terça-feira, julho 25, 2017

Começar Bem

O meu artigo desta semana no jornal digital Duas Caras.

Costuma-se dizer que não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão pelo que o primeiro acto público da candidatura da coligação “Juntos por Guimarães” e de André Coelho Lima não podia correr o risco de não ser um sucesso.
Primeiro acto público, entenda-se, enquanto formalização perante Guimarães da candidatura porque como é sabido ao longo destes quatro anos a coligação e o candidato estiveram permanentemente presentes quer nos grande eventos na cidade e vilas que nas mais singelas cerimónias nas mais remotas freguesias do concelho.
E também isso, esse trabalho de proximidade como Guimarães nunca tinha visto a partidos de oposição, exigia que o pontapé de saída para aquilo a que chamo um sprint de setenta dias fosse um sucesso.
E foi.
Em todos os aspectos.
Desde logo ao escolher-se o belíssimo largo fronteiro à Câmara para o evento transmitiu-se a mensagem clara de que se escolhera como ponto de partida aquele que se quer que seja o ponto de chegada, a 1 de Outubro, só que aí transpondo os umbrais do edifício e anunciando o início de um novo ciclo político para Guimarães.
Depois na decoração da praça e do próprio palco privilegiando a mensagem política e a proximidade entre candidato e apoiantes naquilo que se deseja continue a ser uma cada vez maior comunhão de esforços no seio da candidatura.
Naturalmente que não posso, nem devo falar pelos outros partidos que integram a coligação mas no que toca ao PSD, que é o meu partido, foi gratificante ver o apoio incondicional que é dado a André Coelho Lima desde logo pelos militantes mas também por algumas das maiores referências do partido em Guimarães como é o caso, por exemplo, de Fernando Alberto Ribeiro da Silva e António Xavier que fizeram questão de estarem presentes.
Mas para além dessas duas referências maiores, digamos assim, também lá estavam muitos outros dirigentes que ao longo dos anos estiveram na primeira linha do combate político em Guimarães e que quiseram mostrar público apoio à candidatura e ao candidato.
E depois importa salientar um momento particularmente marcante e que de alguma forma comoveu todos os presentes e que foi a subida ao palco da professora primária de André Coelho Lima  que apesar dos seus respeitáveis noventa e nove anos de idade não quis deixar de mostrar apoio ao seu antigo aluno.
Um momento raro e que marcou toda a cerimónia.
Não deixa de ser curioso, e digo-o num pequeno aparte, que a abrangência geracional da candidatura foi de tal ordem que entre o apoiante mais “experiente “ a subir ao palco (a  referida professora) e o mais  jovem  (a filha mais nova do candidato que na fase de encerramento agitava entusiasticamente uma bandeira) mediava o respeitável espaço de noventa e sete anos o que se não é recorde em cerimónias deste género deve andar lá perto!
Obviamente que num evento dedicado à apresentação formal do candidato se entende perfeitamente que não só tenha sido o único orador como também tenha “dispensado” a presença de dirigentes nacionais dos partidos que integram a coligação porque ali, naquele dia e naquela hora, o palco tinha de ser dele.
E foi.
Num das melhores intervenções  que já lhe ouvi o candidato André Coelho Lima conseguiu algo que nem sempre é fácil e que foi a conciliação adequada entre conteúdo, forma e duração do discurso mantendo a assistência atenta e permanentemente entusiasmada.
Porque foi essencialmente um discurso virado para o futuro.
Apresentando as ideias e os projectos, revelando a visão que tem para um todo chamado Guimarães do qual fazem parte cidade, vilas e todas as freguesias, mostrando à evidência as razões de uma candidatura e o futuro que deseja para o concelho.
Evitando criticas ao adversário, ataques e remoques a quem está no poder, limitando-se nessa matéria a algumas comparações com concelhos vizinhos que por si só são elucidativas das razões porque a coligação “Juntos por Guimarães” acha que pode fazer mais e melhor.
Como se diz na gíria “foi uma festa bonita pá”.
Que terminou com a subida ao palco dos cabeças de lista às juntas de freguesia e dos responsáveis máximos de cada partido a nível local naquilo que foi um claro sinal de união de esforços face a um objectivo comum.
Foi uma excelente partida para o sprint de setenta dias até à data das eleições.
Setenta dias que vão dar sequência ao imenso trabalho feito durante quatro anos e que visam convencer os vimaranenses que vale a pena, após vinte e oito anos depois de poder absoluto do PS, dar uma oportunidade à coligação “Juntos por Guimarães” para fazer diferente, fazer melhor e dar início a um novo ciclo político só possível de ser protagonizado por quem representa uma nova forma de fazer política e traz para a comunidade ideias e projectos que já não estão ao alcance de um poder velho e gasto.
Durante estes setenta dias acredito que a coligação levará a sua mensagem, as suas ideias e os seus protagonistas a todos os pontos do concelho .
A 1 de Outubro os eleitores vimaranenses decidirão.

Águia Pesqueira


Castelo Himeji, Japão


Normal

Pese embora não fosse de esperar uma superioridade tão esmagadora do Porto aquilo que vimos no passado domingo tem de se considerar como normal face ao que se tem visto (e adivinhado)nesta pré temporada.
De um lado um Vitória com um plantel ainda atrasado na sua definição, com lacunas mais que evidentes em alguns sectores e mesmo sabendo que tem cinco competições para disputar (a primeira das quais daqui a onze dias) continua a adiar contratações à espera desconfia-se de quê.
Por outro lado a equipa vinha de jogos de preparação em que o adversário mais "exigente" terá sido o recém promovido Portimonense já que o outro primodivisionário defrontado-Feirense-também ele está com o seu plantel atrasado à espera do que sobrar noutros clubes.
É verdade que pelo caminho apareceu uma goleada ao Belenenses mas essa foi infligida pela equipa B e houve dois outros jogos que me recuso a considerar como preparação para o que quer que seja.
Não era este o panorama que se desejava mas em bom rigor era o que se previa face ao que tem sido os anos anteriores e a uma prática negocial com os chamados "grandes" que do meu ponto de vista leva a que pré temporadas destas se repitam ano após ano.
Do outro lado estava uma equipa "enganadora".
Porque fala-se muito sobre a ausência de contratações do Porto (apenas o guarda redes Vaná), por contraponto com a enxurrada de entradas em Benfica e Sporting, mas essa é uma falsidade que muito deve divertir os responsáveis portistas. 
Porque reforços não são apenas contratações. Também podem ser o regresso de jogadores emprestados.
E se é verdade que o Porto perdeu André Silva e Ruben Neves (e poderá perder Danilo) é igualmente verdade que recuperou Hernâni, Ricardo,Aboubakar, Marega, Reyes e Martins Indi que regressam depois de rodarem noutros emblemas e naturalmente mais preparados para jogarem no clube.
Pelo que o Vitória defrontou uma equipa mais forte do que às vezes se diz por aí.
E isso foi patente nuns primeiros 45 minutos de superioridade esmagadora do Porto e depois num segundo tempo em que com muitas substituições de parte a parte, e a expulsão de André ,os portistas se limitaram a controlar o jogo sem problemas de maior com excepção do lance de Texeira em que existem muitas duvidas se foi ou não golo.
Sobre exibições individuais não valerá a pena tecer grandes considerações.
Apenas o reparo de num jogo em que eram permitidas dez(!!!) substituições para cada equipa o Porto as ter feito todas e o Vitória apenas oito mantendo em campo durante os 90 minutos o guarda redes Douglas e os centrais Josué e Moreno.
A partir daí cada um que tire as suas ilacções...
As minhas, que podem estar erradas como é óbvio, é que já estão escolhidos os três primeiros titulares para Aveiro.
Em suma há muito trabalho para fazer na constituição do plantel e na definição de um "onze" inicial e cada vez menos tempo para fazer isso bem feito porque estamos a onze dias da supertaça (que não dá segundas oportunidades para ser ganha) e a dezasseis de um início de campeonato em que se espera e deseja que o Vitória entre com o pé direito.
Depois Falamos

segunda-feira, julho 24, 2017

Loucuras...

O meu artigo desta semana no zerozero.

