terça-feira, junho 07, 2016

É Pena!

A televisão tem destas coisas.
Acaba com séries que não deviam acabar.
Claro que se percebem as razões, obviamente que as séries não podem ter uma duração infinita, claro que tudo tem o seu tempo e a sua oportunidade.
Mas há séries que custa ver acabar. Porque sabemos que vamos sentir a falta delas.
No passado foi assim com séries míticas como "Bonanza", "O Fugitivo", "Dallas", "O Santo", a "Balada de Hill Street", "As Teias da Lei" , "Columbo" , "Uma Casa na Pradaria", "Uma Família às Direitas", "Serpico", "Alf", "A Família Walton","Ventos de Guerra","Pequenos Vagabundos", "Star Trek", "Os Vingadores", "Casei com uma Feiticeira", "Flipper", "Alô,Alô", "Espaço 1999", "Twin Peaks", "Ficheiros Secretos" e tantas outras de que guardo inesquecíveis memórias.
Agora chegou a vez de "Castle".
Que durante oito anos representou um um espaço semanal de entretenimento, boa disposição, peripécias com fartura e problemas policiais sempre resolvidos da forma menos usual e mais imprevista.
Podia não ter a densidade de algumas das outras séries, o enredo ou as interpretações que as tornaram míticas, mas era uma série que via sempre com gosto e da qual vou ter saudades porque deixa um espaço por preencher.
É certo que oito temporadas é muita temporada (não estamos a falar de "Os Simpson"...) mas acho que mais uma ou duas temporadas ainda cabiam perfeitamente no modelo e permitiriam aos milhões de fans em todo o mundo mais umas noites bem passadas a ver as aventuras do Castle, da Beckett, do Esposito, do Ryan e por aí fora.
Não quis o destino ( e alguns actores ao que consta) que assim fosse.
Paciência.
Outras séries virão.
Depois Falamos.

segunda-feira, junho 06, 2016

O Maior

Ele próprio se auto intitulava como "O Maior".
E foi-o sem sombra de duvidas.
Muhammad Ali (antes Cassius Clay) deu ao boxe uma dimensão mediática que antes dele não existia e que depois dele, é forçoso reconhecê-lo, nunca mais voltou a ser a mesma.
Na dupla vertente desporto/espectáculo.
Como praticante foi excepcional.
Campeão olimpíco, tri campeão mundial de pesos pesados, marcou presença nalguns dos mais célebres combates da história do boxe como os protagonizados frente a Sonny Liston, Joe Frazier e George Foreman e deixou para a posteridade um estilo único de combater que ele próprio definiu como "dançar como uma borboleta e picar como uma abelha".
Mas ele levou o espectáculo boxe para lá dos ringues com as suas polémicas conferências de imprensa, as suas bravatas, as provocações aos adversários naquilo que muito mais tarde (e noutra modalidade) se veio a celebrizar como os "mind games".
E aproveitou todo esse mediatismo que o desporto lhe proporcionou para uma cidadania activa e combatente contra o racismo, a segregação racial e a guerra do Vietname o que lhe viria a custar três anos de carreira (quando estava no seu apogeu) por força de uma pena que então lhe foi imposta por recusar o alistamento.
Muhammad Ali ficará para a História como um dos maiores atletas do século 20.
Que lutou e venceu alguns dos maiores pugilistas de sempre.
Numa carreira que conta com 57 vitórias (37 por KO) e apenas 5 derrotas numa das quais aguentou doze assaltos com o maxilar fracturado!
Pode dizer-se que só não derrotou o Super Homem.
Mas também nunca lutou com ele...
Depois Falamos.

P.S. A minha admiração por Muhammad Ali radica no desportista de élite que foi e no cidadão de causas pelas quais será recordado.
Não se estende minimamente ao Boxe!

