sexta-feira, agosto 18, 2017

Barcelona

O terrorismo seja sob que versão for e seja qual for a justificação(!!!) é absolutamente repugnante e deve ser denunciado e combatido sem qualquer contemplação.
Desde o 11 de Setembro de 2001, com o ataque às torres gémeas, que o alvo dos terroristas é cada vez mais a matança indiscriminada de civis utilizando para o efeito todo o tipo de armas e engenhos que vão dos aviões aos automóveis e camiões passando por explosivos, bombistas suicidas e sabe-se lá que mais.
O rasto de morte é já muito longo.
Paris, Nairobi, Londres, Nice,Manchester, Madrid e outras cidades onde o braço longo do terror se fez sentir.
Agora foi Barcelona.
Um ataque que me chocou particularmente porque Barcelona é seguramente a cidade não portuguesa que melhor conheço fruto das dezenas de vezes que lá estive.
E o lugar do ataque, as emblemáticas Ramblas, é lugar de passagem quase obrigatória de cada vez que vou à cidade condal porque é uma avenida magnifica com uma vida e uma atractividade muito próprias que a tornam verdadeiramente única.
O mundo está cada vez mais perigoso como todos sabemos.
E quando os atentados, os crimes, os efeitos do terrorismo chegam a locais que conhecemos por experiência pessoal, e não apenas por os vermos na televisão, a sensação de insegurança e a convicção de que os Estados tem de combater o terrorismo de forma implacável aumentam em proporções idênticas.
Depois Falamos

Farol


Pelicanos


terça-feira, agosto 15, 2017

As Rádios Locais

O meu artigo desta semana no Duas Caras.
A década de 80 do século passado trouxe à comunicação social portuguesa a maior revolução da sua História com a aparição por todo o país de um fenómeno chamado “rádios locais” e que rapidamente se implantou de norte a sul do país com as novas emissoras a surgirem como cogumelos um pouco por todo o lado.
Num panorama comunicacional que em que havia apenas dois canais de televisão da RTP (as televisões privadas surgiriam pouco depois) e duas rádio nacionais  que eram a RDP (com vários canais) e a Rádio Renascença que também emitia através da RFM, o surgimento das então chamadas “rádio piratas” por operarem sem qualquer licenciamento foi uma brutal lufada de ar fresco depois da qual nada ficou como dantes.
Da TSF, que se transformou numa rádio nacional de referência, à mais modesta rádio local foram um espaço de inovação, de fazer diferente, de revelar talentos que depois em muitos casos viriam a fazer carreira nos grandes orgãos de comunicação nacional.
Sem meios financeiros, com meios técnicos inicialmente débeis, com enormes dificuldades em serem reconhecidas pelos diversos poderes, dos autárquicos aos nacionais, sem acesso (na esmagadora maioria dos casos) a ferramentas de informação como era então o telex (muitos dos que lerão isto nem sequer terão visto um aparelho desses na vida) os colaborados das rádios locais nao tiveram vida fácil e recorrerem à imaginação, à arte de desenrascar, ao superarem com trabalho o que lhes faltava em termos de meios foi a única solução para fazer os projectos radiofónicos andarem para a frente.
Obviamente, é da vida, que muitos desses projectos ficaram pelo caminho ou porque não foram licenciados quando o governo de então, e bem, resolveu impor ordem no panorama radiofónico ou porque os projectos em si não eram suficientemente fortes para se manterem passado o entusiasmo inicial da sua caminhada.
Hoje, também por força da internet, das redes sociais, das rádios digitais, das televisões privadas, dos inúmeros canais por cabo, das dificuldades económicas que o país, e por tabela as empresas, enfrentaram e que se reflectiu fortemente no mercado publicitário que é o único sustento das rádios (pelo menos em termos legais…) muitas delas fecharam portas ou encontram-se em estado quase vegetativo por falta de meios financeiros.
Creio ser, com grande pena minha que sempre fui um entusiasta das rádios locais e colaborador de algumas deles desde a primeira hora, um declínio irreversível face ao contexto em que operam e à feroz concorrência que enfrentam por parte de outros meios de comunicação publicitariamente muito mais apetecíveis.
E o caminho que lhes resta em alguns casos, até para sustentarem estruturas “pesadas” para a realidade dos tempos que correm, é o encostarem-se literalmente aos poderes, nomeadamente os autárquicos, porque deles provém sempre um razoável caudal de publicidade e não só que permite ir aguentando o “barco” durante tanto tempo quanto for possível.
Claro que o preço dessas “ligações perigosas” paga-se em termos de credibilidade, de isenção, de “favores” que se tem de fazer, da perda de qualquer independência informativa e opinativa nas antenas das rádios que passam a ser pouco mais do que uma caixa de ressonância do poder naquilo que ao poder interessa mesclada de alguma programação atractiva para una vasta camada de ouvintes e que funciona como o “queijo” na ratoeira que atrai os ratinhos para onde o “dono “ da ratoeira quer.
Pessoalmente tive um percurso nas rádios locais de Guimarães, e não só, do qual me lembro com saudade e que constituiu dos tempos mais gratificantes que vivi em termos de colaboração com a comunicação social.
Fui dos primeiros colaboradores da extinta Rádio Guimarães onde juntamente com o Miguel Laranjeiro, o Bento Rocha, o Dino Freitas, o Amadeu Portilha, o Esser Jorge, o José Luís Ribeiro, o Carlos Cerca e tantos outros pusemos de pé aquele que terá sido o mais motivador e desafiante projecto de rádio local que Guimarães alguma vez conheceu.
Durou pouco, é verdade, mas foi muito bom!
Depois colaborei durante anos com a Rádio Fundação, especialmente em programas de debate político mas também na sua equipa desportiva nos primeiros tempos que por lá passei, colaboração que mantive esporadicamente ao longo dos anos,com especial incidência nos últimos três onde a convite do António Magalhães (outro da primeira hora das rádios locais) integrei painéis de debate político onde tive muito gosto em estar, e que cessou o mês passado.
Mas também na Santiago, em programas desportivos e políticos, passei muitas centenas de horas de colaboração que ,também elas, me deixaram gratas recordações pelos excelente momentos vividos e pelas pessoas com quem partilhei antena ao longo de muito tempo
Mas tudo isso é passado.
Passado do qual guardo gratas memórias, passado no qual as rádios locais eram verdadeiras “pontas de lança” da informação, da investigação, do comentário critico aos poderes e do livre debate de ideias.
A par de excelentes programas desportivos, musicais, de entretenimento.
Saudades de um passado que não volta!

Glenfinnan, Escócia


O Beijo da Raposa


segunda-feira, agosto 14, 2017

O 8 e o 80

O meu artigo desta semana no zerozero.

