quarta-feira, junho 20, 2018

Derrota Moral

Sou do tempo das "vitórias morais".
Aqueles tempos em que Portugal jogava bem, criava oportunidades de golo, dominava o adversário e no fim...perdia!
E esse foi o nosso fado durante décadas em que gerações de grandes jogadores nunca tiveram resultados que se vissem e muitos deles (Humberto, Alves, Oliveira, etc) nunca participaram numa fase final enquanto outros (Chalana, Damas, Jordão, Néné, etc) apenas estiveram presentes numa para amostra.
Já para não recordar que a geração dos"Magriços", incluindo o fabuloso Eusébio, apenas participaram numa fase final.
Felizmente o paradigma mudou e Portugal vai na sua décima fase final consecutiva,Europeus e Mundiais, não faltando a nenhuma grande competição desde o Europeu de 2000 com vários resultados assinaláveis desde um titulo e um vice titulo europeus à presença nas meias finais de um Mundial.
Acabou assim o tempo das nada saudosas "vitórias morais" e passou-se ao tempo das vitórias por mérito e das eliminações por razões diversas que vão do mérito dos adversários ao nosso demérito passando por erros dos árbitros.
Neste mundial russo a selecção nacional entrou com um empate feliz (sem tirar ponta de mérito a Ronaldo) que abriu boas perspectivas para o resto da prova e hoje obteve um triunfo ainda mais feliz que paradoxalmente semeou duvidas em todos quantos viram o jogo.
Porque Portugal não jogou nada!
Adiantou-se muito cedo no marcador, quando ainda não tinha tido tempo para fazer nada, e depois passou os restante 90 minutos sem nada fazer perante uma selecção marroquina que nos foi claramente superior e a que só a nossa sorte, o azar deles e Rui Patrício impediram de ganhar o jogo.
Foi das mais pobres exibições de Portugal de que me lembro de há muito tempo a esta parte.
Um festival de passes errados, de ressaltos perdidos, de segunda bolas raramente ganhas, de profunda incapacidade em agarrar no jogo e fazer valer a real diferença qualitativa que existe entre as duas equipas.
Fernando Santos teimou em dez dos onze que tinham alinhado de início contra a Espanha (apenas trocou Bruno Fernandes por João Mário) e a exibição correspondeu plenamente à opinião daqueles que defendiam que eram necessárias alterações mais profundas.
Bernardo Silva voltou a passar ao lado do jogo, Gonçalo Guedes esteve melhor a ajudar a defesa do que a atacar o que diz tudo sobre a sua inoperância , João Mário não se viu, Fonte voltou a evidenciar má forma, Raphael Guerreiro muito abaixo do normal, William sem influência e algo trapalhão, enfim uma equipa que deixou muito a desejar.
Valeu Ronaldo, valeu Rui Patrício, valeu Pepe.
Os únicos que jogaram ao nível que se exige a um campeão europeu.
E mesmo nas substituições o panorama foi desolador.
Bruno Fernandes entrou muito mal, Gelson entrou muito complicativo e sem alargar o jogo ofensivo, Adrien entrou...tarde.
Uma tarde para esquecer mas em simultâneo para lembrar.
Não só porque a jogar assim não podemos aspirar a nada mas também porque ainda não estamos apurados e o jogo com o Irão de Carlos Queiroz vai ser um verdadeiro "mata mata" dado que ambas as equipas se podem apurar.
A verdade, dirão alguns, é que temos quatro pontos e estamos com um pé na fase sguinte e isso é o que interessa.
Não discordo.
Mas chamo a atenção que passar das  "vitórias morais"(em que merecíamos ganhar mas perdíamos) para as "derrotas morais"(em que merecíamos perder mas ganhamos), como a de hoje, tem tudo para acabar mal.
Mal e depressa.
Depois Falamos.

terça-feira, junho 19, 2018

Farol


Girafas

Foto: National Geographic

Castelo de Salzburgo


Favorito Mas...

Um jogo entre Portugal e Marrocos, ainda para mais na fase final de um Mundial, lembra irresistivelmente a vergonha de Saltillo onde a selecção nacional protagonizou comportamentos reivindicativos que não tiveram correspondente expressão no plano desportivo.
Já para não falarmos de outro tipo de comportamentos...
A verdade é que depois de um triunfo sobre a Inglaterra e uma derrota com a Polónia bastava a Portugal um empate com Marrocos para se apurar para a fase seguinte o que não viria a acontecer face à derrota sofrida.
Mas isso foi há trinta e dois anos e o jogo de amanhã nada tem a ver, como é evidente, com essas "Saltilladas" de péssima memória a não ser  no facto de agora como então a equipa lusa ser favorita mas precisar de o provar no terreno de jogo.
Portugal começou o Mundial de forma positiva, empatando com um dos favoritos, mas estaremos todos de acordo que isso se ficou a dever mais ao talento individual de um jogador do que ao acerto exibicional da equipa que deixou algo a desejar ,nomeadamente na coesão defensiva, frente a uma Espanha que é a melhor equipa que vi até agora neste Mundial.
Para amanhã há duas coisas que são inevitáveis: Uma é que Fernando Santos proceda a alguns retoques na equipa e outra que Portugal entre de forma ambiciosa e dominadora fazendo jus ao estatuto de candidato, mas não favorito, que o seleccionador tanto gosta de referir.
Depois do visto com a Espanha parece-me que há vários jogadores a "pedirem" banco dado o discreto rendimento que evidenciaram.
Gonçalo Guedes e Bruno Fernandes à cabeça mas também não admiraria se Cédric e até Bernardo Silva não fossem opções iniciais em favor de André Silva, João Mário (ou Adrien) Ricardo Pereira e Quaresma ou Gelson.
Com uns ou com outros uma coisa é certa: Portugal tem de ganhar para não complicar as contas finais do grupo.
Amanhã saberemos.
Depois Falamos

Incongruências

O 24 de Junho e a seu reconhecimento como data nacional, causa que deve unir todos os vimaranenses, foi assunto largamente tratado nas duas últimas sessões da Assembleia Municipal que decorreram na passada sexta feira e ontem.
E onde foi possível avaliar qual o real empenhamento do partido no poder em defender esta causa.
Na sexta feira, questionado pela bancada do PSD, o presidente da câmara disse do grande empenhamento (sic) em conseguir dar cariz nacional a essa data mas que sendo muito difícil consegui-lo isso irá demorar tempo, exigir o empenhamento de todos e sensibilizar as mais altas individualidades do país.
Na segunda feira o PSD apresentou uma moção (já entregue antecipadamente nos serviços) em que propunha uma estratégia a dez anos, com várias propostas, de molde a que em 2028 nos 900 anos da batalha de S. Mamede já estivéssemos muito mais perto do objectivo ou até com ele desejavelmente alcançado.
E o que fez o PS, o tal partido cujo presidente de câmara dissera 72 horas antes que era preciso tempo, estratégia e envolvimento de todos?
Usou a sua maioria para chumbar a proposta.
Com o espantoso argumento de que era demasiado cedo para pensar nos 900 anos da batalha de S.Mamede!
Assim não é de facto possível ambicionar que um dia o país reconheça o 24 de Junho de 1128 como o primeiro dia de Portugal.
Quando é em Guimarães, e pela acção do partido que desde 1989 governa a Câmara, que estão os maiores obstáculos à concretização dessa justa ambição.
Depois Falamos.

