terça-feira, abril 25, 2017

Leis Eleitorais

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

Não é segredo para ninguém, basta aliás consultar os resultados dos últimos actos eleitorais, que existe um progressivo distanciamento dos cidadãos relativamente à política que se traduz por taxas de abstenção elevadas face ao cada vez maior número de eleitores que optam por não irem às urnas expressar o seu voto.
É um problema sério, que mexe com a qualidade da democracia, e que se não forem tomadas medidas adequadas continuará a aumentar para percentagens que se poderão considerar quase como obscenas face ao desinteresse perante algo tão importante como o poder manifestar-se em liberdade o voto de cada um.
Não defendo, ao contrário do que já se passa nalguns países, o voto obrigatório porque entendo que a liberdade do cidadão deve ir até ao direito de não querer votar, ou seja, a “obrigação” do voto deve residir apenas na consciência de cada um.
Mas entendo que se houver vontade política, para lá das frases sem consequência, os partidos podem e devem por-se de acordo para arpvarem algumas alterações às leis eleitorais que constituam um incentivo ao voto e à participação dos cidadãos na escolha de quem os vai governar no poder central ou no poder local.
É assunto que naturalmente deve ser discutido com tempo, sem a pressão de ser em cima de actos eleitorais, para que as soluções que venham a ser adoptadas sejam tão consensuais quanto possível e por isso mereçam a receptividade de um número tão grande quanto possível de eleitores.
Deixo aqui algumas ideias que defendo há muito tempo e que do meu ponto de vista poderiam ser potenciadoras da  inversão no decrescente número de eleitores que nos últimos anos tem acorrido às urnas em diferentes tipos de eleição.
Deixo de fora as eleições europeias, curiosa mas compreensivelmente aquelas em que o desinteresse é maior, porque as suas regras são transnacionais e não dependem apenas do Parlamento português para serem alteradas.
No que às eleições nacionais toca tenho as seguintes ideias quanto às alterações a serem introduzidas embora deve dizer que não tenho, em todas elas, opinião fechada sobre o assunto antes estou completamente disponível para debater as suas virtudes e defeitos.
Em termos de eleições presidenciais creio que haveria vantagens em que o Presidente da Republica pudesse ser eleito para um mandato único de sete anos, ao invés do actual mandato de cinco anos que pode depois ser renovado por mais cinco (e sempre foi com Eanes,Soares,Sampaio e Cavaco e dificilmente deixará de ser com Marcelo)porque com um mandato único os PR poderiam uniformizar a sua actuação ao invés de como tem sido prática fazerem um primeiro mandato procurando agradar o mais possível e depois um segundo mandato em que são mais fieis à sua forma de pensar e ao seu posicionamento ideológico.
Em termos de Parlamento defendo de há muito os círculos uninominais onde o deputado é eleito pelo seu mérito pessoal e político, pelo seu peso na comunidade e pelo reconhecimento que esta faz das suas qualidades e contributo para o bem comum ao invés da situação actual em que qualquer rapazola pode chegar a deputado desde que tenha os “padrinhos” certos e os votos arregimentados na sua concelhia e distrital para integrar a lista de candidatos ainda que nada tenha feito para o merecer ou se lhe conheça qualquer qualidade que o recomende para o cargo.
Naturalmente que num circulo uninominal, em que o deputado é eleito pelos seus méritos, esses rapazolas não teriam qualquer hipótese de serem eleitos nem os seus partidos correriam jamais o risco de os propor face à derrota mais que certa na respectiva candidatura.
Obviamente que uma vez eleito num circulo uninominal, e sujeito a um escrutínio personalizado por parte dos eleitores, o deputado só teria hipóteses de ser reeleito se o seu trabalho no Parlamento e no circulo eleitoral fosse de molde a merecer o reconhecimento dos seus concidadãos no sentido de lhe renovarem o mandato.
Creio que o facto de cada eleitor saber exactamente em quem estava a votar, e poder acompanhar de perto o seu mandato, seria um forte incentivo a leva mais cidadãos às urnas por sentirem que estavam a participar de forma directa na composição do seu Parlamento.
Finalmente em termos de Poder Local, ou seja de leis eleitorais autárquicas, creio que há algumas reformas de fundo que seriam importantes para melhorarem a qualidade da democracia e levarem mais eleitores às urnas.
Porque a sua explicitação ocupa um espaço que já não existe neste artigo, sob pena de este se tornar demasiado longo, deixarei algumas ideias no geral com a promessa de um destes dias voltar ao assunto de forma mais detalhada.
E sintecticamente são sete as ideias que aqui deixo:
O presidente de câmara devia ser eleito nominalmente (afinal são essencialmente os presidentes e candidatos a presidente que fixam as votações) acabando o modelo actual de ser eleito em lista.
O presidente devia poder, tal como o primeiro -ministro em relação aos membros do governo, escolher livremente os seus vereadores podendo igualmente remodelá-los quando entendesse necessário.
Os executivos deviam ser homogéneos acabando a figura de vereador da oposição que na minha óptica não faz sentido existir num executivo tal como não existem nos governos ministros da oposição.
O limite de mandatos devia ser extensivo aos vereadores e membros dos executivos de freguesia e não apenas, como agora, aos presidentes de câmara e de junta de freguesia.
As Assembleias Municipais seriam mais pequenas em termos de número de membros, reuniriam com muito mais frequência e teriam os seus poderes consideravelmente alargados.
Os presidentes de junta de freguesia deixariam de ter assento na assembleia municipal o que em boa verdade é , actualmente, apenas um embaraço para muitos deles.
Os autarcas (de câmara,assembleia, junta)eleitos por um partido só o poderiam fazer por outro ou como independentes com o espaço temporal de um mandato entre as duas eleições.
São estas as ideias que por hoje aqui deixo.
Reiterando a promessa de um destes dias voltar ao assunto.


