É evidente que todos, a começar por André Ventura, temos a noção de que a moção de censura para pouco mais servirá do que para mais um animado e inconsequente debate parlamentar.
E temos essa noção porque uma questão de pura aritmética somada às conveniências políticas dos diversos partidos que contam para o "totobola" a levarão ao inveitável chumbo.
A AD vai obviamente votar contra.
O PS cheio de vontade de votar a favor vai abster-se, ou até votar contra, porque por um lado tem a noção de ainda não é o seu tempo de tentar ser alternativa e por outro os complexos de esquerda em que vive mergulhado desde a geringonça o impedem de se aliar ao Chega numa questão relevante.
E portanto os votos do Chega sozinhos ficam muito longe de serem suficientes para aprovar a moção de censura.
Naturalmente nem vale a pena perder tempo a falar dos restantes partidos porque para o tal "totobola", e em bom rigor para qualquer outro do xadrez parlamentar, são completamente irrelevantes.
E então a que se deve esta moção?
Por um lado para aproveitar o inevitável desgaste a que o governo tem sido sujeito pelos sucessivos casos protagonizados pelo ministro Luís Neves e que vem gerando na opinião pública uma inegável incredulidade perante o que se vai sabendo.
E aí o Chega revelou sentido de oportunidade ao polarizar numa moção de censura essa incredulidade, e consequente descontentamento, e tirará alguns dividendos políticos o que tem de se considerar como legítimo.
Por outro, e embora sabendo que não o conseguirá afastar, o Chega revela uma enorme vontade de fragilizar ainda mais o ministro o que é entendível face aos tais casos mal explicados mas também não se pode desligar de uma outra realidade que é a de Luís Neves apresentar inegáveis resultados enquanto director da PJ e estar como ministro a tomar uma série de medidas para combater a criminalidade, diminuir a insegurança,combater a imigração ilegal e valorizar as forças policiais que apenas a prazo serão completamente perceptíveis.
E a criminalidade, a insegurança, a imigração e o descontentamento nas forças policiais foram quatro "ninhos" onde durante anos o Chega pôs os seus "ovos" e contribuiram para o seu grande crescimento eleitoral.
E por isso temos de ter a noção que esta moção de censura visa penalizar um ministro por casos mal explicados ( a gestão da comunicação neste assunto foi deplorável) mas também tentar impedir que o ministro tenha sucesso nas políticas que está a implementar e que de alguma forma estancarão o crescimento do Chega.
As coisas são o que são!
Depois Falamos.
Nota: Ouvir o Chega a falar em padrão ético é uma piada que se faz sozinha. Em que ponto desse padrão ético se inserirá o andar a abrir portas dos outros partidos,insinuando que neles ninguém trabalha, numa sexta feira ao fin da tarde ainda por cima num dia em que não houve trabalhos parlamentares?

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