quinta-feira, dezembro 04, 2014

Francisco Sá Carneiro

Trinta e quatro anos depois a República Portuguesa ainda não sabe quem matou o primeiro ministro de Portugal em 4.12.1980.
Não sabe ou não quer saber.
Mas o que se sabe, e não há quem dê volta a isso, é que Francisco Sá Carneiro foi um Homem, um Líder e um Estadista que conquistou o seu lugar na História pelo exemplo, pela obra, pelo pensamento politico que nos deixou.
E pela certeza de com ele vivo Portugal estaria hoje bem melhor.
Desapareceu o Homem mas ficou a Memória.
E essa será eterna.
Depois Falamos

5 comentários:

Anónimo disse...

Eu não sei se o Sr. Luís Cirilo sabe, mas a confissão pública da «Operação Camarate» que originou o assassinato de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa está publicada online desde 2012 pelo ex-agente da CIA em Portugal, Fernando Farinha Simões.
Como é uma confissão arrependida, extensa, bastante elucidativa, e com a sua licença, publico aqui alguns trechos que permitem compreender a tese do atentado em vez do acidente. Até o Mário Soares, que anda com aquele ar de que nunca foi nada com ele, teve a passadeira estendida com os dois adversários fora do caminho. Não esquecendo Pinto Balsemão, que ao que parece, soube algum tempo antes.
AQUI VAI:

«Eu, Fernando Farinha Simões, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobre Camarate. (...)
Não quero contudo deixar de referir que hoje estou profundamente arrependido de ter participado nesta operação, não apenas pelas pessoas que aí morreram, e cuja qualidade humana só mais tarde tive ocasião de conhecer, como do prejuízo que constituiu, para o futuro do país, o desaparecimento dessas pessoas.(...)
Através de Paulo Cardoso sou apresentado, em 1975, no Hotel Sheraton, em Lisboa, a um agente da CIA, antena, (recolha de informações), chamado Philip Snell.(...)
Comecei então a trabalhar para a CIA, tendo também para esse efeito pesado o facto de ter anteriormente colaborado com a NISS - National Intelligence Security Service ( Agência Sul Africana de Informações). (...)
O meu trabalho incluia recolha de informações /contra informações, informações sobre tráfico de armas, de operações de combate ao tráfico de droga, informações sobre terrorismo, recrutamento de informadores, etc. Estas actividades incluem contactos com serviços secretos de outros países, como a Stassi, a Mossad, e a "Boss" (Sul Africana), depois NISS - National Information Secret Service, depois DONS e actualmete SASS. Era pago em Portugal, recebendo cerca de USD 5.000 por mês. Nestas actividades facilita o facto de eu falar sei línguas. (...)
Em meados de 1980, Frank Carlucci refere-me, por alto, e pela primeira vez, que eu iria ser encarregue de fazer um "trabalho" de importância máxima e prioritária em Portugal, com a ajuda dele, da CIA, e da Embaixada dos EUA em Portugal, sendo-me dado, para esse efeito, todo o apoio necessário.(...)
Frank Sturgies refere-me então, que está em marcha um plano para afastar, definitivamente, (entenda-se eliminar) uma pessoa importante, ligada ao Governo Português de então, sem dizer contudo ainda nomes. (...)
Janto depois com ele, onde Frank Cartucci refere novamente que existem problemas em Portugal para a venda e transporte de armas, e que Francisco Sá Carneiro não era uma pessoa querida dos EUA.(...)

----» continua ------»

Anónimo disse...

------continuação------»

Há também Portugueses que estavam a beneficiar com o tráfico de armas, como o Major Canto e Castro, o Gen. Pezarat Correia, Franco Charais e o empresário Zoio.
Sabe-se também já nessa altura que Adelino Amaro da Costa estava a tentar acabar com o tráfico de armas, a investigar o fundo de desenvolvimento do Ultramar, e a tentar acabar acabar com lobbies instalados. Afastar essas duas pessoas pela via política era impossível, pois a AD tinha ganho as eleições. Restava portanto a via de um atentado. (...)
Perguntam-me se já recrutei a pessoa certa para realizar este atentado, e se eu conheço algum perito na fabricação de bombas e em armas de fogo. Respondo que em Espanha arranjaria alguém da ETA para vir cá fazer o atentado, se tal fosse necessário. Quem paga a operação e a preparação do atentado é a CIA e o Major Canto e Castro. (...)
Frank Sturgies pede-me que obtenha um cartão de acesso ao aeroporto para um tal Lee Rodrigues, que é referido como sendo a pessoa que levará e colocará a bomba no avião. (...)
Volto a Portugal, cerca de 5 ou 6 dias antes do atentado. É marcado por Oliver North um jantar no hotel Sheraton. Nesse jantar aparece e participa um indivíduo que não conhecia e que me é apresentado por Oliver North , chamado Penaguião. Penaguião afirma ser segurança pessoal de Sá Carneiro. Oliver North refere que Penaguião faz parte da segurança pessoal de Sá Carneiro e que é o homem que conseguirá meter Sá Carneiro no Avião. Penaguião afirma, de forma fria e directa que Sá Carneiro também iria no avião, "pois dessa forma matavam dois coelhos de uma cajadada!"
Afirma que a sua eliminação era necessária, uma vez que Sá Carneiro era anti-americano, e apoiava incondicionalmente Adelino Amaro da Costa na denúncia do tráfico de armas, e na descoberta do chamado saco azul do Fundo de Defesa do Ultramar, pelo que tudo estava, desde o início, preparado para incluir as duas pessoas. Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. Fico muito receoso, pois só nesse momento fiquei a conhecer a inclusão de Sá Carneiro no atentado. (...)
Frank Carlucci responde que não me preocupasse, pois este plano já estava determinado há muito tempo. Disse-me que o homem dos EUA era Mário Soares, e que Sá Carneiro, devido à sua maneira de ser, teimoso e anti-americano, não servia os interesses estratégicos dos EUA. (...)
A este respeito gostaria de acrescentar que numa reunião que tive, a sós, em 1986, com Lencastre Bernardo, num restaurante ao pé do ediflcio da PJ na Rua Gomes Freire, ele garantiu-me que Pinto Balsemão estava a par do que se ia passar em 4 de Dezembro. (...)»

