segunda-feira, outubro 23, 2017

Ganhar!

Pedro Martins é um optimista e ninguém lhe pode levar isso a mal!
Considerar que basta um triunfo frente ao Portimonense é o suficiente para tudo voltar à normalidade é de uma candura e um optimismo que não surpreendem mas deixam,isso sim, bastas razões de preocupação.
O Vitória em catorze jogos oficiais já disputados perdeu metade,
Perdeu a supertaça, está com pé e meio fora da Liga Europa, começou mal a taça CTT, está em décimo primeiro na Liga (embora hoje um triunfo o faça subir a um "magnífico" nono lugar) com mais quatro pontos que o último e mais seis que o quarto classificado.
Na Taça de Portugal,aí sim, começou muito bem com uma goleada ao Vasco da Gama da Vidigueira,da distrital de Beja, marcando seis golos e sofrendo um que é provavelmente o facto mais relevante do jogo.
Mas Pedro Martins acha que um triunfo branqueia este sombrio panorama.
Que é aliás agravado pela quase sempre fraca qualidade exibicional, pelos pontas de lança que não marcam golos (ok, marcaram ao Vasco da Gama da Vidigueira), pelas convocatórias em constante mutação e por substituições difíceis de entender como Marselha foi uma vez mais exemplo.
É evidente que hoje temos de ganhar.
Mas infelizmente não consigo partilhar do optimismo de Pedro Martins quanto aos efeitos regeneradores do eventual triunfo.
É preciso muito mais e muito melhor para que tudo volte à normalidade.
Porque a nossa normalidade é ganhar e não perder ou empatar.
Depois Falamos

Cinco

O meu artigo desta semana no zerozero.

O futebol português vive, e dá-se bem, num “microclima” criado pelos seus adeptos, dirigentes e poderosamente estimulado pela comunicação social e por largas décadas de habituação segundo o qual o futebol é uma espécie de centro do mundo e três dos seus clubes mais a selecção e alguns jogadores excepcionais (Eusébio, Futre, Figo e Ronaldo os mais destacados de todos) são o que mais importa e tudo o resto é secundário e pouco ou nada importa.
E por isso televisões ,rádios e jornais dão o espaço que se sabe a essas realidades, fazem programas em que apenas tem assento adeptos desses três clubes, tem colaboradores na imprensa escrita que comentam esses clubes defendendo o seu e atacando os outros dois e vive-se no aparentemente melhor dos mundo com as nossas polemicazinhas semanais, as discussões em torno de árbitros e vídeo-árbitros (nunca com a preocupação da verdade desportiva mas sempre com a ansiedade de saber que os outros não são mais beneficiados que o “nosso”), as revelações de e-mails que mostram o estado a que isto chegou.
Claro que para amenizar as agruras desse “microclima” há sempre o recurso aos feitos da selecção (que felizmente para ela pouco tem a ver com a realidade do futebol que representa…), aos golos e recordes do Ronaldo, à carreira vitoriosa de José Mourinho, à ascensão de Marco Silva e Leonardo Jardim e às carreiras de Bernardo Silva, André Gomes, Nelson Semedo, João Moutinho e mais um ou outro jogador português que se destaque na sua carreira ao serviço de clubes da primeira divisão do futebol europeu.
E depois há a realidade.
A dura e crua realidade de que esta semana tivemos mais uma brutal evidência nos jogos europeus dos clubes portugueses.
Cinco jogos e cinco derrotas!
O Benfica, tetra campeão em título, recebeu um Manchester United que sendo uma equipa forte não é hoje tão poderosa como há meia dúzia de anos, e apenas o caricato golo sofrido por um jovem guarda redes talentoso lhe permitiu desviar as atenções de uma realidade que entra pelos olhos dentro.
A equipa de ano para ano está mais fraca graças à má gestão desportiva do seu presidente, que vende os melhores jogadores sem cuidar de contratar substitutos à altura, e neste jogo com os ingleses não só não fez um remate de jeito à baliza de De Gea como deu provas de uma fraqueza competitiva bem espelhada em três jogos e três derrotas na Liga dos Campeões.
O Sporting em Turim, face a uma Juventus que é vice campeã europeia mas está mais fraca que na época passada, conseguiu equilibrar o jogo em largos períodos (e na segunda parte até esteve por cima durante bastante tempo) mas tal como no ano passado em Madrid os últimos minutos foram-lhe fatais.
E desta vez Jorge Jesus estava no banco…
A verdade é que a tentação tão portuguesa de defender resultados nos últimos minutos saiu mais uma vez mal aos “leões” que agora andam de calculadora na mão a fazerem contas à passagem à fase seguinte.
Em Leipzig um Porto que tinha vencido em Mónaco na jornada anterior, de forma convincente, deu-se mal com uma típica equipa alemã de futebol atlético assente em forte compleição física e bons índices técnicos, recheada de bons jogadores, que venceu com mérito indiscutível.
A isso se juntou o “mistério” Casillas (cujos efeitos ainda estarão por conhecer na plenitude) e uma gestão do jogo e das substituições por Sérgio Conceição que foi francamente errada e em nada melhorou a equipa.
Com dois jogo em casa o Porto tem francas hipóteses de passar mas o aviso ficou dado.
Em Braga o Sporting local recebeu os búlgaros do Ludogorets e a expectativa, face à boa carreira na prova, ia no sentido de que com maior ou menor dificuldade os bracarenses acabassem por vencer o jogo e consolidarem a liderança do seu grupo.
Puro engano.
Os visitantes foram sempre superiores, venceram com mérito, e para o Braga nada estando perdido foi ,ainda assim, um duro encontro com a realidade.
Finalmente o “meu” Vitória.
Que jogando em Marselha, face a um Olímpico que não é nada do que foi no passado e num “Velódromo” longe de ser o inferno de outros tempos (apenas 14.000 espectadores num recinto com capacidade para 65.000 e com 2000 a serem apoiantes vitorianos), sabia que precisava de pontuar para continuar a depender de si próprio quanto ao apuramento.
A equipa até começou bem , jogando desinibida e procurando o golo, conseguiu adiantar-se no marcador na sua melhor jogada de todo o jogo e depois sofrendo o empate e assistindo a ligeira supremacia marselhesa conseguiu ir para intervalo com tudo em aberto.
Na segunda parte...desapareceu.
E por isso o segundo golo dos franceses não só sentenciou a partida como tornou a continuidade vitoriana na Liga Europa algo que apenas a Fé permite continuar a ter como possível.
Uma derrota evitável, face a um adversário ao alcance do Vitória, explicável em grande parte pelas lacunas do plantel vitoriano e em pequena parte pelas substituições desastradas feitas por Pedro Martins no decorrer do jogo.
Em suma cinco jogos e cinco derrotas!
Vitória e Benfica “arrumados” , Sporting com futuro muito incerto e Porto e Braga com boas hipóteses de continuarem em prova mas com avisos claros que tem de fazer mais e melhor.
Uma safra pouco animadora convenhamos para esta fase das competições europeias.
E é sobre esta realidade que dirigentes, comentadores, cronistas e adeptos devem meditar.

quinta-feira, outubro 19, 2017

Fim de Linha?