Assim? Não!

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

 PROGRAMA GERAL

DIA 23 – SÁBADO
09h30 | Inauguração do Horto da Brigada Verde de Ponte
10h30 | Inauguração da Biblioteca da EB1 da Charneca (Taipas)
11h30 | Inauguração da Requalificação e Beneficiação da rua dos Moinhos, rua Prof. Félix Fernandes
Marques, rua Ouvinho Favelhos e rua Boavista (Briteiros S. Salvador/Briteiros Santa Leocádia)
15h00 | Inauguração da Reabilitação do Albergue e Capela de S. Crispim e S. Crispiniano
16h00 | Inauguração da Requalificação e Beneficiação da rua da Estrada Nova (Gominhães/Selho S.
Lourenço)
17h00 | Inauguração da Requalificação e Beneficiação da rua do Montinho/rua Bairro do Sol (Pinheiro)
18h00 | Inauguração da Requalificação e 1a fase de alargamento do Cemitério de Pevidém
DIA 24 – DOMINGO
09h00 | Hastear das Bandeiras na Câmara Municipal, com a participação da Fanfarra dos Bombeiros
Voluntários de Guimarães
09h30 | VI EDP Meia Maratona de Guimarães – Corrida dos Conquistadores / Mini Maratona /
Caminhada Solidária
10h00 | Passeio de Bicicleta “Dia Um de Portugal”
10h30 | Inauguração da Requalificação e Beneficiação da Estrada Municipal 575 (Conde/Gandarela)
11h15 | Inauguração da Requalificação e Beneficiação da rua S. Tiago (Candoso Santiago/Mascotelos)
11h45 | Inauguração do Reperfilamento da rua de Francos e novo acesso à Universidade do Minho
(Azurém)
12h30 | Missa Solene - Igreja da Oliveira
18h30 | Sessão Solene e aposição de medalhas honoríficas, no Paço dos Duques de Bragança (receção
de convidados às 18 horas)
                                                    
Na sessão da passada sexta feira da Assembleia Municipal o tema do 24 de Junho, desta vez a propósito da habitual imposição de medalhas, voltou a ser assunto de debate entre o poder socialista e a oposição de todas as bancadas.
Nomeadamente sobre a necessidade de Guimarães ter uma estratégia concertada e ambiciosa para transformar a data local numa data nacional e não apenas de Guimarães como vem acontecendo desde sempre.
Em representação do PSD tive oportunidade de questionar o presidente da Câmara sobre a matéria.
Recordei que Portugal é um país “sui generis” onde se festeja a reconquista da independência mas não a da própria independência, onde se festejam mudanças de regime da Monarquia para a República e da ditadura para a democracia mas não se festeja a data  a partir da qual passou a ser da competência dos portugueses essa tomada de decisões.
E perguntei que tinha feito a Câmara presidida por Domingos Bragança, até agora, para impor a data a nível nacional e que tencionava fazer no futuro para que isso mais ou menos dia (todos sabemos que não é fácil) venha a ser uma realidade.
A resposta , em termos gerais, foi que a estratégia é a de trazer cá personalidades (Presidente da República, primeiro-ministro, ministro,etc) para as convencer presencialmente da justeza das ambições de Guimarães como se conversas em volta de uma almoçarada ou de uma jantarada tivessem algum efeito prático.
Esperava (com bastante optimismo convenhamos) que a resposta fosse outra e que abarcasse, para lá dos convites a personalidades institucionais, uma estratégia bem delineada de comunicação e marketing que incluísse iniciativas de carácter cultural e histórico(conferências, seminários, colóquios) e também a vinda a Guimarães de líderes de opinião nessas áreas que pudessem dar a cara pela nossa causa.
Entre outras coisas que podem ser feitas e a que me referirei em próxima oportunidade.
Mas não.
A estratégia é comer, beber e conversar.
E se dúvidas houvesse quanto ao facto de a câmara não ter, realmente, qualquer estratégia para a imposição a nível nacional do 24 de Junho como dia 1 de Portugal elas seriam desfeitas olhando para o deprimente programa de comemoração do 24 de Junho deste ano que encabeça este texto.
Inauguraçõezinhas, passeiinhos de bicicleta, uma corridinha, missinha solene e medalhinhas.
Mais nada.
Naquilo que é uma estratégia velha, mas que resulta, da imposição não do 24 de Junho mas sim da imagem do presidente da câmara com vista a eleições autárquicas que virão daqui a três anos.
Dir-me-ão que ainda é cedo para pensar nisso.
Direi que o programa do próximo ano, do outro a seguir e por maioria de força o do ano de eleições serão, como o deste ano, mais do mesmo.
Se é assim há 29 anos alguém acredita que vão mudar agora?
Certo é que por este caminho nunca mais o 24 de Junho merecerá o justo reconhecimento nacional porque com programas como este ( e tantos idênticos no passado) não se vai a lado nenhum.
O que em boa verdade, a História o diz, pouco importa ao PS de Guimarães desde que de quatro em quatro anos os votinhos apareçam onde lhes interessa.
É a vida!

segunda-feira, junho 18, 2018

Não a Guimarães

O meu artigo desta semana no zerozero.