José Mourinho, ironicamente um daqueles que maior contributo tem dado para isso, dizia recentemente que face aos valores envolvidos em transferências de jogadores o futebol parecia ter enlouquecido.
Se as palavras não foram exactamente estas o sentido seguramente que o foi.
E tem razão.
Porque embora de há muito ninguém tenha o “direito” de olhar o futebol apenas como um desporto, pelo menos a nível de competições profissionais, a verdade é que naquilo que concerne às grandes ligas europeias (Inglaterra, Espanha, Alemanha e  Itália ) ou aquelas que não sendo das mais importantes tem em volta delas muito dinheiro (França, Rússia, Turquia) o futebol deixou de ser um desporto com uma componente de negócio para ser cada vez mais um negócio com uma componente desportiva.
O que vamos vendo por aí, nesta pré temporada na qual ainda falta correr muita água debaixo das pontes confirma essa loucura de números que não podem deixar de, apesar de tudo, espantar e preocupar quem quiser ver as realidades sem óculos cor de rosa.
E nem seque falo das duas maiores enormidades que ultimamente vieram a público:
O clube chinês que terá oferecido ao Real Madrid qualquer coisa como trezentos milhões de euros por Ronaldo enquanto ao jogador oferecia cem milhões de euros por cada ano de contrato.
O que mesmo tratando-se de um dos dois melhores do mundo a jogar e ,de longe, o melhor de todos  em termos de receitas publicitárias associadas à sua imagem não deixa de ser um completo absurdo porque não há nenhum atleta em nenhuma modalidade que justifique valores dessas ordem mesmo vindos de um mercado (o chinês) completamente desregulado face à realidade.
E o negócio “Neymar” com o PSG, de França e portanto de um mercado e uma Liga sujeitos a regras de fair play financeiro da Uefa, a propor-se pagar a clausula de rescisão do jogador com o Barcelona no valor de duzentos e vinte milhões de euros e depois pagar-lhe um prémio de assinatura de cem milhões de euros mais trinta milhões por cada um dos cinco anos de contrato.
Embora Neymar seja um grande jogador, logo a seguir aos estratosféricos Ronaldo e Messi, e um certo vencedor de “Bolas de Ouro” mais dia menos dia a verdade é que também ele não vale (repito que ninguém vale) esses valores que raiam o absurdo.
Mas se esses são, pelo absurdo de que se revestem, os exemplos mais evidentes da loucura que grassa no futebol há muitos outros que abrangendo jogadores menos mediáticos e de valor abaixo dos citados nem por isso deixam de também eles atingirem valores incompreensíveis.
E o grande exemplo são os oitenta milhões pagos pelo Chelsea ao Real Madrid por um excelente jogador-Morata- mas que não me parece merecedor de uma quantia dessas pese embora ser um dos melhores pontas de lança europeus da actualidade.
Tal como, e aqui volto a José Mourinho, os mais de cem milhões que o ano passado o Manchester United pagou por Pogba são um exagero absoluto face a um excelente jogador que, contudo, não é mais do que isso.
Mas depois abaixo desses patamares das muitas dezenas de milhões encontram-se, com relativa facilidade, outros negócios de menos milhões mas ainda assim claramente exagerados face ao valor dos jogadores transaccionados.
 E é aí que entra o mercado português.
Que nas transacções internas se fica por valores modestos (já lá iremos) mas que tem conseguido tirar proveito desta febre de loucura que grassa no futebol para os principais clubes portugueses, também eles, venderem por valores (e ainda bem) acima do que seria expectável face ao valor dos jogadores que colocam noutros mercados.
E nesse aspecto o Benfica também tem sido o campeão face à capacidade negocial demonstrada.
Depois de na época passada terem vendido Renato Sanches por um valor em função do que ele prometia mas ainda não valia (e não se sabe se chegará a valer) este ano repetiu a dose a triplicar transferindo Ederson, Lindelof e Nelson Semedo por valores muito lisonjeiros face à real valia dos jogadores como Guardiola e Mourinho já estão a descobrir e Valverde lá chegará mais dia menos dia.
O Sporting na época passada fez um negócio excelente com a venda de João Mário ao Inter, muito à boleia de o jogador ter sido campeão europeu por Portugal, mas depressa os italianos descobriram que tinham pago dinheiro a mais por um bom jogador,é verdade, mas que dificilmente algum dia será mais do que “apenas” um bom jogador.
Este ano para lá de se livrar de alguns erros da época passada os “leões” ainda não venderam nenhum jogador por valores sonantes mas é inevitável que até 31 de Agosto isso aconteça e o maior candidato parece ser William Carvalho outro jogador que seguramente será transferido por valores empolados face à realidade.
O Porto, noutros anos campeão indiscutível do mercado com negócios de muitos milhões, tem andado mais “calmo” nestes dois últimos anos destacando-se apenas a venda de Imbula (um erro de casting que resolveram sem prejuízo) e nesta pré temporada a de André Silva ao Milan por valores que me parecem adequados ao valor actual do jogador.
Provavelmente ainda venderão Danilo e talvez Brahimi e aí se verá se a dimensão dos valores atingidos merece enfileirar na galeria das “loucuras” ou se insere naquilo que se considera razoável.
Resta o mercado interno.
Praticamente sem expressão financeira, face ao reduzidos valores envolvidos, e onde os clubes a que alguns gostam de chamar “grandes” (provavelmente em função dos respectivos passivos) tem a péssima, mas consentida pelos outros, prática de comprarem a preço de saldo jogadores que se fossem adquirir a outros mercados por eles pagariam milhões.
Aproveitando-se despudoradamente de a maioria dos outros clubes viverem em crónica crise financeira e se verem quase obrigados a aceitarem as “esmolas” que lhes oferecem pelos seus melhores jogadores.
Ainda um destes dias a generalidade da imprensa noticiou que o Benfica após encaixar quarenta milhões por Ederson teria oferecido ao Vitória 2,5 milhões por Miguel Silva um jovem e talentoso guarda redes que em valor potencial nada deve ao brasileiro.
E então das duas uma:
Ou a virgula está no sítio errado devendo situar-se à direita do cinco ou o Benfica quer comprar “lagosta” ao preço do camarão da costa provavelmente pensado que ainda vivemos em feudalismo e que o Vitória é um qualquer servo da gleba.
Num tempo em que se fazem loucuras a pagar a mais espero que não se façam agora loucuras a receber a menos especialmente num caso como este em que talento, idade, posto no terreno de jogo e experiência recomendam tudo menos precipitações e vendas apressadas.

domingo, julho 23, 2017

Berlengas


Burro "Marinheiro"


Ayers Rock, Austrália


Sugestão de Leitura

É um livro acessível a todos, e não apenas aos especialistas na matéria, mas preferencialmente a quem se interesse por temas como castelos e fortalezas medievais e a sua importância na História de Portugal.
Como é o meu caso.
E por isso foi com enorme prazer que li esta obra de Miguel Gomes Martins dedicada a castelos e muralhas, fortalezas e fortificações construídas no nosso país na Idade Média por força da necessidade de nos defendermos do poderoso vizinho presente em todas as nossas fronteiras terrestres.
É um livro que nos dá a conhecer as caracteristicas arquitectonicas desses castelos e fortalezas, os reis e nobres que promoveram a sua edificação, os homens que as comandavam e vigiavam, a forma como eram defendidas e atacadas, alguns dos principais episodios militares que nelas se passaram e constituiram momentos marcantes da nossa História.
Fruto das caracteristicas que tinham, e da relevância que mereciam na defesa de vilas e cidades(e portanto do próprio país), eram alvo primeiro das ofensivas inimigas pelo que o livro constitui também uma análise da guerra de cerco que era a mais comum dessa época.
Em suma um livro muito interessantes em especial, como atrás foi dito, para quem se interessa por esta temática.
Depois Falamos

Mais um Passo

André Coelho Lima apresentou ontem a sua candidatura a presidente da Câmara Municipal de Guimarães.
E fê-lo num sítio que em termos simbólicos não podia ter sido melhor escolhido: No largo em frente à entrada principal da Câmara deixando implícita a mensagem de que já falta muito pouco para a atravessar e se tornar o primeiro presidente não socialista dos último 28 anos.
Foi uma festa bonita.
Com a presença dos responsáveis dos cinco partidos que integram a coligação "Juntos por Guimarães", de figuras históricas de alguns deles, mas essencialmente com uma grande participação popular e um entusiasmo próprio de campanhas com uma dinâmica vencedora proporcionada por gente que está ali em nome de convicções.
André Coelho Lima fez um excelente discurso.
No conteúdo, na forma, no tempo de duração.
Falou dos seus projectos, das suas ideias, da sua equipa, da visão que tem para a cidade,para as vilas, para as freguesias,em suma, para todo o concelho.
Não criticou o adversário, não perdeu tempo a falar do passado que o PS representa nem das suas até agora inexistentes ideias, mas fez aquilo que se espera de quem quer protagonizar o futuro que é precisamente falar do...futuro!
Foi um excelente momento de pré campanha e um mobilizador arranque para o sprint de 70 dias até às eleições autárquicas de 1 de Outubro.
Para o qual a coligação "Juntos por Guimarães"sai, depois da noite de ontem, mais mobilizada, mais confiante, mais crente que os vimaranenses lhe darão a oportunidade de fazer mais e fazer melhor.
Depois Falamos.

