terça-feira, maio 23, 2017

Esquilos


O Santo



Com Roger Moore, hoje falecido aos 89 anos de idade, morrem também algumas das minhas melhores memórias televisivas e cinematográficas de sempre repartidas por filmes e séries de televisão em que ele foi protagonista.
Recordo especialmente três.
A sua participação em sete filmes de James Bond, sucedendo a Sean Connery, num ciclo em que o personagem viveu uma fase mais aligeirada e burlesca privilegiando o humor em detrimento de outros componentes que eram mais valorizados com  Connery e voltaram a ser com Pierce Brosnan e Daniel Craig.
E duas séries televisivas.
"Os Persuasores", em que contracenava com Tony Curtis, interpretando o papel de Lord Brett Sinclair e compondo uma dupla inesquecível numa série cheia de bom humor, acção, glamour e investigação policial.
E "O Santo".
Uma das mais populares séries do anos sessenta em que o actor interpretava o papel de Simon Templar um aventureiro sempre metido em mil trabalhos mas dos quais se saia sempre airosamente e muito bem acompanhado.
Para mim, e acredito que para muitos da minha geração e de gerações anteriores à minha , Roger Moore será essencialmente recordado como "O Santo" que preencheu tantos serões televisivos nas noites de sábado de antigamente proporcionando muitas horas de agradável televisão.
Tempos atrás , nesse magnifico canal que é o RTP-Memória, tive a grata oportunidade de ao longo de alguns meses rever todos os episódios de todas as temporadas dessa inesquecível série recordando alguns e vendo outros como se fosse a primeira vez por já deles não me recordar.
E vi-os com o prazer e a atenção com que vejo algumas das melhores séries de hoje.
Creio não poder prestar melhor homenagem ao talento de Roger Moore.
Depois Falamos

Treinadores

Portugal tem, desde sempre, excelentes treinadores de futebol.
Desde os "clássicos" como José Maria Pedroto, Fernando Vaz ou Mário Wilson que marcaram a sua época no nosso futebol e são ainda hoje recordados pela sua capacidade de dirigirem equipas até aos da actualidade nos quais José Mourinho é o mais incontornável de todos eles e vai depois de amanhã disputar a sua quarta final europeia.
Mas a trabalharem no estrangeiro há outros nomes de grande relevo como Leonardo Jardim, André Vilas Boas, Marco Silva, Paulo Sousa, Manuel Cajuda, Carlos Carvalhal, Sérgio Conceição,Vítor Pereira, Pedro Caixinha entre outros exemplos possíveis.
Nem todos estarão a treinar em clubes e campeonatos que a sua competência justifica mas o mundo do futebol tem desígnios insondáveis e por isso o estarem agora nesses campeonatos periféricos em nada belisca a sua capacidade.
Em Portugal propriamente dito também há técnicos de grande qualidade e mérito reconhecido dos quais se salientam Rui Vitória, Jorge Jesus, Pedro Martins, José Peseiro, Luís Castro,Vítor Oliveira, Pedro Emanuel e mais alguns a que se juntam jovens "emergentes" como Daniel Ramos, Nuno Manta, Pepa, Jorge Simão, Miguel Leal, Petit, etc entre muitos exemplos possíveis.
Sem esquecer, é claro, o seleccionador nacional Fernando Santos e um dos melhores treinadores portugueses das últimas décadas, Manuel José, que por vontade própria deixou de treinar dois anos atrás.
Em suma podemos considerar que os treinadores portugueses são uma classe de sucesso e com sucesso.
Pelo que não pode deixar de ser motivo de profunda admiração o facto de na nossa liga apenas cinco clubes terem mantido os seus treinadores ao longo de toda a época - Vitória, Porto,Benfica,Sporting e Vitória FC- enquanto todos os outros mudaram e alguns mais do que uma vez ao longo do campeonato.
Pedro Martins, Nuno Espírito Santo (que já rescindiu o contrato para a próxima época) Rui Vitória, Jorge Jesus e José Couceiro foram os resistentes mas parece-me evidente que para lá dos seus méritos o problema não estará nas capacidades dos colegas que foram despedidos mas sim nos dirigentes que estão sempre ansiosos por encontrarem bodes expiatórios quando as coisas correm mal.
Muitas das vezes por culpa deles próprios.
Veja-se o Braga que quanto mais mudou mais piorou ou Arouca e Nacional que mudaram duas vezes de treinador e acabaram por descer provando de forma clara que a "chicotada psicológica" (Rui Alves reconheceu-o explicitamente) nem sempre é a melhor solução.
Mas talvez o exemplo mais "enigmático" seja o protagonizado por Moreirense e Tondela e pelos treinadores Pepa e Petit.
Pepa começou a época no Moreirense mas quando as coisas começaram a correr menos bem foi despedido e rumou a Tondela de onde ,pelas mesmas razões, tinha saído Petit que rumou ao Moreirense !!!
No final de época ambos os "aflitos" se salvaram pelo que apetece perguntar porque razão mudaram de treinadores se ambos cumpriram os objectivos da manutenção.
Em boa verdade sendo Portugal um país de gente com jeito para o futebol,seja a jogar seja a treinar, é pena que esse jeito em muitos casos não se estenda a quem dirige.
Porque esse é, verdadeiramente, o calcanhar de Aquiles do nosso futebol.
Depois Falamos.

