terça-feira, setembro 18, 2018

Gil Mesquita

Não posso dizer que tenha conhecido muito bem Gil Mesquita Viera de Andrade.
Conhecia-o antes de o conhecer (pessoalmente) nos tempos em que dirigiu o departamento de futebol sob a presidência de Fernando Roriz nomeadamente naquela inesquecível época em que ficamos a três pontos de sermos campeões nacionais.
Depois lembro-me dos quatro anos em que ocupou a presidência do clube (1976-1980) ,e que antecederam o longo consulado de António Pimenta Machado, nos quais o Vitória começou a dar os primeiros passos para o seu crescimento patrimonial com a aquisição dos terrenos da Unidade que estariam na origem do magnifico complexo desportivo que aí seria erigido.
Em termos desportivos não foram anos de particulares alegrias com o Vitória a classificar-se por três vezes em sexto lugar e uma em nono mas foi tempo de o seu presidente ganhar o respeito dos seus congéneres e afirmar uma imagem de cavalheirismo que foi desde sempre a sua imagem de marca.
Posteriormente estaria cerca de uma década a dirigir a Associação de Futebol de Braga na qual teve papel relevante em vários momentos de que me permito citar dois em que o Vitória esteve directamente envolvido.
Um na "conquista" para Guimarães de uma das sedes do Mundial de sub-20 de 1991 que valeram ao clube investimentos importantes para a remodelação do estádio e o outro no famigerado " Caso NDinga" em que a sua acção foi determinante para o assunto ter terminado sem graves problemas para o Vitória.
Viria posteriormente a sair da AFB profundamente magoado com o então presidente do Vitória, que considerava não ter apoiado a sua continuidade, e nunca mais voltou ao dirigismo desportivo fruto dessa mágoa que o terá acompanhado ao longo de todos estes anos.
Tive oportunidade de o conhecer melhor, para lá dos cumprimentos de ocasião, quando em 1997 presidi à comissão que organizou as comemorações dos 75 anos do Vitória.
Tive então oportunidade de convidar pessoalmente todos os  ex presidentes para participarem nos actos comemorativos e recordo-me de duas longas conversas que com ele mantive no seu escritório para esse fim.
Confirmei que era um cavalheiro, um enorme vitoriano, mas também que essa mágoa o mantinha afastado do clube enquanto ele fosse presidido por Pimenta Machado.
Mesmo assim compareceu num ou dois eventos o que me aprouve registar com muito agrado.
Foi um homem bom que serviu o Vitória e o futebol de forma competente e desinteressada e que por isso merece a gratidão de todos quantos gostam do clube e da modalidade.
Depois Falamos.

sexta-feira, setembro 14, 2018

Quatro Pontos

O meu artigo desta semana no zerozero.

Passado o período estival e feito um compasso de espera a ver no que paravam as modas da nova época desportiva, e especialmente no que ao futebol concerne, é tempo de voltar às crónicas que muito tempo atrás o Luís Paulo Rodrigues me deu a honra de convidar a fazer para o zerozero.
E por isso hoje abordarei quatro temas diferentes e de plena actualidade.
O primeiro tem a ver com aquilo a que se pode chamar “época nova e pecados velhos”.
Refiro-me naturalmente ao futebol que em toda a Europa, sem qualquer dúvida e de bem longe, mais polémicas envolve ao ponto de elas serem quase uma obrigatoriedade (fomentada ,é certo, por alguns jornais e televisões porque polémicas....vendem) sem a qual o nosso futebol não seria o que é!
Ao fim da primeira jornada já se discutiam árbitros e arbitragens, nomeações e erros do VAR, sempre com os clubes do costume,especialmente Benfica e Porto porque o Sporting andava entretido com os seus próprios problemas, a contribuírem para o desprestigio e descredibilização de um futebol que já anda muito por baixo nessas matérias.
É absolutamente impressionante como os dirigentes desses clubes não percebem o mal que andam a fazer ao nosso futebol com essas polémicas, essa conflitualidade permanente, essa constante troca de acusações que apenas os colocam num ridículo de que infelizmente nem se apercebem.
O segundo tem muito a ver com o primeiro e versa a questão das polémicas em volta dos famigerados e-mails divulgados pelo Porto e pertencentes ao Benfica.
É uma questão que seria simples noutro país mas ameaça arrastar-se sem fim à vista no país das polémicas ao sabor de investigações que parecem não ter fim e de um empurrar de culpas entre as partes envolvidas.
A questão é simples.
Houve um hacker que roubou ao Benfica correio privado?
Puna-se conforme as leis.
Houve quem pagasse ao ladrão para obter os documentos?
Puna-se conforme as leis.
Esses mails revelam a prática de crimes diversos pelo seu proprietário?
Puna-se conforme as leis e neste caso também as leis desportivas.
Não vejo onde está a dificuldade!
O terceiro ponto tem a ver com a selecção nacional que depois de um Mundial algo amargo, e em que ficou a sensação de que podíamos ter ido bem mais longe, regressou à competição participando na novel Liga das Nações que é uma invenção da UEFA para as federações (e ela própria naturalmente) ganharem mais dinheiro à custa dos clubes que são quem paga aos jogadores e que os veem sujeitos a um desgaste cada vez maior época após época.
Com Ronaldo de férias em termos de selecção foi oportunidade de Fernando Santos convocar muita gente nova para os jogos com a Croácia e com a Itália, o primeiro particular e o segundo oficial, devendo dizer-se que a resposta dos convocados foi positiva porque depois de um jogo “entretido” (como diria o grande Quinito) com a Croácia fizeram uma boa exibição face aos italianos conquistando justa vitória e deixando no ar a estranha impressão de que Portugal é mais forte com Ronaldo mas joga melhor sem ele!
Os próximos jogos, se Ronaldo continuar de “licença sabática”, confirmarão essa impressão ou não.
Ainda em relação à selecção de salientar a par das justas chamadas de Cláudio Ramos, Rony Lopes, Bruma e Pizzi a facilidade com que jogadores do Benfica vão à selecção depois de três ou quatro bons jogos pelo clube como foi o caso de Gedson Fernandes.
Recordo-me que em tempos no último ano de André André no Vitória, antes de se transferir para o Porto, estava ele a fazer uma época extraordinária onde já levava uma dúzia de golos marcados mais algumas assistências perguntaram a Fernando Santos porque razão nem para um jogo particular era convocado.
A resposta é para mim inesquecível e o angustiado “ E quem tiro?”  diz tudo sobre quem de facto tem influência nos bastidores.
Resta dizer que no final dessa época André foi transferido para o Porto e de imediato convocado para um jogo particular da selecção e que o seleccionador nunca teve essas angústias quanto ao referido Gedson e a outros jogadores como Renato Sanches que à sete meses não fazia um jogo oficial mas foi chamado.
O quarto ponto tem a ver com as curiosas escolhas de UEFA e FIFA quanto a melhores jogadores.
No Mundial a FIFA escolheu Modric como melhor jogador o que não sendo injusto porque de facto fez uma boa prova foi escolha que podia ter recaído sem qualquer problema em mais três ou quatro jogadores no minímo.
Agora foi a UEFA a considerar o mesmo Modric como melhor jogador da Europa na última época o que não pode deixar de ser considerado como uma decisão bizarra , pese embora a aparente democraticidade do colégio eleitoral,porque tendo o croata feito uma boa época houve quem tivesse feito bem melhor nomeadamente no próprio Real Madrid.
Com Cristiano Ronaldo à cabeça.
A dias de sabermos quem a FIFA vai considerar o melhor do mundo ( e depois mais para diante veremos quem será o “Bola de Ouro”)resta a curiosidade de ver se a “moda” Modric se mantém ou se de facto a escolha vai premiar quem foi mesmo o melhor do mundo em 2017/2018.
Porque se a escolha voltar a ser Modric teremos de nos lembrar irresistivelmente daquilo a que os espanhóis chamam a “mão negra” e que é a explicação para fenómenos aparentemente inexplicáveis e de que se suspeita que tenham sido manipulados de forma oculta.
Só que neste caso Modric parece,cada vez mais, que a mão não é negra mas sim...”blanca”.