Começado o Mundial andam os portugueses entusiasmados com a sua selecção por força daquele épico empate com a Espanha (a melhor equipa que vi até agora na prova) esquecendo-se um pouco que ele resultou muito mais do imenso talento individual de um jogador do que da valia de um colectivo que deixou bastante a desejar e que terá de melhorar muito para justificar um estatuto de candidato a ficar na Rússia até meados de Julho.
Mas hoje não vou escrever sobre a participação da selecção neste Mundial.
E também não o vou fazer, embora me apetecesse bastante porque é assunto para que já alertei neste espaço, sobre o papel maléfico do VAR na deturpação da verdade desportiva de alguns jogos sempre a favorecer os teoricamente mais fortes naquilo que mais não é que defender o negócio em volta do futebol e aqueles que para ele mais contribuem.
Já tínhamos experiência disso na nossa Liga mas quando na prova maior do futebol mundial se assiste ao que se vem assistindo não podem existir mais dúvidas sobre o real significado da sigla VAR que é “Vamos Ajudar (os) Ricos”.
Assunto a que talvez volte brevemente.
Hoje escreverei sobre um assunto estranho, com contornos de misterioso até, que é a má relação da selecção nacional com a cidade de Guimarães e com o estádio D.Afonso Henriques mais propriamente.
Estádio que detém há muitos anos a quarta melhor média de assistências de Portugal (tem público), estádio onde os seus habituais frequentadores criam um clima de apoio à equipa que lá joga consensualmente reconhecido como dos mais espectaculares e fervorosos do país (há apoio vibrante) , estádio onde, contudo, a selecção nacional rarissimamente joga por opção inexplicável da Federação Portuguesa de Futebol.
A FPF foi fundada em 1914, cento e quatro anos atrás, mas a selecção nestes mais de cem anos apenas jogou em Guimarães...seis vezes!
Estreou-se em 16 de Fevereiro de 1983 (já a FPF tinha 69 anos de idade) num jogo particular com a França de Platini e Cia, que apenas um ano depois se sagraria campeã europeia depois de bater Portugal naquela meia final de Marselha e a Espanha na final do Parque dos Príncipes, num jogo disputado a meio da tarde de um dia normal de trabalho (uma quarta feira) porque o estádio ainda não tinha iluminação.
Como não tinham outros onde a selecção disputava jogos oficiais.
Depois foi preciso esperar dezasseis (!!!) anos para a FPF voltar a marcar um jogo para a cidade berço.
E, quanta generosidade, um jogo oficial com o Azerbaijão a contar para a fase de apuramento para o Europeu de 2000 que Portugal venceu por robusto sete a zero (que foi durante anos a mais dilatada vitória da selecção) e que ficará para a pequena História por ter sido nesse jogo que Pauleta se estreou a marcar pela selecção de que é, ainda hoje, o segundo melhor marcador de sempre apenas superado por Ronaldo e por ter sido a primeira internacionalização de Pedro Espinha ao tempo guarda redes do Vitória.
Esse jogo foi disputado à noite, com as bancadas a terem uma configuração muito parecida com a actual, e casa cheia num apoio vibrante à selecção.
O “agradecimento” da FPF foi só ter voltado a marcar um jogo para o estádio D.Afonso Henriques quatro anos depois, um particular com a Espanha que perdemos por 0-3, já em fase de aquecimento dos motores para o Euro 2004 e em que a equipa de Scolari fez uma exibição muito abaixo do expectável.
Ou seja entre 1914 e 2004 (noventa anos)a selecção jogou em Guimarães três vezes!
Dois jogos particulares e um oficial num ostracismo absolutamente inexplicável.
Em 2004 disputou-se o Europeu em Portugal e para o efeito foram construidos de raiz seis novos estádios ( Alvalade,Dragão, Municipal de Braga, Algarve, Luz e Municipal de Aveiro)e modernizados quatro (D.Afonso Henriques,Cidade de  Coimbra, Magalhães Pessoa em Leiria e Bessa) ficando o nosso país com dez modernos estádios todos eles aptos a receberem jogos da selecção nacional.
De lá para cá como tratou a FPF a cidade de Guimarães?
Cinco (!!!) anos depois do Euro 2004 (a 14/10/2009) lá marcaram um jogo , com Malta na fase de apuramento para o Mundial de 2010, que Portugal venceu por 4-0 em mais uma noite de gala com as bancadas do DAH cheias de um público entusiasta.
Talvez por isso, talvez por alguma má consciência, talvez por coincidência (o mais provável) cerca de um ano depois (mãos largas...) novo jogo oficial na estreia da fase de apuramento para o Euro 2012 face a Chipre.
Não correu lá muito bem e o empate final, a quatro golos, foi um dos mais caricatos resultados de sempre da selecção portuguesa embora a responsabilidade do mesmo não possa ser atribuída ao estádio nem ao  público.
Resultado?
Mais três anos de “seca” até ao particular com o Equador, em Fevereiro de 2013 em plena fase de apuramento para o Mundial do Brasil, que se saldou por uma derrota por 2-3 face a umas bancadas com menos público do que o habitual porque os vimaranenses já começavam a estar fartos de comer gato por lebre,ou seja, verem marcado jogos oficiais com selecções de terceiro ou quarto escalão europeu (Malta,Chipre, Azerbaijão)enquanto os jogos com selecções de primeira linha (e apenas França e Espanha) eram particulares.
Esse jogo com o Equador, em 2013, marcou a ultima aparição da selecção nacional no estádio D. Afonso Henriques.
De lá para cá , cinco anos decorridos,nunca mais foi vista !
O que significa que nas fase de apuramento para o Europeu de 2016 e para o Mundial de 2018 a selecção nacional de futebol não veio a Guimarães disputar um único jogo, fosse ele particular fosse oficial,naquilo que constitui uma imensa falta de respeito pela cidade e pelo concelho de Guimarães que , como foi dito atrás, garantem ao futebol português há muitos anos a sua quarta melhor média de assistências e nunca faltaram à selecção com o seu apoio entusiasta nas seis escassas vezes em que ela jogou em Guimarães.
Desde 2004, altura em que Portugal passou a ter os tais dez estádios modernos e com todas as condições para jogos oficiais da selecção, como se distribuíram os jogos da mesma?
Jogou vinte e uma vezes em Lisboa (Luz e Alvalade mas curiosamente evitando o tal Jamor que nos gostam de vender como excelente para outro tipo de jogos), dez vezes no Porto (Dragão e Bessa), oito vezes no desértico estádio de Leiria onde nem o União actualmente joga,sete vezes no Algarve num estádio que nem jogos (e público)de campeonato tem, cinco vezes em Aveiro outro estádio ao abandono dado que o Beira Mar deixou de o utilizar), quatro vezes em Coimbra e outras tantas em Braga e as tais três vezes em Guimarães o que deixa o estádio da cidade berço como o menos utilizados dos dez do Euro 2004.
Os números não mentem e mostram, de forma clara, que a FPF não gosta de Guimarães nem de marcar jogos para o estádio D. Afonso Henriques.
Não por falta de condições, muito menos por falta de público e do seu apoio caloroso, mas apenas porque todos os interesses económicos que se movem em volta da selecção apontam para outros palcos e para outros clubes a serem favorecidos financeiramente com jogos da selecção nos seus estádios.
É comum em Guimarães, cada vez mais comum e não apenas nas bancadas do estádio D.Afonso Henriques, ouvir-se dizer que “ a nossa selecção é o Vitória”  num claro repúdio pela forma como a FPF trata  a cidade berço.
E ninguém pode levar a mal que assim se pense.
A isso fomos levados por muitos anos de um ostracismo e um desprezo que nada justifica e que Guimarães, e a selecção de Portugal, não merecem!

sexta-feira, junho 15, 2018

Mocho


Lago Bled, Eslovénia


Um Aviso

Finalmente começou o tão aguardado campeonato do mundo de futebol, "Rússia 2018", que vai lá para Julho apurar o sucessor da Alemanha como campeão do mundo sendo forte possibilidade a selecção germânica suceder a ela própria.
Mas não queimemos etapas.
Ontem, no jogo entre Rússia e Arábia Saudita (curiosamente as duas selecções com pior ranking FIFA ) que marcou o início da prova, assistiu-se logo à queda de um recorde (e os recordes são uma mania na moda...) com o resultado mais desnivelado de sempre num jogo de abertura de um mundial.
Cinco golos sem resposta com que os anfitriões brindaram os pobres (nalguma coisa haviam de o ser) sauditas naquilo que não foi mais que um treino animado e moralizador para uma selecção russa que seguramente terá ambições bem maiores do que aqueles que o ranking lhe permitem.
É evidente que este resultado será sempre mais uma excepção do que uma regra nos jogos deste mundial que tendencialmente serão muito mais equilibrados e disputados do que este a que assistimos agora.
Mas este jogo teve uma clara vantagem que foi a de deixar um aviso para o futuro.
Agora que a megalomania e a ganância sem limite da FIFA querem aumentar as fases finais para o completo absurdo de 48 equipas (!!!) , ao invés das 32 actuais, que obriga a que em 2026 o campeonato seja organizado por três(!!!) países (Estados Unidos, Canadá e México) será talvez tempo de se reflectir sobre que qualidade de jogos terá um mundial em cuja fase final  participem cerca de 25% dos países inscritos na FIFA.
Penso que ninguém terá grandes duvidas sobre o decréscimo da qualidade competitiva do mesmo a par de um esforço acrescido para os jogadores .
E da morte da galinha dos ovos de ouro está a História cheia de exemplos.
Depois Falamos.