quinta-feira, julho 20, 2017

Suricata


Tbilisi, Geórgia


Andando e Vendo

Feirense x Vitória
Ainda não vi nenhum jogo do Vitória nesta pré temporada.
Por falta de oportunidade mas também porque são jogos que nunca me despertaram grande atenção dado serem essencialmente dedicados a experiências quer de jogadores quer de sistemas tácticos e por isso pouco tendo a ver com o "produto final".
Mas tenho acompanhado pelos jornais e pelo testemunho de quem a alguns assistiu.
E deixando de lado os dois primeiros jogos (como Santiago de Mascotelos e o Vila Chã), que me recuso a olhar como jogos de preparação seja para o que for, os sinais parecem-me positivos mais pelas indicações que alguns jogadores vem dando do que pelos resultados em si dado que empatar com o Portimonense e ganhar ao Feirense nada tem de especial.
É certo que pelo meio houve uma goleada ao Belenenses mas aí o mérito é da equipa B.
Domingo, frente ao Porto, é o primeiro jogo com grau de dificuldade idêntico ao da final da supertaça a que se seguirá outro com o Sporting que se pode inserir nesse mesmo patamar e que visam colocar à equipa perante adversários bem mais fortes que os até então encontrados.
Parece-me bem.
Em termos de plantel os regressos de Hurtado e Célis dão qualidade, dimensão e opções de escolha ao treinador pelo que se se confirmar o regresso de Marega(???) e a contratação de Abdoulaye , e não sair nenhum dos habituais titulares da época passada, poderemos considerar que o plantel estará em condições de disputar com ambição as cinco competições em que estará envolvido.
Embora mais um extremo não caísse mal...
Mas até 31 de Agosto já todos sabemos que ainda pode acontecer muita coisa.
Por isso...andando e vendo.
Depois Falamos

terça-feira, julho 18, 2017

Mocho


Lake Louise, Canadá

Foto: National Geographic

O Distrito Político

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

Embora os distritos sejam uma forma de organização territorial com cada vez menos sentido, face a outras lógicas dominantes, e que mais dia menos dia serão definitivamente extintos (espera-se que quando houver coragem para regionalizar) até lá continuam a existir e na lógica da sua existência assenta também a organização dos partidos políticos.
A dois meses e meio das eleições autárquicas, e com o prazo de entrega de listas a esgotar-se dentro de três semanas, estão mais ou menos definidas as principais candidaturas em cada um dos catorze concelhos havendo sempre a possibilidade de até ao ultimo dia ainda aparecer esta ou aquela candidatura independente ou deste ou daquele pequeno partido.
Numa análise não muito exaustiva (que poderá ficar,quem sabe, para outra oportunidade) há alguns circunstâncias que merecem destaque.
Desde logo a profunda divisão do PS em quase todas as câmaras que lidera  a par de outros problemas que adiante referirei.
Em Amares o actual presidente, eleito pelos socialistas, candidata-se agora pelo PSD fruto das profundas divergências com a secção local socialista que levaram a público “divórcio” vai para dois anos.
Em Barcelos há duas candidaturas do PS.
A do actual presidente e a do se ex vice presidente que entrou em ruptura com ele e protagoniza uma candidatura “independente” que de independente só tem mesmo o nome.
Em Cabeceiras de Basto mantém-se a divisão de 2013 entre os socialistas de Joaquim Barreto que concorrem pelo PS e os socialistas de Jorge Machado que concorrem por um movimento que de independente também só tem o nome.
Nas ultimas autárquicas os socialistas da equipa A venceram os da equipa B por umas centenas de votos aguardando-se com expectativa os resultados deste ano face aos “reforços” inesperados e incompreensíveis recebidos pela equipa B fruto de um trabalho de bastidores desenvolvido por alguns “cavalos de Troia” que tiveram o engenho e a arte de convencerem aqueles que nunca quiseram olhar o assunto com a profundidade necessária.
Assunto a que voltarei um destes dias.
Em Fafe , e para não fugir à regra, também o PS tem duas listas.
A oficial, liderada pelo actual presidente de câmara e que conta com o apoio da direcção nacional, e a afecta à concelhia que concorre como independente (mais uma que de independente só tem o nome) e conta com o apoio,entre outros, do anterior presidente de câmara-José Ribeiro- que é o actual presidente da concelhia.
Se a isto acrescentarmos o facto de o actual presidente levar como numero dois um personagem que já foi candidato em listas do PS e da CDU e que nas ultimas eleições liderou uma lista de independentes , e que é filho de um histórico presidente de câmara socialista, percebe-se bem a “sopa da pedra” que se cozinha em Fafe.
Em Guimarães, caso raro no distrito, o PS só tem uma lista.
Não porque não existam divergências, e ao que consta bem profundas, mas porque a sensação de um poder periclitante foi a “cola” que uniu a família “desavinda” na expectativa que as eleições, de uma forma ou de outra, clarifiquem uma situação que não tem condições para subsistir por muito mais tempo.
Em Terras de Bouro o actual presidente, eleito pelo PS, decidiu não se recandidatar e ao que parece prepara-se para dar público apoio ao candidato apresentado pelo PSD o que num concelho tão pequeno pode ser um claro sinal de viragem na maioria que lidera a câmara.
Finalmente em Vizela também existem duas listas socialistas, fruto das divergências entre o actual presidente-Dinis Costa-que não se recandidata e o seu ex vice presidente que lidera,como não, uma lista de “independentes”.
Se a este panorama pouco agradável se juntar a fragilidade da maior parte das candidaturas socialistas em câmaras lideradas pelo PSD percebe-se que o PS pode (podia?) caminhar para um resultado absolutamente desastroso no distrito de Braga.
Em Braga, Celorico de Basto e Vieira do Minho os actuais presidentes-Ricardo Rio , Joaquim Mota e Silva e António Cardoso- caminham para uma renovação mais ou menos tranquila dos mandatos enquanto em Famalicão o presidente Paulo Cunha caminha para o melhor resultado de sempre no concelho.
Na Póvoa de Lanhoso, onde até na oposição o PS não resiste a ter duas listas (!!!), o PSD muda de candidato por força da lei de limitação de mandatos o que acarretando sempre alguma perturbação acredito estar longe de poder contribuir para a perda das eleições.
Restam Esposende e Vila Verde.
Na primeira o PS não tem qualquer hipótese de vencer, como aliás nunca venceu em 41 anos de poder local democrático, mas aí verifica-se uma das tais circunstâncias a merecerem destaque de que falava no inicio deste texto.
Porque é em catorze o único município onde há uma lista de “independentes” oriundos do PSD.
Que podendo ser, o futuro o dirá, a principal força da oposição não impedirão,contudo, a reeleição de Benjamim Pereira o actual presidente eleito pelo PSD.
Em Vila Verde o PS apresenta ,porventura ,a sua mais forte candidatura de oposição no distrito que contudo não deverá ser suficiente para impedir o PSD de manter a presidência do município conquistada em 1997.
Há pois circunstâncias curiosas em volta das eleições no distrito de Braga.
As divisões no PS no poder, as fragilidades das candidaturas do PS na oposição por contraponto com a unidade do PSD nas câmaras que lidera pese embora a excepção, que confirma a regra, de Esposende.
Talvez a maior das curiosidades em volta destas circunstâncias seja mesmo a forma como nalgumas, não todas que fique claro,  das câmaras em que é oposição o PSD não soube aproveitar as debilidades socialistas e assim corre o risco de passar ao lado de um resultado que podia ser histórico.
Assunto a que voltarei um deste dias.

Notre Dame, Paris


Santorini, Grécia


Polícia de Costumes

Anda por aí uma "policia de costumes".
A fazer lembrar os "Guardas da Revolução" do Aiatolá Khomeini e todos os excessos por eles cometidos na defesa ultra dogmática do que entendiam ser a Fé.
Por cá, felizmente, a violência da "polícia de costumes" exerce-se apenas pelos escritos ou pelas declarações à comunicação social e não atinge os requisitos de violência física que caracterizaram tristemente os seus antecessores iranianos.
Por cá essa "polícia de costumes" anda particularmente atenta a quem ouse ser politicamente incorrecto e tenha o atrevimento de se pronunciar de forma critica sobre essencialmente três assuntos:
Determinadas orientações sexuais, minorias étnicas e algumas religiões minoritárias no nosso país.
Aí os "polícias" e as "polícias" arrepelam os cabelos, rasgam as vestes e arremetem sobre os impíos com uma violência e um sectarismo que deixam transparecer uma quase vontade de restaurarem uma "Santa "Inquisição" para não dizer pior.
Esta semana não lhes faltou "trabalho".
Primeiro com a entrevista de Gentil Martins ao Expresso e depois com as declarações de André Ventura sobre a raça cigana.
Na imprensa, nas redes sociais, onde quer que fosse os "polícias de costumes" até espumavam de pura raiva contra as declarações de um e de outro ignorando (os fundamentalistas e os defensores de totalitarismos esquecem sempre esse "detalhe") que vivemos numa democracia e que as pessoas tem direito à sua opinião.
Posso não estar de acordo com tudo que Gentil Martins disse, e nalguns casos na forma como o disse, mas estou de acordo com muitas outras e acho ,acima de tudo, que ele tem o direito de ter aquelas opiniões e de as exprimir em liberdade.
O "caso" de André Ventura é ligeiramente diferente.
Porque o que ele disse, concordando-se ou discordando-se, não é nenhuma heresia e todos sabemos e conhecemos imensos casos demonstrativos disso.
Mas André Ventura é candidato do PSD a Loures.
E por isso o "spin" do governo e do PS, ajudado pela idiotice útil (ao PS) de alguns membros da oposição, quer fazer do caso um enorme escândalo que desvie as atenções de Pedrogão, de Tancos, do Siresp, dos empregos para a família no governo socialista, da fuga para férias do primeiro-ministro a meio de uma tragédia nacional, dos secretários de estado a contas com a Justiça que se demitiram um ano depois, das criticas da segunda figura do Estado (triste Estado que o tem como segunda figura mas isso é outra conversa) à Justiça entre muitas outras coisas.
E a "polícia de costumes, no seu fervor sectário, desmiolado e próprio de ditaduras onde a liberdade de opinião é palavra vã mais não faz, neste caso, do que prestar um enorme frete ao governo.
É o preço da sua intolerância...
Depois Falamos

segunda-feira, julho 17, 2017

A Praga das Apostas

O meu artigo desta semana no site zerozero.

