sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Tudo é Relativo

No futebol tudo, ou quase, é relativo muito dependendo da perspectiva pela qual se analisam as coisas.
É um desporto global, assente na paixão e no entusiasmo, que gera amor e ódio, fidelidades e incompreensões e portanto o prisma pelo qual cada um olha para um acontecimento varia por muitos factores e também pela motivação com que se analisa.
Vou dar um exemplo baseado em dois jogadores que o Vitória deixou sair no inicio desta época.
Maazou e Marco Matias.
Vejo hoje muita gente encantada pelo facto de o Vitória ir receber uma percentagem sobre os valores anunciados pelo Marítimo da transferência de Maazou para um clube chinês.
Consideram um exemplo de como valorizar jogadores.
Eu não concordo.
Seria bem melhor que tivesse sido o Vitória a valorizar o jogador com a nossa camisola, usufruir dos seus golos (nove na primeira volta da Liga) e depois transferi-lo ficando com a totalidade do valor do negócio.
A verdade é que o jogador não foi devidamente aproveitado no clube.
E receber 1,5 milhões por Maazou talvez tivesse evitado a venda de Hernâni a meio do campeonato e colocando em risco as nossas aspirações.
O outro caso é o de Marco Matias.
Cuja não renovação de contrato considero um erro de gestão desportiva face à qualidade do jogador, ao profissionalismo de que deu mostras enquanto cá esteve, aos valores envolvidos e ao rendimento desportivo que deu durante o tempo que jogou no clube.
Saiu de borla sem que o Vitória tivesse qualquer proveito.
Foi para o Nacional onde leva oito golos marcados na 1ª volta, o que para um extremo é excelente, e é regularmente dos melhores jogadores da equipa.
A sua saída foi um erro.
E a sua continuidade poderia diminuir , e muito, o prejuízo desportivo constituído pela saída do anteriormente referido ...Hernâni.
Porque no actual plantel, mesmo após a ampla remodelação de Janeiro, não há nenhum extremo com a qualidade e o faro goleador de Marco Matias.
E quando se tem dinheiro para ter um grupo de trabalho com 56 jogadores, absolutamente excessivo face ás necessidades das equipas A e B, custa-me a crer que não houvesse dinheiro para renovar o contrato com um jogador com sobejas provas dadas.
Enfim...diferentes formas de ver as coisas.
O que nem admira.
Depois Falamos

17 comentários:

Pedro disse...

Caro Cirilo, a vida é feita de opções, umas vezes acertamos, outras não. Neste caso, não me parece que a culpa da saída dos jogadores seja exclusivamente da competência da direcção. O Marco Matias andou arrastar a renovação por longos meses, talvez por acreditar que quanto mais tempo passasse mais possibilidades teria de fazer um melhor contrato (tendo o seu empresário assobiado com a hipótese de ir para o Braga). Não renovou porque não quis.
Quanto ao Maazou, penso que não existiam condições para continuar. A época passada começou bem, mas depois da lesão nunca mais foi o mesmo. Não contava para o treinador e a sua aplicação e compromisso com a equipa na pré-época foi pouco mais que sofrível.
Diz que o Hernâni teria sido bem substituído pelo Marco Matias, pois eu acho que se este tivesse continuado, o Hernâni ainda hoje estaria no Vitória a jogar pela equipa B e a sentar no banco da A. O azar de uns é a sorte de outros.
Já agora, se o Olímpio não tivesse saído, sabe onde andaria o Cafu? Pois...
Estamos a fazer uma grande época, com 2 ou 3 jogadores que alinhavam no 11 da época passada e mesmo assim suspiramos por aqueles que nos ajudaram acabar em...11 da classificação. Não tarda nada choramos o André santos, o Barrientos, o Russi, Malonga....enfim.

Viva ao Vitória

Cumprimentos,
Pedro


luis cirilo disse...

Caro Pedro:
O Marco Matias nunca quis ir para o Braga. E a renovação dele não se fez porque a SAD não quis contemplar no seu contrato condições que aceitou no contrato de outros jogadores.
De resto não haveria nenhuma incompatibilidade em ele e o Hernâni poderem jogar em simultâneo. Apenas vantagens dada a qualidade de ambos.
Quanto ao Maazou parece que recuperou totalmente da lesão. Será que foi dos ares da Madeira?
Eu não suspiro por nada apenas lamento que o Vitória tenha desperdiçado dois jogadores que lhe podiam ser muito uteis. Especialmente o Marco Matias.
E quanto ao 10º lugar não se esqueça do lugar em ficaram os que ganharam a Taça. Nem sempre o valor dos jogadores se reflecte na classificação da equipa

Francisco Guimarães disse...

