sábado, junho 15, 2019

Ecletismo

Sou, desde sempre, um defensor do Vitória como um clube eclético que não se resuma apenas ao futebol mas que possua outras modalidades que lhe permitam uma presença competitiva em várias modalidades e, simultaneamente, sejam um espaço de prática desportiva para os jovens vimaranenses e não só.
Por isso sempre defendi que para lá do futebol o clube deva ter mais duas ou três modalidades de equipa em que dispute para ganhar as competições nos diversos escalões a par de outras individuais e colectivas em que nuns casos dispute títulos e noutros a vertente da prática desportiva seja a dominante.
Por isso os anos áureos do voleibol,masculino e feminino, trouxeram grandes alegrias aos vitorianos consubstanciadas em títulos e taças e mostraram que o clube pode ser competitivo ao mais alto nível nacional se as coisas forem bem feitas.
O que posteriormente o basquetebol confirmou exuberantemente com a conquista de duas taças de Portugal e dois vice campeonatos deixando a clara sensação de que podia ter ido ainda mais longe se tivesse tido o apoio que merecia.
Sendo certo que outras modalidades, como as de combate, tem dado ao clube títulos nacionais ,europeus e mundiais a que se calhar não tem sido dada a atenção que bem mereciam.
Escrevo isto hoje, sábado 15 de Junho, quando o Vitória está a poucas horas de poder sagrar-se campeão nacional de pólo aquático se vencer, em casa, o terceiro e último jogo da final depois de um triunfo no primeiro jogo e uma derrota nos penáltis na segunda partida.
Acredito que seremos campeões e que o pólo aquático, depois do voleibol, será a segunda modalidade de equipa a dar um titulo nacional absoluto ao Vitória.
E é importante dizer hoje, e antes de se saber qual o resultado, que a vertente eclética é uma componente importantíssima do ADN Vitória e faz parte de uma imagem de marca do clube que nunca poderá ser esquecida.
Num tempo em que o clube se vê imprevistamente mergulhado em eleições, e em que se ouve falar de nomes tantos e de ideias nenhumas (para já pelo menos), é importante que cada candidato defina o que tenciona fazer em termos de modalidades para se perceber até que ponto cada um deles está identificado com o que é o Vitória.
E esta não será, pelo menos para mim, uma questão menor na hora de decidir em quem voto.
Depois Falamos.

Almourol


O Cavalo e a Igreja


Companhias...


quarta-feira, junho 12, 2019

"Pianistas"

Com grande pena minha nunca tive a mínima queda para a música.
E embora goste de vários tipos de música, mal estava, a verdade é que nunca tive o mínimo jeito para tocar qualquer instrumento, cantar fosse o que fosse ou até dançar a mais corriqueira das músicas em qualquer bailarico daqueles que na juventude ia frequentando.
"Duro de ouvido", "desafinado" e "pé de chumbo" foram realidades com as quais me habituei a conviver, sem qualquer problema diga-se de passagem, e que me acompanham ao longo da vida com uma presença regularissíma.
Tenho, apesar disso, pena de não ter jeito para tocar um instrumento.
E dentro dessa pena o piano marca um lugar de destaque porque é , de longe, o instrumento musical que mais gosto de ouvir e porventura o mais completo de todos eles pelo que muito gostaria de o saber tocar.
Mas não sei.
E por isso limito-me a ouvir e admirar aqueles que o sabem fazer dando tantas vezes provas de um virtuosismo que causa espanto.
Esses são os pianistas que merecem admiração.
Embora agora exista outra espécie de "pianistas".
Aqueles que diariamente compõe "música" nos teclados dos computadores e nos ecrans de telemóveis, a um ritmo esgotante,e que em muitos casos resulta em "composições" horrorosas, desafinadas sob qualquer ponto de vista e impossíveis de ver sem causarem algumas sensações de náusea.
E infelizmente essa é uma espécie que não parece estar em vias de extinção.
Depois Falamos

segunda-feira, junho 10, 2019

Monument Valley


Desajeitado


Linha do Douro


Campeões

O futebol também tem destas coisas.
A equipa que melhor jogou, melhor controlou o jogo, mais rematou, mais oportunidades criou, melhor defendeu...ganhou o jogo!
E quando assim é pode dizer-se,com total cabimento, que o resultado foi justo porque ganhou não só a melhor equipa mas também aquela que mais mereceu o triunfo.
Portugal fez um bom jogo e rubricou uma exibição superior aquela que tinha feita nas meias finais frente aos suíços que sendo uma boa equipa não são tão bons, nem para lá caminham, como os holandeses que tem uma das selecções mais prometedoras do futebol europeu e mundial.
Algumas rectificações na equipa com as saídas de Pepe (esse por lesão) de Rúben Neves e João Félix dando entrada a José Fonte, Danilo e Gonçalo Guedes no "onze" titular resultaram em pleno com a equipa a apresentar-se mais coesa no meio campo (que grande jogo fez Danilo)e mais versátil no ataque onde ao talento e genialidade de Ronaldo e Bernardo se juntou a objectividade e o empenho de Gonçalo Guedes contribuindo assim para uma equipa globalmente mais equilibrada.
E embora Portugal tenha dado o domínio do jogo ao adversário, traduzido na percentagem de posse de bola e mais nada, a verdade é que foi a selecção nacional quem mais atacou, quem mais rematou (catorze remates contra três dão bem a ideia da superioridade portuguesa nesse domínio) e quem deu sempre a ideia de ser a equipa mais perto de vencer.
Como aconteceria com o golo solitário, mas suficiente,  de um "herói" improvável chamado Gonçalo Guedes (mas já no Euro 2016 vencêramos a França com o golo de um "herói" ainda mais improvável chamado Éder) que num lance de ataque resistiu à tentação de passar a bola a Ronaldo que estava isolado à sua esquerda e optou pelo remate que deu o triunfo.
E assim no confronto entre uma equipa que já perdera uma final em casa (Euro 2004) e outra que já perdera duas finais em casa do adversário (Mundiais de 1974 e 1978) acabou por quebrar a malapata aquela que mais fez por isso sagrando-se como primeira vencedora da novel Liga das Nações uma prova que tem tudo para ser um enorme sucesso. 
Parabéns Portugal.
Depois Falamos.

