sexta-feira, abril 17, 2026

Estranheza

Não sei, sinceramente, se o país político que se move nos corredore do poder em Lisboa tem a verdadeira noção da estranheza que determinadas coisas causam no país real o tal que se quer ver bem governado, quer melhorar a sua qualidade de vida e não entende nem quer entender as querelas políticas e ainda por cima menores.
A questão da eleição pelo Parlamento de candidatos a orgãos externos é uma delas.
Foi a questão dos juizes do tribunal constitucional que se arrastou ao longo de meses, foi a lista de membros para o conselho de estado, é agora a questão do Provedor de Justiça.
Fruto de um acordo entre PSD e PS foi indicado o nome de Tiago Antunes para o cargo.
Nome que mereceu acordo á esquerda do PS e desacordo á direita do PSD pelo que só a votação massiva de deputados dos dois partidos permitiria os alcançar os 154 votos necessários à sua eleição.
E nsse sentido o lider parlamentar do PSD, provavelmente já prevendo que o nome escolhido não despertaria grande simpatia na sua bancada, fez até um apelo ao sentido de responsabilidade dos seus deputados no sentido de viabilizarem a eleição.
A verdade é que precisando de 154 votos o candidato teve apenas 104 ficando muitíssimo longe da eleição dado terem-se registado 86 votos brancos e 36 nulos muito provavelmente (o voto é secreto) de grande parte da bancada do PSD e das bancadas de Chega e Iniciativa Liberal.
Uma votação muito desconfortável para o PSD.
Por um lado porque o impediu de cumprir um acordo e por outro porque mostra uma bancada ( e esta não foi como uma anterior herdada da direção de Rui Rio mas já escolhida pela de Luís Montenegro)  dessintonizada com a sua direção parlamentar e com a própria direção do partido.
E isso causa alguma preocupação face aos desafios que o governo tem para enfrentar nos próximos tempos.
Depois Falamos.

Nota: Claro que as reações de virgem ofendida por parte do PS revelam uma boa dose de hipocrisia para não dizer de maquiavélico tacticismo. Porque ao indicarem um nome fortemente conotado com os governos de José Sócrates, e sabendo-se a péssima imagem que eles tem hoje na opinião pública e a indignação nela causada pelo ex primeiro ministro com os seus expedientes para fugir à Justiça, quase parece que os socialistas escolheram um nome para ser chumbado, poderem ensaiar mais uma vitimização e , quiçá, José Luis Carneiro poder escrever mais uma carta ao primeiro ministro!
E ha um velho ditado que diz que em politica o que parece...é! 

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