segunda-feira, janeiro 26, 2026

Muito Bem

Votei na AD, em geral, e em Luís Montenegro, particularmente, nas  eleições legislativas disputadas em 2024 e 2025.
Conheço-o há mais de vinte anos, fomos colegas no parlamento, partilhamos posições comuns em disputas internas do PSD.
Foi um excelente líder parlamentar, no dificílimo tempo da troica, onde foi um apoio decisivo ao governo liderado por Pedro Passos Coelho e às duras medidas que este se viu obrigado a tomar na sequência do memorando de entendimento assinado pelo governo de José Sócrates e do PS. 
Deu a cara quando outros se esconderam, assumiu o risco quando outros se pouparam, serviu o PSD e Portugal quando outros se preocuparam com as respectivas carreiras políticas.
Nunca confundiu amigos com inimigos, nunca se deixou enlear em cantos de sereia que faziam de  adversários apoiantes, nunca deixou que a espuma dos tempos superasse o essencial.
E o essencial hoje para o primeiro ministro e para o governo é governarem.
Sem se deixarem perturbar ou envolver por uma segunda volta das presidenciais onde a sua área política não está representada e sem caírem na armadilha de apoios que mais cerdo ou mais tarde se virariam contra eles.
Faz bem Luís Montenegro em não apoiar nenhum dos candidatos.
Como fariam bem algumas "personalidades" do PSD a quem nunca ouvi uma palavra em defesa do actual governo ( e menos ainda vi a assinar manifestos solidários com ele) em respeitarem a posição do líder do partido em vez de darem largas aos respectivos egos.
A cada um a sua consciência.
A minha diz-me que fiz muito bem em votar em Luís Montenegro e que devo voltar a fazê-lo nas próximas legislativas sejam elas quando forem.
E assim farei!
Depois Falamos.

domingo, janeiro 25, 2026

Marte

Hong Kong

Coala

Ociosos

Um destes dias um grupo de ociosos na falta de melhor para fazerem, ou por não terem mesmo nada para fazer, resolveu encetar uma digressão turístico/desportiva até ao centro de treinos do seu clube aproveitando para manifestar o seu descontentamento com o que consideram ser maus resultados.
Recebidos pelo director geral, pelo treinador, pelos "capitães" de equipa para além dos porteiros, é claro, lá apresentaram as suas queixas e terão ouvido as promessas que não podiam deixar de ser feitas.
Nada a opor.
Até porque situações semelhantes já ocorreram noutros clubes incluindo o meu.
E portanto o agora acontecido é  problema desse clube, de quem o dirige, dos seus adeptos e de mais ninguém.
Mais ninguém?
Pois, passou a ser problema de quase todos quando as televisões fizeram daquilo notícia e a repetiram exaustivamente em sucessivos telejornais como se fosse algo com um mínimo de relevância a mercer tratamento daquela amplitude.
Sabe-se a conhecida subserviência da comunicação social, televisões na primeira linha, a três clubes e muito em especial ao destes adeptos a quem a sabujice jornalística nunca perde oportunidade de bajular.
Mas é demais!
E vai sendo tempo, especialmente na RTP dita serviço público, de alguém põr mão naquilo.
Porque a informação desportiva em Portugal é de terceiro mundo e isso em 2026, passado o primeiro quarto do século XXI, já não pode ser tolerado.
Depois Falamos.

Presunção

Em suma há 250 pessoas, que provavelmente até são mais, que se acham mais inteligentes, mais relevantes, mais esclarecidas que o comum dos mortais e portanto dando às suas opiniões uma importância superlativa acham que alguém vai votar em Seguro porque suas excelências assim o recomendam como se a opinião de cada um deles fosse algum dogma da República. 
Já o povo na sua infinita sabedoria diz que "presunção e água benta cada um toma a que quer". 
A que acrescento que se o ridículo e a arrogância matassem não havia carta aberta nenhuma.
Depois Falamos.

