
Nota prévia: Escrevo este texto no absolutamente desejável pressuposto de que as eleições de ontem terão decorrido na maior normalidade, transparência e legalidade sem qualquer tipo de irregularidades ou habilidades. Se assim não foi também não é a mim que compete pronunciar sobre o assunto e menos ainda tomar atitudes em função dele.
Na eleição mais renhida de sempre para um clube desportivo a lista encabeçada por Rui Rodrigues bateu a de Viriato Sampaio por escassos dois votos deixando as de Belmiro Pinto dos Santos e de Júlio Vieira de Castro a distâncias consideravelmente superiores.
Costuma dizer-se, e é verdade, que por um voto se ganha e por um voto se perde e por isso a legitimidade de Rui Rodrigues é absolutamente inquestionável e ele será o presidente do clube no próximo triénio.
Mas dessa inquestionável legimidade não se pode separar a absoluta fragilidade com que iníciará o seu mandato.
Porque 70% dos vitorianos não o queriam nem à sua lista.
É uma taxa de rejeição absolutamente brutal.
Bem sei que esses 70 % se repartiam por três listas, com diferentes candidatos e projectos, mas estavam absolutamente unidos em não quererem Rui Rodrigues e a lista D à frente do destinos do clube.
Nunca em 103 anos de História um presidente iniciou o seu mandato tão fragilizado e sabendo que uma enorme maioria de associados não o queria como presidente.
É duro, pode ser até injusto, mas as coisas são o que são.
E por isso o grande desafio de Rui Rodrigues, mais que o financeiro e o desportivo que por sí só já são tremendos, é ter a capacidade de unir o clube.
Sabendo-se que no Vitória o primeiro factor de união é sempre o sucesso desportivo e por isso o novo presidente estará mais do que qualquer outro no passado, dependente da bola que entra ou bate no poste e vai para fora.
E aí, de alguma forma, fecha-se o circulo.
Porque a direção de que Rui Rodrigues fez parte, e em lugar de destaque, desbaratou o plantel dispensando jogadores essenciais (a quem apelidaram de vaidosos) e vendendo tudo para quem apareceram interessados e com um passivo que se agravou bastante neste último ano face à crónica falta de soluções de fundo, que foi a imagem de marca destes quatro anos, dificilmente terá meios para ir ao mercado contratar jogadores à altura de corresponderem á expectativa dos 70 % que não o queriam como presidente já que para os restantes 30% está provado que qualquer coisa serve.
E por isso Rui Rodrigues sendo o rosto da continuidade, de uma continuidade que 70% dos vitorianos não desejavam, corre bem o risco de ser dela vítima também.
Mas, repito, as coisa são o que são.
E por isso desejo sinceramente que Rui Rodrigues e a sua equipa consigam ultrapassar estas fragilidades, consigam unir o clube e sejam capazes de encontrarem para o Vitória as soluções de que desesperadamente necessita sob pena de o futuro poder ser muito negro.
Depois Falamos.
Nota: Desde 2010 que no meu blogue e noutros espaços escrevi vários textos referindo a necessidade de uma revisão esatutária que modernizasse os estatutos e introduzisse várias alterações incluindo a segunda volta em eleições sempre que na primeira não houvesse uma maioria absoluta de uma lista.
Ontem essa necessidade ficou exuberantemente comprovada. E foi pena que a proposta de revisão elaborada pela comissão de revisão de estatutos em funções não tenha sido levada a AG pela direção cessante para discussão e aprovação pelos associados. Teriam prestado um bom serviço ao clube!
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