quinta-feira, dezembro 05, 2019

Castelo de Trakai, Lituânia


Pelicanos


Marselha


Cirúrgico

Depois da desoladora prestação no jogo de campeonato, em que o Vitória esteve muito aquém do necessário, o regresso três dias depois ao Bonfim (ainda por cima sabendo do excelente resultado entre Sporting da Covilhã e Benfica) tinha o carácter de um autêntico tira teimas para perceber qual era a real ambição da equipa em termos da única prova em que esta época ainda pode ambicionar a conquista de um troféu.
O Vitória sabia que ganhando ficava com pé e meio na "final four" da taça da liga (que será em Braga com tudo que isso tem de aliciante) mas também sabia que qualquer outro resultado a deixava de calculadora na mão e dependente de terceiros.
A resposta dada pela equipa não podia ser melhor!
Entrou a dominar o jogo, a empurrar o Vitória FC para o seu último reduto com tal intensidade que nos primeiros quinze minutos não me lembro de ver os setubalenses passarem o meio campo, mostrando que queria ganhar e fazendo por isso desde o início.
E a sorte protegeu os audazes.
Porque embora numa tímida reacção os sadinos tenham atirado uma bola ao poste a resposta do Vitória foram dois golos, ainda por cima resultantes de excelentes lances de combinação atacante, e percebeu-se logo que só grande cataclismo impediria o triunfo que se desenhava com contornos bem nítidos.
Ao intervalo a vantagem de dois golos era mais que justa e depois no segundo tempo foi gerir a vantagem e desperdiçar mais uma ou duas oportunidades que dariam ao marcador uma expressão algo exagerada.
Gostei francamente da forma como o Vitória encarou este jogo e espero que seja padrão para a restante época porque o plantel vitoriano tem a qualidade suficiente para fazer bastante melhor do que tem feito nalguns jogos.
Sabendo-se que tenho criticado a excessiva rotação do plantel e ainda anteontem questionado o papel de Bonatini neste equipa dá a sensação de que este jogo veio contradizer as razões que tenho aduzido e confirmar que está tudo bem com essas opções.
Na verdade Ivo Vieira em relação ao jogo de domingo apenas manteve Mikel e Tapsoba ( mas este é imune a rotações porque joga sempre) e alinhou nove jogadores que não tinham sido titulares no jogo de campeonato.
E a resposta foi boa.
Miguel Silva fez uma exibição segura, Vítor Garcia e Rafa Soares deram muita projecção ofensiva aos respectivos flancos, Ola John fez a sua melhor exibição com a nossa camisola, Davidson deu agressividade no último terço do terreno, João Carlos Teixeira fez uma bela exibição e aumentou a perplexidade pelos seus "eclipses" da titularidade e Bonatini fez dois golos à ponta de lança com o primeiro a resultar de uma boa finalização a passe excelente de Ola John e o segundo um golo fácil mas com o mérito de estar lá no momento certo.
E por isso a conclusão a tirar é que ontem foi a excepção à regra quanto às rotações em grande número, que continuo a entender como prejudiciais, esperando que no caso de Bonatini não tenha sido também uma excepção à regra e se transforme numa regra goleadora de que esta equipa bem precisa.
Até ao final de 2019 o Vitória tem em termos de liga a recepção ao Portimonenses e a deslocação a Barcelos (grande romaria vitoriana se prevê) e para a taça da liga a recepção ao Sporting da Covilhã para carimbar o apuramento para a "final four".
São três jogos claramente de ganhar. 
E com todo o respeito pelos adversários acredito que mantendo a atitude de ontem tal não será muito difícil.
Depois Falamos.

quarta-feira, dezembro 04, 2019

Pôr do Sol


Papagaio


Fonte de Trevi


Bonatini

 Aquando da sua contratação, e embora seja emprestado, vi-a com alguma expectativa face ao que fizera no Estoril (que não é o Vitória...) e aos golos que marcara. 
Mas tem sido uma completa desilusão. 
Seis jogos incompletos na liga, quatro na liga europa e um na taça da liga também eles incompletos renderam o escasso peculio de dois golos apenas.
Dois golos em onze jogos, mesmo incompletos, é muito pobre para um ponta de lança.
Já para nem falar do nível exibicional. 
E um jogador emprestado ou tem um rendimento superior aos do clube ou então não vem para cá fazer nada.
Mais: Nos dois últimos jogos aquele que teoricamente devia ser uma mais valia teve o seguinte aproveitamento por parte de Ivo Vieira; Com o Liége, jogo que o Vitória tinha de forçosamente ganhar para manter aspirações de apuramento, foi opção a três minutos (!!!) do fim a substituir André Pereira. Em Setúbal, onde ganhar era imperioso para não perder terreno na classificação, não saiu do banco tendo o técnico feito apenas duas substituições! 
Aqui não se avalia a ambição nem a capacidade de correr riscos do treinador, assunto que também vai dando pano para mangas, mas apenas a utilização que ele faz do jogador.
Que é cada vez menos. 
E se a isto somarmos o prolongado ostracismo a que está votado Alexandre Guedes, que não é emprestado convém salientar, cada vez se percebe menos a gestão desportiva do plantel.
Em Janeiro se, como tudo indica, Guedes for emprestado ou vendido será então tempo de fazer outro tipo de avaliação. 
Já não sobre a gestão desportiva em si mas sobre quem a faz. 
Aguardemos...

segunda-feira, dezembro 02, 2019

Lampião


Javalis


Inverno


Treinar

O meu artigo desta semana no zerozero.