O futebol, como tantas outras áreas da vida em comunidade, tem os seus altos e os seus baixos, os seus momentos de extraordinário entusiasmo mas também de enorme tristeza, os seus picos de exaltação mas também os seus espaços de serenidade.
Em suma tem em si o 8 e o 80 !
Com o início dos campeonatos nos diferentes países podemos ir constatando alguns oitos e alguns oitentas que de alguma forma caracterizarão as competições que terão o seu epílogo lá para a primavera do ano que vem.
Na minha modesta opinião o maior “oitenta” do futebol europeu é a Liga Inglesa que teve este fim de semana a sua primeira jornada.
E que jornada!
Num encontro entre campeões o Arsenal venceu o Leicester por 4-3 depois de um jogo magnifico, com constantes alterações no marcador e incerteza até ao fim numa daquelas partidas que justifica bem o entusiasmo que o futebol merece.
Outro campeão, dos maiores da História da “Premier League”, o Liverpool empatou a três com o Watford de Marco Silva num belo jogo de futebol.
Outros dois campeões, os grandes rivais de Manchester começaram a prova de forma categórica com o City indo vencer a Brighton enquanto o United, de José Mourinho, despachava o West Ham de forma categórica com quatro golos sem resposta.
O campeão em titulo, Chelsea, esse começou a prova perdendo em casa com o Burnley depois de um jogo muito disputado em que os visitantes conseguiram superiorizar-se vencendo pro três bolas a duas.
Quanto ao  vice campeão Tottenham foi vencer a casa do histórico Newcastle, este ano regressado à principal divisão, demonstrando também ele estar na corrida para o titulo deste ano.
E são apenas alguns exemplos, versando as equipas mais conhecidas , do que foi o espectacular início da liga inglesa da temporada 2017/2018 prometendo ser, como sempre, a melhor liga europeia e portanto também a melhor liga do mundo.
Estádios cheios, futebol espectáculo, grandes equipas e grandes jogadores, treinadores de topo (Mourinho, Guardiola, Klopp,Wenger, Conte, etc), jogos de grande incerteza quanto ao resultado, erros dos árbitros que são...erros, terminologia dos comentadores despida de parolices como “os grandes”, sorteios iguais para todos, decisões céleres dos orgãos disciplinares.
E muito dinheiro para os clubes oriundo de contratos televisivos bem negociados, fruto de uma negociação centralizada dos direitos , que devia fazer corar de vergonha os dirigentes de clubes e ligas de outros pontos da Europa.
Mas para além de tudo isso a liga inglesa tem ainda o encanto quase único em termos europeus de ter vários candidatos ao título,meia dúzia no mínimo, que naturalmente dão a todos os jogos um interesse e uma incerteza que alimenta a paixão dos adeptos e o interesse das televisões e patrocinadores.
Este ano enquanto o Chelsea procurará renovar o titulo ganho na época passada de forma brilhante, tem em compita directa consigo um grupo significativo de grandes equipas pertencentes a clubes históricos e que quererão recuperar um titulo que todos eles já venceram noutros tempos.
À cabeça o Manchester City de Pep Guardiola e o Manchester United de José Mourinho que reforçaram a rivalidade típica de dois clubes da mesma cidade com a contratação, na época passada, de dois treinadores que muitos consideram os melhores do mundo e com um largo historial de rivalidade pessoal(não inimizade) construida essencialmente nos tempos em que treinavam Barcelona e Real Madrid
E que para esta época não foram nada parcos na forma como desembolsaram milhões e milhões para reforçarem as suas equipas.
Depois o Liverpool de Klopp.
O clube mais vezes campeão a seguir ao Manchester United mas que há mais de duas década que não vence o titulo e que na sua segunda época dirigido por Jurgen Klopp será certamente uma equipa a considerar nessa disputa.
Mas há também o Arsenal de Arsene Wenger e o Tottenham de Maurício Pochettino que há anos afastados do titulo (os “spurs” desde 1961 !) são competidores a ter em conta face à valia das equipas e ao que tem sido o seu historial nas ultimas épocas.
E depois , convém não esquecer, pode sempre surgir um outsider como o Leicester que duas épocas atrás ganhou o seu primeiro titulo de campeão, de forma categórica, perante a surpresa generalizada do mundo do futebol.
É assim o fantástico futebol inglês.
O verdadeiro “oitenta” do futebol europeu.
Depois há vários “oitos”.
Como naquele país dos campos inclinados, das arbitragens e vídeo arbitragens tendenciosas, dos sorteios que favorecem três “filhos” e discriminam quinze “enteados”, da quase totalidade da comunicação social a ser subserviente, bajuladora e parcial a favor de três clubes, da negociação individual dos direitos televisivos que contribui largamente para o fosso competitivo entre os “filhos “ e os “enteados”, dos insuportáveis programas televisivos em que só os “filhos” tem assento e que servem para pressionar os agentes do futebol em favorecimento dos tais clubes, dos regulamentos absurdos que permitem que o empréstimo de jogadores sirva como forma de condicionar votos na assembleia geral da liga , de uma liga que promove uma taça com um regulamento feito de forma descarada para beneficiar os três do costume, dos dirigentes de quinze clubes que tudo aceitam e tudo votam como os tais três querem por razões que os deviam envergonhar.
Entre muitas outras coisas que justificam que ainda haja “oitos” numa Europa onde há “oitentas”.
Viva a “Premier League”!
Porque naquilo que a sustenta em termos de filosofia desportiva e na concepção de negócio que lhe está subjacente reside muita da esperança de manter o futebol como a mais popular modalidade desportiva do mundo.

sábado, agosto 12, 2017

O Nosso 14

Depois da derrota na supertaça o técnico Pedro Martins efectuou algumas mexidas na equipa para este jogo com o Chaves.
O "obrigatório" regresso de Pedro Henrique substituindo Marcos Valente e a troca ,não muito bem sucedida, de Rafael Martins por Estupinám no que constituiu apenas a  alternância de jogadores da mesma posição sem qualquer influência em termos de dispositivo táctico.
Chegou...mas podia não ter chegado.
Individualmente:
Miguel Silva: Sem culpa nos golos ainda terá evitado mais um ou dois com oportunas defesas.
João Aurélio: A defender cumpriu e a atacar teve o grande momento na espectacular desmarcação para o cruzamento do segundo golo.
Josué: Não é Beckenbauer (infelizmente) e por isso em cada dez passes de longa distância erra oito ou novo ao contrário do "Kaiser" que os acertava todos ou quase. A defender não está isento de responsabilidades nos golos do Chaves. Em especial no primeiro.
Pedro Henrique: Reparte com Josué as responsabilidades no segundo golo flaviense. Um regresso a meio gás.
Vigário: Saiu-lhe a "fava" (Matheus Pereira) que lhe deu 15 minutos iniciais de grande preocupação. Depois acertou na marcação e fez um jogo de muito boa qualidade.
Célis: Uma excelente exibição. A defender esteve em grande plano e a atacar tentou sair com a bola jogável e foi alvo de muitas faltas. O lugar parece ser dele.
Zungu: Um jogo de intermitências. Muito bem na frieza com que fez o golo.
Hurtado: Um jogo de altos e baixos em que marcou um golo fácil e falhou outro mais fácil ainda. É um jogador com alguma dificuldade em manter um bom plano exibicional.
Raphinha: Um bom jogo e um excelente golo.
Estupinám: Duas excelentes oportunidades que não conseguiu converter. Um jogo de grande empenho de um jogador que será reforço mas com calma.
Hélder Ferreira: Vem-se revelando uma excelente aposta. Agressivo a atacar, sem medo de tentar o remate, também ajuda os laterais a defender e ainda tem a qualidade de recuperar bolas e sair a jogar. Está a caminho de ser um jogador de muito boa qualidade e destacar-se no nosso futebol.
Foram suplentes utilizados:
Alexandre Silva: Não entrou bem no jogo. Outras oportunidades terá.
Rafael Miranda: Entrou para ajudar a defender e fez o que pôde.
Rafael Martins: Entrou tardíssimo e sem tempo para nada.
Não foram utilizados:
Douglas, Marcos Valente, Sturgeon e Texeira

Melhor em campo: Célis

Começar o campeonato com um triunfo é sempre positivo porque nada como entrar bem na prova. 
Se ao triunfo se juntarem momentos de bom futebol, especialmente em lances de contra ataque, isso também contribui para uma moralização importante desde que não se fechem os olhos às debilidades e se caia na patetice de pensar que só porque se ganhou já está tudo bem.
Não está.
O plantel tem debilidades, lacunas que urge preencher, a época é longa e há quatro competições para disputar, pelo que é urgente contratar reforços e não ficar à espera de eventuais empréstimos que são um erro de gestão desportiva cada vez mais evidente.
Até porque a situação financeira parece ser bastante melhor.
Depois Falamos

Rio de Janeiro


Fiorde Geiranger, Noruega


Caranguejo


sexta-feira, agosto 11, 2017

Começar Bem

João Vigário.
Para o Vitória era muito importante começar bem o campeonato depois de ter começado mal a época no famigerado jogo da supertaça.
E conseguiu-o com uma Vitória sobre o Chaves, que em boa verdade foi menos difícil do que o resultado expressa, depois de um jogo bem disputado que teve cinco golos e ficou a "dever" a ele próprio mais quatro ou cinco tantas as oportunidades desperdiçadas em especial pelos jogadores vitorianos.
Curiosamente até foi o Chaves que começou melhor o jogo, com uma postura ofensiva e criando várias jogadas de perigo, enquanto o Vitória parecia aturdido pela entrada de rompante do adversário e mostrava dificuldades em acertar as marcações e em ter a bola.
Passado o quarto de hora inicial de supremacia transmontana foi a vez de o Vitória se superiorizar e começar a criar sucessivas oportunidades de golo ,face ao bom jogo pelos flancos das duplas João Aurelio/Raphinha e Hélder Ferreira/Vigario , que viriam a render os tentos de Zungu e Hurtado mais claras oportunidades desperdiçadas por Estupinám em duas ocasiões (uma delas flagrante ) e Hurtado nomeadamente.
No segundo tempo a toada manteve-se, o Vitória fez mais um golo por Raphinha e viu Hurtado falhar um golo que vai direitinho para os "apanhados" desta época, e o guarda redes flaviense ainda se opôs muito bem a perigosos remates de Hélder Ferreira e Raphinha entre outros.
Mas o futebol é cheio de imprevistos e quando se aguardava o quarto golo do Vitória foi o Chaves que reduziu e lançou tal perturbação na equipa vitoriana que esta viria a sofrer um segundo golo em que tal como no primeiro os centrais vitorianos não ficam nada bem na fotografia.
E foram dez minutos finais de desnecessário sufoco.
Repetia-se assim a história da visita a Chaves na época passada em que depois de chegar a um tranquilo (supunha-se...) três a zero o Vitória permitiu que o adversário fizesse dois golos e quase não ganhava o jogo.
Do banco também não veio especial ajuda porque Alexandre Silva não entrou nada bem no jogo e chegou a desesperar os adeptos com as perdas de bola, a entrada de Rafael Miranda foi um sinal de querer defender o resultado que resultou num incentivo para o adversário e Rafael Martins entrou com vinte minutos de atraso porque desde os 65/70 minutos que se percebia que a "gasolina" tinha acabado a Estupinám.
Ganhou-se que era o essencial.
Mas reforçou-se a convicção de que a equipa precisa de reforços porque tem quatro provas para disputar e o plantel parece curto nalgumas posições.
Luís Godinho não teve influência no resultado mas fez um trabalho de alguma irregularidade que teve como caso maior um lance sobre João Aurélio na área flaviense em que, pelo menos, se justificava a  consulta ao vídeo árbitro.
Depois Falamos.