segunda-feira, maio 22, 2017

Imagens do Vitória-Feirense













O Nosso 14

Era um jogo em que a prioridade era poupar jogadores habitualmente titulares ao desgaste, a eventuais lesões ou até castigos (já sabemos que o conselho de disciplina é muito imaginativo quando se trata do Vitória) e por isso Pedro Martins apresentou uma equipa com jogadores menos utilizados e em que não foi titular nenhum dos que na passada semana alinhara na Luz.
Uma poupança algo radical, e que de alguma forma se veio a reflectir no resultado, mas que tinha também a vantagem de permitir aos utilizados mostrarem argumentos para o treinador eventualmente considerar a possibilidade de os utilizar de inicio no Jamor caso não tenha já o "onze" definido para esse jogo.
E nessa perspectiva há que dizer que uns agarraram com as duas mãos a oportunidade, outros nem tanto e um ou outro passaram ao lado do jogo como já tinham passado ao lado da época.
Individualmente:
Miguel Silva: Não teve muito trabalho, nem responsabilidade no golo, mas aos 50 minutos assinou uma defesa espantosa seguramente das melhores do campeonato. É um dos que deixa o treinador tranquilo se dele precisar no Jamor.
João Aurélio : Uma exibição assim assim de um jogador que parece mais à vontade na intermediária. No golo deixou-se ultrapassar pelo autor do cruzamento.
Prince: Uma exibição sem complicar de um jogador que pode ser titular no Jamor se Pedro Henrique não recuperar.
Moreno: Bom jogo do "capitão" sem arriscar muito mas seguro nas acções defensivas. E oportunidade, ainda, para mostrar aos colegas como se fazem passes a longa distância.
Ruben Ferreira: Um bom jogo. Talvez o melhor desta época defendendo bem e atacando com muita intencionalidade. Bons cruzamentos e grande participação nas jogadas de envolvimento.
Celis: Uma exibição discreta de um jogador que dificilmente será opção no próximo domingo.
Bernard: Pena que um jogador que tanto prometia e de quem tanto se esperava tenha passado ao lado da época E, naturalmente, deste jogo. Ainda vai a tempo de salvar a carreira mas tem de mudar muita coisa.
Tozé: Uma muito boa exibição com grande dinâmica e correndo o campo todo. Muito bem a ligar o meio campo ao ataque. "Disse" a Pedro Martins que pode contar com ele no Jamor. E, quem sabe, de início.
Sturgeon: Muito esforçado mas pouco produtivo. É um jogador para rever na próxima época.
Rafael Martins: Não marcou mas movimentou-se muito bem e deu ideia de estar em boa forma. Outro que pode ser opção no domingo.
Raphinha: Foi o mais acutilante dos avançados e aquele que mais perigo causou. Não esteve feliz a rematar mas certamente estará nos dezoito do Jamor
Foram suplentes utilizados:
Alex Pinto: Ainda júnior teve uma oportunidade e fez por merecer. Excelente perfil atlético, saudável "atrevimento" nas movimentações ofensivas deixou antever a perspectiva de uma bela carreira. Mas tudo tem o seu tempo e por isso há que deixá-lo "crescer". No Vitória!
Hurtado: Entrou, andou por lá, saiu e foi tomar banho. Ou seja nem se viu.
Texeira: Uma substituição difícil de entender. Porque se a ideia era ( e de certeza que sim) tentar virar o resultado não se mete um ponta de lança a dois minutos do fim. Só por milagre, bem raro no futebol, podia dar resultado. Não deu.
Não foram utilizados:
Douglas, Josué, Rafael Miranda e Hernâni.

Melhor em campo: Tozé.

Acabada a Liga no quarto lugar, o "nosso" lugar, as atenções estão todas na final de domingo no Jamor face ao Benfica em que o Vitória procurará conquistar a sua segunda Taça de Portugal e, curiosamente, frente ao adversário perante o qual conquistou a primeira.
Para isso é preciso um Vitória no sue melhor, fisica, táctica e mentalmente assumindo uma postura conquistadora que corresponda ao apoio que seguramente lhe chegará das bancadas.
Vamos a isso!
Depois Falamos

Aurora Boreal



Cavalo, Islândia


Aterragem


Game Over

O meu artigo desta semana no zerozero

E está terminado mais um campeonato.
Que como habitual definiu o campeão, aqueles que vão à cobiçada Liga dos Campeões, os que disputarão a Liga Europa e aqueles que desceram de escalão por não terem conseguido ao longo da época assegurar os pontos precisos para a manutenção.
Devo dizer, com a razoável dose de pessimismo que me acompanha há alguns anos, que Portugal não tem grandes motivos para se orgulhar dos seus campeões, dos seus campeonatos e do futebol que por norma cá se joga.
É um campeonato centrado em três equipas, dentro e fora dos relvados; por norma, mais recheado de casos e polémicas do que de grandes espetáculos e bom futebol; em que os dirigentes têm, por vezes, mais protagonismo e espaço noticioso do que os jogadores e treinadores que são os verdadeiros “artistas” e a razão que fundamenta a ida dos adeptos aos estádios.
São, por norma, campeonatos em que os chamados “grandes” beneficiam de “apoios” que os outros não têm e que, nos momentos decisivos, os ajudam a cavar um fosso classificativo para os outros que torna os três primeiros lugares do campeonato numa autêntica coutada de Benfica, FC Porto e Sporting onde raramente alguém consegue intrometer-se.
Esta época foi mais do mesmo.
Polémicas entre dirigentes, futebol mais mal que bem jogado, arbitragens deficientes a favorecerem sempre os mesmos e, pior que tudo isso, um ambiente de tensão e conflitualidade que ameaça graves consequências se não for atempadamente travado e os seus responsáveis obrigados a assumir as suas pesadas responsabilidades.
O Benfica foi campeão.
Por mérito próprio, que lhe permitiu ser o menos mau dos candidatos ao titulo, por deméritos alheios e pelo aconchego (há quem lhe chame colinho) que sempre sentiu nos momentos menos bons que teve ao longo da época.
Foi o melhor ataque, a melhor defesa e a equipa que mais pontuou (caso contrário não seria campeão), mas não foi uma equipa arrasadora que se impusesse pela qualidade do seu futebol e que levasse os adeptos dos outros clubes a reconhecer sem dificuldade os seus méritos para acabar a prova em primeiro lugar.
O FC Porto foi segundo, e bem, porque não mereceu ser campeão.
Um plantel que desde o inicio da época se percebeu mal estruturado e com carências, uma campeonato iniciado com tropeções e inseguranças diversas, a “poção mágica” que foi a contratação, em janeiro, de Soares que deu um segundo fôlego à equipa e a fez reentrar na luta pelo titulo quando muitos já não o acreditavam possível.
Falhando em dois momentos cruciais (jogos "caseiros" com Setúbal e Feirense) nos quais não podia falhar porque a liderança estava em jogo, o FC Porto demonstrou não ter “estofo” de campeão e, por isso, deve olhar o segundo lugar como o seu limite possível nesta época.
O Sporting - para mim a melhor equipa da temporada passada, em que disputou o titulo ombro a ombro com o Benfica até à ultima jornada e só não foi campeão porque, a certa altura, o seu treinador se distraiu a falar do adversário em vez de se concentrar totalmente na sua equipa - este ano começou a desiludir muito cedo atrasando-se na luta pelos primeiros lugares e demonstrando que também ele não tinha o “estofo” que faz os campeões.
É verdade que perdeu Slimani e João Mário, mas é igualmente verdade que o primeiro teve em Bas Dost um sucessor completamente à altura, enquanto para o segundo não foi encontrada uma alternativa que satisfizesse plenamente, não por falta de contratações mas porque essas contratações se revelaram, na sua maioria, autênticos fracassos.
Isso, a par das constantes polémicas em que o seu presidente se envolveu e que acabaram por desgastar a própria equipa, involuntariamente arrastada para elas, serão talvez as melhores explicações para uma temporada que para os sportinguistas foi dececionante.
No que diz respeito à Europa, o Vitória, de longe o quarto clube português em dimensão associativa, conseguiu também o “seu” quarto lugar em termos classificativos, numa prova em que a humildade, o encarar jogo a jogo e uma grande campanha fora de casa (foi a segunda equipa que mais pontos fez em jogos fora, logo a seguir ao Benfica) lhe valeram a conquista tranquila do quarto lugar e consequente acesso à fase de grupos da Liga Europa. O quinto classificado a oito pontos de distância diz bem da superioridade vitoriana nesta luta pela Europa.
Braga e Marítimo - este último fazendo uma prova de trás para a frente em que o “dedo” do seu treinador, Daniel Ramos (entrado já com a prova a decorrer), foi bem visível - completam o naipe das equipas portuguesas apuradas para as competições europeias.
No que toca às descidas, pode apropriadamente falar-se de duas surpresas.
O Nacional, depois de mais de uma dúzia de anos de presenças ininterruptas na divisão maior, com vários apuramentos europeus inclusive, fez um campeonato muito abaixo do que lhe é normal e nem as várias trocas de treinador lhe evitaram um destino traçado há já algumas jornadas.
Hoje, dia derradeiro da competição, a combinação de resultados entres os três “candidatos” à descida ditaram que saísse a “fava” ao Arouca, que na época em que se estreou na Liga Europa...desceu de divisão.
Caso e exemplo para alguns clubes pensarem muito bem se uma efémera presença europeia não comporta mais riscos que proveitos.
Assim terminou o campeonato deste ano.
“Morta” a Liga 2016/2017, viva a Liga 2017/2018.
Que lá para meados de agosto terá o seu pontapé de saída.