No mundo fascinante do futebol poucas profissões se revelam tão interessantes, mas também tão inseguras e tão variáveis nas avaliações que sobre ela se fazem a cada momento, como a de treinador.
Se os grandes jogadores fazem o espectáculo, criam os lances geniais, concebem as jogadas que perduram na memória e por isso ficam para a lenda do futebol também é verdade que sem o trabalho dos treinadores tal não seria possível porque sendo o futebol um desporto colectivo (com espaço para as grandes individualizações é claro) são os homens que comandam a “máquina” que tornam possível o maior espectáculo desportivo à face da Terra.
É uma profissão fascinante, sem sombra de dúvida, mas também a profissão ligada ao futebol em que se passa mais depressa de bestial a besta, quantas vezes nos escassos (para esse efeito) noventa minutos que dura um jogo, porque o treinador é sempre o bode expiatório mais à mão para justificar resultados em que bastas vezes é o menos responsável.
Nos mais de cem anos de competição que o futebol já leva é fácil recordarmos os nomes de tantos e tantos jogadores que ficam para a lenda , desde os de categoria mundial cuja valia ultrapassa a fronteira de clubes e países até aqueles que se destacaram no clube de cada um de nós e que ficam na nossa memória clubística, mas já não é tão fácil recordarmos os nomes de treinadores em igual quantidade porque pese embora a sua importância decisiva no jogo não ficam tão ligados ao imediatismo do grande golo, da grande defesa, do grande drible ou da grande jogada como os executantes propriamente ditos.
Aliás estando a História do futebol pejada de grandes treinadores, desde pelo menos os anos 30 do século passado, são poucos aqueles que deixaram uma marca mais decisiva no futebol que as grandes vitórias obtidas em clubes e selecções.
E esses são os que para lá de ganharem troféus e títulos conseguirem criar sistemas de jogo que perduraram para lá do tempo em que foram criados e constituíram factores de inovação do próprio futebol.
Foram os casos de Herbert Chapman com o revolucionário “WM”, de Helénio Herrera que aperfeiçoou até ao limite da eficácia o “catenaccio” de Nereo Rocco, de Rinus Michels que criou o conceito de “futebol total” e foi escolhido pela FIFA como melhor treinador de sempre fruto desse extraordinário modelo de jogo e da dupla Cruyff/ Guardiola que inventaram o “tiki taka” que permitiu extraordinárias vitórias ao Barcelona e é o último (até à data) grande e revolucionário modelo de jogo.
Terá havido mais um ou outro mas são realmente muito poucos os treinadores que além de ganharem os tais troféus e títulos também mereceram a “imortalidade” futebolística pela sua criatividade em termos de conceitos de jogo.
César Luis Menotti, Arrigo Sachi, Fabio Capello, Alex Ferguson, Stefan Kovacs, José Mourinho, Bob Paisley, Jurgen Klopp,  Arsene Wenger, Bill Shankly, entre muitos outros que poderia citar , foram e são treinadores de enorme sucesso pelo que fizeram em clubes e selecções mas aos quais ninguém associa a criação de um dos tais modelos de jogo que perdura para a História do futebol.
E por isso quando se fala dos grandes jogadores que integraram grandes equipas, das grandes equipas que conquistaram troféus e títulos, dos troféus e títulos que deram glória e palmarés a clubes e países é bom que fique sempre a justa recordação de que nada disso seria possível sem os tais homens que exercem a tal profissão tão fascinante quanto instável que é a profissão de treinador.
É oportuno recordar isto nestes tempos em que cada vez mais o treinador é o elo mais fraco, em que cada vez mais frequentemente é o bode expiatório dos erros dos presidentes e conselhos de administração das SAD, em que ano após ano as “chicotadas  psicológicas” parecem ser a única solução para o mau planeamento das épocas ou até para a má sorte própria do jogo propriamente dito.
Sem invalidar, como é óbvio, que sendo humano o treinador também falha, também erra, também faz más leituras do jogo, também toma opções erradas no decurso do mesmo
Quem viu, a título de exemplo , os recentes jogos do “meu” Vitória com Standard de Liége e Vitória FC ou o Leipzig-Benfica terá identificado sem qualquer dificuldade um conjunto de decisões erradas de Ivo Vieira e Bruno Lage que estiveram na origem de as suas equipas não terem ganho jogos que estavam perfeitamente ao seu alcance.
Que foram das leituras erradas dos jogos aos enormes erros nas substituições que fizeram e nas que não fizeram.
Mas também por isso a profissão de treinador é tão fascinante (e tão instável) , por permitir que sem jogar o treinador tenha tanta importância nas vitórias, empates e derrotas como os jogadores.
E às vezes mais.

