quarta-feira, maio 06, 2026

O Dono da Bola

Estou mesmo num tempo de reminescências da infância e da juventude!
Lembrei-me agora de uma figura típica desses tempos já algo remotos e que era conhecida pelo "dono da bola" muito antes de haver um programa na SIC com um nome parecido.
E o que era o dono da bola?
Era aquela pessoa que tinha uma... bola e a levava para as futeboladas do grupo de amigos e conhecidos especialmente nos intervalos do liceu e nas saudosas férias de verão na praia da Póvoa de Varzim.
E o ser dono da bola, e poucos tinham bolas nesse tempo e menos ainda os que tinham a disponibildiade de as levarem para o liceu ou para a praia, dava-lhe prerrogativas muito especiais.
Escolhia quando se jogava, onde se jogava, alterava as regras do jogo a seu bel prazer e acima de tudo escolhia as equipas sempre de molde a que do lado dele ficassem os melhores jogadores para poder ganhar todos os jogos e dizer que era o maior.
E até se achava no direito, baseado nessa presunção de superioridade, de antes e depois dos jogos fazer uma preleções aos restantes jogadores pretendendo ensina-los a jogar e a respeitarem as boas regras do jogo.
Caso para dizer olha para o que eu digo e não para o que eu faço.
Porque o problema era quando não ganhava.
Ou quando não lhe passavam a bola, lhe davam uma boa canelada ou o driblavam impiedosamente.
Aí enfuurecia-se, às vezes até ao transtorno, e ameaçava que ou aquilo era como ele queria ou então ia-se embora e acabava o jogo!
E então ou os restantes, pelo menos a maioria dos restantes, baixavam as orelhas, dobravam a coluna e faziam o que ele queria ou por vezes o jogo acabava repentinamente quando o dono metia a bola debaixo do braço e se ia embora.
Foi há muitos anos, ainda no tempo da ditadura, mas nunca mais me esqueci dessa figura tão típica desses tempos mas que de forma insólita fui reencontrando pela vida fora já em democracia plena.
Talvez porque a prepotência seja muito mais uma forma de ser do que uma consequência do regime político em que se vive.
Enfim, memórias do século passado mas que o presente vai avivando.
Depois Falamos.

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