Quinta-feira, Fevereiro 16, 2012

Passos Seguros


Publiquei este artigo na edição de hoje do "Povo de Guimarães"

Ao contrário do que alguns mais espirituosos possam pensar o titulo deste artigo nada tem a ver com os líderes dos dois maiores partidos portugueses.
Mas tem tudo a ver, certamente, com as condições em que acho admissível um qualquer vitoriano concorrer à presidência ou aos órgãos sociais do Vitória nestes tempos tão conturbados da vida do clube.
Eu sei, porque já ando no clube há dezenas de anos não cheguei agora, que tudo que envolva o nosso clube implica desde logo uma enorme dose de paixão e de entusiasmo mas também de exigência e até alguma intolerância.
Para muitos, levados por essa paixão, é “tudo estrada” e o que importa é dotar o clube de uma gestão intrinsecamente vitoriana porque os problemas depois vão se resolvendo com maior ou menos dificuldade.
E durante muito tempo foi assim.
Mas já não é.
Porque fruto do que se passou nos últimos dez anos (e muito em especial neste três ou quatro mais recentes) gerir o Vitória significa a partir do primeiro dia encontrar um mundo de problemas financeiros, de compromissos a resolver e de situações perante o Estado (fisco e segurança social nomeadamente) que exigem não só uma enorme ponderação como a capacidade de estar preparado para os resolver.
Note-se que não estou aqui a alimentar o mito dos presidentes ricos que metiam dinheiro no clube ou tudo resolviam com avales aos financiamentos concedidos pela banca.
Porque a história nunca foi bem assim e mesmo que fosse já não é!
Por isso quem hoje quiser dirigir o Vitória necessita, para além de bons dirigentes e de um programa exequível e bem estruturado, de estar preparado para dar uma resposta financeira imediata aos problemas que lhe vão aparece pela frente.
E isso dificilmente será alcançável fora de uma SAD com investidores capazes de injectarem no clube as verbas necessárias a inverter uma situação desportiva (futebol essencialmente) que actualmente não gera as receitas que todos sabemos estarem ao seu alcance.
Mas antes de dar o passo para a SAD (e se for para uma SDUQ a necessidade não se altera) é importante que quem deseje assumir uma candidatura o faça sabendo exactamente o que vai encontrar pela frente de molde a estar preparado para implementar soluções.
E por isso, com a mesma tranquilidade com que assumi o desejo de ser candidato na AG de 28 de Outubro de 2011 ou posteriormente pedi eleições antecipadas como forma de tirar o clube do impasse em que estava mergulhado, solicitei agora a formação de uma comissão de sócios para apurarem o real passivo do Vitória.
Sócios com habilitações na área financeira (economistas e técnicos de contas) capazes de debaixo de um compromisso de reserva se sentarem á mesa com a direcção do clube, o conselho fiscal, o revisor oficial de contas e o departamento de contabilidade para apurarem os números exactos do passivo e as responsabilidades assumidas perante os credores.
E nessa comissão poderão, naturalmente, ter assento representantes dos vitorianos que já assumiram o desejo de serem candidatos à presidência do clube.
Fiz essa proposta formalmente ao senhor presidente da Assembleia Geral, cujo espírito de cooperação devo salientar, e espero agora a resposta por parte do clube para que caso concorde a comissão possa em dois /três dias apresentar os resultados do seu trabalho.
E o que se pretende de facto saber?
Muito simples.
Dividas à banca e respectivos prazos de pagamento.
Dividas ao fisco e à segurança social e acordos de regularização existentes.
Dividas a atletas, técnicos e funcionários.
Dividas a fornecedores.
Montante de eventuais processos já em contencioso.
Valor dos passes por regularizar junto de clubes onde contratamos jogadores.
Titularidade dos passes dos jogadores com contrato profissional com o VSC.
Eventuais adiantamentos de receitas nomeadamente de contratos televisivos.
Entre outras questões que não importa agora detalhar.
Creio que da resposta a estas questões, que nos possibilitarão saber não apenas o valor real do passivo mas também em que activos o clube pode estruturar a sua politica financeira e desportiva, depende a construção de candidaturas responsáveis e capazes de resolverem os reais problemas que afligem a nossa quase centenária instituição.
È com verdade, e sem a demagogia habitual nestes períodos pré eleitorais (da promessa de jogadores/treinadores á exibição de patrocínios e patrocinadores mirabolantes), que se pode servir bem o Vitória.
E para isso podem contar comigo.
Para servir o Vitória.

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2012

Castelo de Coca, Espanha

Terça-feira, Fevereiro 14, 2012

Desculpem Lá...