domingo, dezembro 01, 2019

Decepcionante

É já inegável que o Vitória se encontra numa crise de resultados que resulta, em grande parte, de uma crise exibicional que se vem arrastando desde há várias semanas.
Foi-se o futebol bonito de algumas partidas, foi-se o olhar o adversário olhos nos olhos e ir para cima dele sem medo (como em Londres), foi-se a equipa ambiciosa que esmagou Aves e Belenenses e não esmagou outros porque as bolas não entraram.
Foi-se isso e ficou isto.
Uma equipa banal, sem ideias, que parece recear todos os adversários em que a defesa treme (como é possível o "gordo" Ghilas correr mais depressa que alguns jogadores do Vitória ?), o meio campo não liga jogadas e o ataque desespera de tão ineficaz perante as balizas adversárias.
A isto acresce um treinador que parece perdido, que trocou rotações por teimosia, que parece absolutamente incapaz de mexer na equipa com eficácia e resolver a partir do banco aquilo que em campo os jogadores do onze inicial se mostram incapazes de fazer.
A que se acrescenta aquilo que aprece uma preocupante falta de ambição.
Com o Standard de Liége as substituições que fez , e que nada trouxeram, foram a troca de três avançados por outros três avançados com a ultima delas a três minutos do fim (André Pereira por Bonatini) o que demonstra medo de arriscar com o consequente prejuízo da ambição de vencer.
Hoje em Setúbal mexeu tarde, pouco e mal.
Tarde porque fez a primeira substituição, Poha por Teixeira, apenas a vinte e dois minutos do fim do jogo e com uma equipa a jogar mal desde o início que justificava que ao intervalo, se não antes, se operassem mudanças.
Pouco porque deixou uma substituição por fazer, tendo Davidson e Bonatini ( enfim...) no banco, denotando falta de ambição de ganhar face a um Vitória FC que foi melhor durante quase todo o jogo.
Mal porque só Ivo Vieira e o Pai Natal ainda acreditam que Ola John é solução para alguma coisa depois de tantas provas em contrário. Tem algum talento, tem alguma qualidade  mas não tem vontade e quando assim é...
Se a isto acrescermos o ostracismo a que votou Guedes (completamente inexplicável) e o desaparecimento de André Almeida das convocatórias, entre outras opções, começa a haver muita coisa a necessitar de justificação.
E de correcção como é evidente.
Sob pena de ser mais um dos tristemente famosos anos zero.
Depois Falamos

Macacos


Castelo de Lourdes, França


Farol


sábado, novembro 30, 2019

Sorteios...

É certo que uma coisa são as previsões quanto a jogos que se vão disputar daqui a sete meses e outra, que pode ser bem diferente, a realidade que esses jogos trarão.
Ainda assim , e sem por em causa a confiança na nossa selecção , parece-me evidente que Portugal caiu no grupo mais difícil deste Europeu ao coincidir com França e Alemanha , reconhecidamente duas enormes potências do futebol mundial, e mais uma selecção a sair do quarteto Islândia, Roménia, Bulgária e Hungria.
Ter no mesmo grupo o campeão europeu, o campeão mundial e a Alemanha que é sempre favorita em todas as competições em que entra é uma junção invulgar de grande selecções( todas elas já vencedoras de campeonatos da Europa) que fará deste grupo F o mais interessante do Europeu.
Falta saber quem se juntará a estas três equipas em resultado dos play off que oporão Islândia a Roménia e Bulgária a Hungria (os vencedores das duas eliminatórias disputam entre si a vaga restante) sendo certo que em teoria qualquer uma das quatro é inferior às três selecções já apuradas.
Sendo certo que se o vencedor deste play off for a Roménia esta equipa transitará para o grupo C por troca com outra selecção.
Em teoria, uma vez mais, vantagem é Portugal iniciar a participação defrontando em Budapeste a tal selecção vencedora do play off (só em Março se saberá quem é mas se for a Hungria esta jogará em casa) que será a menos forte do grupo , deslocando-se depois a Munique para jogar com a Alemanha e terminando a fase de grupo frente à França novamente em Budapeste.
Apuram-se os dois primeiros de cada grupo mais os quatro melhores terceiros classificados e espera-se que Portugal , campeão europeu em titulo, esteja na fase a eliminar por uma ou outra via.
Depois Falamos

quinta-feira, novembro 28, 2019

Sugestão de Leitura

Depois da monumental biografia de Leonardo da Vinci foi a vez de ler outra biografia igualmente monumental e igualmente repleta de interesse.
A de Mikhail Gorbachev.
Que foi uma das mais importantes figuras políticas do século XX , com uma influência absolutamente decisiva na política mundial, mais admirado e louvado no Ocidente do que no seu próprio país onde foi e continua a ser uma figura controversa.
Ideólogo da Perestroika e da Glasnost deu um contributo decisivo para o fim da guerra fria, e para a conquista da Liberdade por países que durante décadas foram satélites da União Soviética (com que ele ajudou a acabar) , tornando assim o mundo menos perigoso.
Mas para lá da sua história política esta biografia é também a narração do percurso de vida de um "self made man" que se fez à sua custa e subiu na vida com trabalho, perseverança e sacrifício.
É também uma história de amor com a mulher de toda a sua vida, Raisa Titarenko, que o acompanhou durante quatro décadas de vida em comum até falecer vitima de leucemia em 1999.
Hoje com 88 anos de idade Mikhail Gorbachev está retirado da vida pública mas deixou no seu país e no mundo uma marca de que poucos estadistas se podem gabar.
Tudo isso e muito mais nesta excelente obra de William Taubman que ao longo de 712 páginas (mais anotações e bibliografia) trata um retrato exaustivo de Gorbachev.
Depois Falamos

