domingo, fevereiro 07, 2016

Quem vai ao mar...

Foto: Vitoria Sport Clube/João Santos

Ao contrário do que se podia pensar, e Sérgio Conceição bem avisou disso, o jogo de Tondela nada tinha de fácil para o Vitória.
Por várias razões:
Desde logo pela posição aflitiva do clube da casa que sendo "lanterna vermelha" da prova vai vendo a Liga decorrer sem conseguir abandonar essa posição e por isso cada jogo vai assumindo a dimensão de uma finalíssima.
Depois porque joga um futebol atlético, combativo, muito à imagem do que fazia o seu treinador enquanto jogador do Boavista e do Benfica.
A par disso a equipa do Tondela tem algum valor que lhe permitiu, inclusive, ir a Alvalade empatar com o líder do campeonato ainda poucas semanas atrás.
Finalmente porque num futebol mentiroso e carente de verdade desportiva como o nosso há três equipas (dispenso-me de as citar) que jogaram com o Tondela no excelente estádio -e relvado- de Aveiro enquanto todas as outras tem de ir a Tondela jogar em condições manifestamente mais fracas.
Especialmente num dia de invernia como o de ontem.
Não são desculpas para o Vitória não ter ganho mas são factores que pesam e influenciaram a realidade do jogo.
Sabedor de tudo isso o Vitória até entrou muito bem fazendo logo um golo e criando de seguida outra oportunidade para marcar.
Mas foi atitude que durou pouco.
E quanto mais chovia mais o Tondela crescia, assumia o controle do jogo e ia empurrando o Vitória para a defensiva fruto de um futebol directo, de um constante ganhar das segundas bolas e da procura do contacto fisíco em que por norma os da casa saiam vencedores.
Foi nessa altura que se notou a falta de peso, a dois níveis, da equipa vitoriana.
O peso da experiência que lhe permitisse opor-se mais eficazmente ao futebol adversário, evitando o passe curto e o querer jogar com a bola no pé num relvado impróprio, e o peso físico (leia-se quilos) que permitisse aos jogadores vitorianos enfrentarem com êxito os lances de choque constantemente procurado pelo adversário.
A verdade é que o Vitória era uma equipa "leve" (Otávio, Dalbert, Bruno Gaspar, Josué, Licá, Alexandre Silva) e para esse futebol atlético apenas Cafu, Dourado e Pedro Henrique davam a resposta adequada enquanto Bouba o podia igualmente fazer... mas não fazia.
E o golo da igualdade surgiu precisamente num lance em que essa falta de peso foi evidente.
Otávio perdeu a bola de forma ingénua (acontece-lhe com alguma frequência) num lance em que a equipa se balanceava para o ataque e deixou-a exposta a um rápido contra ataque em que o remate forte do jogador tondelense contou com a colaboração de João Miguel que se fez ao lance com algum excesso de confiança próprio da idade e da experiência que ainda não tem.
E até final da primeira parte o Tondela esteve sempre mais próximo do golo que um Vitória que não havia forma de acertar com a melhor forma de se adaptar a relvado e intempérie.
Na segunda parte o Vitória esteve melhor, equilibrou o jogo e nos ultimos minutos, pese embora uma boa oportunidade do adversário salva por Otávio num bom momento defensivo, foi a equipa que esteve mais próxima de poder marcar.
Mas não marcou e por isso empatou um jogo que podia (e devia) ter ganho mas também podia ter perdido.
Quanto às novidades na equipa, de que se falará noutra publicação, há que dizer sintecticamente que Bruno Mendes deixou boas indicações, Vitor Andrade tem qualidade mas vem para aprender porque ainda está "verde" e Rosell não teve tempo para se mostrar.
O apitador Soares Dias nem esteve mal para aquilo a que nos "habituou".
O maior erro terá sido um exagerado cartão amarelo a Josué que não fez nada para o merecer.
Depois Falamos.

2 comentários:

Cunha Artur disse...

Boa noite:
Penso que a saga dos empréstimos de janeiro já tiraram discernimento e espírito de grupo que, diga-se, estava a dar os seus frutos nas últimas jornadas. Já foi assim na época passada com o Rui Vitória, de uma assentada introduziu 3 jogadores emprestados e a equipa caiu redonda. Depois de tanto trabalho e esforço para colocar o Vitória nos lugares cimeiros, espero que a lucidez impere e que joguem os melhores e mais capazes para conseguirmos salvar uma época que estava condenada ao fracasso.

luis cirilo disse...

Caro Artur Cunha:
Por natureza e alguma experiência sou muito céptico quanto a este mercado de Janeiro.
Muito mais quando se processam dez entradas para um grupo que dá sustentação a duas equipas.
Entrar um ou dois, vá lá três, jogadores criteriosamente escolhidos, que conheçam clube e campeonato e estejam em actividade é uma coisa.
Virem jogadores de vários lados, uns lesionado e outros sem ritmo competitivo,uns nossos e outros emprestados cria o risco de os danos poderem ser mais que os proveitos.
Esperemos que não, mas...