terça-feira, junho 27, 2017

24 de Junho

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

Portugal é um país singular em muitas coisas.
Umas que o tornam uma referência pela positiva e outras que dele fazem um mau exemplo que não deve ser seguido por a nada conduzir.
O 24 de Junho, dia 1 de Portugal por força de nessa data se ter travado a batalha de S. Mamede, é um exemplo claro, mas paradoxal, da conciliação num único facto daquilo que Portugal tem de melhor e simultaneamente de pior.
De melhor porque nessa data um grupo indómito de guerreiros, liderado por D. Afonso Henriques, fez frente a uma hoste galega em bem maior número e derrotando-a lançou as sementes do que viria a ser um país.
Foi há quase novecentos anos mas desde essa data Portugal nunca desistiu de ser independente, de lutar pelas suas fronteiras perante um vizinho bem mais poderoso, de dar o seu contributo para “dar novos mundos ao mundo” como é comum dizer-se.
E essa luta pela Liberdade, pela independência, pelo direito a ser um país e a escolher os seus caminhos é um exemplo extraordinário.
Mas depois há o reverso da medalha.
Constituído pelo facto de sermos uma Nação que nalguns aspectos não sabe reconhecer os seus valores, não sabe ser grata a quem por ela fez muito, cultiva determinadas formas de inveja e troca prioridades e factos por conveniências politicamente correctas.
Tal como muito vimaranenses, e não só, sou daqueles que me indigno e indignarei a vida toda pelo facto de Portugal nunca ter querido reconhecer o dia 24 de Junho como verdadeiro dia um de Portugal e festejá-lo nessa qualidade com a pompa e a circunstância que lhe são devidas.
Pior.
Portugal (deve ser caso único em todo o mundo…) festeja a reconquista da independência a um de Dezembro de 1640, com direito a feriado nacional e tudo o mais, mas não festeja a data da conquista da independência que foi o referido 24 de Junho de 1128.
Festejar a reconquista sem festejar a conquista reconheçamos que é obra.
Mas a não seguir seja onde for.
E por isso contra tudo o que seria justo e defensável assistimos a um país ser ingrato, desde sempre verdade se diga, perante a data da sua Fundação enquanto festeja outras datas que sem ela nunca teriam o significado que tem.
Resta Guimarães.
Onde felizmente temos memória, temos respeito pela nossa História, gratidão pelos nossos fundadores e por isso se festeja o 24 de Junho com o significado próprio e se lhe atribuiu, e muito bem, o estatuto de dia do município.
Devo dizer, e não o faço pela primeira vez, que defendendo a distinção que sucessivos executivos municipais tem dado à data, e a forma como tem procurado valorizá-la ao longo dos anos, estou cada vez mais longe de concordar com os mais recentes programas de comemoração do dia.
Porque os programas, com esta ou aquela variante, são cada vez mais iguais e repetindo-se ano após ano nos seus pontos principais o que lhe retira simbolismo e pouco contribui para acrescentar ao dia a dimensão que seria necessária para o afirmar perante o país em todo o seu significado.
É a missa solene, um carrossel de inaugurações, umas provas desportivas, uma sessão solene recheada de discursos e culminada com o habitual “cesto” de medalhas distribuídas quase irmãmente por quem as merece (e nalguns casos o merecimento é indiscutível)e por quem as recebe ora porque o poder entende que há equilíbrios políticos a fazer ora porque é preciso “medalhar”, e pouco mais.
Não estou com isto a acusar, que fique claro, nenhum executivo em particular porque o modelo é o mesmo há muitos anos.
Mas não posso deixar de pensar, e penso-o há muito tempo, que é preciso encontrar outro modelo de comemoração do 24 de Junho para poder afirmar a data perante o país de forma diferente e consolidar o caminho de a tornar numa efeméride nacional e não apenas concelhia como até hoje tem sido.
Nada tenho contra a missa solene embora num estado laico e em cerimónias oficiais seja no mínimo...discutível, nem contra a realização de provas desportivas que dão uma componente popular à data que não pode ser descurada.
Mas as inaugurações  e as medalhas deviam ser repensadas.
As inaugurações porque dão um ar “parolo” à data, com um cortejo de personalidades a percorrer o concelho e a descerrar placas, remetendo para as nada saudosas “peregrinações” de governantes e do almirante Américo Tomás pelo país , no tempo do antigo regime,a fazerem inaugurações e a suscitarem o agradecimento das populações por algo que nada tinham a agradecer.
Quanto às medalhas, e sem entrar em desnecessários pormenores, acho que a sua atribuição devia ser restrita aqueles que de facto contribuíram para o engrandecimento de  Guimarães de forma notória nas suas actividades profissionais ,comunitárias, desportivas, artísticas e de outros géneros e sejam reconhecidos por isso no concelho de forma evidente.
Acredito que é possível melhorar muito a comemoração do 24 de Junho.
Como acredito que um dia a data poderá merecer a nível nacional a importância e distinção que merece pelo que significa para a História de Portugal.
Num e noutro caso...Haja vontade!

Esperar

Alguns leitores habituais deste espaço tem-me questionado, por diversos meios, sobre as razões pelas quais quase nada (ou nada mesmo) tenho escrito sobre a pré temporada no Vitória nestas ultimas semanas.
A razão é simples.
Porque entendo que nesta altura em que o clube está a construir os grupos de trabalho das equipas A e B, com tudo que isso envolve em termos de entradas e saídas mais renovações e dispensas, nada há para dizer porque as situações alteram-se todos os dias como é próprio desta fase da época.
Leio nos jornais as especulações diárias sobre quem sai e quem entra, quem vai ser emprestado e quem vai chegar como emprestado, mas tenho como norma apenas acreditar na "bacalhauzada" do Flávio Meireles (e neste ou naquele caso do próprio presidente) que é a confirmação de que uma aquisição ou uma renovação estão concretizadas.
Para lá disso é apenas especulação e não vale a pena perder tempo com isso.
Compreendo que nesta altura os jornais, especialmente os desportivos, são atulhados de informações vindas de empresários que querem valorizar os jogadores, de clubes que querem vender e por isso tentam subir o preço dizendo haver vários interessados, de outros clubes que querem enganar a concorrência e põe a circular falsos interesses e não deve ser nada fácil nesse contexto separar o trigo do joio.
Mas isso é trabalho dos jornalistas.
Aos adeptos cabe acompanhar com interesse , e serenidade, a construção das equipas que nos vão representar na próxima época na expectativa de que consigam, pelo menos, igualar a prestação que tiveram em 2016/2017 e se possível superá-la.
Claro que todos gostaríamos que na próxima segunda feira ,quando se verificar o regresso aos trabalhos, já o plantel de ambas as equipas estivesse definido a 100% mas isso é impossível quer no Vitória quer em qualquer clube.
E por isso há que esperar por aquisições , saídas, transferências e empréstimos(desejavelmente apenas do Vitória a outros clubes) devidamente confirmados e não dar credibilidade a especulações que muitas vezes não passam disso mesmo.
Certo é que o plantel só estará definitivamente fechado a 31 de Agosto, quando fechar o período de transferências, porque até lá ainda pode acontecer muita coisa, pelo que só nessa altura poderá haver certezas.
Sendo igualmente certo, e desejável, que a 5 de Agosto quando defrontar o Benfica na supertaça o Vitória já deve ter uma equipa e um plantel o mais próximos possível da versão definitiva que vai competir na Liga, Liga Europa, Taça de Portugal e Taça CTT onde é cabeça de série.
Por tudo isto tenho evitado escrever sobre o Vitória.
Esperando, tranquila e interessadamente, por panoramas mais concretos.
Depois Falamos