Sabia-se que era um jogo difícil mesmo depois de se constatar que o Marselha, que no fim de semana defronta o PSG, resolvera poupar alguns titulares no seu onze inicial a pensar nesse compromisso de campeonato.
Sabia-se também que para o Vitória poder manter um mínimo de aspirações ao apuramento teria de pontuar neste jogo sob pena  de remeter para a calculadora as suas hipóteses de continuar na Liga Europa já que em termos de lógica elas ficariam arredadas.
Sabendo tudo isso o Vitória até entrou bem no jogo, procurando jogar a toda a extensão e largura do relvado e sendo de sua autoria os primeiros lances ofensivos da partida o que parecia traduzir uma ambição de discutir taco a taco o resultado.
É certo que com o resultado em 0-0 Miguel Silva fez uma monumental defesa, quando os franceses já gritavam golo, o que terá (?) servido de alerta aos vitorianos para o perigo das mudanças de velocidade do Marselha muito e especial nos lances pelo seu flanco direito.
Mas depois, numa excelente (e infelizmente única...) jogada de contra ataque, o Vitória chegou ao golo num lance em que João Aurélio acelerou pelo seu flanco, serviu Héldon e este fez um cruzamento perfeito ( infelizmente também único...) daqueles que os pontas de lança agradecem e foi isso mesmo que Rafael Martins fez com um desvio pleno de oportunidade.
Naturalmente que o Marselha reagiu mas Miguel Silva e a defesa foram resolvendo os problemas até ao lance em que um marselhês apareceu sozinho no coração da área a restabelecer a igualdade o que tem bom rigor tem de se considerar como justo.
Ao intervalo o resultado de 1-1 não era injusto e a exibição do Vitória tinha de se considerar como sendo de bom plano e deixando boas perspectivas para o segundo período.
Infelizmente na segunda parte o Vitória quase desapareceu do jogo limitando-se a defender e dando todo o espaço de construção ao adversário que não se fazendo rogado foi construindo sucessivas jogas de perigo perante uma defensiva vitoriana em que o atabalhoamento parecia ser cada vez mais a palavra de ordem.
E foi então que se entrou em pleno mistério das substituições.
Quando aos 63 minutos com o empate  vigorar (um resultado que nos servia) saiu Francisco Ramos, depois de uma exibição discreta, foi com surpresa que se viu entrar Hélder Ferreira-um extremo a juntar aos dois que já estavam em campo- em de Célis que dotaria o meio campo de mais "músculo",mais combatividade e mais capacidade de ter bola.
Inexplicável.
Até porque Hélder Ferreira andou perdido no campo sem saber muito bem onde se posicionar.
E logo a seguir outra substituição difícil de perceber.
Sai Rafael Martins, que não denotava problemas fisícos, para entrar ...Texeira.
Ponta de lança por ponta de lança vá-se lá saber porquê quando o que faria sentido era entrar Célis para o tal reforço da intermediária mesmo que isso implicasse (caso se mantivesse a saída de Rafael Martins) jogar sem ponta de lança fixo e ter três homens -Hélder,Raphinha,Héldon- a jogarem soltos na frente.
Entretanto o Marselha faz o segundo golo, num lance em que a defesa vitoriana foi apanhada "distraída", e que faz Pedro Martins em desvantagem no marcador e sabendo que precisava desesperadamente de pontuar?
Mete Célis e tira Rafael Miranda, trinco por trinco, não arrisca nada e deixa no banco Rincón que bem podia ter refrescado o ataque no lugar de um discreto Raphinha ou um "desaparecido" Héldon que mal se viu em todo o segundo período.
Completamente inexplicável esta gestão da equipa por parte do treinador.
É certo que o Vitória no único remate digno desse nome no segundo período-por Wakaso- quase chegava ao golo mas convenhamos que isso daria ao marcador uma expressão que seria completamente injusta face ao que foi o jogo na segunda parte.
Em suma uma muito má segunda parte do Vitória que somada aos erros de Pedro Martins valeu uma derrota e o quase inevitável adeus à Liga Europa num grupo em que tínhamos todas as hipóteses de ficar apurados se a nossa equipa fosse uma das melhores da última década como às vezes se ouve dizer por aí.
Depois Falamos

quarta-feira, outubro 18, 2017

Pôr do Sol


Comboio


Tigre


Desastre

A terceira ronda da Liga dos Campeões foi um perfeito desastre para as equipas portuguesas!
Três jogos equivaleram a três derrotas e a verem seriamente complicadas as possibilidades de passagem à fase seguinte da prova.
Em bom rigor creio que apenas o Porto ainda poderá aspirar a isso porque o Sporting tem a sua situação complicada, embora ainda possa sonhar com o apuramento,enquanto o Benfica terá de tentar ser repescado para a Liga Europa mas nem isso é garantido face ao calendário que tem pela frente.
Na Liga dos Campeões é que não continuará depois das três derrotas averbadas.
Ontem em Leipzig, perante um adversário forte e possuidor das características tipícas das formações alemãs, o Porto nunca conseguiu ultrapassar as invenções do seu treinador (trocar Casillas por José Sá num jogo daquela importância só lembrava a Sérgio Conceição...) e a forma como este não soube mexer na equipa durante o jogo mantendo em campo jogadores em sub rendimento e não dando entrada aqueles que podiam de facto dar uma sapatada no jogo.
Ainda assim, e com dois jogos a fazer no Dragão, o Porto pode perfeitamente apurar-se.
Hoje em Turim, face ao vice campeão europeu, o Sporting bateu-se muito bem e discutiu o resultado até ao fim contra um adversário poderoso e com grande traquejo europeu que fez uso dessa experiência para conseguir vencer com um golo perto do fim.
Tendo também dois jogos em casa o Sporting ainda pode aspirar à passagem mas para isso terá de começar por daqui a duas semanas vencer esta mesma Juventus em Alvalade.
Sem isso nada feito.
Finalmente o Benfica.
Com três jogos e três derrotas resta-lhe tentar jogar a Liga Europa, e nem isso vai ser fácil, porque a sua actual equipa é muito "curta" para poder aspirar à continuidade numa prova com a qualidade da Liga dos Campeões.
Hoje face a um Manchester United que se limitou a jogar em ritmo quase de passeio o Benfica foi de uma impotência confrangedora não conseguindo um único remate enquadrado com a baliza e permitindo 65% de posse de bola ao adversário.
É certo que sofreu o golo num lance infeliz do seu guarda redes (que não deve ser "crucificado" por isso porque parece um jovem de excelente futuro) mas se não fosse aquele golo seria outro porque bastava ao MU acelerar o jogo que a estrutura defensiva do Benfica abanava por todo o lado.
Em suma uma semana infeliz para as equipas portuguesas na Liga dos Campeões que se espera não seja seguida pelas que amanhã jogam para a Liga Europa.
Depois Falamos.

Responsáveis!

Não há "spin", "focus group" ou "fake news" que consigam disfarçar a realidade de o governo da geringonça, liderado por António Costa, ter pesadíssimas responsabilidades no facto de este ano terem morrido em Portugal mais de cem portugueses devido a fogos florestais.
Depois de Pedrogão, em que falhou tudo desde a prevenção à coordenação do combate aos fogos, sem que o governo tirasse consequências do seu falhanço e dos 65 mortos então registados o pais assistiu incrédulo à repetição da tragédia no passado fim de semana.
Com a agravante de a tragédia de Pedrogão em nada ter servido para, ao menos, se aprender com o então sucedido.
Já se sabia que em Maio o governo alterara toda a estrutura da protecção civil afastando gente experiente e preenchendo os lugares com "boys" do PS sem qualquer habilitação ou experiência que os recomendasse para o lugar.
Também se sabia que na mesma altura a agora tardiamente demissionária ministra tinha afirmado no Parlamento que estavam tomadas todas as medidas necessárias a enfrentar a tradicional época de fogos sem sobressaltos de maior.
Era igualmente sabido, mas pouco recordado, que o actual primeiro-ministro no tempo em que fora ministro da administração interna acabara com a Guarda Florestal seguramente uma das razões pelas quais a floresta está menos vigiada do que devia.
E embora ele não goste de o recordar foi também António Costa, nesses tempos do MAI, quem contratou o SIRESP (por um valor cinco vezes superior ao valor real) e quem montou o actual sistema de protecção civil que falhou estrepitosamente este verão.
Sabia-se tudo isto.
E aconteceu Pedrogão.
Em que o relatório da comissão técnica independente aponta erros, falhas ,omissões gravíssimas da responsabilidade da protecção civil, ou seja, do próprio Estado cuja primeira missão é defender as populações.
Que se fez então depois da tragédia de Pedrogão de molde a evitar-se a repetição da mesma?
Nada de positivo.
No orçamento de estado para o próximo ano as verbas para a protecção civil diminuíram em cerca de 10%. O que não deixa de ser espantoso face às recentes declarações de António Costa segundo as quais estes fenómenos "é inevitável que se repitam nos próximos anos"(sic)! Então são inevitáveis e diminuem-se as verbas destinadas ao seu combate? Há aqui qualquer coisa que não bate certo
Não se compraram dois aviões "Canadair" próprios para o combate a fogos cuja negociação tinha sido deixada pronta pelo anterior governo. 
Deixaram-se caducar os contratos de aluguer de alguns dos aviões que operavam no combate aos fogos o que significa que em plena tragédia esses aviões deixaram de operar!
Isto quando a protecçao civil reconhece que faltaram meios aéreos no passado fim de semana.
E caberá aqui recordar que foi o actual governo que impediu a Força Aérea de participar no combate aos fogos florestais.
De forma perfeitamente irresponsável o governo manteve as fases de combate aos fogos (que definem o empenhamento de meio no combate aos mesmos) em função do calendário e  não do clima quanto todos os alertas metereológicos apontavam para condições de risco nos primeiros dias de Outubro.
Assim terminaram a fase "Charlie" a 30 de Setembro, o que implicou desmobilizar cerca de 40% dos efectivos, absolutamente insensíveis a todos os alertas e o secretário de estado ainda afirmou no Parlamento que o fim dessa fase tinha os riscos devidamente calculados!!!
Viu-se...
Acresce a isto que o final da fase "Charlie", que podia ter sido adiado por algumas semanas como acontecera em anos anteriores, implicou o encerramento de mais de 230 posto de vigilância florestal com as consequências fáceis de perceber em termos de vigilância da floresta.
São demasiados erros, e bem graves, para um governo que ao longo destas duas tragédias deu sempre uma imagem de incapacidade, incompetência e inexperiência para fazer frente a situações de calamidade publica.
O que não deixa de ser curioso porque o PS esteve no governo em seis dos últimos dez anos e em treze dos últimos vinte e em boa parte deles com António Costa a fazer parte do elenco governativo e em funções directamente ligadas a estas matérias.
O governo, António Costa, Constança Urbano de Sousa (teve de ser o Presidente da República a pô-la na rua mas lá saiu...) e toda a estrutura ligada à protecção civil tem pesadas responsabilidades em tudo que sucedeu e mais cedo ou mais tarde responderão por isso.
Eles e quem os apoia em termos parlamentares bem entendido.
Mais de cem mortos, dezenas de feridos, famílias desfeitas, muitos milhões de euros de prejuízos, a floresta devastada, as empresas destruídas, as pessoas que perderam casas e bens e ainda não viram um cêntimo de indemnizações exigem que desta vez a culpa não morra solteira!
E não é a demissão forçada de uma ministra insensível e incompetente que expia a culpa dos responsáveis!
Depois Falamos.