Culpa Própria

Ontem vi, sem um interesse por aí além, o jogo entre Leipzig e Benfica a contar para a Liga dos Campeões que se saldou por um empate a dois golos depois de a equipa encarnada estar a vencer durante muito tempo.
Durante o jogo, que foi bem disputado mas não teve a qualidade de outros que se veem nesta prova, recordei frequentemente algumas críticas que em Portugal se fazem a alguns adversários do Benfica (e também do Porto e de vez em quando do Sporting) acusando-os de jogarem muito fechados, praticarem anti jogo e simularem lesões para queimarem tempo que foi exactamente o que o Benfica fez nos últimos minutos de jogo embora de forma pouco competente.
Pouco competente porque não evitou a recuperação do adversário e pouco competente porque algumas "lesões" foram tão mal simuladas (especialmente por André Almeida) que nenhum árbitro de qualidade acreditaria nelas.
Mas o empate , que foi justo face ao que se passou durante toda a partida, tem um responsável principal que ontem falhou em toda a linha e assim viu o seu clube afastado da Liga dos Campeões e veremos se da Liga Europa.
E esse responsável foi Bruno Lage.
Um treinador que aprecio, que tem feito um excelente trabalho no Benfica, mas que ontem não esteve à altura do que era necessário.
Porque geriu pessimamente o jogo, as substituições, as respostas às alterações na equipa adversária.
Porque já o Leipzig tinha esgotado as substituições (uma forçada pela lesão do guarda redes) , decorridos 70 minutos, e ainda Lage não tinha mexido na equipa embora um ou outro jogador já desse sinais de esgotamento.
E se a primeira mudança, troca de Vinicius por Tomas, embora tardia fizesse sentido porque era necessário refrescar o ataque para manter o adversário em algum respeito, a partir daí foram só erros que custaram o empate.
Com o Leipzig a ganhar cada vez mais lances aéreos na área encarnada , muito por força da entrada de Schick, e percebendo-se que era preciso ganhar supremacia no sector com a entrada de outro central (já que a aposta era defender a todo o custo) a verdade é que Lage nada fez e a pressão alemã tornava-se cada vez mais intensa adivinhando-se o golo a qualquer momento.
E quando ele surgiu, fruto de um penálti cometido inocentemente por Rúben Dias esquecido que os árbitros da Liga dos Campeões não são os da liga portuguesa, percebeu-se que os últimos minutos iam ser de tremenda pressão com constantes bolas cruzadas para a área o que reforçava a necessidade de reforçar a defesa com Jardel.
O que fez Lage?
Só então, com 92 minutos de jogo, fez a segunda substituição tirando Pizzi, exausto, mas em vez de colocar Jardel ou, no mínimo, Florentino para tentar pressionar logo na intermediária optou estranhamente por...Caio Lucas que até ontem tinha jogado 31 minutos na liga dos campeões (divididos por dois jogos) e 49 na liga portuguesa (divididos por três jogos) ou seja um jogador que não tem sido opção para nada .
Claro que a sua influência no jogo foi absolutamente nula.
E por isso o empate acabou por aparecer, num lance em que o "buraco" no centro da defesa foi bem visível, e se pior não sucedeu foi porque já não houve tempo.
A terceira substituição, Jota no lugar de Cervi, a minuto e meio do fim foi apenas a cereja em cima de um bolo recheado de erros por parte do treinador do Benfica porque obviamente que já nada poderia resolver.
Bruno Lage é um bom treinador, repito, mas ontem errou demasiado numa prova em que todos os erros se pagam caro.
E por isso o Benfica só se pode queixar de si próprio por uma vez mais ficar pela fase de grupos da liga dos campeões.
Depois Falamos

quarta-feira, novembro 27, 2019

Catedral de Leipzig


Lula


Acrópole


O Apanha Bolas

Há mais de trinta anos, seguramente, colaborava eu no extinto "Jornal do Vitória" que se publicava em papel (nesse tempo não havia outras opções) e era dirigido por Lourenço Alves Pinto tendo como chefe de redacção José Eduardo Guimarães.
Jornal que como muitos recordarão tratava apenas assuntos do clube com crónicas e reportagens dos jogos de futebol ,e das poucas modalidades ao tempo existentes, e entrevistas a jogadores, treinadores e dirigentes entre outras rubricas.
Num determinado fim de semana foi-me atribuída a crónica de um jogo caseiro do Vitória, não tenho já a mínima ideia de quem era o adversário, que fiz dentro das minhas capacidades analíticas concluindo-a com uma crítica , que entendi justa, à inoperância dos apanha bolas que em nada ajudavam a equipa!
Foi o bom e o bonito.
Alguns dirigentes de então ficaram tão melindrados com a critica que o assunto foi a reunião de direcção, então presidida por António Pimenta Machado (que ao que soube posteriormente não ligou nada ao assunto), porque consideravam critica de lesa majestade que no jornal do clube se criticasse um determinado aspecto da organização dos jogos mais propriamente a escolha dos apanha bolas e as instruções que (não) lhes eram dadas.
Passaram trinta anos.
E a situação não melhorou.
No estádio do Vitória os apanha bolas continuam a ser crianças ou jovens adolescentes que num tempo de profissionalismo rigoroso, em que todos os detalhes contam, continuam a não saber interpretar o jogo, a perceberem quando tem de ser mais rápidos (ou mais lentos) a reporem as bolas , nem sequer procedem à elementar pressão de quando o Vitória está em desvantagem e a bola sai pela linha final para pontapé de baliza atirarem de imediato outra bola para dentro do relvado para limitarem a perde de tempo por parte do guarda redes adversário.
Nos escassos meses de 2012 em que estive como vice presidente para o futebol e modalidades, entre as muitas coisas que havia para fazer e as muitas preocupações com o estado do clube, também quis resolver essa questão da inoperância dos apanha bolas a bem da eficácia das equipas A e B.
Para isso, com o apoio do Rui Leite ao tempo director da formação, delineamos um projecto em que os apanha bolas seriam jovens futebolistas da formação já com noções básicas do que é o jogo e da importância da temporização das jogadas quando a bola sai do terreno.
Entretanto saí da direcção ,o projecto caiu no esquecimento, e os apanha bolas no estádio D.Afonso  Henriques continuam a ser de um amadorismo que já não devia existir.
Mas existe.
Recordei tudo isto a propósito da acção de José Mourinho quando ontem foi abraçar um apanha bolas como agradecimento por uma rápida reposição de bola em jogo (leitura perfeita do lance pelo jovem) que permitiu ao Tottenham fazer o segundo golo face ao Olimpiakos.
No futebol a "sério" os apanha bolas não são uma questão menor.
Serão um detalhe, dentro da enorme orgânica de um desafio de futebol, mas é nos detalhes que muitas vezes se ganham jogos.
Depois Falamos.