segunda-feira, junho 26, 2017

Miami


Pelicanos e Peixe


Sichuan, China


Interrogações

O meu artigo desta semana no zerozero

Agora que Portugal já cumpriu os “serviços mínimos” na taça das confederações a apurou-se para as meias finais como vencedor do seu grupo, em que era aliás favorito, podem colocar-se algumas questões sobre critérios das quais não virá mal ao mundo nem beliscam a nossa selecção como principal candidata a ganhar a prova.
Selecção, tal como o seu nome indica, é o apuramento daqueles que em cada momento dão as melhores garantias de poderem representar uma equipa no topo da forma e assim contribuírem para que essa equipa tenha sucessos nas provas que disputa.
E seleccionar, tarefa que nada tem de fácil porque por mais justo que cada seleccionador procure ser acaba ser por neste ou naquele caso ser...injusto, significa isso mesmo, escolher os melhores a cada momento e para cada jogo/competição sem olhar a idade, clube ou...empresário que parece ser um critério não assumido destes tempos modernos!
Naturalmente para que essa escolha seja criteriosa, justa, o mais defensável possível isso implica que o seleccionador durante um período de tempo razoável observe jogadores em diferentes momentos de competição, avalie o seu estado de forma físico, técnico e psicológico em cenários diversos e depois escolha em função dessas observações e do tipo de jogo/competição para que necessita dos jogadores.
E por aqui começam , então, as interrogações sobre alguns dos seleccionados que Fernando Santos levou para a Rússia afim de disputarem esta taça das confederações.
Desde logo pelos guarda redes.
Como avaliou o seleccionador o estado de forma de Beto e José Sá se pura e simplesmente não jogaram durante toda a época no campeonato?
Ou os três jogos de Beto e o jogo único de José Sá permitiram avaliar de forma consistente o seu estado de forma?
Foram convocados porquê? Palpite?
Sem me querer imiscuir minimamente no trabalho do seleccionador não deixo de lembrar que muitos outros guarda redes portugueses competiram assiduamente durante toda a época.
Depois Eliseu.
Suplente do Benfica,que apenas jogava nos impedimentos de Grimaldo que foi sempre primeira escolha de Rui Vitória, foi convocado porquê?
Quando é patente para (quase) todos que o seu prazo de validade como jogador da selecção está ultrapassado já há algum tempo.
Porque não Antunes, ou até Tiago Pinto a quem nunca foi dada uma oportunidade, que são titularissimos nos seus clubes , mais novos que Eliseu e com rendimento seguramente melhor do que este lateral benfiquista?
Porquê? Por ser benfiquista? É que não encontro outra explicação.
E o mesmo se pode dizer de Nelson Semedo que é um jogador de talento, com um futuro prometedor (embora dificilmente tanto como alguns jornais desportivos lisboetas gostam de vaticinar...)mas que em nada tem demonstrado neste final de época merecer mais a convocatória do que ,por exemplo, João Cancelo que foi “relegado” para os sub-21 quando em boa verdade quem lá devia estar era Nelson Semedo e Cancelo na selecção A.
E isto para já nem falar de Bruno Gaspar que fez uma grande época, e a terminou num momento superior de forma, mas jogando no Vitória e não tendo o empresário “certo” obviamente que não podia ser opção para a selecção…
É que no seu caso, como em tempos no de André André, por-se-ia logo o problema do “...e quem tiro?...” que é um tipo de problema que nunca afecta as convocatórias de jogadores de Benfica, Porto e Sporting como é sabido.
Voltando a Nelson Semedo, e tal como em Eliseu, não duvido que o peso da camisola clubística pesou mais que o momento de forma.
E se as interrogações quando à convocatória são estas outras ficam quanto às opções tomadas durante os jogos até agora efectuados.
Creio que Fernando Santos tem estado bem na escolha das equipas, e na rotação inteligente que tem feito dos jogadores com vista a poupá-los ao desgaste de muitos jogos em poucos dias, mas é precisamente por compreender e aplaudir essa lógica que não consigo entender algumas opções feitas neste último jogo face à Nova Zelândia, o mais fraco dos adversários que Portugal encontrou e encontrará nesta competição, e que poderão ter influência nos próximos jogos.
Essencialmente as opções por Pepe e Ronaldo.
Pepe tinha feito os dois primeiros jogos completos, tem 34 anos, tinha visto um cartão amarelo.
Será que para ganhar à Nova Zelândia era indispensável Pepe jogar?
José Fonte ou Luís Neto não dariam conta do recado?
O que aconteceu?
Pepe que é física e tecnicamente muito forte, mas mentalmente nem tanto, fez uma falta absolutamente estúpida , a meio campo e num lance sem qualquer perigo para a nossa baliza, e viu um amarelo que o impedirá de jogar as meias finais.
Sendo certo que contra a Nova Zelândia nunca faria falta é muito provável que face ao próximo adversário possa fazer.
Porque jogou?
E Ronaldo?
Claro que ter um jogador desta categoria e sentá-lo no banco até deve “doer” e percebo isso.
Mas era essencial ele jogar de início para ganharmos à Nova Zelândia?
Não seria preferível tê-lo poupado e levá-lo ao relvado só se fosse absolutamente indispensável ao invés de lhe por em cima mais uma hora de jogo e sujeitá-lo a uma lesão que tudo complicasse?
É que mas meias finais, e depois desejavelmente na final, Ronaldo será certamente essencial.
É por Portugal estar a ganhar, se ter apurado para as meias finais e ser o principal favorito a ganhar a prova, que deixo aqui estas interrogações quando seria certamente mais fácil alinhar no coro nacional de aplausos.
Mas acredito que nalguns casos perguntar ajuda mais que aplaudir.

P.S. E para não complicar nem falei de William Carvalho. Sempre convocado, quase sempre titular, coqueluche da imprensa desportiva lisboeta que o coloca todas as semanas nos maiores clubes do mundo e nos melhores campeonatos da Europa mas que continua no Sporting ano após ano.
Talvez porque nesses campeonatos e nesses clubes se exija que um jogador tenha boa técnica ( e William tem) mas também que tenha velocidades diferentes do parado e do devagar.
E isso William não tem.
Mas tem lugar cativo na selecção. E isso é tão estranho que só desfarei a minha curiosidade do porquê no dia ( se esse dia acontecer) em que ele seja transferido e gere as mais valias para os habituais beneficiários que há muito as esperam.

domingo, junho 25, 2017

Ao Menos Isso..

Sobre os trágicos incêndios do passado fim de semana já muito foi dito.
Centenas de hora de televisão e rádio, incontáveis artigos de jornal, especialistas sobre incêndios, florestas, política floresta, técnicas de combate a incêndios a pronunciarem-se com uma tão douta sabedoria que só me admira que num país com tantos especialistas na matéria ainda haja um único incêndio que seja!
A propósito do sucedido também já assistimos a manobras de política e de politiquice, a estratégias de diversão e outras de encobrimento de responsabilidades, a factos tão espantosos como políticos que falam todos os dias terem ficado repentinamente mudos e outros pensarem que os portugueses são todos parvos e terem vindo para a opinião pública com declarações aberrantes e inenarráveis como esse poço de mau carácter que é o ministro da agricultura.
Já muito se disse.
Já se fizeram declarações num sentido posteriomente corrigidas por declarações em sentido oposto ou quase, já se fizeram apelos ao "nacional porreirismo" que noutros casos bem menos graves mas com governos diferentes nunca existiram por parte de quem agora os propõe, já apelou ao salazarista sentimento de "união nacional" para justificar o injustificável e para adiar o inadiável.
O incêndio está extinto, os mortos sepultados e os feridos em tratamento hospitalar.
Agora é o tempo de apurar responsabilidades e responsáveis.
De apurar o que correu mal, a que se deveu o caos das primeiras horas na coordenação do combate aos incêndios, porque houve falhas gritantes na estratégia, porque razão se recusaram ajudas estrangeiras e ainda por cima com declarações muito pouco respeitosas para quem se propunha ajudar (" excesso de voluntarismo"), porque metade da frota dos caríssimos helicópteros de combate a incêndios se encontra imobilizada por falta de manutenção, qual a razão de um caríssimo sistema de comunicações (Siresp) falha durante horas na altura em que era mais preciso e essencialmente como é possível dezenas de pessoas morrerem queimadas num espaço de poucas centenas de metros de uma estrada.
Entre muitas outras perguntas que já vi formuladas mas para as quais ainda não vi resposta.
Mas essas respostas tem de aparecer.
Sem politiquices, sem manobras dilatórias, sem estratégias de "spin" a quererem convencer-nos que foi tudo uma soma de azares, sem o empurrar de responsabilidades de um lado para o outro, sem inquéritos que nada resolvem e apenas empurram o assunto para um inevitável esquecimento ao sabor do passar do tempo, sem o usual e enfadonho "ping pong" entre partidos a acusarem-se mutuamente.
64 mortos e 257 feridos exigem respostas rápidas, precisas e Verdadeiras.
Doa a quem doer.
As famílias enlutadas ou com entes queridos nas camas dos hospitais, o heroísmo das corporações de bombeiros, a ajuda desinteressada e generosa de tantos e tantos portugueses merecem que se saiba a Verdade.
Ao menos isso.
E não é pedir muito.
Depois Falamos

P.S. Claro que a ministra da administração interna já se devia ter demitido ou sido demitida pelo primeiro ministro.
Em nome de uma responsabilidade política a que não podem fugir.
Como fez Jorge Coelho na questão de Entre-os-Rios (na qual não tinha nenhuma responsabilidade) ou como fez António Guterres ao demitir Armando Vara por causa da "Fundação para a Prevenção e Segurança".
Mas a esta ministra e a este primeiro ministro pedir assumpção das responsabilidades e vergonha na cara é manifestamente algo que está para lá das suas possibilidades.