terça-feira, agosto 08, 2017

O Nosso 14

Não valendo a pena repisar a tecla de que o Vitória não preparou devidamente a disputa desta competição, deixando o plantel com lacunas evidentes que também ajudam a explicar a derrota, vale a pena ainda assim reiterar que isso não pondo em causa uma boa época (se chegarem reforços "a sério") originou que se tivesse perdido uma supertaça que nem era difícil de vencer face às fragilidades do adversário.
Porque mesmo com erros gravíssimos do árbitro e vídeo árbitro e algumas falhas nossas o Vitória na segunda parte equilibrou o jogo e se tem empatado não sei não...
Individualmente:
Miguel Silva: Em bom plano teve três ou quatro boas defesas a evitar golos. Curiosamente, do outro lado, também Bruno Varela defendeu idêntico número de remates perigosos.
João Aurélio: Cumpriu a defender mas pouco se viu a atacar.
Josué: Melhor quando jogou simples do que quando quis adornar jogadas.
Marcos Valente: Vindo da equipa B nos primeiros minutos acusou alguma "tremideira" mas depois recompôs-se e cumpriu.
Vigário: Também oriundo da B "levou" com Salvio o que não é fácil para ninguém. Mas depois de acertar posições esteve em bom plano. Ele e Konan vão travar interessante disputa pelo lugar.
Célis: Esforçado e lutador procurou organizar jogo.
Zungu: Discreto. Longe do que já lhe vimos.
Hurtado: Teve duas grandes ocasiões (então uma delas...) para empatar. mas não era o seu dia.
Raphinha: Esteve no melhor, o nosso golo, e no pior, aquele passe disparatado que dá o terceiro golo ao adversário, que de alguma forma marcou uma actuação esforçada mas sem grande brilho.
Rafael Martins: Esperava-se Texeira, ou até Estupinám, apareceu Rafael e não desiludiu. Boas movimentações e uma grande arrancada pela esquerda em que parecia ir de bicicleta e os adversários a pé.
Hélder Ferreira: A melhor surpresa do Vitória em Aveiro. Também ele vindo da B não acusou nada esse facto nem o nome do adversário e parecia que já ali andava há muito tempo. Duas ocasiões bem negadas por Bruno Varela. Uma excelente aposta de Pedro Martins.
Foram suplentes utilizados:
Sturgeon: Mais uma vez foi aposta e mais uma vez não se percebeu porquê.
Estupinám: Entrou tarde e não teve ensejo de brilhar.
Alexandre Silva: Entrou para fazer todo o corredor direito o que não parece ser de acordo com as suas características. Sem tempo para nada.
Não foram utilizados:
Douglas, Sacko, Moreno e Rafael Miranda.

Melhor em campo: Hélder Ferreira

Pese embora se considerar que a presença no banco de Texeira(cujo rendimento é normalmente bem melhor que o do sempre presente Sturgeon) e Tozé teria mais sentido do que a de alguns que lá sentaram (um lateral direito no banco para quê?)  a verdade é que o naipe de opções do treinador ainda é curto.
E esse problema tem de ser rapidamente resolvido.
É que até ao fecho do mercado há quatro jornadas da Liga convém não esquecer.
Depois Falamos.

Campanhas

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

As campanhas eleitorais tem como objectivo essencial o esclarecimento dos eleitores de molde a que possam exercer o seu direito de voto tão esclarecidos quanto possível e perfeitamente identificados com as escolhas que vão fazer.
É por isso normal que num tempo razoável antes das eleições, dois meses por exemplo, se assista a uma pré campanha a que depois sucede a campanha propriamente dita, nos períodos legalmente previstos, e durante a qual os partidos e movimentos concorrentes esgrimem as suas ideias , propostas e projectos.
O normal é que quem está no poder defenda a obra realizada, apresente o programa para os quatro anos seguintes e procure convencer os eleitores de que a continuidade é a melhor solução para o desenvolvimento da comunidade.
Do outro lado a oposição procura demonstrar que o mandato foi abaixo das expectativas, que o programa não foi cumprido e que a melhor solução estará na mudança que permita a novos protagonistas e novas ideias assumirem o poder e governarem.
E isto tanto se aplica ao país como às autarquias!
Sendo certo que em eleições autárquicas, onde  a proximidade entre eleitos e eleitores é bem maior e a “ malha” de avaliação muito mais “fina”, o debate político perde em sofisticação o que ganha em crueza e aproximação da realidade.
Depois de anos iniciais de democracia em que as campanhas eleitorais autárquicas( e as outras também) eram relativamente pouco sofisticadas e seguindo modelos estandardizados, também porque o marketing e as tecnologias não eram o que são hoje nem nada que se pareça, assiste-se na actualidade a uma criatividade cada vez maior e à utilização de argumentos outrora impensáveis para convencer os eleitores a confiarem o seu voto.
Dos bonés, canetas e sacos plásticos do antigamente “evoluiu-se” para os electrodomésticos de Valentim Loureiro e para as músicas pimba que se tornaram hinos de campanha um pouco por todo o lado até chegarmos à sofisticação dos tempos que correm com grande recursos às tecnologias, às redes sociais e à personalização de contactos por via da internet e das imensas possibilidades por ela oferecidas.
Mas tal como na obra de Goscinny e Uderzo- As Aventuras de Astérix- existia uma pequena aldeia gaulesa que resistia aos romanos que a cercavam com recurso a uma poção mágica também na política autárquica portuguesa existe quem esteja sempre, qual druida, em busca da sua própria poção mágica que lhe permita evitar um juízo negativo dos eleitores.
No caso o PS de Guimarães.
Que no poder há vinte e oito anos, incapaz de se renovar programaticamente e apresentar a Guimarães outras ideias que não o concurso a capital ou cidade europeia de qualquer coisa que esteja na moda, resolveu inovar naquilo que não dá trabalho e optar por formas de campanha que no seu entender serão a tal “poção mágica” mas que a 1 de Outubro são bem capazes de se revelarem uma mistela que em vez de dar votos apenas dará azia.
Dois exemplos.
Um é caricato, mas recorrente nas ultimas semanas e até meses, que passa por depois de andarem anos a acusar a oposição de falta de ideias (o que é redondamente falso aliás)  passaram para a fase de criticarem as ideias da oposição, as considerarem impraticáveis, irem atrás da forma como a oposição publicita as suas ideias para a imitarem e contraditarem (vide rotunda de Silvares que está lá um belo exemplo) e finalmente garantirem que tem apoios e financiamentos garantidos para a execução de projectos quando nada disso é verdade.
A campanha típica do fim de ciclo e de quem já não sabe que dizer.
Mas este sábado foram mais longe (ai o desespero…) e conseguiram até ser notícia, infelizmente para eles por más razões e com má repercussão pública, quando a propósito da final da supertaça decidiram numa manobra de grosseiro e condenável eleitoralismo fazer aquilo que nunca ninguém tinha feito e que consistiu em comprarem bilhetes e alugarem autocarros para levarem idosos do concelho ao futebol!
Não a Fátima, como é tradicional em todas as autarquias mas por norma fora de períodos eleitorais, mas mesmo ao futebol.
Claro que a manobra não correu bem.
Dos mil que se propunham levar apenas conseguiram metade e mesmo nesses o conceito de idoso era muito volátil dada a idade de alguns que viajaram na condição de pertencerem a essa faixa etária mas ao que parece eram bastante mais jovens.
O que revela que também nos mais idosos, por regra um segmento mais frágil de de mais fácil convencimento com algumas benesses de ultima hora, também a capacidade de persuasão do PS de Guimarães está a esgotar-se rapidamente.
Em qualquer dos casos, com ou sem sucesso na manobra, há que dizer com toda a clareza que esta forma de fazer campanha, esta associação oportunista da campanha eleitoral ao prestígio da maior instituição do concelho, este despudor em tentarem à boleia do Vitória captarem votos nas eleições é uma vergonha e uma razão mais para a um de Outubro o PS ser enviado para um mais que preciso descanso dando lugar a quem tem ideias, projectos e novos protagonistas.
É tempo de mudar!

segunda-feira, agosto 07, 2017

Matamata,Nova Zelândia


Panda Vermelho


Parlamento, Bangla Desh


A Morte do Vídeo Árbitro

O meu artigo desta semana no zerozero.