Historinha

Há muitos anos o "meu" clube teve um presidente carismático e que obtendo triunfos diversos se manteve durante muito tempo na liderança.
 Mas um dia, cansado e desiludido, resolveu ir embora. 
Aí os "barões", que no futebol também os há, resolveram ir buscar o presidente de outro clube, muito mais pequeno e que lutava por objectivos bem diferentes, com o argumento que era muito sério, muito rigoroso, muito bom gestor, muito corajoso e senhor de sólidos principios.
 Foi recebido como o "salvador" da Pátria e ganhou as eleições por margem tranquila reunindo todas as condições para ser o presidente que ia unir o clube e ganhar muita coisa. 
Nem começou mal mas rapidamente as coisas descambaram porque sendo associado não era um homem frequentador do clube , conhecendo mal a sua História e tendo grande dificuldade em perceber os associados pelo que rapidamente passou a uma certa forma de autismo não ouvindo ninguém, decidindo conforme lhe dava na cabeça e ignorando as opiniões de alguns colegas de direcção que bem o avisavam que ia por mau caminho.
 O resultado foi que o meu clube dirigido pelo homem muito sério, muito rigoroso,muito bom gestor, muito corajoso e senhor de sólidos princípios desceu de divisão perante a estupefacção e desgosto dos associados e adeptos a quem nem no pior dos pesadelos essa possibilidade tinha passado pela cabeça.
Claro que o "homem providencial" foi embora, perante as vaias de quem antes o aplaudira, deixando o clube numa situação dificilima perdido nas profundezas da segunda divisão.
 Felizmente foi possível salvá-lo mas há histórias felizes que não se repetem. 
E este último parágrafo nada tem a ver com o Vitória.
Depois Falamos

quarta-feira, setembro 12, 2018

Sugestão de Leitura

É um livro cuja chegada ao mercado aguardava com grande curiosidade dadas todas as peripécias que envolveram a exoneração do autor como director do FBI em mais uma das "Trumpalhadas" com que o presidente americano nos brinda quase diariamente.
E não desiludiu a expectativa.
Escrito num registo auto biográfico o autor ao mesmo tempo em que vai narrando a sua vida e os diversos cargos que desempenhou transmite também a sua visão sobre Valores essenciais como a Justiça, a liderança ética e a equidade.
Narrando vários episódios sobejamente conhecidos como a investigação aos e-mail de Hillary Clinton, o caso "Whitewater", ou o 11 de Setembro em que esteve directamente envolvido nas investigações.
Fica também o testemunho sobre os três presidentes com que trabalhou (George W. Bush, Barak Obama e Donald Trump) no qual deixa transparecer a sua admiração pelas qualidades humanas e de liderança de Obama a par do respeito por Bush e de um completo desprezo por Trump.
E são precisamente sobre Trump e a sua administração que se centram os três últimos capítulos do livro transmitindo um visão aterradora sobre as pessoas a quem hoje está entregue a Casa Branca e a liderança da maior potência mundial.
Aterradora mesmo.
Um livro a não perder por quem se interessa por questões de política mundial que acabam por ter reflexo na vida de todos nós.
E um aguçar da curiosidade sobre o livro de Bob Woodward, "Medo", ontem publicado nos Estados Unidos e que um destes dias chegará a Portugal.
Depois Falamos.

