
sexta-feira, julho 06, 2018
O Negócio Marega

Não conhecendo,ainda, todos os detalhes em volta do negócio que Vitória e Porto celebraram em volta dos 30% sobre as mais valias de uma transferência de Marega posso ainda assim considerar o seguinte:
O Vitória tinha 30% sobre as mais valias de uma possível transferência do jogador Marega (até ontem pensei sempre que tinha essa percentagem sobre o passe e não sobre as mais valias) percentagem essa calculada com base na clausula de rescisão do jogador.
Feitas as devidas contas apura-se um valor na ordem dos 5,5 ME mais euro menos euro.
Naturalmente o valor seria outro se a percentagem fosse sobre o valor do passe mas não sendo é sobre este valor que assenta o raciocínio.
Por razões que apenas o Porto conhecerá, provavelmente estar prestes a vender o jogador , o clube azul e branco mostrou interesse em ficar detentor de 100% do passe(e respectivas mais valias) e para isso chegou a acordo com o Vitória para lhe comprar os tais 30% a que tínhamos direito no caso de uma transferência.
Comprar através de pagamento em "espécie" (leia-se jogadores) e não em dinheiro o que é perfeitamente normal em negócios entre clubes.
Com base nessa "linha de crédito" de 5,5 ME o Vitória contratou André André e Rafa Soares, recebeu Osório por empréstimo (e talvez venha a ficar com ele em termos definitivos se entender que vale a pena) e tudo indica que venha a receber mais um jogador em termos definitivos.
Foi bom ou mau negócio?
Tudo indica que foi um bom negócio.
Porque o Vitória para ter uma equipa com aspirações compatíveis com as ambições dos adeptos e com o seu próprio historial tem de investir em jogadores de qualidade que elevem substancialmente o seu nível face à ultima época.
André André e Rafa Soares são apostas seguras.
O primeiro jogou três anos no Vitória e a todos deixou saudades quando foi para o Porto pelo que o seu regresso, na maturidade dos 28 anos e com mais alguns pela frente para jogar ao mais alto nível, é uma garantia de qualidade.
Rafa Soares é um jovem, já com experiência de primeira liga, e aos 23 anos é um dos mais prometedores laterais esquerdos do nosso futebol e com uma margem de progressão que a manter-se lhe permitirá um dia chegar à selecção.
São boas apostas no plano desportivo e no plano financeiro porque qualquer um deles pode valorizar-se e garantir uma transferência futura por valores interessantes.
A vinda de um terceiro jogador, quiçá Hernâni (para lá do empréstimo de Osório),poderá ainda melhorar este panorama até porque bem feitas as contas a "linha de crédito" ainda não está totalmente usada.
E depois há outro factor a ter em linha de conta.
Marega.
Que tem tanto de bom jogador como de feitio instável ,capaz do melhor e do pior,como bem sabemos pelo tempo que cá passou.
Capaz de este ano ter feito um grande campeonato e no próximo "desaparecer" do radar e desvalorizar-se substancialmente.
E por isso a SAD do Vitória entre receber já, em jogadores, o valor da tal percentagem ou ficar à espera de uma transferência tão boa (na casa dos 35,40 ME) que aumentasse os 5,5 ME garantidos, mas que poderá nunca acontecer, preferiu jogar pelo seguro.
Não trocar o certo pelo incerto.
E por isso acho que fez bem e agindo assim acautelou os interesses do Vitória.
Depois Falamos.
P.S. Reitero que esta reflexão é feita com base na informação disponível sobre o assunto até ao momento.
quinta-feira, julho 05, 2018
terça-feira, julho 03, 2018
Quartos de final

A 28 de Junho quando foram conhecidas as selecções que iriam disputar os oitavos de final do Mundial deixei aqui as minhas previsões sobre quais delas seguiriam em frente e marcariam presença nos quartos de final.
Concluídos hoje os oitavos de final constato, mera curiosidade, que acertei em seis selecções apenas tendo errado nas previsões com...Portugal e Espanha.
Por pouco , mas errei nessas duas e infelizmente no que diz respeito a Portugal.
É agora tempo de olhar para os quartos de final e tentar perceber quais são as quatro selecções que vão seguir em frente para as meias finais.
No Uruguai-França aposto claramente na selecção francesa que é, juntamente com a brasileira, uma das duas maiores candidatas a vencerem a prova.
Os uruguaios não terão seguramente a mesma sorte que tiveram frente a Portugal, de encontrarem um adversário que num jogo de "mata mata" se entreteve com equívocos e erros primários, e por isso acredito que ficarão pelo caminho.