Tubarões

Foto: National Geographic

Monument Valley, Arizona


quinta-feira, junho 22, 2017

Bruno Gaspar

Na habitual "lufa lufa" de todos os defesos com a  entrada e saída de jogadores há alguns que merecem um particular destaque pela forma como vestiram a nossa camisola.
É o caso de Bruno Gaspar.
Que merece destaque quer pelo jogador quer pela transferência e as condições que a rodeiam.
Bruno Gaspar foi um "produto" da formação benfiquista que o clube da Luz não aproveitou e por isso chegou a Guimarães ainda muito jovem proveniente dos quadros do Benfica B.
No Vitória fez três excelentes épocas de alto rendimento desportivo (foi sempre um dos melhores jogadores da equipa) a par da consolidação da imagem de ser um profissional exemplar que é algo que os vitorianos sempre valorizam bastante.
Mas mais do que isso foi um jogador que rapidamente percebeu o clube, percebeu os adeptos e acabou por se tornar num de nós partilhando dos nossos valores, vivendo as nossas alegrias e comungando das nossas tristezas para lá do estatuto normal de um profissional de futebol.
Fruto dessas três épocas de alto rendimento despertou a atenção (não, desse não porque depois não sabia quem tirar...) de vários clubes estrangeiros acabando por se consumar o da Fiorentina que o contratou por cinco épocas e lhe permitirá jogar num dos melhores campeonatos da Europa.
Ao que se sabe o Vitória terá recebido cerca de quatro milhões de euros pelo seu passe o que tem de se considerar um valor bastante bom.
E é esta a nota que gostaria de salientar.
O percurso de Bruno Gaspar no Vitória, e posterior transferência para Itália, corresponde em pleno a um dos modelos de negócio que o Vitória deve cultivar como forma de ter um crescimento sustentado e conseguir subir patamares em termos de ambição desportiva.
Um jovem português, talentoso e com "escola, que o clube formador não aproveitou e que o Vitória contratou ainda muito jovem.
Três anos de permanente alto rendimento desportivo, valorização do atleta e posterior transferência para um clube estrangeiro que não disputando competições connosco não nos dará o desprazer de ver o atleta jogar contra nós.
Recebimento de um valor pela transferência adequado ao valor do jogador, em linha com a nossa realidade e com a posição que ele ocupa no terreno.
E quando as coisas são bem feitas, como neste caso, é merecido o aplauso!
Quanto ao vitoriano Bruno Gaspar deseja-se que tenha muito sucesso nesta nova etapa da sua carreira na certeza de que quem serviu o Vitória com a honestidade, profissionalismo e qualidade com que ele  o fez tem sempre abertas as portas de uma casa que também é sua.
Depois Falamos.

Houston


Orangotango


Castelo de Foix, França


quarta-feira, junho 21, 2017

Sugestão de Leitura

Este é daqueles livros que nunca poderia deixar de ler.
Porque o tema, marketing político, me interessa bastante e porque uma amizade com um dúzia de anos com o José Paulo Fafe a isso me impelia de forma completamente irresistível.
Deixando de lado a questão da amizade, que nunca pode ser critério de apreciação de um livro (e de muitas outras coisas) , devo dizer que o li num ápice porque além de bem escrito é conciso, preciso e desperta a atenção e o interesse ao longo das suas páginas.
Afinal o marketing de sucesso é isso mesmo!
Conciso, preciso e despertador de atenção.
Dividido em doze capítulos, e recheado de saborosas histórias vividas pelo autor em Portugal, América do Sul e África , o livro aborda temas tão interessantes como o marqueteiro e respectiva profissão (que o autor considera "maldita" mas fascinante) , as campanhas eleitorais, a importância das sondagens, a televisão como "arma", os debates , a importância crescente da internet, o ocaso dos comícios, a gestão de crises entre outros .
É um livro que traduz bem a enorme experiência ( e sucesso) do José Paulo Fafe nestas matérias e um guia extremamente interessante para perceber as campanhas eleitorais e tudo que em seu torno se desenrola.
Ainda por cima lançado no tempo certo (que seria de esperar de um especialista em marketing?) como é este de pré campanha autárquica em que a atenção das pessoas está virada para a política de forma especial.
Li, gostei, recomendo.
Depois Falamos.

Decisivo

Portugal defronta hoje a Rússia, país anfitrião desta taça das confederações, num jogo que tem tudo para ser decisivo quanto à permanência na prova.
Um triunfo, e considerando que o jogo a seguir é com a Nova Zelândia, garante praticamente o apuramento mas já o empate (e considerando que os mexicanos vencerão os neo zelandeses) obrigará ao recurso à calculadora enquanto a derrota nos deixará pelo caminho.
As indicações deixadas no primeiro jogo, frente ao México, não foram particularmente animadoras.
Uma equipa a defender mal, com muitas dificuldades em sair a jogar face à pressão alta dos mexicanos e um ataque que pareceu algo baralhado quanto à posição a ocupar por cada um dos seus elementos.
É verdade que a genialidade de Ronaldo e Quaresma, os dois melhores jogadores desta selecção, disfarçaram alguma coisa e até conseguiram um golo de belo recorte mas depois as insuficiências a defender comprometeram um triunfo que teria sido fundamental para enfrentar o jogo de hoje com outra disposição.
Erros de Guerreiro e Pepe no primeiro golo e de Fonte e Rui Patrício (incrível como ficou em cima da linha em vez de sair ao cruzamento e "sacar" a inevitável falta nesses casos) deram um sinal de intranquilidade num sector e nuns jogadores que tão bem tinham estado no Europeu.
Mas dias maus todos tem.
Claro que a equipa melhorou, e bastante, com as entradas de Adrien que estabilizou o meio campo, de Gelson que permitiu à equipa dispor de um extremo rápido e talentoso e passar a jogar com onze face à inexistência do substituído Nani e de André Silva que deu espaço a Ronaldo e reeditou a dupla ofensiva que tão bem tem estado nos jogos de apuramento para o Mundial.
Fica a dúvida sobre o resultado se Portugal tivesse iniciado o jogo com esses três jogadores a par da perplexidade perante a insistente titularidade de William Carvalho (oxalá Jorge Mendes o venda rapidamente...) que joga entre parado e devagar e da dúvida sobre se Bernardo Silva não desempenharia melhor o lugar atrás do ponta de lança que foi ocupado por André Gomes.
Mas como de treinador de bancada todos temos um pouco nada como esperar as decisões de Fernando Santos para o jogo de hoje para perceber se também ele ficou desagradado com alguns aspectos da exibição do passado domingo.
Depois Falamos.

terça-feira, junho 20, 2017

Insólito

O meu artigo desta semana no jornal digital "Duas Caras".

Há casos em que a realidade consegue ultrapassar largamente a ficção proporcionando-nos momentos tão insólitos e inesperados que é preciso lermos duas vezes algumas notícias para acreditarmos nos nossos próprios olhos.
E creio que nem a onda de calor, que pode perturbar alguns cérebros mais sensíveis a esse tipo de influência, pode explicar o sucedido nestes últimos dias entre Guimarães e Braga.
Refiro-me, como está bom de ver, ao inacreditável comunicado do Sporting de Braga acerca das declarações do candidato à Câmara de Guimarães, André Coelho Lima, à saída de uma reunião com a direcção do Vitória.
A história conta-se em pouca palavras.
Depois de uma reunião com a direcção vitoriana, a exemplo de muitas outras que tem mantido com os mais diversos clubes do concelho ao longo dos anos, o candidato comparou os apoios que os clubes vimaranenses, e particularmente o Vitória, recebem da respectiva câmara municipal com aqueles que são dados a clubes de concelhos vizinhos como Braga, Famalicão, Barcelos ou Fafe.
Que são em todos eles muito maiores e especialmente em Braga em que até o clube de andebol ABC recebe mais que o Vitória e o Moreirense em conjunto.
Referindo ainda, o que é rigorosamente verdade, que se para clubes que disputam idênticas competições os apoios municipais são de valores substancialmente diferentes isso acaba por ter um reflexo directo na competitividade das suas equipas (não apenas no futebol)e nos resultados alcançados.
Bastará referir a titulo de exemplo que aos Vitória são atribuídos cem mil euros por ano, para todas as modalidades, que na verdade são apenas cerca de cinquenta mil porque o clube gasta por ano um verba próxima dos quarenta e cinco mil euros apenas no aluguer de pavilhões para as suas equipas treinarem e nalguns casos competirem.
Daí que o candidato, criticando a falta de apoio da Câmara de Guimarães aos clubes concelhios, tenha explanado a sua visão do que deve ser a política desportiva do município que passará por um maior apoio aos clubes e pela atribuição directa desses apoios em vez de passarem por uma cooperativa municipal como é a velha prática socialista.
Até aqui tudo normal.
Como normal seria a resposta a estas declarações vir do PS de Guimarães caso delas discordasse ou da situação tivesse uma leitura diferente o que até à data não aconteceu pelo que me dispenso de aplicar aqui um velho provérbio popular que a todos ocorrerá sem dificuldade.
Mas não.
Quem ficou muito incomodado com estas declarações foi o...Sporting de Braga e o seu presidente António Salvador.
Que de imediato deram à estampa um absolutamente insólito comunicado recheado de insinuações, omissões e falsidades naquilo que constitui uma intromissão nunca dantes vista, em lado nenhum, de um clube desportivo numa disputa política que ocorre noutro concelho que não aquele em que está sediado e onde é um dos principais clubes em termos de apoio popular.
Não comentarei ponto por ponto o fastidioso comentário do Braga.
Sobre ele direi apenas o seguinte no que me parece mais relevante:
O comunicado do Braga não desmente André Coelho Lima.
Porque embora discordando dos valores apresentados pelo candidato admite que o Braga recebe anualmente da câmara de Braga mais do triplo do que o  Vitória recebe da câmara de Guimarães.
Está lá escrito.
A justificação de que essas verbas são para apoio às modalidades e não ao apoio profissional é pura redundância porque nunca nas declarações do candidato foi mencionado para que fim era destinado o apoio que o Vitória recebe da respectiva Câmara.
E depois o Braga entra por um caminho de delírio que nem o calor explica ao referir-se aos gastos com os estádios de Braga e Guimarães.
Ao afirmarem que o Vitória ficou com o estádio pelo valor simbólico de um euro estão a mentir.
Não foi um euro mas sim cinco mil o que sendo igualmente simbólico não deixa de ser uma diferença significativa em termos de valores e o seu não reconhecimento apenas pode ser explicado pela excelência dos critérios de gestão que notabilizaram alguns bracarenses “clientes” habituais dos noticiários jornalísticos sobre falências de empresas.
Depois o Braga “esquece-se” de referir que dispõe de dois estádios municipais, o 1 de Maio e a “Pedreira” .
Que custam ao erário público muitíssimo mais do que os cem mil euros que a Câmara de Guimarães gasta com o Vitória sendo que no segundo deles só os juros dos empréstimos bancários que permitiram a sua construção atingem valores  de milhões de euros que serão pagos ao longo das próximas duas décadas.
O Braga perdeu, pois, uma rica oportunidade de estar calado.
Porque cobriu-se de ridículo, meteu-se onde não era chamado, comentou o que não lhe dizia respeito e em nada conseguiu desmentir o candidato André Coelho Lima.
Mas deste insólito comunicado há uma concluso final que não pode deixar de ser tirada:
A política desportiva preconizada para o município de Guimarães e para os seus clubes por André Coelho Lima e pela coligação “Juntos por Guimarães” desagrada ao Sporting de Braga e ao seu presidente António Salvador.
E apenas isso pode justificar, ainda que remotamente, a emissão de um comunicado onde o incómodo é bem evidente e a simpatia , não expressa mas de fácil intuição, pelo “status quo” existente é inegável.
O que não deixa de ser um dado muito interessante que os vimaranenses devem valorizar no tempo certo.

