quinta-feira, março 19, 2026

Historinha

Esta historinha da escolha de três juizes para o Tribunal Constitucional já cheira mal e é uma vergonha para o Parlamento e para os maiores partidos democráticos continuarem a arrastar as escolhas como se o TC fosse algo de pouca importância.
E nessa matéria o maior responsável é o PS que ainda não percebeu, ou fez de conta que não percebeu, a realidade actual.
Como é sabido para a eleição são precisos dois terços dos votos dos deputados e durante muitos anos PSD e PS em conjunto asseguravam essa marca razão pela qual essa e outras escolhas foi sempre assunto do Bloco Central.
Mas os tempos mudaram.
E não só PSD e PS juntos já não asseguram os dois terços como existe o Chega que tendo mais deputados que o PS acha, e com toda a razão, que também tem de ser ouvido na hora das escolhas.
Sendo o PSD o maior partido é natural que queira escolher dois juizes sendo igualmente natural que o restante seja escolhido pelo segundo maior partido pelo que nada sobra para o PS.
Realidade que o PS não aceita e por isso não viabiliza os dois terços sendo certo que a extrema esquerda e a Iniciativa Liberal (por vezes a IL anda em más companhias) também não o farão pelo que se mergulhou neste impasse absolutamente desprestigiante para as instituições envolvidas e para a visão que os portugueses tem da política.
Do qual só se sairá se o PSD ceder um juiz ao PS, aceitando uma divisão paritária e esquecendo que é o maior partido, ou se o PS perceber a realidade e aceitar a viabilização sem poder escolher um juiz.
Veremos o que decidem sendo certo que percebo perfeitamente a posição do PSD.
Que seria a do PS se este fosse o partido mais votado.
Mas não deixa de ter piada ver o PS usar a tradição de sempre ter participado na escolha de juízes para o TC como argumento para desta vez alcançar aquilo que parece estar fora do seu alcance quando a prática política do PS mostra que só usa a tradição quando lhe dá jeito porque de resto faz dela tábua rasa.
Exemplos? 
Era tradição o partido mais votado governar tendo ou não maioria absoluta num sinal de respeito pelas escolhas do povo.
Em 2015 o PS atirou essa tradição para o caixote do lixo com uma geringonça em que negava a sua própria História.
Como era tradição o partido mais votado, mesmo não tendo maioria, designar o presidente da assembleia da república e o PS em 2015 mandou essa tradição ás malvas para eleger a sinistra figura de Ferro Rodrigues para o cargo.
Apenas dois entre vários exemplos possíveis.
Por isso ver o PS a falar de tradições é uma piada que se faz por si só.
Importa agora é resolver a questão de forma célere e lógica e talvez aí o presidente da república possa dar uma ajuda.
Bem precisa é.
Depois Falamos.

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