Formigas


Praia Italiana


sexta-feira, junho 03, 2016

Rumo a França (2)

Tinha os condimentos necessários a ser não só um bom jogo como também um exigente, e oportuno, teste á selecção portuguesa rumo ao Europeu de França.
Tinha...mas não foi.
Porque depois de uma meia hora inicial pouco emotiva e sem ocasiões de golo um jogador português de 34 anos, supostamente experiente, teve uma entrada violenta, desnecessária e estúpida sobre um adversário num lance a meio campo e foi muito bem expulso.
E a partir daí, com uma hora de jogo pela frente, Portugal desistiu de jogar no campo todo e concentrou-se no apuramento dos processos defensivos que impedissem os ingleses de se aproximarem com perigo da baliza de Rui Patrício.
Um forma de jogar, digamos assim, que não é estranha a Fernando Santos mesmo quando as suas equipas jogam 11 contra 11.
E nesse aspecto defensivo há que dizer que Portugal esteve bem.
Com Ricardo Carvalho- soberba exibição- a comandar as "tropas" a equipa nacional conseguiu ir tapando todos os caminhos à equipa inglesa que nunca demonstrou grande talento para contrariar o "autocarro" português o que explica que o nulo se fosse mantendo.
Em termos ofensivos é que nada de nada. O que mesmo em inferioridade numérica é um bocadinho...pobre.
Apenas um remate de cabeça de Ricardo Carvalho na primeira parte e depois um remate de Quaresma,já nos minutos finais,que andou lá perto.
A acabar o jogo a Inglaterra acabou por marcar, curiosamente logo a seguir a Portugal no tal lance de inspiração de Quaresma (quem mais havia de ser?) ter criado a sua melhor oportunidade de todo o jogo, num lance em que os ingleses são exímios e fez o resultado justo do encontro.
Valeu mesmo pela possibilidade de Portugal treinar os processos defensivos mas a ideia era seguramente valer por outras coisas como, por exemplo, afinar o estranho 4-4-2 em que Fernando Santos aposta e que duvido que nos leve a algum lado.
Em termos individuais, e com todos os condicionalismos existentes, pode considerar-se que Ricardo Carvalho terá ganho o lugar , Quaresma terá reforçado as exigências de titularidade, Danilo terá ganho terreno a William tal como Vierinha a Cédric  mas ainda há muitas hipóteses em aberto.
Digamos que a avaliar por estes dois jogos, pelo que uns jogaram e outros não jogaram, o onze de Portugal aponta para Rui Patrício-Vieirinha-Pepe-Ricardo Carvalho-Raphael Guerreiro-Danilo.João Mário-João Moutinho-Adrien-Ronaldo e Quaresma.
Mas até ao Europeu ainda falta o ultimo jogo de preparação e mais de semana e meia de treinos.
Depois Falamos

Samarcanda, Uzbequistão


quinta-feira, junho 02, 2016

José Cid

Somos definitivamente um país pequeno, com muita inveja e mesquinhez espalhada, em que à falta de disposição ou capacidade para se discutir o verdadeiramente essencial se dá uma importância desmesurada aquilo que realmente não a tem.
O ultimo exemplo passou-se com José Cid.
Que numa entrevista concedida a um canal de televisão, há SEIS ANOS atrás e a que na altura ninguém deu importância, fez um conjunto de declarações infelizes e condenáveis sobre os transmontanos dizendo coisas que seguramente não pensa nem nunca pensou.
Todos tem momentos infelizes e Cid não é excepção.
Por artes "facebookianas", depois da retransmissão da entrevista no canal Q, essas declarações foram amplamente divulgadas e causaram uma quase polémica nacional em que tudo que se acha politicamente correcto (sendo ou não transmontano) decidiu zurzir em Cid usando argumentos e conceitos bem piores nalguns casos dos que ele usara sobre os transmontanos.
Uma lástima.
E nem o sentido pedido de desculpas de José Cid valeu de alguma coisa para esses "inquisidores"da net e não só que não perdem uma oportunidade de "corajosamente" baterem em quem está num momento infeliz.
Por mim, reiterando que essas declarações foram muito infelizes e nunca deviam ter sido feitas, continuo a ter uma enorme admiração por esse grande músico que José Cid é e que há mais de cinquenta anos faz da melhor música que este país tem conhecido.
Tenho discos e cd´s dele, já o ouvi muitas vezes em espectáculos ao vivo de Coimbra a Guimarães,passando por Cabeceiras de Basto pela Meo Arena em Lisboa e por Vilar de Mouros entre outros lugares e assim continuarei a fazer sempre que me seja possível.
E a preocupar-me com coisas muito mais importantes que uma opinião infeliz de Cid sobre os transmontanos que foi proferida há seis anos atrás e que só saiu do arquivo onde(e adequadamente) se encontrava porque em Portugal se vive num "clima" de reality show" em quanto mais lixo for atirado para o ar melhor para as audiências constituídas por fãs do "voyeurismo" sem limites.
Depois Falamos.

