terça-feira, setembro 19, 2017

Ponte

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

Há muitos anos atrás uma banda que já não existe, os Jafumega, cantavam uma música-Ribeira- cujo refrão era “...a ponte é uma passagem,para a outra margem...” e que fez grande sucesso nesses tempos.
Hoje nas eleições autárquicas em Guimarães também há uma “Ponte” que separa de forma inultrapassável duas margens que nada tem a ver entre elas.
De um lado está a margem da decência percorrida por todos quantos tem da politica uma visão assente em ética, valores, coerência e respeito por companheiros e adversários enquanto do outro lado se situam todos aqueles que acham simplesmente que na política e na vida...vale tudo.
Mas não vale.
Em 2013 a freguesia de Ponte era governada pelo PS dando sequência anteriores vitórias socialistas nessa freguesia.
Nesse ano a coligação “Juntos por Guimarães” apresentou uma candidatura liderada por um cabeça de lista cujos méritos pessoais e profissionais não discuto, também porque não os conheço, mas que politicamente não era rigorosamente ninguém por ser completamente desconhecido das lides políticas.
Foram a coligação e André Coelho Lima que lhe deram a oportunidade aparecer e ser alguém na politica vimaranense.
Durante quatro anos o presidente de junta e a sua equipa governaram a freguesia tendo tido da parte da coligação e dos partidos que a compõe todo o apoio, toda a solidariedade, todas as oportunidades de promover a imagem (do presidente de junta bem entendido) por considerarem que era um quadro político capaz, leal e no qual valia a pena apostar.
Recordo a propósito a vinda a Guimarães do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, durante a sua campanha presidencial, e em que no almoço realizado foi dada ao presidente de junta uma notoriedade e um protagonismo manifestamente acima do que seria normal precisamente no âmbito dessa ideia de que era um político para o futuro e com futuro.
Ao longo desses quatro anos em  todos os contactos, em todas as reuniões em que esteve presente, em todas as conversas que manteve com André Coelho Lima e restantes dirigentes da coligação nunca o presidente de junta manifestou uma discordância, uma divergência, uma opinião diferente.
Nomeadamente no grupo parlamentar do PSD, de que fazia parte, e onde nunca lhe foi conhecida qualquer divergência com a orientação política seguida.
Nenhuma!
Tudo parecia decorrer , pois, na maior das normalidades dentro do que deve ser a relação entre um eleito e a força política que o elegeu.
Parecia…
Porque em simultâneo com essa atitude “às claras”o presidente de junta, no negrume da “noite” , andava em negociações com o PS, em grandes negociações com Domingos Bragança, num 
”namoro” eticamente obsceno que dificilmente podia deixar de resultar num “casamento” para as autárquicas de 2017.
Deve dizer-se que em abono da verdade há muito tempo que algumas atitudes amáveis a raiarem a pura bajulação do presidente de junta para com Domingos Bragança e em simultâneo atitudes descorteses para com André Coelho Lima indiciavam que à primeira “cavadela” apareceria grande “minhoca” que é ,como se sabe,  um verme invertebrado.
E como se sabe que nesta matéria de “comprar” autarcas de outros partidos o PS de Guimarães nunca foi de cerimónias, nem que para isso tenha de por de lado os seus próprios camaradas das freguesias onde vai fazer essas “aquisições”, havia mais que razões para estar de pé atrás com as movimentações numa das margens da Ponte.
Bastava ver a página de Facebook do presidente de junta para se perceber o “negócio” que se desenhava entre ele e Domingos Bragança.
Mas em nome de um personalismo de que o PSD não abdica, e da recusa em fazer falsos e eventuais injustos juízos sobre terceiros (mesmo quando paulatinamente iam existindo cada vez mais razões para isso…), esperou-se uma definição por parte do presidente de junta que ao longo dos últimos meses nunca disse aos dirigentes da coligação que não seria por ela candidato.
Mas um dia, quando já não podia adiar mais, lá assumiu o segredo mais mal escondido da politica vimaranense e afirmando-se candidato pelo PS não resistiu a numa de subserviência , sabujice e ingratidão lançar um ataque pessoal mentiroso e desavergonhado ao André Coelho Lima através da comparação dele e de Domingos Bragança com personagens do mundo futebolístico  não atingindo sequer o ridículo de que se cobriu ao enveredar por esses caminhos.
Percebo que quem nasce para dar 8 não possa dar 80 em termos de intelecto, de elegância, de correcção nos procedimentos e portanto lhe fuja a boca para a facilidade da linguagem  futebolística, quando quer justificar o injustificável, mas nada explica o tratar mal quem sempre o tratou bem.
Felizmente Ponte tem outra margem.
A margem da decência.
Na qual se reuniram diversas pessoas de vários partidos,e outras sem partido, que não se conformando com a imagem que o presidente de junta estava a dar da freguesia nas suas trocas e baldrocas político partidárias resolveram convergir no essencial e deixando de lado naturais divergências partidárias (as que militam em partidos obviamente) uniram-se em volta de um projecto comum para a sua freguesia apostadas em contribuírem para o seu progresso pelo mérito próprio da comunidade e não por razões de outra ordem.
Sob o sugestivo nome de “O Nosso Partido é Ponte” e lideradas por Diana Fernandes, uma pessoa inteligente, dinâmica e profunda conhecedora da sua freguesia, esse grupo de cidadãos protagoniza uma candidatura independente das forças partidárias que tem como objectivo primeiro, único e ultimo o desenvolvimento da vila de Ponte sem que para tal necessitem de vender a alma ao diabo ou recorrerem a um qualquer “alfaiate” da politica que as ajude a virar a casaca.
“ A ponte é uma passagem para a outra margem” cantavam os Jafumega.
No dia 1 de Outubro os eleitores de Ponte terão,também eles,a oportunidade de levarem a sua freguesia para a outra margem. 
A da decência.
Apoiando Diana Fernandes e a sua equipa!

Infelizmente Natural

Não vale a pena procurarmos explicações muito rebuscadas para a derrota do Vitória em Braga num jogo em que nunca deu,sequer, a sensação de o poder ganhar.
Porque estavam frente  a frente realidades muito diversas.
De um lado o Braga que aprendeu com os erros da época passada, reforçou quantitativa e qualitativamente a equipa de forma significativa, preparou a temporada de forma consistente e ambiciosa face às competições que tem para disputar e vinha de vencer em casa do quinto classificado da liga alemã a apenas dois pontos do primeiro.
Do outro lado um Vitória onde o quarto lugar da época passada parece ter sido, para alguns, algo de excepcional (como se o clube não tivesse já alcançado esse lugar-e melhores-por varias vezes) a merecer festejos sem fim, que preparou a época de forma leviana e incapaz, que dispensou e cedeu jogadores que tinham lugar neste plantel (e ,pior, fê-lo sem ter alternativas) , que se reforçou mal deixando lacunas graves em todos os sectores, que esperou por empréstimos que nunca vieram, que se viu obrigado a recorrer ao mercado de desempregados para tentar colmatar tarde e a más horas o que teve imenso tempo para fazer e que vinha de um empate em casa face a um Salzburgo que a equipa de há um ano teria vencido sem problemas de maior.
Eram as realidades em confronto na "Pedreira".
E por isso o Braga ganhou e por isso o Vitória perdeu.
Perdeu face a um Braga fisicamente mal, que apesar de ter um excelente plantel não fez uma excelente exibição, perdeu porque deu durante noventa minutos uma aflitiva imagem de fragilidade, de impotência, de incapacidade de jogar e de jogar como equipa.
Por isso a derrota foi infelizmente natural.
E pese embora uma inevitável decepção com a gestão técnica da equipa a cargo de um Pedro Martins que parece baralhado, e até perdido, na liderança de um plantel com número significativo  de jogadores chegados às "pinguinhas" e que ainda estão a fazer a pré época, dois meses depois do tempo destinado a isso, é óbvio que a responsabilidade maior não é dele mas sim de uma SAD que não soube preparar a época, consolidar o que de bom foi feito na época passada e merecer a confiança e entusiasmo dos adeptos que como sempre são o que de melhor e mais fiável o clube tem.
O que em tempo de gestões profissionais é completamente inadmissível.
Depois Falamos

Estrelas


Bérgamo, Itália


Macaquices


segunda-feira, setembro 18, 2017

Lugar Ingrato

O meu artigo desta semana no zerozero.