Poupanças...

Foi um dia de poupanças.
Pedro Martins, com o Jamor no horizonte, alinhou com uma equipa de 1 a 11 dos menos utilizados poupando os habitualmente titulares para a final mas também "dizendo" a Rui Vitória com quem e como vai jogar no próximo domingo.
Embora em boa verdade no futebol de hoje, e ainda por cima em Portugal, já não existam segredos!
Do lado do Feirense, que desde a chegada ao comando técnico de Nuno Manta fez um belo campeonato, nada estava em jogo e o clube pela primeira vez no seu historial vai fazer duas épocas consecutivas no escalão maior o que justificaria que neste encerramento de campeonato tivesse uma atitude perante o jogo (e perante o público) completamente diferente da que resolveu adoptar e que passou por um vergonhoso anti jogo durante os noventa minutos.
Creio não me lembrar de nesta época, e em várias anteriores, a equipa médica do clube visitante ter entrado tantas vezes em campo para assistir jogadores que umas (poucas)vezes estavam lesionados e outras(muitas) a fingir lesões.
Em suma o Feirense "poupou" no respeito ao público que não vai ao futebol para assistir a palhaçadas daquelas
O Vitória por seu turno jogou como lhe é habitual, e nisso não se notaram diferenças em relação a alinhações anteriores, procurando jogadas pelos flancos e cruzamentos que permitissem situações de golo.
Não teve muita sorte, as coisa raramente saíram bem aos extremos embora Raphinha tenha sido mais produtivo que Sturgeon e por isso não foi excessiva surpresa o golo do Feirense ter sentenciado o jogo perante uma equipa vitoriana em que poucos olharam este jogo como uma forma de tentarem fazer parte das opções iniciais de Pedro Martins no Jamor.
Creio que sendo o Jamor a preocupação primeira, e isso justificando poupanças de jogadores, havia também um prestigio a defender (e já nem falo de recordes de pontos porque isso apenas tem valor estatístico) que passava também por um resultado moralizador e que atenuasse a memória do jogo da Luz que ainda "pesa" nos sub inconscientes.
Não foi assim,paciência, mas acredito que todos gostaríamos de a despedida em casa desta época tivesse outro "sabor" e o agradecimento ao espantoso apoio dos adeptos tivesse a cor de um triunfo e não de uma derrota frente ao Feirense.
Acredito que domingo à noite, no regresso do Jamor, a festa será a dobrar.
O árbitro Tiago Antunes fez um trabalho sem qualidade.
Aos 22 minutos perdoou ao Feirense claro penálti sobre Sturgeon e ao longo do jogo foi demasiado permissivo perante o anti jogo dos visitantes.
Deu apenas seis minutos de compensação quando o dobre seria bem adequado ao que se passou.
 E assim terminou o campeonato com o Vitória a cumprir o objectivo de conquistar o "seu" quarto lugar.
Domingo é dia de por a cereja em cima do  bolo e depois começar a preparar cuidadosamente uma época em que a equipa disputará cinco competições.
Depois Falamos.