P.S. A escolha de Bernardo Silva como melhor jogador do torneio e de Rúben Dias como melhor jogador da final foram também inteiramente justas.
Quanto a Ronaldo "limitou-se" a ser o melhor marcador da prova.
Nada de novo também em mais um troféu para o genial jogador.

Lago e Floresta


Castelo de Portalegre


Luar


domingo, junho 09, 2019

Final

Uma final, especialmente entre equipas deste gabarito, é sempre de resultado incerto e pode depender de momentos de inspiração individual deste ou daquele jogador ou, até, de um momento de especial inspiração colectiva de uma das equipas.
Na lógica portuguesa, a que nos interessa, todos sabemos que na equipa lusa há um grande especialista em momentos de inspiração (a Suíça que o diga...) que sozinho pode resolver o jogo como tantas vezes o tem feito noutras ocasiões e face a adversários igualmente poderosos.
E esse, a valia do adversário, é um grande problema para Portugal.
Porque a Holanda tem uma grande selecção, das mais fortes da Europa na actualidade, recheada de talentos individuais nos quais avultam Van Dijk e De Jong mas com um colectivo igualmente muito forte e que numa noite de inspiração pode fazer frente com sucesso a qualquer adversário.
Grande jogo se adivinha para hoje portanto.
E dentro do despique entre duas selecções do topo europeu merecerá natural acompanhamento o duelo entre Ronaldo e Van Dijk que significa o enfrentamento ao mais alto nível do planeta futebol entre um extraordinário especialista em marcar golos e outro especialista fantástico em evitá-los.
Quem sabe se do vencedor do duelo individual deste duelo não resultará também o vencedor colectivo desta final?
Mais logo saberemos.
Depois Falamos.

sexta-feira, junho 07, 2019

Dramas Socialistas

Em Portugal cada meio de transporte é um drama para o governo socialista.
Porque com todos lidam mal, com todos demonstram incompetência e falta de capacidade de gestão, com todos desagradam cada vez mais a um número crescente de portugueses que não consegue entender que governação é esta.
Nos automóveis o drama socialista vai dos constantes aumentos de combustíveis, batendo consecutivamente o recorde de semanas com os preços sempre a subirem, até aquela inacreditável operação conjunta de Autoridade Tributária e GNR fiscalizando os automobilistas em termos de dividas fiscais.
Nos aviões, leia-se TAP, para além dos prejuízos e dos constantes atrasos na maioria dos voos assiste-se agora ao pornográfico espectáculo de serem distribuídos prémios a gestores de uma empresa que em 2018 deu mais de 100 milhões de euros de prejuízos.
Nos helicópteros, ou melhor na falta deles, é o estarmos a chegar a uma época de grande risco em termos de incêndios ( e ninguém como este governo teve a experiência da tragédia que podem ser...) e para além dos cronicamente avariados Kamov há ainda os atrasos inaceitáveis no aluguer daqueles que os possam substituir com o inerente risco de o ataque aos fogos não ter a eficácia desejável.
Nos barcos, nomeadamente os que ligando as duas margens do Tejo servem milhares de pessoas por dia, assiste-se a uma revolta cada vez maior dos utentes (que levou inclusive a atitudes violentas pouco comuns na nossa sociedade) face à supressão de carreiras e aos inconvenientes que isso causa.
Nos veículos pesados, especialmente camiões TIR, sabe-se bem que poucas semanas atrás um sindicato não filiado na CGTP ou na UGT parou literalmente o país com uma greve motivada por promessas não cumpridas e ameaça fazê-lo de novo se o governo não cumprir aquilo a que se obrigou.
Nos comboios é onde, porventura, a desgraça é maior.
Supressão de composições, atrasos nos horários como não via há décadas, carruagens com quase cem anos repostas a circular, comboios a quem caem motores em plena viagem, plano de supressão de composições e encerramento de bilheteiras para o próximo Verão com todos os inconvenientes que se adivinham.
Com a agravante de em barcos e comboios todos estes transtornos em crescendo surgirem depois daquela "magnifica" medida (para os cidadãos de Lisboa e Porto) da descida nos passes sociais  o que leva à ironia sem graça de que que pagando menos os utentes também tenham menos transportes e em condições cada vez mais deficientes.
Resta dizer a concluir que o grande responsável governamental por este caos, para lá do primeiro ministro é claro, acaba de ser eleito eurodeputado e ao que parece vai ser mesmo nomeado comissário europeu o que prova bem que para os socialistas portugueses a competência não é critério para coisa nenhuma.
Depois Falamos.