Tigre


Banguecoque


Moínho


Sugestão de Leitura

Tinha tido conhecimento da publicação da edição portuguesa deste livro algumas semanas antes dela suceder através da recomendação do mesmo pelo meu amigo, e grande vitoriano, Vasco Rodrigues que me dissera ser uma obra imperdível.
E a curiosidade foi tanta que o comprei na pré-venda da FNAC para garantir que me chegaria às mãos mal fosse posto à venda.
E assim foi.
E que dizer dele?
Em primeiro lugar que é uma fabulosa obra de investigação do jornalista e sociólogo italiano Pippo Russo acerca do mais famoso empresário do futebol actual o português Jorge Mendes.
Cuja carreira começa na contratação de Nuno Espírito Santo, do Vitória para o Deportivo da Corunha, e depois ao longo de vinte anos constrói todo um império que o torna no mais famoso, mais influente e mais rico empresário do mundo do futebol cujos negócios hoje vão muito para lá da intermediação na contratação de jogadores e cobrem muitas outras áreas algumas das quais ainda longe de serem totalmente conhecidas mas já suficientemente nebulosas para merecerem o interesse de autoridades judiciais de vários países.
Em segundo lugar é um retrato magnifico do que é o futebol português.
Das guerras de bastidores, das influencias deste e daquele clubes, da forma como Jorge Mendes alternadamente concentrava negócios ora no Porto ora no Benfica ora no Sporting ao sabor dos seus interesses e dos interesses dos seus múltiplos parceiros de negócios.
Mas também da enorme fragilidade dos nossos clubes completamente expostos a quem, como Jorge Mendes, apareça com dinheiro e jogadores e de imediato se torne numa figura liderante com mais peso e influência do que as próprias direcções eleitas.
Acredito que os adeptos do Sporting de Braga, do Rio Ave, do Paços de Ferreira que são os clubes mais "Mendisados" (expressão do autor) de Portugal lerão com profunda preocupação, e tristeza, este livro.
E cabe aqui referir que o Vitória, felizmente num contexto ainda diferente, é várias vezes citado no livro e tem até direito a um capitulo próprio.
Em terceiro lugar este livro é um sério aviso, para quem o quiser entender como deve ser entendido, para aqueles clubes que ainda não caíram na órbita deste e de outros empresários (e dos fundos de investimento...) mas são por eles cobiçados e com eles, nalguns casos, parecem recriar uma espécie de  "Danças com Lobos" que só pode terminar mal.
Porque este(s) empresário(s) e os interesses financeiros que gravitam em volta do futebol dele só querem o lucro, as mais valias, os negócios e estão-se completamente nas tintas para a identidade dos clubes, para a paixão dos adeptos, para a História que cada clube construiu ao longo de décadas.
É, repito, uma obra magnifica.
E creio que toda a gente que gosta de futebol, que gosta do seu clube, que vê no futebol muito mais que apenas um negócio deve lê-lo com toda a atenção e dele tirar as necessárias ilacções porque a todos cabe um pouco a responsabilidade de impedir a destruição da mais apaixonante das modalidades e dos seus respectivos clubes (e selecções...) por gente sem escrúpulos, sem Pátria nem clube, que apenas pensa nos negócios, nas percentagens e nas comissões.
Pessoalmente adorei ler este livro embora da sua leitura tenha resultado um significativo aumento da preocupação em volta de notícias que vou lendo nos últimos dias e que não me agradam nada enquanto adepto do futebol e adepto do Vitória.
Depois Falamos

P.S. Pippo Russo terminou a edição portuguesa em Dezembro de 2016. Mas o que se está a passar com os problemas fiscais de Cristiano Ronaldo e José Mourinho (os dois principais clientes de Jorge Mendes) ou com a ida de Nuno Espírito Santo (o mais antigo cliente e o mais "Mendisado"dos treinadores) para o Wolverhampton caberia perfeitamente na lógica narrativa do livro.

segunda-feira, junho 19, 2017

Três Pontos

O meu artigo desta semana no zerozero.pt.