Três notas primeiras antes da explanação do tema que dá razão de ser ao titulo e que se baseia, como está bom de ver, na farsa a que se assistiu ontem no estádio de Aveiro.
A primeira nota para dizer, e há muito que o defendo em espaços de opinião escrita e radiofónica, que sou completamente a favor da introdução de tecnologias auxiliares das equipas de arbitragem que os ajudem a decidir em lances mais complexos e portanto contribuam para o reforça da verdade desportivas das competições.
Vídeo árbitro, “olho de falcão” (uma das mais importantes porque permite aferir se a bola entrou ou não na baliza) e qualquer outra que possa ajudar o árbitro a tomar boas decisões.
A segunda nota para destacar e elogiar o papel da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) na defesa da verdade desportiva e supressão ,tanto quanto possível , do erro sendo pioneira a nível europeu da introdução da tecnologia do vídeo árbitro nas suas competições e sendo por sua influência que todos os jogos da próxima Liga terão acesso a esse meio auxiliar.
A FPF , que é hoje a única instituição do nosso futebol que está na primeira linha de modernidade e ao nível do que se faz de melhor no futebol europeu e mundial, tem vindo a desenvolver um notável esforço para que a modalidade entre nós tenha o máximo de verdade e esta sua insistência para a utilização generalizada do vídeo árbitro é apenas mais um prova disso.
Algo que seria impossível esperar da liga do senhor Proença especialista em inventar troféus para dar ao Benfica, promotora desavergonhada de sorteios da liga sem qualquer respeito pelos clubes e grande incentivadora da política de “filhos” e “enteados” que envergonha o nosso futebol e que tem máximo reflexo na arbitragem e na disciplina.
Cabendo aqui lembrar o “caso Samaris” em que o jogador grego só foi castigado depois da FPF avocar o processo cansada da política de adiamento( e favorecimento consequente do infractor) leva a cabo pelos orgãos pseudo disciplinares da Liga.
A terceira nota para relembrar que em crónicas anteriores, bem como em publicações no meu blogue e noutras redes sociais, sempre me manifestei a favor da introdução do vídeo árbitro nas nossas competições mas a par de um profundo cepticismo quanto ao seu real contributo para o reforça da verdade desportiva.
Não que duvide que num Vitória-Marítimo, num Moreirense-Braga, num Portimonense- Rio Ave ou num Tondela-Estoril, a titulo de exemplos, ele funcione bem e cumpra os objectivos para que foi criado.
A duvida (que é certeza) está quando frente a frente estejam “filhos” e “enteados”.
Pela simples razão de que não acredito que quem anda há anos pelos relvados deste país a inclinar campos a favor de Benfica,Porto e Sporting (e de forma bem despudorada) depois, num passe de mágica, se sente atrás de um ecran e passe a analisar jogadas de forma isenta ,imparcial, sem olhar a camisolas e procuram apenas defender a verdade desportiva.
Claro que isso não acontecerá.
E ontem, em Aveiro, foi feita a prova disso.
Um conjunto de jogadas em que o árbitro favoreceu sempre o Benfica e prejudicou sempre o Vitória  ( normal na carreira de Soares Dias) não se deu pela intervenção do vídeo árbitro.
No primeiro golo do Benfica há uma falta no inicio da jogada e um fora de jogo do jogador do Benfica a quem é endereçado o cruzamento.
Se o vídeo árbitro deu algum alerta ao apitador este não fez caso.
Há dois lances de clara agressão de jogadores do Benfica, Jonas a Célis e Jardel a Rafael Martins, que são lances típicos de intervenção do vídeo árbitro porque se trata de jogadas de cartão vermelho, mas que o apitador ou não viu ou fez de conta que não viu e se o vídeo árbitro sinalizou as jogadas ele não fez caso.
Finalmente no único caso em que o apitador recorreu ao vídeo árbitro, num lance que é penálti em qualquer parte do mundo e naquele jogo também... se fosse na outra grande área, o vídeo árbitro decidiu de acordo com aquela que já era a vontade do apitador (porque o lance era tão claro que nem recurso ao vídeo árbitro justificava) ajudando-o a encobrir um frete claro ao “filho” contra o “enteado”.
E por isso confirmou-se aquilo que eu de há muito temia mas que o jogo de ontem confirmou na sua plenitude.
Em Portugal, certamente contra a vontade da FPF mas em linha com os gostos da LPFP e do “Sistema”, o vídeo árbitro é apenas um instrumento mais refinado e mais sofisticado para ajudar a defender os interesses dos “filhos” e para continuar a prejudicar de forma vergonhosa os “enteados”.
Porque na aparência transmitindo uma imagem de combate ao erro e defesa da verdade na prática é apenas uma forma habilidosa de diluir as responsabilidades de quem decide mal e permitir que nada mude no “status quo” mentiroso do nosso futebol.
Para mim o vídeo árbitro como forma auxiliar da verdade desportiva das competições em Portugal morreu ontem em Aveiro ao fim de apenas dois jogos oficiais e curiosamente entre os mesmos clubes.
Em que ajudou, de ambas as vezes embora de forma mais notória ontem, o “filho” a ganhar ao “enteado”.
Paz à sua alma!