P.S. Quase me apeteceu escrever também, nesta matéria de transportes, sobre a crescente praga das trotinetas que enxameia a cidade de Lisboa.
Mas fica para outra altura.

quinta-feira, junho 06, 2019

Inigualável

Falar de Ronaldo é falar de talento puro misturado com um profissionalismo exemplar e uma dedicação ao trabalho que não teme qualquer comparação com a de qualquer colega de profissão seja onde for.
Ontem, no Dragão", uma vez mais o capitão de Portugal resolveu "sozinho" um jogo difícil e cujo resultado esteve incerto até aos minutos finais altura em que Ronaldo abriu o livro e fez dois grandes golos que arrumaram definitivamente o assunto e colocaram a nossa selecção em mais uma final europeia.
Três golos, a cada vez mais espantosa cifra de 88 marcados pela selecção (no futebol mundial só há um jogador com mais golos marcados ao serviço da sua selecção) e a "teimosia" em continuar a bater recordes atrás de recordes.
Relembro, porque ontem ninguém falou disso, que havia muito boa gente que depois de Ronaldo ter pedido dispensa da fase de apuramento (jogos com Itália e Polónia) entendia que ele não devia ter sido convocado para esta fase final.
Mas foi.
E em boa hora porque seria um acto de pura loucura privar a selecção de um jogador do seu nível numa fase final em que, jogando em casa, Portugal é favorito.
Favorito...com ele.
Depois Falamos

Farol


Hamburgo


Veado


segunda-feira, junho 03, 2019

Sugestão de Leitura

Confesso que aguardava a publicação deste livro com bastante curiosidade.
Desde logo pelo autor, com quem trabalhei durante seis anos, quer pelo conteúdo que inevitavelmente se debruçaria sobre uma obra imensa cujo desenrolar acompanhei entre 2005 e 2011época  em que parte significativa dela foi levada a cabo.
Gostei do que li.
Porque o livro debruçando-se em boa parte sobre Gaia também aborda temas nacionais, e uma perspectiva internacional dos tempos que vivemos em que o autor mostra um pensamento estruturado (que para mim não constituiu novidade nenhuma) e uma cultura política que não são fáceis de encontrar nos tempos que correm, para lá de referências, ainda que pela rama, ao partido em que ambos militamos durante muitos anos e em que Luís Filipe Menezes continua a militar.
Gostei particularmente da descrição, exaustiva mas necessária,do que foram os seus quatro mandatos à frente do município , da Gaia que encontrou em 1997 e da Gaia que deixou em 2013 fruto da extraordinária revolução que a todos os níveis liderou durante esses dezasseis anos.
Habitação, ambiente, educação, saneamento, desporto, turismo, qualidade de vida, vias estruturantes, cultura, reconhecimento nacional e internacional foram alguns dos sectores importantíssimos em que havia uma Gaia antes de LFM e há uma Gaia depois de LFM.
Um livro muito interessante.
Mas em que, e o próprio autor o reconhece, ainda ficou muito por contar nomeadamente sobre o período entre 2005 e 2008 em que protagonizou duas candidaturas à liderança do PSD.
Uma derrotada, à justa, no congresso de Pombal em 2005 e a outra em que se tornou até hoje no único candidato a derrotar um líder em funções nas directas de 2007.
Sobre essas duas candidaturas e, especialmente, sobre o período em que liderou o PSD e se tornou no primeiro político português a questionar a supervisão bancária (entre outras decisões altamente polémicas na altura mas em que o tempo lhe daria razão...) ainda há muito para contar seguramente.
Acredito que um destes dias teremos novo e interessante livro sobre essas e outras matérias.
Depois Falamos

Justo Campeão

O triunfo do Liverpool na Liga dos Campeões, para além de justo, significa de certa forma o regresso do mais famoso "caneco" do mundo do futebol, a nível de clubes, a uma casa onde já tinha cinco congéneres mas com o anterior titulo a ostentar já a provecta idade de catorze anos o que no futebol é muito tempo.
Significa também o primeiro título para o seu treinador Jurgen Klopp,após seis finais perdidas consecutivamente na taça da Alemanha (duas) na taça da liga inglesa, na liga Europa e na Liga dos campeões (duas com Dortmund e Liverpool), permitindo assim que um dos melhores técnicos do futebol mundial pudesse finalmente levantar uma liga dos campeões.
Significa ainda o triunfo de uma massa adepta absolutamente extraordinária que transforma cada jogo do Liverpool num espectáculo complementar ao espectáculo futebolístico propriamente dito.
Não foi um jogo de grande nível mas foi sem duvida alguma um jogo muito intenso, disputado sempre nos limites e em que a maior classe do Liverpool, também assente na qualidade do seu guarda redes manda a verdade dizê-lo, falou mais alto e fez jus a um troféu que lhe assenta muito bem.
É o sexto e com isso os "reds" isolam-se no terceiro posto entre os clubes com mais ligas dos campeões conquistadas ainda longe dos treze troféus do Real Madrid, que lidera, mas já à beira dos sete troféus do Milan que nos últimos anos tem andado arredado destas andanças.
Nota final para uma excelente arbitragem que numa final da liga dos campeões não teve qualquer problema em assinalar uma grande penalidade aos vinte segundos de jogo (a mais rápida de sempre numa final europeia) num lance que não mereceu qualquer contestação dos jogadores do Tottenham.
Outra cultura desportiva sem sombra de duvida.
Depois Falamos

Alvorada


Caimão


Castelo de Chenonceau, França


sexta-feira, maio 31, 2019

Titanic. Ou Quase...