sexta-feira, maio 19, 2017

Líderes e Lideranças

Acredito que a dimensão dos partidos e os respectivos resultados eleitorais estão umbilicalmente ligados ao carisma e admiração provocados pelos seus líderes embora depois também entrem em linha de conta outros factores como a ideologia, a prática política e a dimensão em termos de implantação no território.
Em Portugal não se foge à regra.
E os quatro politícos da imagem acima, considerados os "pais" fundadores da democracia, tem as suas imagens profundamente ligadas aos partidos que fundaram (mais Francisco Sá Carneiro e Mário Soares do que Freitas do Amaral em boa verdade) ou em que militaram toda a vida como foi o caso de Álvaro Cunhal ainda hoje o secretário geral do PCP que ocupou o cargo durante mais anos.
Muito tempo correu desde esta fotografia.
Dos retratados apenas Freitas do Amaral ainda é vivo ,mas de há muito retirado da vida partidária, enquanto as mortes dos restantes se verificaram com Sá Carneiro em plena vida política (era primeiro ministro quando morreu no atentado de Camarate ) enquanto Álvaro Cunhal e Mário Soares morreram já reformados da vida politica activa mas não da intervenção politica propriamente dita.
De lá para cá os seus partidos já mudaram várias vezes de líderes, uns mais que outros, mas pode dizer-se que Sá Carneiro,Soares e Cunhal deixaram vazios que nunca serão preenchidos e uma saudade latente nos militantes e simpatizantes já o mesmo não se podendo dizer de Freitas cuja relação com o CDS tem conhecido períodos muito atribulados.
No PSD, o maior partido português, foram muitos os lideres que sucederam a Sá Carneiro mas nenhum atingiu a categoria de mito do fundador e eterno militante número 1.
Cavaco Silva terá sido o que mais próximo lá andou como é mais ou menos reconhecido.
No PS nunca nenhum sucessor se aproximou do peso político e da capacidade de liderança de Mário Soares embora José Sócrates tenha sido aquele que nalguns períodos teve um ascendente e uma autoridade no partido próxima da de Soares.
No PCP a Cunhal sucedeu um apagado Carlos Carvalhas, longe do brilho intelectual e da liderança carismática do antecessor, depois substituido por Jerónimo de Sousa que tem feito um trabalho notável de consolidação do eleitorado do partido provavelmente porque as suas caracteristicas pessoais são as que melhor extravasam as fronteiras normalmente rigidas dos militantes e simpatizantes.
No CDS pós Freitas do Amaral houve lideranças episódicas e que não ficam para a história como as de Adriano Moreira,Lucas Pires, Manuel Monteiro ou Ribeiro e Castro até ao advento de Paulo Portas talvez o líder mais carismático da História do CDS e aquele que por mais tempo se manteve à frente do partido.
Estamos em 2017.
No PSD, liderado por Passos Coelho, as grandes figuras do passado ou estão reformadas (Cavaco Silva, Alberto João Jardim, Mota Amaral) ou estão noutras funções (Marcelo é PR e Santana Lopes provedor da Misericórdia de Lisboa) ou na vida privada sem retorno à politica (Durão Barroso e Pinto Balsemão) para citar apenas aqueles que foram primeiros-ministros, presidentes da republica ou dos governos regionais.
No PS os ex lideres seguiram percursos muito diferentes: Jorge Sampaio está reformado, Vitor Constâncio no BCE, António Guterrres na ONU e Sócrates a contas com a Justiça.
Nenhum voltará à política nacional.
No PCP, que apenas teve três lideres desde o 25 de Abril, sabe-se que Carvalhas goza a reforma enquanto Jerónimo já a vê na linha de um horizonte ainda algo longinquo.
No CDS findo o longo consulado de Portas assiste-se agora a uma tentativa de afirmação de Assunção Cristas no sentido de provar que é uma líder com futuro e não apenas uma figura de transição a ocupar o lugar enquanto outro(s) não dão o passo em frente.
Tendo o CDS já resolvido o seu problema de sucessão, e dando de barato que Passos Coelho, António Costa e Jerónimo de Sousa ainda ocuparão os respectivos cargos por mais alguns anos, põe-se mesmo assim a questão de olhando para os respectivos partidos tentar perceber o que virá a seguir.
No PSD para lá dos nomes que a comunicação social vai lançando, às vezes parecendo atirar barro à parede, e dos que periodicamente gostam de dizer que estão "vivos" mas não são alternativa a nada nem a ninguém, há um certo vazio de nomes para o médio prazo.
E então comparando com os nomes do passado o vazio ainda parece maior.
No PS o futuro, pelo menos a avaliar pelo presente, parece indicar uma ainda maior viragem à esquerda ao sabor do poscionamento de alguns dirigentes que mais parecem infiltrações do Bloco de Esquerda do que genuinos socialistas o que no médio prazo poderá levar o PS para um destino idêntico aos de PASOK, PSF e PSOE.
No PCP, que já foi mais hermético do que o é hoje, são também adiantados alguns nomes e lançadas algumas especulações.
Que em bom rigor podem não significar nada ou se significarem será mais por sorte de quem lança palpites do que por algum tipo de informação privilegiada que naquele partido não costuma acontecer.
Seja quem for não "será" Cunhal e dificilmente"será" Jerónimo de Sousa.
Em conclusão creio que em termos de lideranças futuras os principais partidos portugueses devem olhar o futuro com alguma preocupação.
Não há no horizonte promessas de lideres carismáticos, afirmativos, com carisma semelhante aos lideres do passado pelo que talvez nao fosse pior os partidos começarem a pensar que o futuro pode não estar nos "one man show" mas sim naqueles que apresentam projectos, desenvolvem ideias, trabalham em equipa e acreditam em lideranças construidas e não caidas do céu ao sabor de interesses ou entusiasmos de momento.
Depois Falamos.

P.S. : Não referi o Bloco de Esquerda nesta análise. Porque ela versa partidos com História e não fenómenos de populismo.

Lendas da B.D. - Super Homem e Homem Aranha


quarta-feira, maio 17, 2017

Dois Pesos e Duas Medidas

O Vitória, nestes anos recentes, já por duas vezes foi castigado com jogos à porta fechada.
No caso que a imagem acima retrata e no famigerado jogo entre a sua equipa B e  a do Braga quando meia dúzia de desordeiros vindos de Trás Morreira, com o intuito deliberado de provocarem incidentes , causaram alguns distúrbios antes de serem expulsos do estádio pelos adeptos vitorianos e pela PSP.
Esses incidentes, que em nada perturbaram o decorrer do jogo, levaram a que o árbitro do mesmo num condenável excesso de zelo desse a partida por terminada ainda na primeira parte vindo a ser repetida em data posterior.
Em ambos os casos o conselho de disciplina não teve contemplações e puniu o Vitória duramente nem sequer levando em consideração (e muito menos aplicado idêntica pena) que no jogo com o Braga B a responsabilidade dos incidentes era do clube visitante.
Como sempre somos cobaia de penas inéditas no nosso futebol.
Hoje soube-se que dois casos de arremessos de petardos, no Estoril-Porto (por adeptos do Porto) e no Moreirense-Braga (por adeptos do Braga) na final da taça da Liga ,o que devia constituir agravante, em ambos os casos obrigando à interrupção dos jogos mereceram do conselho de disciplina a absolvição dos dois clubes.
O mesmo conselho de disciplina que multa a torto e a direito, até por a relva não ser regada, entendeu que o arremesso de petardos com ameaça à integridade física de jogadores, é um acto tão pouco importante que merece absolvição.
Vergonhoso!
Pelo branqueamento de responsabilidades, pelo favorecimento aos dois clubes, pelo péssimo exemplo que constitui num tempo em que quer UEFA quer FIFA não se cansam de fazer apelos ao fair play e à disciplina nos estádios.
Felizmente isso não acontecerá mas ainda gostava de saber o que faria este conselho de disciplina se na final do Jamor os adeptos vitorianos lançassem meia dúzia de petardos para o relvado?
E se falo dos adeptos vitorianos é não só pelos antecedentes que referi, de sermos cobaia de penas teoricamente exemplares mas que depois não são aplicadas a mais ninguém, mas também porque sendo arremessados por adeptos do Benfica já se sabe que nenhuma pena lhe seria aplicada.
Ou não nos lembremos todos de recente Feirense-Benfica em que o arremesso de petardos pelos adeptos benfiquistas obrigou à interrupção do jogo por alguns minutos e ao que se sabe nem processo disciplinar foi aberto ao clube de Lisboa.
O futebol português não é sério!
Tem "filhos" e "enteados" perante a disciplina, a arbitragem, a comunicação social.
E por isso é mais que tempo de o Estado se preocupar seriamente com o futebol, investigando-o por todos os meios que estão ao seu alcance e punindo quem infringe as leis, antes que tudo isto acabe muito mas mesmo muito mal.
Já faltou mais...
Depois Falamos.

