terça-feira, maio 05, 2026

Espectáculos

Por vezes os tempos presentes trazem-nos gratas memórias dos tempos passados e daquilo que de alguma forma marcou a nossa infância e juventude.
Faço parte de uma geração que devido às leis da vida caminha para a extinção. Não há volta a dar-lhe.
E aceito perfeitamente que as gerações seguintes sejam cada vez mais diferentes da minha porque a vida faz-se de evolução e não sou daqueles que monocordicamente gostam de repetir "...no meu tempo é que era bom...".
Mas tenho saudades do "meu" tempo confesso.
Dum tempo em que não havia internet mas havia livros e revistas, de um tempo em que não havia muitos amigos virtuais mas havia bons amigos reais, de um tempo em que a partilha e a comunhão de objectivos e interesses impediam que cada um fosse uma "ilha" entregue á sua circunstância.
E nesse tempo não havendo a panóplia de distrações que existem hoje havia ainda assim algumas que se calhar não trocaria por todas as de agora.
Jogar futebol com os amigos, passeios de bicicleta, idas ao cinema, animadas partidas de bilhar e de matraquilhos.
E depois havia os espectáculos.
Futebol (Vitória, Vitória...) a tourada nas Gulterianas a que fui uma vez e chegou para o resto da vida, o alvoroço quando chegava um circo à cidade, os teatros de fantoches nas associações recreativas , as bandas de música em que Guimarães sempre teve excelentes executantes.
E para a miudagem era uma alegria.
Idolatravam-se os jogadores, admiravam-se os toureiros ( eu não!) , aplaudiam-se os artistas de circo, espantavamos-nos com as marionetes do teatro de fantoches, fazíamos um silêncio respeitoso perante os talentos dos músicos.
E , sonhos de juventude, queríamos ser como eles.
Jogar como os nosso idolos, tourear como os melhores toureiros (eu não) dizer as piadas dos palhaços, fazer as acrobcias dos trapezistas, domar as feras como os domadores, manipular as marionetes com a habilidade dos artistas , tocar os instrumentos como os melhores músicos.
Confesso que no que me toca me fiquei pelos sonhos.
Nunca tive talento para jogar futebol, nunca quis ser toureiro, participar em circos só como espectador, nunca aceitei ser marionete e menos ainda manipulador das mesmas, nunca tive a arte necessária a ser músico pese embora a tradição familiar nessa matéria.
E por isso futebol, tourada, circo, teatro de fantoches e música são recordações de infância e juventude que de vez em quando vão reaparecendo ao sabor dos tempos presentes na certeza de que nem o tempo volta para trás nem terei hoje a apetência (e a habilidade para a sua prática)  por qualquer uma dessas artes que nunca tive ao longo da vida.
Depois Falamos.

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