Andam cada vez mais revoltas as “águas” do nosso futebol ao sabor de sucessivos acontecimentos que vem ocupando as primeiras páginas dos jornais, e dos noticiários em geral, nestes últimos dias e que prometem continuar na ordem do dia por algum (bastante?) tempo mais.
Hoje vou referir aqui três assuntos, diversos entre si, mas bem demonstrativos da intranquilidade que por aí anda.
O primeiro é, inevitavelmente, o caso dos e-mails.
Que começou pela divulgação de uma troca de e-mails entre Pedro Guerra e Adão Mendes mas já atingiu proporções bem maiores e implicando muitas outras pessoas com responsabilidades no futebol bem maiores do que dos dois protagonistas iniciais.
Ao que se sabe hoje, mas não esquecendo que cada terça feira traz a promessa de mais e mais gravosas actualizações do assunto, há já matéria mais que suficiente para que o Estado se envolva de forma empenhada no cabal esclarecimento do assunto usando todos os meios ao seu dispor para que a Verdade seja esclarecida e as responsabilidades assacadas a quem de direito.
Polícia Judiciária, Procuradoria Geral da República, seja quem for tem de investigar profundamente os bastidores do nosso futebol e fazê-lo de forma determinada, eficaz, isenta face aos envolvidos e tão célere quanto possível.
Na defesa do futebol, da verdade desportiva, dos clubes, dos árbitros e de tudo que rodeia uma modalidade que não merece estar mergulhada no lodaçal para que certo dirigismo desportivo a tem conduzido nas últimas décadas.
Investigue-se tudo e investiguem-se todos!
Instaurem-se inquéritos, reabram-se processos se necessário for, corte-se a direito no apuramento do que realmente se passa no submundo do futebol e que sucessivos escândalos nos últimos anos tem posto a lume com uma clareza que só não vê quem não quer e a que o Estado não pôs cobro ainda por uma reiterada cobardia face ao poder do futebol e de alguns clubes.
É impensável que a próxima época desportiva comece (a 5 de Agosto com a disputa da supertaça entre Vitória e Benfica) debaixo deste ambiente de suspeição, com uma tensão tremenda entre clubes e a arbitragem debaixo da pressão terrível que sobre ela se exercerá face a todas estas suspeitas.
O segundo ponto tem a ver com a selecção nacional.
Que lá longe na Rússia participa ,como campeã europeia em título, na taça das confederações procurando conquistar para Portugal mais uma grande prova internacional na qual participa pela primeira vez e graças ao triunfo no Europeu de França.
E não deixa de ser uma ironia cruel que o país campeão da Europa de selecções enquanto vê a equipa de todos nós a participar numa grande competição internacional esteja mergulhado no lodaçal atrás referido , absolutamente indigno de um país civilizado e de um Estado de direito que funcione normalmente, que desqualifica a nossa imagem internacional e deixa os nossos jogadores da selecção como a brilhante ponta de um icebergue de sujidade.
Não merecem eles, não merece o brilhante trabalho que a FPF vem fazendo a nível de selecções, não merecem muitos (não todos) adeptos que gostam de futebol e de futebol com Verdade desportiva.
A participação não começou da melhor forma, quer exibicionalmente quem em termos de resultados, mas já é tradição bem portuguesa começar as competições “assim assim” e depois encarreirar e construir bons resultados.
Esperemos que assim seja e que também Fernando Santos suba de forma (deixar Gelson, André e Bernardo Silva no banco para dar a titularidade a Nani foi um fiasco) para que a máquina da selecção carbure em pleno como aconteceu após a entrada dos dois primeiros e que quase deu para ganhar o jogo.
O terceiro ponto tem a ver com Ronaldo.
E com o facto de Espanha tendo porventura os dois maiores clubes do mundo (Barcelona e Real Madrid) ,e neles jogando os dois melhores futebolistas mundiais da última década (Ronaldo e Messi), fazer pouco por merecer a excelência que esses dois jogadores dão às suas provas e os troféus internacionais que tem ajudado os seus clubes a ganhar.
E porquê?
Porque um é português e o outro argentino e isso “cai” muito mal ao orgulho espanhol que convive pessimamente com a realidade de os melhores do mundo joguem em dois clubes espanhóis sem serem dessa nacionalidade.
Não vou entrar aqui, até por não perceber nada da matéria, em análises individuais ou comparativas dos processos em que ambos se viram envolvidos pela fiscalidade espanhola e que tantos rios de tinta tem feito correr.
Registo, apenas, a satisfação com que na imprensa de Madrid se acompanharam os problema de Messi e que foi correspondida pela satisfação da imprensa catalã no acompanhamento do que está a acontecer com Ronaldo.
E se isso se pode inserir na rivalidade tradicional entre Madrid e Barcelona já não entendo, a não ser por esses despeito atrás referido, a forma como o Real Madrid tem agido em todo este processo.
É verdade que fez um comunicado a apoiar Ronaldo (também era o que faltava não o ter feito) mas simultaneamente andou a pedir aos jornais para nas notícias que publicassem sobre o assunto não inserirem fotografias do jogador com a camisola do clube!
E isso é simplesmente miserável.
A fazer lembrar, ressalvadas as diferenças que são muitas, o que aconteceu no Canadá quando Ben Johnson ganhou a épica final dos 100 metros nos Jogos Olimpicos de Seul frente a Carl Lewis.
No dia do triunfo alcançou o estatuto de herói do Canadá e assim era tratado pela imprensa local.
Dois dias depois, quando se conheceram os resultados positivos do controlo anti doping, deixou de ser o herói do Canadá e passou a ser o filho de emigrantes jamaicanos transformando-se num quase vilão de épicas proporções.
No Real Madrid a linha de raciocínio a nível directivo, que não dos adeptos, é idêntica.
Quando dá ao clube títulos e troféus é o melhor jogador do mundo, um herói madrileno, o melhor da História do clube. Quando aparecem problemas como este passa a ser o...”português”.
Tudo porque há muito “bom “ espanholito e madrileno que não suporta a ideia de que o melhor jogador de sempre do Real Madrid, que vai deixar no clube recordes que vão durar gerações, é orgulhosamente português e não espanhol como tanto gostariam que fosse.
Percebo bem a vontade de Ronaldo sair do Real e de Espanha.
Inveja, ingratidão e xenofobia são realmente difíceis de suportar.

quarta-feira, junho 14, 2017

Nova Iorque


Leão


Icebergue

Foto: National Geographic

O Cigarro e as Cigarras

Já se sabe que quando se trata de desprestigiar, envergonhar, denegrir o futebol português os nossos dirigentes não pedem meças a ninguém e encarregam-se eles próprios de o fazerem de forma "competente" e zelosa.
A última assembleia geral da Liga foi mais uma prova disso.
Tendo o nosso futebol tantos e tão graves problemas para resolver os dirigentes dos clubes não encontraram mais que fazer do que alinharem numa brincadeira de mau gosto, patrocinada pelo Benfica com a colaboração de alguns ressabiados contra o Sporting, como o foi a regulamentação quanto à proibição do cigarro electrónico nalgumas zonas dos estádios!
Uma brincadeira de mau gosto, indigna de um clube com a grandeza do Benfica (bem superior à dos seus dirigentes seguramente) , que por mais razões que tenha para não gostar do presidente do Sporting não pode misturar coisas pretensamente sérias como os regulamentos das competições com atitudes mais próprias de canalha do que de adultos que respeitam os cargos que ocupam e os clubes que representam.
Devo dizer, num parêntesis, que a reacção do Sporting devia ter sido a de simples desprezo em vez de se dar como achado na brincadeira canalha. Mas há quem não resista a um microfone...
A verdade é que a proposta do Benfica teve os votos favoráveis do Arouca (por razões óbvias...), do Vitória FC (por razões que terão a ver com jogadores emprestados pelo SCP que o clube leonino mandara regressar à base em Janeiro) e de mais um ou outro clube que salivando pelos potenciais jogadores emprestados quiseram agradar ao "dono disto tudo".
Os restantes abstiveram-se.
Ou seja, como Poncio Pilatos, não estavam a favor nem contra!
O futebol português, repito, tem problemas graves para resolver.
Financeiros, regulamentares, de segurança, de arbitragem e disciplina que obrigariam os dirigentes a gastarem as assembleias gerais da Liga em esforços para a sua solução ao invés de para lá irem fazer de conta que está tudo no melhor dos mundos e que o forrobodó é para durar.
Tal como as cigarras que acreditavam que o Verão era eterno.
Sabe-se como a história acabou...
Depois Falamos

terça-feira, junho 13, 2017

Oposição

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

É um lugar comum , mas nem por isso menos verdadeiro, dizer-se que em democracia é tão importante ter um bom governo como ter uma boa oposição porque nesse contexto quanto melhor um for melhor o outro é.
Uma boa oposição é sempre uma oposição que sabe distinguir os momentos de divergir dos momentos de convergir, que percebe que o povo deu aos outros e não a ela o poder de governar, que não se demite de ser uma alternativa responsável e por isso a cada momento apresentar as suas ideias e propostas.
No Poder Local com a sua curiosa legislação que permite que num executivo coexistam Poder e Oposição (pessoalmente discordo mas é a Lei que temos e por isso há que respeitá-la) o grau de exigência para ambas as partes é elevado porque se para uns o que está em causa é cumprir o mandato recebido do povo para aplicarem o seu programa para outros há que saber conciliar a função de serem oposição com a necessidade de se credibilizarem explicando a cada discordância como fariam diferente se fossem poder.
Em Guimarães de há muito que a alternância democrática não funciona, por vontade legítima dos eleitores, e por isso o PS governa sozinho desde 1989 enquanto PSD, CDS e CDU se limitam a ser oposição na câmara e na assembleia municipal (nesta com mais partidos que por lá tem passado desde o BE ao MPT passando pelo MRPP) esperando a hora em que os vimaranenses entendam que já basta de executivos socialistas e permitam que outras forças políticas governem o município.
Devo dizer que não enveredando, por longo e fastidioso, pelo relato do que tem sido estes vinte e oito anos de oposição me cingirei aos últimos quatro (até porque são os mais presentes na memória de todos) para dizer que os eleitores vimaranenses que não votaram PS tem boas razões para considerarem que ao entregarem o seu voto às coligações “Juntos por Guimarães” e CDU fizeram uma boa escolha porque estas souberam respeitar o voto recebido e tem sido ao longo do mandato forças de oposição responsáveis, combativas, construtivas e que tem sabido sempre distinguir aquilo em que todos tem de estar unidos daquilo em que o PS tem de ser combatido.
Direi até que o Poder teve mais sorte com a Oposição que a Oposição com o Poder porque enquanto JpG e CDU tem sabido colocar-se ao lado da Câmara naquilo que entendem como estrutural para Guimarães já esta não só nunca valorizou os contributos da Oposição como ainda chamou suas a ideias e propostas que vinham do outro lado da mesa.
É incrível mas é verdade.
De resto e para quem quiser analisar com algum distanciamento os factos concordará facilmente que em alguns momentos a Oposição soube estar à altura das suas responsabilidades e contribuiu decisivamente para que alguns assuntos viessem a te rum desfecho muito mais positivo do que aquele que se lhe podia augurar se entregue apenas à maioria socialista.
Exemplos?
Apenas alguns entre outros possíveis.
A vinda para Guimarães do instituto da Universidade das Nações Unidas, o pacto em torno da candidatura de Guimarães a “capital verde europeia”, o caso da Torre da Alfândega são três exemplos em que foi decisiva a posição dos partidos da Oposição na defesa dos interesses de Guimarães.
No primeiro caso com particular responsabilidade da coligação JpG, no segundo com a união de toda a Oposição em torno da Câmara e no terceiro com o mérito a pertencer à CDU.
É esse o papel de uma Oposição responsável e não tenho duvidas em afirmar que Guimarães tem nos seus orgãos autárquicos uma Oposição com essas características.
Mas ser Oposição é mais que isso.
E portanto, com a naturalidade própria de quem sabe o trabalho de casa que está a fazer  e no timing que apenas compete aos próprios definir,a coligação JpG (agora falo apenas desta porque é aquela que apoio e cuja estratégia conheço) está na fase seguinte do seu projecto de alternativa política e passou à apresentação de ideias para o futuro.
E dentro do seu calendário tem apresentado várias propostas que se propõe levar a cabo se merecer em 1 de Outubro o voto dos vimaranenses.
A primeira, como estarão recordados, foi para a cidade e visa através da construção de parques de estacionamento e túneis racionalizar e melhorar o trânsito na cidade a par de permitir novas zonas pedonais no centro histórico.
Depois apresentou uma proposta que visa melhorar a mobilidade no concelho com a  construção de várias vias que permitam ligar vários pontos do mesmo à cidade.
A terceira proposta, pessoalmente entendo que a mais importante até agora apresentada, visa a captação de empresas para o nosso concelho assim criando emprego, estimulando a economia local, fixando população e conservando empresas que de há muito estabelecidas em Guimarães poderiam deslocalizar-se caso não tivessem  novos espaços para a sua expansão como aconteceu, aliás, nos últimos tempos com empresas de referência.
É uma proposta para melhorar a qualidade de vida das pessoas e a competitividade do nosso concelho pelo que me parece fundamental para ajudar os eleitores a decidirem o seu voto na hora em que compararem as alternativas.
E por falar em alternativas não deixa de ser uma saudável ironia constatar que depois de três anos e tal a ouvir o PS criticar a Oposição dos JpG pelo que entendiam eles ser a falta de propostas políticas vermos agora a coligação apresentar a sua terceira proposta de fundo para os próximos quatro anos,e com reflexos muito para lá deles, enquanto ao detentor do poder não se conhece uma ideia inovadora, uma proposta devidamente fundamentada, um projecto de futuro e com futuro.
A pouco mais de três meses das eleições já os vimaranenses podem fazer uma clara distinção entre aqueles que passaram quatro anos a pensar e a trabalhar para o futuro das próximas gerações daqueles cuja única preocupação são as próximas eleições.
Agora há que traduzir isso em votos.
E através da alternância democrática dar à coligação “Juntos por Guimarães” a possibilidade de provar que é capaz de fazer mais e melhor que um PS gasto, cansado e desgastado que aposta num “vale tudo” apenas e só para manter um poder a que já não sabe o que fazer.
O povo é quem mais ordena!

