terça-feira, agosto 22, 2017

Vitória e Sporting de Braga

O meu artigo desta semana no Duas Caras.

Como vitoriano quero ganhar sempre ao Braga.
Em futebol e em todas as outras modalidades que ambos pratiquem.
Jogo oficial,jogo particular,treino ou seja lá o que for.
É o adversário sobre o qual os triunfos dão mais prazer e as derrotas mais aborrecem.
Acredito que em Braga se passa precisamente o inverso no âmbito da maior e mais antiga rivalidade de Portugal.
Porque enquanto as rivalidades entre os três estarolas (SLB/FCP/SCP) tem umas dezenas de anos, e existem entre dois clubes da mesma cidade ou perante um clube a 300 klm de distância,a existente entre Vitória e Braga tem quase mil anos e tem muito mais substância que os efémeros sucessos desportivos!
Porque antes de ser (ou seja antes de os clubes existirem) já o era.
Entre duas comunidades vizinhas que há muitas centenas de anos são rivais e das quais Vitória e Braga são hoje apenas a face mais visível dessa milenar rivalidade.
Nos últimos anos, lamentavelmente,essa rivalidade desportiva entre dois dos maiores clubes de Portugal tem descambado em algumas manifestações de violência que nada tem a ver com o desporto ou até com a tal rivalidade.
São manifestações que não fazem sentido em contexto nenhum, menos ainda no desportivo, e que envergonham as duas comunidades e a esmagadora maioria dos adeptos de ambos os clubes.
É necessário mudar.
Permitir que mantendo uma acesa rivalidade desportiva os estádios D.Afonso Henriques e “Pedreira”não se transformem em recintos de terror para os adeptos visitantes como tem acontecido com alguma frequência perante a passividade das autoridades e a justiça vesga (só veem incidentes em Guimarães) das entidades jurisdicionais do futebol.
Do meu ponto de vista devem ser as direcções dos dois clubes a darem passos nesse sentido, sinceros e profícuos, de molde a que a normalização das relações não se fique por inócuos apertos de mão televisionados mas sem qualquer outra consequência prática.
Podem e devem fazê-lo.
Se não o fizerem então terão de ser encontradas outras formas de permitir que os vimaranenses vão a Braga e os bracarenses venham a Guimarães,ao futebol, de forma pacifica e preocupando-se apenas com as incidências do jogo.
Vitória e Braga serão sempre rivais.
Dentro dos relvados, dos pavilhões, das piscinas.
Mas tem de se entender em tudo o resto.
Nomeadamente na LPFPem questões relevantissimas para as duas colectividades.
  • Repartição dos dinheiros das televisões através da negociação centralizada dos mesmos.
  • Reformulação das competições.
  • Equipas B.
  • Regulamento da Taça da Liga.
  • Limites de endividamento dos participantes em competições profissionais.
  • Tectos salariais para jogadores e treinadores.
  • Limite de estrangeiros por equipa e plantel.
  • Proibição absoluta de estrangeiros nos escalões de formação.
  • Limite ao empréstimo de jogadores a clubes do mesmo escalão.
  • Exigência de sorteios das competições iguais para todos.

E mais algumas questões que seria fastidioso enumerar aqui.
Vitória e Braga tem de saber utilizar a rivalidade entre ambos de forma inteligente.
Fazendo dela motor de crescimento de ambos os clubes para que sendo mais fortes tenham mais peso no futebol e possam fazer frente, de forma cada vez mais consistente,aqueles que são os nosso verdadeiros adversários.
Benfica ,Porto , Sporting e todo o "sistema" montado para a defesa e promoção desses três clubes.
Nas televisões,nas rádios,nos jornais,na Liga, na arbitragem, na disciplina,etc.
Esgotarmos-nos na conflitualidade e na violência apenas nos enfraquece e faz o jogo daqueles que não querem que sejamos adversários ao seu nível.
Hoje parece-me claro que só há dois clubes em Portugal-Vitória e Braga- capazes de acabarem com o “ordem” instituída e trazerem ao nosso futebol mais competitividade, mais interesse, mais verdade desportiva.
Tem é de fazer por isso.
E manda a verdade que se diga que na última dúzia de anos, ao contrário das muitas décadas anteriores, o Braga tem feito mais por isso do que um Vitória mergulhado em crises cíclicas que permitem que o actual presidente bracarense já tenha conhecido quatro presidentes do Vitória.
Para mim, e creio que para uma esmagadora maioria de vitorianos,não há problema nenhum que o Braga seja vice campeão nacional.
Desde que o Campeão seja o Vitória.
Como acredito que em Braga muita gente pensará o mesmo desde que se invertam os pressupostos.
E é por aí o caminho.
Por uma rivalidade que fortaleça ambos os clubes, sem os excessos a que urge por termo, e permita por tabela fortalecer o nosso futebol.
Haja vontade!

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