quarta-feira, junho 13, 2018

Negócio

Enquanto Bruno de Carvalho se vai entretendo a destruir o Sporting, mergulhado num delírio de difícil explicação, os jogadores do plantel vão rescindindo os seus contratos face ao impossível cenário de continuarem a trabalhar num clube tem tem BdC como presidente.
Os primeiros foram Rui Patrício e Podence mas de seguida William Carvalho, Gelson Martins, Bruno Fernandes e Bas Dost fizeram o mesmo e para hoje anunciam-se a s rescisões de, pelo menos, Acuna e Battaglia o que deixa o clube na triste situação de perder todos os seus melhores jogadores.
Sem jogadores, sem treinador (nem o "coração de leão" Sá Pinto aceitou meter-se naquele vespeiro) o futuro próximo do clube leonino encontra-se mergulhado em negras sombras sem se perceber como delas sairá.
Problema que os seus associados tem de resolver.
Fica assim em aberto o futuro dos jogadores que agora rescindiram contratos e se tornam em muito apetecíveis alvos de mercado (depois de já terem sido "alvos" de outro género...) a que nenhum clube ficará insensível.
E torna-se curioso analisar o que dizem (se pensam é outra questão) sobre o assunto Porto e Benfica que à partida podiam (podem?) ser potenciais destinos para alguns desses jogadores.
O Porto , desde há muito, que afirmou que não contratará nenhum deles por solidariedade com o difícil momento que vive o Sporting.
Palavras bonitas mas sem contexto num mundo competitivo como é o do futebol actual em que as SAD existem para gerirem o negócio do futebol da forma mais competitiva e rentável que lhes for possível.
O Porto, constrangido pelo "fair play" financeiro da UEFA que o obriga a vender jogadores para equilibrar as contas (Ricardo Pereira, Diogo Dalot e o que mais se verá), sabe que dificilmente poderia pagar a alguns desses jogadores os salários que eles valem (e que os seus empresários tratarão de exigir) pelo que sabendo que não os pode  ter optou por dizer que não os quer ter!
É um  pouco como a conhecida fábula da raposa em relação a umas uvas a que não conseguia chegar.
O Benfica foi muito mais pragmático e consentâneo com a realidade do futebol que se vive hoje.
Estando no mercado, a custo zero (impensável mas é verdade), jogadores de grande qualidade, portugueses e bem identificados com as nossas provas e possuidores de uma enorme margem de valorização está a tentar contratar alguns deles.
Ao que consta Bruno Fernandes e Gelson Martins mas há quem fale também em Podence e até Bas Dost.
Faz bem.
Se tem envergadura financeira para suportar os salários é óbvio que se trata de jogadores que não só lhe enriquecem substancialmente o plantel como também desfalcam um (cada vez menos) adversário directo pelo que se trata de um negócio com óbvias vantagens.
Não deve , porque nem o futebol é isso nem os tempos actuais se compadecem com "sentimentalismos" bacocos, é dizer que está a tentar contrata-los para vingar o que aconteceu vinte e cinco anos atrás com Paulo Sousa e Pacheco.
Percebe-se o apelo ao sentimento dos adeptos e ao exacerbar de rivalidades clubísticas mas não faz sentido nenhum usar isso como justificação para uma boa decisão em termos de negócio desportivo e financeiro.
Seja como for creio que nesta questão o Benfica tem estado melhor que o Porto assumindo o seu claro interesse nos jogadores e fazendo o possível por conseguir a sua contratação ao invés de usar discursos de pseudo solidariedade para justificar o não poder ter quem de certeza gostaria de ter.
O que não invalida que considere que todos eles optarão por prosseguirem a sua carreira no estrangeiro ,onde não lhes faltarão clubes interessados, evitando assim atirar "gasolina" para "fogueiras" que já ardem com demasiada intensidade.
Depois Falamos

terça-feira, junho 12, 2018

Alpes Suiços


Farol, Cabo da Roca


Vaca


Guimarães, Portugal

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

Quando assumi com a Catarina Castro Abreu, e  com muito gosto o fiz, este compromisso de semanalmente escrever uma crónica para o “Duas Caras” já sabia, até por experiências anteriores com outros orgãos de comunicação social, que numas semanas sobrariam os temas, noutras faltariam e noutras ainda teria a sorte de ter um assunto perfeitamente definido e sobre ele escreveria.
É a vida.
Esta é uma daquelas semanas em que não tendo um tema específico sobre o qual me apetecesse escrever tinha, ainda assim, dois ou três assuntos que me pareciam poderem merecer alguma atenção daqueles que tem a paciência de me irem lendo.
O primeiro era a aproximação das comemorações de mais um 24 de Junho, a data mais incompreendida e mal tratada da História portuguesa, em que se celebra a conquista da independência do nosso país mas que estranhamente é uma comemoração confinada ao concelho de Guimarães dado que o país não lhe dá a importância que ela indiscutivelmente tem.
Mas o 24 de Junho, por falta de uma estratégia inteligente( e persistente) que vise impô-la a nível nacional, é uma data cuja comemoração em Guimarães se resume a “mais do mesmo”, ano após ano e todos os anos desde que me recordo.
Umas inaugurações na cidade,vilas e freguesias, dando um ar irresistivelmente  provinciano e paroquial à data, uma sessão solene da assembleia municipal com os discursos do “costume” dos protagonistas mais ou menos habituais e a imposição de umas medalhas a um lote de homenageados com maior ou menor justiça visível para as condecorações.
E isto está tão costumeiro, tão rotinado, tão “mais do mesmo”, tão desvalorizado, que este ano até o presidente de câmara faltou à reunião do executivo em que foram votadas as medalhas  a atribuir.
Portanto não se passada nada, em termos de 24 de Junho, pelo que resolvi não escrever sobre o assunto!
Há também um tema sempre grato aos vimaranenses e que neles desperta habitualmente atenção e curiosidade que é tudo aquilo que se relaciona com o Vitória.
Mas em relação ao Vitória também não se passa nada.
O campeonato acabou, a pré temporada só começa em 2 de Julho, neste momento trabalha-se na preparação da próxima época em que a equipa terá três equipas profissionais de futebol masculino(A-B-Sub23)  mais uma equipa de futebol feminino e até ao momento em que escrevo apenas se sabe de algumas saídas de jogadores das equipas A e B  resumindo-se as entradas a apenas um nome.
Pelo que mais vale esperar para ver deixando de lado as habituais especulações jornalísticas, tão próprias destas alturas, e que maioritariamente acabam por nem se confirmar.
Há, é certo, o Mundial da Rússia que a partir da próxima quinta feira prenderá as atenções da maioria dos portugueses muito em especial nos dias em que a selecção portuguesa entrar em campo para defrontar Espanha, Marrocos e Irão e os que vierem a seguir esperando-se que sejam pelo menos mais quatro adversários.
Mas o Mundial diz pouco a Guimarães em termos directos.
Na fase de apuramento a selecção nem por cá passou, fosse em jogos oficiais fosse em jogos particulares, mantendo uma estranha distância do estádio D. Afonso Henriques que vem desde 2013 e cujo termo não se adivinha.
O que não deixa de ser estranho e a merecer censura.
Porque Guimarães tem a quarta melhor média de assistências do futebol português, desde há quarenta ou cinquenta anos, e dos dez estádios do Euro 2004 (os dez mais modernos de Portugal) o D. Afonso Henriques é não só aquele em que a selecção menos vezes jogou como aquele em que não joga há mais tempo.
Mais precisamente desde 6 de Fevereiro de 2013 num jogo particular com o Equador que se saldou por uma derrota lusa por 2-3 com os nossos golos a serem apontados por Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga.
De lá para cá...nada.
E se a selecção na viagem para a Rússia por cá não passou também da comitiva não faz parte nenhum jogador do Vitória ou, ao menos, nascido em Guimarães o que daria sempre alguma ligação emocional extra aos vimaranenses que apoiam a selecção e se sentiriam especialmente identificados se dela fizesse parte algum “Conquistador”.
Mas não faz.
Ao contrário do que aconteceu no Euro 2016, em França, em que embora a selecção também não tenha passado por cá (estranhíssimo que não tenha vindo a Guimarães em duas fases de apuramento consecutivas incluindo jogos particulares) ao menos da comitiva fazia parte o vimaranense( e ex jogador da formação do Vitória)  Vieirinha que foi titular nalguns jogos o que sempre reforçou a ligação do concelho à chamada “equipa de todos nós”.
E caberá aqui recordar que tendo decorrido dois anos sobre o Europeu a Câmara de Guimarães continua, que se saiba, sem galardoar o jogador ao contrário do então prometido.
Em suma está a crónica desta semana escrita.
Uma crónica sobre três “não temas” em vez de sobre um tema específico.
Às vezes também faz bem variar.