Passadas alguns dias sobre as eleições europeias, e respectivos contentamentos e descontentamentos, importa agora com base nos resultados de 26 de Maio olhar para o futuro com olhos de ver se possível.
E olhar com olhos de ver significa, desde logo, reconhecer com o máximo de frieza os resultados obtidos pelas principais forças políticas e perceber até que ponto esses resultados devem (se vão ou não mais tarde se saberá) influenciar as opções estratégicas que cada partido fará para o futuro próximo.
Há uma primeira constatação a fazer,  sem a qual nada fará sentido, e que aponta para uma inequívoca vitória da esquerda e uma enorme derrota da direita que teve nestas eleições o seu pior resultado em mais de quarenta anos.
Um naufrágio em toda a linha, com protagonistas vários mas resultado comum, que se não for entendido na sua plenitude pode significar um longo período de afastamento da esfera do poder.
Para que não haja existam duvidas há que analisar individualmente o resultado dos principais partidos da área não socialista deixando apenas de fora os resultados da direita radical (Basta e PNR) por manifestamente não se prever que possam, por várias razões, integrar qualquer solução de futuro.
O PSD obteve o seu pior resultado de sempre em eleições nacionais.
Nem nos dificílimos tempos do PREC, em que não era nada fácil ser do PPD, o partido obteve um resultado tão mau e pese embora a bondade com que internamente alguns olham os resultados de hoje, por contraponto com o rigor com que olharam alguns resultados de ontem, é fácil concluir que o PSD não tem qualquer hipótese de, sozinho, ser alternativa ao PS.
Nenhuma!
Pode ser complemento, contrariando a sua matriz histórica, mas alternativa não é nem será.
O CDS teve, também ele, um muito mau resultado.
Embalado no “canto de sereia” dos resultados das autárquicas em Lisboa, obtidos em condições irrepetíveis por várias razões e principalmente porque o PSD apresentou a sua pior candidatura de sempre (sim,pior que o Macário...) ao município da capital, o CDS andou toda a campanha a falar em dois ou três deputados e acabou a discutir o quinto lugar com o PAN que chegou a dar a sensação de poder ficar à frente dos centristas no resultado final da eleição.
Um duro reencontro com a sua realidade que deve ser inteiramente percebido no Largo do Caldas sob pena de ainda piorar em Outubro.
A Iniciativa Liberal, provavelmente autora dos melhores outdoors de campanha e de alguns dos “sound bytes” mais interessantes , percebeu no “terreno de jogo” que criatividade e imagem não bastam se depois não houver um reconhecimento eleitoral por parte dos cidadãos quer da “marca” quer da utilidade do voto.
E isso, manifestamente não aconteceu.
Finalmente a Aliança.
Partido de gente bem disposta , bem humorada e com uma visão optimista do futuro foi comum o sentimento de satisfação pelo facto de o partido ter subido a sua votação em todas as freguesias, todos os concelhos e todos os distritos do país como se dizia na noite eleitoral pela sede do partido.
Brincadeira à parte é evidente que o resultado obtido ficou aquém das expectativas e não sendo comprometedor quanto a um futuro auspicioso deixou, ainda assim, um amargo de boca pelo facto de tendo uma lista de qualidade e tendo feito uma campanha a discutir exclusivamente assuntos europeus (ao contrário de outros com bem maiores responsabilidades,advindas de já terem representação em Bruxelas, que discutiram tudo menos a Europa...)não ter obtido uma votação que permitisse, pelo menos, a eleição de Paulo Sande que era de longe o mais bem preparado dos cabeças de lista no que toca a assuntos europeus.
Sabemos que houve factos que contribuíram para isso, e as dificuldades no acesso ao espaço televisivo em igualdade com os partidos do costume não foram seguramente o menor deles, mas não vale a pena chorar sobre leite derramado e há que aceitar com “fair play” aquilo que foi a decisão do povo.
Em suma à direita do PS não há nenhum partido que possa ter razões para estar satisfeito embora, naturalmente, alguns tenham bem mais razões para estarem insatisfeitos do que outros.
Importa agora o futuro.
E a questão é aterradoramente simples; tem ou não a área não socialista condições para ser alternativa ao PS e aos seus amigos de BE e PAN (porque o PCP não acredito que volte a meter-se em geringonças) nas eleições de Outubro?
Mais, querem todos os partidos dessa área serem realmente alternativa ou haverá um ou outro que prefira ser complemento de um governo de António Costa?
A Aliança deixou há muito tempo, pela boca do seu líder Pedro Santana Lopes, a sua posição claramente expressa.
Nunca viabilizará um governo do PS e está disponível para ajudar a construir uma alternativa sólida e galvanizadora dos portugueses para derrotar a Frente de Esquerda e devolver Portugal ao caminho da boa governação.
Para isso manifestou a sua disponibilidade para uma coligação pré eleitoral com outros partidos da área não socialista para que em conjunto possam almejar a conquista daquilo que separados nunca nenhum deles conseguirá.
Disse-o muito antes das eleições europeias, está dito e ninguém espere que vá repeti-lo outra vez.
Agora são  outros os que deverão pronunciar-se...