Pesca do Salmão


Lava


segunda-feira, abril 24, 2017

O Nosso 14

Esta época o Vitória defrontou três vezes os outrora rivais do Boavista.
Duas para o campeonato e uma para a Taça de Portugal.
Venceu nas três ocasiões o que é sempre motivo de satisfação para os vitorianos face à repetida animosidade, mesclada de inveja, que o clube do Bessa e os seus adeptos sempre dedicaram ao Vitória porque pese embora terem um palmarés substancialmente melhor que o nosso nunca de nós sequer se aproximaram em termos de grandeza clubista.
Hoje o Boavista é uma sombra do clube dos 30 anos entre 1975 e 2005 , em que ganhou um campeonato e 5 taças de Portugal (uma delas roubada ao Vitória), mas desse tempo mantém um conceito de futebol em que as canelas dos adversários vão até ao pescoço!
Ontem, uma vez mais , assim foi perante a tolerância do apitador Xistra mas de nada lhes serviu porque o Vitória foi sempre melhor.
Individualmente:
Douglas: Uma tarde tranquila.
Bruno Gaspar: Uma boa segunda parte em termos ofensivos depois de um inicio de jogo discreto.
Josué: Trouxe tranquilidade e liderança ao sector defensivo. Podia ter marcado mas rematou por alto.
Pedro Henrique: Os adversários não lhe criaram problemas. Jogo tranquilo.
Konan: Alguma sofreguidão nas saídas para o ataque. A defender cumpriu.
Rafael Miranda: Discreto. Preocupou-se em compensar as subidas dos laterais.
Zungu: Atacou, defendeu, distribuiu jogo. Bela exibição.
Hurtado: Gosta de marcar ao Boavista e mais uma vez cumpriu. No resto esteve mediano.
Marega: Bem merecia o golo que tanto procurou. Muito esforçado mesmo a defender.
Texeira: Desta vez não marcou mas esteve lá perto. Jogou para a equipa.
Hernani: Vale a pena ir ao futebol para o ver jogar. 
Foram suplentes utilizados:
Rapnhinha: Sem ocasião de se salientar.
Celis: Entrou para dar consistência ao meio campo.
Sturgeon: Não tocou na bola
Não foram utilizados:
Georgemy, Prince, Ruben Ferreira e Tozé

Melhor em campo: Zungu

A quatro jogos do fim o Vitória tem o quarto lugar praticamente garantido.
Há que gerir esses jogos em função desse objectivo mas começar também a pensar na final do Jamor em termos de gestão de jogadores e de ...cartões.
Depois Falamos.

Cisnes


Europa

O meu artigo desta semana no zerozero.

Os quartos de final das competições europeias, Liga dos Campeões e Liga Europa, foram a prova clara de que o futebol campeão europeu de selecções  não tem a mesma expressão quando se trata de clubes portugueses envolvidos nessas competições.
Onde, curiosamente e confirmando o atrás escrito, também marcam presença bastantes jogadores e dois treinadores portugueses provando que o grande problema do nosso futebol não está seguramente nos seus profissionais mas sim nos clubes e na organização dos campeonatos.
Mourinho na Liga Europa e Leonardo Jardim na Liga dos Campeões, dois reputados treinadores portugueses o primeiro dos quais no topo dos melhores a nível mundial, são candidatos a vencerem as respectivas competições embora em boa verdade mais Mourinho do que Jardim face às equipas que treinam e aos adversários que terão pela frente.
Ronaldo, Pepe, Coentrão, Tiago, João Moutinho e Bernardo Silva na Liga dos Campeões e Anthony Lopes na Liga Europa são também eles candidatos a vencerem as respectivas competições o que para os jogadores do Real Madrid nem será propriamente uma novidade dado o palmarés que ostentam.
A verdade é que nenhum clube português esteve sequer perto de jogar esses quartos de final.
Na Liga Europa há muito que os emblemas nacionais desapareceram de prova face à fragilidade de que deram mostra frente aos adversários europeus, e nenhum era um “tubarão”, assinando um ano pobre de Portugal nessa competição.
Na Liga dos Campeões Benfica e Porto ainda conseguiram chegar aos oitavos de final mas deles foram facilmente arredados por Borússia Dortmund e Juventus que se revelaram claramente forte demais para o actual potencial dos clubes portugueses.
Do meu ponto de vista isso não tem tanto a ver com a sempre evocada diferença de orçamentos entre os clubes portugueses e os grande clubes europeus, que sendo verdadeira está longe de explicar tudo, mas muito mais a ver com as idiossincrasias das competições internas, da organização dos clubes e do rigor e verdade das competições.
Compare-se com a selecção:
Portugal tem Ronaldo, é verdade, mas depois os jogadores que o rodeiam (com excepção de Quaresma e Pepe) não estão no topo do futebol europeu embora alguns, como Raphael Guerreiro,
possam lá chegar num prazo mais ou menos curto.
Então como explicar que uma selecção que não é a melhor da Europa seja campeã europeia?
Para lá do imenso mérito de jogadores e treinadores há uma organização por trás, da FPF, que é de excelência e deu à equipa a mais valia necessária a equilibrar as operações face a adversários com outro poderio competitivo.
Desde a organização das viagens aos locais de estágio, passando por tudo o mais que rodeia uma equipa profissional de futebol, há um profissionalismo, um rigor e uma competência que colocam a federação portuguesa na primeira linha do futebol mundial.
E naturalmente as selecções, não apenas a A, beneficiam largamente disso.
Nas competições internas que temos?
Dentro dos relvados assistimos a jogos raramente bem jogados, a uma gritante falta de verdade desportiva nalguns deles, a campos “inclinados” a favor dos chamados “grandes” quando jogam com os outros, a um anti jogo em crescendo de ano para ano, a uma invasão de estrangeiros de qualidade mais que duvidosa e , essencialmente e a explicar os tais falhanços europeus, a uma gritante falta de competitividade na maioria dos jogos.
Fora dos relvados vemos médias de assistências vergonhosas, com excepção dos chamados “grandes” e do Vitória (vá lá do Setúbal  do Braga e do Marítimo também…), sorteios das competições feitos para favorecerem três clubes, regulamentos de provas anedóticos (taça CTT por exemplo)constantes quezílias entre dirigentes dos clubes, um estado de permanentes insinuações e suspeições, um clima de banditismo instalado entre alguns membros das claques dos chamados “grandes” orgãos disciplinares sem critério nem isenção nas decisões que tomam sendo frequente para casos idênticos decisões diferentes consoante as camisolas envolvidas.
E por isso as equipas portuguesas envolvidas nas competições europeias, especialmente os tais chamados “grandes”, pouco habituados a uma competitividade interna intensa como a de outras ligas (Inglaterra,Espanha, Alemanha, Itália) e mal habituadas ao “colo” dos árbitros quando se encontram face a adversários europeus de algum gabarito baqueiam com a regularidade que se tem vindo a afirmar como norma dos últimos anos.
Há que mudar de rumo.
Na disciplina, na arbitragem, na organização das competições, nas mentalidades.
Mas essencialmente no dirigismo a nível de clubes e da sua Liga.
Porque é neles clubes ,e nela Liga ,que estão os grandes responsáveis pelas equipas portuguesas não terem as prestações e a influência internacionais que a selecção e a FPF tem.
Num lado estamos no século XXI. No outro persistimos em continuar em meados do século XX.
E enquanto assim for nas grandes competições internacionais de clubes continuaremos a ver quartos, meias e finais disputadas por jogadores e treinadores portugueses mas duvido que lá voltemos a ver os nossos clubes.
Por sua exclusiva responsabilidade.

P.S. As lamentáveis afirmações dos presidentes de Benfica e Sporting depois do jogo de ontem são apenas mais uma prova do que atrás afirmei.
Enquanto não forem os principais interessados a defenderem a industria do futebol como podem querer que ela seja lucrativa, apelativa e fomentadora de verdadeira competitividade?