segunda-feira, junho 11, 2018

Nagano, Japão


Pastor Alemão


Tropea, Itália


Trabalho

Em bom rigor quase ninguém acredita que Portugal possa vencer o Mundial da Rússia.
Eu próprio tenho as maiores duvidas que isso seja possível quer porque as "forças em parada" são superiores às do último europeu de França quer porque me parece que a selecção nacional tem algumas debilidades que a podem impedir de conquistar o título.
Especialmente no centro da defesa e no meio campo, sectores onde tradicionalmente até éramos fortes,  porque quanto ao ataque , e aí sim ao contrário do habitual, estamos bastante bem servidos para todas as posições.
Três centrais com 34, 35 e 36 anos respectivamente dão que pensar (e ainda dá mais serem os que há porque com excepção de Neto e Paulo Oliveira não se vê mais nada no horizonte) e a ausência de Danilo constitui uma baixa tremenda porque dava várias soluções em termos defensivos e até atacantes nos lances de bola parada.
E por isso a equipa tem fragilidades que se não forem devidamente compensadas a arredarão de fases mais avançadas da competição onde os enfrentamentos com outros favoritos poderão constituir dificuldade inultrapassável.
E quem são esses favoritos?
Da Europa sem dúvida a Alemanha (provavelmente a mais forte selecção em prova), a França e a Espanha enquanto da América do Sul os tradicionais Brasil e Argentina serão os mais fortes candidatos.
Depois há sempre a possibilidade de uma surpresa vinda da Inglaterra, do Uruguai, da Rússia (que joga em casa e isso vale muito...para a FIFA) ou da Croácia selecções que podem "crescer" com o desenrolar da prova e aproveitarem o previsível cansaço das grandes figuras dos principais favoritos para afirmarem a valia dos seus colectivos.
E é aqui que pode aparecer,também, Portugal.
Que também tem uma super estrela, o que é desde logo uma enorme vantagem pela evidente mais valia de qualidade que dá à equipa, mas que terá de ultrapassar as debilidades atrás referidas com muito trabalho, muito espírito de equipa e uma ambição idêntica à que mostrou dois anos atrás em França.
Se o conseguir, se Pepe e Fonte aguentarem a sucessão de jogos (com a ajuda de Bruno Alves aqui ou ali porque de Rúben Dias não é legítimo esperar muito dada a sua inexperiência), se for encontrada uma alternativa a William Carvalho quando este precisar de descanso então podemos esperar que de um ataque que entusiasma pela qualidade de todos os seus componentes surja a vantagem necessária a ir ultrapassando adversários rumo ao sonho.
Mas o essencial será trabalhar muito.
Com a humildade eficaz da formiga e esperando que algumas das "cigarras" se distraiam.
Depois Falamos.

Futebol é Paixão

O meu artigo desta semana no zerozero.

Neste tempo de defeso em que todas as atenções estão concentradas no Mundial da Rússia e por cá, pelo nosso futebol, nada há de novo a merecer especial destaque com cada equipa a tratar do respectivo plantel para a próxima época com as habituais contratações, dispensas, empréstimos e quejandos mas sem notícias de encher o olho é tempo para fazer uma reflexão serena sobre a envolvente emocional do futebol.
Do futebol em geral e não apenas na sua vertente clubística.
Não tenho nenhuma duvida que o futebol é a modalidade desportiva mais popular do planeta e aquela que mais paixões desperta junto dos seus incontáveis adeptos.
Há vários factores que contribuem para isso.
É um desporto que começou a ser praticado, de forma organizada, no século 19 e por isso já vai no seu terceiro século de existência contando com um histórico e uma tradição que são inigualáveis por qualquer outra modalidade desportiva.
A sua beleza competitiva, a estética e movimento de que se reveste, a simplicidade das suas regras tornam-no acessível a todos e fácil de praticar por qualquer um que o deseje.
A organização dos campeonatos nacionais para clubes e de provas internacionais para clubes e selecções (o primeiro Mundial foi em 1930!) deram ao futebol uma atenção e uma popularidade extraordinária que o advento das televisões exponenciou de forma brutal ao levar as grandes equipas e os grandes jogadores a casa de cada um.
E por ultimo, mas seguramente o factor mais importante, porque os grandes jogadores, as grandes jogadas, as grandes equipas,os golos espectaculares e inesqueciveis fidelizaram muitos milhões de adeptos ao longo dos anos.
E por isso o futebol faz parte da vida de todos nós.
Mas como tudo que gera paixões e estados extremos de emoção o futebol também encerra perigos.
O perigo do excesso e o perigo do defeito.
Os excessos são bem conhecidos e tem trazido ao longo dos anos muitos episódios perfeitamente condenáveis e que muito tem prejudicado a imagem da modalidade e as condições de segurança de quem a ela quer assistir em segurança e tranquilidade.
Para além de quezílias entre aqueles que deviam ser os primeiros interessados na boa imagem da "industria" em que o futebol se tornou.
Mas há também os perigos por defeito.
Hoje muitas pessoas por força das dificuldades da vida projectam no futebol os seus espaços de realização, de cumprimento de objectivos, de obtenção de alguma felicidade que compense as agruras do dia a dia.
Até porque o futebol, e aí está outros dos seus enormes atractivos, permite a surpresa, o imprevisto, o triunfo do mais fraco perante o mais forte.
E quem não deseja isso da própria vida em tantas circunstâncias?
E por isso criam-se em volta do futebol em geral, mas especialmente em torno das equipas de cada um,expectativas quantas vezes exageradas e que se não forem correctamente "temperadas" e geridas pelos responsáveis podem descambar em fenómenos nocivos de que a descida da média de assistências em muitos campeonatos é um fenómeno que se vem vulgarizando.
Quero com isto dizer que hoje exige-se aos responsáveis directivos, mas também aos treinadores, que sejam para lá do resto também pedagogos na explicação do futebol e mestres na sabedoria com que comunicam com os adeptos.
Deles se esperam discursos racionais, nos quais sejam objectivos no que podem ser as ambições dos seus clubes e na explicação de que na esmagador maioria das equipas não se podem ter jogadores do nível daqueles que se vêem na televisão nos grandes campeonatos, mas igualmente discursos que potenciem as forças que todos tem e não uma explanação continua das fraquezas que devem ser preservadas no seio de cada instituição.
Exige-se, acima de tudo, a dirigentes e treinadores  que não sejam destruidores dos sonhos dos adeptos.
Que precisam de sonhar, precisam de ter esperança, precisam de sentirem motivação,ambição e sentido de conquista para eles próprios não esmorecerem perante  os problemas e as dificuldades que se põe a todos quantos não sejam adeptos de clubes de grandeza extra.
Significa isto muito claramente que os adeptos precisam de dirigentes e treinadores que saibam, também pelo discurso, transformar dificuldades em oportunidades e não daqueles que fazem do miserabilismo, do acentuar dos problemas e das mais diversas formas de desculpabilização dos insucessos o pão nosso de cada dia.
Um dia, num contexto muito próprio para a selecção nacional, o então seleccionador José Torres disse a famosa frase "...deixem-nos sonhar...".
É isso que os adeptos do futebol devem exigir dos seus dirigentes e dos seus treinadores.
Deixem-nos sonhar.
Com muita ambição mas também com a racionalidade necessária.
Para tristeza já bastam as dificuldades que ensombram o dia a dia das pessoas.
Não façam do futebol uma modalidade triste ,ou um factor de tristeza mais, porque ele não merece e os adeptos também não.