Igreja, Alpes


Corça


terça-feira, maio 16, 2017

Curiosidades da Luz

Este texto nem é sobre o jogo, propriamente dito, nem sobre as exibições dos jogadores vitorianos porque já disse o que tinha para dizer sobre isso e não disse o que entendi não dever dizer sobre isso também.
É sobre algumas curiosidades do jogo, que nem por nalguns casos serem repetidas até à exaustão,deixam de ser curiosidades deste jogo.
São sete como até podiam ser mais.
1) A primeira prende-se com Hernâni. Que nas duas primeiras vezes que "pegou" na bola sofreu duas entradas por trás que o árbitro assinalou mas "esquecendo" os respectivos amarelos para os jogadores do Benfica. Então na segunda, quando depois de dar um nó cego num defesa ia com perigo evidente rumo à área adversária foi simplesmente aberrante a não amostragem do cartão.
2) No estádio pareceu-me penálti no lance de Marega sobre o adversário . Visto na televisão é evidente que não há penálti nenhum mas apenas mais um mergulho para a piscina tão habitual nos jogadores daquele clube.
3) A terceira tem a ver com o segundo golo do Benfica naquele longo pontapé de Ederson que apanhou Jimenez uns bons dez metros à frente da defesa vitoriana. A Benfica tv fez o "favor" de não dar nenhuma repetição que esclarecesse cabalmente o lance.
4) Nada simboliza tão bem este campeonato em particular,e o nosso futebol em geral ,como a entrada em campo de Samaris aos 79 minutos substituindo Fejsa. Mês e meio depois de ter agredido Diego Ivo ,do Moreirense, a murro continua a jogar como se nada tivesse feito sendo desconhecido se algum dia lhe será aplicada a punição que amplamente merece.
5) Durante certas fases da segunda parte foram bem audíveis os "olés" dos adeptos do Benfica. Não gostando de os ouvir nem quando o Vitória está a ganhar nem quando está a perder ainda assim reconheço que fazem parte do "folclore" do futebol desde sempre. E por isso achei bem que Jorge Sousa não tivesse parado o jogo para mandar o speaker calar os adeptos.
Mas aqui fica a dúvida: Quando Carlos Xistra no Vitória-Boavista parou o jogo e mandou o speaker calar os adeptos vitorianos (sem nenhum sucesso diga-se de passagem) estava a cumprir os regulamentos? Porque ou ele ou Jorge Sousa não cumpriram. E acho que o Vitória,tão causticado com multas,devia tentar esclarecer essa questão.
6) Foi de uma ingratidão brutal os adeptos do Benfica vaiarem Pedro Proença quando ele foi chamado ao relvado para entregar o troféu de campeão nacional. O homem que até inventou uma taça para dar ao Benfica a propósito de nada ,e com o campeonato a meio ,não merecia semelhante desconsideração. Deviam era dar-lhe uma faixa de campeão que também fez por merecê-la.
7) As centenas de adeptos vitorianos foram o que de melhor o Vitória teve naquela tarde "desgraçada". Incansáveis no apoio, indiferentes ao resultado, deram uma brutal demonstração no sítio certo do que é ser-se por um clube e não pelas vitórias de um clube. 
Magníficos !
Curiosidades,é verdade, mas que tem significados muito para lá da simples...curiosidade.
Depois Falamos

Guaxinins


Dubrovnik, Croácia


Porque Somos Assim?

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras

Se há coisa que nós vimaranenses aprendemos desde pequeninos é a termos um orgulho desmedido na nossa Terra e no lugar da História que ela ocupa como indiscutível berço da nacionalidade.
Ser de Guimarães, onde nasceu Portugal, é um motivo de orgulho que passa de pais para filhos ao longo de gerações e é aquele suplemento de alma que nos permite fazer frente `s injustiças de que a nossa Terra foi alvo ao longo dos anos.
São muitos, e bons, os exemplos de ocasiões em Guimarães saiu à rua a exigir justiça, a impor respeito, a mostrar que é terra de gente que não se verga nem se cala quando a sua comunidade é posta em situações que geram prejuízos e traduzem injustiças.
E foi sempre assim ao longo dos anos.
Desde o tempo em que os procuradores de Guimarães à Junta Geral do Distrito de Braga foram enxovalhados à saída de uma reunião no governo civil de Braga, em pleno século dezanove, o que motivou enormes manifestações de rua em Guimarães a exigirem a desanexação do concelho do distrito de Braga e a criação do distrito de Guimarães ou em alternativa a adesão ao distrito do Porto.
E assim foi em muitas outras ocasiões fosse por razões desportivas, como decisões lesivas dos interesses do Vitória, fosse por razões que diziam respeito a matérias tão importantes como a instalação da Universidade do Minho que estando inicialmente projectada para um “campus “em Caldas das Taipas foi posteriormente repartida entre Guimarães e Braga sendo que o pólo de Guimarães só foi garantido graças ao papel da Unidade Vimaranense e às diligências por ela desenvolvidas.
Entre as quais uma enorme manifestação de rua em 1973.
Vem isto a propósito de algumas conversas cruzadas que mantive sábado passado, num camarote do estádio da Luz enquanto assistia aquela “desgraça” de jogo, e perante a admiração dos benfiquistas que me rodeavam pela forma espectacular como as centenas de adeptos vitorianos apoiavam entusiasticamente a sua equipa absolutamente indiferentes à marchado resultado e à mais que certa derrota do Vitória.
Centenas que perante mais de sessenta mil adeptos do adversário, num dia de festa previamente anunciada por todos os meios de comunicação social, se faziam ouvir e por vezes até calavam o resto do estádio.
E um desses amigos, benfiquista de Lisboa, incrédulo com o que via chegou a perguntar-me “…porque razão vocês são assim?...” confessando que por muito menos os adeptos do seu clube assobiavam a equipa e insultavam jogadores e treinadores.
Expliquei-lhe que a razão era muito simples.
Chama-se bairrismo educado e culto, um bairrismo que passa de pais para filhos e nos ensina a valorizar o que é nosso, a termos amor pela nossa Terra e pelas suas instituições, a preservarmos princípios que nada tem a ver com modas ou circunstâncias conjunturais.
Valores e Princípios apenas.
Creio que admiração deles ainda redobrou quando terminado o jogo viram o Vitória, derrotado por 0-5, dirigir-se para a bancada onde estavam os seus adeptos e ser por eles entusiasticamente ovacionado como se tivesse acabado de vencer o jogo e não sofrer uma derrota pesada.
Um deles, de boca aberta, a única coisa que conseguiu dizer-me (mal sabendo o elogio que estava a fazer) foi “vocês são únicos, nunca vi nada assim no nosso futebol” ao que lhe respondi que para os vitorianos muito mais importante que ganhar ou perder é o próprio Vitória porque somos adeptos do clube e não das vitórias.
E ainda tive oportunidade de lhes explicar mais duas coisas, com o único prazer que tive naquela tarde convenhamos, acerca de Guimarães e do Vitória.
Uma é que em Guimarães não existem “feitorias coloniais” de Benfica, Porto ou Sporting.
Pela simples razão de que a esmagadora maioria dos vimaranenses são vitorianos e os poucos que não são estão reduzidos à sua insignificância.
A outra foi o garantir-lhes, numa altura em que as televisões já mostravam a festa no Marquês e noutras cidades do país (Porto, Braga, Faro, Coimbra, Funchal, etc ) que em Guimarães não haveria festejos com o triunfo do Benfica no campeonato fosse com concentração de pessoas no centro da cidade fosse com caravanas automóveis.
E assim foi.
Creio que de alguma forma consegui explicar-lhes “porque somos assim”.
Ao ponto de à despedida me terem dito, de forma que creio sincera, que tinham pena que em Portugal não houvesse mais cidades e clubes como Guimarães e o Vitória porque certamente teríamos um país melhor e um futebol bem mais competitivo.
“Somos assim”!
E assim continuaremos a ser estou certo disso.