terça-feira, setembro 11, 2018

O Ponto 3

Foto: O Lado V

Nas linhas que se seguem procurarei explicitar o meu pensamento sobre o já célebre ponto 3 da última assembleia geral do Vitória na linha do que ponderei dizer na própria reunião magna mas que acabei por não fazer dado o ponto ter sido retirado.
A realidade dos factos é conhecida de todos.
O Vitória tem 40% das acções de uma SAD que gere o seu futebol profissional sendo os restantes 60% detidos por um accionista maioritário,Mário Ferreira (MF) que detém cerca de 55% das acções estando os restantes 5% espalhados por pequenos accionistas a maioria dos quais detendo o mínimo de 50 acções que lhes permite terem assento na AG da SAD.
Tem também o Vitória cerca de dezena e meia de direitos de veto,consagrados no pacto social estabelecido com a SAD, que lhe garantem a presidência da SAD e a impossibilidade de mudança de nome ,símbolo, sede social, aumento ou redução de capital social, nomeação de administradores pelos accionistas ,entre outros, sem a sua aprovação
Há porém um direito de veto que o clube não tem.
Que é o de poder impedir o accionista maioritário, MF, ou qualquer outro accionista de vender as suas acções quando quiser, a quem quiser e pelo preço que quiser!
Terá, quando muito, o direito de preferência sobre essas acções mas é evidente que não tem dinheiro para o exercer pelo que nem vale a pena perder tempo com isso.
O que significa que no caso de MF, porque é esse o que tem significado, o accionista pode vender as suas acções a quem muito bem lhe apetecer seja ao BMG, à BMW, ao BIC, ou a qualquer outra empresa ou investidor individual.
Basta que lhe paguem o preço que ele entender como justo.
O que significa que se aparecer um investidor que lhe ofereça,por exemplo, 10 ou 12 milhões de euros (dobrando várias vezes o seu investimento no clube), é natural e compreensível que ele aceite a oferta.
Tal como é natural e compreensível que quem vier investir na SAD vitoriana queira controlar e acompanhar de perto os seus investimentos através da nomeação de administradores próprios como acontece, aliás, em qualquer outro negócio.
Com o direito de veto à nomeação de administradores pelos accionistas, que deixa à boa vontade do Vitória a aceitação de administradores nomeados por quem investe, é perfeitamente natural que quem vai entrar com o seu dinheiro num negócio sinta receio de não o poder controlar o que torna um investimento apetecível num investimento de risco evidente.
Porque corriam o risco de investirem tendo o clube uma direcção com a qual podiam ter um bom relacionamento, e que não colocaria problemas à nomeação de administradores, mas corriam o perigo de uma mudança directiva (e os sinais de desunião interna não são bons indicadores) levar a que outra direcção vetasse alguns administradores em funções e deixasse o investidor sem controle sobre o seu próprio dinheiro depois de já ter investido uns bons milhões de euros na SAD.
É evidente que quer para clube quer para o investidor seria péssimo existir um conflito desse género, que poderia levar à paralisação da SAD, mas é cada vez mais comum o improvável suceder e quem investe não gosta de riscos desses.
Leva-nos este raciocínio a quê?
Em minha opinião os direitos de veto ao dispor do clube não são todos de igual importância.
Inegociáveis são os que se referem ao nome, símbolo, sede em Guimarães e aumentos e reduções de capital social por exemplo.
Como é inegociável o clube manter 40% na SAD , o direito de nomear o seu Presidente e os poderes especiais deste no que que refere à vinculação da SAD.
Não considero o direito de veto à nomeação de administradores pelos accionistas um veto essencial.
Considero que em determinadas condições o clube pode prescindir dele em troco de lhe serem facultadas condições substanciais para poder disputar o acesso a outros patamares desportivos reforçando o seu estatuto de clube europeu, aproximando-se dos que vão à nossa frente e evitando aproximações perigosas dos que vem atrás ou, até, muito atrás.
Claro que essa perda de direitos, porque é disso que se trata não fujamos à questão, só é admissível num cenário de ser possível encontrar um investidor credível, com enorme capacidade financeira e que contratualize com a SAD as condições de investimento nelas salvaguardando claramente SAD e clube.
Se isso for possível  acho que vale a pena perder um veto que não é essencial em troca de um investimento que será vital para podermos ambicionar mais alto.
É  a minha opinião.
Depois Falamos.

O Plantel

Alguns dias depois do fecho do mercado aqui deixo o prometido comentário ao plantel do Vitória, equipa A, bem como às ambições que ele permite ter no campeonato nacional já em curso.
Começando pela baliza creio que estamos bem servidos de guarda redes com o trio Douglas, Miguel Silva e Miguel Oliveira a dar todas as garantias e a permitir a Luís Castro absoluta tranquilidade quanto ao sector.
Na lateral direita temos Sacko,Dôdô e Vítor Garcia e a quantidade neste caso não dá totais garantias de qualidade porque me parece que nenhum deles é um defesa direito "completo" na dupla vertente defesa-ataque. Sacko e Dôdô (19 anos) podem lá chegar mas já quanto a Vítor Garcia tenho dúvidas que se afirme no clube.
Na lateral esquerda Rafa Soares e Florent,duas contratações desta época, preenchem bem o lugar com Florent a afirmar-se mais rapidamente que o companheiro.
No centro da defesa temos quatro centrais; Pedro Henrique, João Afonso, Frederico Venâncio e Osório que devem chegar para as "encomendas". Há ainda na equipa B e nos sub 23 jovens talentosos com Romain Correia à cabeça para uma emergência.
Não será pela defesa,penso, que a equipa comprometerá os seus objectivos.
No meio campo há fartura de jogadores.
Wakaso, Célis, Tozé, Joseph, André André, João Carlos Teixeira, Francisco Ramos,Pêpê e Matheus Oliveira.
Todas as posições da intermediária se encontram bem preenchidas e pode considerar-se que temos muitas (talvez demais) e boas soluções ao dispor do técnico. 
No ataque é que pode estar o nosso calcanhar de Aquiles.
Porque tendo muitos jogadores (Whelton, Tallo, Guedes, Estupinan, Ola John, Tyler Boyd, Davidson, Rincon e Helder Ferreira) o que constatamos?
Muitos extremos como  Davidson,John, Boyd, Rincon, Helder e Guedes e três pontas de lança como Whelton, Estupinan e Sacko mas a carência de um homem golo experiente que na área dê sequência ao volume de jogo ofensivo que a equipa pode proporcionar.
Whelton faz golos mas não é um clássico ponta de lança, Tallo abre espaços e segura a bola mas faz poucos golos e Estupinan,para mim o melhor dos três enquanto homem de área "puro", precisa de ganhar a confiança do treinador o que até agora parece não ter conseguido.
Havia aqui, claramente, espaço à contratação de mais um jogador (Kléber ou outro idêntico) mas não terá sido possível até ao fecho do mercado por razões que naturalmente não conheço.
Em suma um plantel extenso (nove defesas,nove médios, nove avançados) ao qual se poderiam ter subtraído Vítor Garcia, Francisco Ramos e Rincon (por empréstimo ou cedência) com vantagem para todos, mas não terão aparecido interessados ou aparecendo não foi em condições aceitáveis,  e acrescentado o tal ponta de lança.
Creio ser um bom plantel, que nos permitirá disputar um lugar europeu (via Liga ou Taça de Portugal) , mas que se em Janeiro estiverem reunidas condições para isso pode e deve ser retocado com jogadores que reforcem as nossas ambições europeias.
Importa é fazer uma primeira volta da Liga de bom nível, sem deitar fora pontos de ganhar, para em Janeiro ainda estarmos em posição de disputar os tais lugares europeus e de preferência o quarto lugar.
Depois Falamos