P.S. A minha admiração por José Cid tem também uma componente vitoriana. Nunca me esquecerei de algumas conversas que tive com ele no Verão de 2012 enquanto vice presidente do clube, por sua iniciativa, em que ele tendo tomado conhecimento da dramática situação em que se encontravam as modalidades do Vitória (penso que através do Zé Perdigão) se propôs fazer um concerto no pavilhão do clube sem cobrar cachet e cuja receita reverteria para as modalidades. 
Um gesto nobre que ele me explicou dever-se à simpatia por Guimarães (onde era sempre muito bem recebido) e pelo Vitória que considerava um clube diferente de todos os outros.

Bipolar

Fui do primeiro ao ultimo dia da sua carreira profissional um admirador sem reservas do futebolista Luís Figo.
A quem vi fazer excepcionais exibições por Portugal,pelo Sporting, pelo Barcelona,pelo Real Madrid e pelo Inter de Milão.
A quem vi ganhar titulos e troféus e afirmar o nome de Portugal no mundo num tempo pós Eusébio e pré Ronaldo.
Rejubilei com a "Bola de Ouro" que venceu e ainda hoje penso que podia ter vencido mais uma ou outra.
Mas o homem que está por trás do futebolista esse foi uma desilusão em crescendo!
Desde logo quando assinou dois contratos (Juventus e Parma) em simultâneo incorrendo num castigo que o impediu nesse tempo de se transferir para Itália e "obrigando-o" a prosseguir a sua carreira em Espanha.
Depois, é claro, a forma vergonhosa como trocou o Barcelona pelo Real Madrid depois de todas as juras de amor ao clube catalão e das públicas promessas de que não trocaria o Nou Camp pelo Santiago Bernabéu.
A verdade é que o fez.
Mentindo a todos aqueles a quem prometera o contrário e ganhando nos adeptos barcelonistas inimigos para toda a vida.
Recordo-me bem de nessa altura estar em Barcelona e compreender na sua plenitude o que era a desilusão e revolta dos catalães que se sentiram completamente enganados por um jogador que até era o seu capitão de equipa e se tinha transferido para o eterno rival.
Depois desse episódio, o pior da sua carreira, Figo foi aqui e ali somando outros momentos embaraçosos misturados com declarações sem sentido e que nada lhe acrescentaram.
Do pequeno almoço remunerado com Sócrates à candidatura a presidente da FIFA .
Por estes dias resolveu,no mais completo despropósito, tecer comentários sobre o Porto e Pinto da Costa.
Deselegantes e metendo-se onde manifestamente não era chamado.
Com o ressabiamento perceptível de quem nunca terá perdoado ao presidente portista as criticas que este fez à forma como a FPF apoiou a sua candidatura à FIFA.
É pena.
Pena que o homem continue a desgastar a excepcional imagem que o futebolista deixou.
Depois Falamos.