sábado, junho 09, 2018

Um Excepcional Jogador

Agora que estamos prestes a iniciar a participação em mais um campeonato mundial de futebol é tempo de recordar, uma vez mais, o papel extraordinário que Cristiano Ronaldo tem desempenhado ao serviço da selecção portuguesa.
Deixando de lado os seus notáveis recordes, triunfos e títulos individuais e colectivos obtidos ao serviço de Manchester United e Real Madrid, entre os quais avultam cinco "Bolas de Ouro" e cinco vitórias na "Liga dos Campeões", importa agora olhar o que tem sido a sua presença na selecção de Portugal onde já disputou 150 jogos (recorde a nível nacional) e marcou 81 golos que o tornam no terceiro goleador a nível mundial em termos de selecções a apenas 3 golos do lendário Puskas (provavelmente vai alcança-lo e até ultrapassa-lo no mundial) e a 28 do recordista Ali Daei do Irão.
A verdade é que Ronaldo vai disputar o seu quarto mundial consecutivo depois de também já ter disputado os quatro últimos europeus o que é um feito extraordinário de que pouquissimos jogadores se poderão gabar a nível europeu e mundial.
E se olharmos para Portugal antes de Ronaldo e Portugal com Ronaldo que constatamos?
Antes de Ronaldo tínhamos disputado apenas três mundiais (1966-1986-2002) com grandes distâncias temporais entre eles.
Com Ronaldo vamos no quarto consecutivo.
Antes de Ronaldo tínhamos disputado três europeus (1984-1996-2000) e com ele já vamos nos quatro consecutivos.
Os números não mentem e dizem-nos do papel fundamental que o "capitão" da selecção tem vindo a desempenhar na equipa portuguesa desde que se estreou num jogo particular em Chaves, entrou a substituir Rui Costa, frente ao Cazaquistão.
Nunca entrarei por comparações impossíveis entre jogadores de épocas diferentes pelo que não vou dizer que Ronaldo é melhor do que foi Eusébio ou Eusébio foi melhor do que é Ronaldo.
Não seria justo porque quase cinquenta anos os separam.
Mas não cometerei nenhum injustiça se afirmar que Ronaldo é o jogador mais decisivo de sempre em termos de selecção de Portugal.
E espero que o Mundial da Rússia ainda acentue isso.
Depois Falamos.

sexta-feira, junho 08, 2018

Prontos

Portugal fez ontem um bom ensaio final antes da selecção embarcar para a Rússia.
A Argélia não é uma selecção de primeiro ou segundo nível mundial mas é uma boa equipa, com jogadores de muito boa qualidade (Mahrez, Slimani, Brahimi, Soudani, etc) , que constituiu um opositor que permitiu a Fernando Santos fazer alguns testes para desfazer as suas últimas duvidas quanto ao onze que de hoje a oito dias vai defrontar a Espanha.
Portugal fez uma excelente primeira parte atacando a toda a largura do terreno, criando várias oportunidades de golo, e pressionando alto a selecção argelina de uma forma tão acertada que ela se viu em grandes dificuldades para sair a jogar.
Gonçalo Guedes e Bruno Fernandes fizeram os golos (Ronaldo fez outro mas anulado por fora de jogo algo...rigoroso) e ao intervalo o resultado pecava por escasso face ao enorme domínio da selecção nacional.
Na segunda parte com as substituições naturalmente que o ritmo não foi o mesmo mas o domínio luso manteve-se e Rui Patrício apenas na fase final do jogo se viu obrigado a duas defesas mais apertadas quando os argelinos procuravam o chamado golo de honra.
Portugal fez mais um golo, excelente por sinal, através de Gonçalo Guedes e João Mário ainda faria outro (bem) anulado pelo VAR por falta de G.Guedes na construção do lance e que daria ao marcador uma face mais consentânea com o que se passou.
Em suma um bom jogo, uma boa exibição de Portugal, e a curiosidade que fica quanto ao onze titular no início do mundial que não deverá andar muito longe deste:
Rui Patrício, Cédric, Pepe, Fonte, Raphael Guerreiro,William Carvalho,João Moutinho, João Mário, Ronaldo, Gonçalo Guedes e Bernardo Silva.
As duvidas, do meu ponto de vista serão, neste momento, apenas duas:
João Mário ou Bruno Fernandes (que ontem fez um grande jogo) no meio campo e Gonçalo Guedes ou André Silva na posição mais avançada da equipa se Fernando Santos não sair do 4-3-3 que lhe tem sido habitual.
Isto se , face à fortíssima selecção espanhola, o seleccionador não resolver povoar mais o meio campo com prejuízo de um homem da frente na tentativa de roubar espaço para as temíveis trocas de bola em progressão da equipa adversária.
Sexta feira saberemos.
Depois Falamos.