Alexandria, Egipto


Tucano


segunda-feira, junho 12, 2017

Missas e Padres

O meu artigo desta semana no zerozero.

Já não será propriamente surpresa para ninguém que o nosso futebol tem originalidades tão próprias que o tornam um caso único no contexto europeu, e só não digo mundial porque na América do Sul há fenómenos idênticos, tal as singularidades de que se reveste.
A chamada “silly season” é uma delas.
Não que nos outros países não exista com tudo o que significa de notícias e desmentidos, de contratações que ora o são ora o deixam de ser, com jogadores e treinadores que iam para aqui e afinal vão para ali, com um volume diário de notícias nos jornais desportivos, nas rádios e nas televisões que fazem as delícias dos seus editores e, porque não dizê-lo, de todos aqueles que herdaram do “Antigo Regime” aquela velha máxima de que” se vem no jornal é porque é verdade” e por isso renovam diariamente os seus entusiasmos face às “fabulosas” contratações dos seus clubes.
Mas a “silly season” portuguesa sendo nisso, embora com algum exagero, semelhante às de outras paragens arranja sempre forma de ser original juntando aos folhetins das contratações mais qualquer “coisinha” para apimentar estes meses sem futebol que tanto custam a passar.
Este ano é a novela das “missas e dos padres” lançada pelo director de comunicação do Porto com base numa troca de e-mails entre um ex árbitro e um funcionário do Benfica e da qual os portistas concluem (e denunciam) a existência de uma rede de favorecimentos ao Benfica montada pelo clube da Luz e da qual fariam parte vários árbitros que nos jogos desse clube lhe dariam o famoso “colinho” sempre que necessário se tornasse.
Sinceramente não vejo onde está a novidade que mereça tanto alvoroço em torno do assunto.
Bastará ver com atenção os jogos do Benfica para perceber que há um elevado número de decisões de várias equipas de arbitragem que favorecem objectivamente o clube da Luz e prejudicam os seus adversários.
Mas sempre foi assim embora nestes últimos anos o “fenómeno” se tenha vindo a tornar mais frequente ao sabor de equipas benfiquistas que sendo progressivamente mais fracas precisam de mais ajudas.
E sempre foi assim não apenas para o Benfica como também para os outros chamados “grandes” que ao longo dos anos são sempre beneficiados na arbitragem, na disciplina e em outros sectores do futebol e até das modalidades.
Onde as coisas variam é apenas no chamado “grande” que a cada momento domina o chamado “sistema”.
Com o Sporting há muito arredado disso (e do resto…) a questão tem-se vindo a caracterizar por uma alternância de domínio entre Benfica e Porto com ciclos de poder alternados entre ambos e os consequentes benefícios desportivos de estar “por cima” nos bastidores.
Sendo claro que o Benfica dominou largamente durante o antigo regime e até finais dos anos oitenta é igualmente claro que nas duas décadas seguintes o poder passou para o Porto (e parcialmente para o Boavista), com todos os episódios que se conhecem, estando na última meia dúzia de anos de regresso aos encarnados.
E se toda a gente sabe disto é igualmente verdade que ninguém faz nada para isto alterar!
O original desta novela das “missas e padres” é mesmo o denunciante ser o Porto.
Que não duvido que saiba do que fala, até pela sua vasta experiência no assunto, mas que em bom rigor devia ser o último clube a vir a público com denúncias destas porque tem um ”histórico” na matéria que não lhe dá margem para querer dar lições de moral.
Porque todos sabemos que o Porto veio a público hoje, com ontem o fazia o Benfica em termos mais ou menos idênticos (na verdade os dois clubes são mais parecidos do que gostam de admitir), não porque esteja preocupado com a transparência e a verdade desportiva das competições mas apenas porque sabe que é hoje o rival a dominar o “sistema” e isso tem incidência directa nos resultados desportivos.
E o Porto sabe também que, ainda por cima numa época em que as dificuldades financeiras o vão obrigar a vender “jóias da coroa” , isso pode cavar um fosso entre os dois clubes que remeta o futebol português para o antes 25 de Abril com uma clara hegemonia do Benfica sem opositores face a um Porto sem dinheiro e a um Sporting sem rumo.
E esse é o verdadeiro problema do Porto.
Que sem ganhar nada desde 2013 vê um futuro pouco auspicioso face a um rival que para além da força própria oriunda de ser o maior clube português ainda controla totalmente outros aspectos essenciais como a arbitragem e a disciplina.
E por isso achando que o Porto tem razão nas denúncias acho igualmente que  não tem moral para as fazer.
Mas ,afinal, estamos ou não estamos na “silly season” do futebol português?

P.S. Naturalmente que também se poderia perguntar o que fazem os responsáveis dos outros clubes face a este cenário de podridão no nosso futebol?
A resposta é simples; Não fazem nada!
Mas isso será tema para futuro artigo.

Parque de Yosemite, EUA


Rinocerontes


domingo, junho 11, 2017

Goleadores

Diz-se na gíria do futebol que os avançados ganham jogos e as defesas ganham campeonatos.
Não será tanto assim mas de facto considerando que uma equipa se constrói de trás para a frente não é difícil estar de acordo com a premissa de que uma boa defesa, composta por jogadores de qualidade e bem entrosados, é meio caminho andado para se poder ganhar uma competição seja ela um campeonato nacional ou uma prova de selecções.
Mas, lá está, depois é preciso ganhar os jogos que dão pontos e apuramentos e para isso é preciso fazer golos tarefa de que estão especialmente incumbidos os avançados em geral e os pontas de lança em particular.
Portugal ao longo dos anos tem tido excelentes defesas , médios de qualidade muito acima da média, avançados de notável categoria mas uma relativa escassez de goleadores natos daqueles que resolvem jogos e competições.
É verdade que tivemos, acima de todos ,Eusébio e Pauleta que eram os maiores goleadores da selecção até ao advento de Ronaldo mas a verdade é que os seus golos nunca corresponderam à conquista de troféus nas grande competições a nível de selecções.
Como anteriormente tivemos Peyroteu e Matateu e entre Eusébio e Pauleta nomes como Jordão, Gomes, Néné e Manuel Fernandes.
Mas nenhum deles, com notável injustiça quando se trata de Eusébio, conseguiu transformar os seus golos na mais valia decisiva para fazer a diferença entre fazer grandes competições e ganhá-las.
Depois chegou Ronaldo.
E a História mudou.
Em 2004 ainda não era o goleador que é hoje (se o fosse talvez esse europeu tivesse ficado em Portugal em vez de ter viajado para Atenas) pelo que o seu contributo também não foi suficiente para construir uma História diferente.
Mas de lá para cá tem dado um extraordinário contributo à selecção,que teve como corolário a conquista do Europeu de França, num percurso que felizmente ainda está longe do seu fim.
E agora "chegou" André Silva.
Que acompanho atentamente desde os escalões de formação e que acho ter a qualidade suficiente para se tornar no melhor ponta de lança português dos últimos largos anos e também ele atingir números excepcionais em termos de golos marcados.
E quando se juntam talentos como Ronaldo e André Silva, e ainda por cima com a compatibilidade entre ambos que tem mostrado em campo ( 17 golos na fase de apuramento para o Mundial 2018 com 11 de Ronaldo e 6 de André) , só se pode gabar a sorte de um seleccionador que pode contar com dois goleadores de categoria mundial em simultâneo.
Creio que ambos, ajudados por Rui Patrício, Fonte, Raphael Guerreiro, Moutinho, André Gomes, Gelson Martins,Bernardo Silva e outros podem perfeitamente permitir a Portugal vencer o seu segundo grande troféu internacional a nível de selecções.
Ou seja a Taça das Confederações que começa sábado na Rússia.
Depois Falamos