Avião e Gelo


Meteora, Grécia


Mergulho do Pinguim


domingo, setembro 09, 2018

Estranha Assembleia

Já vou a assembleias gerais do Vitória há muitos anos.
Tantos que ainda fui a uma ou outra no salão nobre da sede quando esta ainda ficava na rua de D.João I e tinham a participação de poucas dezenas de associados.
Assisti de lá para cá a muitas e muitas Assembleias.
Realizadas no ginásio do estádio, nas bancadas, no relvado, na Sociedade Martins Sarmento, no pavilhão da escola João de Meira, no Teatro Jordão, no Patronato da Oliveira e se calhar em mais um ou outro local.
 Desde o início do presente século passaram a realizar-se, e muito bem, no pavilhão do Vitória onde também assisti a muitas que foram do mais tranquilas que se possa imaginar a tumultuosas e polémicas ao sabor dos tempos e circunstâncias em que se realizaram.
Mas não me recordo de nenhuma tão estranha como a de ontem!
Não comentarei, aqui, os pontos 3 e 4 porque não chegaram a ser debatidos mas cingir-me-ei ao estranho ponto 2 que foi debatido acesamente durante três horas.
Era um ponto simples no qual a direcção pretendia adicionar aos estatutos, através da introdução de uma alínea "M" no artigo 27, o direito de a Assembleia Geral do clube se pronunciar sobre alterações aos pactos sociais das SAD de que o clube faz (ou venha a fazer) parte.
Em suma um aumento do poder fiscalizador da Assembleia Geral do clube sobre a SAD aumentando o poder aos associados.
Discutiu-se esta simples questão durante três horas!!!
Por um lado devido à permissividade da Mesa da AG que permitiu a alguns associados, incluindo o advogado do clube ao prestar explicações, que na discussão do ponto 2 gastassem largos minutos a falar do ponto 3 num claro desrespeito pela Ordem de Trabalhos.
Mas também porque alguns associados, no seu pleno direito e sem que daí viesse qualquer mal ao mundo e ao clube, propuseram que o "pronunciar" fosse substituído pelo "deliberar" querendo dar força obrigatória aquilo que fosse decidido em Assembleia Geral.
Devo dizer, num aparte, que de todos os presidentes que conheci desde o "meu" presidente Antero Henriques da Silva Júnior ao actual presidente Júlio Mendes não me parece que houvesse um único que depois de ouvir a opinião dos sócios em AG fosse para a SAD defender o contrário do que tinha ouvido porque teria "vida curta" á frente do clube se o fizesse.
Adiante...
Ao fim de três horas de debate aceso, e nalguns casos com bastante poder argumentativo, a direcção aceitou com naturalidade a troca do "pronunciar" pelo "deliberar" e passou-se à votação sabendo os associados (e o presidente da Mesa reiterou-o de forma clara) que eram necessários 75% dos votos para o ponto poder ser aprovado dado tratar-se de uma alteração estatutária.
Resultado?
348 votos a favor, 254 contra, 3 brancos e 1 nulo!
A maioria votou a favor mas longe de alcançar os 75% pelo que o ponto foi chumbado!
Ou seja os associados rejeitaram dar mais poder à Assembleia Geral do clube na fiscalização da SAD depois de durante três horas ter sido constantemente referido(e com fortes aplausos) que era fundamental dar mais poder aos sócios.
Vá-se lá perceber...
E por isso considero esta Assembleia como a mais estranha a que me lembro de ter assistido.
Depois Falamos.

sexta-feira, setembro 07, 2018

Veleiro


Alce


Acrópole, Atenas


Bimec

Meia dúzia de linhas sobre o meu tempo de tropa.
Depois de quatro meses e meio em Mafra,onde fiz recruta e especialidade (armas pesadas-morteiros), acabei colocado no campo militar de Santa Margarida no então denominado Batalhão de Infantaria Mecanizado (Bimec) onde estive cerca de um ano porque nesse tempo,1981/1982, o serviço militar obrigatório durava dezasseis meses e mais uns "trocos".
Para os que conhecem Santa Margarida não será novidade dizer que fica longe de tudo e que a melhor ligação é o comboio da linha da Beira Baixa que para num apeadeiro na base da colina onde fica o campo militar ou então a opção estrada hoje muito mais facilitada com a A-23 que passa relativamente perto.
Ainda assim devo dizer que gostei, tanto quanto se pode gostar de algo que se faz por obrigação, do tempo que lá passei porque fiz amigos, tive experiência de vida que não esqueço e as condições de alojamento e alimentação eram bastante razoáveis em função do que se via noutros quartéis.
A verdade é que tendo saído de Santa Margarida em Agosto de 1982 nunca mais lá voltei até esta semana.
No tempo em que integrava a Comissão de Defesa do Parlamento chegou a estar programada uma visita ao campo mas depois,por razões que já não recordo, acabou por ser cancelada com grande pena minha que bem gostava de lá voltar.
Esta semana, por mero acaso e à boleia de um jantar em casa de amigos que moram a 500 metros do campo militar, tive oportunidade de voltar a Santa Margarida por alguns minutos.
Voltei a cruzar os portões, a percorrer a longa avenida até à igreja, a ver (por fora) as unidades militares, as agências bancárias, o cine teatro, o posto de combustíveis , a farmácia, o centro de saúde e a estação dos CTT.
E,é claro, a espreitar o "meu" Bimec.
A parada, os aquartelamentos,o parque de viaturas blindadas.
Curiosamente decorridos trinta e seis anos não encontrei grandes diferenças com duas excepções:
Muito menos militares (nem sentinelas tem nas portas de armas dos quartéis) e as estradas interiores em bastante pior estado por clara falta de manutenção.
Foi um reencontro com a minha história militar.
Espero um dia lá voltar e visitar com outro detalhe o "meu" Bimec porque ficaram coisas por ver e revisitar.
Mesmo assim foi um momento para mais tarde recordar.
Depois Falamos.

sábado, setembro 01, 2018

Dez Conclusões

Dez conclusões sobre o Vitória-Tondela.