domingo, agosto 06, 2017

Os Nossos Erros

A final da supertaça foi essencialmente decidida pelos graves erros de Soares Dias e do seu cúmplice Jorge Sousa (o video árbitro) que inclinaram decisivamente o relvado a favor do Benfica e permitiram a construção de um resultado falso como Judas.
É evidente que houve erros do Vitória, de que tratarei a seguir, mas sem os erros dos árbitros esses erros vitorianos, por si só, não seriam suficientes para termos perdido o jogo.
De Soares Dias e Jorge Sousa já falei noutro texto mas recordo aqui que o lance do primeiro golo do Benfica tem uma falta no inicio e um fora de jogo no final, que há um clarissimo penalti por marcar contra o Benfica, que ficaram cartões vermelhos por mostrar a Jonas e Jardel , que ficaram vários cartões amarelos por mostrar a jogadores benfiquistas por sucessivas faltas (de rasteiras a agarrões) a impedir saídas para o Vitória para o ataque.
É certo que na fase final do jogo também Rafael Martins e Vigário beneficiaram de alguma tolerância mas faltavam poucos minutos e o resultado estava feito.
Vamos então aos nosso erros.
Começando pelos menos graves que foram os dos jogadores.
E que essencialmente constaram de alguma tremideira inicial (que se...aceita face ao que adiante exporei) e depois,já na segunda parte, algumas perdas de bola e passes mal feitos de que resultaram o terceiro golo e algumas situações de perigo que Miguel Silva conseguiu resolver.
Foram alguns erros, um ou outro ostensivos, mas por eles não teríamos perdido o jogo.
Depois há os erros do treinador.
Que tem o plantel que lhe disponibilizaram ,sabendo-se que as omeletes são tão melhores consoante a qualidade/quantidade dos ovos, mas foi ele próprio quem deu aval à saída de jogadores que manifestamente teriam dado ontem bastante jeito.
João Afonso e Tyler Boyd por empréstimo Valente e Alex em definitivo.
Depois no escalonamento da equipa, correcto do meu ponto de vista, a estranheza de porque razão se deram tantos minutos a Moreno nos jogos de preparação para ontem jogar uma dupla de centrais sem quase nenhuma rotina.
É verdade que a ausência de Pedro Henrique pesou, como é verdade que Marcos Valente não comprometeu, mas foi visível a pouca rotina entre ambos. O que face a um Benfica que tem no ataque o seu melhor sector fez alguma diferença.
Mas nas substituições é que estiveram os erros maiores de Pedro Martins.
Desde logo na reiterada aposta em Sturgeon que ainda não convenceu ninguém (excepto o treinador) de que tem lugar neste plantel e que vem desperdiçando sucessivas oportunidades.
Ontem foi mais uma com a sua entrada, e saída de Hélder Ferreira,a corresponder a imediato decréscimo no balanceamento ofensivo do Vitória.
A entrada de Estupinám foi correcta mas demasiado tardia porque devia ter sido ele a primeira opção e não o referido Sturgeon.
Quanto a Alexandre Silva foi-lhe pedida uma tarefa a que não está habituado -fazer todo o corredor direito- o que para quem vem da equipa B e está a jogar contra o Benfica é manifestamente pedir-lhe demais.
Curiosamente ficando no banco Douglas, Sacko, Rafael Miranda e Moreno resta ainda a estranheza das ausências de Tozé e especialmente Texeira jogadores que à partida davam mais garantias do que alguns dos utilizados.
Mas se os erros dos jogadores se corrigem com treino e o dos treinadores com reflexão e estudo (e em casos limites com o que há de mais fácil no futebol que é trocar de treinador) já os erros da SAD são bem mais complexos de resolver.
Não me lembro de alguma vez o Vitória no seu primeiro jogo oficial de época, ainda por cima disputando um troféu, não ter no onze inicial um único reforço.
Como também não tenho ideia de em idênticas circunstâncias as únicas novidades em relação à época anterior serem três jogadores vindos da equipa B , cujas exibições até foram perfeitamente aceitáveis, mas que demonstram a falta de planeamento com que esta época foi encarada.
Desde a milagrosa defesa de Douglas em Chaves,num penálti que a ser transformado nos fecharia as portas do Jamor, que se sabia que no inicio de Agosto havia uma competição oficial para disputar, num único jogo, para o qual a equipa teria que estar devidamente apetrechada.
Houve quatro meses para planear isso.
Chegamos a 5 de Agosto e qual é o panorama?
Perdemos titulares indiscutíveis( Hernâni, Marega, Bruno Gaspar) ,suplentes com experiência (Prince, Bernard, Ruben Ferreira) e os reforços são um jovem colombiano de vinte anos sem nenhuma experiência de futebol europeu e outros dois jovens portugueses(Francisco Ramos e Ruben Oliveira) que tanto podem vir para a equipa A como para a B porque não se sabe o que valem exactamente com a nossa camisola vestida.
A eles se juntaram, até agora, jovens subidos da B mas o plantel está manifestamente curto em termos de quantidade versus qualidade.
E uma coisa é certa: Mesmo que ainda venham mais jogadores (mal estamos se não vem...) não virão a tempo de nos ajudarem a ganhar a supertaça que estava tão ao nosso alcance e que desperdiçamos ingloriamente.
Por erros dos árbitros, essencialmente, mas também porque a nossa equipa não estava suficientemente reforçada para ultrapassar esse previsível obstáculo.
As coisas são o que são!
Sabia-se que esta época será mais exigente, que há mais competições para disputar, que estaremos na Europa e portanto o plantel tem de ser qualitativamente melhor do que aquele que fez o quarto lugar e foi à final da taça.
Neste momento é claramente inferior.
E mesmo que ainda venham reforços (espero que não resultantes de qualquer "pedinchice" aos chamados "grandes") é inegável que esta época não foi preparada com a atenção, a exigência e o planeamento cuidado com que o devia ter sido.
E também por isso não ganhamos a competição menos difícil de ganhar das cinco que teremos pela frente.
Há erros de difícil recuperação.
E de difícil entendimento porque sucessivamente repetidos.
Esperar pelo fim do período de transferências, esperar pelos "restos" dos chamados "grandes", basear a construção do plantel numa política de empréstimos é um erro que se paga caro como ainda ontem ficou mais uma vez comprovado.
Mas parece sina nossa esta dos eternos recomeços.
É certo que estamos em 6 de Agosto e que ainda há muito tempo para reforçar o plantel até ao fim do mercado de transferências de molde a enfrentar as restantes quatro competições com ambição de tentar ganhar as taças, renovar o quarto lugar e ter uma participação europeia condigna.
Há tempo para tudo menos para ganhar a... supertaça.
Essa já foi.
Depois Falamos.

sexta-feira, agosto 04, 2017

Pirilampos

Foto: National Geographic

Erupção

Foto: National Geographic

Supertaça

Amanhã começa a temporada 2017/2018 com o seu primeiro jogo oficial, das competições internas bem entendido, que é como sempre a disputa da supertaça.
Nesta edição enfrentando o campeão, Benfica, com o finalista vencido da Taça de Portugal, Vitória, num jogo que definirá o vencendo da primeira competição da época.
Costuma-se dizer que numa final não há favoritos e embora não seja bem assim não é por aí que quero ir na explanação do temas deste artigo.
Mais realçar a importância da competição que embora injustamente desvalorizada nalguns sectores não deixa de ser a que reúne o campeão com o vencedor/finalista da Taça de Portugal o que desde logo significa que são duas das melhores equipas da época anterior.
E constatar de forma comparativa que ambos os finalistas vão chegar a Aveiro mais fracos do que saíram do Jamor há pouco mais de dois meses.
O Benfica perdeu titulares indiscutíveis na defesa e pese embora ter contratado muitos jogadores (a esmagadora maioria para emprestar naqueles negócios que rendem votos na AG da Liga) essas lacunas tem-se feito sentir ao longo da pré temporada em que sofreram número invulgar de golos.
Se considerarmos que outros jogadores titulares são trintões já bem adiantados nos trinta  como Luisão ou Jonas (embora neste a idade seja uma camuflagem adequada a um dos seus principais gestos técnicos que é cair nas áreas adversárias..) percebe-se que este Benfica está mais fraco e mais acessível a um adversário que saiba explorar essas fraquezas.
Falta saber se o Vitória será esse adversário.
Porque também está mais fraco e tal como o Benfica ainda não conseguiu suprir a saída de jogadores titulares.
Perdeu titulares indiscutíveis no ataque (Hernâni e Marega) que tanto jeito dariam para explorar as fraquezas defensivas do Benfica,perdeu Bruno Gaspar, não se reforçou adequadamente(quantidade versus qualidade) até ao momento em nenhum sector, deixou partir jogadores que provavelmente dariam jeito (Valente, João Afonso, Alex), tem dois titulares da época passada lesionados (Pedro Henrique e Konan)e caso raríssimo na história do clube vai fazer o seu primeiro jogo oficial sem que nenhum dos poucos reforços contratados seja titular indiscutível!
Talvez Estupinán o possa ser ,mas nem isso é garantido, enquanto Francisco Ramos e Rúben Oliveira só poderão ambicioná-lo no médio prazo.
E portanto tal como em relação ao adversário também no caso do Vitória são mais as duvidas que as certezas e ambos os clubes sabem que para fazerem épocas dentro das expectativas em seu redor terão de contratar quatro ou cinco verdadeiros reforços até 31 de Agosto.
De forma que em Aveiro vão-se encontrar duas equipas a "lamberem " feridas em aberto, longe (mal estávamos no caso do Vitória se assim não fosse...)do que deverá ser a sua configuração definitiva e sendo difícil neste contexto prever qual a real valia de cada uma e mais ainda o resultado do jogo.
Por mim espero que sem os erros tácticos do Jamor e potenciando ao limite os talentos e qualidades do seu actual plantel o Vitória seja capaz de trazer para Guimarães a segunda supertaça da sua História.
Até porque dificilmente voltará a encontrar pela frente, numa supertaça, um campeão tão...acessível.
Depois Falamos.

Vergonhoso Eleitoralismo

Durante os 48 anos de ditadura o seu inspirador e dirigente máximo durante décadas, António de Oliveira Salazar, sempre utilizou a trilogia "Fátima-Futebol-Fado" para iludir o povo fanatizando-o em volta da religião, dos êxito internacionais de uma modalidade (do mundial de 1966 aos títulos europeus do Benfica) e de uma expressão musical para esconder a ditadura, a falta de liberdade e democracia,a censura, a polícia política, a pobreza, o atraso cultural e o problemas das guerras de África.
Um dia Salazar caiu da cadeira. 
E poucos anos depois o regime também caiu de podre num tempo em que perdera todas as possibilidades de uma transição para a democracia e de uma paz honrosa nos teatros de guerra.
Caiu o ditador, caiu a ditadura mas ficou o salazarismo.
Não como ideologia mas como mentalidade.
E hoje, quarenta e três anos depois da queda da ditadura constata-se que foi mais fácil tirar os portugueses do salazarismo do que o salazarismo (bafiento) de alguns portugueses, face ao que se vai vendo por aí.
Fátima continua na moda.
Menos alienante do que no Estado Novo mas sempre como forma de a política e os políticos tirarem partido do fenómeno religioso para se aproximarem dos seus eleitores e aparecerem até como beneméritos promotores de passeios ao santuário.
Basta atentar nas centenas de passeios anuais que centenas de municípios e freguesias, de todas as cores políticas, organizam para os seus cidadãos mais idosos poderem deslocar-se a Fátima para se perceber o jeito que Fátima continua a dar.
Em boa verdade, e sendo fora de períodos eleitorais, acaba por se aceitar a prática dado que para muitos idosos é a única forma de lá se poderem deslocar muitas vezes cumprindo um sonho de vida que de outra forma não teriam possibilidades de ver realizado.
O futebol esse ainda está pior em termos de ópio do povo.
Basta ler os jornais e ver as televisões.
Mas a Câmara socialista de Guimarães resolveu ir até onde nunca nenhuma congénere tinha ido, em termos de utilização do futebol para fins eleitoralistas, e decidiu promover uma excursão de idosos à final da supertaça.
Comprou umas largas centenas de bilhetes gastando cerca de 15.000 euros, fretou autocarros e no próximo sábado mais de 500 idosos de Guimarães vão de abalada até Aveiro ver o Vitória-Benfica à custa da Câmara e dos interesses eleitorais do PS.
É precisa muita falta de vergonha, mas também muito desespero pré eleitoral, para levar a cabo semelhante manobra a menos de dois meses das eleições autárquicas.
Acredito que os contemplados perceberão a grosseira tentativa de manipulação e nas urnas não se deixarão influenciar pela passeata socialista.
Mas lá onde estiver António de Oliveira Salazar deve estar de boca aberta perante isto.
Nem a ele, em ditadura, tinha ocorrido semelhante "habilidade".
Depois Falamos.