sábado, janeiro 24, 2026

Reflectir

 Imagem: Mais Liberdade

Acho que o tempo é de reflexão.
Não só sobre a opção de voto na segunda volta de cada cidadão, que se espera seja individual e livre de pressões, mas essencialmente sobre o que os resultados da primeira volta revelaram e que presumivelmente os da segunda confirmarão.
Reflexão especialmente para a área política do governo e da AD que são os grandes perdedores destas eleições seja qual for o resultado final.
A imagem que ilustra este texto, retirada do mural "Mais Liberdade" é perfeitamente exemplificativa do que devem ser as preocupações dos responsáveis da AD porque se não for encontrado um antidoto eficaz para a actual situação as preocupações podem bem converter-se em pesadelos!
Nas legislativas de Maio de 2025a AD venceu em 199 concelhos, o Chega em 60 e o PS em 49.
Na primeira volta das presidenciais o candidato apoiado pela AD venceu em 3 concelhos (Fafe, Boticas e Sernancelhe), o candidato apoiado pelo Chega em 80 concelhos e o candidato apoiado (a custo) pelo PS em 225 concelhos.
O que numa extrapolação simples permite concluir que a AD perdeu 20 concelhos para o Chega e 176 para o PS.
É, como diria outro ex lider do PS, uma questão de fazer as contas.
Claro que eleições legislativas e eleições presidenciais são realidades diferentes, claro que as motivações dos eleitores são diversas, claro que o grau de satisfação com o governo não estava em avaliação nestas eleições.
Mas as coisas são o que são.
E o que neste caso são é que houve uma brutal transferência de votos da AD para outras áreas politicas representadas pelos seus candidatos presidenciais.
Especialmente para a Iniciativa Liberal que atrás de Cotrim de Figueiredo viu o seu score aumentar em 564.537 votos (não venceu nenhum concelho mas ficou em terceiro na sua imensa maioria e em segundo nalguns como Lisboa e Porto por exemplo) e para o PS que via António José Seguro conseguiu mais 313.570 votos e são a maior fatia do 1.334.023 votos perdidos pela AD das legislativas para o candidato Luís Marques Mendes.
Curiosamente o Chega através de André Ventura perdeu 110.939 votos.
O que significa isto para o futuro?
Para já que seja qual for o resultado da segunda volta o PS e o Chega já ganharam e a AD já perdeu.
A IL parece também ter ganho mas creio ser claro que a votação de Cotrim de Figueiredo é dele e não será transmissivel para o partido pelo que destas eleições a IL não  poderá retirar grandes razões para optimismo bem pelo contrário porque as posições de apoio a Seguro na segunda volta vão provocar danos internos que nesta altura não são quantificáveis.
Depois que há um conjunto significativo de eleitores que abandonou a AD rumo ao PS, que pelo PS continuará na segunda volta e que no PS poderá ficar se a AD não tiver uma resposta política eficaz a esta "tragédia" eleitoral que foi o resultado do seu candidato.
E esse número até poderá aumentar se tiverem sucesso os apelos ao voto em Seguro de personalidades (seja lá isso o que for) da área da AD e do governo que estão a funcionar como verdadeiros cabos eleitrais de Seguro e do PS (nesta fase já são indissociáveis) para a segunda volta.
A seguir, e se as sondagens se confirmarem (na primeira volta bateram certo excepto o frete de uma empresa a Marques Mendes) , António José Seguro vencerá claramente a segunda volta e André Ventura terá o melhor resultado de sempre da sua área politica com uma votação acima dos 30% tudo o indica .
E isso significará um PS a cavalgar o resultado de Seguro, mesmo tendo relativo mérito nele mas as coisas são que são, e o Chega a ver a sua posição reforçada com um resultado que percentualmente pode até ser superior ao da AD nas legislativas o que fará aumentar o volume do discurso de André Ventura sobre a liderança do espaço á direita do PS.
Tudo más notícias para a AD.
O que reforça as razões sensatas pelas quais Luís Montenegro explicou que o PSD não dará indicação de voto na segunda volta mas também torna cada vez mais inexplicáveis as razões insensatas pelas quais outros dirigentes e autarcas do partido em desrespeito pela posição vinculada pelo líder foram a correr marcar lugar nas fotografias ao lado ( mais propriamente atrás) de António José Seguro mostrando-se mais interessados em receberem os atestados de bom comportamento que a esquerda lhes passa do que em cerrarem fileiras num momento difícil do PSD e por tabela do governo
Será assim tão difícil perceber que ao PSD e à AD nem interessa um enorme vitória de Seguro nem um grande resultado de Ventura?
E por isso jamais poderia recomendar o voto num ou noutro?
Alguns parece que precisam que lhes façam um desenho para entenderem.
Outros nem com desenho lá iam porque o que realmente lhes importa é o protagonismo pessoal.
Seja como for depois de 8 de Fevereiro começa outro ciclo político.
E é para vencer  esse ciclo difícil, com PS e Chega cada vez mais acutilantes na oposição ao governo até chegarmos ao quase inevitável drama do OE para 2027, que a AD vai ter de encontrar estratégias e soluções para manter não só a liderança do processo político como o  próprio governo.
A ver vamos se para tanto há engenho e arte.
Espero sinceramente que sim!
Depois Falamos.

