quarta-feira, dezembro 26, 2007

Palavras Actuais


Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa notícias do meu país e o vento cala a desgraça o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam tanto sonho à flor das águas e os rios não me sossegam levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas ai rios do meu país minha pátria à flor das águas para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas pede notícias e dizao trevo de quatro folhasque morro por meu país.
Pergunto à gente que passa por que vai de olhos no chão.Silêncio -- é tudo o que tem quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos direitos e ao céu voltados.E a quem gosta de ter amos vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada ninguém diz nada de novo.Vi minha pátria pregada nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem dos rios que vão pró mar como quem ama a viagem mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir(minha pátria à flor das águas)vi minha pátria florir(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada e fale pátria em teu nome.Eu vi-te crucificada nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada só o silêncio persiste.Vi minha pátria parada à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novos e notícias vou pedindo nas mãos vazias do povo vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro dos homens do meu país.Peço notícias ao vento e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia dentro da própria desgraça há sempre alguém que semeia canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste em tempo de servidão há sempre alguém que resiste há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre

4 comentários:

Adriana disse...

Li o seu post e veio de encontro ao meu estado de espirito e aquilo que penso do país.

hoje é um dia em que kadafizinha ta terrivel...
bjs

Anónimo disse...

Palavras para quê????
Questões existenciais!!!!
Vulgares, simplesmente vulgares.
Pobre poeta o Alegre ao ver-se aqui plasmado.

Ana poeta disse...

"Pobre poeta o Alegre ao ver-se aqui plasmado."

Alegre pode não ser da nossa cor politica, mas é um grande poeta ai isso é...q ficar na história da poesia portuguesa em tempos d ditadura ficará.

Anónimo disse...

so a inteligencia e o discernimento são capazer de louvar aqueles que, apesar de serem de côr política diferente, foram importantes na construção dosa homens e das mulheres que somos hoje.
Teresa Mendonça