segunda-feira, maio 15, 2017

Faz de Conta

Portugal é um país de "faz de conta" em que enganar a opinião pública já se tornou algo de tão natural que já nem escandaliza.
É na política, na banca, no futebol e em tantas outras áreas que é quase motivo de festejo quando se constata que aqui ou ali não nos querem enganar e nos estão a contar toda a verdade sem subterfúgios ou rodeios de qualquer espécie.
A ultima tem a ver com o Festival Eurovisão da canção que por mérito de Salvador e Luísa Sobral se realizará em 2018 em Portugal.
Mais propriamente em Lisboa como não podia deixar de ser num país que guardou muito mais de Salazar do que publicamente gosta de se admitir.
Aliás este fim de semana isso foi bem evidente com a histeria em volta da trilogia salazarista -Fátima/Futebol/Fado- a ser uma realidade em Fátima, Lisboa (e resto do país com excepção de Guimarães) e Kiev se considerarmos que o fado foi substituído por outro tipo de música.
É na sequência do sucedido em Kiev com a vitória de Salvador Sobral que se percebeu que o próximo festival será em Portugal, com o brutal potencial de negócio que isso acarreta, pelo que de imediato começou a especulação sobre o local em que se desenrolaria.
Grandes espaços há três (Meo Arena de Lisboa, Multiusos de Guimarães e Europarque de Vila da Feira) mas com a vantagem dos dois primeiros serem palco habitual de grandes manifestações artísticas e especialmente musicais.
Mas também Porto, Viseu e Faro mostraram interesse em acolherem o evento.
É aí que entra a mentira quando se afirma para a opinião pública que nada está decidido e que as várias candidaturas vão ser analisadas.
Mentira.
Basta consultar a página oficial da Eurovisão aqui para se perceber que tudo está decidido e que o Festival será em Lisboa na Meo Arena!
A mentira tem perna curta.
A sorte, dos mentirosos, é que a paciência dos portugueses para tanto engano é muito grande.
Infinita diria.
Depois Falamos

Parador de Alcaniz, Espanha


Vídeo Árbitro

O meu artigo de hoje no zerozero.

O futebol é uma modalidade simples.
Simples de praticar, simples de entender nas suas regras (embora umas mais que outras há que dizê-lo) , simples nos recintos onde pode ser praticado e simples no número de praticantes por equipa que pode ser perfeitamente variável.
Estou a falar do futebol na sua simplicidade maior e não de competições organizadas, bem entendido, em que o formalismo e as exigências já são de outra ordem.
E por isso quando se dá uma bola a um conjunto de crianças, desde a mais tenra idade, o mais natural é que desatem a jogar futebol e não qualquer outra modalidade como andebol, voleibol, basquetebol precisamente porque o futebol é simples de entender e praticar.
Não tenho qualquer dúvida que hoje o futebol é a modalidade desportiva de maior expressão a nível mundial, aquela que se pratica em mais países, que tem mais federações nacionais, que movimenta as maiores somas em seu redor e que naturalmente tem maior número de adeptos e seguidores.
Entre várias outras características que a tornam a modalidade número um.
Se considerarmos que o futebol, como o conhecemos hoje, já vem do século dezanove época em que em vários países (com Inglaterra à cabeça) já se disputavam campeonatos nacionais e troféus a eliminar como a Taça de Inglaterra por exemplo isso dá-nos a dimensão do sucesso da modalidade mas também leva a algumas reflexões sobre a razão para tamanho sucesso.
Jogadores talentosos? Sem dúvida.
Grandes treinadores? Claro que sim.
Clubes de profundo enraizamento popular que geram paixão dos adeptos pela modalidade? Inquestionavelmente.
Cobertura pela comunicação social, primeiro jornais, depois rádios e televisões, agora tudo isso mais os jornais digitais, os sites especializados (como o zerozero) , as redes sociais?
Sem duvida que foram,são e serão fundamentais.
Mas ,em minha opinião, a razão primeira está na acessibilidade do jogo, na facilidade de ser jogado em terra,relva,areia, cimento, madeira e essencialmente na simplicidade das regras.
Que são poucas e que tem mantido uma enorme estabilidade ao longo deste mais de um século de competições regulares de competições nacionais e internacionais o que permite a sua fácil apreensão por gerações sucessivas de praticantes e adeptos.
É claro que houve evolução nalgumas delas, como por exemplo no número de substituições permitidas ou no atraso de bolas para os guarda redes entre outras, mas foram poucas e nunca introduzindo modificações radicais na modalidade.
A questão é que esse conservadorismo do “International Board” se por um lado protegeu a modalidade de alterações radicais que a desvirtuassem por outro “atrasou-a” quer em relação à evolução dos tempos quer em relação a outras modalidades que aderiram com maior rapidez às novas tecnologias como factor de reforça da verdade desportiva das competições.
Foram os casos, por exemplo, do basquetebol e do ténis entre outros.
E por isso o espectador comum do futebol, sensível à paixão que a modalidade gera e ao inconformismo cada vez maior com que se enfrentam fenómenos, chamemos-lhes assim, de desvirtuamento da verdade desportiva começou a pressionar no sentido de também no futebol serem introduzidas tecnologias auxiliares dos árbitros que permitissem reforçar a verdade das decisões que estes tomam durante os jogos.
Foram anos de pressões quer dos adeptos,quer da comunicação social,quer de jogadores e treinadores e como “água mole em pedra dura...” estamos no tempo em que o futebol vai dar o passo decisivo na introdução dessas tecnologias auxiliares.
Em Portugal, onde a FPF foi uma das pioneiras a nível mundial, será já na próxima final de Taça de Portugal que pela primeira vez será utilizado o vídeo árbitro como auxiliar tecnológico do trio de arbitragem que no relvado vai dirigir a partida.
Independentemente do que se pense de começar este novo ciclo com uma final de Taça (pessoalmente discordo por achar muito arriscado introduzir uma revolução de procedimentos num jogo que decide um troféu) é sem duvida um momento importante e que importa saudar porque conduz,assim se espera, a uma muito maior verdade desportiva em competições nacionais que dela andam tão carentes.
Pessoalmente,e não conhecendo ainda em detalhe todas as situações que vão ser abrangidas, acho que existem três que são fundamentais para justificar a introdução do vídeo árbitro.
A tecnologia, chamada “olho de falcão” , que permite aferir se a bola entrou ou não na baliza.
A decisão sobre a marcação de grandes penalidades e que levará,assim se espera, ao desaparecimento dos “piscineiros” porque essa “arte” vai ser eliminada pelo recurso do árbitro à tecnologia.
E a indicação pelo vídeo árbitro de jogadores que tenham agredido adversários,sem o trio de arbitragem se aperceber, e que assim serão expulsos de imediato ao invés de continuarem em campo sem punição para o acto grave que cometeram.
Estas três são, do meu ponto de vista, fundamentais.
Ao que parece também os lances de fora de jogo serão abrangidos pelo vídeo árbitro mas como não sei exactamente em que enquadramento (é fácil anular uma jogada em que há fora de jogo não assinalado pelo árbitro auxiliar mas é muito mais difícil, para não dizer impossível, reatar uma jogada em que o fora de jogo foi mal assinalado) não me pronunciarei sobre ele por enquanto.
Seja como for há uma nova era, em termos de verdade desportiva, a começar.
E isso é excelente para o futebol.