P.S. Quando refiro que os apanha bolas deviam saber ler o jogo consoante os interesses do Vitória isso não significa que, a (mau) exemplo do que acontece noutros estádios portugueses, eles atrasem reposições ou até desapareçam quando o clube da casa está a ganhar nos últimos minutos.
Fair play e respeito pelo jogo não são incompatíveis com inteligência.

segunda-feira, novembro 25, 2019

Meteora, Grécia


Leopardo da Neve


Navio de Cruzeiro


Um Herói Português

Hoje  dia em que se comemoram quarenta e quatro anos sobre o 25 de Novembro, data em que as forças democráticas civis e militares impediram que Portugal mergulhasse numa ditadura de esquerda, importa lembrar a data e aqueles, como Jaime Neves, a quem o país tanto deve.
A data porque foi nela ,e não a 25 de Abril, que o país conquistou definitivamente a Democracia.
Porque se em Abril de 1974 chegou a Liberdade, por força da acção do MFA, em Novembro do ano seguinte conquistou-se a Democracia e o regime em que desde então vivemos.
E passados 44 anos , tanto e tão pouco tempo, importa lembrar de que lado estavam o PS, o PPD, o CDS, o "grupo dos 9" e os militares democratas e de que lado estavam o PCP , os partidos que vieram a dar origem ao Bloco de Esquerda e ao Livre e os militares afectos ao COPCON e aos sectores gonçalvistas que queriam fazer de Portugal uma Cuba europeia.
E muitos que hoje enchem a boca a falar de democracia e liberdade mas que nesse tempo lutavam (e cantavam...) pela implantação no nosso país de um regime que nada tinha de democrata que faria da Liberdade uma palavra vã.
Portugal tem muito a agradecer a homens como Ramalho Eanes (que foi o comandante das forças militares democráticas) e os seus camaradas do grupo dos nove, a Mário Soares e aos dirigentes do PS , a Francisco Sá Carneiro e aos s dirigentes do PPD, a Freitas do Amaral e aos dirigentes do CDS e a tantos portugueses sem partido que estiveram do lado da democracia e da liberdade.
Mas muito em especial ao coronel Jaime Neves.
Comandante do Regimento de Comandos da Amadora que foram as forças que no terreno asseguraram a vitória da democracia.
Um militar distinto, dos mais condecorados das Forças Armadas, que já nas guerras de África dera sobejas provas de coragem e valor em combate e que no 25 de Novembro soube comandar as suas tropas com uma determinação inabalável mas também com a preocupação de não causar baixas nos militares que se lhes opunham.
Tive o prazer , e a honra, de o conhecer muitos anos depois quando a empresa que ele dirigia prestava serviços de segurança ao Vitória de que eu era então secretário geral.
E de constatar que para além de ser uma lenda viva era igualmente uma pessoa de enorme simpatia e afabilidade pessoal.
Para mim ele será sempre o rosto maior do 25 de Novembro.
O dia em que Portugal conquistou a Democracia.
Depois Falamos

domingo, novembro 24, 2019

Dois Títulos

Que o Flamengo com os seus mais de 40 milhões de adeptos é considerado o maior clube do Brasil e de todo o mundo já se sabia de há muito.
Como se sabia também que o seu palmarés, quer nas provas internas quer nas competições continentais está algo aquém da sua grandeza associativa muito por força de algumas especificidades do campeonato do Brasil  mas também por responsabilidade própria.
Mas este fim de semana os adeptos do Flamengo tiveram duas enormes alegrias.
As maiores que o adepto de um clube brasileiro pode ter diga-se de passagem.
No sábado venceram a taça Libertadores, numa final muito bem disputada com outro colosso sul americano como o é o River Plate de Buenos Aires, titulo que escapava ao Flamengo há 38 anos desde o tempo de outra grande equipa que tinha em Zico o seu maior expoente.
E hoje fruto da derrota caseira do Palmeiras frente ao Grémio conquistaram matematicamente o campeonato do Brasil ao mesmo tempo que festejavam nas ruas do Rio de Janeiro a competição ganha no dia anterior.
Dois títulos em dois dias, o nacional e o continental, não é para qualquer um.
Aliás o último clube brasileiro a conseguir a conquista das duas provas no mesmo ano tinha sido, em 1963, o Santos de Pelé.
Razões de sobejo para justificar a enorme festa que se vive hoje no Rio de Janeiro e um pouco por todo o Brasil e por todo o lado onde há brasileiros.
Mas também para os portugueses que gostam de futebol, independentemente de terem ou não simpatia pelo Flamengo, se sentirem satisfeitos (orgulhosos até) por essas duas grandes vitórias terem sido conseguidas sob a batuta de um treinador português.
E Jorge Jesus, campeão em Portugal e agora no Brasil, deu não só uma sobeja prova da capacidade que já se lhe reconhecia como também uma bela bofetada de luva branca naqueles que do lado de lá do Atlântico tem por hábito depreciar o futebol português pondo em causa o valor dos seus jogadores e treinadores.
Pois é, cá se fazem cá se pagam.
Depois Falamos