P.S. Quando meses atrás o Moreirense disputou a final da taça da liga a "benemérita" câmara não promoveu nenhuma excursão de idosos para assistirem à final.
Que certamente bem gostariam de terem ido até ao Algarve.
Mas, azar o deles, as eleições ainda vinham longe, as verdadeiras sondagens não davam os resultados que agora dão e o Moreirense não tem a dimensão associativa do Vitória.

P.S. 2 : Espero que quem não teve vergonha de organizar esta manobra eleitoralista tenha, ao menos, o bom senso e a prudência de avisar os idosos que um um jogo de futebol (ainda por cima entre Vitória e Benfica...) nada tem a ver com uma tranquila peregrinação a Fátima e de tomar as medidas necessárias a que possam chegar, verem o jogo e saírem sem qualquer transtorno.

quinta-feira, agosto 03, 2017

Aveiro

O Vitória é inquestionavelmente o quarto clube português em muitos parâmetros do qual o mais indiscutível é o número de adeptos.
Que o país reconhece com admiração pela fidelidade ao clube, pela dimensão extraordinária do seu apoio e pelo número em que se deslocam aos estádios de todo o Portugal.
Por isso causou alguma surpresa o facto de os bilhetes para a supertaça não terem tido, nem de perto nem de longe, a mesma procura dos bilhetes para a recente final da Taça de Portugal que geraram, como todos estamos lembrados, enorme ansiedade em todos que não conseguiram o rectangulozinho mágico ou só o conseguiram nos últimos dias face ao seu número de associados.
Há algumas razões a explicarem isso.
As férias, a supertaça não ter o fascínio de uma final de Taça, a gestão de expectativas feita de dentro para fora e que até ao momento não contribuiu para manter os extraordinários níveis de entusiasmo com que acabou a época anterior.
Quero com isto dizer que partiram jogadores carismáticos e até ao momento não foi feita nenhuma contratação que entusiasmasse, despertasse expectativas e permitisse supor uma época ao menos igual à anterior.
E também por isso em Aveiro estarão menos vitorianos do que seria suposto.
Já sei, e não vale a pena aparecer um ou outro fundamentalista a dizer que o Vitória é o Vitória independentemente de quem jogue ou da importância do jogo porque já sei (e pratico) isso há 50 anos, mas as coisas são o que são e não vale a pena contrapormos paixão à razão porque isso não nos leva a lado nenhum.
É por isso com alguma tristeza que vejo pelas redes sociais, a exemplo do acontecido aquando da final da Taça, algumas pessoas que adoram o Vitória e o acompanham com grande assiduidade a referirem-se a outros vitorianos como " vitorinos", "adeptos do panado" ou "frequentadores de piqueniques" por terem ido ao Jamor e não irem agora a Aveiro.
Acho que sendo o quarto clube em numero de adeptos, bastante atrás dos chamados "grandes" e muito à frente dos que vem a seguir , ainda assim somos pouco para nos andarmos a dividir com falsas questões como a assiduidade aos jogos e finais.
Conheço muitos vitorianos que veem poucos ou nenhuns jogos do Vitória por ano e que são tão vitorianos e amam tanto o Vitória como aqueles que vão aos jogos todos ou quase.
Simplesmente a vida, por razões diversas desde as económicas à emigração passando pela saúde, não lhes permite a assiduidade que gostariam e praticariam noutras circunstâncias.
Por outro lado acho que nenhum vitoriano tem o direito de avaliar o vitorianismo de outros vitorianos e menos ainda com base no critério da assiduidade.
Sinceramente, nessa matéria, acho que cada um de nós se deve preocupar exclusivamente em ser bom vitoriano e dar ao nosso clube todo o apoio que estiver ao seu alcance sem a preocupação de olhar para o lado e ver o que fazem ou deixam de fazer os outros.
Todos somos poucos para ajudarmos à construção do Vitória com que sucessivas gerações de vitorianos sonharam e as actuais gerações continuam a sonhar.
Pelo que é importante a união em volta do essencial, o Vitória, e não a divisão em torno de falsas questões.
Depois Falamos.

terça-feira, agosto 01, 2017

Sugestão de Leitura

Albert Einstein foi, sem qualquer sombra de dúvida, um dos maiores cientistas da História da humanidade cujas descobertas constituíram um importante contributo para o desenvolvimento da ciência e para o conhecimento do Universo.
E por isso de há muito que tinha a curiosidade de ler uma sua biografia detalhada que descrevesse o Homem, o cientistas e as suas descobertas.
A que agora li, e que serviu de base a uma premiada série televisiva da National Geographic, preenche todos esses requisitos ou não fosse escrita por Walter Isaacson um dos mais prestigiados jornalistas americanos que já fora autor de outra extraordinária biografia como é a de Steve Jobs.
Na do físico alemão de nascimento, mas que possuía igualmente as nacionalidades suíça e norte-americana, é-nos narrado todo o percurso de vida de Einstein desde o jovem rebelde e inconformado (características que manteve pela vida fora) ao cientista genial de forte carácter e uma imaginação e criatividade sem iguais.
É uma obra extremamente interessante, algo densa nalgumas das suas passagens em que o autor aborda com alguma minúcia as descobertas extraordinárias do biografado permitindo-nos,porém, perceber como funcionava a sua mente e que nos mostra em toda a sua dimensão o extraordinário ser humano e grandioso génio que Einstein foi.
Onde não faltam também a sua luta contra o nazismo, a crença no pacifismo e a assumpção do seu judaísmo e defesa do Estado de Israel.
A par dos grandes acontecimentos da primeira metade do século XX de que foi contemporâneo, das duas guerras mundiais à descoberta da energia atómica, observador interessado e critico.
Uma obra notável que vale bem a pena ser lida.
Depois Falamos