P.S. Como se tudo isto já não fosse suficientemente mau o país ainda teve de ouvir, incrédulo e indignado, declarações estúpidas do primeiro ministro sobre "vontade de rir" , infantilidade de demissões", "inevitabilidade de estas situações se repetirem" , da ministra sobre as "férias que não teve" e sobre a "resiliência das populações" não faltando a este lote o secretário de estado com a espantosa tese de que as populações "não podem esperar pelos bombeiros e pelos aviões tem é que se organizar" !!!
Infelizmente a nenhum deles se ouviu o pedido de desculpas que era o mínimo exigível a pessoas decentes face a tudo que se passou.
A pessoas decentes repito...

terça-feira, outubro 17, 2017

Cisne


O Futuro do PSD

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.
 Já foi suficientemente visto, analisado e comentado o resultado das últimas eleições autárquicas que se saldou por uma clara vitória do PS, por um derrota do PSD, uma grande derrota da CDU e a estagnação autárquica do Bloco de Esquerda com quem definitivamente os portugueses nada querem em termos de autarquias.
Também se sabem as consequências dos resultados.
No PS nada se passou, nem tinha que passar, porque quando um partido ganha eleições isso normalmente corresponde à escolha de estratégias e protagonistas acertados pelo que dos felizes não costuma rezar a História.
Na CDU também não se passou nada porque em bom rigor lá nunca se passa nada seja qual for o resultado eleitoral porque desde sempre cantam vitória mesmo nas maiores e mais estrondosas derrotas como foi a de um de Outubro passado.
Enquanto noutros partidos (leia-se PSD e PS) a perda de um terço das câmaras municipais provocaria um autêntico terramoto interno que descambaria na deposição do líder, em congressos antecipados e na eleição de novos dirigentes nos partidos da CDU nada disso aconteceu.
No PCP porque existe a tal cultura de nunca assumir derrotas seja qual for o resultado e nos “Verdes” porque à queda dos actuais orgãos suceder-se-ia inevitavelmente a eleição das mesmas pessoas para os mesmos cargos porque as coisas...são o que são.
No Bloco de Esquerda a derrota , a estagnação, a rejeição das suas soluções autárquicas foi recebida com um silêncio e um assobiar para o lado que tem sido a imagem de marca do partido desde que se associou à geringonça e perdeu o “pio” que outrora era diário,insistente e até incomodativo.
No PSD, o partido mais português de Portugal, é que as coisas foram substancialmente diferentes na forma como o resultado foi recebido e interpretado e no desfecho a que isso conduziu.
Como é sabido o líder, agora de saída, Pedro Passos Coelho entendeu não ter condições para se recandidatar a novo mandato e com a serenidade que sempre foi a sua imagem de marca anunciou que uma vez terminado o seu mandato não seria candidato à reeleição.
Sem dramas, sem emotividades, considerando que era tempo de terminar este ciclo de liderança no qual dirigiu o partido durante seis anos ,e o país durante quatro, em tempos reconhecidamente difíceis e de grande esforço pessoal face a situações que nunca evocou, mas que são conhecidas, da sua vida pessoal.
A História lhe fará a devida justiça em relação ao que foi a sua acção neste período na certeza de que o partido e o país voltarão a contar com ele mais dia menos dia ultrapassado um período de inevitável afastamento da vida política.
Em bom rigor este afastamento de Passos Coelho deve-se a uma leitura pessoal da situação política e do que entendia serem as suas condições para exercer com êxito a liderança nos próximos anos e não a pressões dispersas e pouco significativas de alguns militantes que se achando ilustres e credores de privilégios que a todos os outros não são reconhecidos passaram os últimos largos meses/anos mais preocupados em criarem condições para afastarem o líder do que empenhados em ajudarem o partido a ganhar as autárquicas.
Felizmente não faltará oportunidade para julgar esses comportamentos em próximos actos eleitorais internos!
Vai agora o PSD escolher o seu próximo líder através de eleições directas em que todos os militantes terão direito de participarem sendo parte integrante da escolha.
Como é sabido estão já anunciadas duas candidaturas ,nas pessoas de Pedro Santana Lopes e de Rui Rio, não sendo de excluir (embora considere pouco provável que isso venha a acontecer) que ainda possa aparecer mais uma outra candidatura cuja legitimidade será tão inegável quanto a sua inutilidade no que concerne a efectiva opção para a liderança por parte dos militantes.
Não faltará certamente oportunidade para em próximos textos me pronunciar sobre estas eleições, sobre estas candidaturas e sobre estes candidatos mas hoje , de uma forma genérica, direi apenas que o próximo líder do PSD para além da óbvia preocupação em construir uma alternativa política ganhadora a esta geringonça que por ai anda vai ter ter de se preocupar também, e muito, com o próprio partido e com aquilo que entendo dever ser a sua reorganização ideológica e organizativa.
Reforçar nas suas propostas externas e no programa eleitoral que vai construir, para em 2019 ser sufragado pelos portugueses, a nossa inequívoca matriz social democrata de molde a disputar ao PS um espaço político ao centro que é onde se ganham eleições.
Mas também reflectir e tomar medidas na organização interna do partido.
Estatutos, regulamentos, inerências, incompatibilidades e outras matérias e temas cuja reforma não pode ser adiada sob pena de o partido se anquilosar (ainda mais…) em torno de práticas e “praticantes” que impedem o bom funcionamento dos orgãos e a abertura do partido a mais militantes e mais participação dos mesmos na direcção do partido desde os núcleos às distritais.
Assunto a que também voltarei com detalhe um destes dias.


P.S. Nunca gostei de tabus. E por isso assumo gostosamente que nas próximas directas apoio sem reservas e com entusiasmo a candidatura de Pedro Santana Lopes.

segunda-feira, outubro 16, 2017

Lago


Raposito


Pescador


Decisivo

Ultrapassado o primeiro compromisso na Taça de Portugal, face a um Vasco da Gama da Vidigueira que não teve naturalmente argumentos face ao maior poderio da equipa vimaranense, vem aí o segundo "mata mata" da temporada face ao Marselha.
Sendo que o primeiro foi uma supertaça ingloriamente perdida.
Entendendo-se" mata mata", na boa acepção de Scolari, como um jogo em que apenas o triunfo interessa porque a derrota deixa o Vitória fora da Liga Europa, em termos de poder passar à fase seguinte, e o empate obrigá-lo-à a ter de fazer muitas contas e depender sempre de terceiros.
E por isso há que ganhar.
O que sendo mais fácil de dizer do que de fazer é, ainda assim, algo que está ao alcance do Vitória actual (do da época passada estava de certeza...) se a equipa for rigorosa a defender e no ataque souber concretizar em golo alguma(s) da(s) oportunidade(s) que venha a conseguir criar.
Em último lugar num grupo acessível, o que apenas é explicável por uma equipa que foi preparada (?) para uma época com cinco competições de forma insuficiente e pouco responsável, o Vitória tem ainda assim argumentos para fazer frente a um Marselha longe das equipas poderosas que teve no passado mas que ainda assim segue em quarto lugar no campeonato francês.
Pede-se uma equipa bem montada, uma táctica eficaz e adequada ao adversário e às circunstâncias, o máximo rigor dos jogadores e da equipa no cumprimento do plano delineado para este jogo.
Que com as naturais precauções defensivas não pode deixar de ter uma considerável dose de ousadia ofensiva e a capacidade de saber correr riscos num jogo em que apenas o triunfo serve os nossos interesses.
Há que arriscar, há que não ter medo, há que fazer jus ao epíteto de "Conquistadores".
Porque seria muito mau que se chegasse a meio de Outubro e apenas nos restasse campeonato(onde a prestação tem sido muito abaixo do expectável) e taça de Portugal para disputar visto que uma derrota em Marselha arrumava a Liga Europa, a supertaça está perdida e a taça CTT teve um começo que não entusiasmou.
Acreditemos que Marselha pode ser um ponto de viragem.
Depois Falamos.

