quinta-feira, maio 31, 2018

Mesquita de Córdoba

Na reduzida, para o meu gosto, actividade turística que tenho desenvolvido ao longo da vida tive já oportunidade de visitar uma dúzia de países (mais coisa menos coisa) de todos eles tendo trazido a memória daquilo que de mais relevante vi e visitei.
Especialmente dos monumentos que são sempre a primeira prioridade de visita.
Nesse naipe de memórias, também por ter sido uma das primeiras viagens turísticas que fiz (há mais de quarenta anos), a mesquita de Córdoba terá sempre um lugar muito especial nas minhas recordações.
Porque raras vezes vi um sítio em que a genialidade e a estupidez humana tenham cruzado caminhos de forma tão evidente.
A genialidade daqueles que no século X construiram aquela magnifica obra de arte que é ,ainda hoje, a marca mais impressiva em solo europeu da cultura e arquitectura árabe.
A estupidez daqueles que depois de Córdoba ter sido conquistado por Fernando III, em 1236, mandaram demolir parte da mesquita para lá construirem uma catedral igual a tantas outras que há por terras de Espanha arruinando boa parte de uma espantosa obra de arte.
Que a avaliar pelo que sobrou, e de que a fotografia mostra uma parte, terá sido uma construção verdadeiramente extraordinária.
Lembrei-me da mesquita de Córdoba (que depois voltei a visitar na década de 90 para a mostrar aos meus filhos) a propósito destes tempos que vivemos e em que um pouco por todo o lado,em Portugal e noutros pontos do globo, se assiste a um recrudescer de fanatismos "religiosos" em torno de questões que apelam à sensatez, ao pensamento racional e à moderação como contraponto aos extremismos.
Depois Falamos.

2 comentários:

il disse...

Caro Cirilo:
A mesquita de Córdova resulta:
- da demolição e re-uso dos materiais romanos e visigóticos (por isso os fustes são diferentes);

- está em parte sobre/e aproveitando a antiga Sé visigótica de Córdova (de onde os Cristãos foram expulsos);

- o estilo de arcos sobrepostos e arcos de ferradura é romano (aqueduto de Mérida) e/ou Suevo e Visigótico (o arco de ferradura, embora exista um monumento romano reutilizado com um arco de ferradura -romano, ou posterior?);

-e finalmente os canteiros que a fizeram foram contratados na جليقية (Galiza, como NW da península)

Desculpe, mas não tenho nenhuma veneração por uma civilização que viveu de saque -material e cultural- e que quando estes acabaram ficou a pocilga onde chafurdam aqueles desgraçados, que mais não sabem que pilhar. Pena que nós para os expulsar tivéssemos de reconstruir tudo várias vezes. Seria interessante ver os palácios romanos e godos destruídos propositadamente -afinal nada há antes do islão!

Bem afinal os progressistas do séc. XIX não começaram a demolir o castelo-paço de Guimarães? Escravos não têm passado, pensam estes -como os outros

nb -não gosto mesmo de mouros! Podia não se ter percebido :))))

luis cirilo disse...

Cara il:
Curvo-me perante a sua sabedoria