Estádios

Órix do Cabo

Paris

Demência

Esta fotografia que um amigo me enviou foi publicada pela Casa Branca na sua página oficial no X. Nela se vê Trump de mão dada com um pinguim a caminho da Gronelândia. 
Acontece que na Gronelândia não há pinguins! 
Aves que apenas existem no hemisfério sul e na sua esmagadora maioria na Antárctida. 
Por aqui se pode avaliar o grau de demência, e de profunda ignorância, que lavra por aquelas paragens. O mundo está perigoso. 
Cada vez mais perigoso.
Depois Falamos.

sexta-feira, janeiro 23, 2026

Não e Não

A minha decisão quanto á segunda volta das presidenciais está tomada.
Não voto António José Seguro e não voto André Ventura.
Não tenho paciência nem feitio para participar no processo de "beatificação" de Seguro, em curso desde domingo passado, nem no processo de "diabolização" de Ventura em curso desde 2017 e que foi acelerado também desde domingo passado.
Não e não.
António José Seguro é um socialista moderado, tão moderado que o silêncio foi muitas vezes a sua posição sobre problemas do país, europeista sem a deriva esquerdista de alguns dos seus camaradas de partido,  um político equilibrado e razoavelmente sensato.
Mas é socialista.
Esteve no governo de Guterres que levou ao pântano, apoiou e e louvou Sócrates que levou o país à bancarrota, ficou calado perante o atropelo à História do PS que foi a criação da geringonça, e calado ficou com o estado a que ela levou o país.
Com o caos instalado nos serviços publicos, na saúde, na imigração, da defesa , na credibilidade do próprio  Estado com os sucessivos escândalos protagonizados pelos governos de António Costa.
A tudo isso Seguro disse...nada!
Apoiado por alguns socialistas desde que apresentou a candidatura, por outros quando se começou a perceber que podia ganhar, por quase todos quando ficou claro que tem imensa possibilidades de ser presidente da república recolhe agora o apoio de políticos de outros sectores que vivem na permanente ânsia de que a esquerda lhes passe atestados de bom comportamento democrático e que nalguns casos não tem qualquer problema em desdizerem hoje o que disseram ontem.
A que se soma o apoio de partidos totalitários defensores de ditaduras e ditadores, solidários com movimentos terroristas a quem Seguro não teve a coragem (nem sei se a vontade sequer)  de rejeitar os apoios envenenados.
António José Seguro é socialista e vai ganhar as eleições tudo o indica.
Nunca votei em socialistas e não é agora que vou começar a fazê-lo.
E sou daqueles que sabe bem que não se pode ganhar sempre sem perda da coerência de posições nem acrobacias políticas interesseiras.
André Ventura é um político radical, já todos o sabemos, mas está muito longe de ser aquilo que a esquerda e os inocentes de centro e de direita  "pintam" dele.
Não é fascista, não quer acabar com a democracia, não quer impor uma ditadura.
É um democrata da direita radical, muitíssimo mais democrata que qualquer comunista ou bloquista, que, por exemplo, em termos de política externa defende a participação de Portugal na União Europeia e na NATO bem ao contrário de PCP , BE e Livre.
Simplesmente tem um programa político que não é o meu, defende ideias que em grande parte não são as minhas, tem um grupo parlamentar por ele escolhido cujo comportamento  (para não falar de outros aspectos não políticos de muitos deles) está longe de ser aquilo a que o Parlamento obriga.
Já lá estive, sei do que falo.
Em suma a agenda de André Ventura vai muito para lá de Belém e sendo legítima não é  aquela com que me identifico nem acredito que seja a melhor solução para o país.
A isso acresce o facto de sendo André Ventura um homem extremamente inteligente e um brilhante parlamentar não me parece reunir, pelo menos nesta fase da sua vida e da sua idade, a sensatez e a maturidade que a presidência da república exige a quem a ocupa.
Do que muitos dos cartazes colocados pelo Chega (por exemplo o que compara Luís Montenegro com José Sócrates) são prova evidente.
André Ventura é um homem da direita radical já o disse.
Nunca votei em radicais e não é agora que vou começar a fazê-lo.
E por tudo o atrás exposto não votarei em António José Seguro nem em André Ventura.
Até porque como já o disse por várias vezes, antes da primeira volta quando eram cinco os putativos candidatos a passarem à segunda volta, com nenhum deles a democracia, a liberdade, o estado democrático de direito estão minimamente em causa.
Votarei nulo, desejando que o que for escolhido pelos portugueses  venha a ser um bom presidente, porque em consciência não consigo encontrar a motivação necessária a votar em qualquer um deles.
Depois Falamos.