Pôr do Sol


quarta-feira, junho 01, 2016

Ironias do Futebol

Quando em 2004 José Mourinho chegou ao futebol inglês, com destino ao Chelsea depois de se sagrar campeão europeu pelo Porto, este era dominado pelo Manchester United treinado por um senhor chamado Alex Ferguson.
Uma das mais carismáticas personagens do futebol mundial nas últimas décadas.
E face a esse característico escocês, com o nome feito e dezenas de competições ganhas pelo United, o jovem treinador português surgia quase como o "puto reguila" que vinha desafiar um verdadeiro mestre e por em causa o seu reinado.
O que conseguiu.
Vencendo logo de enfiada duas ligas inglesas, tornando-se verdadeiramente merecedor do epíteto de "Special One" que lhe fora dado pelos jornalistas britânicos logo no dia da sua apresentação, e mudando para sempre o futebol inglês em muito do seu tradicionalismo e conservadorismo.
Ficaram famosos os enfrentamentos entre Chelsea e Manchester United, vivamente disputados nos relvados e na comunicação social entre os técnicos, mas também a relação de progressiva amizade entre os dois que os levava no fim de cada jogo a beberem uma garrafa de vinho (consta que muitas vezes o bem português "Barca Velha") na cabine do que era visitado.
Entretanto a vida deu muitas voltas para Mourinho e poucas para Ferguson.
O português saiu do Chelsea, foi para o Inter, depois para o Real Madrid e acabaria por voltar a Londres novamente para o Chelsea sem concretizar o sonho de treinar o MU.
Ferguson entretanto decidiu terminar a carreira e passou a ser uma espécie de conselheiro técnico do Manchester United tendo nessas funções aconselhado a contratação de David Moyes para o seu lugar e não de Mourinho o que terá causado profunda decepção neste pese embora à época treinar o Real Madrid.
Não tenho dúvidas que para José Mourinho o Manchester United é a sua cadeira de sonho e o clube que mais desejava treinar.
Para outros será o Barcelona, o Real Madrid, o Milan, o Inter, a Juventus,o Bayern, eu sei lá ,mas para Mourinho, que gosta do futebol inglês acima de todos os outros, é mesmo o M.United.
Que em boa verdade em termos de futebol inglês só tem como rival à altura o Liverpool no que toca a títulos conquistados e paixão popular.
Pois chegou a hora de Mourinho cumprir o sonho.
E na próxima época será ele o dono do banco dos "Red Devils" naquele que se prevê ser o mais espectacular campeonato inglês de sempre.
Com Mourinho no United, Guardiola no City (a rivalidade em Manchester vai atingir picos nunca dantes vistos), Klopp no Liverpool, Conte no Chelsea, Wenger no Arsenal, Pochettino no Tottenham e ,convém não esquecer, Rainieri no Leicester.
Mas uma das minhas maiores curiosidades vai ser mesmo a convivência entre Mourinho e Ferguson.
Entre o homem que no United ganhou tudo e aquele que tudo quer ganhar.
Vai ser giro de ver.
Depois Falamos.

Andam por Aí...

O jornal "Público" em peça recentemente publicada dava conta de que eles andam por aí outra vez.
Não os verdadeiros dinossauros,bem entendido, mas sim aqueles a quem se convencionou chamar os "dinossauros autárquicos" e que tendo visto as suas recandidaturas impedidas em 2013 pela lei de limitação de mandatos acham ser agora o tempo do seu regresso.
E dava vários exemplos de ex autarcas que estão empenhadissimos em voltares ás lides municipais.
Oeiras, Pombal, Amadora, Elvas, Anadia são ,entre outros, municipios em que esse fenómeno tem expressão embora se pudesse facilmente juntar-lhes mais uns quantos nomeadamente no distrito de Braga onde há vários casos mais ou menos evidentes de quem suspire pelo regresso.
O curioso, na maioria desses casos, é que a ânsia do regresso se faz em colisão com os actuais presidentes que são do mesmo partido ou movimento e não como eventuais tentativas de recuperar o municipio entretanto perdido para outra força politica.
É evidente que qualquer cidadão no pleno gozo dos seus direitos politicos e civicos pode ambicionar ser presidente de uma câmara.
É normal que quem já exerceu o cargo e gostou sinta vontade de regressar a um lugar onde já foi feliz e do qual saiu por imperativo de uma lei e não por vontade do povo.
Já é menos normal, mas são perspectivas, que as pessoas não tenham outro horizonte politico (ou deveria dizer profissional?) que não seja o de serem presidentes de câmara.
Mas já raia o inaceitável que essas tentativas de regresso se façam contra quem lhe sucedeu do próprio partido ou movimento, colocando em causa a continuidade da gestão e desqualificando quem os escolheu para continuarem um projecto.
Que na maioria dos casos foram precisamente aqueles que agora os querem derrubar!
A politica é competitiva, dura e implacável, mas não pode ser o terreno em que "vale tudo" e em que os interesses pessoais se sobreponham aos colectivos apenas e só porque alguns "dinossauros" não querem ou não sabem fazer mais nada que não seja serem autarcas.
E entendo que os partidos devem ser os primeiros a fazerem pedagogia nesta matéria deixando claro que da sua parte não haverá apoio a esses regressos.
Depois Falamos.

Castelo de Alcanede


Ovelha


Saná,Iémen