P.S. Ficando contudo bem claro que a Aliança não terá qualquer problema, bem pelo contrário, em apresentar-se às legislativas de Outubro com listas próprias.
Somos um partido de implantação nacional e estamos preparados para o fazer em todos os distritos, regiões autónomas e diáspora.
Sem qualquer receio!

quinta-feira, maio 30, 2019

Finais NBA

Confesso que para lá do futebol, a minha modalidade preferida a todas as outras, nunca fui grande seguidor do basquetebol tendo sempre como segunda modalidade o andebol que pratiquei em tempos já remotos no Desportivo Francisco de Holanda agora Xico Andebol.
Ao basquetebol fui-me convertendo.
Primeiro pelos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 e a inesquecível selecção norte americana, o único e verdadeiro "Dream Team" da História do desporto,a única equipa virtualmente imbatível que alguma vez vi.
Depois porque tinha em casa um verdadeiro entusiasta da modalidade que em tempo da NBA, e apanhando o comando televisivo a jeito , via quantos jogos podia dessa competição absolutamente única em termos mundiais.
E assim fui ganhando algum entusiasmo pelo basquetebol na versão NBA.
Apreciando os Chicago Bulls de Michael Jordan, Scottie Pippen, Denis Rodman e outros  mas também com uma simpatia pelos Orlando Magic apenas explicável por conhecer a cidade e apreciar um jogador então em plena ascensão chamado Shaquille O'Neal.
Finalmente converti-me ao basquetebol quando o Vitória criou a modalidade e teve anos de grande sucesso (que agora ameaçam acabar) conquistando duas taças de Portugal e dois vice campeonatos sob a liderança de Fernando Sá no banco e Pedro Guerreiro na direcção da secção.
Tudo isto para dizer que começam hoje as finais da NBA entre o campeão das ultimas épocas Golden State Warriors e os Toronto Raptors presente pela primeira vez numa final.
Vou tentar ver o que me for possível esperando que os Raptors ganhem o seu primeiro título.
No desporto gosto sempre de ver campeonatos ganhos por aqueles que nunca ganharam.
Depois Falamos

quarta-feira, maio 29, 2019

Urso Negro


Estátua da Liberdade


Avião


Preocupante

O que aconteceu ontem em Valongo, com a Autoridade Tributária e a GNR a mandarem parar carros para verificarem se os proprietários tinham dividas fiscais (que davam "direito" á apreensão da viatura) foi um acto vergonhoso que deve envergonhar todo o Estado.
É certo que o governo, e bem, mandou quase de imediato suspender tão insólita fiscalização mas para além de os direitos dos cidadãos  (que o Estado, todo ele, prefere olhar como contribuintes) abrangidos pela "operação stop" terem sido claramente postos em causa sem ressarcimento  possível fica ainda a pairar sobre tudo isto uma enorme dúvida que se prende com o seguinte:
Que Estado dentro do Estado se julga a Autoridade Tributária para agir com esta prepotência, no desprezo pelos direitos dos cidadãos, com ajuda adicional de forças militarizadas?
É preocupante.
Porque no dia a dia ,desta ou daquela forma, todos vamos sentindo o poder da Autoridade Tributária e a forma prepotente como passa multas e coimas que antes de serem protestadas tem de ser pagas sob pena de agravamento.
Mas agora em Valongo usar a força policial para obrigar ao pagamento de dividas fiscais, sob pena de apreensão dos veículos, é passar muito para lá dos limites que um Estado democrático pode admitir e entrar no reino de um estado policial.
Em Portugal, no passado, já houve um triste organismo estatal que perseguia os cidadãos sem qualquer respeito pela Lei.
Em democracia isso é inaceitável.
Depois Falamos