Sr. Luís Cirilo, se quiser mais e tiver tempo para ler, dê uma checada aqui, neste blogue.
http://pauparatodaaobra.blogs.sapo.pt/5314343.html

Quim Rolhas

luis cirilo disse...

Caro Quim Rolhas:
Já conhecia este depoimento de Fernando Farinha Simões. Tenho lido tudo que se publicou(livros) sobre Camarate e nas redes sociais também acompanho o assunto.
Eu estive no funeral de Sá Carneiro juntamente com outras pessoas do PSD e da JSD de Guimarães, fomos num autocarro alugado e viajamos toda a noite (outros tempos)para lá estarmos a horas, e já nesse dia a convicção de que toda a gente com quem falamos era de que se tratara de um atentado. Muitos anos depois, enquanto deputado, integrei a IX comissão de inquérito a Camarate e tudo o que li e ouvi nela reforçou essa minha convicção.
E estou tão convicto que Camarate foi um atentado como estou de que os responsáveis nunca serão punidos. Já passou demasiado tempo.
E não tenho nenhuma duvida que havia gente muito próxima de FSC que esteve envolvida no crime.

Anónimo disse...

O processo prescreveu em 1996. Agora é tarde demais. É como ir à caça de gambozinos. Ainda assim espero que numa próxima vida, todos eles paguem bem caro o que fizeram nesta, de preferência que me apanhem no papel de carrasco.
Graças a este crime, foi possível ver singrar ao longos destes anos todos esses energúmenos socialistas, escórias do vómito comunista, espalhados por todo o lado que promoveram a corrupção como hábitos aparentemente corriqueiros e tentam agora dar-lhe impunidade com visitas a prisões.
Quando a verdade de crime como este, prescritos, aparece à luz do dia, Sr. Luís Cirilo, ninguém a reconhece, nem lhe dá crédito. É como o azeite: vem sempre ao de cima, mas não mata a sede.
A confissão ou o testemunho do agente FF Simões, o mesmo que andou a fazer a vida negra à jornalista Margarida Marante, arruinando o pouco de credibilidade que lhe restava, e quem sabe o responsável por lhe acelerar uma morte prematura por outro desgosto amoroso pós-Rangel, faz todo o sentido. Mesmo que fosse inventado ou mentiroso, não sairia tão perfeito.
Por altura do funeral do grande Sá Carneiro e do meu amigo Adelino Amaro da Costa, eu estava em Angola. Tive vontade de vir a Portugal e teria vindo se as facilidades de voo de antigamente fossem as mesmas de hoje.
Quando regressei, fuo ao cemitério de uma freguesia próximo de Odemira, cujo o nome já não me lembro, para lhe prestar uma sentida homenagem. Quanto a Sá Carneiro, lembro-me sempre dele quando apanho avião no Porto. Tal como John Kennedy, ambos foram mortos por uma ala obscura da CIA e, por estranha coincidência, ambos têm um aeroporto com os seus nomes.
Deus ou o Criador escreve mesmo direito por linhas tortas!... Vá-se lá saber porquê.

Quim Rolhas

luis cirilo disse...

Caro Quim Rolhas:
Tem, infelizmente, razão.
Mas se é tarde para punir os criminosos nunca é tarde para saber quem eles são e para se apurar toda a verdade.
E partilho consigo essa lembrança de Sá Carneiro cada vez que utilizo o aeroporto com o seu nome. Nessas alturas e ...quase todos os dias quando vejo a politica e a maior parte dos politicos que temos. O que pensariam, se por absurdo vissem o que se passa hoje em Portugal, Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa.
Sobre os seus partidos, sobre a politica em geral e sobre algumas personagens.
O que pensariam, por exemplo, de Freitas do Amaral?
Nem imagino...