terça-feira, junho 05, 2018

Incompreensível

Após tantos anos de vida política há fenómenos que continuo a ter muita dificuldade em compreender.
Um é o autismo e outro o cometer disparates sem qualquer necessidade.
A actual direcção do PSD foi eleita em Fevereiro no congresso,que se sucedeu à vitória de Rui Rio numas directas cujo resultado deixaram o partido dividido em duas partes, pelo que se esperava que a unidade interna que potenciasse um partido mais forte fosse a primeira das suas prioridades.
É verdade que no congresso ainda houve uns arremedos de unidade, quiçá para a comunicação social ver, mas depressa foram esquecidos com a nova direcção a fazer "orelhas moucas" aos que lhe lembravam que havia uns acordos para cumprir.
O inicio de mandato não tem sido feliz.
Foi o caso Barreiras Duarte, foram os casos (ainda não terminados) Elina Fraga e Salvador Malheiro, foi a forma pouco elegante como Hugo Soares foi afastado de líder parlamentar, foi a eleição trapalhona da nova direcção da bancada, são as evidentes falhas de comunicação entre o líder do partido e o líder parlamentar, foi a trapalhada em volta da votação da eutanásia entre outras trapalhadas de que a falta de uma oposição "a sério" não é certamente a menor delas.
Mas nem valeria a penas estar aqui a falar disso, até porque o masoquismo não faz parte da minha identidade enquanto militante, não fora mais uma trapalhada, e das grandes, em que a direcção do partido se meteu sem qualquer necessidade .
Refiro-me ao desaparecimento das setas que são,desde sempre o símbolo do PSD.
As setas que representam a liberdade, a igualdade e a solidariedade e que foram importadas da social democracia alemã, na qual constituiram marca distintiva na sua luta contra o nazismo, pelos fundadores do PSD que quiseram que elas fossem o símbolo da social democracia portuguesa!
As setas que desde 1974 , a par da cor laranja, sempre foram uma forte marca identitária do partido e figuram em todos os seus documentos, materiais de propaganda e outros espaços do partido.
Pois as setas desapareceram.
Desapareceram do site do partido, desapareceram da página oficial de facebook, desapareceram das novas fichas de inscrição de militantes.
É absurdo, é um disparate, é completamente incompreensível!
É fazer desaparecer uma componente fundamental da nossa identidade e uma agressão inqualificável à nossa memória enquanto partido.
Para além da sua reposição imediata a direcção do PSD deve aos militantes não só um pedido de desculpas como também uma explicação,por patética que seja, para semelhante disparate que nada justifica.
Assim não vamos lá!
Depois Falamos.

Eutanásia

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

Ciclicamente a sociedade portuguesa, e por tabela os partidos políticos que a representam em alguns orgãos de soberania, veem-se confrontados com questões a que se convencionou chamar fracturantes e que nela causam divisões profundas em termos de apoios e rejeições.
E Portugal, nessas matérias, é um país “engraçado” que tem tanta facilidade em despoletar as questões e ter para elas soluções constitucionais como a nada invejável capacidade de as decidir mal (ou nem sequer as decidir) deixando para as gerações vindouras soluções que cabem às geraºões presentes.
Na Constituição da República Portuguesa está, desde 1976,a regionalização.
Foi feita?
Bem se sabe que não.
Porque a essa disposição constitucional nunca correspondeu a vontade política necessária a levá-la à prática e quando os partidos foram pressionados pela opinião pública não arranjaram melhor solução do que convocarem um referendo que a veio a reprovar.
Um refendo que a Constituição não exigia mas que deu muito jeito porque alimentadas até ao limite, pelos seus adversários, as desconfianças populares quanto a intuitos e custos ainda se deu a trágica falta de jeito dos seus apoiantes que rapidamente se enredaram numa discussão em volta de mapas e consequentes baronias que desacreditou a reforma de uma vez por todas.
Com a despenalização do aborto, referendada na mesma época, o resultado foi exactamente o mesmo com o povo nas urnas a dizer não a algo a que dez anos depois viria a dizer sim embora, se bem me lembro, sem o referendo atingir uma participação que o tornasse vinculativo.
Pessoalmente sou a favor do referendo .
Seja quanto à regionalização, seja quanto à despenalização do aborto, seja quanto à eutanásia.
Porque entendo, ao contrário de alguns “elitistas”, que todas as matérias que tem a importância suficiente para merecerem ser referendadas o devem ser dado que os portugueses sabem bem o que querem e o que não querem e não há nada de mais legítimo que o voto popular,universal e secreto.
Vem isto a propósito da despenalização da eutanásia que o Parlamento , dentro da sua competência e legitimidade, chumbou na passada semana rejeitando todos os projectos lei que a propunham e que eram todos eles oriundo dos partidos de esquerda com excepção do PCP.
Tal como outras questões ditas “fracturantes” foi mais um processo conduzido aos pontapés pelo PS e pelo governo apenas e só para cumprirem uma qualquer clausula dos acordos com o Bloco de Esquerda que impunha que a eutanásia fosse despenalizada nesta legislatura.
Com os votos contra de PCP e CDS garantidos os proponentes dos projectos lei (PS, BE, Verdes e PAN) precisavam que a bancada do PSD lhes garantisse determinado número de votos para que a aprovação fosse um facto.
Tiveram azar.
Porque não só não atingiram esse número de votos como ainda houve dois deputados socialistas que se juntaram aos votos contra e ajudaram a inviabilizar a aprovação dos projecto lei.
Não tenho qualquer dúvida, até porque falei com alguns, que vários deputados do PSD favoráveis à despenalização da eutanásia votaram contra apenas como forma de rejeitarem a falta de ponderação e sensatez com que PS e BE trataram do assunto com a complacência do governo que nunca pensou que o “arranjinho” corresse mal.
Mas correu.
E por isso nas votações da passada semana quem sofreu pesada derrota foi o PS (e o governo) e não a despenalização da eutanásia que acabará por acontecer , desejavelmente na próxima legislatura, esperando-se apenas que no corolário de um processo bem conduzido e não fruto de um qualquer arranjo conjuntural.
Pessoalmente, já o afirmei várias vezes, sou convictamente favorável à despenalização da eutanásia.
Mas como em todos os processos que em que a Vida seja parte (como na despenalização do aborto por exemplo) defendo que as coisas devem ser feitas com calma, ponderação, sensatez e proporcionando às pessoas o máximo esclarecimento possível.
Sem pressas mas também sem adiar para as calendas gregas como a regionalização.
E por isso entendo que os deputados que votaram contra a despenalização deram aos partidos todos e à própria sociedade uma oportunidade de as coisas da próxima vez serem bem feitas ao contrário das precipitações que enfermaram o processo terminado na passada semana no Parlamento.
Faltam sensivelmente quinze meses para as eleições legislativas.
Há tempo e mais que tempo de lançar um debate nacional sobre a eutanásia, com sessões de esclarecimento, seminários, conferências e o que mais quiseram e acharem oportuno para que todos os portugueses possam ter acesso ao máximo de informação.
Há tempo para os próprios partidos definirem posições sobre o assunto, especialmente PSD e PS porque todos os outros já as definiram, e o incluírem se assim entenderem nos seus programas eleitorais.
Há tempo, finalmente, para depois de tudo isso se realizar um referendo nacional em que os portugueses livremente se pronunciem sobre a matéria.
Há tempo.
 Haja vontade...

P.S. Por mim defenderei sempre, e com toda a convicção, a despenalização da eutanásia.
Devidamente regulamentada, exigente nos requisitos para ser aplicada, sempre dependente da vontade expressa do doente que a ela se queira submeter.
Considero-a uma questão do foro individual de cada um sobre o qual apenas o próprio deve ter jurisdição.

Doha, Catar


Descolagem


Mabecos


segunda-feira, junho 04, 2018

Campeão? Duvido!

O meu artigo desta semana no zerozero.