Hoje já todos sabemos que é dia de S. Valentim.
Mais um daqueles dias comerciais que as empresas do sector tanto gostam mas cujo real significado é quase nenhum.
Porque para qualquer par de namorados o dia dos...namorados é òbviamente aquele em que comemoram a data do inicio do namoro.
Por isso deixem-me puxar a brasa à "minha" sardinha.
É que hoje também é dia de S.Cirilo.
E por isso numa fase em que já sei que vou precisar de uma paciência de...santo, é justa esta lembrança.
Depois Falamos

Toscânia,Itália

Migalhinhas


O caso da CCR- N, que é apenas mais um embora com a nuance de ser particularmente grave, tratado em post anterior leva-nos direitos a uma questão fundamental para a transparência da vida partidária e para a avaliação do estado de saúde do PSD agora que vem aí directas e depois um congresso.
E a questão é simples?
Para que servem as estruturas do partido?
Nomeadamente as distritais ?
Se é para gerirem pequenos interesses, pequenas nomeações, pequenas cumplicidades e diminutas clientelas então ninguém pode acusá-las de não estarem a fazer um bom trabalho e a cumprirem esforçadamente o seu dever.
Se pelo contrário se entender que devem ter um papel importante na definição de politicas e dos seus executores, na orientação estratégica do território em que estão baseadas, na selecção dos melhores e mais aptos para ajudarem localmente o governo a cumprir o seu programa então devo dizer que com raras excepções andam a apanha “bonés”.
Porque nunca vi tanto desprezo do Terreiro do Paço/rua de s. Caetano á Lapa pelo partido que ganhou as eleições como vejo actualmente.
Nem no tempo do cavaquismo todo poderoso se assistiu a fenómeno semelhante.
Pelo contrário, embora houvesse um líder indiscutível e de grande carisma junto das bases, o partido era respeitado, as suas estruturas ouvidas e a sua vontade quantas vezes se sobrepunha à da direcção nacional.
Hoje de norte a sul (e falo com gente de todo o lado) a sensação instalada é que o PSD não traça nem risca nada.
Está governamentalizado.
E mal governamentalizado diga-se de passagem.
Ao ponto de as frases que mais ouço serem:
“Ser do PSD é um inconveniente se se quiser desempenhar algum cargo público, mais vale ser do CDS,do PS ou independente”.
E se isto já é mau a frase seguinte é bem pior.
“Em 2013, nas autárquicas,não contem connosco para nada. Venham cá eles escolher candidatos, explicar as medidas do governo, arranjarem dinheiro para as campanhas. Eles gozam agora, mas o ultimo a rir é o que ri melhor”.
Eu sei que quem anda em volta do poder jamais fará chegar mensagens destas a quem manda.
È muito mais popular dizer que o povo laranja está feliz.
Mas não está.
E á boleia desta desfeita feita ao partido na escolha para a CCR-N tenho pena que as cinco distritais do Norte não tenham dado um violento murro na mesa e feito sentir a sua indignação de forma bem perceptível.
Não através de comunicados ou de lamentos em surdina.
Quiçá de futuras tímidas intervenções em reuniões à porta fechada.
Mas através de atitudes.
Dignas, firmes e honradas.
Como demitirem-se em bloco.
Isso sim seria prestarem um belo serviço ao PSD e simultâneamente demonstrarem,pelo exemplo,desapego dos lugares e dos resquicios de poder.
Se calhar é pedir muito.
Afinal há migalhas e migalhas…
Depois Falamos