Não há no futebol lugar mais ingrato que o de guarda-redes.
Tão ingrato é que no Brasil, onde ser guarda-redes é quase “castigo”, se costuma dizer que guarda-redes é lugar tão ruim que onde ele joga nem nasce relva!
A verdade é que jogar à baliza pressupõe qualidades e a aptidões muito diferentes das que são necessárias para jogar noutras posições, desde logo porque os jogadores de campo jogam essencialmente com os pés enquanto os que vão para a baliza jogam quase sempre com as mãos, o que torna o guarda-redes num corpo quase estranho numa equipa de futebol.
Estranho mas decisivo.
Porque enquanto os jogadores de campo tem o “direito” de falharem, sem que desses falhanços resultem situações comprometedoras em muito dos casos, já quando o guarda-redes falha o mais certo é a equipa ser penalizada com um golo.
E por isso desde os grandes mestres aos treinadores recentemente diplomados (já no que toca a dirigentes o panorama é por vezes bastante diferente) todos sabem que uma boa equipa se constrói de trás para a frente e nessa construção o guarda-redes tem um papel absolutamente decisivo.
Não é em vão que se diz que os ataques ganham jogos mas as defesas (incluindo os guarda redes como é óbvio) ganham campeonatos pelo que ter um grande guarda-redes equivale a ganhar desde logo alguns pontos.
E por isso ao longo dos anos, nomeadamente nas últimas décadas, o treino dos guarda-redes que dantes se processava sem grandes diferenças em relação ao dos restantes jogadores passou a adquirir características extremamente especificas surgindo técnicos especializados no seu treino e autonomizando cada vez mais os guarda-redes dos outros colegas de equipa.
Bastará atentar, e eu gosto bem de o fazer, na forma como jogadores de campo e guarda-redes fazem o aquecimento antes dos jogos para perceber que há todo um mundo de diferenças entre eles ao ponto de alguns guarda-redes trabalharem mais no aquecimento do que no próprio jogo que se lhe segue.
Não admira por isso que nos clubes onde se sabe que a diferença está nos detalhes, e se valoriza devidamente a competência provada e comprovada, se dê hoje uma particular atenção à contratação dos treinadores de guarda-redes porque do seu trabalho podem resultar os tais pontos que no fim das provas fazem a diferença.
Sendo igualmente certo que por maior que seja a sua competência não fazem milagres como o de transformarem guarda-redes “apenas” bons nos tais guarda-redes de topo que podem dar muitos pontos, títulos e troféus.
Atente-se, a título de exemplo, no que se passa nos três candidatos ao título.
Enquanto o Sporting tem na baliza um dos melhores guarda-redes do mundo e titular indiscutível da selecção campeã europeia, o Porto tem como número um uma autêntica lenda do futebol que é um dos melhores guarda-redes de todos os tempos, o Benfica vendeu o excelente Ederson, manteve um Júlio César em fim de carreira e muitas vezes lesionado o que levou Rui Vitória a ver-se obrigado a dar a titularidade a um jovem Bruno Varela que sendo um bom guarda-redes está muito longe de se poder comparar aos que defendem as balizas dos principais rivais.
E é um caso paradigmático de um clube que tendo um dos melhores treinadores de guarda-redes do futebol europeu, Luís Esteves, não lhe pode pedir o milagre de transformar Bruno Varela num iker Casillas ou num Rui Patrício porque isso não está ao alcance dele nem de ninguém.
É simplesmente impossível.
E isso, mais a opção errada dos dirigentes em não contratarem um guarda-redes ao nível do transferido Ederson, vai custar os tais pontos que no apuramento final do campeonato podem fazer diferença.
Muita diferença diria.
Tenho muito apreço pelos guarda-redes.
Posição solitária, que requer qualidades muito específicas das quais a coragem não é a menor, facilmente responsabilizados pelas derrotas mas mais raramente apreciados na hora dos triunfos são ainda assim um espectáculo dentro do espectáculo e proporcionam ao futebol alguns dos seus momentos mais sensacionais.
Já vi jogar tantos guarda-redes de elevado nível que me é impossível dizer com justiça quais os melhores porque correria sempre o risco de me esquecer de algum.
Ainda assim se tivesse de escolher dez seriam estes:
Michel Preud’Homme, Peter Schmeichel, Manuel Neuer, Rinat Dasaev, Gianluigi Buffon, Iker Casillas, Lev Yashin, Vitor Baía, Sepp Maier e Edwin Van der Sar sem que a ordem tenha qualquer significado.
Opções de quem aprecia, desde sempre, a forma de jogar dos “donos” das balizas.

sexta-feira, setembro 15, 2017

O Nosso 14

Pela primeira vez na história das competições europeias uma equipa iniciou um jogo sem nenhum europeu no onze inicial.
Um facto descoberto pelo jornal inglês Daily Mirror e rapidamente reproduzido por imprensa europeia e mundial tal o insólito do sucedido.
Uma triste estreia que calhou em azar ao Vitória, um clube que vem fazendo da formação e do aproveitamento dos talentos das suas camadas jovens uma  "bandeira", mas que na noite de ontem contradisse por completo essa "bandeira" alinhando onze afro-americanos (e depois entrariam mais dois) mais parecendo estar a disputar a Copa América ou a CAN do que a Liga Europa.
Embora tenhamos de compreender que depois de nos últimos anos terem sido vendidos tantos jovens portugueses da nossa formação (Ricardo, Paulo Oliveira, João Pedro, Tiago Rodrigues,Josué, etc) a "árvore dos talentos" não consiga repôr ao mesmo ritmo as baixas sofridas como, aliás, sempre escrevi desde 2013.
E se isso, a utilização simultânea de onze afro-americanos, já é mau por várias razões pior se torna quando constatamos que toda essa aposta em jogadores importados rendeu bem pouco em termos exibicionais e de resultados.
Como infelizmente vem sendo norma esta época.
Individualmente:
Douglas: Fica ligado ao resultado pelas enormes responsabilidades que tem no golo com uma saída dos postes em que ficou a meio do caminho. No resto teve pouco que fazer também graças à fraca pontaria dos adversários.
Vitor Garcia: Aguentou-se bem não comprometendo a defender e integrando-se no ataque sempre que possível.
Jubal: Não comprometeu mas evidenciou dificuldades quando a bola era metida nas suas costas.
Pedro Henrique: Fez o golo e partilhou das dificuldades do colega de sector.
Konan: Francamente mal. Um inicio de jogo a agarrar-se à bola, a querer driblar e tudo a sair-lhe mal com a equipa a ser apanhada em contra pé. Condição fisíca deficiente,especialmente perceptível quando precisava de recuperar a posição e o fazia a ritmo de "jogging", está longe do jogador da época passada. Muito trabalho pela frente.
Wakaso: Boa exibição a dar agressividade à intermediária e a recuperar bolas. Até agora a mais acertada das contratações.
Célis: O mais inconformado dos vitorianos sempre a empurrar a equipa para o ataque e com boa colaboração defensiva. Um bom jogo.
Hurtado: Uma exibição muito discreta num dia em que a equipa precisava do melhor Hurtado. Fez o cruzamento para o golo e pouco mais. Lamentável a forma como saiu, a passo, aquando da substituição dando ares de vedeta que a exibição infelizmente não confirmou.
Rincón: Um dos que está a fazer a pré temporada e em processos de adaptação a uma nova realidade. E isso reflectiu-se numa exibição esforçada mas nada mais.
Texeira: Uma exibição esforçada em que se fartou de ganhar lances aos centrais mas depois nunca teve a ajuda necessária dos colegas na segunda bola. Sem cruzamentos e últimos passes eficazes não teve ensejo de rematar. Creio que rende mais jogando num esquema de dois pontas de lança jogando ligeiramente atrás do colega.
Raphinha: Um jogo discreto.
Foram suplentes utilizados:
Kiko: A um jovem de 20 anos a fazer a sua terceira aparição na equipa A não era justo pedir-lhe que pusesse "ordem" numa "casa" em alguma desordem e num meio campo que não conseguia ligar jogadas.Não comprometeu mas também não pôde ter a influência que o treinador gostaria.
Heldon: Trouxe algum,pouco, irrequietismo mas sem qualquer influência no desenrolas do jogo.
Rafael Miranda: Entrou nos instantes finais para ajudar a segurar o empate o que de alguma forma diz tudo sobre como o jogo correu para o Vitória.
Não foram utilizados:

Miguel Silva, João Aurélio, Marcos Valente e Sturgeon

Melhor em campo: Célis

Depois deste arranque a meio gás na Liga Europa a equipa tem de se concentrar no campeonato e em especial na difícil deslocação a Braga onde vai encontrar o velho rival moralizadissimo pelo triunfo na Alemanha face a um adversário que vinha de derrotar o Bayern de Munique.
O Vitória entra com um ponto de avanço na classificação e é de desejar que no mínimo saia com o mesmo ponto para que a equipa ( e os adeptos) aí encontrem um facto de moralização para os difíceis compromissos que se avizinham.
Depois Falamos