Mocho


Sant Pere de Rodes, Girona


Castelo de Ksiaz, Polónia


sexta-feira, novembro 22, 2019

Equilíbrio

Morreu José Mário Branco.
Existindo no país um outro "país" que adora funerais, cerimónias fúnebres, visitas de condolências e tudo aquilo que as televisões mostram quando morre alguém conhecido, seja em que área for, não admira que estes últimos dias tenham sido preenchidos com directos do velório e funeral, com entrevistas aos que o conheceram, com recordações das suas músicas e espectáculos.
Sem faltar, naturalmente, a activa participação do Presidente da República em todo o estendal montado à volta do falecimento.
Mas somos também um país em que não há nada como morrer para se passar a ser bestial, para se esquecer o mau e hipervalorizar o bom, para quase se pedir ao Papa Francisco a beatificação de cada personagem mediático que termina o seu percurso de vida.
Exageros sem equilíbrio.
E por isso importa dizer, ainda que sendo politicamente incorrecto (o que de resto nunca me preocupou), que José Mário Branco foi um excelente músico, um excelente interprete, um excelente compositor, um excelente produtor e certamente uma excelente pessoa fazendo fé naqueles que o conheceram e com ele privaram.
Mas não foi um excelente democrata!
Porque tendo combatido a ditadura, mérito que ninguém lhe retira, depois do 25 de Abril esteve sempre do lado daqueles que queriam substituir uma ditadura de direita por uma ditadura de esquerda, do lado das forças que recusavam uma democracia parlamentar preferindo as ditaduras do proletariado importadas de leste e que então ainda não tinham falido, apoiando as tentativas de instaurar um regime de poder popular que mais não seria do que uma ditadura ao serviço de doutrinas com que os portugueses nunca se identificaram.
Basta ver  qual foi o seu posicionamento no 25 de Novembro para perceber que JMB nada queria com uma democracia como a que felizmente existe em Portugal desde então.
Dir-me-ao que eram tempos revolucionários, de exaltação ideológica e de algum romantismo idealista em que as musicas e os cantores de intervençao se limitavam a seguir as modas revolucionárias.
Pois sim.
Felizmente houve gente nesse tempo que não foi em modas nem idealismos e lutou por uma verdadeira democracia porque caso contrário, seguindo as teses da extrema esquerda em que José Mário Branco não só se revia como propagandeava, Portugal hoje seria uma Cuba europeia como alguns revolucionários de então tanto gostariam.
E por isso reconhecendo os méritos do músico e da pessoa exige o equilíbrio que se refira que José Mário Branco combateu a ditadura mas não defendeu a democracia.
Opções que também devem ser recordadas num balanço do que foi a sua vida.
Depois Falamos 

Outono


Ninho de Cegonhas


Castelo de Burg, Alemanha


quarta-feira, novembro 20, 2019

A Melhor de Sempre

O meu artigo desta semana no zerozero.

Se há coisa a que sempre resisti , e vou continuar a resistir, é a entrar em comparações para saber quem é o melhor jogador de sempre porque acho que é absolutamente impossível comparar um futebolista dos anos 50 do século passado com um futebolista da actualidade.
Tudo é diferente.
Preparação fisica, regime alimentar, medicina desportiva, equipamentos, relvados, qualidade das bolas, metodologia de treino, profissionalismo e tantas outras diferenças que tornam impossível dizer quem foi o melhor de sempre.
Pelé, Eusébio, Di Stéfano, Stanley Mathews, Maradona, Cruyff, Bekenbauer, Ronaldo, Ronaldinho, Messi, Cristiano Ronaldo, Garrincha um deles terá sido mas não é possível compará-los.
Questão não muito diferente  é, uma vez mais em teoria porque de outra forma não é possível, escolher aqueles que em conjunto formariam a melhor equipa de sempre de um determinado clube ou de um determinado país.
Por exemplo de Portugal.
Entre a primeira grande competição em que estivemos, o Mundial de 1966 em Inglaterra, e o próximo europeu “saltimbanco” em mais uma péssima invenção da UEFA qual seria o naipe de jogadores que constituiria os 23 seleccionados capazes de fazerem a felicidade de Fernando Santos e de todos os portugueses?
Começando pela baliza, entre os guarda redes desse mundial (Carvalho, José Pereira e Américo) e todos os que se lhes seguiram quais seriam os três convocados para essa selecção ideal?
Damas, Vítor Baía e Rui Patrício seriam as minhas opções com a devida licença de Bento, Silvino, Neno, Ricardo, etc.
Na lateral direita duas escolhas: Artur “o ruço” e João Pinto  que foram os dois melhores laterais direitos que me lembro de ver jogar com o devido respeito por Morais, Gabriel, Paulo Ferreira, Pietra ou os actuais Cancelo e Ricardo Pereira.
Centrais ? Humberto Coelho, Ricardo Carvalho, Vicente e Fernando Couto com Eurico, Rui Rodrigues , Jorge Andrade e Pepe a serem também opção.
Do lado esquerdo da defesa ainda não vi melhor que Hilário que seria acompanhado por Dimas num sector onde a concorrência não é muita pese embora o belo percurso que vem fazendo Raphael Guerreiro e boas prestações de Nuno Valente, Alberto, Rui Jorge ou Inácio.
Quanto ao meio campo aí as coisas fiam mais fino porque as escolhas são muitas e boas.
Sem grandes preocupações quanto a sistemas tácticos ou a posições especificas digamos que tendo de escolher seis médios as opções (quase nenhuma indiscutível) seriam:
Coluna, o grande capitão, que provavelmente é o único que merecerá uma concordância generalizada por parte de todos os que lerem este texto, João Alves “o luvas pretas” , Rui Costa que espalhou magia em Florença, Milão e Lisboa, António Oliveira cujo talento ímpar foi acompanhado por uma visão de profissionalismo muito pouco exigente, Deco que chegou, viu e venceu superando algumas animosidades por ser brasileiro de origem e Maniche que tinha sempre um rendimento elevadíssimo nas fases finais das grandes provas.
Claro que ficam de fora nomes de peso e que podiam discutir com os escolhidos um lugar sem qualquer dúvida como são os casos de Jaime Graça, Rui Barros, António Sousa, Toni, Jaime Pacheco, Costinha, Shéu e mais alguns.
O ataque ,contando com as seis vagas restantes , não deixa grandes dúvidas.
Eusébio, Ronaldo, Figo e Futre parecem-me completamente indiscutíveis e depois se lhes juntarmos Jordão e Chalana creio que seria um sexteto absolutamente fabuloso em termos de qualidade.
Deixando de fora nomes como Néné, Gomes, Pauleta, Manuel Fernandes, Simões, José Augusto, José Torres, Ricardo Quaresma, Bernardo Silva e mais alguns.
E com a “sorte “ de Peyroteo, Travassos e Matateu não entrarem para estas contas, por serem anteriores a 1966, porque caso contrário as escolhas seriam mais difíceis
Esta é matéria, como tantas no futebol, em que o velho provérbio de “cada cabeça cada sentença” tem a mais plena das aplicações porque em cada adepto há um treinador/seleccionador de bancada e por isso se entende perfeitamente que não hajam duas opiniões iguais quanto à totalidade dos jogadores.
Acreditando que pelo menos Eusébio, Ronaldo e Figo serão amplamente consensuais.
Mas nunca fiando...