Fim de Ciclo

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

O que há de mais normal, e desejável, em democracia é a alternância democrática que permite “refrescar” os orgãos do poder, fazer emergir novos protagonistas e alcandorar à  governação   diferentes áreas políticas que correspondem a diferentes segmentos sociais.
Por isso em democracia se realizam periodicamente eleições.
E a cada momento o povo, dentro de uma sabedoria e uma legitimidade inquestionáveis, faz as opções que entende melhores para o seu futuro.
Num país democrático como o nosso é desde 1974 a realização de eleições tornou-se algo de absolutamente comum e os cidadãos estão perfeitamente habituados a de cinco em cinco anos elegerem o seu presidente da república e de quatro em quatro o seu parlamento (do qual emana o governo) e as suas autarquias locais na tripla vertente de executivo camarário, assembleia municipal e assembleia de freguesia.
E por isso os cidadãos no final de cada mandato fazem uma avaliação critica de forma como o poder foi exercido, das expectativas que foram cumpridas e do impacto que esse período de governação teve nas suas vidas e depois em consciência ou renovam o mandato a quem entendem merecer ou votam numa alternativa se entenderem que é tempo de mudar.
É assim que deve ser sempre.
Naturalmente que a apreciação popular tem sempre os seus contornos subjectivos e por isso de quando em vez assiste-se a renovação de mandatos quando se esperava alternância e encontra-se alternância onde tudo parecia apontar para a renovação dos mandatos.
Nunca será demais recordar que Winston Churchill, quiçá o maior político do século XX, perdeu as eleições depois de ganhar a guerra provavelmente porque o povo inglês terá entendido que sendo ele a pessoa mais indicada para conduzir o país nos dificílimos tempos da segunda guerra mundial já não o seria para o tempo de paz e reconstrução.
Ainda hoje pode parece ruma enorme injustiça (e se calhar...foi) mas o povo tem as suas razões e há que as aceitar.
Compreendo, até porque no meu partido já festejei muitas vitórias mas também lamentei bastantes derrotas, que a alternância democrática é algo que agrada de sobremaneira a quem está na oposição mas de forma alguma a quem está no poder e se vê desapossado dele.
E por isso em tempo de eleições, nomeadamente quando a hora das decisões se aproxima, se assiste a um redobrar de esforços das partes em contenda umas no sentido de provarem que merecem continuar e outras procurando convencer os eleitores de que é tempo de mudarem de governação e permitirem que outros exerçam o poder.
Claro que quando o exercício do poder se prolonga por muito tempo, como acontece com alguma frequência nas autarquias, e a expectativa de resultados aponta para um equilíbrio ao fim de muitos anos de poder absoluto isso gera ânimo e motivação em quem está na oposição, porque vê a meta mais perto, mas em simultâneo provoca desespero em quem exerce o poder há tanto tempo que parece ter esquecido os princípios básicos da democracia e se julga eterno como nalgumas ditaduras sul americanas e não só.
O que leva aos excessos.
Aos ataques pessoais descabelados,às tentativas de condicionar a comunicação social  cerceando a liberdade de a oposição se exprimir, à publicação de notícias falsas que visam salvar a face de um poder periclitante, à “compra “ despudorada através dos meios financeiros ao seu dispor de fidelidades e apoios.
Quando não à utilização, quando o desespero já é muito, de snipers desajeitados que não sabendo por onde se carrega e por onde se dispara a arma ficam admirados quando as balas lhes esbarram na testa!
Ou de sondagens fantasiosas encomendadas por uns, pagas por outros e divulgadas por terceiros para se tentarem convencer a eles próprios de algo que o dia a dia se encarrega de demonstrar não ser bem assim.
São os chamados penosos fins de ciclo.
Em que um poder já gasto, já velho, já cansado e incapaz de gerar novas ideias e novos entusiasmos  faz uma via sacra de maledicência, de ataques às ideias dos adversários, de cópia dos projectos da oposição para esconder a sua própria falta de ideias, de projectos e de razões para merecer do povo a renovação dos seus mandatos.
E quanto mais anos se arrasta o poder, quanto mais anquilosado fica, quando muitas vezes os protagonistas iniciais e responsáveis por muitos desses anos de poder eles próprios se cansam e afastam então os vícios e más práticas atrás referenciados intensificam-se porque as cópias sabem que nunca são tão eficazes, populares e carismáticas como os originais.
Uma coisa é certa e nela reside a confiança  e a tranquilidade proporcionadas pela democracia:
A última palavra é do povo.
Que no sigilo e liberdade da cabine de voto decide a cada momento o que considera melhor para a sua freguesia, para a sua câmara ou para o seu país e vota em consonância com isso entregando os mandatos a quem considera merecê-los.
E quando assim é nada a opor.

Machu Pichu


Flamingos


Museu Guggenheim , Bilbau


segunda-feira, julho 31, 2017

Anuários

Sou um regular comprador dos anuários desportivos editados pelos jornais portugueses da especialidade.
Cadernos de "A Bola" e guias de "O Jogo" e "Record que leio atentamente quando saem e depois são fonte de consulta ao longo da época pese embora  o serem publicados pouco antes do início da Liga faça com que a 1 de Setembro (fecho do mercado) já estejam razoavelmente desactualizados face às movimentações de jogadores ao longo do mês de Agosto.
Mesmo assim são interessantes e pese embora versarem o mesmo tema (as ligas profissionais de futebol) tenho por hábito comprar os três porque há sempre abordagens diferente a várias matérias que acabam por os tornar complementares.
Naturalmente que sempre os comprei pelo conteúdo e não pela capa porque o que me interessa é mesmo o que lá está inserto e não aquilo que dá em primeiro lugar nas vistas.
Mas este ano mudei o critério.
Que admito que no futuro, azar o meu, me impeça de comprar qualquer um deles.
Mas tantas vezes o "cântaro vai à fonte que acaba por quebrar" que este ano "quebrou" mesmo e resolvi não mais pactuar com a enorme falta de respeito que os jornais desportivos tem para com todos os clubes que não os filhos do "sistema".
Mesmo que seja nas capas dos seus anuários desportivos.
Como em anos anteriores comprei o guia de "O Jogo".
Cuja capa está centrada no "treinador português" e apresenta fotografias dos dezoito treinadores que vão iniciar o campeonato da primeira liga ao serviços dos 18 clubes participantes.
É um critério que trata todos por igual e por isso o comprei.
E também comprei o guia de o "Record".
Que na capa tem um futebolista equipado com as cores da selecção e por baixo do titulo os emblemas dos 18 clubes participantes no campeonato.
Um tratamento por igual que não colidiu com o meu critério.
Mas claro que não comprei os "Cadernos de A Bola".
Nunca o poderia fazer olhando para uma capa que representa tudo que mais detesto na comunicação social em termos desportivos.
A parcialidade, o favoritismo, a falta de isenção e de ética jornalística.
A política de "filhos e enteados" que há muitos anos a esta parte, e não só por causa dos jornais e jornalistas, desgraça a verdade desportiva das nossas competições.
Eu sei que no passado quer O Jogo quer Record já publicaram anuários com capas idênticas em que só apareciam os três clubes do "sistema".
Mas quanto a isso nada a fazer porque o que está para trás não tem remédio.
Mas doravante, tal como não compro as edições em papel de Bola e Record e raramente as de O Jogo, também não voltarei a comprar anuários em que na capa exista uma discriminação clara entre uns e outros.
Já basta o que basta.
Depois Falamos

P.S: Comprarei sempre, isso sim, o guia do jornal "Marca". Anos após ano mais de 400 páginas de grande qualidade sobre o futebol espanhol, europeu e mundial. Aí sim é dinheiro bem gasto pela certa.

Riscos

O meu artigo desta semana no zerozero.

Quem tem a paciência de me ler para concordar ou discordar, e não apenas para um “bota abaixo” que apenas o “conforto” do anonimato estimula, já de há muito terá percebido que não gosto de muitos dos rumos que o futebol actual tem seguido e que do meu ponto de vista  o levarão, mais dia menos dia, a uma crise de consequências imprevisíveis mas certamente muito nefastas.
Na semana passada tive a oportunidade de me referir às loucuras que alguns clubes, apoiados no dinheiro estranho que invadiu o futebol actual , fazem em termos de contratações de jogadores por valores absolutamente absurdos.
E que nos próximos dias, a confirmar-se a ida de Neymar para o PSG, atingirão um novo máximo.
Noutra crónica anterior referi-me ao perigo das apostas que invadiram o futebol de forma abissal e se tornaram porventura no perigo maior para a verdade desportiva das competições e para a manutenção do futebol como um desporto credível sem que até agora quer as entidades que superintendem à modalidade quer os próprios Estados tenham encontrado a resposta adequada.
Existe hoje, é inegável, uma tendência que nada tem a ver com o futebol como modalidade para o transformar num negócio em que giram milhões de um lado para o outro e em que aquilo que é a sua essência, a paixão dos adeptos e a identidade dos clubes, está reduzido a um papel cada vez mais secundário por força do dinheiro em circulação.
E por isso, aqui e ali, se vão vendo tentativas cada vez mais insistentes de adaptarem o futebol aos interesses económicos, especialmente televisivos, tentando introduzir-se nas suas regras e regulamentos novas disposições que facilitem o negócio das televisões.
Como por exemplo dois intervalos em vez de um e descontos de tempo (como no andebol ou basquetebol) que permitiram às televisões inserirem mais espaços publicitários e por consequência facturarem mais dinheiro aos seus anunciantes.
Entre outras menos evidentes.
Vale que o “International Board” é suficientemente conservador para ir travando essas mudanças que tão mal fariam (farão?) à modalidade e lhe retirariam uma das razões do seu sucesso que é em mais de 100 anos as suas principais regras se terem mantido sem alterações de fundo mantendo a simplicidade e a facilidade de serem compreendidas que os seus autores lhes quiseram incutir desde o início.
Mas há outros riscos latentes.
Um deles, que em Portugal fruto dos tolerantes regulamentos que temos é cada vez mais evidente, passa por uma cada vez maior descaracterização dos clubes em termos de uma identidade “local” dos seus planteis face à autêntica invasão de jogadores vindos dos quatro cantos do planeta que chegam todos os dias (passe ao exagero) aos clubes profissionais portugueses.
Ao contrário do que acontece,por exemplo, em Inglaterra em que para se ter uma licença de trabalho é preciso ostentar determinados requisitos profissionais em Portugal qualquer jogador vindo de qualquer lado pode ser imediatamente inscrito e começar a jogar.
E isso leva a que no plantel de clubes da primeira liga, como por exemplo o “meu” Vitória, coexistam um elevado número de atletas de diferentes nacionalidades com todos os problemas de harmonização linguística, cultural, alimentar, “escola” de jogo e por aí fora o que em nada facilita a vida aos treinadores na hora de construirem uma equipa.
Pensou-se, e essa foi uma das razões fundamentais da sua criação, que as equipas B seriam um travão a isso porque constituiriam um espaço de finalização da formação dos jovens jogadores formados nos clubes e o seu primeiro espaço de afirmação em termos de alta competição profissional.
Infelizmente a experiência diz-nos que não tem sido bem assim.
Por um lado porque há ainda um número significativo de clubes das duas ligas profissionais que não tem equipa B e preferem, ao invés de criarem esse espaço essencial aos jovens da respectiva formação, continuar a apostar na importação de jogadores de todo o lado.
Por outro porque nos clubes que tem equipas B a competirem na II Liga (Vitória-Sporting-Benfica-Braga-Porto) depois de uma fase inicial em que de facto essas equipas foram um espaço de afirmação quase exclusivo dos jovens talentos portugueses formados nesses clubes a partir de certa altura tornaram-se espaço privilegiado para a importação de jovens jogadores estrangeiros deixando cada vez menos espaço aos portugueses.
É verdade que isso não impediu que alguns jovens de grande qualidade tenham aparecido (Miguel Silva-Gelson Martins-Renato Sanches-Bruno Xadas-André Silva entre outros)mas a manter-se a actual tendência serão cada vez menos os jovens talentos portugueses que terão oportunidade de se revelarem porque uma vez terminada a formação verão o seu espaço ocupado por esses jovens estrangeiros que,regra geral, em nada lhes são superiores.
É o dinheiro, sempre o dinheiro (e quase sempre apenas a perspectiva dele…) que comandam estas opções dos clubes que “sonham” encontrarem em cada jovem importação uma mina de ouro e correm atrás dessa ilusão ao invés de percorrem o caminho certo que é apostarem naqueles jovens que formaram, que conhecem e que são apostas muito mais seguras embora requeiram mais paciência e mais trabalho.
E se há riscos que os clubes não conseguem combater sozinhos, como o dinheiro estranho que inunda o futebol actual ou as apostas que colocam em sério risco a sua verdade desportiva, há outros que compete apenas e só aos clubes combaterem desde que se convençam dos malefícios do imediatismo e deixem de lado o dinheiro fácil que parece jorrar no actual contexto.
Basta fazerem uma análise correcta do que é a realidade do futebol, terem uma visão estruturada do médio prazo e fazerem as opções estratégicas em função de tudo isso.
Na certeza de que o tempo de tomar decisões certas não espera!