Buraymi, Omã


Baleia

Foto: National Geographic

Regresso Amorfo

O Vitória é um dos clubes portugueses como mais participações europeias, longe é certo dos três "donos disto tudo" e atrás de Braga,Boavista e Vitória Futebol Clube, mas nunca teve com a Europa uma relação particularmente feliz!
Desde a sua estreia há quase cinquenta anos atrás que as participações do clube nas três provas das UEFA (agora são apenas duas mas ainda chegamos a participar na Taça das Taças) raramente se saldaram por um sucesso face às expectativas sempre despertadas nos adeptos por essas participações.
Com excepção da inesquecível caminhada de 1986/1987 até aos quartos de final da taça Uefa e da eliminação uma década depois do então poderoso Parma as participações europeias vitorianas raramente fugiram da mediania restando-nos a consolação de pelo nosso estádio terem passado emblemas como Barcelona, Ajax, Lázio, Aston Villa, Parma, Atlético de Madrid, Borússia de Monchengladbach, Anderlecht , Celtic entre outros.
Sétimo clube português em número de jogos europeus o Vitória ainda deve a si próprio, neste século 21, uma grande participação europeia ao nível das conseguidas nos últimos anos por clubes que com ele disputam classificações como Braga ou Boavista.
Esperava-se que fosse este ano, quer devido à forma  como terminamos a época anterior quer por força do grupo que nos tocou em sorte, mas dada a forma como o plantel foi constituído, tarde e a más hora e mesmo assim com lacunas, começa a parecer que vai ser difícil que isso aconteça.
O jogo de ontem foi a prova disso.
E não deixa de ser sintomático que em noite de regresso à Europa, numa amena noite de Verão e com bilhetes e packs perfeitamente acessíveis, a lotação do estádio tenha estado abaixo dos 15.000 espectadores (menos de meia casa) o que traduz algum cepticismo dos adeptos em relação às possibilidades da equipa nesta competição.
E é esse o primeiro e grande problema que urge resolver.
Restaurar e reforçar a confiança e o entusiasmo dos adeptos desnecessariamente abalados por um início de época decepcionante.
Depois Falamos

Lisonjeiro

O regresso do Vitória às competições europeias esteve longe de corresponder às expectativas acalentadas pelos seus adeptos que porventura iludidos pelo "pouco" nome europeu do adversário terão pensado, em muitos casos, que seria uma equipa acessível a este Vitória.
A outros , de passado até recente, seria mas a este não.
Entrando em campo com uma verdadeira "sociedade de nações" afro-americanas (primeira vez na história das competições europeias em que uma equipa alinhou com onze não europeus, duvidosa "honra" que bem dispensávamos,...), com alguns jogadores acabados de chegar e que mal conhecem o nome dos colegas e outros em plena pré época (nalguns casos os mesmos) o Vitória só não foi uma presa fácil para a equipa austríaca porque esta revelou, felizmente para nós, uma pontaria desastrosa na hora de finalizar fazendo vários remates saírem perigosamente perto dos postes da baliza de Douglas.
No resto o Salzburgo, muito mais "equipa", controlou o jogo a seu bel prazer, impôs o ritmo que lhe dava jeito e quando acelerava no último terço do terreno criava situações de grande desconforto à defensiva vitoriana que se via em palpos de aranha para suster as jogadas de entendimento dos adversários que nalguns casos se davam ao "luxo" de trocarem a bola dentro da grande área do Vitória.
É certo que na primeira parte ainda existiram alguns períodos em que o Vitória desenvolveu jogadas de bom recorte e deu a sensação de poder aspirar a ganhar o jogo muito especialmente depois de se adiantar no marcador.
Mas o empate ao cair do pano, num lance em que Douglas ficou a meio caminho ( o que diriam alguns se fosse Miguel Silva a cometer aquele erro...), "matou" animicamente o Vitória que na segunda parte se foi abaixo,também fisicamente, e acabou o jogo a defender o resultado em casa perante o adversário em teoria mais acessível do grupo.
Sem que tivesse feito, em toda a segunda parte e tanto quanto me lembro, um único remate digno desse nome.
Com as duas primeiras substituições( o cabo verdiano Heldon e o português,aleluia, Kiko) o técnico vitoriano ainda tentou "consertar" a equipa e dar-lhe mais posse e melhor circulação de bola por um lado e mais criatividade nos flancos por outro mas foram tentativas falhadas perante um adversário que já controlava o jogo como queria.
Ao que num acto de pragmatismo, que se compreendeu mas se lamenta a necessidade, acabou por meter o brasileiro (décimo terceiro afro-americano utilizado no jogo) Rafael Miranda para ajudar a defender o "pontinho" possível.
No final do jogo, em declarações à imprensa, Pedro Martins considerou a conquista de um ponto um resultado positivo (e face ao que se viu até foi, mas esperava-se era ver muito mais) e atribuiu a queda de rendimento a "problemas mentais na equipa"(sic) , "problemas fisícos"  e "quatro ou cinco jogadores que ainda não estão bem fisicamente" (não se percebe então porque jogaram e muito menos porque jogaram todos) como se poderá confirmar aqui.
Desculpas e justificações à parte este melancólico inicio de participação do Vitória na Liga Europa tem uma explicação muito simples que todos conhecem e que só não reconhece quem se recusa a olhar para a realidade de frente.
Uma época mal preparada, contratações tardias e nalguns casos com valor por provar, jogadores que são nossos que foram mal dispensados e mal emprestados, um plantel inferior ao que iniciou e até ao que terminou a época passada, uma aposta completamente falhada em empréstimos que não se concretizaram, uma equipa abaixo do necessário para disputar as cinco competições que há muito tempo sabíamos que teríamos para disputar em 2017/2018.
Factos!
E por isso perdemos uma supertaça que estava ao nosso alcance, por isso ganhamos "à rasquinha" dois jogos em casa, por isso fomos goleados por Sporting e Estoril, por isso fomos empatar ao Paços de Ferreira mais fraco dos últimos anos.
Há que melhorar, e muito, para não ser mais um "ano zero", mais uma época frustrante, mais tempo perdido na construção da equipa que os adeptos merecem e que vem sendo sucessivamente adiada por erros de gestão desportiva.
Não sendo o mercado de desempregados solução para quase nada, por razões tão óbvias que me dispenso de as elencar,  será com os que estão que o Vitória terá de relançar a sua época e dar resposta aos difíceis compromissos que tem nas próximas semanas.
Mas para isso exige-se, a Pedro Martins, a criatividade, o risco e a abertura de espírito  necessários para tomar as decisões que se impõe.
Aguardemos...na certeza de que domingo já teremos de ter um Vitória diferente para melhor sob pena de as coisas se complicarem.
Depois Falamos.

quinta-feira, setembro 14, 2017

Avião


Caracol


Dubrovnik, Croácia


E Continuou...

Depois de ter começado na terça feira a primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões conclui-se ontem com os restantes oito jogos que com uma ou outra excepção foram menos interessantes que os que os antecederam.
Talvez também porque as equipas envolvidas, com algumas excepções (Real Madrid, Manchester City, Liverpool, Dortmund, Tottenham) , eram mais de perfil de Liga Europa do que de liga dos Campeões.
Os factos de maior destaque?
Três. 
A derrota caseira do Porto, os dois golos de Ronaldo e a convincente vitória fora de portas do Manchester City.
No "Dragão" um Porto confiante (e com adeptos muito divertidos depois da derrota na noite anterior do Benfica) foi surpreendido por uma boa equipa do Besiktas que segura a defender e venenosa a atacar construiu um triunfo que não deixa duvidas e que dará muito que pensar aos portistas.
Valerá que é um grupo tão equilibrado que está tudo em aberto (tal como no do Benfica em que apenas o Manchester United é de outro "mundo") e o Porto ainda poderá ir buscar fora o que perdeu agora em casa.
Duas notas a salientar: Uma para o facto de o Porto ter terminado o jogo tendo em campo seis jogadores (Ricardo, André André, Hernâni, Otávio, Marega e Soares) que já passaram pelo Vitória e cá deixaram gratas memórias. Curioso mesmo ter terminado o jogo com um trio de ataque (Marega,Soares e Hernâni) que tão importante foi na época passada em Guimarães!
A outra para o bonito aplauso do "Dragão" em pé aquando da substituição de Quaresma. O fair play e a gratidão ficam sempre bem.
Em Madrid Ronaldo regressou e não fez a coisa por menos; dois golos e a prova provada de que o Real sem ele vale para aí metade. Como se tem visto no campeonato aliás.
Em Roterdão passou o "furacão" Guardiola que levou o seu City a um triunfo esmagador deixando  a "banheira" afogada no desconsolo de um resultado que não esperava de forma nenhuma.
Este Manchester City promete quer na liga dos campeões quer no campeonato inglês.
Nos restantes jogos reinou o equilíbrio, ligeiramente quebrado na sólida vitória do Tottenham sobre o Dortmund (3-1), prometendo uma fase  de grupos bastante equilibrada e tornando praticamente impossível prever desde já quem passará à fase seguinte.
Com excepção, é claro, de clubes como Barcelona, Manchester United, Real Madrid, Manchester City, PSG, Chelsea e Bayern que já lá estão.
A 26 e 27 de Setembro há mais, com Sporting-Barcelona, Dortmund-Real Madrid e Atlético de Madrid.Chelsea a despertarem as maiores atenções.
Depois Falamos