terça-feira, maio 28, 2019

Eleiçoes

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

Era minha intenção escrever hoje sobre os resultados das eleições europeias analisando cada partido, o todo nacional e as perspectivas que se abrem (ou fecham) para o futuro de cada uma das forças políticas.
Realçando no caso da Aliança, aquele que obviamente mais me interessa, que embora o resultado tenha ficado aquém do esperado não é isso que nos fecha as portas do futuro como em poucos meses se comprovará.
Mas é sobre outras eleições o tema que hoje escolhi.
Escrevendo num jornal de Guimarães, para uma maioria de leitores vimaranenses e vitorianos, é naturalmente sobre o Vitória que se debruça esta crónica de hoje face à surpreendente demissão da direcção do clube ontem mesmo anunciada.
Devo dizer que fiquei completamente surpreendido pela decisão tomada.
Eleitos há cerca de um ano e acabado de conseguir um apuramento europeu nada fazia prever que Júlio Mendes e restante direcção resolvessem bater repentinamente com a porta mergulhando o clube num período de incerteza sem o qual passava muito bem e do qual ninguém pode prever como sairá.
Não falei com nenhum dos demissionários, cuja decisão respeito devo dizê-lo desde já, para perceber mais do que aquilo que foi dito em conferência de imprensa e que me parece francamente insuficiente para justificar tão drástica decisão.
É verdade que desde as eleições se instalou um clima desagradável, digamos assim, entre alguns sectores associativos compostos por pessoas mais emotivas e que nunca conseguindo sair do clima eleitoral mantiveram uma disputa sem sentido que depois passou para as bancadas e se reflectiu nalguns jogos.
Mas quem dirige o Vitória sabe que no nosso clube as coisa são assim, vive-se com paixão e às vezes para lá disso, e a união da massa associativa faz-se com resultados e com atitudes, com liderança e afirmação de valores, com a exaltação positiva do orgulho vitoriano.
E nesse aspectos houve falhas várias, desde uma época desportiva fraca (que nem o apuramento europeu disfarça) com descida de divisão da equipa B, fracos resultados nos sub 23  e formação, com a pior temporada do basquetebol dos últimos dez anos e por aí fora passando por uma crónica, e raras vezes contrariada, falta de afirmação da nossa razão perante as injustiças que nos eram feitas a par da incompreensão face alguns negócios feitos na área do futebol e  de difícil percepção.
E tudo isso pesou na insatisfação que se sentia alastrar de dia para dia e de jogo para jogo da primeira equipa.
Era um facto.
Mas que com meia dúzia de decisões acertadas ainda era passível de ser invertida porque acredito que uma larga maioria dos vitorianos estava mais interessada na  paz social e no sucesso desportivo do que em continuar com a idiota discussão dos 52% versus 48%.
Não quis a direcção insistir e preferiu desistir.
Percebo que forma sete anos difíceis, em especial os primeiros, de imenso desgaste, problemas para resolver e dificuldades imensas para ultrapassar e tudo isso cansa, causa incompreensão face à contestação, cria vontade de bater com a porta.
Mas acho, sem querer ser juiz em causa alheia, que mesmo assim não deviam ter tomado a decisão nesta altura da época face aos danos que isso pode causar à preparação da próxima temporada.
Mas tomaram-na e agora há que preparar o futuro.
E sobre ele, nesta altura em que ainda há muita poeira no ar, não quererei adiantar muito.
Direi apenas o seguinte:
Espero que os futuros candidatos partam em condições de absoluta igualdade e que encontrem uma situação financeira compatível com aquilo que tem sido dito para que não existam sombras quanto ao futuro.
Desejo que os vitorianos que perdem tempo com isso deixem de vez a estúpida querela dos 52% contra os 48% porque poucas coisas fizeram tão mal ao Vitória nestes últimos anos como essa disputa sem sentido nem interesse para o clube.
Finalmente não sei se não seria do interesse do Vitória a marcação de eleições para Setembro, com a época desportiva já em andamento normal, sendo o clube até lá gerido por uma comissão administrativa (com o indispensável acordo da direcção demissionária e dos accionistas da SAD) que preparasse sem pressões de qualquer tipo a próxima temporada.
É uma situação pouco normal mas ainda recentemente o Sporting foi por esse caminho e não se deu mal com ele.
Claro que os membros dessa comissão administrativa teriam de assumir o compromisso de não serem candidatos aos orgãos sociais nas próximas eleições de molde a garantirem absoluta independência no exercício de funções.
É uma ideia apenas mas que talvez merecesse ponderação por parte de quem vai decidir.
A bem do Vitória.

P.S. Não gostei nada da imagem que foi passada do Vitória, no discurso de demissão,  como um clube que “vive em constante guerrilha, intriga e insultos”
Não creio que seja assim , pese embora aqui e ai tenham existido inegáveis excessos, nem vejo ganho de causa para o Vitória em dele ser passada esse tipo de imagem.
Já bem bastam os rótulos que de vez em quando a comunicação social nos quer colar!