1) "Escaldado" pelo jogo da taça da Liga , e pela derrota que nos afastou da prova, Luís Castro não arriscou minimamente e fez alinhar o mesmo onze do "Dragão" apenas com a troca do engripado André André por Tozé povoando o meio campo e com poucas unidades no ataque.
2) Como não há dois jogos iguais, e muito menos adversários de valia igual, rapidamente se percebeu que havia excesso de jogadores na intermediária e as duas unidades ofensivas muito isoladas o que originou um futebol pouco ligado, pouco envolvente e incapaz de criar lances de perigo.
3) A equipa mostrou-se precipitada, nervosa até, com os jogadores a falharem passes simples e a mostrarem dificuldade em engendrar jogadas de ataque com principio,meio e fim. Wakaso esteve muito bem a defender, e a marcar o unico golo em jogada de laboratório, enquanto Tozé foi o melhor da linha média com Joseph e Teixeira a assinarem exibições discretas que lhes valeram substituições algo tardias.
4) Uma equipa constrói-se de trás para a frente e nesse capitulo as notícias são boas. Pedro Henrique e João Afonso mostraram-se coesos, Sacko e Florent defenderam bem e Douglas quando foi preciso resolveu de forma competente. Pela defesa pode Luís Castro dormir tranquilo.
5)A atacar é que estamos muito mal. Whelton lutou imenso mas foi sempre um homem só enquanto Davidson esteve mais que discreto e com tendência para cair no centro o que significou que durante muito tempo jogamos sem extremos e nem sequer pelos flancos porque os laterais subiram pouco.
Boyd e John corrigiram essa lacuna mas tiveram pouco jogo e John no que teve mostrou-se trapalhão.
6) E isso leva-nos ao assunto dos reforço que não vieram. Nomeadamente o ponta de lança que era uma prioridade absoluta mas que pelos vistos não foi possível resolver em tempo útil. E essa lacuna pode comprometer os objectivos de toda uma época porque sem golos não há apuramentos europeus.
Para já em cinco jogos oficiais os pontas de lança não marcaram um único golo.
7) Achei interessante ver o Tondela a jogar fora com o seu equipamento principal. Pelos vistos a Liga só usa a regra do segundo equipamento para jogos fora com quem lhe apetece. Recordo que o mesmo já tinha acontecido com o Feirense.
8) Mais de 20.000 vitorianos nas bancadas deram à equipa um apoio impressionante. Não foi novidade mas é bom registar que em termos de apoio a equipa não se pode queixar. Corresponda ela exibicionalmente ao apoio que recebe.
9) Pela primeira vez , tanto quanto me lembro, houve nos nossos jogos uma intervenção do VAR a salvaguardar a verdade desportiva e a impedir que o Vitória fosse grosseiramente prejudicado. Caso para dizer...até que enfim.
10) Nuno Almeida é um "padre" de outras "missas" que anda a mais no futebol. Num jogo facílimo de arbitrar conseguiu complicar o que era simples. No lance mais polémico valeu-lhe o VAR para evitar grossa asneira. Quando deixar a arbitragem não deixará qualquer saudade. Pelo menos do Tejo para cima e do Tejo para baixo.
Depois Falamos

P.S Na cabine de som há quem confunda bancadas de um estádio com pistas de dança de discoteca. Problema velho e que ninguém resolve. E que implica que antes dos jogos e no intervalo dos mesmos até  conversar com quem está ao lado se torna difícil tal o volume do som. Uma enorme falta de respeito pelos sócios em suma.

sexta-feira, agosto 31, 2018

Farol de S.Vicente


Lago, Canadá


Javalis


Previsões

Sorteados os grupos da Liga dos Campeões, com todo o entusiasmo e expectativa que a maior prova de clubes do mundo do futebol sempre suscita, é tempo de aqui deixar as habituais previsões sobre que clubes se poderão apurar em cada um dos grupos.
No grupo A, com o acréscimo de interesse provocado pelo facto de a final deste ano se jogar no estádio "Wanda Metropolitano" que é a nova casa do... Atlético de Madrid, creio que para além dos "colchoneros" se apurará o Borússia de Dortmund porque o Mónaco tem vendido muito e bom e comprado abaixo disso e o Brugges não tem andança para os favoritos do grupo. Aliás o Atlético de Madrid é favorito no grupo e um dos favoritos na prova.
O grupo B junta três campeões europeus e uma das melhores equipas inglesas dos últimos anos e será, seguramente, um dos grupos que oferecerá mais incerteza a par de melhores espectáculos nos relvados.
O Barcelona é favorito, no grupo e na prova, e creio que entre um Tottenham a crescer e um Inter algo longe do seu melhor se decidirá o segundo classificado. Mas o PSV pode surpreender.
O grupo C é idêntico.
O Estrela Vermelha dificilmente fugirá do ultimo lugar mas PSG,Liverpool e Nápoles vão disputar ao milímetro o apuramento. Acredito que PSG e Liverpool o conseguirão mas se for o Nápoles em vez de um deles não será nenhuma surpresa.
O grupo D, onde está o Porto, é um grupo muito aberto. Tem o cabeça de série que todos queriam,o que não significa que não seja uma equipa forte, mas todas as quatro equipas são relativamente equilibradas e a forma como decorrerem os primeiros jogos pode ser decisiva.
Pessoalmente acho que se vão apurar Porto e Galatasaray mas...
No grupo E estão também três campeões europeus mas o favoritismo é claramente do Bayern com Benfica e AEK a disputarem o outro lugar porque não creio que o Ajax tenha hoje argumentos para entrar nessa luta.
Bayern e Benfica são os meus favoritos.
No grupo F o Manchester City é  favoritissimo e depois Shaktiar e Lyon disputarão a outra vaga com o Hoffenheim a poder surpreender embora isso não seja muito previsível.
No grupo G, e não fora a UEFA uma entidade tão séria quanto se sabe e até se poderia pensar num fenómeno de "bolas quentes", o Real Madrid é o cabeça de série com grupo mais fácil e deverá ser acompanhado no apuramento pela Roma com os outros dois a fazerem quase figura de corpo presente tal a desproporção de forças.
Finalmente no grupo H a promessa de uma disputa interessantíssima entre Juventus, Manchester United e Valência, com favoritismo para os dois primeiros restando aos suíços do Young Boys o prazer de defrontarem grandes equipas e arrecadarem exceletes receitas de bilheteira.
Atlético de Madrid, Borussia Dortmund, Barcelona, Tottenham, PSG, Liverpool, Porto, Galatasaray, Bayern, Benfica, Manchester City, Shaktiar, Real Madrid, Roma, Juventus e Manchester United são as minhas apostas para a fase seguinte.
Lá para o final do ano saberemos até onde acertei nestes vaticínios.
Depois Falamos.