Castelo de Pierrefonds, França


Mãe e Filho


Pôr do Sol


quarta-feira, setembro 13, 2017

Começou

A Liga dos Campeões, prova maior do futebol mundial a nível de clubes,teve ontem a primeira metade da primeira jornada da sua fase de grupos dando inicio a uma longa jornada que apenas será concluída a 26 de Maio de 2018 no estádio olímpico de Kiev na Ucrânia.
Muitos jogos por fazer, muitas classificações e apuramentos por definir, pelo que os jogos de ontem embora dando algumas indicações são apenas o pontapé de saída para a tal longa jornada.
Que destacar?
Desde logo a normalidade dos resultados, sem nenhuma surpresa de monta, embora o Sporting na Grécia pudesse ter construído um marcador "tipo Chelsea" antes da tremideira final ,que quase lhe comprometia um triunfo que pode ser muito importante para a continuidade nas provas europeias, e que seria certamente uma enorme surpresa.
Pela dimensão que a vitória podia ter atingido e não pela vitória em si.
No resto nada de estranho.
Na Luz, sem APAF nem VAR, o Benfica evidenciou as fragilidades que essas duas entidades o ajudam a esconder nas provas internas e perdeu naturalmente com uma equipa russa que também teve aquela pontinha de sorte que faz parte do futebol.
Manchester United e Bayern ganharam de forma clara a equipas que são mais fracas, enquanto o poder do dinheiro (que está a dar cabo do futebol em termos de competição) explica as cabazadas de PSG ao Celtic(em Glasgow) e Chelsea em casa face a um Qarabag que manifestamente não é destas andanças.
Na capital italiana o jogo mais equilibrado desta ronda, entre Roma e Atlético de Madrid,saldou-se por um empate final enquanto no Nou Camp o Barcelona derrotou claramente a Juventus por um 3-0 que não seria muito previsível face à valia dos transalpinos que pressupunha maior oposição.
Hoje há mais com os jogos da segunda metade desta primeira jornada.
A ver vamos.
Depois Falamos

terça-feira, setembro 12, 2017

Mocho


Tornado


Veneza


Directas ou Congresso ?

Já em publicação anterior tive oportunidade de me referir à apresentação dos candidatos aos orgãos autárquicos de Esposende que teve o privilégio de poder contar com a presença de Pedro Santana Lopes como orador principal.
Uma festa bonita, participada por 2500 pessoas, no decorrer da qual foram apresentados através da chamada ao palco todos os cabeças de lista às freguesias, os candidatos a deputados municipais e a vereadores para que todos os presentes pudessem ver quem integra as listas do PSD concorrentes ao município de Esposende.
Sendo uma candidatura a orgãos autárquicos naturalmente que todos os discursos incidiram nessa temática, incluindo o de PSL ele próprio antigo autarca, mas naturalmente que a referência que o ex líder do PSD fez ao processo de eleição de futuros lideres mereceu grande atenção da imprensa nacional.
Isto porque tendo sido Pedro Santana Lopes o "pai" das directas no PSD, na acepção de que foi o primeiro a propô-las e quem mais lutou por elas, tem enorme significado que seja ele quem agora propõe que o partido retorne à eleição do líder em congresso como se verificou durante muitos anos.
Pessoalmente sou, e sempre fui, a favor das directas.
Um método de eleição que permite que todos os militantes sem excepção, desde que com as cotas em dia e no pleno gozo dos seus direitos , participem na eleição do líder do partido dando-lhe a legitimidade acrescida resultante dessa participação universal.
Que no tempo em que foi aprovada (era líder Marques Mendes mas a proposta partiu de Luís Filipe Menezes) tinha como principal objectivo permitir a participação de todos os militantes na eleição mas também combater o efeito nefasto de  eleições em congresso em que havia um número substancial de inerências que muitas vezes desvirtuavam a vontade das bases expressa através dos delegados eleitos.
Foi assim, por exemplo e para não ir mais longe nem aprofundar demasiado...o exemplo, que em 1995 Fernando Nogueira derrotou Durão Barroso e Santana Lopes no célebre congresso do Coliseu que foi provavelmente o mais mediático congresso partidário alguma vez realizado em Portugal.
As bases queriam Barroso mas as inerências inclinaram a balança para Nogueira.
Passados onze anos da instituição das directas, eleitos por esse método Luís Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho é tempo de reavaliar a sua utilidade e a sua adequação aos tempos presentes?
Creio que sim.
Porque embora defenda as directas como princípio também estou de acordo com PSL quando refere os malefícios que delas se apossaram através de sindicatos de voto, da sobreposição de interesses pessoais e/ou de facção aos interesses do partido, aos votos arranjados "à pressa" e de qualquer maneira que depois pesam nas eleições.
E até vou mais longe.
Creio que também para os orgãos distritais se devia repensar o método de eleição considerando a possibilidade de voltar a elege-los em assembleia distrital e abandonando a  eleição directa que agora se utiliza.
Precisamente pelas mesmas razões que PSL evoca para o método de eleger o líder.
Seja como for creio que ao introduzir o tema, suscitando o seu debate e apontando alguns dos problemas que corroem o partido por dentro, Pedro Santana Lopes prestou um bom serviço aos PSD.
Mais um afinal.
Depois Falamos.

Momentos PSD

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

Este fim de semana tive a sorte, porque isto de política também se faz com sorte (e ela costuma dar muito trabalho), de participar em dois eventos totalmente diferentes, em concelhos diferentes, com candidaturas também elas diferentes mas com dois pontos comuns.
O serem lideradas por candidatos do PSD e o tratar-se da apresentação dos candidatos às eleições autárquicas do próximo dia 1 de Outubro.
O primeiro evento foi em Esposende.
Um jantar comício, realizado na Quinta da Malafaia, e onde estiveram presentes mais de duas mil e quinhentas pessoas naquilo que foi definido como um comício “à PSD”.
Bandeiras laranja, hino do partido, candidatura do PSD que concorre sozinho à Câmara Municipal de Esposende como sempre o fez ao ao longo de toda a sua História nesse concelho, e um enorme entusiasmo de todos os presentes.
Especialmente aquando da chegada, do discurso e da saída do convidado de honra do evento.
Pedro Santana Lopes.
Um militante histórico do PSD, que já foi líder do partido e primeiro ministro, deputado e líder parlamentar, que ganhou para o PSD duas câmaras que o partido nunca tinha ganho sozinho (Figueira da Foz e Lisboa) e que por isso desfruta nas bases de uma simpatia e um carinho proporcionais ao carisma que possui e que foi cimentado por quarenta anos de vida política sempre no PSD e sempre ao serviço do PSD.
Liderando, apoiando ou criticando lideres, Pedro Santana Lopes nunca confundiu amigos com inimigos, companheiros com adversários, horas de debater e horas de unir esforços e sempre esteve na primeira linha do combate político e muitas vezes escolhendo ele próprio as “trincheiras” mais difíceis onde o combate era mais árduo e de resultado mais incerto.
E os militantes reconhecem isso.
E por isso lhe tributam uma admiração que não teme comparações com a tributada a qualquer outro militante do PSD.
Por mais ilustre que seja ou tenha sido.
Francisco Sá Carneiro à parte é claro.
No domingo tive oportunidade de assistir à apresentação dos candidatos da coligação “Juntos por Guimarães” efectuada no parque da cidade junto ao pavilhão do Vitória.
Diferente do evento de Esposende em muitas coisas.
Desde logo por se tratar de uma coligação de cinco partidos que decidiram unir esforços e superar divergências em prol do que entendem como melhor para Guimarães ao contrário do que sucede em Esposende onde,como sempre, o PSD concorre sozinho.
Realizada no fim de almoço, ao ar livre e num espaço aberto, com apenas dois discursos (em Esposende na velha tradição do PSD tinham sido cinco) e sem nenhum convidado de honra sendo as “despesas” das intervenções por conta dos candidatos à Câmara e Assembleia Municipal.
Mas ouve pontos comuns entre os dois eventos.
Desde logo a elevada participação popular em ambos a indiciar num caso a reconfirmação da maioria absoluta pela oitava vez consecutiva e no outro a onde de mudança que varre Guimarães e que terá a sua máxima expressão a 1 de Outubro.
E nos discursos.
Em Esposende onde candidatos à Câmara e Assembleia Municipal, mandatário da candidatura e eurodeputado José Manuel Fernandes proferiram boas intervenções mas em que se destacou a grande altura a intervenção de Pedro Santana Lopes que marcou de forma indelével a sessão.
Em Guimarães, onde depois de uma intervenção curta do candidato à assembleia municipal José Pedro Aguiar Branco a apelar ao voto também para esse orgão tantas vezes esquecido nas campanhas autárquicas, se assistiu a uma brilhante intervenção de André Coelho Lima que galvanizou os presentes e mostrou estar em grande forma para utilizar uma linguagem desportiva de que ele também gosta.
Um discurso incisivo, mostrando profundo conhecimento de um concelho que tem percorrido de forma incessante, um conjunto de propostas inovadoras que resultam de um profundo trabalho feito junto das associações, das pessoas, dos clubes, das ipss e de todos quantos representam o tecido social do concelho.
E ,é claro, de muito estudo, de muito trabalho de equipa, de um conhecimento profundo de Guimarães.
Se em linguagem desportiva se pode dizer que André Coelho Lima está em grande forma, em linguagem culinária dir-se-ia que está no “ponto” e em linguagem temporal que chegou a sua hora.
A hora de ser presidente a Câmara Municipal de Guimarães e de lançar a cidade, as vilas e freguesias, todo o concelho num novo ciclo de desenvolvimento, de ambição, de liderança regional e afirmação nacional.
É a hora de André Coelho Lima liderar Guimarães.
E a hora de Guimarães tornar isso possível.