Com Tranquilidade

Era um jogo importante para consolidar o quarto lugar ,em qualquer circunstância, e mais ainda depois de se saber que o quinto classificado tinha perdido em Paços de Ferreira.
E o Vitória não falhou.
A equipa entrou consciente de que era importante marcar cedo para começar a definir o jogo e foi construindo, e desperdiçando, algumas boas oportunidades quer por falta de pontaria dos seus jogadores quer por boas intervenções do guarda redes adversário.
Marega, Texeira, Josué, Hernâni tiveram o golo nos pés e na cabeça mas a bola teimava em não entrar enquanto o Boavista nas poucas tentativas de atacar era pouco mais que inócuo face a uma defesa vitoriana segura e bem liderada pelo regressado Josué.
Onde os axadrezados não eram inócuos, aliás dando curso a uma sua longa tradição de décadas, era no jogo faltoso perante a mais que esperada tolerância de Carlos Xistra que permitiu sucessivas faltas a quebrarem o ritmo ofensivo do Vitória.
Depois de chegar ao golo por Hurtado o Vitória não abrandou o ritmo e o resultado de 1-0 ao intervalo era altamente lisonjeiro para o Boavista que em toda a primeira parte apenas construiu um lance de relativo perigo.
A segunda parte começou com o segundo golo  e traçou o destino do jogo porque se percebeu claramente que o Vitória, salvo um "apagão" como o dos últimos vinte minutos em Chaves na jornada anterior, nunca deixaria fugir uma vantagem de dois golos ainda para mais face a um adversário de muito pouca qualidade .
E como esse "apagão" não aconteceu a equipa limitou-se a gerir de forma tranquila o passar dos minutos não abdicando de continuar a construir lances ofensivos de bom recorte a que apenas faltou a finalização adequada especialmente por parte de Marega que tufo fez para regressar aos golos mas não era decididamente o seu dia.
Em suma um triunfo tranquilo, uma vantagem já apreciável em relação ao quinto classificado e o Vitória a depender apenas de si para obter um quarto lugar a que inacreditavelmente não chega desde a época 2002/2003.
Carlos Xistra sem ter influência no resultado fez uma arbitragem sem critério demasiado permissiva para o jogo faltoso do Boavista (apenas 3 cartões amarelos) e demasiado rigorosa para o jogo faltoso do Vitória (dois cartões amarelos) o que em nada corresponde à realidade do que se viu no relvado.
Depois Falamos

P.S. Duas notas que não tem a ver directamente com o jogo:
Uma para o alto volume de som nos altifalantes do estádio antes e no intervalo do jogo que incomoda os espectadores e perturba até a conversa com quem se senta ao lado. As bancadas não são uma discoteca e o responsável pelo som se tem vocação de DJ que a exercite noutro lado.
A segunda para o profundo ridículo de o speaker querer condicionar os cânticos dos adeptos especialmente os "olés". Eu não gosto de ouvir os vitorianos a cantarem "olés" porque relaxam a equipa e estimulam os adversários. Mas são cânticos inofensivos especialmente se comparados para outros que também se ouviram no estádio sem ,pelos vistos, incomodarem o speaker.
Acho que o speaker se deve limitar às suas funções, que estão definidas, e não meter-se por caminhos que não são dele e onde apenas conseguiu o ridículo de ver os cânticos intensificarem-se mal se saiu com a insólita intervenção.

Lebre


Lago, Alpes


Imagens do Vitória-Boavista














Fotos: João Filipe Santos/VSC

domingo, abril 23, 2017

Previsões Liga Europa

Apurados os quatro clubes que vão jogar as meias finais é tempo de tentar perceber quem estará na final de Estocolmo para ganhar pela primeira vez a Liga Europa (United,Celta ou Lyon) ou para a vencer pela segunda vez como é o caso do Ajax.
Creio que na eliminatória entre Ajax e Lyon, bastante equilibrada diga-se de passagem, e embora na baliza francesa esteja o português Anthony Lopes o que merece simpatia parece-me que há um ligeiro favoritismo dos holandeses pela forma como se tem exibido e pelo valor intrínseco do seu plantel.
Mas como o segundo jogo é em França isso pode ser decisivo pelo que nunca fiando.
Aposto no Ajax mas, lá está, é apenas por mero palpite.
Na outra eliminatória é que não tenho nenhuma dúvida,pese embora a boa época do Celta, em apostar claramente no favoritismo do Manchester United que tem de longe a melhor equipa, o melhor plantel e o melhor treinador desta Liga Europa.
É verdade que apenas ultrapassaram o Anderlecht no prolongamento mas é igualmente verdade que nesse jogo criaram e falharam diversas oportunidades de golo que podiam ter resolvido o jogo nos 90 minutos.
E por isso, pese embora uma "velha" simpatia europeia pelo Celta de Vigo nascida numa noite de muitos e divertidos golos no estádio de Balaídos, creio que o Manchester é claramente favorito a marcar presença na final.
Ajax e Manchester United é a minha previsão.
Depois Falamos

Discussão Cavalar


Trovoada e Arco Íris


sábado, abril 22, 2017

Previsões para a Champions

Feito o sorteio e conhecidos os jogos, e respectiva ordem, é possível fazer uma previsão sobre quais serão as duas equipas que se vão encontrar em Cardiff no próximo dia 3 de Junho para aquela que será em qualquer circunstância uma grande final.
Depois de se encontrarem por duas vezes na final, ainda o ano passado assim aconteceu, Real e Atlético encontram-se desta vez nas meias finais para disputarem a presença no jogo decisivo.
Curiosamente, antes do sorteio, os merengues preferiam o derbi na meia final enquanto os colchoneros preferiam repetir a final do ano transacto por razões que apenas os próprios clubes conhecerão em profundidade.
Mas o sorteio quis assim.
E por isso primeiro no Santiago Bernabéu e depois no Vicente Calderon os dois clubes decidirão quem segue em frente.
Pessoalmente não tenho preferências.
De um lado Ronaldo (mais Pepe e Coentrão) e do outro Tiago asseguram a presença de portugueses na final e por isso o "imperativo" patriótico está cumprido.
O Real tem onze vitórias na prova e o Atlético nenhuma o que à partida desperta alguma simpatia por um clube que já disputou várias finais e perdeu-as sempre e com o toque dramático de duas delas terem sido perdidas perto do final.
Mas isso são apenas curiosidades que em nada influenciam os dois jogos.
Creio, mero palpite, que salvo noites inspiradas de Ronaldo ( o que nem é raro...) o Atlético de Madrid assegurará a viagem a Cardiff fruto de uma equipa muito equilibrada e menos desgastada nesta altura da época que o adversário.
Mas é mesmo palpite.
Mónaco e Juventus protagonizam um duelo entre uma equipa que defende muito bem e ataca de forma poderosa, a Juve, e outra que ataca muito bem mas a defender nem tanto.
Acredito que a Juventus estará na final.
Pese embora a simpatia por uma equipa treinada por um português, e na qual actuam dois compatriotas, acredito que os italianos são superiores e farão valer isso até pela vantagem de o segundo jogo ser em Turim.
E por isso aposto numa final entre Atlético de Madrid e Juventus.