Não é segredo para ninguém, antes pelo contrário, que o mundo do futebol faz girar nos dias de hoje verbas gigantescas em torno de jogadores, treinadores, competições, infraestruturas e também nas apostas.
Que são já a área do futebol que entre legalidade e clandestinidade movimenta maiores somas.
E é precisamente nessa dicotomia entre o que é legal e o que é clandestino que se encontra a maior ameaça que o futebol hoje defronta enquanto modalidade desportiva que encanta multidões com base nas suas características das quais a incerteza no resultado é uma das principais.
Porque é perfeitamente legal apostar num resultado, no número de golos, em quantas substituições são feitas, em haver ou não grandes penalidades, no número de pontapés de canto, no resultado ao intervalo, no numero de cartões amarelos ou vermelhos, em que equipa e jogador vai recair o pontapé de saída, em quantas vezes as equipas médicas entram em campo, no resultado ao intervalo e em muito mais variáveis de um jogo de futebol.
Mas já faz parte do reino da clandestinidade ,e aí são a tal grave ameaça ao futebol, existirem organizações criminosas que se dedicam a combinar resultados através do suborno aos mais diversos agentes desportivos.
E essa praga criminosa, espalhada por todo o mundo mas com “sedes”principais a Oriente face ao interesse pelas apostas nessas paragens, é responsável por um cada vez maior número de resultados falsificados e de competições desvirtuadas na sua verdade desportiva.
Ao que se sabe, e passe a publicidade ainda este fim de semana a revista do semanário Expresso publicou uma excelente reportagem sobre o assunto, também em Portugal essas organizações criminosas operam numa escala já muito significativa com viciação de resultados em competições de jovens e de escalões inferiores essencialmente mas também com incursões identificadas na II liga e suspeitas (que neste momento não passam disso) de já terem “operado” também a nível de liga principal.
É um assunto que de à anos a esta parte acompanho com muito interesse, analisando especialmente resultados que fogem ao normal, fruto de uma experiência pessoal que passo a contar.
Em 2012, pouco depois de a lista que integrava ter vencido as eleições para os orgãos sociais do Vitória, fui contactado por uma pessoa de Guimarães que conhecia vagamente como um adepto sempre presente e que me pediu se recebia dois amigos para me falarem de um assunto com muito interesse para o clube em termos financeiros.
Embora na direção a minha responsabilidade fosse como vice presidente para a  área desportiva (futebol e modalidades) naqueles tempos de sufoco financeiro herdados do passado todas as ajudas eram bem vindas pelo que não tive qualquer problema em agendar a reunião para dois ou três dias depois (não podia ser antes porque os tais “amigos” vinham do estrangeiro) na expectativa de receber,quem sabe, futuros investidores para a SAD que então ainda estava apenas em projecto.
No dia marcado apareceram-me dois espanhóis na casa dos quarenta e poucos anos, simpáticos e bem falantes como é normal nessa nacionalidade, cuja primeira preocupação ao entrarem no meu gabinete foi o de se certificarem que a porta ficava bem fechada.
Após isso apresentaram-se pelos seus nomes que ainda hoje ,sabendo o que sei, desconfio que eram falsos.
Nem tive tempo de estranhar a preocupação com o fecharem a porta porque ao fim de dois ou três minutos de conversa já tinha percebido que o que os trazia não era nenhuma intenção de ajudarem o Vitória fosse no que fosse mas sim tentarem levar o clube para a órbita desse mundo das apostas viciadas.
Depois de alguns minutos de conversa pseudo justificativa das razões pelas quais o Vitória teria muito a ganhar (!!!) com o aderir aos esquemas que propunham passaram a propostas concretas:
Para inicio de actividade, chamemos-lhe assim, era preciso dar um sinal aos “patrões” (termo deles) do Oriente de que as coisas estavam devidamente tratadas e por isso o Vitória devia agendar para a pré temporada que se avizinhava um jogo de preparação com um clube espanhol de razoável dimensão (não era ,obviamente, Barcelona, Real Madrid, Atlético de Bilbau ou Atlético de Madrid mas era do patamar logo a seguir) cujo resultado devia ser de 4-0 a favor do Vitória!
Perguntei, para perceber melhor como as coisas se desenvolviam embora já razoavelmente enojado com a conversa, como era isso possível ao que me responderam que do lado espanhol o assunto já estava tratado pelo que o “trabalho” do lado português seria meter quatro golos (nem mais nem menos) já que os espanhóis nem à baliza rematariam.
Claro, e aí avançaram na explicitação do esquema, que seria preciso ter o treinador do lado de “cá” ou, se isso fosse de todo impossível, identificar três ou quatro jogadores que se prestassem ao esquema e que no futuro garantissem, sempre que fosse preciso, a “colaboração” necessária à obtenção dos resultados combinados.
Naturalmente que os “patrões” se encarregariam de recompensarem o treinador e / ou os jogadores em função dos serviços prestados.
E mais: se o “acordo” corresse bem podia ser estendido à equipa B e aos juniores escalões onde as coisas eram mais “fáceis” segundo a sua experimentada opinião porque dava menos nas vistas e saía mais barato recompensar os “aderentes”.
Obviamente que a minha colaboração, se tudo corresse como esperado, seria “agradecida” por verbas que anualmente podiam ultrapassar a centena de milhar de euros segundo o que me disseram  com um ar de satisfação que não partilhei.
A titulo de “rebuçado” até adiantaram que esse jogo inicial, com os espanhóis, podia valer-me logo uma “lembrança” de dez ou quinze mil euros já não me recordo do valor exacto.
A conversa durou os vinte minutos a que a boa educação obriga.
Após o que os conduzi à porta esclarecendo-os que o Vitória nunca participaria em esquemas desses e que se os voltasse a ver pelas redondezas das instalações do clube o assunto passaria para o domínio da polícia.
Foi a última vez que os vi.
E acredito que talvez tenham ido bater a outras portas uma vez sabedores que dali não levavam nada.
Mas “eles” ,e outros como eles, andam por aí.
A aliciarem, a subornarem, a adulterarem resultados de competições desportivas em prol dos chorudos proventos que essa actividade permite e que tornam o futebol um alvo apetecível dessas organizações criminosas.
E o futebol tem de  saber defender-se deles.
Porque é a sua sobrevivência enquanto modalidade desportiva que está em causa.

sexta-feira, julho 14, 2017

Primeira Análise

Quando ainda faltam 45 dias para o fecho do mercado de transferências, com tudo que ainda pode acontecer nesse mês e meio, qualquer análise ao plantel do Vitória terá de ser condicionada não só a esse factor como também à presunção (altamente falível) de que só se registarão entradas e dos que cá estão não sairá ninguém.
Com base nos que estão, neste momento, que se pode então dizer?
De guarda redes estamos muito bem com Miguel Silva, Douglas e Miguel Oliveira. Nesse sector podemos estar tranquilos embora Miguel Silva possa naturalmente ser cobiçado na Luz e no Dragão.
De laterais creio que também não há que temer.
João Aurélio e Sacko na direita e Konan e Vigário (que pode ser mais que lateral) dão garantias suficientes.
No centro da defesa é preciso mais qualquer coisa.
Josué e Pedro Henrique foram das melhores duplas da ultima liga e dão todas as garantias.
Depois há Moreno, que é cada vez mais um adjunto em campo, e Marcos Valente oriundo da equipa B. Onde ainda há um jogador que me agrada bastante, Dénis Duarte, que joga e marca. Mesmo assim é preciso um central experiente e que assegure melhor rendimento do que Prince assegurou na última época.
No meio campo há muitos jogadores mas nem tantos que deem todas as garantias.
Da época passada transitam Zungu, Rafael Miranda , Toze e Mbemba, da equipa B sobem(?) Kiko, Joseph, Haashim,, do Feirense chega Rúben Oliveira e do Porto B Francisco Ramos.
Para este sector parece-me que faz falta um trinco "todo terreno" e um verdadeiro número 10 para comandar o futebol ofensivo.
No ataque há duas realidades.
De pontas de lança parece-me que estamos bem com Texeira e Rafael Martins, Estupinán desperta expectativas e Areias regressado do empréstimo ao Porto B pode ver chegada a sua hora.
Nos extremos é que estamos pior "perdidos" (?) Marega e Hernâni.
Sobra Raphinha que é um valor seguro, Sturgeon que tem de mostrar muito mais do que na temporada passada e sobem da B os jovens internacionais Alexandre Silva e Hélder Ferreira.
É inevitável pensar que é preciso,pelo menos, mais um extremo experiente porque do colombiano Rincón há muito pouca informação.
Em suma e se for possível não sair ninguém , excepto alguns dos jovens que podem voltar à B ou ser emprestados, creio que o plantel precisa essencialmente de quatro jogadores feitos.
Um central, um trinco, um "10" e um extremo.
E como a época é longa ,e há cinco competições para disputar, mais um lateral polivalente e um ponta de lança de características diferentes dos que temos (um "pinheiro") não seriam mal vindos não senhor.
Mas até 31 de Agosto ainda vai correr muita água debaixo das pontes...
Depois Falamos

quinta-feira, julho 13, 2017

Condomínio Privado


Sugestão de Leitura

Um livro que é uma colectânea das crónicas publicadas por Alberto Gonçalves no Diário de Notícias na Sábado (orgãos de comunicação de onde foi saneado por incomodar o poder)e no Observador de que é actualmente colunista.
A elas se juntam alguns textos escritos propositadamente para este livro.
Leitor fiel de Alberto Gonçalves já tinha lido a esmagadora maioria das crónicas, que abarcam o período entre 2015 e 2017, mas foi com enorme gosto que as reli e recordei algumas situações que o autor oportunamente denunciou.
Creio que ninguém nestes três anos caracterizou tão bem o governo da geringonça, as suas mentiras, erros e enganos como Alberto Gonçalves o fez ,e continua a fazer, numa escrita fluída, assertiva, compreensível para todos e revestida de uma deliciosa ironia que é uma característica que me agrada pessoalmente muito na escrita política.
São 92 textos, se não me enganei na contagem, que se leem num ápice tal o interesse de que se revestem e que convém guarda para memória futura.
Deles todos destaco três porque são aqueles que ,como se costuma dizer, me encheram as medidas:
"O Congresso". Que refere o último congresso do PCP e que é um daqueles,poucos, que nunca tinha lido.
"O comentador de direita: uma profissão de futuro" em que faz uma descrição magistral de alguns "vendidos" que por aí andam a fazer fretes ao poder.
"Portugal: Doze pontos" em que versa o último festival da Eurovisão e a forma como por cá se reagiu ao triunfo português.
Mas o livro é, todo ele, muito interessante e  merece ser lido, relido e guardado para a tal memória futura cuja oportunidade chegará mais dia menos dia.
Depois Falamos.