segunda-feira, setembro 11, 2017

O Nosso 14

Pedro Martins procedeu a uma revolução no onze inicial dando a titularidade a sete jogadores que ainda não o tinham sido esta época nalguns casos porque acabam de chegar depois de um fecho de mercado aquém das expectativas.
E isso "paga-se", como é evidente, no entrosamento da equipa, nos processos de jogo utilizados, na adaptação que os "novos" tem de fazer ao plantel, ao próprio estádio e aos adeptos.
Foi um risco,elevado, que correu bem mas se não tivesse corrido (um golo solitário fez a diferença) podia ter aumentado a insatisfação dos adeptos e colocado ainda mais pressão nos jogadores para os jogos com Salzburgo e Braga.
Individualmente:
Douglas: Fez bem feito o que tinha para fazer. Incluindo três excelentes defesas a negarem o golo a perigosos remates.
Vítor Garcia: Em estreia absoluta deixou boas indicações. A confirmar em jogos de maior grau de dificuldade.
Jubal: Estreia como titular e uma exibição tranquila.
Pedro Henrique: Um jogo que lhe correu de feição sem grandes problemas para resolver.
Konan: Estreia nesta época depois de lesão prolongada a confirmar as qualidades que se lhe reconhecem. Fisicamente é que pareceu ainda longe do melhor o que se compreende.
Wakaso: Também ele em estreia absoluta  fez um boa exibição dando ao meio campo a combatividade e a garra que lhe vinham faltando. Sem duvida um aexcelente aquisição. tardia mas excelente.
Kiko: Pedro Martins apostou na sua estreia como titular e ganhou a aposta. Um belo jogo feito de futebol simples, tratando a bola por tu, jogando com ambos os pés embora seja esquerdino de raiz, fazendo excelentes passes e sem medo de arriscar no remate de meia distância. Num deles teria feito um golo de levantar o estádio não fora a espectacular defesa do guarda redes. Um jovem que promete mas a quem, aos 20 anos, não se pode exigir o "céu". Como nalguns momentos alguns adeptos pareceram exigir.
Sturgeon: Foi titular mas não correspondeu à aposta. Saiu ao intervalo . Naturalmente.
Rincon: Outra estreia absoluta marcada pelo golo do triunfo e por alguns apontamentos interessantes. Vê-se que tem talento mas precisa de tempo para se adaptar. Pode vir a desempenhar nesta equipa o papel que Marega desempenhava na do ano passado.
Rafael Martins: Prossegue o "drama" dos pontas de lança. Em cinco jogos Rafael Martins, Texeira e Estupinan (com tempos de utilização diferentes é certo) não marcaram um único golo e o colombiano até foi rodar para a equipa B. Ontem Rafael fez mais uma exibição discreta não ganhando lances e não rematando a não ser numa oportunidade única em que atirou muito por cima. Estão a faltar os golos para trazerem a moralização.
Raphinha: O mais dinâmico dos avançados vitorianos. Fez a assistência para o golo a par de algumas boas iniciativas.
Foram suplentes utilizados:
Hurtado: A equipa melhorou claramente com a sua entrada face à forma como dinamizou e esclareceu os processos ofensivos.
Heldon: Outra estreia mas com pouco tempo para se mostrar.Outras oportunidades haverá.
Rafael Miranda: Entrada apenas para queimar tempo. Não sei se chegou a tocar na bola mas a sua entrada significou,não por causa dele é claro,um momento triste. O Vitória passou a jogar com onze estrangeiros. Não é esse o caminho do sucesso desportivo e gestionário seguramente.
Não foram utilizados:
Miguel Silva, João Aurélio, Marcos Valente e Texeira

Melhor em campo: Kiko

Ao fim de cinco jogos a equipa tem sete pontos (tantos como na época passada) e leva em termos de golos o score desfavorável de 4 marcados e 10 sofridos (o ano passado tinha 8 marcados e 8 sofridos) o que mostra que se em termos pontuais a situação é idêntica já a defender e a atacar o saldo piorou de forma significativa.
É aí que está o "calcanhar de Aquiles " desta equipa e são os sectores que Pedro Martins terá de trabalhar mais aturadamente.
Sendo certo que em termos de defesa,com zero golos sofridos nos últimos dois jogos, o trabalho parece estar mais adiantado.
Depois Falamos.

Medusa


Castelo de Vajdahunyad - Transilvânia


Três Pontos

Era um jogo "perigoso".
Desde logo porque face um clube a que nos ligam mais de quarenta anos de péssimo relacionamento e muitas queixas para o nosso lado de prejuízos diversos desde uma Taça de Portugal roubada a apuramentos europeus prejudicados passando pelo "Apito Dourado" de que o Vitória foi uma das grandes vítimas.
E se na actualidade o Boavista é uma pálida sombra do passado, tendo esta época uma equipa que vai ter franca dificuldade em se libertar dos últimos lugares tão fraca é, a verdade é que jogos com esta carga emotiva são sempre de desconfiar.
Por outro lado o periclitante início de campeonato do Vitória, com apenas um triunfo em quatro jogos e sofrendo duas derrotas pesadas com Sporting e Estoril (onde ontem o Moreirense ganhou à vontade)traziam à equipa uma carga adicional de responsabilidade que nem sempre é a melhor conselheira em situações destas.
Se a isso acrescentarmos que numa radical renovação da equipa Pedro Martins deu estreia absoluta a Wakaso,Vitor Garcia e Rincon, estreou como titulares Kiko, Jubal e Sturgeon, e estreou esta época Konan recuperado de lesão, constata-se que apenas Douglas,Pedro Henrique, Raphinha e Rafael Martins tinham sido até então presenças regulares, o que obviamente se repercutiria nos processos de jogo e entrosamento do onze.
Foi o que aconteceu.
E isso deu origem a uma primeira parte do Vitória em que não conseguiu impor o seu jogo, não conseguiu criar lances de perigo e também não conseguiu marcar.
E se é verdade que defensivamente também não teve grandes problemas (apenas uma defesa apertada de Douglas) e no meio campo a dupla Kiko/Wakaso deu boa conta do recado, no ataque nada funcionou e a defensiva boavisteira neutralizou facilmente as poucas tentativas de construir jogadas com principio , meio e fim.
Ao intervalo Pedro Martins mexeu bem na equipa ,tirando Sturgeon e lançando Hurtado, e o futebol vitoriano melhorou claramente com a troca porque Kiko (bela exibição) passou a ter apoio efectivo na construção de lances ofensivos e a defesa adversária começou a enfrentar problemas que até então não tivera.
O Vitória fez um golo, podia ter feito mais um ou outro como num espectacular remate de Kiko à entrada da área e não menos espectacular defesa de Vagner, e essencialmente passou a jogar melhor a toda a largura do terreno e com alguns lances interessantes.
Do outro lado Douglas tinha pouco que fazer mas nesse pouco ainda teve tempo para duas excelentes defesas a negarem golos "cantados" ao Boavista que poderiam ter dado ao marcador uma evolução injusta face ao que se viu durante os 90 minutos.
Em suma um triunfo justo do Vitória, algumas apostas ganhas ou a caminho disso e a necessidade de dar tempo a alguns jogadores para se entrosarem na equipa, no clube, no próprio campeonato para que o plantel possa dar o máximo que está ao seu alcance.
Sendo certo, sem demagogias nem a necessidade que outros terão de dizerem o que dizem, que até Janeiro este plantel é inferior ao que tínhamos a época passada nesta mesma altura.
Jorge Sousa fez uma arbitragem de pequenos erros, pequenas tolerâncias face ao jogo faltoso do Boavista, mas no computo geral perfeitamente aceitável.
Depois Falamos.