Dunas, Namíbia


Rinocerontes


sexta-feira, abril 21, 2017

Lisboa...

Mal conheço Mauro Xavier.
Teremos, quando muito, falado duas ou três vezes nos últimos dez ou quinze anos, somos "amigos" no facebook e nada mais.
Mas temos bons amigos comuns.
E por eles sei pelo menos duas coisas sobre o Mauro:
Uma é que está na política por convicções e outra que tem uma bem sucedida carreira profissional onde ganha o que nunca poderia ganhar na política se por ela optasse a tempo inteiro ao invés de o fazer apenas no âmbito de uma obrigação de cidadania.
E por isso percebo perfeitamente que se tenha demitido da concelhia de Lisboa do PSD.
Sinceramente admirou-me até que não o tivesse feito mais cedo face às continuas desconsiderações de que a estrutura a que presidia foi alvo nos últimos largos meses por parte da direcção do partido e da comissão coordenadora autárquica.
Escolheram o candidato a Lisboa sem dar cavaco à concelhia e ao seu presidente.
O que é desde logo inaceitável e um atropelo ao que devem ser as regras de bom funcionamento interno e de respeito pelas estruturas e pelos militantes.
Não se nega ao presidente do partido e à CPN o direito de terem palavra determinante na escolha à maior câmara do país, até porque as coisas foram sempre assim, mas isso nunca implicou a marginalização da estrutura concelhia mas sim a sua inclusão no processo de escolha mais que não fosse para ser conhecida a sua opinião.
Não se percebe qual o ganho de causa de desta vez terem alterado a metodologia.
Mas o pior ainda estava para vir:
A concelhia, engolida a imposição da direcção nacional, procurou fazer o seu trabalho e estabelecer bases de trabalho com a candidata escolhida de molde a que um processo que começara mal tivesse um mínimo de condições para tentar terminar bem.
Até porque já havia um programa eleitoral em elaboração, coordenado por José Eduardo Martins o cabeça de lista à Assembleia Municipal, e era naturalmente necessário afinar estratégias e acertar detalhes.
Mas durante um mês, desde o anúncio da candidata até à demissão de Mauro Xavier, nunca Teresa Leal Coelho esteve disponível para reunir com a concelhia.
Teve tempo para como deputada viajar para os Estados Unidos para participar num evento certamente muito relevante para a votação que terá em Lisboa mas não teve tempo para reunir com a concelhia nem sequer atender os vários telefonemas do seu presidente ou responder aos e-mails que lhe foram enviados.
Simplesmente lamentável especialmente vindo de alguém que é vice presidente do PSD e como tal tem especial obrigação de respeitar todas as estruturas do partido e com elas trabalhar.
E por isso percebo bem a demissão de Mauro Xavier.
Foi a atitude digna de quem está na política para servir as pessoas mas não está na política a qualquer preço nem para aturar todas as desconsiderações e atropelos como fazem alguns que à falta de profissão tem de se sujeitar a tudo.
Não sei (nem podia obviamente saber) qual será o resultado das autarquicas em Lisboa.
Mas sei duas coisas:
Uma é que com esta candidata e estes seus comportamentos de soberba e arrogância as coisas podem não correr lá muito bem.
A outra é que Pedro Passos Coelho está mal rodeado e bastas vezes mal aconselhado. 
E este processo de Lisboa é apenas mais uma prova disso.
Espero que, ao menos, dele tire as necessárias ilacções para que os erros e as opções erradas não se repitam quando for chamado a fazer outras escolhas para outro tipo de eleições.
Depois Falamos.

Semifinalistas da Liga Europa

Não foi fácil o apuramento dos semifinalistas da Liga Europa.
Nos quatro jogos da segunda volta ,ontem disputados, três foram a prolongamento e um deles só se decidiu mesmo nas grandes penalidades o que da bem a mostra do equilíbrio verificado nos quartos de final da competição.
Mas lá chegaram às decisões e essas dizem-nos que Manchester United, Ajax, Olympique Lyon e Celta de Vigo vão disputar as meias finais.
Quatro jogos e quatro histórias.
O Celta foi o que conseguiu o apuramento menos difícil. Tendo vencido em Vigo ontem limitou-se a gerir o resultado e o empate a um golo garantiu-lhe a passagem.
Em Istambul emoção até ao fim.
Vindos de França, e de um jogo tristemente recordado pelos incidentes que o rodearam, os turcos conseguiram um triunfo por 2-1 (dois golos de Talisca) e levaram o jogo para prolongamento que nada resolveu. Depois, nos penáltis, o Lyon foi mais competente (em especial Anthony Lopes que defendeu dois) e seguiu em frente.
Schalke e Ajax protagonizaram uma grande eliminatória.
Os holandeses venceram em casa por 2-0 mas ontem os alemães deram excelente réplica e fizeram dois golos no tempo regulamentar que levaram o jogo para prolongamento. Lá ainda fizeram o terceiro golo que lhes dava o apuramento mas o "velho senhor" não deixou os pergaminhos por mãos alheias e fez dois golos o que foi mais que suficiente para se apurar.
Em Manchester grande jogo de futebol entre o favorito desta edição da Liga Europa e um surpreendente Anderlecht que vendeu bem cara a derrota e obrigou os homens de José Mourinho a resolverem o assunto apenas no prolongamento. Muito por força,também, das ocasiões que foram desperdiçando ao longo dos 90 minutos.
E assim estas quatro equipas marcam presença no sorteio de hoje.
Três delas (Manchester, Celta e Lyon) estão pela primeira vez nas meias finais da Liga Europa enquanto o Ajax já venceu a competição em 1991/1992.
Mas enquanto Celta e Lyon não tem palmarés europeu já quando se fala de Manchester United e Ajax está-se a falar de dois grandes clubes , ambos vencedores da Taça dos Campeões e de outros troféus da UEFA , e com grandes expectativas de poderem aumentar esses valiosos palmarés.
Aliás ao United só lhe falta a Liga Europa porque já venceu todos os outros troféus incluindo a desaparecida Taça das Taças.
Hoje se conhecerá o acasalamento das meias finais.
E então se perceberá quais as tendências para a final.
Depois Falamos

Hokkaido, Japão


quinta-feira, abril 20, 2017

Guaxinim


Xistrada à Vista?