No Brasil-Bélgica (grande jogo se adivinha) aposto na selecção brasileira que está muito forte, muito competitiva e tem jogadores que desequilibram como são os casos de Neymar e William.
Mas na certeza de que os belgas, terceiros no ranking FIFA, também tem uma bela equipa à qual não podem ser dadas facilidades de qualquer espécie porque jogadores como Hazard, De Bruyne ou Lukaku são também de categoria muito acima da média e podem resolver um jogo num momento de inspiração.
Rússia-Croácia é um jogo equilibrado mas em que a maior valia individual dos croatas pode fazer a diferença perante uns russos que ainda devem perguntar a si próprios como conseguiram chegar a esta fase da competição jogando tão pouco.
Finalmente o Suécia-Inglaterra promete ser um jogo de grande equilíbrio mas acredito que a maior valia dos avançados ingleses (Kane, Vardy, Sterling, Rashford) acabará por fazer a diferença e levar a sua selecção às meias finais.
Em suma aposto numas meias finais Brasil-França e Croácia-Inglaterra.
Lá para sábado saberemos do acerto destas previsões.
Depois Falamos.
Mau Nome

É quase um lugar comum dizer-se hoje, em Portugal, que a política tem mau nome e é uma actividade praticada por gente pouco recomendável e que não merece a confiança do comum dos cidadãos.
Sendo certo que alguns, uma reduzida minoria, dos políticos justificam
essa desconfiança e esse mau nome pela forma errada como desempenham os seus
cargos em contraponto existem milhares de pessoas envolvidas na actividade
política que são credoras de respeito e ás vezes agradecimento pela forma como
se empenham na defesa do bem comum.
É o tal perigo da generalização maldizente, tão comum na sociedade
portuguesa e tão do agrado do ADN português, de tomar a parte pelo todo e meter
todos no mesmo pacote ao invés de o fazerem apenas com aqueles que realmente
merecem.
Seja como for a verdade é que num país em que pelas mais diversas
razões há tanta gente a fugir ao excesso de impostos (e o excesso de carga
fiscal será provavelmente a primeira das razões) , a procurar pagar facturas
sem IVA, a enganarem o Estado em tudo que podem o mau nome fica apenas para os
políticos quais bodes expiatórios da sociedade da qual emanam.
Sim, porque ao contrário do que muitos parecem pensar, os políticos
vem da sociedade que tanto os critica e tem as suas qualidades e defeitos em
perfeita equivalência.
Seja como for não vale a pena negar evidências e elas apontam para o
tal mau nome da classe política e da política em si mesma.
E assim sendo cabe aos políticos, mais do que a ninguém, tomarem as
medidas correctas para inverter esse estado de alma da opinião pública e
procurarem devolver aquela a que um dia chamaram a mais nobre das artes o
prestigio e a credibilidade necessários a um exercício que não esteja perante
permanente suspeição.
Do meu ponto de vista, que ando nisto ora a tempo inteiro (doze anos)
ora em part time (trinta e um anos) , isso só será possível se os partidos
tiverem a coragem de tomarem medidas que efectivamente aproximem os cidadãos da
política, os políticos das comunidades e outras que permitam um escrutínio
democrático cada vez mais rigoroso da actividade política e de quem a exerce.
Porque se essa coragem não existir, e o tempo para o fazer corre muito
mais depressa do que parece, Portugal caminhará inevitavelmente para fenómenos
de extremismo que se veem já despontar por essa Europa fora e que só não
chegaram cá, ainda, porque aqui as coisas chegam historicamente com alguma
lentidão.
Mas acabam por chegar.
E o combate a esses fenómenos indesejáveis não se faz , bem pelo
contrário, com o exacerbado populismo que assalta a sociedade portuguesa e que
tem no Presidente da República e no primeiro-ministro dois expoentes do que não
devia ser feito mas é feito sempre que é possível.
Seja em “flash interviews” dos jogos da selecção (especialmente quando
esta ganha...) seja naquele inenarrável espectáculo proporcionado no "Rock in
Rio" quando as três primeiras figuras do Estado (porque o presidente do Parlamento
também não perde oportunidade de dar o seu arzinho de populista ) mais esse
personagem menor que preside à Câmara de Lisboa não acharam melhor actividade
para exercerem do que fazerem parte do coro dos Xutos e Pontapés e andarem aos
saltos no palco como “teen agers” que não são.