Com concordo com o Pedro e ia escrever aqui exactamente isso: a saída de uns abriu as portas a outros, se poderiam cá estar todos? Talvez...

Acrescento que em alguns jogos reparei (é apenas a minha visão da coisa) que Maazou e Marco até se incompatibilizavam no ataque, pois o Nigerino descaía muito nas alas ocupando os espaços que deveriam ser explorados pelo Marco, se calhar sem Maazou mas com o tridente Marco, Tomané(ou Areias) e Hernâni a coisa fosse melhor. Se calhar...Não sabemos.

Este género de opções e de gestão, é isto mesmo: opções. Agora vemos que esses jogadores estão bem noutras equipas, mas e os outros que também saíram? Vitor Bastos por ex, por onde anda? Nesse caso abriu portas a outros jovens que agora singram (Paulo Oliveira incluído) e outro caso, o de um jovem o Kaka? Nesses casos a opção de gestão já correu bem para o Vitória e mal para eles.

Não acho que deve ser por aí que se deve julgar uma direcção de uma equipa, porque cada um de nós se calhar faria diferente no entanto são eles que tem que decidir.
Pode-se é opinar e aconselhar, mas antes das decisões serem tomadas, como faz muitas vezes (e em boa % dos casos, bem) o dono deste blog.

Anónimo disse...

Tive também muita pena de ver sair o Marco Matias, contudo sou obrigado a concordar com o que diz o Pedro, pois o futebol é uma indústria dinâmica, e a saída do Matias abriu a porta ao Hernani. Assim como a saída deste abre uma porta ao Gui, e daqui a uns meses estaremos aqui a dizer que ainda bem que saiu o Hernani para que o Gui tivesse a oportunidade de explodir. Quem sabe ? Pois, ninguém, como ninguém sabia o valor do Traoré e olhe que boa surpresa ? E se o Addy tem ficado ? As opções têm de ser feitas, e como diz Rui Vitória a máquina de montagem não para...
Quanto ao Maazou, nem é conversa. Estava completamente a mais no clube, apesar da enorme valia. Mas se não quiser jogar, até o Messi é fraco !

luis cirilo disse...

Caro Francisco:
As incompatibilidades posicionais que se verificaram nalgumas situações(concordo consigo) cabe ao treinador resolver.
A mim o que me custou neste caso, conhecendo bem o jogador(e a pessoa) foi saber que ele adorava jogar no Vitória e não ficou porque não lhe deram as condições que deram a outros. E,lá esta, custa muito ver sair um jogador jovem,talentoso, português e sem qualquer contrapartida.
Quanto ao aconselhar ( e agradeço o seu elogio) deve realmente fazer-se antes das situações se consumarem. Infelizmente diz-me a minha experiência pessoal que nem sempre vale a pena.

luis cirilo disse...

Caro Anónimo:
Esse é o mais perigoso dos erros que se pode cometer na gestão desportiva do Vitória. Confundir uma equipa com uma máquina em que se muda uma peça e continua a funcionar na mesma. Porque no futebol as "peças" não são iguais.
E pese embora o talento de Rui Vitória para ir consertando as "avarias" a verdade é que a equipa/plantel de hoje é inferior à que ganhou a Taça de Portugal.
Outro erro, porventura mais grave até porque já está a ser cometido,é pensar-se que a tal "linha de montagem" vai dar sempre jogadores de valor igual ou superior aos que vão saindo. Porque não vai. E a prova é que com todo o respeito por todos ainda não apareceu outro Paulo Oliveira (embora o Josué esteja a lá chegar) nem outro Ricardo.
O futebol é desporto,meu caro, não é engenharia.

Anónimo disse...

Sr Luis Cirilo, a transferência do Maazou foi aceitável e até justificável, pois um ponta de lança vive de golos e não é por ter jogado em grandes equipa que se pode achar o "maior", criando problemas no balneário. Quanto ao Marco Matias, concordo em absoluto com o senhor, penso que foi o maior erro do Júlio Mendes desde que cá chegou a Guimarães, mas enfim, errar é humano. Quanto ao Hernâni, acho que o senhor está a fazer uma tempestade num copo de água quando ainda não se viu os efeitos práticos da sua precoce saída.
Saudações vitorianas

Anónimo disse...