Vídeo Vigarice

O meu artigo desta semana no zerozero.

A sete de Agosto, pouco mais de um mês atrás, escrevia aqui no zero uma crónica a que dei o titulo de “A Morte do Vídeo-Árbitro” inspirada na final da supertaça entre Vitória e Benfica em que uma arbitragem desgraçada (como sempre que aparece no caminho do Vitória) de Soares Dias levara o Benfica ao colo até à conquista do troféu sem que da parte do vídeo-árbitro acontecesse qualquer intervenção no sentido de minorar as asneiras do apitador.
Sendo como sempre fui adepto das tecnologias como auxiliares das equipas de arbitragem, por considerar no plano das intenções que isso traz verdade desportiva ao futebol, sempre achei que a excelente intenção da FPF em fazer do nosso futebol pioneiro na introdução do vídeo-árbitro seria traída na prática pelo “sistema” de viciação de resultados que desde sempre existe no futebol português.
Pela mais simples das razões.
Por não acreditar que quem nos relvados ,de apito na boca,  favorece os chamados “grandes e entre eles especialmente o Benfica (como no passado o Porto) se transformasse por um qualquer passe de mágica num juiz imparcial e isento que atrás dos ecrans contribuísse para a verdade desportiva.
Sendo certo que lá longe dos estádios, instalados na “Cidade do Futebol”, sem a pressão do público adversário dos chamados “grandes” ,sem a pressão dos jogadores e “banco” dos prejudicados, se torna muito mais fácil ajudar a inclinar os relvados a favor dos favorecidos de sempre.
A prova está feita pelo que vai destas curtas cinco jornadas de Liga.
E se alguma coisa faltasse para provar que o vídeo-árbitro é uma aposta falhada, e que apenas contribui para desequilibrar ainda mais o que já estava muito desequilibrado, o que aconteceu na Luz (não há coincidências) no Benfica-Portimonense é a prova definitiva de que o “crime” compensa.
Desde logo, e antes do jogo começar, foram muitos os que estranharam que pela terceira vez em apenas cinco jogos o vídeo-árbitro (VAR) designado fosse Fábio Veríssimo que toda a gente sabe ser benfiquista e que ao longo dos poucos anos de carreira se tornou notado por algumas arbitragens em que o seu clube nunca saiu com qualquer razão de queixa para pormos as coisas de forma simpática.
E a estranheza confirmou ter toda a razão de ser.
Sabe-se que o Benfica está a ter um início de época menos bom, que não teve uma época de transferências que aumentasse à qualidade do plantel entre entradas e saídas, pelo que as ajudas adicionais serão sempre bem vindas rumo a um penta ameaçado por Porto e Sporting bastante mais fortes que na época passada.
E por isso o vídeo-árbitro terá de ser o grande “reforço” encarnado nesta temporada. E nas próximas.
E está a cumprir o seu papel.
Atentemos no que se passou.
Depois de uma primeira parte sem golos o Portimonense abriu o marcador , contra o esperado, e instalou-se o alarme na “nação” benfiquista o que levou a que no primeiro lance em que houve a oportunidade um jogador benfiquista se atirar para o chão (três ou quatro minutos depois do golo algarvio) o árbitro prontamente cumprisse o seu “dever” e marcasse um penálti que não existiu e expulsasse o jogador algarvio que não tinha feito qualquer falta!
Dois erros grosseiros.
Curiosamente nem o árbitro teve qualquer duvida no ajuizar do lance nem o minutos depois tão excitado VAR lhe deu qualquer indicação no sentido de , ao menos, rever o lance nos ecrans.
O Benfica empatara, o Portimonense ficara enfraquecido para o resto do jogo passando a jogar com dez, tudo no “bom” caminho depois deste claro favorecimento ao Benfica.
Minutos depois o clube da casa chegava à vantagem e instalava-se a convicção de que o objectivo estava cumprido e o arbitro mais o VAR tinha cumprido a sua “patriótica” missão.
Mas, azar dos Távoras, enganaram-se e a dois minutos do fim num lance de contra ataque o Portimonense chegou ao empate mesmo jogando com dez contra onze e instalava-se o pânico.
Era hora de o até então mudo VAR intervir para ajudar.
Conhece-se, através da gravação publicada pela FPF , o entusiasmo e a excitação (que nem um líder das pelos vistos inexistentes claques benfiquistas conseguiria igualar) com que o VAR mandou anular o golo bem como a forma como se referiu ao jogador algarvio  “...o gajo...” revelando o incómodo pela jogada que ele protagonizara e usando uma padrão de linguagem pelos vistos inspirado em...Jorge Sousa.
Mas isso não é o pior.
O pior é que não há nenhuma imagem que fundamente a decisão. Nenhuma!
Porque as imagens disponibilizadas manhosamente pela Benfica Tv (outra aberração esta de o VAR decidir com base em imagens pertencentes ao canal televisivo de um dos intervenientes) em momento algum mostram o relvado em toda a sua largura o que permitiria ao VAR certificar-se que no lado oposto aquele em que se desenrolou a jogada não estava nenhum jogador do Benfica a colocar em jogo o jogador do Portimonense.
Pelas imagens disponibilizadas parece haver de facto um fora de jogo milimétrico (mas tanto é fora de jogo por um metro como por um milímetro como é evidente) mas são imagens que não servem para nada porque não permitem, como atrás disse, ver o relvado a toda a largura.
E apenas essas permitiriam ao VAR decidir de forma justa.
Assim, com base naquelas imagens, não foi uma decisão.
Foi mais um frete ao Benfica.
E por isso se em Agosto considerei que ao segundo jogo oficial o vídeo-árbitro estava morto como auxiliar eficaz da verdade desportiva agora, e face a tudo que se tem visto (e ouvido), resta-me apenas esperar e desejar que o vídeo-árbitro não seja mais um factor a ajudar a que um dia destes aconteça uma desgraça num estádio deste país.
É que um dia, a continuarmos assim, a indignação dos que estão fartos de ser aldrabados e prejudicados vai atingir um ponto de ruptura de consequências imprevisíveis mas seguramente muito desagradáveis.
E quem não vir o futebol com palas, quem não ache que para o seu clube ganhar vale tudo incluindo as maiores desonestidades, quem queira um futebol sério e com verdade desportiva, sabe que o atrás escrito tem razão de ser.

Leão Trepador


Comboio


Lago


sexta-feira, setembro 08, 2017

Taça da Liga

Mesmo sendo a menos prestigiadas das competições nacionais, incluindo situações várias como a escandalosa protecção a três clubes no regulamento da prova, a verdade é que a taça da liga (agora chamada CTT) é uma competição oficial que dá um troféu e enriquece (pouco mas enriquece...) o palmarés de quem a ganha.
Não tem a importância do campeonato, nem a carga simbólica da Taça de Portugal, tão pouco a tradição da supertaça mas é uma prova que vai fazendo o seu caminho...pelos caminhos de Portugal.
Quero com isto dizer que vai ganhando tradição, hábitos de consumo por parte dos adeptos, e a isso não será estranho o modelo de "final four" agora aplicado e que vai permitir que os jogos derradeiros viajem pelo país.
O ano passado foi em Faro no estádio Algarve, este ano será em Braga na Pedreira e para o ano noutra cidade e noutro estádio.
Acho bem.
Para a edição deste ano o sorteio já realizado colocou o Vitória num excelente grupo atendendo aos seus interesses.
Desde logo porque são equipas de uma bitola inferior embora convenha não esquecer que uma delas é o brilhantíssimo vencedor da última edição da prova.
Mas convenhamos que receber Feirense e Oliveirense e deslocar-se a Moreira de Cónegos, ou seja fazer todos os jogos no concelho de Guimarães, é um cenário de verdadeiro sonho que exige a passagem à "final four".
Em Braga.
E tirando o nosso estádio e o Jamor não conheço nenhum estádio onde nos desse tanto prazer vencer uma competição.
É certo que face ao vergonhoso regulamento da prova encontraremos na meia final o Benfica ou o Braga (salvo grande surpresa) e depois na final, se lá chegarmos, Porto ou Sporting adversários que não serão nada fáceis de ultrapassar.
Mas cada coisa a seu tempo.
Com este calendário, e sabendo-se de há muito que a "final four" será em Braga, há que garantir presença nessa fase da competição.
Depois Falamos.