E um dos pilares do prestigio da política é, convém não esquecê-lo, a
respeitabilidade que os titulares transmitem aos cargos que ocupam.
Mas também não se faz pela criação de novos partidos ou agrupamentos
políticos pela simples razão de que em Portugal, hoje, o problema é as pessoas
estarem fartas de partidos (vejam-se as taxas de abstenção)e não apenas dos
partidos que existem .
Que fazer?
Creio que ,e já o defendi aqui mais do que uma vez, uma das soluções
passará pela reforma das leis eleitorais que permita que eleitos e eleitores
estejam mais próximos e os segundos possam acompanhar de forma efectiva a actividade
dos primeiros.
Defendo:
Presidente da República eleito para um mandato único de seis anos que
lhe permita uma estabilidade de actuação do primeiro ao último dia.
Círculos uninominais para a eleição dos duzentos e trinta deputados
para que cada eleitor saiba quem é o deputado do seu círculo e possa acompanhar
a sua actividade ao pormenor.
Presidente de câmara eleito uninominalmente com absoluta liberdade de
escolha e remodelação do seu executivo.
Utilização do instrumento “referendo” , que está na Constituição mas
de quem os partidos tem fugido como o diabo da cruz, com mais frequência dando
a palavra ao povo em matérias em que o povo deve ser ouvido directamente.
Alargamento da limitação de mandatos a outros titulares de cargos
políticos, nomeadamente deputados(enquanto não forem eleitos uninominalmente) e
vereadores camarários, para lá do presidente da república e presidentes de
câmara e juntas de freguesia.
São apenas algumas medidas, outras serão necessárias, mas que se
houver a coragem de as tomar certamente que a imagem da política e dos
políticos beneficiará de uma considerável melhoria na opinião pública.
Haja coragem.
segunda-feira, julho 02, 2018
E Agora Ronaldo?

Terminado o Mundial, onde ele e o sonho colectivo dos portugueses não tiveram equipa que os acompanhasse à altura, põe-se agora a questão de saber onde vai Cristiano Ronaldo continuar a sua fabulosa e inigualável carreira.
É certo que tem contrato até 2021 com o Real Madrid mas é patente a insatisfação do jogador perante uma entidade patronal a quem deu mais que qualquer outro jogador na História do grande clube madrileno sem que o reconhecimento tivesse sido proporcional.
E por isso as palavras na final da Liga dos Campeões que quase anunciaram uma despedida a que o RM não parece opor-se desde que apareça um clube a pagar a clausula de 120 milhões ( a própria descida da clausula indicia vontade de o ver sair) desde que esse clube não seja o Barcelona ou o PSG para os quais se mantém a inalcançável clausula de 1000 milhões de euros.
Até pode não passar tudo de uma tempestade num copo de água e Ronaldo acabar por ficar em Madrid e possivelmente lá concluir a sua carreira.
Mas atendendo ao modo de ser de Florentino Pérez, cujo jeito para os negócios de milhões e contratação de nomes sonantes apenas tem equivalência na sua ignorância sobre futebol, é bem provável que Ronaldo acabe por partir para dar lugar à contratação de um qualquer Neymar cujo valor futebolístico embora grande está muito longe do do fabuloso jogador português.
E se sair irá para onde?
Eu gostava que fosse para o Barcelona, onde com Messi, Suárez e Coutinho formaria o melhor ataque da História do futebol mundial.
Mas isso não será possível por várias razões a começar pela tal clausula.
China e um contrato de muitos e muitos milhões?
Não acredito.
Porque dinheiro não é propriamente o problema de Ronaldo e ir para lá significaria desaparecer dos grandes palcos e da luta pelos grandes títulos.
Estados Unidos?
Mais provável, a pensar no pós futebol, mas igualmente com os problemas da China em termos de grande competição.
E na Europa?
Na Europa parece haver dois grandes candidatos, excluído o PSG pela razão da clausula (salvo se os árabes perderem completamente a cabeça), a contratarem Ronaldo: Manchester United e Juventus.
Um regresso a Inglaterra ou experimentar o Calcio.
E aí, deixando de lado os factores afectivos que o levariam para Old Trafford sem hesitação, creio que Ronaldo escolherá o clube que lhe dê mais possibilidades de voltar a lutar pela Liga dos Campeões e pelo recorde (mais um) de ser o primeiro jogador a ganhá-la por três clubes de três países diferentes.
Um assunto a seguir com muito interesse neste defeso.
Depois Falamos
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