Pôr do Sol


Hong Kong


Castelo Erdod, Croácia


sexta-feira, maio 24, 2019

Aliança

Termina hoje a campanha eleitoral para o Parlamento Europeu.
Cada um dos dezassete partidos concorrentes fez a sua campanha, dentro dos seus objectivos previamente traçados e esperando que os resultados sejam conformes com os seus desejos.
Não serão em todos os casos como sempre acontece em democracia.
Nuns casos porque os eleitores não se identificaram com as mensagens, noutros casos porque face à discriminação televisiva entre "os do costume" e os outros não houve a mínima igualdade de condições no tratamento jornalístico das campanhas, noutros ainda porque a inércia de algum eleitorado os impele a votarem sempre da mesma forma ainda que nada se identificando já com o partido em que sempre votaram e há ainda o caso (em crescendo) de número significativo de eleitores preferir dar oportunidade a novos partidos e novos rostos.
Em suma haverá explicações para todos os gostos caso os resultados não casem com os objectivos.
Mesmo que nalguns casos existam partidos, normalmente à esquerda, que "ganham" sempre seja qual for o resultado.
Na Aliança esperamos tranquilamente o veredicto popular.
Paulo Sande e os restantes candidatos fizeram uma campanha limpa, pela positiva e sem ataques aos outros partidos, falando durante vários meses de assuntos europeus e das propostas que o partido tenciona levar a Bruxelas/Estrasburgo.
Percorreram o país, das grandes cidades às mais pequenas aldeias, falaram com milhares de pessoas, responderam a perguntas e esclareceram dúvidas preocuparam-se sempre em estarem próximos dos portugueses.
A Aliança fez campanha todos os dias.
Todos os dias em vários pontos do país, com ou sem o cabeça de lista, com ou sem o presidente do partido, com os dois ou sem nenhum deles.
Porque a Aliança, ao fim de curtos seis meses, já é um partido nacional capaz de fazer campanha simultaneamente nos dezoito distritos e nas duas regiões autónomas e nisso marca toda a diferença em relação a outros partidos jovens como ela,e até a alguns dos "do costume" a quem foi raro ver fazer campanha sem o líder ou o cabeça de lista, que nunca conseguiram marcar presença em mais que um lugar de cada vez.
Por isso a Aliança está tranquila e com a consciência do dever cumprido.
Esperando que os portugueses reconheçam o trabalho, o empenho, a seriedade da campanha, a qualidade das propostas e a valia dos candidatos.
E votem na Aliança.
Depois Falamos

Guaxinim


Las Vegas


Casa Japonesa


quinta-feira, maio 23, 2019

Finalmente

O meu artigo desta semana no zerozero.

Gostando muito de futebol e seguindo as diferentes provas nacionais e internacionais desde a mais tenra juventude, ou seja há mais de cinquenta anos, devo dizer que não me lembro de estar tão ansioso pelo fim de um campeonato nacional como este ano.
Sendo-me completamente indiferente quem o ia vencer e pese embora o “meu” Vitória só na última jornada ter conseguido o quinto lugar que lhe assegurava o apuramento europeu por mérito próprio e não pela falta de inscrição na Liga Europa do Moreirense (se é que não estava mesmo inscrito...) não foram esses ,noutras circunstâncias, inegáveis motivos de interesse que cercearam a vontade de ver o campeonato acabado.
Porque o futebol em Portugal está a tornar-se insuportável.
Quer o futebol jogado, que com raras excepções não é de qualidade que entusiasme, quer o futebol  falado,escrito e comentado nos canais de televisão e na generalidade dos jornais que mais não é do que um quase constante apelo a sentimentos primários e quase tribalistas (se calhar o quase está a mais) quer a forma como alguns clubes encaram e tratam a “indústria” futebol contribuindo diariamente para o seu descrédito e desvalorização.
Não me interessa minimamente, a não ser no plano da Justiça que para aqui não é chamado, quem tem mais ou menos razão nas constantes criticas e acusações que os dois clubes de topo trocam diariamente entre eles.
Estou é farto, literalmente farto, de cinquenta e duas semana por ano e vários dias em cada uma dessas semanas ver esses dois clubes a trocarem acusações, a lançarem suspeições, a insultarem-se a um nível absolutamente deplorável alimentando querelas e polémicas que depois passam para os próprios adeptos e vão fazendo aumentar o nível da tensão entre eles até a um ponto que um dia todos lamentaremos.
O de Lisboa acusa o do Porto, o do Porto acusa o de Lisboa e independentemente de tudo que se soube sobre um no passado e tudo que se vai descobrindo sobre outro no presente há a realidade de um futebol onde os dois são claramente favorecidos em relação a todos os outros de uma forma inadmíssivel em qualquer lado e menos ainda num país de futebol de primeiro mundo cuja selecção até é campeã da Europa.
Não sei se quem tem mais razão é o Benfica ou o Porto.
Nem me interessa.
Sei, isso sim, que os outros dezasseis clubes que disputaram o campeonato tem todos eles (mesmo o Sporting) muitíssimas razoes de queixa das arbitragens, dos VAR, da disciplina ou seja de todos aqueles factores que não jogando à bola influenciam, e de que maneira, os resultados.
Foi um campeonato muito mau nessa matéria.
Na sequência de outros anteriores mas deixando a clara sensação de que o problema se está a agravar  o fosso entre o favorecimento a uns e o desfavorecimento a outros está cada vez mais largo e mais difícil de transpor.
E se a isso somarmos outros tradicionais factores de diferenciação artificial entre os clubes, que vão desde os contratos televisivos em que Portugal caminha para ser o único país da Europa que interessa a não ter a respectiva negociação centralizada até à disparidade de tratamento da comunicação social em termos da enormidade de tempo de antena que dão a três clubes em desfavorecimento de todos os restantes que são tratados como “filhos de um Deus menor”, percebe-se que o futebol português caminha para um fim triste em termos de competitividade externa e verdade desportiva interna.
E, já agora, também de audiências televisivas e espectadores nos estádios.
Porque um dos factores de atracção para um desporto é a imprevisibilidade no resultado, a eterna incerteza no confronto do mais forte com o mais fraco, a certeza de que triunfos e derrotas são consequência apenas da verdade desportiva de cada jogo resultante da performance de cada equipa.
Em Portugal é cada vez menos assim.
Porque há equipas que ganham quase sempre( tantas vezes sabe Deus como...) ficando cada vez mais a incerteza reservada para os jogos em que se defrontam entre si porque nos outros há sempre um “factor externo” que as ajuda a ganhar quando por si sós não são capazes de o fazer.
O que afasta espectadores dos estádios porque ninguém gosta de pagar bilhetes, cotas, lugares anuais para ser enganado.
E por isso o alívio por este campeonato ter acabado.
Na certeza,porém, de que o próximo não será muito diferente, pese embora discursos sensatos (como o de Bruno Lage) que se vão ouvindo no sentido de Portugal arrepiar caminho e as competições seguirem um caminho de verdade desportiva e de sensatez na relação entre alguns clubes, por que o “vale tudo” para ganhar de qualquer maneira está demasiado enraizado na classe dirigente que os clubes do nosso futebol vão tendo.
Melhores dias virão.
Não se sabe é quando...