P.S. Quinta feira às 18.00 h na SIC.

O "Fair Play" da Taça

O meu artigo desta semana no zerozero.
A taça de Portugal é, todos o sabemos, uma prova diferente que tendo um sortilégio muito próprio (o chamado “espírito” de Taça) a torna particularmente atraente para todos os clubes que nela participam.
Também porque permite, ao contrário de competições em que a regularidade é o factor predominante, que equipa mais fracas num dia de inspiração se imponham a equipas mais fortes e consigam ultrapassá-las tornando-se naquilo a que se convencionou chamar os “tomba gigantes”.
Aliás a isso se deve o facto de em Portugal apenas cinco equipas terem ganho o campeonato enquanto a Taça já teve doze vencedores diferentes a saber Benfica,Porto,Sporting,Boavista, Belenenses (os tais cinco campeões), Vitória, Académica, Vitória de Setúbal, Braga,Leixões ,Beira Mar e Estrela da Amadora.
É uma prova muito mais “democrática” e daí advém também boa parta da sua enorme popularidade.
Não sendo também despiciendo considerar que o facto de a Taça levar aos quatro cantos de Portugal as equipas da primeira liga, permitindo que nalguns pontos do país se vejam jogar emblemas e jogadores que em condições normais nunca lá jogam, se torna também uma atracção suplementar para os portugueses dedicaram tanto carinho e atenção a esta prova.
Reconhecendo isso, e muito bem, a FPF teve o cuidado de incluir no regulamento da prova uma alínea segundo a qual na terceira eliminatória (a primeira em que participam equipas do primeiro escalão) as referidas equipas da primeira liga jogam obrigatoriamente fora quando o adversário que lhe tocar em sorteio seja de um escalão inferior.
Com isto se pretende fomentar a tal “festa” da Taça e a promoção do futebol levando as equipas de maior valia a visitarem estádios onde de outra forma dificilmente ou nunca iriam e com isso fomentando também a aparição dos tais “tomba gigantes” que dão um sabor especial à prova.
Mas estamos em Portugal.
Onde há clubes que se acham os “donos disto tudo” e que com a ajuda das televisões e da subserviência da generalidade dos dirigentes dos clubes com quem jogam rapidamente transformaram a boa ideia da FPF numa perfeita inutilidade dando cabo do “espírito” de taça e fazendo do fair play existente na tal alínea uma palavra vã.
Com argumentos de maior receita, de falta de segurança nos estádios, ou de não terem estádios à altura de receberem jogos com equipas de escalões superiores convenientemente ajudados pelo factos de nalguns desses estádios não existirem realmente condições para as transmissões televisivas rapidamente os jogos de alguns clubes primodivisionários deixaram de ser onde deviam para passarem a ser onde lhes deu mais jeito.
E foi assim que o Porto em vez de jogar em Évora foi defrontar o Lusitano ao Restelo, foi assim que o Benfica em vez de jogar em Olhão (onde há apenas três anos se jogava para a primeira liga) jogou com o Olhanense no estádio Algarve, foi assim que o Braga em vez de ir a S. Martinho do Campo fez o jogo em Vila das Aves entre outros exemplos possíveis desta época e de épocas anteriores.
Ou seja em vez de eliminatórias da Taça tivemos treinos dos clubes mais fortes.
Honra seja feita, porque eles sim serviram o legítimo interesse do nosso futebol, aos dirigentes do Vasco da Gama da Vidigueira, do Oleiros, do Torcatense e do Vilaverdense ( e este clube, fruto da coragem da sua direcção, acabou por ser “tomba gigantes”) entre outros que souberam dizer não a pretextos mentirosos, souberam por a verdade desportiva acima do interesse financeiro, não”venderam” o resultado aceitando jogar onde dava jeito ao adversário e receberam Vitória, Sporting,Marítimo e Boavista nos seus recintos dando com isso também um enorme sinal de respeito pelos seus adeptos.
Vitória e Sporting passaram sem dificuldades, Marítimo sofreu mas passou e o Boavista caiu em Vila Verde, mas de uma coisa todos podem ficar certos; é que foram jogos em que a verdade desportiva prevaleceu e o respeito pelas regras do sorteio foi plenamente cumprido.
Noutros, com outros protagonistas, foi a habitual “xico espertice” que corrói o nosso futebol e que põe cada vez mais em causa a verdade desportiva das suas competições.
Uma nota final sobre o fair play da Taça e especificamente no jogo entre o Vasco da Gama da Vidigueira e o Vitória.
A partida disputou-se na Vidigueira, num estádio de pequena lotação (sabendo-se que o Vitória se faz sempre acompanhar de numerosos adeptos) e com piso sintéctico sem que da parte dos dirigentes locais tivesse sido manifestada qualquer intenção de jogarem noutro lado e sem que da parte dos dirigentes vitorianos existisse qualquer diligência nesse sentido.
Muito bem uns e outros porque Taça é Taça e quem acha que não tem recintos adequados a receber adversários de escalão superior então mais vale nem se inscrever na prova.
Fez-se o jogo, o Vitória ganhou naturalmente e com goleada à mistura, mas isso não obstou a que no final do jogo ambas as equipas se juntassem no centro do relvado para uma foto de família.
Isto sim é espírito de taça, isto sim é “fair play”, isto sim é defender o futebol.

P.S São conhecidas as imagens ,posteriores ao jogo, de um bem animado jantar entre os jogadores do Vasco da Gama da Vidigueira e adeptos do Vitória todos em alegre confraternização num restaurante local.
Fosse com outros clubes e seria notícia de telejornal.
Como não foi resta o consolo de sabermos que até um pequeno clube alentejano dos distritais de Beja pode, em termos de desportivismo, ser tão grande como os maiores.
Provavelmente maior até...
E que os adeptos do Vitória, tantas vezes tão mal tratados pela imprensa, se limitam em todo o lado a saberem retribuir na exacta proporção da forma como são tratados.

domingo, outubro 15, 2017

Sugestão de Leitura

Não é habitual ler duas biografias seguidas escritas pelo mesmo autor.
Mas desta vez aconteceu.
E pela pena de Joaquim Vieira li as biografias de Mário Soares , em primeiro lugar por ordem de compra, e agora a de Francisco Pinto Balsemão saída mais  recentemente em Julho do corrente ano de 2017.
Se já tinha gostado da de Soares devo dizer que também gostei bastante da de Balsemão.
Antes de ler a obra já tinha lido algumas críticas ao autor por causa de determinadas referências que faz no livro, e que alguns muito à portuguesa interpretaram como ajustes de contas entre o autor e o seu antigo patrão, mas uma vez lido este concluo que essa criticas são injustas e sem razão de ser porque nada do que Joaquim Vieira narra é falso ou desconhecido da opinião pública.
No resto, que é o que mais importa, creio que é globalmente uma biografia muito bem escrita sobre um homem que foi fundador do PPD e primeiro-ministro de Portugal mas que ficará para a História (e acredito que isso agradará ao próprio) como jornalista e grande empresário na área da  imprensa que fundou alguns dos mais relevantes orgãos de comunicação social deste país como o Expresso e a SIC.
Embora como primeiro-ministro e líder do PSD também tenha deixado o seu nome ligado a momentos relevantes como a revisão constitucional que acabou com o conselho da revolução ou a aprovação da lei de defesa nacional.
É uma biografia muito completa sobre o homem, o político, o empresário, a sua vida pessoal, académica e profissional, os negócios e os amigos, as zangas e as cumplicidades e pelo livro passam todas as grandes personalidades portuguesas desde os finais dos anos 50 do século passado até à actualidade.
Indispensável a quem quiser conhecer a História de Portugal dos últimos sessenta anos.
Gostei muito.
Depois Falamos