domingo, julho 30, 2017

Neymar

Neymar é um extraordinário futebolista, todos o sabemos, e provavelmente aquele que em termos de classe pura aparece logo a seguir aos ainda inatingiveis Ronaldo e Messi que para já continuam solitários no patamar mais elevado.
Ao serviço do Barcelona e do Brasil, mais do clube que da selecção em boa verdade, tem rubricado grandes exibições, marcado extraordinários golos e deslumbrado quem acorre aos estádios para ver jogar aqueles que o futebol tem de melhor.
Mas não vale 220 milhões de euros!
Nem ele nem futebolista nenhum do mundo, mesmo os "tais" dois, e o facto de o negócio por esse valor absurdo estar prestas a consumar-se apenas confirma a desregulação actual do futebol e a sua permeabilidade a loucuras com origem em país de estranho dinheiro.
Devo dizer que se fosse dirigente do Barcelona, e concordando com a posição do seu presidente que afirma que o clube catalão não baixará um cêntimo à clausula de rescisão, rezaria a todos os anjinhos para que o negócio se realizasse e o mais depressa possível.
Porque perdendo um jogador de categoria mundial a verba que o clube vai receber dá para ir ao mercado e contratar dois ou três jogadores de altíssimo nível que não só suprirão a partida do brasileiro como tornarão o plantel ainda mais forte.
Se pensamos que de nomes como Griezman, Hazard, Dybala, Mbappé ou Coutinho, entre outros desse patamar, o Barcelona poderá contratar dois ou três de uma assentada percebe-se bem que a direcção do clube e os próprios adeptos (o que é significativo) estejam pouco ou nada preocupados com a saída de Neymar.
Fica apenas o problema deste estranho dinheiro que anda pelo futebol mas esse não é problema que os clubes possam resolver face à realidade das coisas.
É um problema da UEFA, da FIFA e dos próprios Estados.
E convém que o resolvam.
Porque o excesso de dinheiro também pode matar o futebol.
Depois Falamos

Taj Mahal


Praia, Tasmânia


Curiosidades...


sexta-feira, julho 28, 2017

A Melhor Opção

Aceitei o convite do meu partido para em sua representação integrar a lista da coligação "Juntos por Guimarães" candidata à Assembleia Municipal.
Será a sétima vez que me candidato (1985-1989-1993-1997-2009-2013 e agora) e nas cinco anteriores fui eleito tal como espero voltar a ser nas de 1 de Outubro próximo se for essa a vontade dos eleitores vimaranenses.
Faço-o por três razões:
Em primeiro lugar porque como vimaranense sempre tive imenso gosto em estar presente nos orgãos autárquicos da minha Terra e neles (curiosamente sempre na Assembleia Municipal) dar o meu modesto contributo a Guimarães.
Em segundo lugar porque acredito profundamente no projecto da coligação.
Nas suas ideias, nas suas propostas, na visão que tem do futuro de Guimarães.
Projectos e ideias laboriosamente trabalhados, estudados em todas as suas componentes e alternativas, assentes em muitas centenas de visitas e conversas com as instituições e pessoas da nossa Terra ao longo desta última meia dúzia de anos.
Nada resulta do improviso, não há propostas elaboradas em cima do joelho nem ideias atiradas ao acaso a ver se pegam.
O programa de governo de Guimarães a apresentar pela coligação , dando sequência às várias propostas já apresentadas para a cidade, para o concelho, para a criação de emprego entre outras , resulta de muito trabalho, muito estudo, muito conhecimento da realidade.
Em terceiro lugar pelo André Coelho Lima.
Que conheci ainda menino, mas já cheio de ideias e ambições para a sua Terra(nesse tempo mais centradas no "nosso" Vitória de que não precisa de usar cachecol para ser identificado como um adepto de toda a vida), e cujo crescimento político, pessoal e profissional tenho acompanhado ao longo dos anos.
Vi-o com a Susana construir uma família exemplar, com quatro filhos educados de forma esmerada (vimaranenses e vitorianos é claro) , e vi-os a ambos trabalharem duramente nas suas profissões para que nada lhes falte num caminho que ainda será longo debaixo da "asa" protectora dos pais.
Vi-o construir uma carreira profissional de sucesso, erguendo laboriosamente com alguns associados e amigos um escritório de advogados prestigiado que subsiste do seu trabalho e da competência dos seus colaboradores sem necessitar de qualquer tipo de avenças, ajustes directos e outras sinecuras oriundas do poder político.
Vejo hoje um homem preparado.
Que estudou Guimarães, que teve a humildade de quando não sabia perguntar, que calcorreou milhares de vezes o seu concelho para conhecer as pessoas, as instituições, os problemas e poder para elas apresentar as melhores soluções.
Cabe aqui um aparte pessoal para dizer que nalgumas dessas visitas o acompanhei nalguns percursos e constatei, com silenciosa satisfação que nunca lhe transmiti, que ele conhece as avenidas, as ruas, as vielas, os atalhos, as estradas nacionais e municipais, os caminhos , em suma conhece profundamente o concelho de Guimarães.
Mas vejo também um cidadão exemplar.
Que sempre tratou todos por igual com uma amabilidade,uma correcção e uma educação que o tornam naturalmente simpático para quem o conhece e caracterizam a sua elevada estatura moral e de cidadania.
É um homem de Guimarães.
Com um enorme orgulho em o ser, com uma ligação profunda a várias instituições do nosso concelho entre as quais se destaca naturalmente o Vitória de que é adepto desde sempre e de que foi dirigente em mais que uma ocasião, mas também a várias outras que resultam do seu empenho em servir a sua Terra das mais diferentes formas.
E por tudo isto, e seguramente muito mais, André Coelho Lima deve ser o próximo presidente de Câmara de Guimarães.
Porque este é o seu tempo.
O tempo de quem se preparou durante vários anos para isso e está hoje plenamente capaz de assumir esse enorme desafio.
O tempo de quem construiu um percurso de vida profissional, pessoal,associativo e político absolutamente exemplar e que são o melhor garante do cidadão que está por trás do político e candidato.
O tempo de quem merece o voto por ter os melhores projectos e as melhores ideias para Guimarães , por ser o candidato melhor preparado e o que assegura à sua Terra uma visão de futuro que mais nenhum tem , e por nada mais do que isso.
Este é o tempo de André Coelho Lima.
E por isso,também por isso, aceitei voltar a candidatar-me à Assembleia Municipal e  continuar a ser um "soldado" mais neste combate que ele e a coligação travam por Guimarães desde há muito tempo e que espero plenamente reconhecido e votado pela maioria dos vimaranenses em um de Outubro.
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