P.S. É fácil de perceber que sou um defensor das novas tecnologias como auxiliares do árbitro.
Mas não sou ingénuo.
E espero para ver, com grande curiosidade, como é que alguns árbitros e ex árbitros vão ser mais competentes, mais sérios, mais rigorosos e mais isentos na função de vídeo árbitro do que o foram e são de apito na boca.

domingo, maio 14, 2017

Um Dia Mau

Não vale a pena dramatizar, nem sequer há razões para isso, em volta da pesada derrota sofrida ontem pelo Vitória no estádio da Luz num jogo em que o vencedor estava decidido à partida (tal como o próprio campeonato mas isso são outros contos...) apenas faltando definir por quantos venceria o dono da casa.
Estive lá na Luz, e casualmente até passei pelo Marquês de Pombal ao início da tarde onde constatei que palco, ecran gigantes e aparelhagem de som já estavam operacionais, e  tudo que vi (especialmente  a rapidez e a eficiência com que foi montado o cenário para a entrega do troféu) e ouvi no estádio antes do ínicio do jogo fiquei com a certeza absoluta que a festa benfiquista ia ser ontem.
Fosse como fosse.
Claro que isso não justifica em nada uma tarde má do Vitória, em que tudo correu mal individual (com excepção de Douglas que evitou uma goleada absolutamente humilhante) e colectivamente, em que a estratégia de jogo e as opções de Pedro Martins também não foram nada felizes até em função do ...Jamor.
Foi uma tarde má, todas as equipas e treinadores as tem, e sobre a qual não vale a pena dizer mais nada.
Pedro Martins e os jogadores são pessoas inteligentes, sabem onde erraram, sabem que desiludiram imenso os adeptos (notáveis aqueles que na Luz mostraram bem a diferença entre o amor a um clube e o amor às vitórias porque sendo centenas perante mais de 60.000...fizeram-se ouvir) e sabem essencialmente que o Jamor é o espaço ideal para se remirem desta tarde negra (como,mais uma vez, o nosso equipamento...) e darem aos vitorianos a alegria que eles bem merecem por serem os melhores adeptos de Portugal.
Domingo, com o Feirense, será o tempo certo para com o D.Afonso Henriques completamente cheio darmos à nossa equipa um imenso voto de confiança para a final do Jamor e mostrarmos que a derrota deste domingo foi apenas uma contingência do futebol que em nada nos perturba, condiciona e muito menos amedronta para entrarmos em campo e olharmos o adversário de frente, olhos nos olhos, e irmos em busca do triunfo que está perfeitmente ao nosso alcance.
Depois Falamos

Pôr do Sol


Leões e Hienas


Lagoa das 7 Cidades, Açores


quarta-feira, maio 10, 2017

A Final Prevista

Desta vez a lógica não falhou e por isso Juventus e Real Madrid serão os finalistas da edição de 2016/2017 da Liga dos Campeões.
Com justiça diga-se de passagem porque foram as duas melhores equipas da competição e são, seguramente, duas das melhores equipas europeias da actualidade.
Ontem, em Turim, a Juventus limitou- se a gerir a vantagem trazida de Monte Carlo e até a reforçá-la com mais dois golos que deram a cabal prova de quem era realmente a melhor equipa desta meia final .
O Mónaco, que já muito fez para chegar às meias finais, bateu-se com dignidade mas evidentemente que está num patamar inferior em termos de qualidade e não teve como resistir à superioridade italiana .
Hoje em Madrid, na despedida europeia e também dos dérbis da capital do estádio Vicente Calderon, o Atlético entrou muito bem e fez dois golos em 16 minutos reabrindo as portas da eliminatória face a um Real claramente surpreendido pelo ímpeto do adversário.
O problema, para o Atlético, é que não era possível manter aquela intensidade de jogo por muito tempo e por isso dando tempo ao Real para "respirar" a maior qualidade individual e colectiva dos merengues veio ao de cima e o golo de Isco, perto do intervalo, sentenciou a eliminatória.
Na segunda parte, mais equilibrada, as melhores oportunidades ainda foram dos colchoneros mas aí o guardião do Real com duas ou três grandes defesas manteve o resultado e garantiu o passaporte para Cardiff.
Com justiça porque no computo dos dois jogos o Real Madrid foi melhor.
Em 3 de Junho dois grandes clubes europeus disputarão a final da Liga dos Campeões em Cardiff no País de Gales.
Assunto a que voltarei.
Depois Falamos