Pôr do Sol


Alpes Austriacos


Pássaros


sexta-feira, outubro 13, 2017

Goleadores

Portugal, em termos de selecção A, nunca foi um país famoso pelos seus goleadores.
Houve Eusébio,é claro, um dos melhores jogadores mundiais de todos os tempos e que marcou muitos golos pela selecção num tempo em que as selecções tinham muito menos jogos do que actualmente.
Antes dele houve outros goleadores como Pinga, Peyroteo ou Matateu mas cuja safra goleadora (porque no seu tempo ainda havia menos jogos que no de Eusébio) não ficou nem perto da do "Pantera Negra" e depois dele houve também grandes goleadores nas provas nacionais mas que na selecção nunca revelaram a mesma veia goleadora como foram os casos de Jordão, Gomes, Néné ou Manuel Fernandes.
Veio então um trio composto por Pauleta, Nuno Gomes e Hélder Postiga que se revelaram os melhores no pós Eusébio com o primeiro deles a ultrapassar,inclusive, o seu recorde de golos sendo durante algum tempo o melhor marcador de sempre da selecção com 47 golos.
Nuno Gomes com 29 e Postiga com 27 vinham logo a seguir a Pauleta e Eusébio tendo entre eles apenas Figo que fez 32 golos pela selecção embora não sendo um goleador por excelência.
Foi então que surgiu o "furacão" Ronaldo que com os 79 golos já apontados coloca o recorde em números fabulosos e que ainda vão aumentar nos três ou quatro anos de carreira que tem pela frente se continuar a marcar ao ritmo a que o tem feito desde 2003.
Mas se ter um grande goleador na selecção já era excelente ter dois em simultâneo é extraordinário, algo que Portugal nunca tinha tido, e abre excelentes perspectivas para as próximas grandes competições internacionais em que o país estará presente.
André Silva aos 21 anos tem já números "à Ronaldo" que o catapultam para uma carreira que muito promete face à produtividade goleadora demonstrada.
Pela selecção fez 17 jogos e onze golos com o particular destaque  de nosso grupo de qualificação para o mundial da Rússia ter feito 9 golos em 10 jogos o que é magnifico e o coloca no topo dos melhores europeus nesta fase de apuramento.
Ele e Ronaldo, que ainda por cima se complementam muito bem nas suas movimentações, são sem sombra de duvida os alicerces em que assentará a nossa participação no mundial e aquilo que nele de positivos se conseguir.
Porque ter duas "máquinas" de fazer golos na frente de ataque de uma selecção não é para quem quer mas para quem pode.
E Portugal pode.
Depois Falamos.

O Drama do Vitória B

Consumidos com as tristezas deste decepcionante início de época da equipa A muitos adeptos vitorianos nem se terão apercebido,ainda, do drama em que vive a nossa equipa B a fazer um inicio de campeonato quase aflitivo.
A verdade é que a nossa equipa B decorridas nove jornadas do campeonato da II liga se encontra em último lugar na classificação fruto de dois triunfos, dois empates e cinco derrotas deixando fortes preocupações quanto ao resto da prova e à sua manutenção no segundo escalão do nosso futebol.
O campeonato é longo- tem 38 jornadas- e naturalmente que nos 29 jogos que ainda tem para disputar a equipa pode recuperar e alcanças um posicionamento classificativo idêntico ao dos últimos anos que lhe permita manter-se na divisão adequada a ser um "fornecedor" privilegiado da equipa A.
A questão é se tem os recurso humanos-jogadores- necessários a essa recuperação.
Creio que se (quase) todos estamos de acordo sobre a forma insuficiente e descuidada como foi constituído o plantel A não admirará ninguém que na B o panorama ainda tenha sido pior e os resultados estejam em linha directa com isso.
Como é sabido, mas nem por todos lembrado,a equipa B foi criada para ser a última etapa de formação dos nossos jovens vindos dos escalões inferiores e simultaneamente a sua primeira etapa de profissionalismo.
Equivale isto a dizer que (e foi para isso que as equipas B foram criadas) devia ser constituída maioritariamente por jovens portugueses formados no clube a que se juntariam outros jovens portugueses recrutados noutros clubes e excepcionalmente jovens estrangeiros de indiscutível valor que através da equipa B se adaptariam ao clube e ao futebol português antes de transitarem para a A.
É inequívoco que a equipa B do Vitória desde a sua criação em 2012 tem dado excelentes frutos.
Paulo Oliveira, Ricardo, Tiago Rodrigues, Hernâni, Miguel Silva, João Pedro, Tomané, Bruno Alves, João Amorim, Areias, Josué, Luís Rocha,Diogo Lamelas, Bernard, Cafú, Konan, Dalbert, Zitouni, Vigário, Denis Duarte,Xande Silva, Tyler Boyd, Pedro Lemos, Kanu, Raphinha, Zungu, entre outros.
Uns estão no clube, outros transferidos com proveitos económicos, outros que por isto ou aquilo não triunfaram no Vitória mas estão noutros clubes da nossa primeira e segunda liga ou no estrangeiro a fazerem carreiras meritórias.
Num ou noutro caso bem podiam estar ainda no Vitória porque me parece que tinham cá lugar.
Mas, como se diz nos fundos de investimento, rentabilidades passadas não garantem rentabilidades futuras o que equivale a dizer que não é por a equipa B no passado ter obtido bons resultados e formado bons jogadores para a A que isso vai acontecer sempre e de forma automática.
Especialmente se, como nesta época, a sua constituição em termos de plantel tiver sido feita ao "deus dará" sem a elementar preocupação de lhe garantir um grupo sólido, coeso e competitivo para enfrentar um campeonato tão longo e tão duro como o da II liga.
Já todos sabemos que na época passada Vítor Campelos se viu obrigado a utilizar 55 (!!!) jogadores naquilo que deve ser recorde mundial numa equipa de futebol profissional.
Esta época, e nem considerando nomes como Vigário e Marcos Valente que são mais da A que da B, o plantel parece ter trinta e oito jogadores dos quais 20 (!!!) são estrangeiros e 18 portugueses o que obviamente nada tem a ver com um projecto de gestão desportiva racional e pensado mas apenas com o fazer da equipa B um autêntico entreposto de jogadores na esperança de que alguns deem certo e possam reforçar a A ou serem vendidos.
Como pode um treinador, seja ele quem for, gerir um balneário com 38 jogadores de 12(!!!) nacionalidades diferentes de molde a construir a tal equipa coesa e competitiva?
Não pode.
Portugal com 18 jogadores (ainda) é a nacionalidade mais representada mas depois aparece o Brasil com sete jogadores, o Gana a Costa do Marfim e a África do Sul com dois, e Mali,Rússia,Tunísia, Líbia, Luxemburgo, Hungria e Camarões com um cada.
Convenhamos que não faz sentido nenhum seja qual for o ponto de vista.
E por isso a equipa B pena no último lugar da classificação e o seu futuro apresenta-se carregado de preocupações no que concerne à manutenção na II Liga quando o expectável era que após a boa temporada feita na época passada este ano a bitola se mantivesse e a equipa estivesse a fazer um campeonato tranquilo.
Ou seja uma história idêntica à da equipa A ressalvadas as devidas diferenças.
Depois Falamos

P.S. Os dados sobre o número de portugueses e estrangeiros foram retirados do site zerozero e creio , mais um menos um , corresponderem à realidade.
Em relação a este drama da B ainda podia referir mais este ou aquele detalhe mas por hoje não vale a pena. Fica para próxima oportunidade.