quinta-feira, junho 08, 2017

Populismos...

Hoje é popular, populista até, dizer-se à boca cheia que Cristiano Ronaldo é o melhor jogador português de todos os tempos, o melhor jogador mundial do seu tempo e até o melhor futebolista de sempre.
Pode dizer-se mas é impossível provar-se.
Que é o melhor futebolista português da sua geração não oferece duvidas.
Que é um dos dois melhores futebolistas mundiais da actualidade é algo que não permitirá grandes polémicas em torno disso.
Que tem lugar na História do futebol mundial como um dos melhores de sempre é algo que os seus espantosos recordes asseguram acima de qualquer dúvida.
Mas daí a ser o melhor de sempre vai alguma distância.
Pela simples razão de que em quase nada é possível comparar o futebol de hoje com o de há vinte, cinquenta ou setenta anos atrás dadas as imensas diferenças existentes a todos os níveis desde as bolas com que se joga, aos níveis de preparação física, à medicina desportiva ou aos próprios relvados.
É todo um mundo de diferenças que impedem que se compare o que não é comparável.
O que valeriam hoje nos seus vinte e poucos anos jogadores como Stanley Matthews, Alfredo Di Stéfano, Cruyff, Maradona,  Eusébio ou Pelé?
Com estas bolas leves e rápidas, os relvados de grande qualidade, a preparação física moderna, a medicina desportiva de ponta e a racionalização das suas carreiras em termos de esforço?
Não sei.
Mas creio que seriam jogadores espantosos e ainda melhores do que o foram nos seus tempos.
Como certamente Ronaldo, com a sua capacidade física, talento e elevado profissionalismo também seria um grande jogador nos tempos dos ex jogadores que referi.
E por isso quando me falam de Ronaldo nos termos que referi no inicio do texto prefiro dizer que é um dos melhores futebolistas da História do futebol mundial ,o que me parece indiscutível, e não correr o risco de ser injusto ao comparar o incomparável.
Depois Falamos

quarta-feira, junho 07, 2017

Varanda Vimaranense

É uma varanda típica de Guimarães.
Típica pela arquitectura mas também típica pelas bandeiras que ostenta.
Ao centro a bandeira de Portugal um país que nasceu em Guimarães e que depois deu novos mundos ao mundo tendo em determinada época sido uma das maiores potencias mundiais.
Do lado esquerdo a bandeira do concelho de Guimarães com o seu brasão no qual figura Nossa Senhora com o menino ao colo.
E à direita a bandeira do Vitória ostentando o seu emblema no qual figura D.Afonso Henriques o Rei que a partir de Guimarães transformou um condado num país  e é o símbolo maior não só da cidade e concelho como do próprio clube.
São três realidades -Portugal, Guimarães e Vitória- que qualquer vimaranense preza e considera indissociáveis tal a envolvência existente entre elas.
Como esta varanda existem muitas outras em Guimarães ostentando estas bandeiras.
Provavelmente esta excelente moda começou com o apelo de Luís Filipe Scolari, durante o Euro 2004, para que nas janelas e varandas do país fossem penduradas bandeiras de Portugal como forma de mostrar o apoio à selecção nacional.
Assim aconteceu por todo o lado como é sabido.
E naturalmente que Guimarães não ficou de fora mas, com aquela identidade muito própria que por cá temos e de que tanto nos orgulhamos, os vimaranenses foram mais longe e ao lado da bandeira do país colocaram e do concelho e a do clube como forma de afirmar o seu orgulho em serem de onde são e serem como são.
E por isso estas varandas tão bem decoradas.
Depois Falamos.

Ho Chi Min, Vietname


Casal Leonino


Castelo de Chillon, França


terça-feira, junho 06, 2017

Um Clube muito maior que a Cidade

Não há erro maior em termos de conceito, e de filosofia de crescimento e afirmação, do que querer meter o Vitória dentro de Guimarães como tantas vezes se lê por aí com as pessoas a confundirem o clube com os limites da cidade e a referirem que as nossas conquistas clubísticas são conquistas da cidade.
Também são, é claro, mas são muito mais que isso.
O Vitória é um clube fundado e com sede em Guimarães, que congrega o apoio esmagador dos seus habitantes, mas é muitíssimo maior do que a cidade de onde é natural.
É o clube de todo o concelho onde conta com inúmeros adeptos em todas as suas freguesias.
É o maior clube da região minhota contando com muitos e bons adeptos em vários dos seus concelhos contando até com núcleos organizados em vários deles como é patente em muitos jogos através das faixas exibidas.
É um clube nacional porque tem adeptos em muitos pontos do país, não tantos como os três estarolas (mas qualidade e quantidade são coisas diferentes como se sabe...) mas em número que vai crescendo de forma segura, fruto da admiração que de há muitos anos a esta parte suscita em todo o lado.
E é ainda um clube com adeptos em todo o mundo, fruto da diáspora portuguesa, sendo conhecida a existência de delegações vitorianas em vários países de vários continentes.
Por isso creio que todos os vitorianos, com natural maior responsabilidade para aqueles que em cada momento  o dirigem  , devem ter o maior cuidado em não "meterem" o clube dentro da cidade e bem pelo contrário empenharem-se em passarem a convicção verdadeira de que o Vitória é um clube de Guimarães(cidade e concelho) mas cujas fronteiras de crescimento são as do planeta Terra.
Depois Falamos.