terça-feira, maio 21, 2019

Europeias

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

Como a marcha do tempo é tão regular quanto inexorável eis que estamos na semana que antecede as eleições para o Parlamento Europeu. 
Passou depressa a pré campanha e mais depressa ainda a campanha algo submersa também, é a verdade dos factos, em acontecimentos de outro género como a audição de Joe Berardo no Parlamento ou a incessante subida do preço dos combustíveis no tempo de um governo que tinha jurado o fim da austeridade.
A campanha, essa, ficou marcada do meu ponto de vista pela discriminação em termo de debates feita pelas televisões a uns partidos em favorecimento de outros, pela absoluta incapacidade de os partidos com eurodeputados eleitos em 2014 discutirem temas europeus e pela ridícula comparação entre alguns eurodeputados de quem tinha feito mais em Bruxelas e Estrasburgo na absurda convicção de que alguém ligará alguma coisa a tão doutas opiniões formuladas em causa própria.
Importará ainda assim dizer mais duas ou três coisas.
A primeira é que eleições passadas não garantem votações futuras pelo que é ridículo e nada democrático proceder a uma divisão de partidos entre os que em 2014 elegeram eurodeputados e os que não o fizeram sendo que nalguns casos como por exemplo a Aliança, a Iniciativa Liberal e o Chega nem sequer existiam nessa altura pelo que é impossível dizer hoje qual a sua expressão eleitoral.
Em 26 de Maio tendo esses partidos muitos, alguns ou poucos votos aí sim será possível olhar para eles com uma bitola de comparação idêntica aquela que se usa para os que andam nisto há mais de quarenta anos (ou quase...) e foram provando o que valem e o que não valem em sucessivos actos eleitorais.
Por isso o critério das televisões de promoverem debates de primeira (com os que já tem eurodeputados mas excluindo , curiosamente, o MPT que elegeu dois) e debates de segunda com aqueles que no passado não elegeram,ou nem existiam, mas podem muito bem eleger agora se revela como profundamente anti democrático e que devia envergonha as televisões que embarcam nessa discriminação que distorce a verdade da eleição.
Quis o destino, ironia das ironias, que os melhores debates sobre temas europeus, afinal os que vão estar em jogo no próximo domingo, tenham sido precisamente aqueles que decorreram entre os partidos sem representação parlamentar cujos candidatos deram ao país um excelente exemplo de respeito pelo móbil das eleições mesclado com uma tolerância democrática   que lhes permitiu debaterem entre eles com civismo, boa educação e sentido de humor.
Que diferença, mas que diferença, face aos debates a que se assistiu entre os partidos do “sistema” cheios de gritaria, de acusações, de intolerância e no mais absoluto desprezo pela Europa e pelos temas europeus.
Caso para dizer que enquanto os partidos de “segunda” protagonizaram debates de primeira os partidos de “primeira” protagonizaram debates de...décima quinta categoria.
O que nos leva ao cerne da questão.
Em toda a Europa temos assistido a uma fragmentação dos partidos tradicionalmente hegemónicos dando lugar a novos partidos, novos rostos e novas ideias que tem vindo a enriquecer o panorama político e dado aos eleitores uma mais ampla gama de escolhas face à monotonia do passado.
Sabemos que as modas a Portugal demoram a chegar...mas chegam.
E por isso no próximo dia 26 os portugueses terão uma boa oportunidade de alinharem com a tal Europa a que todos nos queremos igualar e alargarem o leque partidário presente em Bruxelas/Estrasburgo na certeza de que com isso beneficiarão Portugal.
Pela parte que toca à Aliança estamos de consciência tranquila com o contributo que demos para essa modernização do panorama político apresentando uma lista homogénea na qualidade e heterógenea na procedência profissional do candidatos e nas regiões do país que representam.
Paulo Sande é reconhecidamente um grande especialista em questões europeias a que dedicou boa parte dos seus últimos trinta anos, Maria João Moreira é uma empresária de sucesso com negócios na Europa e que reside boa parte do seu tempo em Itália, Bruno Ferreira da Costa é professor de Ciência Política na Universidade da Beira interior e um quadro político de enorme futuro e o resto da lista alinha por esse diapasão.
Gente preparada, conhecedora dos temas, com profissão fora da política e disponível para ajudar o seu país.
Bem farão os portugueses se lhes derem um voto de confiança no próximo domingo.
Estou absolutamente certo que não se arrependerão e que esse voto será durante cinco anos posto ao serviço de Portugal.

Tulipas


Atenas