Nascer do Sol


Cisne


quarta-feira, setembro 06, 2017

Mudança

A sondagem ontem publicada pelo jornal "Mais Guimarães" é o mais relevante facto político desta pré campanha no concelho onde nasceu Portugal e talvez mesmo o mais relevante destes vinte e oito anos de poder absoluto do PS.
Porque pela primeira vez em quase três décadas há uma possibilidade real, e forte, de uma candidatura liderada pelo PSD vencer o PS e levar a cabo uma enorme mudança na gestão do município.
É uma sondagem credível, com ficha técnica publicada, dada à estampa num orgão de comunicação social isento e imparcial que não faz fretes a ninguém e por isso deve ser levada a sério e os seus resultados relevados.
É verdade que a candidatura socialista ainda vai à frente e que ainda há 28% de indecisos o que significa que muita coisa ainda pode acontecer e há vários resultados possíveis.
Mas quando a pouco mais de três semanas das eleições, e depois de uma longa maratona de quatro anos sempre a recuperar terreno, André Coelho Lima entra na recta da meta ombro a ombro com Domingos Bragança é perfeitamente legítimo pensar-se que a sua candidatura está numa dinâmica de vitória enquanto a do ainda presidente está a perder lastro todos os dias.
Como clara se torna outra coisa:
Para aqueles que querem mudar o ciclo, para os que entendem que vinte e oito anos de absolutismo chegam, para os que reconhecem em André Coelho Lima e na coligação que lidera os protagonistas ideais com as proposta mais adequadas para fazer o concelho de Guimarães entrar numa nova etapa, então para esses o voto da mudança só pode ser em "Juntos por Guimarães".
É preciso concentrar esforços, e votos, em quem pode realmente vencer para mudar.
Faltam três semanas ,e há 28% de indecisos que é preciso conquistar com muito trabalho (e ninguém trabalhou tanto como André Coelho Lima em prol do esclarecimentos dos cidadãos e da apresentação das suas ideias e ideais), mas nunca a mudança esteve tão perto.
Eu acredito que é desta!
Depois Falamos.

P.S. A empresa que fez a sondagem é o IPOM.
Conheço muito bem a empresa e o seu sócio gerente.
Com eles trabalhei quando desempenhei funções em direcções de campanha de várias eleições, Autárquicas e outras, encomendando-lhes algumas sondagens locais e nacionais.
Nunca erraram uma sondagem!

Farol


Borboleta


terça-feira, setembro 05, 2017

Mudar é Preciso

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

No próximo dia 1 de Outubro os vimaranenses terão uma oportunidade, renovada de quatro em quatro anos, de reconduzirem o partido que vem governando o município desde 1989 ou de darem uma oportunidade à coligação "Juntos por Guimarães" de levar para o largo de Santa Clara novos protagonistas, novas ideias e uma visão diferente do que deve ser o nosso concelho.
É uma opção sem qualquer dramatismo nem qualquer outra leitura que não a meramente política.
Porque em democracia a alternância é normal, é democrática, é desejável especialmente quando quem exerce o poder já o faz há um quarto de século com o natural desgaste que o passar do tempo provoca e quando quem se lhe opõe surge com melhores ideias e projectos que suscitam a adesão dos eleitores.
Não percebo por isso o dramatismo que o PS quer transmitir a estas eleições, quase como se aquilo que estivesse em causa fosse a soberania nacional ou o regime democrático, agitando fantasmas sem razão de ser e esgrimindo argumentos desactualizados pelo tempo e pela evolução das sociedades.
Percebo, isso sim, que para quem está habituado a estar no poder há muitos anos isso de alternância seja uma enorme maçada que pode mexer com o "status quo" de muitos e obrigar outros a equacionarem as suas opções de vida.
Mas isso é normal em democracia.
Já não será tão normal, mas vamos-nos habituando, à forma como o PS quase que quer obrigar os vimaranenses a sentirem-se no dever de neles votarem porque a câmara fez isto ou aquilo e este ou aquele governo socialista , mesmo o “geringonçeiro” de que em relação a Guimarães apenas se conhecem vagas promessas diferidas no tempo,fez aqueloutro.
Quem quiser ter memória,  se quisermos ir por esse caminho de falar do que está para trás, e ser justo reconhecerá que também governos do PSD fizeram muito por Guimarães e as câmaras lideradas por António Xavier tiveram acção importante em várias áreas (na cultura e na recuperação do património por exemplo que a esquerda tanto gosta de considerar coutadas suas)e se mais não fizeram no mandato 1985/1989 foi porque a partidarite socialista preferiu paralisar a acção do executivo do que permitir que este fizesse mais pelo concelho.
São factos!
Como factos são o reconhecer-se hoje que o governo da geringonça , ao contrário do apregoado em desespero de causa pelo PS de Guimarães,  mais não tem feito por esta Terra do que espalhar promessas,ao bom estilo socialista sem que na prática se veja algo de real.
Da sustentabilidade dos espaços de CEC 2012 ao nó de Silvares os exemplos não faltam!
Mas o que interessa, essencialmente, é o futuro
E na minha opinião, e por isso sou candidato nas suas listas, a coligação "Juntos por Guimarães" tem melhores ideias, projectos diferenciadores e melhores protagonistas para proporcionar ao concelho um desenvolvimento compatível com as suas necessidades do que um PS cujo lema de campanha é "Continuar Guimarães" quando em boa verdade devia ser “Continuar em Guimarães” que é o “cimento” que une uma candidatura fragilizada por dissensões internas e por  arrebanhamentos externos que apenas servem para acentuar descontentamentos.
E esse é, também, um ponto que importa realçar.
Enquanto a coligação “Juntos por Guimarães” se construiu e apresenta aos eleitores como uma conjugação de esforços e boas vontades de cinco forças políticas que souberam valorizar o que as une e deixar de lado o que as separa o PS aparece com uma imagem de divisões internas que apenas o desejo de se manterem no poder a qualquer preço permitiu manter unidas facções cujas disputas se prolongarão para lá das eleições autárquicas.
Não nego ao PS, seria um disparate fazê-lo, o seu lugar na História de Guimarães.
Creio é ser tempo de deixar ao PS a ocupação desse seu lugar e permitir que a coligação "Juntos por Guimarães" trate do Futuro se for essa a vontade dos vimaranenses.

P.S: A forma de agir e opinar de alguns apoiantes recentes ou reconvertidos da candidatura socialista, enveredando por ataques pessoais a André Coelho Lima, explicam muito do que tem sido a cada vez mais desesperada estratégia de manutenção de poder do PS.
Mas a isso darão os eleitores a devida resposta!

segunda-feira, setembro 04, 2017

Pôr do Sol


New Jersey


Família Albatroz


Fecho de Mercado

O meu artigo desta semana no zerozero.

