jogo de equipa porque o primeiro nunca se entendeu com as movimentações do segundo e este perdeu amplitude no seu futebol ao ver-se empurrado para terrenos interiores em que está menos à vontade.
Mesmo assim foi dos melhores e mereceu o golo que marcou.
Finalmente a colocação de Danny em terrenos "híbridos",onde não é carne nem peixe, longe dos flancos e das diagonais que o tornam um jogadores absolutamente decisivo no seu clube.
Mas venceu-se.
Muito por força da segurança defensiva (boa estreia em jogos a "doer" de José Fonte) e das boas exibições de Moutinho e Tiago que deram supremacia ao meio campo português perante uns sérvios recheados de individualidades mas com pouca "equipa".
Na frente Ronaldo fez o que pôde e Nani "sobreviveu" os 90 minutos o que se pode considerar fenomenal face à pobreza da exibição.
Uma palavra para Ricardo Carvalho que aos 36 anos se tornou no mais velho marcador de sempre de Portugal.
Pena a lesão, que o obrigou a sair, porque é a prova viva de que a idade de um jogador se vê em campo e não no bilhete de identidade e ele merecia bem ter assinalado a efeméride com 90 minutos em campo.
Deste jogo a grande conclusão que importa tirar, e a que mais importa, é que França está mais perto.
Depois Falamos

sábado, março 28, 2015

Aldrabices

Aqui há uns tempos atrás houve um livro que andou nos topos de vendas e, durante algumas semanas, chegou até a ser o mais vendido em todo o país.
Na altura, face ao tema e ao "autor", estranhou-se um pouco tamanha popularidade mas como somos um país de modas admitiu-se que fosse apenas mais uma.
Afinal num país em que programas como a "A Casa dos Segredos" é líder de audiências, quando se trata de um produto simplesmente nojento, não existiriam grandes óbices a que a obra em referência também desfrutasse de uma popularidade inesperada.
Afinal era tudo aldrabice.
Pura e dura.
As vendas do livro deviam-se a amigos do "autor" que com dinheiro dado por este compravam livros aos pacotes em vários pontos do país para que ele atingisse os tais topos de vendas.
Nem vou comentar de onde vinha o dinheiro para comprar livros aos milhares (certamente que o juiz Carlos Alexandre porá isso a limpo mais dia menos dia) nem tão pouco os amigos que se prestaram a esse triste papel (e alguns com responsabilidades politicas e partidárias no PS)de colaborarem numa farsa engendrada por alguém sem vergonha nem escrúpulos de quaisquer espécie.
Tão desavergonhado que nem se coibiu de fazer apresentações publicas do livro com as presenças e as intervenções de ex presidentes de Portugal e do Brasil (Mário Soares e Lula da Silva) que foram de boa fé participar naquilo que não era mais do que uma grotesca farsa.
Porque afinal a aldrabice ainda era maior do que se supunha.
Pelos vistos o livro nem escrito por ele foi mas sim por um professor universitário a quem ele pagou para o escrever.
Este homem, capaz destas aldrabices monstras, liderou o PS durante sete anos e foi duas vezes primeiro ministro de Portugal por incrível que pareça.
"Governou" um país durante seis anos.
Deixou-o na bancarrota e sob intervenção externa.
Hoje ainda há quem se solidarize com ele, quem faça intervenções a seu favor, quem vá (cada vez menos é verdade) em procissões a Évora onde está detido.
Gostos não se discutem e lá diz o povo que "diz-me com quem andas dir-te-ei quem és".
Portugal não pode é correr o risco de "devolver" ao governo do país gente desta.
Que o acompanhou no governo e no partido, que nunca dele se afastou, que nunca teve uma palavra para o desvario em que ele mergulhou Portugal.
É preciso muito cuidado.
Porque os herdeiros de Sócrates andam por aí.
Com uma lata e um descaramento que herdaram dele fazendo de conta que esses seis anos de aldrabices e desgoverno não tiveram nada a ver com eles.
Mas tiveram.
E Portugal não se vai esquecer disso.
Depois Falamos.

P.S. Nem vale a pena recordar quem foi durante esses sete anos o número 2 de Sócrates no PS e nos primeiros três no próprio governo.
É o mesmo que recebe o vencimento como presidente de um munícipio onde quase nunca está.

Castelo de Hohenschwangau, Alemanha


Caixa de Correio


sexta-feira, março 27, 2015

Rússia, Ucrânia e U.E.