Montjuic 1973

Sempre gostei de Fórmula 1, embora não seja o meu desporto favorito nem sequer esteja no top 3 , desde os tempos remotos em que a RTP transmitia os grandes prémios com os comentários do Adriano Cerqueira.
Confesso que a morte de Ayrton Senna "arrefeceu" o meu interesse pela modalidade porque em bom rigor sem ele a Fórmula 1 nunca mais foi a mesma em termos de espectacularidade e da perfeição na condução de um carro.
Então à chuva...
Mas continuei a ver Fórmula 1 com interesse, apreciando a pilotagem dos que sucederam a Senna ( e à cabeça o grande Michael Schumacher) e assistindo a corridas com grande interesse e emoção face aos duelos em pista que se sucediam.
Mas já não era a mesma coisa e fui perdendo progressivamente o interesse também por força de alguns horários a que as conveniências comerciais e os patrocinadores foram obrigando a Fórmula 1 com uma progressiva deslocação para Oriente.
Mas de todos os grande prémios, disputados em tantos e tantos circuitos, guardei naturalmente a minha preferência quanto a alguns traçados.
Com três deles bem à frente de todos os outros.
O GP de Mónaco nas ruas de Monte Carlo, o GP de Espanha no circuito urbano de Montjuic e o GP da África do Sul no rapidíssimo circuito de Kyalami que possuía a maior recta da Fórmula 1.
Sem prejuízo de outros circuitos como Silverstone em Inglaterra, Spa-Francorchamps na Bégica, Monza em Itália e o velho circuito de Nurburgring na Alemanha com os seus 22 klm de extensão (neste já a Formula 1 não compete desde o acidente de Nikki Lauda)  onde se assiste sempre a corridas de grande interesse.
Mas aqueles três eram os meus preferidos e sempre tive a expectativa de neles assistir a corridas ao vivo.
Em Mónaco ainda será possível porque continua a fazer parte do calendário, em Kyalami é muito mais difícil porque está há muito fora do roteiro do campeonato e em Montjuic será impossível porque a Fórmula 1 embora dispute o GP de Espanha em Barcelona há muito que não o faz naquele belíssimo circuito urbano do qual se veem paisagens espectaculares da cidade e do porto de Barcelona.
Tal como Mónaco, onde se pode circular pelas ruas onde se disputa o GP, também em Montjuic isso é possível podendo fazer-se a pé ou de carro o traçado do antigo circuito dado que todas as vias se encontram transitáveis e com pequenas alterações em relação ao tempo em que lá se corria.
Já tive oportunidade de o fazer, em Monte Carlo e em Barcelona, e se no primeiro caso aumentou e de que maneira a vontade de lá ver uma corrida já no segundo apenas exponenciou a nostalgia por um circuito que não voltará a existir.
Depois Falamos

P.S. A fotografia refere-se ao GP de 1973 , vencido por Emerson Fittipaldi, tendo em primeiro plano os dois pilotos da Tyrrell Ford (uma equipa há muito desaparecida)  Jackie Stewart e François Cevert que foram os meus primeiros ídolos na modalidade.
Cevert viria a morrer num acidente nos GP dos Estados Unidos desse ano e Stewart, que viria a vencer esse mundial,  deixaria de imediato a competição já não participando nesse GP que era o último da temporada.

