
Acho que é tempo de a seleção deixar de jogar no estádio de Alvalade.
Ontem foi Palhinha a ser vaiado quando rendeu Rúben Neves tal como acontecera em 2023 com João Mário.
Manifestamente os adeptos do Sporting, que naturalmente são a enorme maioria dos presentes nos jogos da seleção naquele estádio, não sabem separar as rivalidades clubísticas e as azias em relação a ex jogadores do clube dos interesses da seleção nacional que deve ser apoiada como um todo.
E assim sendo, e não faltando estádios neste país onde estes tristes momentos não se verificam, a seleção deve deixar de jogar em Alvalade durante uns anos a ver se os adeptos desse estádio aprendem de uma vez por todas que Portugal é Portugal e os clubes são os clubes.
Já basta destes comportamentos.
Depois Falamos.
Caro Luís Cirilo;
ResponderEliminarHá imenso tempo que não comentava aqui, muito pelo desinteresse pelo futebol que se foi instalando em mim à medida que se tornou cada vez mais ubíquo, desvalorizando-se emocionalmente quase ao nível da moeda venezuelana, tal é a abundância. Hoje vou ao estádio quase só para catalisar memórias pessoais de outros tempos. Mas este seu texto lembrou-me imediatamente um outro, que comentei na altura. http://depoisfalamos.blogspot.com/2013/02/ronaldo-e-custodio.html. Eu estava no jogo, como explicitei no comentário . E acho que, tantos anos depois, começo a perceber que o embaraço que senti não foi tanto por ouvir um jogador da selecção a ser assobiado, mas sim pelo facto de intuir que a comemoração efusiva de um golo é percepcionada como uma provocação imperdoável (para mim, nem provocação é, se eu me sentisse provocado por tão pouco, consideraria fechar-me para sempre num quarto isolado, para o mundo não me ofender). Se calhar, começou aí o caminho que me faz olhar para o futebol competitivo como uma péssima escola, onde os valores transmitidos são muito distantes dos meus.
De qualquer forma, queria apenas apontar a incoerência metacrónica mas, de qualquer modo, incoerência. É possível que os adeptos do Sporting também achem que mudar para o clube rival é uma provocação. Para mim, é tão caricato como sentir-se provocado por um jogador celebrar um golo, depois de não se sentir valorizado no clube anterior (o meu, por sinal). Infelizmente, a pessoa em causa não foi só assobiada no jogo, teve até a sua casa vandalizada. E não consigo encontrar uma única declaração contra o clube, que, mesmo a existir, jamais justificaria vandalismo. Felizmente (ou infelizmente), parece que o jogador em causa não se sente tão provocado com vandalismo como alguns adeptos com festejos de golo... e a rusga lá seguiu.
Bem vistas as coisas, agora que releio, não estou a comentar futebol.
Cumprimentos;
Luís Ferreira
PS: Acho que a última vez que escrevi aqui foi justamente sobre isto, aquando do episódio com o João Mário. Nota-se que é um tema que me afecta :)
Caro Luis Ferreira
ResponderEliminarFoi um prazer vê-lo reaparecer em comentários a este blogue. Curioso citar o meu texto de 2013 sobre Ronaldo e Custódio. Estive a reler e creio que voltaria a escrevê-lo embora com muito menos tolerância para as vaias de que foi alvo. No tempo em que ele jogou no Vitória e especialmente quando saiu para Braga sempre o defendi convicto de que com ele fora praticada uma injustiça enorme porque era realmente melhor jogador do que o tal brasileiro o que comprovou em Braga e na seleção. Só que aquele festejo "raivoso" quando nos marcou um golo afrontando adeptos que sempre o tinha acarinhado fê-lo perde rmuita da razão que teve em sair. Agora isso nunca podia ser "cobrado" num jogo da seleção e aí os adeptos tendo razão exprimiram-na na altura errada. Mas ainda havia uma razão. Com João Mário e especialmente Palhinha não havia razão nenhuma. Apenas uma clubite exacerbada. E , de facto já estamos a falar de outras coisa sque não futebol. Estamos a falar de uma sociedade doente e de gente que descarrega nos estádios as frustrações, os problemas, as insatisfações da vida. Ou, bem pior, gente entra pelo caminho da criminalidade vandalizando a casa de uma pessoa só porque essa pessoa foi para o clube rival. Criou-se em volta do futebol e dos seus agentes uma sensação de impunidade, uma convicção que vale tudo na suposta defesa das cores de cada um, que vai sair muito cara a todos se não lhe for posto termo custe o que custar. Infelizmente vejo poucas vontades a convergirem nisso.