Stirling, Escócia


Mosteiro Azul, Tibete


Elefante


terça-feira, julho 11, 2017

O Vitória e o Lego

Quando era miúdo as brincadeiras com o Lego, então muito mais rudimentar do que hoje, ocupavam boa parte do meu tempo livre numa época em que as crianças não tendo a parafernália de brinquedos e entretenimentos que tem hoje eram , se calhar, mais felizes.
Gostava de construir em altura,em largura, tirar uma peça daqui e pô-la ali, criar as mais diversas formações geométricas, construir e destruir, mudar de planos a meio da construção com o encanto de tudo ser fácil, rápido, quase instantâneo.
E sem consequências.
Muito anos depois os meus filhos também tiveram o seu tempo de Lego.
Mas como as opções já eram muitas mais pouco lhe ligaram ,se bem me lembro, embora tenham tido os seus jogos.
O meu neto também tem o seu Lego mas é apenas um brinquedo entre tantos outros que seguramente,tal como o pai e o tio e ao contrário do avô, não vai marcar as suas recordações de infância.
Uma equipa de futebol não é um jogo de Lego!
As "peças" são todas diferentes e encaixa-las de molde a construir um edifício com coerência, resistente e sólido, demora tempo, exige paciência e dá muito trabalho.
Ao contrario do Lego , em que o improviso e o instantâneo são atracções fundamentais, numa equipa de futebol o tempo, o entrosamento, o trabalho e o planeamento são condições essenciais ao sucesso dispensando-se por completo qualquer outra metodologia de construção.
Quero acreditar que a SAD do Vitória está a trabalhar para construir um plantel ainda mais forte e competitivo do que o da época passada até porque não só vamos entrar em mais competições como temos um prestigio a defender nas cinco em que participaremos.
O prestigio de estar na Liga Europa, de termos um quarto lugar a manter, de termos sido finalistas e ambicionarmos sê-lo novamente na taça de Portugal, de sermos cabeça de série na taça ctt e de a final desta ser num estádio onde adoraremos ganhá-la e finalmente de daqui a 25 dias termos uma supertaça para tentar ganhar.
A verdade é que a 25 dias de começarmos a época "a sério" ,disputando a competição menos difícil de ganhar que teremos nesta época (é frente ao campeão nacional mas tudo se disputa num único jogo), há razões para alguma preocupação com o que vamos vendo.
Sem alarmismos, nem pondo nada em causa, a verdade é que do "edifício" da época passada caíram "peças" importantes (Hernâni, Marega, Bruno Gaspar a titulo de exemplo) , outras "peças" que se pensava serem   alternativas para esta época foram surpreendente, e prematuramente, descartadas (João Afonso, Ricardo Valente,Tyler Boyd, etc) e as entradas até agora registadas não só não compensam as saídas( e nem quero pensar que nomes como Josué, Zungu ou Miguel Silva possam estar na porta de saída) como obviamente não tornam o "edifício" mais sólido e mais competitivo porque no entre o "deve" e o "haver" o "deve" leva clara vantagem.
Quero acreditar, repito, que vamos ter um bom plantel capaz de dar resposta cabal às cinco competições em que vamos estar envolvidos.
Mas é impossível deixar de pensar que a 25 dias do primeiro jogo muito " a sério" , e sabendo que uma equipa de futebol não é uma construção de Lego, já estamos a correr atrás do prejuízo no que concerne ao planeamento e construção atempadas de um plantel.
A ver vamos...
Depois Falamos.

De Oeiras a Cabeceiras



Oeiras e Cabeceiras de Basto são duas vilas portuguesas que para além de serem vilas e portuguesas poucos mais pontos de união parecem ter.
Oeiras fica no sul e no litoral do distrito de Lisboa enquanto Cabeceiras fica no norte e no interior do distrito de Braga.
Oeiras é o quinto município mais densamente povoado do país, com quase 200.000 mil habitantes, mas com uma pequena área geográfica de cerca de 46 klm quadrados enquanto Cabeceiras tem menos de 20.000 habitantes mas espalhados por uma enorme área de mais de 240 klm quadrados.
Duas realidades completamente diferentes e como atrás foi dito com muito pouco em comum.
Curiosamente em  termos políticos  existe alguma similitude, quer no poder quer na oposição quer na evolução eleitoral, como adiante procuraremos demonstrar.
Em Oeiras o município começou por ser governado pelo PS, a que se seguiram duas vitórias da AD e depois entre 1985 e 2005 sempre pelo PSD com votações cada vez mais expressivas nas sucessivas candidaturas de Isaltino Morais.
Em 2005 Marques Mendes vetou Isaltino este candidatou-se como independente e voltou a ganhar com uma diferença de 2800 votos em relação à lista do PSD que saiu dessas eleições partido ao meio.
Em 2009 renovou o triunfo mas sem maioria e em 2013 ,afastado devido a problemas judiciais bem conhecidos, deixou o lugar ao seu "delfim" Paulo Vistas que venceu as eleições também sem maioria.
Em Cabeceiras de Basto a "história",curiosamente,começou como em Oeiras.
Em 1976 ganhou o PS, depois em 1979 e 1982 venceu a AD , em 1985 e 1989 o PSD e a partir daí a história é totalmente diferente.
O PS venceu com maioria absoluta todas as eleições de 1993 a 2009 apenas a perdendo em 2013 por força de uma divisão no partido que levou ao aparecimento de uma candidatura de pseudo independentes que perdeu as eleições por apenas 400 votos de diferença.
Quer em Oeiras quer em Cabeceiras os vencedores de 2013(em Oeiras desde 2009) viram-se na necessidade de fazerem acordo pontuais com vista à governabilidade dos municípios e ao cumprimento integral dos mandatos.
É assim que chegamos a 2017.
E no que toca ao PSD as histórias tornam-se então radicalmente diferentes.
Em Oeiras, com os "independentes" Isaltino Morais e Paulo Vistas a disputarem a presidência, o PSD resistiu à solução fácil de apoiar um deles (afinal são ambos oriundos do PSD e nos seus apoiantes há muitos social democratas) e optou, no estrito cumprimento do deliberado pelos orgãos nacionais do partido, por apresentar uma candidatura própria liderada por Ângelo Pereira (um jovem, talentoso e dinâmico quadro social democrata) e ir a votos com o seu programa, a sua bandeira, os seus valores e princípios.
Poderá não ganhar agora(oxalá me engane) mas lança as sementes para uma inevitável vitória futura. E fica de mãos livres para acordos pontuais, ou para quatro anos, com aquele que ganhar e inevitavelmente precisar de apoio para ter maioria.
Acordos que não serão difíceis, nem sequer contra natura, porque são todos oriundos da mesma família política.
Em Cabeceiras de Basto foi o oposto.
Com o PS profundamente dividido, em querelas internas de forte cunho pessoal que só aos socialistas deviam dizer respeito (problema deles...), o PSD inacreditavelmente decidiu tomar partido por uma das partes, apoiar o PS B (os pseudo independentes) e não apresentar listas aos orgãos autárquicos.
Desrespeitando a orientação dos orgãos nacionais, fazendo tábua rasa de mais de quarenta anos de História do partido no concelho, aliando-se aqueles que sempre nos combateram de forma radical e muitas vezes com uma agressividade para lá do tolerável, juntando-se a quem sempre criticou de forma violenta as câmaras lideradas pelo PSD entre 1979 e 1993.
É incrível mas é, infelizmente, verdade.
E por isso Oeiras e Cabeceiras, em termos de PSD, separam-se aqui de forma quiçá definitiva.
Porque enquanto em Oeiras o PSD semeia para mais tarde colher em Cabeceiras o PSD "fecha para obras" não se sabendo se e quando reabrirá.
O futuro, os eleitores , os dirigentes nacionais e os militantes do partido a seu tempo avaliarão os responsáveis pela bondade de cada uma das opções.
Por mim não tenho duvidas no assunto.
Prefiro sempre os que resistem do que os que desistem.
Depois Falamos.

OS Independentes

O meu artigo de hoje no jornal digital Duas Caras.