segunda-feira, novembro 18, 2019

Alternativos

Tenho por várias vezes deixado aqui a minha opinião sobre o que são, e essencialmente sobre o que devem ser, os equipamentos alternativos usados pelas equipas do Vitória sabendo-se que a camisola branca é e será sempre a primeira camisola mas tendo pena que os calções pretos nem sempre sejam os primeiros calções conforme tradição do clube durante longos anos.
Mas dando de barato que o primeiro equipamento é camisola branca e calções pretos ou brancos já nos restantes equipamentos não há nenhuma obrigação estatutária ou tradicional sobre de que cor devem ser.
É certo, e estou de acordo, que a segunda camisola deve ser preta por inteiro ou com algum tipo de desenho como já aconteceu no passado, por exemplo, com os equipamentos fornecidos pela "John Smith" em que o segundo equipamento (lindíssimo diga-se de passagem) era preto e cinzento em listas verticais.
E por isso fazer uma segunda camisola praticamente igual à primeira, apenas com a mudança de branco para preto, é um desperdício em termos de potencial de comercialização e não entendo a passividade nessa matéria ao longo dos anos.
Já quanto ao terceiro equipamento, que nem sempre há mas devia haver, esse deve ser totalmente virado para o marketing e mudar todos os anos de desenho e de cores como acontece em muitos clubes de outros países.
Amarelo, rosa, laranja, castanho, lilás, etc, tantas são as cores disponíveis com as óbvias excepções do vermelho , azul e verde porque não sendo parecidos com nenhum clube em tanta coisa era o que faltava usarmos cores de que desportivamente não gostamos para ainda nos parecermos com eles.
Aliás todos nos recordamos que já por várias vezes o Vitória teve terceiros equipamentos e com sucesso assinalável juntos dos adeptos pelo que me parece que deve insistir nessa vertente até por razões comerciais.
Penso que a nova SAD do clube deve equacionar seriamente essa possibilidade quando definir com  a Macron os equipamentos para a próxima temporada.
Depois Falamos.

P.S. Na foto uma equipa do Vitória com um equipamento alternativo que se usava bastante nas décadas de setenta e oitenta mas que depois desapareceu das opções.

domingo, novembro 17, 2019

Pinguim


Farol de Ischia, Itália


Castelo de Schwerin, Alemanha


Apurados

Portugal sabia que dependia apenas de si próprio para se apurar para o próximo europeu, sétimo consecutivo para a nossa selecção,  mas sabia, igualmente, que esse depender apenas de si tinha de passar por um triunfo para ficar ao abrigo do que se passasse em Belgrado no Sérvia vs Ucrânia.
E Portugal venceu.
Num jogo muito difícil quer pelo péssimo estado do terreno quer pelo arreganho do adversário, mas também pela dificuldade portuguesa em conseguir pegar no jogo, a equipa nacional foi pragmática até ao limite marcando um golo numa execução perfeita de Bruno Fernandes, numa altura em que o golo luxemburguês não surpreenderia,  e depois aguentou a pressão adversária até que friamente num lance de contra ataque o suspeito do costume acabou com as dúvidas e colocou definitivamente Portugal no Europeu.
Tendo feito uma das suas menos bem conseguidas exibições dos últimos anos a verdade é que Portugal tem aquela estrelinha de campeão que brilha mais quando as circunstâncias se tornam mais difíceis e isso aconteceu uma vez mais no jogo de hoje face a um adversário que foi fácil noutros tempos mas que já não o é na actualidade.
Num jogo em que não se pode negar a nenhum dos jogadores o empenho e o espírito de sacrifício creio que Bernardo Silva, José Fonte e Ricardo Pereira terão sido os mais próximos do seu real valor enquanto Bruno Fernandes luziu a espaços e os restantes estiveram claramente abaixo do que lhes é normal com excepção de Rui Patrício que pouco teve para fazer.
Dos suplentes utilizados destaque apenas para Diogo Jota, que animou o ataque e foi decisivo no segundo golo, porque Moutinho pautou-se pela discrição e Rúben Neves entrou apenas para queimar tempo numa substituição que poderia ser destinada a um dos suplentes que ainda não conta nenhuma internacionalização...mas não foi.
Agora com o apuramento concretizado há que preparar bem o Europeu e esperar que o flagelo das lesões ande bem longe dos seleccionáveis.
Depois Falamos

Prioridades

Na passada sexta feira o Presidente da República recebeu uma delegação do partido Aliança, chefiada pelo respectivo Presidente, que lhe foi apresentar um conjunto de argumentos relativos à defesa feita pelo partido de que o novo aeroporto de Lisboa deve situar-se em Alverca e não no Montijo.
Posição, aliás, que o partido começou a defender sozinho e na qual é hoje acompanhado pelos mais diversos especialistas, associações empresariais, profissionais de turismo, etc,etc.
É um assunto de relevante interesse para o país, que nele vai investir muitos e muitos milhões de euros, com implicações na Economia, no Ambiente, no Turismo, nos Transportes e nuns quantos mais sectores de actividade pelo que seria expectável que a comunicação social, nomeadamente as televisões, lhe tivessem dado o justo relevo.
Mas qual quê.
Para elas, televisões, é muito mais importante mostrar até à exaustão o Presidente da República a espreitar para dentro de um contentor de lixo, a ministra da Justiça a envergonhar o Estado visitando uma criminosa que está presa, o senhor Costa a multiplicar-se em promessas que não vai cumprir, o senhor Rio a dizer porque foi a um sitio perto de casa mas não iria ao Alentejo que para ele é outro lado do mundo, o senhor Jerónimo a jurar que nunca mais fará o que evidentemente fará se for preciso ou a senhor Catarina a bolsar as banalidades diárias próprias de uma arrependida que ainda não digeriu o não ser ministra.
É a comunicação social que temos.
Que corresponde na perfeição ao país diga-se de passagem.
Depois Falamos