Monument Valley


Biblioteca de Cottbus, Alemanha


Veado


quinta-feira, outubro 12, 2017

A Caminho da Rússia

Há uma velho ditado que afirma que não interessa como as coisas começam mas sim como acabam.
Na noite de terça feira Portugal e Suíça fizeram a prova provada disso em volta da questão do apuramento para o Mundial da Rússia.
A selecção suíça conseguiu nove vitórias consecutivas mas perdendo o último jogo ficou "condenada" ao play off enquanto a de  Portugal começou com uma derrota mas depois obtendo,também ela, nove vitórias consecutivas conseguiu o apuramento directo e estará no mundial sem ter de passar por um play off sempre imprevisível.
Há que dizer que Portugal fez uma notável fase de apuramento.
Perdeu o primeiro jogo, é certo, ainda na "ressaca" do titulo europeu e alinhando sem Ronaldo e André Silva (e analisando os nove restantes jogo percebe-se bem a falta que fizeram) mas depois fez uma fase de apuramento absolutamente impecável vencendo todos os jogos de molde a chegar ao "mata mata" da Luz a depender de si própria .
E aí, mais uma vez, não falhou e conseguiu o resultado que lhe interessava.
Portugal não é uma equipa que faça exibições brilhantes, o que não obsta a que tenha fases dos jogos em que...brilha, mas é uma equipa muito consistente, com os jogadores a interpretarem muito bem o que o treinador lhe pede, que sabe marcar o ritmo de jogo que mais lhe interessa e desferir os "golpes" fatais no adversário nas alturas certas como ainda na terça feira se constatou com o primeiro golo a quatro minutos do intervalo.
E depois é uma equipa moralizada pelos resultados e pelo facto de sendo campeã europeia isso dar aos seus jogadores um estatuto que os motiva e que os adversários, de forma mais ou menos consciente, reconhecem e lhes cria um sentimento de inevitável inferioridade.
Juntando a isso o facto, raro em selecções de Portugal, de ter na frente duas "máquinas" de fazer golos (Ronaldo e André Silva) tal torna a equipa num adversário extremamente difícil de bater como os seus rivais nesta fase de apuramento bem perceberam ao sofrerem trinta e dois golos nos dez jogos feitos contra a nossa selecção.
Sendo igualmente verdade que uma defesa que sofreu apenas quatro golos também esteve à altura da produtividade atacante.
Portugal estará na Rússia naquela que é a sua décima fase final consecutiva de grandes provas internacionais uma saga que começou em 2000 e promete continuar.
Transforma isso Portugal num candidato ao título mundial?
Dentro da lógica, que vem do Europeu de França, de sermos candidatos mas não favoritos sem dúvida que sim.
Assunto para próximos escritos todavia.
Depois Falamos

quarta-feira, outubro 11, 2017

Santana e Rio

Declaração de interesses: Apoio Pedro Santana Lopes, tudo farei para que ele ganhe as directas, nele vou votar e estou perfeitamente convencido que será o próximo líder do PSD.
Dito isto creio que é um enorme privilégio para o PSD poder contar com dois militantes desta craveira a disputarem a liderança do partido dando, quer um quer outro, plenas garantias de que sendo eleitos estarão à altura dos desafios tremendos que o PSD terá de enfrentar nos próximos anos.
Pedro Santana Lopes já foi líder do partido, já foi primeiro-ministro, já presidiu às câmaras da Figueira da Foz e de Lisboa, já foi líder parlamentar, já foi eurodeputado entre vários outros cargos de menos relevância.
É actualmente Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Rui Rio presidiu à câmara do Porto em três mandatos, foi secretário geral do partido, foi vice presidente do grupo parlamentar e vice presidente do partido com vários lideres(Barroso,Santana, Ferreira Leite), entre outros cargos.
É actualmente director de uma empresa privada que opera na área dos recursos humanos.
São dois currículos relevantes, de dois militantes que são do melhor que o partido tem, cuja disputa pela liderança deve constituir um enorme momento de aproximação do PSD aos portugueses e não da de aumento da fractura que neste momento existe.
Quero com isto dizer que tendo Pedro Santana Lopes confirmado ontem a sua candidatura e hoje Rui Rio a dele é tempo (demasiado tempo do meu ponto de vista mas é apenas a minha opinião) agora de cada um deles apresentar as suas ideias, o seu programa para o partido e a sua visão para Portugal para que os militantes possam escolher o mais bem informados quanto possível.
Conheço os dois há muitos anos.
São pessoas educadissimas , que sabem valorizar o debate político, capazes de proporcionarem uma campanha com elevação e enorme respeito mútuo que constitua um exemplo para o país e dela resulte prestígio para o partido.
É isso que espero de ambos e estou certo que acontecerá.
Resta-me desejar que os respectivos apoiantes estejam à altura dos candidatos, do respeito que o PSD merece e do civismo que os militantes exigem, para que esta campanha seja apenas e só um enorme debate de ideias e não um lavar de "roupa suja" que apenas aproveita aos nossos adversários e aqueles que não querem um PSD forte e alternativo ao actual poder geringonçeiro.
E espero que ninguém se esqueça que uma vez contados os votos aquele que ganhar será o líder de todo o PSD e vai precisar do PSD todo para construir uma alternativa ganhadora  e que volte a dar esperança aos portugueses.
Depois Falamos.

Ilha Spike, Irlanda


Jardim Whampoa,Hong Kong


O Rei e o Principe


terça-feira, outubro 10, 2017

Guimarães - O Futuro

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras

Contados os votos, apurados vencedores e vencidos, sabedores de quem são os eleitos que vão protagonizar o próximo ciclo autárquico no nosso concelho é tempo de deixar algumas reflexões quanto ao futuro.
Partindo da evidente constatação de que a política vimaranense se bipolarizou entre Partido Socialista  e coligação Juntos por  Guimarães, desaparecendo a CDU do mapa camarário (creio que pela primeira vez desde 1976) e não saindo o Bloco de Esquerda da irrelevância autárquica que é uma das suas imagens de marca desde sempre.
E a bipolarização entre as duas forças é de tal ordem que contribuiu para que Guimarães fosse o concelho do distrito em que houve mais votantes (96.147 num universo de 144.092 inscritos) deixando atrás de si o concelho mais populoso do distrito-Braga- onde votaram 94.308 eleitores num universo de 163.633 inscritos.
Essa fenómeno da concentração de votos nas duas principais forças políticas teve o efeito colateral, como atrás referido, de fazer a CDU perder o seu único vereador, a última junta de freguesia a que presidia-Gondar- e dois deputados municipais ficando reduzida à sua menor representação de sempre em termos de orgãos autárquicos.
Certamente que por efeito da bipolarização mas também não faltará pelos lados do PCP e de “Os Verdes”quem comece a olhar de canto para os efeitos da geringonça que, contudo, não são tema para ser tratado neste artigo.
Falemos então do futuro na perspectiva da coligação “Juntos por Guimarães”.
Privilegiando um olhar na óptica do PSD porque a coligação, neste momento em que escrevo, não sei se vai funcionar como tal nos próximos quatro anos e mesmo que funcione seguramente que na assembleia municipal serão constituídos diferentes grupos parlamentares tal como aconteceu entre 2013 e 2017.
Na teoria do copo meio cheio os resultados foram bons porque a coligação cresceu em expressão eleitoral e em número de vereadores tal como na teoria do copo meio vazio os resultados foram maus porque não se ganhou e ainda se perderam presidências de juntas de freguesia.
Não vou por nenhuma delas.
Friamente considero que pese embora a desilusão de não se ter ganho, quando se chegou a ver essa possibilidade como ...possível, há que olhar para estes resultados com moderado optimismo e considerar que a com base neles há...caminho!
Em primeiro lugar porque a bipolarização eleitoral, consubstanciada num resultado de seis vereadores socialistas e cinco da oposição, é favorável a quem estando na oposição ambiciona ser poder porque concentra os descontentes e os descontentamentos.
Em segundo lugar porque embora à custa da CDU a verdade é que a coligação foi a única a crescer em número de vereadores alcançando o quinto e desmentindo rotundamente algumas sondagens insistentemente publicadas que davam o sétimo vereador ao PS.
E essa subida no número de vereadores deu-se na sequência da conquista de mais 5.200 votos.
Nunca em vinte e oito anos uma única força da oposição tinha ficado colada ao PS neste índice de número de vereadores é bom recordá-lo.
Em terceiro lugar porque em termos de Assembleia Municipal a coligação conseguiu manter os seus dezanove deputados e registando, mesmo assim, uma subida na votação na ordem dos 4.700 votos o que tem de se considerar como positivo.
Em quarto lugar há caminho porque, entre outras razões, a coligação trouxe para a política um pouco por todo o concelho gente de valor, gente de convicções, que pela primeira vez se envolveu em actividades políticas e que estou certo que veio para ficar e dar um importante contributo em desafios futuros.
Bastará atentar nas enormes subidas de votações da coligação em freguesias que tradicionalmente eram de esmagadora maioria PS mas deixaram de o ser.
Ao dizer isto não ignoro, nem seria sério fazê-lo, aquilo que não correu bem.
A subida eleitoral do PS que em termos de câmara teve quase 8.000votos a mais, que na assembleia municipal ganhou dois deputados à custa da CDU ( a coligação de esquerda foi o verdadeiro “bombo de festa” destas eleições perdendo um vereador para JpG e dois deputados para os socialistas) e que nas freguesias também conquistou mais presidências retirando-as à coligação e à CDU.
Embora nisto de freguesias as “contabilidades” sejam difíceis de fazer porque se em números brutos o PS tem mais três presidências, e isso é inegável, depois há as perdas e ganhos com maior ou menor significado como são os casos de Caldelas,ganha pelo PS, e Creixomil ganha pela coligação.
Para já não falarmos de duas freguesias cuja perda pela coligação se deve apenas e só a factores de que a ética, a lealdade e a palavra honrada estiveram totalmente ausentes.
Dito isto, e ponderados os resultados freguesia a freguesia e no todo do concelho, creio que há razões para olhar o futuro com optimismo.
Não se ganharam as eleições mas ganhou-se terreno, em vários âmbitos, e a coligação é agora credora da confiança de quase 40.000 vimaranenses o que é extremamente significativo e constitui uma sólida base para continuar a construção de uma alternativa ganhadora.
É verdade que a diferença, em termos de votos para a câmara, é agora de 13.087 favorável ao PS e esse é um dado incontornável.
Mas nada que com estratégia, trabalho e liderança não se consiga ultrapassar.
Liderança?
Seria mais fácil não abordar essa questão agora mas vou fazê-lo.
Ressalvando uma ponderação familiar e profissional que apenas o próprio pode fazer, e na qual ninguém que não os directamente interessados deve intervir, creio que o André Coelho Lima reúne todas as condições para continuar a liderar a coligação e ser o seu candidato em 2021 numa óptica de vencer as autárquicas desse ano.
Não é preciso ir muito longe, para norte ou para leste, para encontrar exemplos de autarcas que perderam duas vezes antes de à terceira saírem vencedores.
Casos em que a persistência compensou.
Como, acredito,também compensará em Guimarães.