Portugal conquistou a Liberdade em 25 de Abril de 1974 e garantiu a Democracia em 25 de Novembro de 1975 uma data que devia ser celebrada com outro ênfase e outro reconhecimento histórico pela importância que teve na consolidação da nossa democracia e do estado de direito.
Nos quarenta e dois anos decorridos sobre as primeiras eleições democráticas, as que elegeram a Assembleia Constituinte a 25 de Abril de 1975, muitos foram os partidos e coligações que se apresentaram ao escrutínio dos portugueses em eleições legislativas, presidenciais, autárquicas, regionais e europeias.
Muitos desses partidos estão presentes desde 1975 como é o caso de PSD, PS, PCP, CDS, MRPP,outros tiveram a sua importância mas desapareceram como o PRD ou PSN, outros ainda agruparam-se como foi o caso de UDP que com PSR e Política XXI deram origem ao Bloco de Esquerda.
Nos primeiros tempos da democracia era comum o boletim de voto em eleições legislativas, especialmente nessas, ter vinte ou mais partidos e coligações porque era prática corrente os dissidentes dos partidos criarem novos partidos que quase todos tiveram vida efémera.
Foi o caso de ASDI (dissidentes do PSD), da FSP e UEDS (dissidentes do PS), do Nova Democracia (dissidentes do CDS) e de vários pequenos partidos de extrema esquerda originados em várias dissidências no PCP.
Todos eles de duração efémera e sem qualquer relevo político ou presença na governação do país.
Percebe-se ,desde à alguns anos a esta parte, que os portugueses não gostam por aí além dos partidos que tem, e por isso a abstenção continua a subir, mas gostam ainda menos da ideia de terem novos partidos pelo que todas as tentativas em os lançar tem redundado em enormes fracassos.
Bastará até considerarmos que o último partido a ser criado com sucesso, e no caso até é uma federação de partidos vindos de áreas relativamente diferentes, foi o Bloco de Esquerda em 1999 à dezoito anos atrás pelo que até já atingiu a sua maioridade!
Pelo que surgiu a moda dos independentes.
Que em bom rigor até já nem é muito nova porque nos anos a seguir ao 25 de Abril andavam pela política e pela  comunicação social (alguns ainda andam…) aquilo a que na brincadeira se chamavam os “independentes melancia” porque eram de uma cor por fora mas “vermelhos” por dentro.
A verdade é que a moda dos independentes foi pegando, alastrou a todos os partidos, e a inserção de independentes nas listas legislativas e autárquicas passou a ser quase obrigatória fazendo até parte de moções de orientação política e de qualquer estratégia eleitoral sendo sempre glosada pelas direcções dos partidos a presença de independentes nas respectivas listas.
Devo dizer, com este meu velho hábito de detestar o politicamente correcto e de não gostar destas modas eleiçoeiras, que nunca percebi lá muito bem o que é verdadeiramente um independente num sistema político de partidos.
Se é independente dos partidos não pode ser candidato por eles e se é independente da política não pode estar nela disposto a ocupar os melhores lugares que lhe põe à disposição.
Ou é independente disso tudo ou não é independente coisa nenhuma!
Por outro lado ao fim de 42 anos de militância no meu partido, o PSD, sei bem que a experiência que temos tido com a generalidade dos independentes (há muito honrosas excepções é claro) se resume a estarem disponíveis para serem ministros, secretários de estado, ocuparem altos cargos na administração publica ou serem administradores de empresas do Estado quando o PSD governa mas uma vez chegada a hora da derrota (que é comum em democracia) desaparecem a uma velocidade vertiginosa para só voltarem a reaparecer quando o partido regressa ao poder ou, no caso dos mais apressados ,reaparecerem ao serviço do PS pouco tempo depois de saírem da órbita do PSD.
Mas os partidos parece que gostam disso e portanto deixa-los viverem na ilusão das “independências”…
Mais recentemente apareceu a moda das candidaturas independentes às autarquias que alguns entendem como forma de aprofundamento da democracia por permitir a cidadãos independentes poderem concorrer em plano de igualdade com os partidos políticos.
Até pode ser admito-o.
Mas até agora tem sido apenas e só, com uma ou outra excepção, a via para os “ressabiados” dos partidos poderem concorrer às câmaras de forma alternativa às candidaturas oficiais para as quais não foram escolhidos por quem legitimado para o efeito.
Quem olhar para o nosso distrito verá exemplos desses com fartura.
No PS e no PSD.
Porque quem me quiser convencer que Domingos Pereira(Barcelos), Jorge Machado(Cabeceiras de Basto), Vítor Hugo Salgado(Vizela) e  Antero Barbosa(Fafe) do PS ou João Cepa(Esposende) do PSD são verdadeiramente independentes apenas provoca um sorriso de comiseração.
Porque de independentes nada tem!
São quatro socialistas e um social democrata que por razões diversas não conseguiram ser candidatos pelos seus partidos, como todos desejavam, e por isso resolveram ser candidatos “independentes” em candidaturas que de independentes apenas tem o nome.
E por isso nada tendo contra os independentes mas pouco tendo a favor, para ser sincero, creio que a democracia tem de se defender de fenómenos de mero populismo ocultos por trás deste tipo de candidaturas com legislação que permita a participação dos independentes mas impondo regras que clarifiquem essa participação.
Como por exemplo um período de “nojo” de cinco anos para quem tendo sido candidato por um partido queira depois protagonizar uma candidatura independente.
“Despindo-a” de ressabiamentos, ajustes de contas ou egos exacerbados.
Até lá continuo a preferir o sistema de partidos e o saber com o que posso contar ideológica e programaticamente  em cada um deles.
Porque tem um passado, um programa, uma ideologia e estão sujeitos à sanção do voto  caso a governação municipal não seja do agrados dos cidadãos o que não acontece com candidaturas independentes que se desfazem num abrir e fechar de olhos se as coisas correrem mal.
E saber a quem pedir responsabilidades é um pilar da democracia!

Fonte de Trevi, Roma


Raposa


Brienz, Suiça


segunda-feira, julho 10, 2017

Campeões sem Título

Brasil 1982
Holanda 1974
Hungria 1954
Pode uma equipa de futebol não ganhar uma prova e dela sair como vencedora?
Pode.
Porque mesmo sem titulo e troféu pode ser vencedora se o futebol que nela praticar for de tal qualidade que fique para a História como um exemplo a seguir ao longo de gerações deixando uma marca de tal forma forte que será sempre associada a essa competição que não ganhou.
Três exemplos a nível de campeonato do mundo:
No Mundial de 1954 a Hungria era a melhor selecção do mundo, a que melhor futebol jogava, a que exibia uma absoluta superioridade sobre todas as outras por força da junção na equipa de vários talentos extraordinários (Puskas, Czibor, Kocsis) que a tornaram a selecção mais goleadora de todos os tempos.
Mas não foi campeã do mundo.
Porque perdeu a final com a Alemanha, que tinha goleado na fase de grupos, num dia em que tudo lhe correu mal e veio ao de cima a célebre frase de Lineker (dita muitos anos depois) segundo a qual "o futebol são onze contra onze e no fim ganha a Alemanha.".
E em 1954 assim foi.
Mas esse Mundial será sempre recordado como o do espectacular ( e goleador) futebol da Hungria.
Em 1974...mais do mesmo.
A grande selecção de Mundial foi a Holanda do "futebol total", a famosa "laranja mecânica" treinada por Rinus Michels e comandada no relvado pelo génio que foi Johan Cruyff, que fez nesse mundial exibições extraordinárias que a consagraram como a melhor equipa do mundo.
Mas não ganhou o Mundial.
Porque na final a frieza e disciplina alemãs foram mais fortes e permitiram-lhe ganhar o titulo vencendo uma Holanda, que como a Hungria vinte anos antes, lhe era superior na qualidade do futebol jogado.
Nem vale a pena citar Lineker...
Em 1982 talvez o exemplo mais flagrante de todos.
Porque a melhor equipa desse Mundial, disputado aqui ao lado, nem sequer passou dos quartos de final eliminada pelo cinismo e disciplina táctica de uma Itália a quem nesse dia tudo correu bem.
O grande Brasil de Zico, Sócrates, Falcão, Eder, Cerezo, o Brasil do futebol arte, do futebol espectáculo sempre em busca do golo e jogando um futebol com uma qualidade raramente vista, foi impotente face a uma equipa italiana que fez o jogo da sua vida o mesmo se aplicando ao goleador Paolo Rossi que fez os três golos da "squadra azurra".
Ainda hoje é uma equipa recordada pela sua altíssima qualidade, pelo espectáculo dos seus jogos, pelo virtuosismo dos seus jogadores.
Mas não passou, sequer, dos quartos de final desse mundial de 1982.
Tele Santana, o seu treinador, diria depois que no futebol quem ganha tem sempre razão.
E é verdade.
Como é igualmente verdade que Hungria e Holanda, que nunca foram campeãs mundiais (quanta injustiça...),e Brasil que já tinha sido três vezes antes e voltou a ser duas depois foram os verdadeiros campeões dos mundiais que atrás referimos.
Porque não os tendo ganho é deles que se fala quando a conversa gira em redor desses campeonatos do mundo.
Depois Falamos


Filhos e Enteados

O meu artigo desta semana no zerozero.