Nota 1: Se António José Seguro ou André Ventura disputassem a segunda volta com Catarina Martins ou António Filipe  votaria em qualquer um deles mesmo sabendo que um é socialista e o outro radical.
Porque, aí sim, o confronto seria entre democracia e totalitarismo. 

Nota 2: Não faço qualquer futurologia sobre qual dos dois será melhor ou pior para o governo da AD em que votei. Certeza é que nenhum será bom. E ainda me lembro quando o PSD de Cavaco Silva apoiou Mário Soares para o seu segundo mandato presidencial e da forma como tudo isso acabou.

Médias

A média de assistências e percentagem de ocupação dos estádios no final da primeira volta do campeonato não traz novidades.
O Benfica sendo o maior clube em número de adeptos e possuindo o estádio com maior lotação comanda destacado sendo seguido a razoável distância por Porto e Sporting com números praticamente idênticos e que traduzem também algum equilíbrio competitivo entre ambos.
Depois o Vitória, quarto clube nestas matérias há muitas décadas a esta parte, seguido pelo Sporting de Braga também a razoável distância e com estes dois clubes se esgota o número daqueles que tem assistências "decentes" para um campeonato de primeira liga.
Porque daí para baixo, com alguma tolerância pelo Gil Vicente, de Famalicão até AFS as médias de assistências são simplesmente deploráveis e demonstram bem que em Portugal há tão poucos verdadeiros adeptos dos clubes das suas terras e muitos adeptos das vitórias  ou seja dos três clubes que ganham mais vezes.
Este gráfico tem ainda a curiosidade de se constatar que a seguir aos tais três clubes que ganham mais vezes ( algumas delas sabe-se bem como...) aparecem os cinco clubes do Minho e só depois todos os outros.
Mas a interrogação que fica é mesmo como podem disputar um campeonato de primeira divisão clubes cuja  média de assistência é inferior a cinco mil espectadores com o tudo que isso significa em termos de escassez das mais diversas receitas das cotas aos lugares anuais passando por bilhetes para jogos e merchandising.
E não é a negociacão centralizada dos direitos televisivos que vai resolver esse problema.
Pelo menos no curto prazo.
Porque quem tem números destes não pode acalentar grandes expectativas.
Depois Falamos.