Fazer o Caminho

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

Como será do conhecimento da esmagadora maioria dos que leem estas crónicas sou militante do PSD.
E tenho gosto nisso.
Militante desde Janeiro de 1975, começando o percurso partidário pela JSD onde militei durante treze anos e depois passando para o PSD embora acumulando durante algum tempo a militância nas duas organizações, desde sempre assumi como meus os combates do meu partido embora nuns casos com mais convicção e empenho do que noutros como é próprio de quem faz parte de uma partido democrático.
Quero com isto dizer que em termos autárquicos votei sempre nas candidaturas do PSD, da AD e agora dos JPG (Juntos por Guimarães) mesmo quando no passado, e por razões diversas, tinha boas razões pessoais para não o fazer.
Mas sempre distingui questões pessoais de questões políticas bem como o partido de quem temporariamente o dirige ou por ele se candidata nesta ou naquela eleição por esta ou por aquela razão.
E por isso sempre votei nas candidaturas do meu partido.
Não votei em 1976 porque os meus saudosos dezassete anos de então não o permitiam mas já votei em 1979 (nesse tempo os mandatos eram de três anos) numa candidatura liderada por um grande vimaranense como o é o senhor António Xavier que concorrendo em AD conseguiu vencer essas eleições e fazer assim o seu primeiro mandato à frente da Câmara de Guimarães.
Um autarca com quem os vimaranenses foram injustos dez anos depois derrotando-o numas eleições que ele merecia claramente vencer pelo mandato que tinha feito e no qual dera provas de um amor à sua Terra e uma dedicação à autarquia que a tudo resistiu incluindo algumas deslealdades que com ele cometeram.
A verdade é que desde então o PSD nunca mais venceu, sozinho ou acompanhado, umas eleições para a Câmara de Guimarães.
Mudou várias vezes de candidato, de estratégia, de estilo de campanha mas nada disso foi suficiente para convencer os eleitores vimaranenses a darem-lhe um triunfo que significasse também, e inevitavelmente, a derrota do PS.
Que assentou todos esses triunfos entre 1989 e 2013 no carisma pessoal de António Magalhães um político que eleitoralmente valeu sempre bem mais do que o PS e por isso conquistou seis maiorias absolutas e ainda deu uma de bandeja a Domingos Bragança em 2013.
Acontece que o PSD demorando...aprendeu.
E por isso a partir de 2010, e da “habitual” derrota nas autárquicas de 2009, o PSD começou a fazer, debaixo da liderança de André Coelho Lima, um caminho muito diferente do que fizera até então e que visava a conquista da câmara num espaço temporal que não se limitava às eleições seguintes mas que previa a possibilidade de não sendo “à primeira” o eventual insucesso não ser mais que uma etapa para o sucesso.
Perdidas as autárquicas de 2013, mas recuperado algum terreno para o PS, o PSD começou a trabalhar literalmente no dia seguinte para as autárquicas de 2017 dando assim provas de uma consistência, um empenho e uma determinação absolutamente invulgares e que demonstravam bem o quanto o partido e o seu líder acreditavam no caminho que estavam a fazer.
Foram quatro anos de permanente contacto com Guimarães e as suas instituições, quatro anos a percorrer incessantemente o concelho, quatro anos a estudar os problemas e a propor soluções na certeza de que os vimaranenses a seu tempo saberão reconhecer o mérito do trabalho feito e a validade do caminho proposto.
Mas foram também anos em que o PSD e o seu líder souberam estar ao lado da Câmara quando a Câmara o mereceu, souberam ter o sentido de Estado de se empenharem em trabalhar para Guimarães mesmo sabendo que os “louros” podiam ser colhidos por outros (caso flagrante do instituto da universidade das Nações Unidas) , quatro anos em que  Guimarães esteve sempre primeiro.
Esse caminho entra agora na sua recta final.
E ao contrário dos adversários que se mostram mais interessados em propaganda fantasiosa via outdoors do que em apresentarem ideias consistentes, que preferem dedicar-se à pilhagem de autarcas mais fracos de convicções e coerência do que em valorizarem os seus próprios camaradas, que tem uma obsessão quase doentia em criticarem as ideias da oposição em geral e de André Coelho Lima em particular do que em explicarem em que é que fariam diferente, o PSD e a coligação Juntos por Guimarães continuam metodicamente a apresentarem as suas propostas para o mandato 2017-2021.
E propostas para o todo concelho e não apenas para a cidade.
Foi assim que depois da apresentação de propostas para a construção de parques estacionamento na cidade que permitissem trazer o centro histórico para o século XXI sem perder as suas características medievais e de propostas para a construção de vias que permitam interligar os diversos pontos do concelho com a cidade assim proporcionando uma melhor coesão territorial o candidato e a coligação apresentam propostas que visam a criação de zonas de acolhimento empresarial em vários pontos do concelho com isso procurando atrair para Guimarães mais empresas.
E trazer empresas significa criar emprego, produzir riqueza, estimular a economia local.
E essas condições de acolhimento, atraindo empresas e criando emprego, também contribuirão para inverter o péssimo ciclo de deslocalização de empresas (algumas delas fundadas e trabalhando em Guimarães há longos anos) que se vem sentindo no nosso concelho a par de permitirem combater outro fenómeno profundamente negativo que é a perda de população a favor de concelhos vizinhos.
São propostas concretas, devidamente estudadas e ponderadas, susceptíveis de serem levadas à prática num curto espaço de tempo se existir vontade e determinação política e que poderão contribuir poderosamente para que Guimarães se afirme no contexto regional e nacional na próxima década.
André Coelho Lima e a coligação “Juntos por Guimarães” estão a fazer o seu caminho cabendo
aos vimaranenses avaliar, em 1 de Outubro, os seus méritos.
Por mim, militante de base do PSD e sem qualquer responsabilidade na campanha eleitoral, cabe-me deixar o simples testemunho de que em quarente um anos nunca vi um caminho ser tão bem feito, com tanta persistência, dedicação, visão de futuro e crença no que se propõe.

Boeing 747


Javali e Leão


Iguaçu, Brasil


segunda-feira, junho 05, 2017

Tri

O meu artigo desta semana no zerozero.

Este tri não se refere  a nenhum encadeamento de títulos, como comummente se usa (tri, tetra, penta…), mas sim à oportunidade de num único fim de semana já em fim de temporada se poder assistir a rês excelentes jogos de futebol.
Com as seleções de Portugal e o melhor jogador português , e um dos dois melhores do mundo, neles envolvidos.
Comecemos pela selecção A.
Que ainda tem dois compromissos extremamente importantes antes de férias e que passam por um jogo na Letónia que é essencial vencer para manter intactas as hipóteses de apuramento directo para o mundial 2018 e pela participação na taça das confederações para a qual se apurou enquanto campeão europeu.
Portugal defrontou em jogo de preparação o Chipre, uma selecção de terceiro plano europeu (como a Letónia) mas que já nos causou amargos de boca como aquele empate a quatro golos em Guimarães no arranque para o apuramento do Euro 2012, e venceu com tranquilidade por um 4-0 que deixou boas perspectivas para o embate com os letões.
Até porque a selecção nacional alinhou com uma equipa em que faltavam potenciais titulares e faltava, essencialmente, Cristiano Ronaldo que é uma ausência cujo peso ninguém ignorará face ao que tem sido o seu contributo para a selecção e à categoria que o mundo lhe reconhece.
Foi oportunidade para algumas experiências, para dar oportunidades a alguns jogadores menos utilizados, e para confirmar o bom momento de alguns deles como foi o caso de João Moutinho , André Silva e Pizzi que pese embora terem uma cumprido uma época extremamente exigente chegam a Junho ainda com bastante “pulmão”.
Aguarda-se um triunfo na Letónia e uma participação ambiciosa na taça das confederações que poderá muito bem representar o adeus à selecção de alguns dos convocados de Fernando Santos.
Ainda nas selecções uma palavra para o muito aceitável campeonato do mundo de sub-20 feito por Portugal.
A selecção não começou bem este torneio na Coreia do Sul, e num escalão em que temos excelentes pergaminhos, com uma derrota face à Zâmbia e um empate com a Costa Rica a antecederem um sofrido triunfo frente ao Irão que lhe permitiu o segundo lugar no seu grupo e o apuramento para os oitavos de final da competição.
Ai chegada venceu categoricamente a selecção anfitriã, com a sua melhor exibição até então, apurando-se para os quartos de final e lembrando pelo percurso (e pela melhoria exibicional com a prova a decorrer) a selecção A no europeu de França.
Infelizmente nos quartos de final baqueou nas grandes penalidades perante o Uruguai, grande candidato ao triunfo final, e terminou assim um percurso em que chegou a ser possível acalentar sonhos bem dourados.
Deixando duas notas para ponderar.
Uma é que Portugal tem nesse escalão jogadores que prometem largo futuro.
Diogo Gonçalves, Dalot, Pêpê, Xadas e Alexandre Silva por exemplo.
Mas  há mais como o “repescado” Hélder Ferreira que fez um golo e deixou boas indicações para o futuro.
A outra nota é para as grande penalidades.
Que não são nenhuma lotaria, como às vezes gostam de lhes chamar, mas sim uma questão de competência de quem as marca. E nesse capítulo alguns portugueses não foram competentes.
O terceiro jogo deste fim de semana, mas o mais importante a nível de clubes em termos mundiais, foi a final da Liga dos Campeões disputada em Cardiff entre Real Madrid e Juventus e que centrou a atenção de muitos milhões de telespectadores em todo o mundo.
De um lado o maior “papa taças” da Champions com onze no palmarés e do outro uma equipa que já venceu a prova por duas vezes mas também a tinha perdido em seis ocasiões o que lhe dá o triste recorde negativo de ser a equipa que mais finais tinha perdido logo seguida por Benfica e Bayern com cinco cada qual.
E se o jogo prometia a verdade é que não desiludiu.
Uma boa primeira parte com grande equilíbrio mas ligeira supremacia da Juventus que bem podia ter chegado ao intervalo a vencer caso tivesse sido mais eficaz na concretização das oportunidades de que dispôs após Mandzukic ter respondido de forma espectacular ao golo inicial de Ronaldo.
A verdade é que o intervalo fez bem a espanhóis e muito mal a italianos.
E numa segunda parte completamente dominada pelos madridistas o Real construiu um resultado dilatado mas justo que a ninguém terá deixado duvidas quanto à justiça no vencedor da presente edição da Liga dos Campeões.
Décima segunda taça para o Real Madrid e mais alguns recordes para o espantoso jogador que Ronaldo é.
Melhor marcador desta edição da Liga dos Campeões, melhor marcador da Champions pela sexta vez (quinta consecutiva), melhor marcador de sempre da prova, primeiro jogador a marcar em três finais e com os dois golos desta final atingiu a espantosa marca de 600 golos em 855 jogos oficiais.
Definitivamente um jogador com lugar assegurado nas grandes lendas do futebol.
E com a selecção A em bom plano frente a Chipre e Ronaldo em momento de forma esplendoroso aumentam as possibilidades de Portugal fazer uma taça das confederações de grande nível e até ambicionar vencê-la pese embora as previsíveis dificuldades que lhe vão ser postas nomeadamente frente ao anfitrião Rússia.
Sem esquecer que primeiro é preciso derrotar a Letónia...