O Vitória e a AFB

Objectivamente:
As associações de futebol a que pertencem os clubes finalistas, vá-se lá saber porquê, recebem cada uma 5% dos bilhetes para a final da Taça de Portugal.
São bilhetes que deviam ir para os adeptos dos clubes mas que vão parar a outros destinatários, sem que estes tenham qualquer legitimidade para os receberem, face a este anacronismo do nosso futebol que vem desde um passado remoto.
Quando na final se juntam o primeiro e o quarto clubes com mais adeptos em Portugal para uma final num estádio de lotação escassa, velho e sem condições para um jogo destes o problema ainda se agrava.
Há quatro anos quando Vitória e Benfica se encontraram no Jamor ficou claro que na distribuição de bilhetes tinha havido um filho e um enteado.
E por isso a nódoa vermelha que se vê na bancada vitoriana.
Um dos responsáveis por isso foi a Associação de Futebol de Braga.
Que encaminhou para benfiquistas da cidade de Braga e de concelhos limítrofes bilhetes que deviam ter ido parar a adeptos vitorianos naquilo que foi uma tremenda falta de respeito pelo Vitória e, mais do que isso, uma traição a um clube filiado na Associação.
Quatro anos depois o cenário repete-se.
A AFB, graças ao Vitória e a mais ninguém, recebe 1.750 bilhetes(!!!) para a final.
Desses encaminha 1000 para Guimarães e fica com 750 (!!!) para distribuir por clubes e patrocinadores.
Patrocinadores do Vitória? Não. Patrocinadores da AFB que à boleia do Vitória, e nos lugares dos adeptos do Vitória, vão passear até ao Jamor e provavelmente apoiar o Benfica.
Clubes?
Se os clubes filiados na AFB querem ir ao Jamor então façam como o Vitória e ganhem no terreno de jogo o direito de lá estarem em vez de quererem ir através de méritos alheios.
Em boa verdade todos (ou quase) bem sabemos que muitos desses bilhetes que supostamente iriam parar a clubes da AFB vão, isso sim, parar às casas lampionas do nosso distrito como a de Braga e Famalicão por exemplo.
E por isso é mais que tempo de o Vitória olhar a actual AFB como um adversário do clube, sempre pronta a espetar-nos uma faca nas costas, e tratar de se mexer para encontrar uma alternativa que garanta que somos tratados na nossa Associação com a consideração e o respeito a que temos direito.
Porque senão na próxima presença do Vitória na final da Taça o problema por-se-à da mesma forma seja quem for o adversário.
 Porque esta AFB é, repito, uma adversária do Vitória.
Depois Falamos

P.S: O actual presidente da AFB, e ex dirigente do Vizela, integra a comissão de honra da recandidatura de António Salvador ao Sporting de Braga.
Só não vê quem não quer !

Raposa


terça-feira, maio 09, 2017

Tolerância de Ponto

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

Segundo a Constituição da República Portuguesa o nosso país é um Estado laico não tendo, portanto, nenhum religião ou credo religioso oficial ao contrário do que acontecia até ao 25 de Abril em que a religião católica era a religião oficial.
E por isso, entre outras coisas, era obrigatória nas escolas a disciplina de Religião e Moral e nas salas de aula estava pendurado um crucifixo para dar apenas dois exemplos que estão presente na memória daqueles que viveram esses tempos.
Com o 25 de Abril e a aprovação do texto constitucional democrático essa panorama foi alterado passando a vigorar o laicismo de que atrás falava como postura do Estado perante todas as religiões existentes e praticadas no país.
Essa é a Lei.
Mas depois há a realidade e essa diz-nos que Portugal é um país de profundas raízes cristãs e católicas, que a Igreja teve um importante papel ao longo dos séculos (desde a independência de Portugal para a qual deu importante contributo) na formação e educação de sucessivas gerações de portugueses, que a Igreja através dos seus missionários levou Portugal por todo o mundo entre muitos outros exemplos que poderiam ser citados e que bem demonstram a profunda ligação entre Portugal e a Igreja católica.
Convirá até recordar que apesar de o Estado ser laico em Portugal existem vários feriados de índole religiosa, desde logo o Natal, pelo que como em tantas outras áreas da vida comunitária não há regra que não tenha a correspondente exceção.
E creio que bem levando em linha de conta aquele que é o sentir profundo na maioria dos portugueses que sendo mais ou menos praticantes professam a religião católica e gostam de ver a sua fé respeitada pelo Estado.
Sexta feira chega a Portugal essa figura admirável que é o Papa Francisco.
A sua vinda ao nosso país, ainda que por um curto período de tempo e circunscrita a Fátima onde vai comemorar o centenário das aparições, está a despertar um profundo entusiasmo em todos os católicos e mesmo naqueles que não o sendo admiram a estatura moral e o líder exemplar que o Papa indiscutivelmente é.
Em linha com isso, e seguindo o exemplo de anteriores governos aquando das visitas de João Paulo II e Bento XVI (curiosamente aquando da visita de Paulo VI, nos tempos da ditadura e com o catolicismo como religião oficial, Salazar não foi nisso…) o governo das “esquerdas” deu tolerância de ponto  aos funcionários públicos no dia de sexta feira.
O que prova, no mínimo duas coisas:
Uma é que um governo de esquerda, ideologicamente adepto do laicismo e composto maioritariamente por ateus, quando se trata do populismo de isentar o funcionalismo público de um dia de trabalho (ainda por cima em ano de eleições) não hesita em deitar oportunisticamente mão da visita de um líder religioso, ainda que da religião largamente maioritária no país ,como fizeram no passado governos da tão detestada direita.
A outra é que o governo das esquerdas, auto apregoado defensor das mais amplas...igualdades, não tem o mínimo problema de ao serviço da sua demagogia e oportunismo estabelecer uma separação brutal entre os portugueses que são funcionários públicos e tem tolerância de ponto e os que não o sendo tem de trabalhar.
Pessoalmente discordo por completo desta tolerância de ponto.
Porque os devotos(sendo ou não funcionários públicos), aqueles que já tinham a legítima vontade de acompanharem a visita do Papa, há muito que tinham marcado férias ou pedido dispensa de trabalho para o dia de sexta feira sem estarem à espera de eventuais tolerância de ponto do governo.
Os outros, especialmente os ateus e os que professam religiões a quem o Papa nada diz, vão aproveitar a generosa tolerância de ponto para tudo menos para irem a Fátima participarem nas cerimónias religiosas.
E por isso um governo a sério, mais preocupado em governar para todos do que para fazer demagogia junto de alguns, só tinha duas atitudes a tomar se queria ficar bem na “fotografia” deste acontecimento.
Ou não dava tolerância de ponto a ninguém deixando à vontade de cada um a participação na visita do Papa.
Ou dava um dia feriado que abrangesse todos os portugueses e não apenas os funcionários públicos como acontece com a tolerância de ponto.
Como diz o povo na sua infinita sabedoria “ou há moral ou comem todos” !
Assim é que não!

P.S. Algumas câmaras municipais, como Braga, Penafiel, Ponte de Lima - para citar exemplos de maiorias PSD,PS e CDS- entre outras (poucas) resolveram não alinhar no “nacional porreirismo” do governo e não deram tolerância de ponto aos seus funcionários.
Há que saudar e felicitar a coragem desses executivos.
Eles é que estão certos.

Jamanta


Monte Carlo