Estou plenamente de acordo com o Luis Cirilo quanto ao excessivo numero de atletas entre equipa A e equipa B.
Daqui resulta para mim um problema emergente. A equipa B, sobrelotada, não consegue desempenhar a missão enquanto incubadora dos jogadores provenientes da formação. A abundância de jovens, alguns com proveniências muito exóticas, não acrescenta rigorosamente nada em termos desportivos.
A assinatura de protocolos com clubes da India e não só, fazem algum sentido? A relação custo-benefício é muito duvidosa, pelo menos aparentemente.

Cumps,
DF

luis cirilo disse...

Caro Anónimo:
Claro que a saída de Marco Matias foi pior do que a de Maazou. Quanto a este fiquei com se sensação de que as suas caracteristicas nunca foram devidamente aproveitadas. Como no Maritimo onde vinha fazendo um registo goleador digno de um bom ponta de lança.
Não estou a fazer nenhuma tempestade em nenhum copo de água porque o que tenho dito é por outras palavras o que Rui Vitória tem dito. Reconhecendo a enorme importância do jogador nos processos ofensivos da equipa e a falta que vai fazer.
Caro DF:
acho que comentou bem o assunto e estou de acordo consigo. Nenhum treinador gosta de trabalhar com tantos jogadores. E naturalmente que há contratações,como as que referiu,muito difíceis de entender.

Anónimo disse...

O treinador não queria o Mazzou, ele era um tipo caro e de feitio dificil, para alem de que as leis do jogo para ele sempre foram dificeis de perceber (foras de jogo) para quê insistir!?

Marco Matias é um jogador banal, pensou que ia sair para grandes equipas, pois, foi para o nacional... boa sorte.

luis cirilo disse...

Caro Anónimo:
Quer ver que na Madeira se deram ao trabalho de lhe ensinar a lei do fora de jogo?
Quanto ao Marco Matias tomara eu no Vitória um extremo banal que marcasse oito golos na primeira volta da Liga.
Infelizmente a gratidão não é o forte de muitos vitorianos. E é pena.

Raul Roque disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Macaco careca disse...

Cada qual tem a sua opinião, já eu fiquei mais chateado pela saída do Maazou do que do Marco Matias, sempre achei que oMaazou tinha potencial para mais, o início de época dele isso demonstrou, qualidade ele tinha só faltava quem o motivasse, e a prova de que eu tinha razão foi o que ele fez esta época. Mas acrescento ainda mais, fico irritado pela venda do Crivellaro e pelo que estão a fazer ao Barrientos.Há certas coisas que por muito que eu pense não consigo compreender. Se é porque ganham muito, ok, mas já que estamos a pagar e estamos, e que tal se tirasse-mos o proveito desportivo disso? Pelo menos enquanto cá estão e temos de lhes pagar. Mas aqui acho que a culpa é a meias direcção/treinador.

Jeronimo Couto disse...

O Pedro já disse tudo....ponto final.....!!!

luis cirilo disse...

Caro macaco careca:
Como em muita coisa um dia se saberá a verdade que está por trás da saída de três jogadores (Maazou,Matias e Crivellaro) e da marginalização a que Barrientos está votado desde o inicio da temporada. Neste ultimo caso não me parece que a culpa seja do treinador.
Sei ´que todos eles foram e são recursos mal aproveitados. Como outros de que N'Dyaie é o melhor exemplo.
Caro Jerónimo:
Aprendi com muitos anos de Vitória que muitas vezes os pontos finais não são mais do que ponto e virgula.

Mr.Karvalhovsky disse...

O Marco Matias era, no meu entender, um jogador à Vitória e foi mesmo muito mal despachado.

Mas estou plenamente de acordo com as suas opiniões referentes aos 2 exemplos dados.
Dois actos de má gestão, aos quais se somam agora a venda de Hernâni, com a vinda de 3 emprestados e a recepção de uma quantia demasiado modesta para o valor e potencial do jogador...
Às vezes mais vale fazer um pequeno esforço e manter este tipo de jogadores, oferecendo um salário ligeiramente mais alto, para vender mais tarde por um valor justo, do que deixar sair a custo zero e não lucrar nada com isso.

luis cirilo disse...

Caro Mr Karvalhovsky:
São desacertos a mais. E que,ainda por cima, mostram pouca memória.
Creio que a SAD devia explicar muito melhor as opções que anda a fazer