

Não gosto, nunca gostei, de pirotecnia.
Lembro-me de bem miúdo ainda quando nas Festas Gualterianas era lançado o fogo de artifícío e os meus pais e avós iam presenciar o espectáculo para o jardim eu nem de casa saía porque o desinteresse era mais que absoluto.
Muitos anos mais tarde quando trabalhava em Gaia e por dever de ofício tinha de estar na noite de S.João num terraço no cais de Gaia onde o município recebia os seus convidados para jantarem e depois assistirem ao famoso fogo de artifício eu aproveitava esse momento para tranquilamente ir ao buffet e jantar sossegado sem sequer olhar o que se passava sobre o rio Douro.
Mas compreendo perfeitamente que haja quem goste e que a tradição das festas populares inclua sempre o fogo de artifício, as salvas de morteiros e tudo mais que a pirotecnia permite.
Gostos não se discutem.
Mas discute-se, e muito, que num país civilizado e em que é suposto existirem leis do ruído para protegerem os cidadãos, se assista à enorme pouca vergonha que é o lançamento de fogo de artifício a qualquer hora do dia e da noite, em qualquer festarola de freguesia ou de um lugar de uma freguesia, sem o mínimo respeito pelo direito ao descanso dos cidadãos.
E dou um exemplo da fregueisa em que resido para não ir mais longe.
A propósito de um arraial popular , até pitoresco há que dizer, no programa de festividades incluiram uma "Algazarra com salva de morteiros" às sete (!!!) da manhâ de um sábado!
Sete da manhâ!!!
Para quê?
Com que interesse?
Com que intuito que não fosse perturbar o descanso das pessoas ainda por cima num dia de fim de semana?
É apenas um exemplo de dezenas, centenas que podiam ser dados de um lugar desta freguesia, de outros lugares desta freguesia, de lugares de todas as freguesias de Esposende e em bom rigor de todo o país porque casos como este há por todo o lado.
Quer de manhã cedo quer a altas horas da noite no mais absoluto desprezo pelas horas de descanso a que as pessoas tem direito.
Não sei a quem compete autorizar isto, sequer se é necessária autorização, nem sequer se há um mínimo de fiscalização a estes abusos permanentes e com especial frequência nos meses de Verão tantas as festividades que se realizam.
Mas sei que há que disciplinar esta pouca vergonha.
Em nome de um civismo de que sociedades civilizadas não podem prescindir.
Depois Falamos.
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