Com a excepção óbvia de Soares Dias não há árbitro que eu deteste tanto ver apitar jogos do Vitória como Carlos Xistra.
Ao longo de mais de uma década são tantos os exemplos de jogos em que ele nos prejudicou de forma clara que seria fastidioso estar aqui a enumerá-los todos porque a lista é tão extensa que num futebol com verdade desportiva ele nunca mais seria nomeado para um jogo do Vitória.
Em bom rigor num futebol "a sério" Xistra não arbitraria jogos do Vitória nem de ninguém!
Mas no nosso futebol arbitra.
E não evocando a tal longa lista limito-me apenas a referir dois jogos desta época, por ele apitados, dos quais o Vitória saiu com razões de queixa.
Na visita ao Estoril ficaram dois penáltis por marcar a nosso favor como a generalidade da imprensa reconheceu. E digo-o com o à vontade adicional de o Vitória ter ganho esse jogo.
Na recepção, recente, ao Porto ficou por marcar um penalti claro sobre Bernard e Xistra foi de uma tolerância disciplinar imensa face ao continuo jogo faltoso de diversos jogadores do Porto.
Por outro lado Xistra protagonizou recente exibição de fraca qualidade num jogo de alta tensão (Benfica-Porto) o que ,se tudo o resto já não o tornava recomendável, ainda agrava a sua escolha para um Vitória-Boavista que é desde há quarenta anos um dos confrontos mais tensos entre dois clubes portugueses.
Com a agravante do que aconteceu no Bessa , no jogo da Taça de Portugal, com a emboscada a jogadores vitorianos (especialmente Miguel Silva) por parte de jagunços axadrezados que recriaram no túnel do Bessa alguns dos piores tempos do "Apito Dourado".
Por isso esta nomeação é uma autêntica provocação ao Vitória e aos vitorianos.
A que temos de reagir, todos, com inteligência.
Ténicos e jogadores sabendo que vamos defrontar um adversário que vem "reforçado" e que   terão de saber lidar com isso.
Adeptos tendo o cuidado de por maior que seja a indignação, por atropelos "Xistrais" às leis do jogo e do bom senso, não tomarem atitudes que o poder disciplinar possa aproveitar para nos aplicar daquelas sanções que não aplica a mais ninguém.
O futebol português (excepto as selecções bem entendido) está pelas ruas da amargura.
Esta nomeação é mais uma prova disso por tudo que representa de falta de respeito a um clube e aos seus adeptos.
Depois Falamos

P.S. A foto que encima este texto é do final do Vitória-Benfica da época passada. Em que a "Xistral" criatura não marcou três claro penaltis a nosso favor numa das piores arbitragens a que me lembro de assistir.

Meias Finais

A Cardiff só chegarão dois dos quatro apurados para as meias finais.
Mas neste momento todos eles terão essa legítima expectativa.
Tinha previsto aqui que Juventus, Real Madrid, Mónaco e Atlético de Madrid seriam os apurados e o prognóstico, que nada tinha de difícil, veio a confirmar-se na totalidade e sem sequer correr riscos de isso não acontecer.
É evidente que nenhum dos resultados da primeira mão sentenciava em definitivo a eliminatória mas era igualmente evidente que o Barcelona tinha pela frente uma missão quase impossível ( A Juve é melhor que o PSG) e Real Madrid e Mónaco dificilmente desperdiçariam a vantagem adquirida com os seus triunfos fora.
A grande dúvida estava mesmo em Leicester mas aí o Atlético foi uma equipa sólida e marcando primeiro sentenciou a eliminatória face a um Leicester que teve uma estreia muito honrosa na Liga dos Campeões.
Em Monte Carlo os homens de Leonardo Jardim foram arrasadores e conseguiram novo triunfo sobre o Dortmund passando às meias finais com um concludente 6-3 que em boa verdade diz tudo.
No jogo de Barcelona, perante um Nou Camp a abarrotar e estando no ar a esperança de uma nova "remontada" , a Juventus fez valer a sua experiência europeia e a categoria dos seus jogadores para aguentar um nulo lisonjeiro face ao número de oportunidades (só Messi desperdiçou quatro o que nele é muito invulgar) criadas por um Barcelona que só se pode queixar de si próprio.
Continua a ter o melhor trio atacante do futebol mundial mas na defesa(incluindo baliza) e no meio campo precisa de reforços.
Em Madrid, como em Munique, valeu ao Real a extraordinária categoria de Ronaldo que fez cinco (!!!) dos seis golos alcançados pelos merengues nesta eliminatória e levou a equipa literalmente ao colo (também houve outro "colo" mas não vamos falar disso agora) até às meias finais.
Amanhã é o sorteio e se saberá quem joga com quem.
Pessoalmente, e uma vez eliminado o Barcelona, não tenho favoritos nesta edição da Liga dos Campeões.
Gostava que ganhasse o Mónaco por Leonardo Jardim, por Bernardo Silva, João Moutinho e por ser teoricamente o menos favorito.
Gostava que ganhasse o Atlético de Madrid por Tiago, por ter perdido recentemente duas finais e por ser um clube de grande fervor popular.
Gostava que ganhasse o Real Madrid por Ronaldo. Apenas e só por ele.
Gostava que ganhasse a Juventus por Buffon. Um jogador fantástico, com uma carreira fabulosa e que nunca ganhou a Liga dos Campeões. Perto do fim da carreira pode ser a última oportunidade.
Aguardemos, pois, pelo sorteio.
Depois Falamos.

terça-feira, abril 18, 2017

A Mais!

Há muito.desde uma tristemente célebre noite em Braga, que defendo que o árbitro Artur Soares Dias(ASD) anda a mais no futebol.
Pelo menos num futebol em que se exigem competência, isenção,seriedade e verdade desportiva nas suas competições como devia ser, mas infelizmente não é, este futebol português que é campeão europeu de selecções em futebol jogado mas forte candidato a campeão mundial da falta de vergonha e favorecimento a uns três em detrimento de todos os outros no futebol de bastidores.
E ASD é um dos expoentes dessa falta de vergonha.
Escrevo estas linhas com o conforto de apesar dele e dos seus ajudantes ( e de uma fraca exibição na segunda parte já agora...) o Vitória ter vencido em Chaves num jogo em que ASD, uma vez mais, não foi sério, não foi isento, não foi competente.
Dou apenas três exemplos:
Aos 19 minutos da primeira parte, e por suposta perda de tempo de Douglas na execução de um pontapé de baliza, mostrou-lhe de imediato um cartão amarelo sem ao menos o avisar antes como fazem todos os árbitros.
De resto desafio que me mostrem outro caso em qualquer jogo desta Liga, ou dos dez ou vinte anos anteriores, em que tenha sido mostrado um amarelo aos 19 minutos pelo motivo que ASD o mostrou a Douglas.
Se este "critério" fosse seguido por todos há guarda redes que no D.Afonso Henriques não chegavam ao intervalo tantas as perdas de tempo em lances similares.
Depois o primeiro golo do Chaves.
Em claro fora de jogo do seu marcador mas que o fiscal de linha deixou passar com satisfação, aliás a mesma satisfação com que marcou cantos contra o Vitória quando era pontapé de baliza ou assinalou lançamentos a favor do Chaves quando eram a favor do Vitória.
Um erro grave que não influenciou o resultado final mas adulterou a sua expressão.
Finalmente os inacreditáveis seis minutos de compensação que foram dados num jogo que teve seis substituições (duas delas simultâneas) e duas curtas paragens de tempo para assistência a Douglas e a Prince pelo que tudo que fossem mais de quatro minutos era exagero.
Por esse "critério" há jogos no nosso estádio que deviam ter dez ou quinze minutos de compensação tantas as paragens de jogo devidas às simulações de lesões dos nossos adversários.
Em suma mais uma fraca arbitragem de ASD e, como sempre, em prejuízo do Vitória.
E se escrevi este texto à parte do de comentário ao jogo foi precisamente pelo tal conforto de termos ganho e o trio de arbitragem não poder servir como bode expiatório de uma derrota ou empate que felizmente não aconteceram.
Mas não por vontade deles árbitro e ajudantes.
E não é por termos ganho que devemos deixar de exprimir a nossa indignação contra quem nos prejudica.
Depois Falamos.