segunda-feira, outubro 09, 2017

Pôr do Sol


Orangotango

Foto: National Geographic

Barça e Catalunha

O meu artigo desta semana no Zerozero.

Sendo claro que desde que me conheço o meu clube é o Vitória, como é natural sendo nado e criado em Guimarães, nunca padeci desse mal tão português que é o de depois ser adepto de um dos três outros em questões de luta para o titulo.
Para mim a questão é simples; enquanto o Vitória não lutar para o titulo, e acredito que um dia o fará, a questão do titulo é assunto que pouco me interessa porque não diz respeito ao meu clube e assim sendo não me diz respeito a mim.
Mas noutros países da primeira linha do futebol europeu tenho as minhas simpatias, tenho clubes que gosto de ver ganhar e que me fazem ver os seus jogos sempre que possível na vasta oferta televisiva que felizmente temos de outros campeonatos.
Por razões diversas, com graus de simpatia variados, há contudo algo que é comum a todos eles e que é facto de nenhum desses clubes, como adiante se verá, estar sediado na capital do respectivo país o que traduz uma aversão pessoal a tudo que cheire a centralismo e a poderes ocultos.
Deixando Espanha para o fim, porque sendo razão deste texto merece desenvolvimento maior, façamos então uma pequena viagem pela Europa do futebol.
Começando por França onde, curiosamente, nunca tive particular simpatia por nenhum clube provavelmente por não gostar ao longo dos anos da forma como o país se posicionou no mundo do futebol com uma arrogância e uns tiques de superioridade que nunca tiveram nenhuma expressão prática na afirmação internacional dos seus clubes.
A nível de selecção sim, sem dúvida, mas de clubes não.
O que se passou anos atrás com o Marselha , campeão europeu com base na corrupção, e se passa agora com o PSG que quer afirmar-se ao mais alto nível despejando no futebol sacos de dinheiro não contribui em nada para que algum dia tenha simpatia pelo futebol francês.
Passando para Itália tenho clara simpatia por dois emblemas: Nápoles e Milan.
Os napolitanos por causa de Maradona, um futebolista excepcional que fez de um até então apagado clube um clube campeão e vencedor de troféus nacionais e internacionais, e também pelo impressionante apoio que os seus adeptos lhe dispensam e que se traduz em me´dias de assistência das mais elevadas de Itália num S.Paolo sempre cheio e vibrante.
O Milan claramente por causa do tempo dos holandeses (Van Basten-Gullit-Rijkaard) que com o auxilio de italianos de grande valia (Baresi-Maldini-Donadoni-etc) construiram uma das melhores equipas mundiais das últimas décadas.
Na Alemanha uma ligeira simpatia pelo Borussia de Dortmund muito por força da admiração que tenho pelos seus excepcionais adeptos que jogo após jogo enchem o estádio permitindo ao clube a melhor média de assistências do futebol alemão e mostrando ao mundo do futebol aquela esmagadora “parede amarela” que seguramente os ajuda a ganhar muitos jogos.
Em Inglaterra uma já muita antiga simpatia por dois clubes. Liverpool e Newcastle.
O Liverpool por força das suas grandes equipas dos anos setenta e oitenta, com Keegan,Dalglish, Rush, dos seus excepcionais adeptos , da bancada “Kop” uma das mais admiráveis do mundo do futebol e da enorme mística de que o clube goza construida através de muitas e muitas conquistas.
O Newcastle por razões diferentes.
Não é um dos maiores clubes ingleses(como Liverpool, Manchester United, Arsenal, Chelsea), tem pouquíssimos títulos e troféus, mas é de uma cidade com grande tradição histórica, tem adeptos de uma fidelidade extraordinária ao clube, o seu “St James Park” regista das melhores médias de assistência do campeonato inglês e as suas cores principais são o branco e o preto!
Acho que não preciso de explicar mais razões para simpatizar com o Newcastle.
Na Holanda a minha simpatia vai desde sempre para o Ajax.
Pelas suas fabulosas equipas dos anos 70 lideradas por Johan Cruyff e também por ser um clube com uma bem sucedida política de formação no que é um exemplo para o mundo do futebol.
E vamos a Espanha.
Onde os “meus” clubes são desde sempre o Barcelona e o Atlético de Bilbau.
Por razões idênticas no que se refere a serem clubes que incorporam na sua essência uma fortíssima identificação com as regiões em que estão inseridos e de que foram sempre “bandeiras” a que acrescem outras razões que a seguir adianto.
No caso dos bilbaínos pela sua política de utilizarem apenas jogadores bascos, o que limitando o seu mercado de recrutamento também reforça a identidade da equipa, e ainda pelo ambiente extraordinário que sempre se viveu na sua “catedral” de S. Mamés um estádio sempre muito difícil para os visitantes.
No caso do Barcelona porque para além dessa identificação com a Catalunha, de que foi o grande porta bandeira no tempo do franquismo, soube ao longo dos anos construir grandes equipas pelas quais passaram alguns dos melhores jogadores do mundo.
Se numa curta resenha considerarmos que no Barcelona jogaram Bala, Cruyff, Neeskens, Simonsen, Schuster, Maradona, Laudrup, Stoichkov, Koeman, Ronaldo, Rivaldo, Romário, Ronaldinho, Figo, Iniesta, Xavi,Messi, Ibrahimovic,Etoo e Neymar entre outros constataremos que dificilmente outro clube do mundo terá alinhado tantos jogadores de tão alto nível.
Mas é precisamente essa ligação profunda à Catalunha, o ser interprete dos sentimentos autonómicos e independentistas de muitos catalães, que põe hoje o Barcelona perante um dilema tremendo que não estará nas suas mãos resolver.
Sabe-se o que se passa na Catalunha.
E sabe-se qual a posição do Barcelona defendendo a independência da região.
Não é tema para estas páginas a análise política do enorme problema catalão que ninguém sabe como vai terminar tal o imbróglio criado e o extremar de posições entre o governo de Madrid e a Generalitat catalã.
Mas se por hipótese a independência vier a ser um facto (e ninguém pode negar que essa possibilidade existe) que vai ser do Barcelona?
Não disputará o campeonato de Espanha (que sem os dérbis com o Real Madrid nunca mais será o mesmo) porque a Liga espanhola, e bem do meu ponto de vista, não quer nenhum acordo que permita que isso aconteça.
Se não querem ser Espanha não tem que jogar no campeonato espanhol.
Um campeonato da Catalunha com o Espanhol (outro clube histórico que poderá pagar divergências políticas em que nunca se meteu), o Girona e clubes de divisões inferiores é “curto” para a sua dimensão.
Jogar noutra Liga europeia parece-me problemático a vários níveis porque sendo um clube que valorizaria qualquer liga seria,também, um clube a introduzir factores de desequilíbrio que até então não existiam dado tratar-se de um enorme candidato ao titulo em qualquer campeonato europeu.
Benfica ,Porto e Sporting gostariam de concorrer com o Barcelona? Não me parece.
PSG, Mónaco e Lyon? Também não.
Bayern, Dortmund, Leipzig, Leverkusen, Hamburgo? Acho que também não.
Manchester United, Manchester City, Arsenal, Liverpool, Chelsea? Duvido muito.
Talvez Itália fosse a melhor hipótese mas nem isso é certo.
O futuro dirá se teremos uma Catalunha independente e a terrível ironia de a sua marca identitária-ligação à região-  e aquilo que lhe deu tantos triunfos-a sua grandeza- se transformarem em imensos problemas capazes de porem em causa a continuidade do Barcelona como um gigante do futebol europeu e mundial.
De facto política e futebol nem sempre são um “casamento” feliz!