Faltam dez curtos dias para começar na Rússia o maior evento desportivo a nível de todo o mundo e que apenas tem comparação, em termos de mediatismo e audiências, com os Jogos Olímpicos.
Refiro-me como está bom de ver ao campeonato mundial de futebol.
Conhecidos os participantes, feito o sorteio dos grupos, divulgadas as convocatórias das trinta e duas selecções apuradas é tempo agora de se realizarem os últimos jogos de preparação antes de a 14 de Junho as equipas de Rússia e Arábia Saudita darem o aguardado pontapé de saída da prova.
Naturalmente que antes de a bola rolar é também tempo de fazer previsões, avaliar hipóteses e dar palpites sobre quais são as selecções favoritas a levantarem o mais cobiçado troféu do mundo do futebol.
Para este Rússia 2018 é óbvio que não se foge a essa regra e desde os simples adeptos às casas de apostas todos procuram adivinhar, porque neste momento é disso que se trata, quem será a mais forte das selecções e portanto aquela que terminará a competição em primeiro lugar.
Noutra oportunidade, mais para a frente, também aqui deixarei a minha previsão mas por agora quero apenas falar da selecção portuguesa e daquelas que poderão ser as suas ambições neste mundial procurando nesta análise despir a camisola de adepto e acentuar tanto quanto possível o rigor analítico.
Primeiro dado, e absolutamente objectivo, é que Portugal chega à Rússia como campeão europeu em título o que lhe dá o direito de ser olhado como uma das mais fortes equipas presentes (o que é acentuado pelo quarto lugar no ranking da FIFA) e deixa alguma expectativa quanto à sua prestação.
Transforma-o isso num favorito à conquista do Mundial?
Não.
E num candidato?
Muito dificilmente.
A verdade, a minha verdade para ser claro, é que considero que Portugal não tem hoje uma selecção que lhe permita ombrear e vencer algumas das outras que ostentam,elas sim, o estatuto de favoritas quer pelo seu histórico quer, essencialmente, pelo valor dos seus jogadores.
Costuma-se dizer, com alguma razão, que o Mundial é o Europeu mais o Brasil e a Argentina em termos de grandes selecções do futebol mundial o que corresponde à verdade com a devida licença do Uruguai e dos seus dois já remotos títulos mundiais.
E se olharmos para esse panorama de grandes selecções vemos que existe de facto um grupo delas que está acima de Portugal em termos de valor absoluto e que é constituído pelas duas referidas equipas sul americanas mais os bem europeus Alemanha, Espanha e França que constituem do meu ponto de vista o quinteto de grandes favoritos a venceram a prova.
Depois...depois há outras equipas que num cenário favorável podem aliar o valor próprio aos caprichos de um sorteio “amigo” que lhes permita assumirem uma candidatura que à partida não seria considerada como provável.
E ,aí sim, podemos falar de selecções como Portugal, como Inglaterra, como  Bélgica ou até a Rússia que poderá beneficiar da tradicional “simpatia” dos poderes ocultos da FIFA pelas selecções organizadoras dos campeonatos.
Para se ganhar um Mundial é necessário um bloco de jogadores de alta qualidade, repartido por todos os sectores do terreno, a que depois a presença de (pelo menos)uma super estrela pode dar o toque de Midas necessário a conseguir fazer a diferença para os outros competidores.
Mas há casos em que o bloco de jogadores de alta qualidade, sem super estrelas, foi suficiente para vencer o título e bastará recordar os dois últimos mundiais para constatar que assim é quando grandes selecções de Espanha e Alemanha saíram vencedoras.
Mas dificilmente uma super estrela, por si só, pode transformar uma boa equipa num campeão mundial.
Sem recuar aos primórdios do futebol direi que ao longo dos vinte mundiais já disputados apenas em duas ocasiões a super estrela foi suficiente para levar ao colo uma boa equipa até á conquista do título superiorizando-se assim a adversários mais fortes enquanto colectivos.
Garrincha em 1962 no mundial do Chile e Maradona em 1986 no mundial do México!
Em 1962 um Brasil sem Pelé, que se lesionou no segundo jogo, e com boa parte dos campeões de 1958 já veteranos valeu-se do talento fenomenal de Mané Garrincha para ser campeão o mesmo acontecendo com a boa  (mas apenas isso) selecção argentina em que um Maradona no auge da carreira fez a diferença face à concorrência.
Mas também há muitos casos em que a super estrela, mesmo rodeada de boas equipas, não conseguiu vencer o Mundial.
Pelé e Eusébio em 1966, Cruijff em 1974, Zico em 1982, Maradona em 1990, Ronaldo em 1998, Cristiano Ronaldo e Leo Messi em 2010 e 2014 são alguns dos exemplos que ilustram essa impossibilidade-
E o “problema” de Portugal é precisamente esse.
Tem a super estrela, tem em seu torno uma equipa de boa qualidade, mas não me parece que seja o suficiente para ganhar o Mundial porque no actual “vinte e três” de Portugal são muito poucos os jogadores em que se “vê” um campeão mundial.
Para lá da super estrela, cinco vezes considerado o melhor do mundo e outras cinco o segundo melhor, veem-se poucos jogadores que possam formar a “guarda de honra” necessária a construir um candidato a vencer o Mundial.
Pepe e Quaresma são os mais categorizados e “cabem” num campeão do mundo mas são jogadores trintões que com o avançar da prova terão cada vez maior dificuldade em recuperarem fisicamente.
Rui Patrício também (veremos como chega ao Mundial com todos os problemas que tem em Alvalade) e Bernardo Silva poderá aproveitar este Mundial para se afirmar definitivamente no primeiro plano do futebol mundial tal como Raphael Guerreiro se ultrapassar a falta de jogos com que chega à Rússia.
Depois há os prometedores Gelson e Gonçalo Guedes, o valor seguro de João Mário, Moutinho, William, Adrien,Fonte , Cédric e Manuel Fernandes os emergentes Ricardo Pereira , André Silva e Bruno Fernandes, os estreantes Mário Rui e Rúben Fernandes, o veteranissimo Bruno Alves e os guarda redes Anthony Lopes e Beto que completam a selecção.
Uma boa equipa mas “curta” para campeão do mundo.
Se por qualquer arte mágica neste lote se pudessem integrar alguns dos melhores do Euro 2004 ( Figo, Rui Costa, Ricardo Carvalho, Deco, Pauleta, Maniche, Jorge Andrade, Costinha)com a idade que tinham nessa altura então não teria duvidas em afirmar que Portugal era não só candidato mas também um dos maiores favoritos.
Infelizmente não é possível.
E por isso, tal como em França, há que ir jogo a jogo para ver até onde é possível chegar.
Sendo certo que ultrapassar a fase de grupos é obrigatório e depois vai depender de quem nos for saindo em sorte sendo certo que nos oitavos de final teremos pela frente o Uruguai ou a Rússia salvo se o “faraó” Salah conseguir o milagre de classificar o Egipto num dos dois primeiros lugares do grupo A.
Ultrapassada essa fase, que creio estar ao nosso alcance pese embora o “perigo” russo (pelas razões atrás citadas), nos quartos de final teremos muito provavelmente o encontro com França ou Argentina , se a lógica não for neste caso uma batata, e aí saberemos de facto o que podemos ambicionar.
Mas uma coisa de cada vez.
E não sendo, do meu ponto de vista,  favorito e dificilmente candidato Portugal será certamente uma selecção ambiciosa e crente nas suas possibilidades tal como aconteceu no último Europeu.
E, quem sabe, isso pode ser meio caminho andado para uma boa surpresa.