
Li a peça que faltava para para poder formular um juízo definitivo sobre um assunto que se tornou o mais importante do país ( é pena mas as coisas são o que são...) nos últimos dias mas a que a paciências das pessoas exige que se lhe ponha fim.
Li o comunicado de Ronaldo com a sua versão dos factos e sobre isso direi o seguinte.
É o comunicado de uma pessoa que humildemente reconhece que errou e em consequência disso apresenta as necessárias desculpas aos portugueses, aos adeptos que estiveram em Oslo e que ele não saudou no fim do jogo e aos seus colegas de equipa.
Reconhece o erro, reconhece que o ser "capitão" o agrava e entende perfeitamente que se vier a ser castigado isso, ser "capitão", funcione como agravante.
E abre a porta a um regresso à seleção se o seu rendimento no clube o justificar.
Mais ainda reconhece que apoiou a escolha do seleccionador e que o trabalho está a ser bem feito e que os resultados estão a aparecer.
Para os que gostam da cartilha do "arrogante" não está mal!
Depois vem o resto.
Que são as verdades que tanto desagradam aos anti Ronaldo, aos haters e a outros que por aí andam.
Deixando de lado, porque já esmiuçados, detalhes como o facto de Ronaldo ter permanecido na seleção depois do mundial porque Pedro Proença e Jorge Jesus lhe pediram ou de o presidente da FPF lhe ter pedido opinião sobre a escolha do selecionador tendo JJ merecido a opinão favorável de Ronaldo vamos aos factos.
JJ combinou com Ronaldo a sua utilização no primeiro e quarto jogos desta sequência descansando nos outros dois numa gestão física compreensível para um jogador de 41 anos.
E até lhe terá proposto nem sequer viajar com a equipa à Noruega e Dinamarca o que Ronaldo recusou porque mesmo sabendo que não ia jogar considerava que enquanto "capitão" devia estar com os colegas recusando esse privilégio inusitado.
O que prova que Ronaldo não tem qualquer problema em ficar no banco.
Jogou o tempo que o treinador entendeu face a Gales e já na Noruega , de forma algo surpreendente, JJ perguntou-lhe se estava em condiçoes de jogar trinta minuto ao que Ronaldo naturalmente disse que sim.
Não deixa aqui de ser curioso que o mesmo JJ que depois não o utilizou com o argumento, correcto do meu ponto de vista, que o jogo não pedia a sua entrada é o mesmo JJ que nesse dia à hora de almoço antecipava a necessidade de ele entrar trinta minutos sem nessa altura fazer a mínima ideia de como o jogo decorreria.
É talvez o ponto mais curioso de todo este imbróglio e se calhar apenas o futuro o esclarecerá. Ou não...
Verdade irrefutável é que JJ não cumpriu o combinado e criou ele póprio o problema ao dizer a Ronaldo, sem qualquer necessidade, que jogaria 30 minutos quando o que estava combinado era não jogar.
Sabe-se o que aconteceu a seguir.
Ronaldo aqueceu meia hora (aqui JJ errou claramente) , não entrou e fruto da indignação cometeu o erro de regressar ao balneário sem saudar os adeptos e o "caso" estava em andamento.
Depois fruto de uma reunião entre Ronaldo, Jorge Jesus, Simão Coutinho e Tiago Craveiro, da qual resultou uma conversa olhos nos olhos, parecia que o assunto estava resolvido e que Ronaldo conforme previsto não jogaria na Dinamarca e jogaria no Dragão ficando o assunto terminado.
No final da reunião JJ pediu um abraço a Ronaldo e garantiu-lhe que o que acabara de lhe dizer nessa reunião, de que há testemunhas, diria também na conferência de imprensa que antecede o jogo repondo a verdade dos factos.
Depois já sem a presença de Ronaldo a reunião continuou entre Jorge Jesus, Simão Coutinho e Tiago Craveiro (este por video conferência) da qual resultou um pequeno documento, que seria o guião do que JJ diria na conferência de imprensa, com o qual Ronaldo concordou.
Só que na conferência de imprensa Jorge Jesus não fez nada do que combinara, não fez os esclarecimentos que prometera, não seguiu minimamente o tal guião e foi de uma agressividade e uma prepotência contra Ronaldo totalmente contrárias à sua postura na reunião do dia anterior.
Ou seja voltou a falhar, voltou a não cumprir o que prometera, voltou a mentir.
E aí Ronaldo, perdendo a confiança no selecionador (quem não perderia ?) deixou o estágio e foi embora para Madrid.
Que concluir de tudo isto?
Que Ronaldo errou, reconheceu o erro, pediu desculpa a quem tinha de pedir e está como sempre disponível para representar Portugal.
Que Jorge Jesus errou, e mais que Ronaldo, mas não reconheceu os erros , não pediu desculpa deles e refugiou-se numa arrogância e numa prepotência que tem como único suporte a bola ter entrado nestes quatro jogos.
Conhecem-se as versões de ambas as partes (curiosamente, ou talvez não, de Pedro Proença é que não se conhece versão nenhuma) e cada um acredita em quem quiser acreditar.
Pessoalmente acredito naquilo que Ronaldo expressa no seu comunicado que me parece conter a verdade dos factos e o papel de cada protagonista neles.
Por mim é tempo de o assunto se encerrar.
Na certeza de que Cristiano Ronaldo será sempre a figura maior da História do futebol português, que daqui a cem anos ainda será lembrada, enquanto Jorge Jesus nessa história terá lugar numa pequena nota de rodapé e se daqui a dez anos ainda se lembrarem da passagem dele pela seleção será por ter conflituado com Cristiano Ronaldo!
As coisas são o que são e cada um deles tem a importância que tem!
Depois Falamos.
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