quinta-feira, agosto 30, 2018

Pioraram

Não sou, seguramente, um esquerdista daqueles que entendem que todos os serviços se devem manter na esfera do Estado que a tudo deve superintender e tudo deve controlar para assegurar o seu regular funcionamento.
Mas também não sou um encarniçado liberam daqueles que tem como "Bíblia" a supremacia do privado sobre o público e que entendem a privatização como a mezinha capaz de solucionar todos os problemas e assegurar um funcionamento sem falhas de tudo quanto é serviço.
Sou social democrata.
E por isso defendo a coexistência do público com o privado defendendo que há matérias e serviços que é importante manterem-se nas mãos do Estado enquanto outros certamente estarão melhor na mão dos privados.
Entendo,por exemplo, e ao arrepio do que o meu partido defendeu nos últimos anos que a água não deve ser privatizada porque, entre outras razões, é essencial e insubstituível não devendo ficar à mercê de qualquer tipo de especulação ou coisa pior.
Como entendo que o SNS deve continuar público,embora em cooperação com o sector privado, porque a Saúde é um direito que constitucionalmente cabe ao Estado assegurar e assim deve continuar a ser.
O mesmo se aplica à CP, onde a gestão publica tem cometido erros terríveis (especialmente no encerramento de linhas e na degradação do material circulante) , mas onde os privados nada trariam de bom porque governariam a empresa sobre critérios economicistas que iriam lesar ainda mais os interesses das populações que não fossem abrangidas por duas ou três linhas de grande utilização e portanto rentáveis.
Penso isto há muito tempo.
E a minha convicção nestas matérias, nomeadamente de que o Estado não deve abrir mão de alguns serviços, reforçou-se depois da privatização dos CTT.
Não só porque andam a fechar postos pelo país,que tanta falta fazem às populações, como também porque a própria qualidade do serviço piorou quer no atendimento nos seus balcões quer na distribuição da correspondência que tem hoje atrasos superiores aos que tinha há quarenta anos ou mais.
É um caso claro de como uma privatização redundou em prejuízos para os utentes.
Que,ao menos, sirva de exemplo para evitar mais disparates.
Depois Falamos.

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Foto: National Geographic

quarta-feira, agosto 29, 2018

Crédulos

Vivemos num país de gente crédula.
Gente que tem propensão para acreditar facilmente no que lhe parecem boas noticias mas resiste estoicamente,quantas vezes para lá do racionalmente admissível, a acreditar em realidades que lhe entram pelos olhos dentro e que só não veem porque não querem.
O disparar da dívida pública, a bater consecutivamente tristes recordes em termos de dimensão, a par das cativações ordenadas pelo ministro Mário Centeno (não, não somos todos Centeno)que são uma forma de austeridade indiciam claramente uma situação económico financeira em degradação o que somado às cedências do PS à extrema esquerda para aprovar o OE para 2019 irá descambar naquilo que já todos conhecemos mas acreditávamos não ter de suportar de novo.
Mas o povo parece gostar, pelo menos as sondagens assim o indicam, porque tendo circunstancialmente a sensação ilusória de ter mais dinheiro no bolso nem sequer se interroga sobre quanto isso irá custar (e como iremos todos pagar este descontrole em curso) e por isso mostra satisfação para com Costa e seus "muchachos".
Com o PR a banhos fluviais de pré campanha, o PSD remetido às longas e imperturbáveis férias do seu presidente da comissão política nacional, os partidos de esquerda domesticados pese embora as ridículas tentativas de PCP e BE de fazerem crer que exercem oposição, resta o CDS e alguns cronistas independentes para dizerem que o primeiro ministro e o governo vão completamente nus.
É pouco.
E por isso um destes dias vamos todos pagar muito cara esta irritante credulidade de muitos portugueses.
Depois Falamos

segunda-feira, agosto 27, 2018

O Comboio da Vergonha

No passado fim de semana, num país à beira mar plantado onde à esquerda tudo se perdoa, o PS de um desavergonhado chamado António Costa deu mais um passo rumo à mexicanização da política portuguesa em torno de um único partido.
Resolvendo fazer a sua reentre em Caminha o PS fretou um comboio que fez o percurso entre a margem sul do Tejo e a vila minhota,com várias paragens pelo caminho para embarcar militantes, onde os viajantes iriam ajudar a encher o espaço destinado ao comício.
Até aqui nada de estranho.
O estranho vem no facto de a empresa pública CP, cujo objectivo é o serviço público na área dos transportes, ter aceite contratualmente atrasar os horários dos seus comboios de passageiros para dar prioridade ao comboio partidário dos socialistas!
Ou seja prejudicou o público em prol do privado.
Uma vergonha, um escândalo, uma total falta de respeito por todos quantos não sendo (ou até sendo e não viajando no comboio da vergonha) socialistas viram os seus legítimos interesses prejudicados por Costa e pelos camaradas.
Fosse na Coreia do Norte, na Venezuela, em Cuba ou na Nicarágua e ninguém estranharia.
Mas em Portugal?
Numa democracia e num Estado de Direito como foi isto possível?
Pior, como foi possível que ninguém com responsabilidades institucionais tivesse vindo a público denunciar esta pouca vergonha e este atropelo aos direitos dos cidadãos?
O Presidente da Republica que fala sobre tudo resolveu sobre isto abrir uma excepção e nada dizer.
O PSD que não fala sobre nada manteve a coerência e nada disse.
O CDS tão empenhado a falar da privatização de ligações ferroviárias sobre isto disse o menos possível ou seja quase nada.
E a esquerda?
A esquerda do PCP ao BE passando pelo PEV sempre tão pressurosos a defenderem o serviço público e a atacarem tudo que é privado que fizeram?
Calaram-se.
Embora fosse fácil de imaginar o que diriam sobre idêntico assunto se PSD e CDS estivessem no governo e um deles alugasse um comboio para idênticos fins e com idênticos privilégios.
Caia o Carmo e a Trindade.
Assim...o assunto apenas teve relevo porque alguma imprensa, pouca, o denunciou e trouxe a público porque caso contrário tinha passado despercebido e sem qualquer denúncia.
Uma vergonha. 
Da responsabilidade de quem a praticou mas também dos que por omissão se tornaram cúmplices.
Depois Falamos