Cidadania

O meu artigo de hoje no jornal digital Duas Caras

Não é minha intenção fazer hoje uma crónica sobre desporto, e mais propriamente sobre o Vitória, que é assunto que aqui no “Duas Caras” está muito bem entregue aos meus amigos Sandra Fernandes e Secundino Rodrigues que semanalmente escrevem excelentes prosas sobre esses assuntos.
Mas o desporto e o Vitória fazem parte importante da comunidade vimaranense, que é um concelho de muitos e excelentes desportistas, sendo o clube uma das suas principais referências (diria a principal) afectivas em termos do orgulho de identificação dos cidadãos com a sua Terra.
E por isso tudo que diz respeito ao Vitória “mexe” com os vimaranenses, os seus triunfos são triunfos de todos e quando o clube é ofendido, desconsiderado, tratado abaixo do que merece é uma ofensa que todos sentimos como sendo feita a nós próprios.
É um lugar-comum, mas cheio de razão de ser, dizer-se que o Vitória faz parte de cada família como um dos seus elementos mais queridos.
E faz.
Por isso não admira que ao longo dos anos, desde antes do 25 de Abril, algumas das maiores manifestações de cidadania que se fizeram em Guimarães foram motivadas pelo Vitória quer por ser mal tratado pelos poderes do futebol quer quando se tornou necessário os vimaranenses saírem à rua a dar suporte a algumas das reivindicações do clube em termos de crescimento patrimonial.
Sabe-se também que desde há muito os vitorianos olham com crescente desconfiança o tratamento que a comunicação social nacional dá ao clube quer por considerarem que com raras excepções não o valorizam como deve ser, quer por entenderem que é tratado de forma “menor” em relação a outros emblemas, quer por acharem (e na esmagadora maioria das vezes com razão) que a comunicação social branqueia os atropelos e prejuízos que nos são causados quer por árbitros quer por órgãos disciplinares.
Já para nem falarmos do facto de as televisões serem hoje caixas de ressonância de três clubes, com dezenas de horas semanais a serem-lhes dedicadas em reportagens e debates entre paineleiros que lhes são afectos, naquilo que é uma evidente forma de condicionamento da verdade desportiva das competições.
Este fim-de-semana, em plena Páscoa, o Vitória foi alvo de mais uma tentativa de atropelo canalha vindo de um canal de televisão que nunca pelo nosso clube demonstrou qualquer simpatia.
No caso a SIC-Notícias.
Que no seu site, e numa peça de análise à jornada do fim de semana, referia com imagens dos símbolos e tudo que o Benfica era primeiro, o Porto segundo, o Sporting terceiro e o…Braga quinto!!!
E o quarto?
Que por acaso está isolado nesse lugar com dois pontos de avanço sobre o quinto.
Não constava.
Uma autêntica afronta ao Vitória esta ignorância a que propositadamente o votaram.
Mas os vitorianos não dormem.
E apesar de ser fim-de-semana de Páscoa a indignação rapidamente alastrou pelas redes sociais, os adeptos mobilizaram-se e foi uma autêntica “romaria” ao site da SIC-Notícias para lá deixar os mais veementes protestos (alguns no mais “veemente” português que a indignação não escolhe palavras) quanto à afronta e falta de respeito pelo nosso clube.
Dezenas, centenas, não sei mas sei que ao fim de poucas horas a indignação vitoriana venceu e a SIC-N retirou a página em que nos discriminava embora sem apresentar as desculpas que eram devidas ao Vitória Sport Clube.
Foi o que se pode chamar uma verdadeira manifestação de cidadania.
Em que um poderoso canal de televisão teve de se vergar à indignação dos adeptos de um clube que não faz parte daqueles a quem chamam “grandes” mas que tem nos seus adeptos uma grandeza que se pode considerar única e extraordinária.
Mas foi também, e talvez essa seja a grande lição a retirar, a prova de que vale a pena insurgimo-nos, levantarmos a nossa voz, reivindicarmos justiça quando entendemos que o nosso clube é prejudicado por poderes que sendo muito fortes também tem os seus pontos fracos.
É uma lição de cidadania para o futuro.

E é, também, uma lição que o desporto oferece à comunidade.