Lago


Cidade do Cabo


Lémur


sábado, outubro 07, 2017

Avisos...

Não vejo este programa há muitos anos.
Por manifesta falta de interesse e porque não tenho nenhuma afinidade com os comentadores nele existentes muito em especial com aquele que estando, por oportunismo, inscrito no PSD (militante é algo de bem diferente) tem como missão prioritária a tentativa de arrasar todas as lideranças do partido desde o tempo de Durão Barroso e com a excepção única da de Manuel Ferreira Leite.
Ao que li na imprensa o personagem , no último programa, ter-se à referido às próximas eleições directas para a liderança do PSD como susceptiveis de serem "duras", cheias de "ajustes de contas", "de cortar à faca", " de insultos e ataques pessoais numa dimensão nunca vista", entre outras aleivosias que nem vale a pena citar.
Não sei onde foi o personagem buscar esse tipo de informação.
Não frequenta o partido, não vai às reuniões dos seus orgãos, há muitos anos que não põe os pés em congressos e no último em que foi visto- Guimarães em 2008- até se teria feito acompanhar de guarda costas o que causou bastante perplexidade se bem me lembro.
Devo dizer, desde já, que considero quase insultuosa esta visão do PSD e dos seus militantes que concorrerem à liderança porque em nada corresponde à realidade nem ao que tem sido as eleições directas no partido que se tem caracterizado por debates intensos, isso sim, mas em que nunca foram ultrapassados os limites da urbanidade e da boa educação.
Portanto esta "previsão" do personagem só tem duas interpretações possíveis:
Ou se insere na sua habitual maledicência contra o partido em que está inscrito e não tem qualquer fundamento real pelo que será de dar ao desprezo.
Ou corresponde a alguma estratégia de campanha de algum candidato por ele apoiado e da qual quis dar conhecimento em primeira mão talvez para tentar assustar algum ou alguns dos eventuais concorrentes.
Em qualquer dos casos uma estratégia ao seu nível.
Depois Falamos.

P.S. Quando se fala em campanhas de "cortar à faca" e "insultos e ataques pessoais" vem-me à memória umas legislativas em Aveiro em que o cabeça de lista do PS (Carlos Candal) desferiu um violento ataque pessoal ao cabeça de lista do CDS (Paulo Portas) e o cabeça de lista do PSD fez um comunicado de pretensa solidariedade com Portas que saiu mais virulento que o ataque de Candal.
Quem era o cabeça de lista do PSD?
Elementar meu caro Watson...

Parcialidade

Este post não é sobre os candidatos à liderança do PSD porque sobre isso não faltarão oportunidades de escrever.
É sobre a comunicação social que temos.
Que não resiste nestes momentos de disputa eleitoral num partido democrático a querer ser parte activa nos processos de escolha ao invés de se limitar ao seu papel de informar contribuindo para que quem tem de escolher-os militantes- o faça da forma mais esclarecida possível.
Nesse aspecto o grupo Impresa de Pinto Balsemão (Expresso,Visão, Sic, etc) , com a soberba e arrogância que de há muito são sua característica, quer uma vez mais decidir pelos militantes do PSD e impor o candidato que o "patrão" prefere fazendo tábua rasa do que deve ser a isenção e a imparcialidade da comunicação social.
Na semana em que se soube que Passos Coelho não será novamente candidato à liderança, e sem que nenhum potencial candidato tenha afirmado preto no branco a respectiva candidatura, a Impresa resolveu impingir ao país (e especialmente aos militantes do partido) a candidatura de Rui Rio não só como facto consumado mas já como futuro líder do PSD.
Vejam-se as capas da revista "Visão" e do jornal "Expresso" acima reproduzidas como a prova irrefutável do que a Impresa quer.
Já não é a primeira vez que a Impresa pretende influenciar as eleições internas do PSD.
E tal como no passado já falhou estrepitosamente nos seus intentos acredito que desta vez voltará a falhar.
Porque ao contrário do que os donos da Impresa pensam os militantes do PSD são senhores da sua vontade e não se deixam influenciar por barões, baronatos ou orgãos de comunicação social que fazem da parcialidade uma regra de conduta.
Depois Falamos.

P.S. Ontem vi um jornalista do JN, suponho que sub director, chamado Domingos qualquer coisa (não fixei o apelido) a comentar na RTP 3 as directas do PSD.
Dez minutos de asneiras, disparates, falsidades e uma parcialidade enorme a favor da candidatura de Rio.
Já vi este filme dos supostos fazedores de opinião a quererem condicionar eleições internas do PSD e a anunciarem vencedores antes sequer de os votos entrarem nas urnas.
Sei como acabou.
E também sei que tenho excelentes memórias disso.

quarta-feira, outubro 04, 2017

Rio e os "Azeitoneiros"

Uma vez pressentida a decisão de Pedro Passos Coelho em não se recandidatar à liderança do PSD foi rápida a decisão de Rui Rio e alguns dos seus apoiantes se reunirem para tratarem dos tempos que aí vem.
Em Azeitão em casa do dono da empresa em que Rui Rio trabalha .
Naturalmente que em democracia tem todo o direito de o fazerem e isso não está minimamente em causa.
Mas parece-me que começaram mal.
Desde logo porque todos os nomes vindos a público de participantes dessa reunião se unem pelo traço comum de nestes anos difíceis em que o PSD liderou um governo sob condições terríveis para o exercício do poder( ainda por cima para remediar asneiras que  outros tinham feito) e depois teve de ser oposição apesar de ter ganho eleições,  se terem destacado apenas por constantes criticas ao partido e ao seu líder nisso ultrapassando por vezes os próprios adversários políticos.
Depois porque querendo construir uma candidatura à liderança com base nos maus resultados das autárquicas, que imputam a Passos Coelho embora não haja notícia de qualquer deles se ter disponibilizado para ajudar com uma candidatura a uma câmara municipal ( de "heroicas" candidaturas a assembleias municipais já estamos todos cheios...), constata-se que em matéria eleitoral nenhum deles (excepto Rui Rio) vale rigorosamente nada porque nunca ganharam uma freguesia, uma câmara e muito menos o país sendo certo que alguns teriam séria dificuldade em ganharem a eleição para o seu próprio...condomínio!
Finalmente, e essa é a razão fundamental que me afasta decisivamente do que venha a sair da "Azeitonice" (reunião em Azeitão), é a visão que tem do PSD.
Que cheira a mofo, remete para um passado já remoto, traduz a nostalgia de tempos que não voltarão nunca.
O tempo dos "barões" que se reuniam em volta de uma mesa e decidiam quem ia mandar acabou.
Acabou em 2007 quando o partido instituiu as directas, por pressão de Pedro Santana Lopes e Luís Filipe Menezes, e passaram a ser os militantes a escolher quem liderava o partido e não as pseudo élites lisboetas que do alto do que achavam ser o seu estatuto de barões punham e dispunham a seu bel prazer.
Aqueles que tinham (alguns ainda tem como se constata com a "Azeitonice") uma visão feudal do partido, em que os "nobres" mandavam e os "servos da gleba" aceitavam as suas decisões, passaram à história por manifesta desconformidade com a realidade e incapacidade de perceberem os tempos presentes e o PSD de hoje.
Caberá aqui recordar que em 2007 o "baronato" estava quase todo em volta de Luís Marques Mendes mas quem ganhou as directas foi Luís Filipe Menezes precisamente porque tinha a maioria do "povo" ao seu lado.
E é assim que deve ser sempre!
Por isso quando vejo Rui Rio convocar a "Azeitonice", e chamar para o seu lado os "Azeitoneiros" (participantes da reunião de Azeitão) , reconheço-lhe todo o direito de o fazer mas espero que o partido não queira ir por um caminho que não é manifestamente o seu nem corresponde aquilo que os portugueses esperam dele.
Porque se há algo que Portugal e o PSD dispensam bem é a reedição por alguns sonhada do famigerado Bloco Central de interesses e negócios.
O PPD, depois PSD, nasceu para ganhar. Não para complementar.
E os militantes devem ponderar isso quando forem chamados a escolher o próximo líder.
Depois Falamos

Comboio, Japão


Beijo de Macaco