domingo, agosto 26, 2018

Dez Conclusões

Dez conclusões sobre o Porto-Vitória

1) Se as derrotas com Tondela, Benfica e Feirense não significaram que tudo estava mal também este fantástico (pelas adversidades artificiais de que se revestiu)triunfo não significa que passe a estar tudo bem. Apenas que houve uma evolução e se aprendeu com alguns erros. E ,já agora, que se matou um borrego velho de vinte e dois anos.
2) Luís Castro voltou a mexer na equipa por força da lesão de Dodo mas também porque retirou as devidas ilacções da escusada derrota na Luz.
3) Sacko correspondeu em pleno e o lançamento de Joseph, a formar duplo pivot com Wakaso (a tal cautela que faltou na Luz) revelou-se um sucesso com o jovem vitoriano a protagonizar um desempenho extremamente personalizado e com classe em tudo que fez.
4) O povoamento do meio campo com João Carlos Teixeira revelou uma boa leitura do jogo pelo treinador  já que o "10" vitoriano teve uma participação muito activa e sobre ele foi cometido um penálti que o árbitro viu mas não quis marcar.
5)Uma das principais conclusões deste jogo é que o Vitória ganhou uma equipa. Coesa a defender, e a sofrer quando foi preciso como nos primeiros trinta minutos, dinâmica a atacar e solidária a festejar golos, defesas de Douglas ou cortes quase miraculosos como o de João Afonso.
6)Luís Castro ganhou o jogo, e muito provavelmente os adeptos, quando um minuto após chegar ao empate trocou um médio (João Carlos Teixeira) por um avançado (Davidson) dando clara demonstração de que queria ganhar o jogo. Muito poucos,praticamente nenhuns, treinadores depois de estarem a perder por dois golos no "Dragão" e alcançarem o empate fariam o mesmo preferindo segurar o empate. Luís Castro arriscou,teve êxito, e a audácia e a coragem ajudam a explicar o sucesso e o insucesso dos treinadores no Vitória.
7) Sacko e Joseph corresponderam à confiança, João Afonso fez um grande jogo,Whelton fez a sua primeira exibição a justificar porque razão foi contratado na época passada, Tozé está na luta pela titularidade e Douglas provou mais uma vez que na baliza não tem o clube nenhum problema. 
Mas isso não obsta a que continuem a ser necessários reforços. Pelo menos um ponta de lança é indispensável.
8) Mais uma vez num jogo clássico do nosso futebol o Vitória alinhou de preto sem qualquer necessidade de distinção do equipamento adversário. Não consigo entender a facilidade com que se prescinde da camisola branca nestes jogos.
9) A ausência do VAR durante largo período da primeira parte transformou-se rapidamente em assunto de polémica a acrescentar às sucessivas polémicas que as aldrabices dos VAR tem despoletado. Direi apenas que para assinalar a grande penalidade sobre João Carlos Teixeira e anular o segundo golo do Porto não era preciso nenhum VAR. Bastava um trio de arbitragem competente e sério.
10) Fábio Veríssimo, mais uma vez o escrevo, é um dos árbitros que anda por aí a estragar o futebol e a prejudicar a verdade desportiva das competições ao sabor da sua profunda incompetência e falta de qualidades fundamentais para ser árbitro. Ontem mais uma vez deu prova de que é um incapaz ao ver e não marcar um penálti a dois metros de distância e ao usar de um critério disciplinar (o amarelo a Wakaso é uma barbaridade) desigual  favorecendo o Porto. No golo em fora de jogo a culpa é do fiscal de linha que viu e não quis marcar.
A reacção do presidente do Vitória em cima do acontecimento foi adequada e regista-se que a política do silêncio parece ter sido posta de lado depois de anos a fio em que não teve sucesso.
Em suma um excelente triunfo, verdadeiramente contra tudo e contra todos, que moraliza a equipa para os próximos embates mas que valeu apenas os três pontos da ordem. 
Sexta feira face ao Tondela há que manter este espírito, esta garra e esta ambição.
Depois Falamos

terça-feira, agosto 21, 2018

Gelo

Já todos sabemos que os vitorianos vivem o Vitória com uma paixão dificilmente igualável o que tendo a vantagem de os tornar em adeptos únicos no contexto nacional tem também a desvantagem de fazer com que as viagens entre o "8" e o "80" sejam muito rápidas e nem sempre justas quando toca a avaliar desempenhos de jogadores e treinadores.
A época não começou bem,estaremos todos de acordo, com uma eliminação precoce na taça da liga e duas derrotas nos dois primeiros jogos do campeonato.
Mas será motivo para se dizer, como se vai ouvindo e lendo nas redes sociais, que o treinador não presta, que os reforços são uns barretes, que não temos equipa ,que vamos lutar para não descer e que será outro ano perdido?
Não. Não é!
Até porque se contra o Tondela as coisas correram de facto mal (excesso de confiança?) nos outros dois jogos não podemos olhar só para aquilo que é mais evidente e que são, evidentemente, os resultados.
Na Luz fizemos uma péssima primeira parte mas com as rectificações ao intervalo a equipa melhorou e quase recuperou do atraso de três golos realizando uma boa exibição e provando que tem plantel com soluções.
Faltam um ou dois retoques mas já lá vamos.
Com o Feirense a exibição não foi boa mas quando se olha para o resultado tem de se ver tudo e ver tudo é constatar que ficaram por marcar três grandes penalidades a nosso favor e com elas tudo teria sido diferente,da exibição ao resultado, porque o Feirense sofrendo golos não podia passar o resto de tempo na "ronha" e no anti jogo a que se dedicou durante largos minutos.
Não é alijar as nossas responsabilidades mas apenas olhar o jogo com olhos de ver.
Provavelmente este início de campeonato com derrotas terá mais um episódio no próximo sábado, no "Dragão", porque é um jogo de enorme dificuldade num estádio em que normalmente as coisas nos correm mal.
As coisas são o que são e a evitável repetição do sorteio deu-nos o "prémio" de os dois primeiros jogos fora serem em casa das duas mais fortes equipas portuguesas.
E por isso, esperando que as coisas corram bem mas percebendo realisticamente que o mais certo é correrem mal, parece-me que é preciso ter calma e não encarar a possibilidade de os três primeiros jogos se saldarem por três derrotas como se do fim do mundo vitoriano se tratasse.
É preciso por algum gelo nestas emoções sempre à flor da pele e olhar a realidade com a frieza e a sensatez que se impõe.
Para isso também a SAD terá de dar o seu inevitável contributo proporcionando a Luís Castro o reforço do plantel com mais uma ou duas unidades de reconhecido valor que se possam constituir como titulares imediatos da equipa e não jogadores para renderem no médio prazo.
Sendo que a contratação de um ponta de lança é a prioridade das prioridades, saiam ou não jogadores do plantel até ao fecho do mercado, porque parece evidente que é o sector em que a equipa apresenta maior debilidade.
Vamos pois por algum gelo nestas emoções sempre latentes nos vitorianos , dando tempo à equipa e ao treinador, mas na certeza que se o homem golo não for contratado nos próximos dez dias corremos o risco de ficarmos todos..."gelados" e aí tudo se complicará de forma imprevisível.
Depois Falamos.