Vaivém Endeavour

Foto: National Geographic

Porco do Vietname

Foto: National Geographic

Universidade da Flórida


segunda-feira, abril 17, 2017

Sol e Sombras

O meu artigo desta semana no zerozero

O mundo do futebol, permanentemente sujeito a efeitos de enorme mediatismo em função do que nele se desenrola, viveu nesta última semana momentos extraordinários, mas radicalmente opostos em termos de fair play e falta dele.
Para não lhe chamar pior.
São o “sol” e a “sombra” do futebol.
Em Dortmund, numa prova cabal de que o fenómeno da violência terrorista nem o mundo do desporto respeita (em boa verdade isso já se sabia desde Munique/1972), o autocarro da equipa alemã, quando se dirigia para o estádio, foi atacado à bomba, felizmente sem consequências físicas (excepto para Marc Bartra, embora quase irrelevantes face ao que podiam ter sido), mas deixando enormes marcas anímicas em todos quantos nele viajavam e uma enorme preocupação no mundo do futebol, excepto para a UEFA, que mandou jogar no dia seguinte porque com o negocio não pode parar!!!
Mas, se o atentado foi a “sombra”, o “sol” apareceu quer no estádio, com os apoiantes do Mónaco a entoarem cânticos de apoio ao adversário, quer depois com esse exemplo extraordinário de os adeptos alemães terem acolhido em suas casas os monegascos que não tinham hotel para essa noite e assim puderam permanecer em Dortmund para verem o jogo.
Por cá também nesta semana tivemos casos de “sol” e “sombra”.
Em Guimarães, depois de um jogo em que o Vitória foi superior mas o Tondela discutiu o resultado até ao fim, deixando a sensação de que até podia ter feito um ponto, assistiu-se a um acto de enorme fair play do clube visitante que, através da sua conta no twitter, felicitou o Vitória pelo seu triunfo e deixou rasgados elogios aos mais de vinte mil adeptos vitorianos que assistiram ao jogo e deram ao longo de 90 minutos um apoio incessante à sua equipa.
Um exemplo de fair play de um clube “pequeno”que soube ser “grande” na atitude, em contraponto com aqueles a quem chamam “grandes” e que andam há semanas (meses...anos…) a darem tristíssimos espectáculos de quezílias, suspeições, insultos e o que mais se tem visto, recorrendo até, quanta “sofisticação”,  a cartilhas para a “peixeirada” sair devidamente afinada.
Mas, se o Tondela foi o “sol” da semana”, a “sombra” foi indiscutivelmente claque do Porto e os seus miseráveis cânticos num jogo de andebol entre dragões e Benfica evocando, sem pudor, nem vergonha, nem respeito de qualquer espécie a tragédia acontecida ao Chapecoense.
Bem andou o clube em se demarcar por palavras do sucedido, mas falta agora o Porto e outros clubes demarcarem-se por actos concretos daqueles que nas claques, e não só, andam a semear violência dentro e fora dos recintos e a conspurcar o fenómeno desportivo.
E muito doente tem de andar uma sociedade quando entre ela abriga gente (???) capaz de atitudes como esta.
Que em termos dos chamados “grandes” não foi facto virgem porque ainda recentemente adeptos leoninos gozaram com a morte de adeptos dos No Name Boys e estes com o sucedido no Jamor no triste dia do very light.
Não é rivalidade.
É puro banditismo de indivíduos que têm de ser tratados na base do código penal como delinquentes que são.
Finalmente, dois exemplos de como também na disciplina há “sol” e “sombras”.
Aquando da visita do Vitória ao Boavista, em jogo da Taça de Portugal, todos nos recordamos das agressões de que foi alvo o guarda-redes vitoriano Miguel Silva por dois jagunços disfarçados de jogadores de futebol que ainda no relvado o agrediram cobardemente.
Nenhum foi punido por essas agressões.
No regresso da equipa vitoriana ao balneário, largos minutos depois do fim do jogo por ter estado a festejar com os adeptos o triunfo, a equipa vitoriana foi alvo de uma emboscada por parte de jogadores e dirigentes do clube da casa, que mais uma vez agrediram Miguel Silva que como é natural se defendeu das agressões.
Resultado?
Miguel Silva foi imediatamente suspenso pelo orgão disciplinar, sendo-lhe instaurado um processo de inquérito que durou semanas, com ele suspenso, e do qual até hoje, e salvo melhor informação, não se conhece desfecho.
A verdade é que esteve semanas suspenso sem poder dar o seu contributo à equipa.
Um caso de pura “sombra”.
Na passada semana, em Moreira de Cónegos, o benfiquista Samaris, com o jogo parado e sem qualquer motivo, deu um murro a um adversário.
O árbitro pode não ter visto, mas seguramente que muita gente viu e o acto foi devidamente captado pelas câmaras de televisão.
Como, aliás, já na jornada imediatamente anterior tinham captado o mesmo Samaris a dar um murro (que talento para o boxe se terá perdido com a sua opção pelo futebol...) no portista Alex Teles sem punição disciplinar imediata ou posterior!
Mas em relação ao acontecido em Moreira de Cónegos qual foi o desfecho?
Um inquérito face à gravidade do acto (segundo consideração do orgão disciplinar) mas com a “pequena” nuance de o jogador poder continuar em actividade enquanto o inquérito decorre (sendo expectável que só existam conclusões depois de o campeonato decidido…), precisamente o contrário do sucedido com Miguel Silva.
Poder-se-á considerar este exemplo como o “sol” da disciplina?
É claro que não.
Mas apenas como mais uma prova de como no futebol português o sol quando nasce não é para todos.
E por isso em Portugal não há verdade desportiva nas competições!

Cataratas de Iguaçu, Brasil


Hipópotamo


domingo, abril 16, 2017

O Nosso 14

Ontem no regresso de Chaves , e reflectindo sobre o estranho "apagão" do Vitória na segunda parte idêntico ao do jogo com o Tondela e com semelhanças com o anterior jogo com o mesmo adversário para a Taça de Portugal, lembrei-me de...Fernando Mamede!
Isto também porque alguns vitorianos, que com toda a naturalidade tem opinião diferente, acham que o que conta é ganhar e que a equipa está a fazer um campeonato excelente e vai alcançar marcas e recordes que não tinha como o número de pontos ou de triunfos fora e por isso as exibições, e os sinais que elas transmitem, pouco ou nada interessam,
E por isso me lembrei de Mamede.
Que também fazia grandes marcas e alcançava recordes mas depois naquilo que conta para a história, que são as medalhas em grandes competições, ia-se abaixo por não aguentar a pressão de ter de ganhar.
As nossas "medalhas" são o quarto lugar (e a vitória na Taça) não recordes de pontos e de triunfos fora que se não nos assegurarem a referida classificação para pouco mais servirão do que para curiosidade estatística.
E a sensação "mamediana" que a equipa vinha/vem dando é estar com muita dificuldade em aguentar a pressão da conquista, quer do quarto lugar quer da taça de Portugal, e por isso a pálida exibição no jogo que assegurava o acesso ao Jamor e estes estranhos "apagões" nas segundas partes de jogos em que vai para intervalo com vantagens confortáveis no marcador.
Espera-se que agora que estamos de facto em quarto lugar,e com dois pontos de avanço (não em igualdade pontual como durante semanas estivemos), e com o lugar no Jamor assegurado os jogadores consigam libertar-se dessa pressão e voltem a um nível exibicional regular e a índices de auto confiança que sustentem as nossas legítimas aspirações.
Porque ao contrário de Fernando Mamede, que nunca o conseguiu, nós podemos ganhar as "medalhas" a que somos candidatos.
Individualmente:
Douglas: Uma grande exibição a garantir os três pontos com várias defesas de grande qualidade. Chaves em apenas uma semana viu por duas vezes o melhor Douglas da época. Sorte a nossa.
Bruno Gaspar: Muitas dificuldades a defender e pouco visto a atacar. Longe da melhor forma.
Prince: Na marcação ainda foi cumprindo mas com a bola nos pés revelou muita insegurança.
Pedro Henrique: Não está isento de culpas no segundo golo e no resto foi o melhor do quarteto. Mas faltou alguma liderança na altura de maior desacerto da equipa.
Konan: Dificuldades a defender, incerto a atacar, uma exibição muito discreta.
Rafael Miranda:  Quando as coisas corriam bem integrou-se no acerto geral. Depois esperava-se mais da sua experiência quando o sufoco apertou.
Zungu: Procurou jogar com a bola no pé e foi dos menos perturbados na fase de desacerto.
Hurtado: Uma exibição regular. Curiosamente foi após a sua saída que o Chaves começou a dominar o jogo talvez porque deixou de existir na intermediária vitoriana quem segurasse a bola e pensasse o jogo.
Marega: Sempre voluntarioso mas pouco eficaz. O terceiro golo é mais dele que de Hurtado que se limitou a empurrar uma bola que entraria de qualquer forma.
Texeira: Uma oportunidade e um golo. Também da sua saída a equipa se ressentiu porque deixou de ter na frente quem segurasse a bola, desse tempo para os médios subirem e tabelasse em jogadas de 2x1. Marcou pelo quarto jogo consecutivo o que é de assinalar.
Hernâni: Um excelente golo, uma assistência para outro e algumas boas jogadas. Na segunda parte também ele foi atingido pelo "apagâo".
Foram suplentes utilizados:
João Aurélio: Vinha de problemas fisícos de que pelos vistos se terá ressentido. E a equipa acusou isso porque não pôde usufruir da sua experiência e entrega a 100%.
Raphinha: Não se viu.
Célis: Entrou para ajudar a defender.
Não foram utilizados:
Georgemy, Josué, Tozé e Sturgeon