A União Europeia debate-se hoje com dois sérios problemas que dele exigirão respostas conclusivas sob pena de todo o projecto europeu poder ser posto em causa.
Uma interna e outra externa.
A primeira delas chama-se Grécia, e pese embora os bons sinais que vão chegando sobre a  aceitação do “choque da realidade” por parte do novo governo grego, continuará a ser uma preocupação permanente dada a fragilidade dos acordos com um governo que vai ter de negar em termos internos quase tudo que prometeu em campanha eleitoral.
Para além de se detectar, desde já, uma preocupante distorção da realidade entre aquilo que acordam com o Eurogrupo e o que depois transmitem aos gregos.
Estratégias de comunicação dirão os mais optimistas.
Semear ventos para colher tempestades dirão os mais realistas, entre eles os portugueses que bem recordam um governo que entre 2005 e 2011 também comunicava dessa forma.
O outro problema, quiçá mais sério, e para o qual a solução se afigura bastante mais difícil é o da situação na Ucrânia com a permanente ameaça (pese embora os cessar fogo) de uma guerra em larga escala que ultrapasse as fronteiras do país e se estenda para oeste e para sul.
Para muitos a questão entre Ucrânia e Rússia é apenas uma questão de disputa de territórios que teve o seu primeiro episódio com a anexação da Crimeia, no pior estilo soviético, e prossegue agora no leste do território ucraniano com a tentativa de separação de uma parte do país e integração do mesmo na Rússia.
Será essa a questão?
É parte da questão mas não é a “questão”.
Porque embora a Ucrânia possua quase um terço dos territórios agrícolas da Europa, e isso gere naturais “apetites”, a verdadeira razão da ofensiva russa não é apenas essa e muito menos se cinge a isso.
Será a NATO?
E a  ameaça de estender as fronteiras da Aliança Atlântica até ás fronteiras russas?
É esse o pretexto usado por quem do lado russo pretende justificar movimentações de tropas e avanço de fronteiras de molde a garantirem que essa abrangência territorial da NATO não se venha a consolidar.
E nessa matéria é bem verdade que os estrategas da Aliança, e os governos que na matéria tem opinião decisiva, não foram tão cuidadosos e previdentes quanto deviam na análise da reacção russa que seria e será sempre baseada na memória histórica de duas invasões (Napoleão e Hitler) que lhes deixaram trágicas marcas em perdas de vidas e bens.
Mas do meu ponto de vista a principal razão do que se passa na Ucrânia é o receio russo de ver a Ucrânia, mais dia menos dia, aderir à União Europeia e construir um desenvolvimento económico e um bem estar social completamente inaceitáveis para uma Rússia que pouco evoluiu nessas áreas desde os tempos da União Soviética.
Hoje a União Europeia represente tudo que Putin receia.
Democracias estáveis, respeito pelos direitos humanos, economias de mercado, progresso social, relações cordiais entre países, liberdade de expressão, respeito pelas minorias, solidariedade entre estados.
Ver tudo isso à “porta” de uma Rússia que nada disso tem, é inaceitável para um regimes que embora travestido de democracia na realidade não passa do “velho” regime soviético assente numa oligarquia que se perpetua no poder e que não está disposta a abdicar dele seja de que forma for.
Para “maus” exemplos, na óptica russa, já bastam a Polónia, os Estados Bálticos, a Roménia que já aderiram ao projecto europeu libertando-se dos preconceitos ideológicos e dos constrangimentos políticos que a presença no “falecido” pacto de Varsóvia significavam.
Por isso para Putin, e para a sua oligarquia, a Ucrânia é a ultima fronteira!
Aquela para lá da qual nunca a UE se poderá estender trazendo até debaixo dos olhos do povo russo um modo de vida, em liberdade e desenvolvimento, que seria absolutamente devastador para os actuais senhores do Kremlin face ás suas fracassadas politicas económicas e sociais.
Não foi certamente por acaso (na geopolitica acasos não existem) que o inicio do conflito na Ucrânia coincidiu com o acordo económico e comercial entre Bruxelas e Kiev naquilo que foi um forte sinal do incómodo de Moscovo com a aproximação entre U.E e Ucrânia.
E por isso bem andará a U.E se souber interpretar bens os sinais que vem de Moscovo.
Desde a intervenção na Ucrânia à simpatia pelo Syriza e pela Frente Nacional de Marine Le Pen passando pelas fortíssimas pressões económicas que desenvolve sobre a Hungria e a Bulgária tendo como arma o gás natural, Moscovo aposta fortemente na fragilização politica e económica da União Europeia como forma de  perpetuação do poder da oligarquia liderada por Putin.
Essa é a “verdadeira” guerra que se trava hoje na Europa.
A guerra entre o modelo de desenvolvimento económico e social , de liberdade politica e de democracia protagonizados pelo projecto europeu e o regresso aos tempos da “guerra fria” e da divisão da Europa em blocos antagónicos desejada pela Rússia.
Uma guerra que a Europa não pode perder.
Depois Falamos.

Lago Wanaka, Nova Zelândia


Teleférico, Guimarães