A forma como funciona o mercado de transferências no futebol é bem demonstrativo da volatilidade das situações , da falta de planeamento dos clubes, da tentação em fazer à ultima hora aquilo que tiveram tempo para fazer durante meses de forma organizada.
É também, como não, o “paraíso” dos empresários que com estes negócios de ultima hora e portanto altamente inflacionados fazem chorudas comissões que oneram as transferências e alimentam de forma substancial aqueles que não jogam, não treinam, não dirigem mas ganham fortunas.
Incongruências.
Já para não falarmos do disparate que é permitirem-se entradas e saídas de jogadores já com os campeonatos em curso e dificultando de sobremaneira o trabalho dos treinadores que muitas vezes veem a pré época e as primeiras semanas de competição deitadas fora por saídas de ultima hora que lhes debilitam os grupos de trabalho.
Creio que a UEFA e a FIFA deviam intervir seriamente nessa matéria regulamentando as épocas de transferências de molde a que todos os clubes de todos os países se encontrassem em igualdade de circunstâncias e não como acontece na actualidade com mercados a fecharem em datas diversas com óbvio prejuízo para os que fecham primeiro.
Bastará exemplificar que com mercados como China e Rússia ainda abertos, e o português já fechado, qualquer um dos nossos clubes que veja jogadores seus partir para esses países só poderá suprir a baixa em Janeiro.
No que concerne aos cinco principais clubes portugueses,e agora que o mercado está encerrado por quatro meses, é possível fazer um balanço das suas movimentações em termos de entradas e saídas bem como das perspectivas que os seus grupos de trabalhos lhes permitem alimentar.
Começando pelo Benfica é evidente que o mercado lhe correu melhor em termos financeiros do que desportivos.
Ninguém auferiu tanto como os encarnados em termos de receita de venda de jogadores com Ederson, Nélson Semedo e Mitroglou a constituírem excelentes encaixes financeiros mas a contrapartida é um plantel que não conseguiu alternativa para Ederson (Bruno Varela para campeonato e especialmente liga dos campeões é muito...curto) nem reforçar o centro da defesa à altura de necessidades que já vem do passado.
Será certamente um forte candidato ao titulo mas dificilmente o principal favorito.
O Porto teve o seu mercado mais “sui generis” de sempre.
Limitou-se a contratar um terceiro guarda redes,a emprestar um jovem com talento mas a precisar de jogar (João Carlos Teixeira),a libertar-se de alguns excedentários e nada mais.
Nada mais?
Puro engano.
Fez regressar cinco jogadores emprestados (Aboubakar, Ricardo, Hernâni,Marega e Reyes) que depois de épocas de sucesso nos clubes a que estiveram cedidos regressam em plena maturidade e dispostos a lutarem por um lugar ao sol.
Não fez contratações mas tem cinco verdadeiros reforços que lhe permitirão ser ,também ele, forte candidato ao titulo.
O Sporting esteve muito activo na dupla vertente entradas e saídas sendo seguramente dos candidatos ao titulo o que mais se reforçou.
Guarda redes, laterais,centrais, médios, extremos e ponta de lança para todos os sectores se registaram entradas no plantel leonino.
Fábio Coentrão, Mathieu, Doumbia, Bruno Fernandes e Acuna serão os mais sonantes mas há vários outros de muito boa qualidade a espreitarem a titularidade em compita com os que transitaram da época anterior.
Nas saídas aquela que poderá ter mais impacto no plantel é a do “capitão” Adrien,pela valia futebolística e pela influencia no balneário, mas o conseguir manter William Carvalho e a “explosão” competitiva de Bruno Fernandes poderão contrabalançar isso.
Possivelmente os “leões” serão, neste momento, os mais fortes candidatos ao titulo.
O Braga destacou-e neste mercado pelos grandes negócios que fez e pela conciliação que disso conseguiu fazer com o reforço acentuado da equipa.
Vendeu Rui Fonte (Fulham) e os jovens Bruno Jordão e Pedro Neto (Lázio) por muitos milhões e reforçou a equipa com um lote valioso de jogadores com saliência para os emprestados João Carlos Teixeira (Porto) ,André Horta (Benfica)e André Moreira(Atlético de Madrid) e para as aquisições Dyego Sousa, Fransergio, Esgaio, Jefferson, Raul Silva, Paulinho e o regresso do emprestado Fábio Martins.
Um plantel muito forte, grande candidato ao quarto lugar ou até a mais do que isso se algum dos candidatos ao titulo fraquejar.
Resta falar do “meu” Vitória.
Mal a contratar, mal a vender e mal a emprestar ou ceder a titulo definitivo.
Emprestou e dispensou jogadores que lhe vão fazer falta (Valente,João Afonso, Alex, Tozé, até Tyler Boyd o melhor jogador da equipa B na época passada) sem sequer cuidar de ter alternativas para as suas posições.
No caso de Valente permitindo até que fosse reforçar um competidor directo no apuramento para as competições europeias...
Vendeu por valores baixos, como de costume, titulares como Josué e Zungu (Bruno Gaspar com a ajuda do Benfica acabou por nem ser mau negócio) debilitando sectores que já de si careciam de reforço e não de enfraquecimento.
E fez contratações que quase todas, para ser ...simpático, vão precisar de provar que mais do que contratações são verdadeiros reforços capazes de darem qualidade ao plantel e competitividade à equipa.
Dos jovens sul americanos Estupinam e Rincon sem qualquer experiência do futebol europeu à jovem promessa portuguesa Francisco Ramos ou venezuelana Vítor Garcia é todo um mundo de interrogações sobre como reagirão à realidade competitiva da primeira liga e à elevada exigência que jogar no Vitória acarreta.
Os restantes três reforços (assim se espera...) passam pelo emprestado Heldon cuja carreira tem sido apenas mediana depois de muito prometer no Marítimo, por Wakaso que deixou uma boa imagem quando passou pelo Rio Ave e por outro emprestado, desta vez pelo Arouca(não,não é engano...), de seu nome Jubal cuja capacidade de resposta em termos de jogar num clube como o Vitória que compete para lugares europeus e na Liga Europa é desconhecida.
Em suma depois de um excelente quarto lugar e da presença no Jamor esperava-se um plantel mais forte, mais competitivo e ainda mais ambicioso de acordo com aquela que é a visão que os adeptos tem para o seu clube.
Saiu “isto”.
Que dificilmente pode deixar de ser considerado como uma enorme desilusão.
Resta agora a realidade dos jogos e das competições provar, sem margem para duvidas, os acertos e os erros dos cinco clubes nas suas movimentações de mercado e a forma como souberam responder às expectativas dos seus adeptos.
Deixemos a bola rolar.

domingo, setembro 03, 2017

A Aula do Professor

Não há ninguém em Portugal que uma certa esquerda, demagoga e irresponsável, populista e ultrapassada no tempo, deteste mais do que Aníbal Cavaco Silva.
Talvez porque ninguém a derrotou tantas vezes como ele, talvez porque na sua passagem pelos governos e pela Presidência da República nunca lhes tenha aparado o jogo ou feito fretes dentro daquele "politicamente correcto" que alguns não esquerdistas tanto gostam de cultivar.
Certo é que a esquerda o detesta.
E teme.
E bastou, mais de um ano após ter deixado Belém, ter ido a uma organização da juventude do seu partido dar uma aula para a esquerda trauliteira e nada democrática( na qual agora o PS alinha ao arrepio da própria História)  aparecer a vomitar baba e ranho contra as suas afirmações.
Contestando até, imagine-se ao que chega a arrogância desta esquerda, o seu direito de cidadão de as proferir.
O que Cavaco disse em Castelo de Vide acerca de realidades e ideologias é Verdade!
Como verdade é que alguns socialistas europeus, como Hollande e Tsipras, tiveram entradas de leão e saídas de sendeiro quando a realidade dos factos foi muito mais forte que a demagogia das promessas que os levaram ao poder.
Como é ainda verdade que a maioria dos políticos actuais falam muito e dizem pouco, caem numa verborreia desnecessária e não sabem salvaguardar as distâncias em relação à comunicação social.
Tudo isto é verdade.
Como verdade é que em Portugal, como em muitas outras democracias, são postas a circular notícias falsas como forma de combate político que não olha a regras nem princípios.
Mas a verdade incomoda.
Incomoda uma esquerda que não gosta de ver posta em causa a sua governação nem os estrondosos falhanços dos seus camaradas europeus e incomoda todos aqueles que enfiaram inocentemente o "barrete" que provavelmente lhes era destinado.
Uma delícia.
E por isso espero, e desejo, que o cidadão Aníbal Cavaco Silva continue a pronunciar-se sobre a política e a governação do seu país.
Porque é uma voz autorizada, porque sabe o que diz, porque põe a  esquerda num patético estado de nervosismo que a leva a proferir disparate atrás de disparate.
É um gozo vê-los assim!
Depois Falamos.

P.S. Quanto ao facto de um ex PR intervir publicamente lembraria apenas o exemplo de Mário Soares que depois de deixar Belém voltou à luta político/partidária, candidatou-se e cumpriu um mandato no parlamento europeu e falou sempre com total liberdade (e alguns excessos) sobre os seus sucessores criticando-os bastas vezes e especialmente a...Cavaco Silva como,por exemplo, numa célebre sessão na Aula Magna.
Mas aí já a esquerda hipócrita , mais alguns idiotas úteis  de outras áreas políticas, achavam muito bem.