Dez Conclusões

Foto: zerozero.pt

Conclusões deste Vitória-Feirense.

1) Sem querer branquear as responsabilidades, e são muitas, do Vitória nesta derrota há que dizer que o resultado do jogo fica marcado por três grosseiros erros da equipa de arbitragem, e dessa fantochada chamada VAR , ao não marcar três grandes penalidades contra o Feirense que a terem sido assinaladas dariam ao jogo um desfecho provavelmente diferente.
2) Luís Castro mudou meia equipa em relação à Luz mas com excepção de Florent,bela exibição, os resultados em termos exibicionais foram idênticos (para não dizer piores) pese embora o menor grau de dificuldade.
3) Na Luz a equipa entrou com um trinco e dois médios mais ofensivos e ontem com dois trincos e um médio ofensivo o que parece denotar uma avaliação errada quer do potencial do adversário quer do grau de dificuldade dos dois jogos.
4) Fica a dúvida,que os próximos jogos esclarecerão(assim se espera),sobre que modelo de jogo é o do Vitória.  Se o que privilegia a posse de bola e a progressão com passes de pé para pé ou o que explora a profundidade e os passes de longa distância acompanhados por movimentos de ruptura.
5) Na Luz a equipa melhorou com as substituições. Ontem nem por isso embora João Carlos Teixeira tenha melhorado os movimentos ofensivos trazendo imaginação ao ultimo terço de terreno. Difícil de perceber que com o resultado 0-0 e a necessitar de marcar se tenha trocado um ponta de lança por outro ponta de lança (embora seja compreensível que Whelton depois de longa paragem ainda não tenha "gaz" para 90 minutos) e um extremo por outro extremo. E da saída de Célis,que estava a ser o melhor médio,também a equipa não beneficiou.
6) Terceiro jogo oficial e terceira derrota não são um panorama nada animador ainda para mais antes da deslocação mais difícil do campeonato a casa do campeão. Há uma "dinâmica" de derrota (acompanhada pela equipa B, pelos sub 23 e até pelos juniores num total de oito derrotas em oito jogos) que importa contrariar em termos anímicos e em termos práticos. Ou seja conseguir resultados positivos e ir ao mercado até 31 de Agosto buscar o que não temos.
7) Fábio Sturgeon fez trinta e nove jogos pelo Vitória e não marcou um único golo. Ontem no terceiro jogo pelo Feirense fez o segundo golo. Típico jogador de equipa "pequena".
8) Alexandre Guedes passou de titular na Luz para titular na bancada. Óscar Estupiñan continua de fora das opções o que se torna um "mistério" cada vez maior face ao potencial do jovem colombiano e ao discreto rendimento dos pontas de lança até agora utilizados.
9)Para esta época o Vitória indicou como equipamento principal camisola e calção branco enquanto o Feirense indicou camisola azul e calção branco. Ontem a jogar fora o Feirense jogou integralmente vestido com o equipamento principal enquanto a jogar em casa o Vitória teve de mudar para calções pretos! Eu até prefiro a camisola branca e o calção preto mas não é isso que está em causa mas sim perceber o critério dos "estilistas" da Liga. Pode parecer uma questão menor mas não é. Porque o que está realmente em causa é o Respeito pelo Vitória.
10) Hugo Miguel fez uma arbitragem miserável que teve no VAR o cúmplice perfeito. Três grandes penalidades por marcar deviam mandá-los para a "jarra" por muito tempo mas nada disso acontecerá.  
Neste futebolzinho tem muito mais relevância uma mão no pescoço do que três erros com brutal influência no resultado de uma partida.

Depois Falamos.

sábado, agosto 18, 2018

Equipamentos

    
Numa postagem anterior tive oportunidade de me referir aos equipamentos do Vitória e à forma como a LPFP se intromete numa matéria que devia ser exclusiva dos clubes naquilo que considerei um excesso de regulamentação.
Por isso explano agora o que penso sobre a matéria.
Penso que o Vitória deve fazer todos os jogos em casa e obrigatoriamente os jogos fora na Luz,Dragão, Alvalade, Braga e Bessa com a camisola branca por uma questão de identidade e orgulho próprio.
Para os grande jogos é inaceitável que não actuemos com a nossa principal camisola.
Aliás a exemplo do que fazem os chamados "grandes" que nos jogos entre eles usam sempre a camisola principal.
Depois sim o equipamento preto.
Para os jogos fora em que seja importante distinguir cores, e por perfeitamente aceitáveis razões comerciais que visem a promoção do segundo equipamento para reforçar as suas vendas nas lojas do clube, é compreensível o uso da camisola preta.
Depois o terceiro equipamento.
Que devia existir sempre e não apenas quando nos apuramos para a Europa (também nos devíamos apurar sempre para a Europa mas isso são outros contos) e que seria utilizado nos jogos fora da Liga Europa , na Taça de Portugal (com excepção da final) e na taça da Liga .
Um pouco a exemplo do que faz o Sporting com o seu equipamento "Stromp".
E esse terceiro equipamento que devia mudar todos os anos de design e cor (o amarelo da época passada é bem bonito) seria um verdadeiro sucesso de vendas,estou certo, dado que os adeptos todas as épocas teriam uma nova camisola completamente diferente para comprar.
Amarelo, roxo, laranja, castanho, rosa, lilás, cinzento as possibilidade são mais que muitas bem como o desenho que podia ser liso, de listas verticais, de listas horizontais e por aí fora.
Creio que o Vitória teria muito a ganhar se fosse por este caminho.
Nomeadamente se para vender mais aceitasse receber menos no preço de cada camisola.
Depois Falamos.