Este assunto não é novo, diria que quase tão antigo como o futebol português, mas infelizmente repete-se ano após ano e por isso creio que são poucas todas as vozes que se levantem contra este estado de coisas.
O assunto é, evidentemente, a protecção que desde sempre é dada por todas as instâncias do nosso futebol mais a generalidade da comunicação social a três clubes que são uma espécie de “donos disto tudo” na versão desportiva.
Esses clubes são o Benfica, o Porto e o Sporting.
São tantos e tão variados os exemplos que nem vale a pena estarmos a referir-nos a um passado recheado de “fretes” (na versão mais moderna chamam-lhe “colinho” ) a esses clubes que lhes valeram inúmeros triunfos e alguns títulos em prejuízo da verdade desportiva das competições e de todos os outros clubes.
Sempre assim foi.
Sempre!
Contudo nos últimos anos face à impunidade, que é a característica maior do nosso futebol face a esses três clubes, de que gozam o descaramento chegou ao ponto de esses favorecimentos serem patrocinados pela própria Liga face ao deleite dos três e a um silêncio tão incompreensível quanto cobarde de todos os outros que assistem a esta pouca vergonha sem tugirem nem mugirem.
Vou dar o mais concreto dos exemplos.
O sorteio do campeonato.
Uma prova profissional, que envolve somas elevadíssimas em salários e transferências(que levaram alguns clubes à quase ruína), que tem espectadores pagantes que merecem respeito e que se supões igual em direitos e deveres para todos os dezoito clubes que nela participam.
Supõe...mas não é!
Porque numa inaceitável, vergonhosa e inqualificável política de “filhos” e “enteados” é a própria LPFP que logo no sorteio da prova faz questão de dizer alto e bom som, com uma desfaçatez que só não envergonha porque a vergonha há muito que desapareceu do nosso futebol, que o campeonato não é de dezoito clubes mas sim de três mais quinze!
Porque há três-Benfica,Porto e Sporting- que tem direito a condições especiais no sorteio de molde a melhor protegerem os seus interesses enquanto todos os outros tem de sujeitar a esses condicionalismos como se fossem filhos de um deus menos.
Detalho:
No ponto um define-se que esses três clubes não podem jogar entre eles nas duas primeiras jornadas.
Porquê? O campeonato não é uma prova de regularidade em que todos jogam com todos aos longo de 34 jornadas?
No ponto três que não podem jogar entre eles em duas jornadas consecutivas e que nenhum deles pode defrontar os outros dois em casa na primeira volta.
Porquê? Tem medo que os meninos se cansem?
E depois há um caricato ponto seis, invenção deste ano, que define que nas duas primeiras jornadas os clubes que disputam a supertaça (Vitória e Benfica) não podem jogar com o Sporting devido a este disputar a pré eliminatória da Liga dos Campeões.
Simplesmente ridículo.
Desde logo porque o Benfica e Sporting nunca poderiam defrontar-se nessas duas primeiras jornadas face ao aberrante e vergonhoso ponto um.
Depois porque fica claro que há uma intenção clara de defender o Sporting de jogos mais complicados porque ao Vitória não lhe daria seguramente transtorno nenhum jogar com o Sporting numa dessas duas primeiras jornadas.
Ironicamente o sorteio destinou um Vitória-Sporting na...terceira jornada.
Dir-me-ão que a Liga quis defender os interesses de um clube português nas competições europeias.
Era, mesmo assim, um fraco pretexto mas que ainda podia ser aceite se fosse verdadeiro e visasse a defesa global do nosso futebol.
Mas visa apenas a defesa de um dos “donos disto tudo”.
Provas?
Simples.
Se a LPFP quisesse realmente defender os interesses do futebol no seu todo incluiria então uma clausula a impedir que o Sporting de Braga e o Marítimo, que também vão disputar pré eliminatórias europeias, tivessem de jogar nas duas primeiras jornadas com os clubes que se classificaram à sua frente na Liga de 2016/ 2017.
Mas a Liga não quis saber disso para nada e por isso na primeira jornada teremos um Benfica-Braga jogo que certamente os bracarenses prefeririam noutra altura por razões óbvias.
Mas é o futebol que temos.
De “filhos “ e “enteados”.
Em que uns mandam a seu bel prazer, põe e dispõe, fazem do nosso futebol uma coutada dos “donos disto tudo” enquanto os restantes de forma servil são incapazes de levantarem a voz para defenderem os seus direitos e exigirem verdade desportiva de principio a fim em todas as competições.
Porquê?
Ou porque estão à espera das “migalhas” (leia-se jogadores emprestados) que os outros( SLB/FCP/SCP) vão deixar cair da “mesa”, ou porque acham que estando caladinhos e bem comportados ainda vão ter alguma sorte por não incomodarem os “donos disto tudo”, ou porque neste ou naquele casos são dirigidos por pessoas que à no fundo são mas é benfiquistas,portistas ou sportinguistas e põe isso à frente dos interesses dos clubes que dirigem, ou por qualquer outra razão a verdade é que calam.
E calando consentem.
Depois, com a prova a decorrer, vamos ouvi-los a queixarem-se dos árbitros, dos castigos, da disciplina , das multas.
Nessa altura deviam era lembrar-se que foram eles próprios, através do silêncio cúmplice, a permitirem que desde o sorteio a LPFP determinasse que há “filhos “ e “enteados” , que as provas são de três mais quinze, que há clubes que tem regras especiais a pautarem a sua participação nas competições.
Arbitragem e Disciplina limitam-se a seguirem as orientações superiores!
É a vida...

quarta-feira, julho 05, 2017

Sorteio

Com o futebol português literalmente mergulhado na lama, debaixo de uma onda de suspeição como não me lembro, sem condições necessárias a um começo das competições de forma minimamente estável, a Liga resolveu levar a cabo o sorteio do próximo campeonato.
Será na próxima sexta feira.
Percebo que não pudesse fazer outra coisa porque embora do meu ponto de vista não haja condições de credibilidade para um inicio minimamente normal das competições a verdade é que os clubes tem de programar as suas temporadas e por isso precisam de conhecer o calendário com a antecedência necessária.
E por isso as bolas vão girar para definirem as 34 jornadas.
Espero é  que, embora sem grande esperança, não se repita a pouca vergonha dos "filhos" e "enteados" com Benfica,Porto e Sporting a terem mais uma vez direito a um sorteio especial, que defenda os seus interesses prejudicando os dos outros, perante a passividade cobarde dos restantes clubes que consentem nisso com a esperança de não prejudicarem os "emprestimozinhos" com que depois acham que compõe o seu plantel.
Já se sabe há muito tempo que esses três clubes são favorecidos em tudo.
Na arbitragem, na disciplina, nos critérios.
No actual ambiente que se vive, em que notícias vindas a público mostram bem o quanto um desses clubes despreza a verdade desportiva e adopta o "vale tudo" como estratégia legítima, era só o que faltava que uma vez mais a ele e aos outros dois fossem concedidas prerrogativas especiais.
Porque quando a própria Liga, que devia zelar por igual por todos os clubes, dá sinais claro de que há" filhos" e "enteados" como não hão-de disciplina e arbitragem  seguirem essas orientações?
É tempo de os restantes clubes terem a dignidade de defenderem os seus interesses e recusarem esse estatuto vergonhoso de serem parceiros de segunda numa Liga em que direitos e deveres deviam ser iguais para todos!
Infelizmente não acredito que isso aconteça!
Depois Falamos

Castelo de Matsumoto, Japão


Route 66


terça-feira, julho 04, 2017

Amizade

Por razões que se conhecem, algumas das quais imputáveis aos próprios políticos e outras ao típico ADN português, a actividade política tem em Portugal "mau nome" e os detentores de cargos, do presidente mais pequena junta de freguesia ao presidente da república, estão sempre sobre suspeita de serem uma quantidade de coisas pouco lisonjeiras.
Quando se fala de deputados, por razões que nunca percebi, então esse "mau nome" duplica.
O que na maioria dos casos, mas não todos, é profundamente injusto.
E a cada um dos 230 deputados , do presente ou do passado, atribuem-se mil motivações suspeitas para estarem na política, para se relacionarem uns com os outros e dentro dos respectivos partidos, e não se acredita que possa existir algo para lá do interesse puro e simples.
O exemplo que a seguir narro provará que não é bem assim.
Como é sabido a IX legislatura foi interrompida em 2004 por uma golpada patrocinada pelo então presidente da república (Jorge Sampaio) que dissolveu um parlamento onde existia uma maioria estável e coesa para provocar eleições antecipadas que devolvessem o seu partido ao poder.
Assim aconteceu e graças a Jorge Sampaio o país teve de aturar Sócrates durante seis anos e vai pagar os seus disparates durante décadas.
Talvez fruto da injustiça sofrida, talvez pelo bom relacionamento existente entre eles, talvez porque na política também há lugar à amizade desinteressada, um grupo dos deputados do PSD então "dissolvidos" resolveram manter.se em contacto (alguns continuaram como deputados nas legislaturas seguintes mas a maioria voltou à sua vida profissional) e juntarem-se uma ou duas vezes por ano em almoços ou jantares de confraternização.
E assim tem sido desde 2005.
Umas vezes aparecem vinte e poucos, outras trinta ou quarenta, outras ainda cinquenta ou sessenta, uma vez já estiveram mais de setenta,consoante as disponibilidades de cada um e as datas serem mais ou menos propícias.
O primeiro encontro foi em Lisboa mas depois consoante o "voluntário" ou a "voluntária" que se oferece para realizar o seguinte estenderam-se ao resto do país incluindo Madeira e Açores e assim continuará a ser.
Já estivemos em Gaia, Estremoz, Sangalhos (duas vezes) ,Viseu, Braga, Alcobaça, Covilhã, Alcochete, Viana do Castelo, Bragança, Maia, Golegã, Anadia, Funchal, Angra do Heroísmo e Vila Nova de Foz Coa onde quinze dias atrás se realizou mais uma confraternização que teve como anfitrião Gustavo Duarte actual presidente da câmara e deputado nessa legislatura interrompida.
No total, e até agora, dezoito encontros de confraternização.
Onde,naturalmente, são cada vez mais os ex deputados e cada vez menos os deputados ainda em funções porque a IX legislatura terminou em 2005 e nestes doze anos muitos dos que ainda continuaram nessa altura foram deixando funções.
Por exemplo neste encontro de Foz Coa não estava nenhum deputado em funções.
Em doze anos de encontros, com essa saudável dispersão geográfica atrás narrada, seria natural que já não houvesse participantes totalistas em todos os encontros.
Mas há!
O então líder parlamentar, Guilherme Silva, e a então chefe de gabinete do grupo parlamentar e grande organizadora destas confraternizações,Fátima Resende, que estiveram em todos os dezoito encontros.
Pela parte que me toca estive em onze dos dezoito mas com muita pena de por isto ou por aquilo não ter podido estar em todos.
E concluído o encontro de Foz Coa já está marcada nova confraternização para Estremoz (um regresso onze anos depois) lá para Novembro.
Como sempre em nome da amizade!
Depois Falamos.