Melhor em campo: Douglas

Faltam cinco jogos que terão de ser encarados com o espírito de cinco finais.
O Vitória está em quarto lugar, o tal que garante desde logo a entrada na fase de grupos da Liga Europa, e só depende de si para chegar ao final do campeonato nessa posição.
Que terá de ser sempre a "sua" enquanto não puder aspirar a posição mais alta.
Tem valor para isso, já o demonstrou ao longo da prova, e apenas depende de ter atitude para o conseguir.
Depois Falamos

Empire State Building


Nuvens


sábado, abril 15, 2017

Ufa...

Ufa...Que sufoco!
Mas comecemos pelo principio que dá mais jeito.
O Vitória, em Chaves, depois do jogo da semana passada para a Taça de Portugal sabia ao que ia, ou seja, sabia que ia encontrar uma boa equipa,aguerrida e ambiciosa, ansiosa por demonstrar que era ela e não o Vitória que devia marcar presença no Jamor.
E também sabia que contra o Tondela, por mais argumentos de "gestão inteligente" que tenham sido esgrimidos, tínhamos feito uma muito má segunda parte em que só por manifesta fortuna o triunfo não nos fugiu.
E a primeira parte do Vitória foi a de quem tinha aprendido a lição e estava avisado para os riscos.
Controle de bola, boas saídas para o ataque, defensivamente a controlar o adversário e uma grande eficácia na finalização que permitiu ir para o descanso com a confortável (pensava-se...) vantagem de três golos no marcador.
Como o Vitória é uma equipa que se dá bem em contra ataque, fruto da velocidade dos seus homens mais avançados, e o Chaves a perder por três golos ia ter de arriscar tudo por tudo era mais provável ser o Vitória a aumentar a vantagem do que o seu adversário a diminui-la.
Cruel ilusão.
Porque o Vitória da primeira parte ficou nas cabines e o que subiu ao relvado foi uma versão ainda pior do Vitória da segunda parte com o Tondela!
Uma equipa nervosa, hesitante, incapaz de manter a bola em três passes consecutivos, sem ligar uma  jogada de ataque, a defender pessimamente pelas laterais, sem criar um único lance de perigo em toda a segunda parte, enfim, uma pálida e triste caricatura da equipa que se exibira no primeiro tempo.
Claro que o Chaves percebeu a tão estranha quanto inesperada insegurança vitoriana.
E fez o seu trabalho pressionando alto, atacando alternadamente por um e outro flanco, criando sucessivas situações em que apenas Douglas e a falta de pontaria evitavam o golo flaviense, dominando por completo uma atarantada equipa vitoriana que parecia presa aos piores fantasmas do jogo da taça.
E o golo acabou por aparecer. 
Em fora de jogo,é verdade, mas validado pela equipa de arbitragem (o Vitória já sabe que deste "artista" só pode esperar o pior) a que se sucedeu dois minutos depois outro golo face a uma defensiva vitoriana completamente aos papeis e a fazer recear o pior.
Que só não aconteceu porque Douglas fez três ou quatro enormes defesas a segurar os três pontos e assumindo-se como a grande figura da equipa a quem disse "presente" quando a equipa mais precisou dele.
Foram vinte minutos finais, desde o segundo golo flaviense, de enorme sufoco com uma equipa vitoriana encostada às cordas e o terceiro golo adversário a ameaçar aparecer a qualquer momento tal o inexplicável "apagão" dos homens de Pedro Martins que nem mesmo com as alterações que fez na equipa conseguiu inverter a situação.
Vencemos e isso era o objectivo primeiro.
Mas não é só porque se ganha que se pode considerar que tudo está bem, como alguns pretendem fazer crer, porque a regularidade exibicional em padrões compatíveis com uma equipa que luta pelo quarto lugar e pela conquista da Taça de Portugal ficou muito aquém do exigível.
No jogo de taça fizemos uma má exibição e estivemos à beira do KO que só a defesa de Douglas no penalti evitou; com o Tondela depois de uma boa primeira parte foi aquele segundo tempo fraco e hoje mais uma vez fizemos uma boa primeira metade e depois a segunda parte deve ter sido a pior exibição do Vitória em toda a época.
Ganhamos dirão aqueles que não querem ver para lá do resultado.
Pois ganhamos e ainda bem.
Mas numa semana sofremos cinco golos do Chaves, fizemos três exibições de brutal contraste entre altos e baixos e vimos uma equipa sem estabilidade emocional nem capacidade de reacção quando as coisas correm mal.
E isso é muito preocupante.
Em termos de quarto lugar, e face ao empate entre Braga e Porto, estamos no "nosso" lugar com dois pontos de vantagem e a dependermos apenas de nós para a sua conquista com três jogos em casa (Boavista, Arouca e Feirense) e duas saídas ( Setúbal e Benfica) o que em condições normais não se pode considerar como nada de muito difícil.
Mas por condições normais temos de considerar um Vitória como o da primeira parte no jogo todo porque de contrario vamos ter cinco jogos de elevadíssimo grau de dificuldade e resultados completamente imprevisíveis.
Domingo, face ao Boavista, é imperioso que a equipa dê uma resposta positiva às duvidas e ansiedades que ela própria criou nos adeptos.
Depois Falamos.

P.S. Penso que mesmo aqueles que acham que o que interessa é apenas o resultado e os três pontos, alheios e indiferentes a todos os sinais preocupantes que a equipa transmite, terão alguma dificuldade em acreditar que esta equipa das "segundas partes" tenha possibilidade de vencer o Benfica no Jamor.
E esse também é um objectivo importante!