Gorila das Montanhas

Foto:www.nationalgeographic.com

Floresta,Escócia

Foto:www.nationalgeographic.com

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012

Erro Crasso


Um destes dias ao chegar ao quiosque ,não à loja, onde adquiro informação (leia-se compro os jornais) quase fiquei surpreendido ao ler uma noticia segundo a qual o eng. Carlos Duarte já não iria ser presidente da CCR-N ao contrário do que se tornara um dado quase adquirido ao longos dos últimos e incompreensíveis meses ao longo dos quais o processo se arrastara penosamente.
Importa aqui dizer que tenho a honra de ser amigo do eng Carlos Duarte e por isso neste comentário não serei isento mas serei seguramente imparcial.
E é imparcialmente que digo que a pessoa em causa ,para além das competências próprias e da competência demonstrada em vários lugares(nomeadamente na CCR-N e no governo),consegue o raro privilégio de ter uma aceitação politica que extravasa largamente as fronteiras do partido de que é militante.
Que é, se calhar para azar dele Carlos Duarte,o PSD!
Bastará falar com qualquer autarca do PS, dos cinco distritos abrangidos pela CCR, para perceber isso.
Ao que sei também nas estruturas distritais do PSD o seu nome reunia uma abrangência natural para alguém que sempre foi uma pessoa disponível, participativa e com o raro dom(a esse nível) de atender o telemóvel ou devolver as chamadas quando não podia atender.
Não fora ele do PSD, militante que nunca se escondeu e sempre deu a cara, e não haveria problema nenhum.
Mas é.
E isso é cada vez mais um ónus nos tempos que correm.
E prova provada disso é outro “caso” anterior relativo a este processo processo da CCR-N que bem demonstra o quanto inquinado estava desde o inicio.
Desde logo quando surgiu um veto ao nome do dr.José Silvano, ex presidente da câmara de Mirandela e indicado para vice presidente da CCR, com o espantoso argumento (sempre off the record é claro) de que tratando-se do presidente da distrital de Bragança do PSD não podia ser nomeado para um cargo desses!
Como se por acaso Pedro Passos Coelho não fosse presidente da comissão politica nacional do PSD e por isso mesmo primeiro ministro!
Pelos vistos à critérios que servem para uns mas não servem para outros!
É conforme as conveniências.
O que resulta de tudo isto e realmente importa(para além de a CCR-N ficar pior servida) é mais uma vez a imposição por Lisboa dos nomes que lhe interessam desprezando a vontade dos autarcas, das estruturas do partido e decidindo conforme interesses que nem são do Norte, nem do PSD nem de nenhum órgão democraticamente eleito no quadro constitucional existente.
E este erro crasso (mais um infelizmente) vai pagar-se bem caro.
Nas autárquicas de 2013.
E não sendo propriamente um “piegas” acho que “isto” começa a dar vontade de chorar…Depois Falamos

Coruja das Neves

Largo dos Laranjais,Guimarães

Sexta-feira, Fevereiro 10, 2012

Palma Cavalão

Proprietário e redactor do jornal "A Corneta do Diabo", Palma Cavalão surge em Os Maias, de Eça de Queirós, como um jornalista corrupto, facilmente "agitado com o tinir do dinheiro". O nome de "Cavalão" fora atribuído ao Palma para o "distinguir de outro benemérito chamado Palma Cavalinho. "Sem carácter, publica artigos injuriosos ou retira-os desde que para isso lhe paguem. Como reconhece Ega, sobre um artigo do Dâmaso a denunciar as relações de Carlos e Maria Eduarda, "o artigo fora-lhe, simplesmente, encomendado e pago. No terreno do dinheiro vence sempre quem tem mais dinheiro."Baixo e gordo, como se depreende das palavras de Alencar que o define como "canalha", "vil bolinha de matéria pútrida!..." e "chouricinho de pus!", Palma Cavalão é o símbolo do jornalismo de escândalo, feito por jornalistas imorais e corruptos.

A.A. Barroso in Blogue "Dar à Tramela"

"Os Maias" do genial Eça de Queirós são o meu livro preferido de toda a literatura portuguesa.
Um retrato espantoso do Portugal do século 19 (aplicável ao 20 e ao 21) e daquilo que era e é a sociedade portuguesa.
Figuras marcantes do livro (e da época que ele retrata)como o conde Gouvarinho, o Tomás de Alencar, o Vilaça, o Cohen, a Raquel, o Castro Gomes, o Eusebiozinho, o Carlos da Maia, a Maria Eduarda, o João da Ega e tantas outras personagens são fáceis de identificar em protagonistas da sociedade de hoje.
Os retratos permanecem imutáveis.
Admito que é mais dificil ,nos tempos correntes, encontrar personagens com a grandeza de Afonso da Maia um patriarca cujo figura atravessa e marca toda a obra.
Mas lembrei-me deste livro a propósito de uma das suas mais caracteristicas personagens, acima descrita por A. A. Barroso um estudioso da obra de Eça, que é o jornalista Palma Cavalão.
Espécie raro na época mas hoje fácil de encontrar um pouco por todo o lado.
Até em Guimarães...
Até nas eleições do Vitória...
Depois Falamos

Abutre

O Pai Tirano

Uma sugestão cinematográfica, para uma daquelas tardes/noites em que não há mais nada para fazer, é "O Pai Tirano" de António Lopes Ribeiro que apesar de rodado em 1941 é ainda hoje um dos melhores filmes portugueses de sempre.
Com actores consagrados, que nos proporcionaram algumas das mais bela peliculas da 7ª arte em português, é sempre uma oportunidade de matar a nostalgia e recordar tempos que tiveram o seu...tempo mas não voltam.
Porque ,de lá para cá, muita coisa mudou.
E por mais que alguns gostassem, até eu nalgumas coisas, o tempo não voltas para trás.
Daí que vale a pena rever o filme para recordar,não mais do que isso, o passado.
Eu já o fiz e não tenciono voltar a fazer nos anos mais próximos.
Depois Falamos

Veleiros

Whoopi Goldberg