P.S: A foto retrata o encontro de Foz Coa que teve a curiosidade, muito agradável, de se realizar a bordo de um barco que subiu o Douro de Pocinho até Barca de Alva acompanhando a antiga e lamentavelmente desactivada linha de caminho de ferro.
Uma paisagem belíssima e um percurso que vale a pena ser feito.

Golfinho


Boston


António Magalhães

O meu artigo de hoje no Duas Caras.

Com a assembleia municipal da passada sexta feira, e salvo a pouco provável realização de uma assembleia extraordinária em Setembro, terá terminado o notável percurso autárquico de António Magalhães que por vontade própria, há muito anunciada, não voltará a ser candidato aos orgãos municipais.
Foram quase quarenta anos de vida autárquica e mais de quarenta de vida política repartidas entre a Assembleia da República ,onde esteve treze anos, e a Câmara de Guimarães a que presidiu durante vinte e quatro anos tendo sido anteriormente vereador quer na oposição aos executivos liderados por António Xavier quer com pelouros no executivo de Manuel Ferreira tendo nos últimos quatro anos presidido à Assembleia Municipal.
Toda uma vida dedicada ao serviço público.
Comecei a conhecê-lo de mais perto em 1989 quando fui eleito pela primeira vez para a assembleia municipal, curiosamente na mesma eleição em que ele venceu  e se tornou presidente da câmara, e todo o meu conhecimento dele foi a partir daí construido na oposição aos seus executivos.
A memória que tenho desse primeiro mandato já está algo perdida no tempo mas não errarei muito se disser que desde logo, e em consonância com o que vinha sendo o seu percurso , se revelou um autarca determinado, um adversário difícil no debate político, um homem incansável na defesa do seu projecto para Guimarães.
Nesse primeiro mandato a minha participação na assembleia municipal foi muito escassa em termos de intervenções (duas ou três) mas recordo bem os acalorados debates que mantinha com o então líder do PSD, professor Lemos Damião, que por vezes o conseguia tirar do sério com alguns “números” bem preparados e que executava com a experiência de muitos anos de política parlamentar em Lisboa.
Nos dois mandatos seguintes, entre 1993 e 2011, tendo então assumido responsabilidades de vice presidente e depois presidente do grupo parlamentar do PSD tive oportunidade de manter alguns debates no parlamento municipal com António Magalhães que se revelaram na generalidade bem difíceis porque ele sabia a “lição” na ponta da língua, dominava os dossiês e levava muito a sério a sua presença na assembleia municipal .
Era um adversário duro, às vezes contundente, aqui ou ali excessivo mas a ideia com que fiquei desses tempos foi sempre a de um respeito mútuo que nunca foi quebrado e do gosto que dava debater com um adversário daquela envergadura.
Ainda por cima em tempos difíceis para o PSD de Guimarães, em que ao contrário de hoje não se via nenhuma luz ao fundo do túnel, e em que sabíamos que por maior que fosse o nosso empenho em fazer oposição na assembleia e na câmara o resultado das próximas eleições seria sempre nova maioria do PS e de António Magalhães.
Entre 2001 e 2009, por razões que não interessam para este artigo, não integrei as listas para os orgãos autárquicos pelo que a minha presença neles se resumiu a algumas sessões da assembleia municipal a que fui assistir , com todo o gosto, como munícipe.
Curiosamente nesse período, e durante apenas um ano (por razões que também não interessam para este artigo mas a que um dia me referirei noutro) , exerci o cargo de governador civil do distrito de Braga e nesse período mantive um relacionamento próximo com todos os municípios do distrito e naturalmente também com o de Guimarães.
E devo dizer que nesse período António Magalhães manteve comigo um relacionamento impecável, em várias conversas que tivemos sobre os interesses de Guimarães e em cerimónias e eventos em que participamos nas qualidades de presidente de câmara e de governador civil, percebendo perfeitamente que eu sendo nomeado pelo governo defendia a sua política mas simultaneamente estava ao lado do município naquilo que podia fazer para ajudar a resolver problemas.
Em suma era alguém com quem podia falar!
Não esquecerei nunca, porque a pessoa está sempre antes do político, que quando apresentei a minha demissão do cargo de governador civil os primeiros presidentes de câmara que me ligaram a dar uma palavra amiga(que nesses momentos cai especialmente bem) foram, para além de Fernando Reis um amigo de muitos anos que então presidia à Câmara de Barcelos e que naturalmente foi o primeiro a fazê-lo, Joaquim Barreto de Cabeceiras de Basto e António Magalhães.
Alguns presidentes de câmara do PSD, que durante esse ano de exercício do cargo me ligaram dezenas de vezes a pedirem o que bem entendiam e com alguns dos quais mantinha uma relação de alguma amizade, nunca o fizeram provavelmente por falta de tempo…
Voltei à assembleia municipal em 2009.
Como de costume na oposição e como de costume com António Magalhães a presidente.
Sempre o mesmo estilo, a mesma combatividade, a resposta na ponta da língua mas um político mais calmo, mais moderado, a reflectir os muitos anos de experiência e de exercício do cargo.
Em 2013 a lei de limitação de mandatos impediu-o de nova candidatura e da mais que provável nova vitória dados os seus índices de popularidade se manterem muito altos sem neles se reflectir o desgaste de muitos anos de poder.
Foi então que assumiu uma candidatura à assembleia municipal, encabeçando a lista do PS como não podia deixar de ser, e tendo sido o mais votado assumiu naturalmente a presidência da mesa da assembleia.
Devo dizer que eu, como muitos, olhamos para essa nova presidência de António Magalhães com alguma preocupação.
Porque depois de vinte e quatro anos em que fora um “ponta de lança” agressivo e goleador na defesa das sua políticas e um “defesa” coriáceo e implacável na marcação aos adversários tínhamos as maiores dúvidas que conseguisse vestir a camisola de “árbitro” com o distanciamento e a alguma imparcialidade que isso significa-
Hoje, passados quatro anos, é imperioso dizer que exerceu magnificamente as suas funções de “árbitro”.
Nunca precisou de mostrar “cartões vermelhos”, os “amarelos” mostrou-os apenas quando não podia deixar de ser, foi firme quando se impunha mas a imagem que dele ficará como presidente da assembleia municipal é a de um homem sensato, inteligente, moderado e com uma paciência que acredito ninguém saberia nele existir.
E foi precisamente essa paciência, a par naturalmente de outras qualidades das quais a experiência não é seguramente a menor, que o ajudou a terminar o mandato debaixo do aplauso sincero de todas as bancadas (PS,PSD, CDS,PCP, MPT,Verdes,BE) que ao fim de quatro anos constataram com satisfação e reconhecimento que António Magalhães soube ser o presidente de todos os deputados municipais e não apenas daqueles que o elegeram.
Pode dizer-se que acabou em beleza o seu percurso de serviço a Guimarães.
É muito cedo para se fazer a História dos muitos anos de vida política de António Magalhães.
Teve momentos muito altos como a Capital Europeia da Cultura ou o consagração do Centro Histórico como património mundial e outros muitíssimo difíceis como a elevação de Vizela a concelho e o trauma que isso provocou em Guimarães.
Uma coisa tenho como certa e embora seu adversário político reconheço-a sem qualquer problema:
António Magalhães foi a mais marcante figura, como autarca, do Guimarães pós 25 de Abril e seguramente que a História reconhecerá o seu papel determinante  na construção do concelho que hoje temos.

P.S. Sem qualquer hipocrisia devo dizer que se António Magalhães voltasse a ser candidato à assembleia municipal nas autárquicas de Outubro isso torna-las-ia bem mais difíceis para a coligação “Juntos por Guimarães” pelo que a sua retirada de cena é mais um motivo para termos esperança de que elas corram muito bem.
Mesmo assim nunca é motivo de satisfação quando um adversário de valor se retira.
Porque a democracia prestigia-se com os bons!