
terça-feira, novembro 05, 2019
segunda-feira, novembro 04, 2019
Prestígio

O Vitória embora razoável frequentador das competições europeias não tem nelas participando tanto quanto a sua dimensão clubística o faria supor muito por força de uma irregularidade competitiva que vem de há muito e da qual o clube parece não conseguir livrar-se.
Mesmo com essa irregularidade, que em termos nacionais e internacionais permitiu que o vizinho Braga tivesse feito um percurso bem mais positivo na última dúzia de anos, já desfilaram pelo D.Afonso Henriques nas competições europeias alguns cubes de gabarito daqueles de cuja presença resulta natural prestígio para o Vitória.
Barcelona e Ajax à cabeça, pelos seus historiais riquíssimos, mas também Atlético de Madrid, Lázio, Parma, Aston Villa, Sparta de Praga, Hamburgo, Borússia Monchengladbach, Real Sociedad, Anderlecht, Zenit, Celtic, Sevilha, Marselha, Bétis, Fenerbahçe, Besiktas , entre outros de menor dimensão e palmarés que também defrontaram o Vitória em diferentes competições e com bem diferentes resultados.
Bastará lembrar o Altach!
Quarta feira, a uma hora inacreditavelmente imprópria ( indigna do jogo e da própria competição) , o estádio do Rei será visitado por um dos maiores e mais tradicionais clubes do futebol inglês e mundial que dá pelo nome de Arsenal e que é seguramente um dos mais importantes clubes que alguma vez jogou em Guimarães.
É um jogo para a História e um daqueles jogos que traz prestigio, experiência e visibilidade ao nosso Vitória .
Porque é a jogar com adversários destes que se cresce, se aprende, se ganha dimensão e outra ambição competitiva.
Em Londres, no imponente "Emirates" o Vitória realizou uma bela exibição e durante muito tempo deu a sensação de que poderia regressar a casa com um resultado positivo e o ponto ou pontos que lhe permitiriam outras perspectivas quanto à continuidade em prova.
Por erros próprios tal não foi possível como é sabido.
Espera-se agora neste jogo de quarta feira, que tem tudo para ser mais difícil do que o de Londres (o Arsenal já está avisado do valor vitoriano), outro excelente espectáculo com resultado final mais do agrado do Vitória se tal for possível.
Certo é que será um jogo para recordar.
Depois Falamos.
P.S. Quis a ironia em que o destino é fértil que no domingo o Vitória receba o velho rival de Braga, que de há muito é conhecido pela alcunha de "Arsenal do Minho", o que significa jogar com dois "Arsenais" em quatro dias.
O original e a cópia.
Boa oportunidade para com dois triunfos celebrar essa casualidade tão própria do futebol.
Anuário

Em Portugal gosta-se muito de clubes, com todos os exageros conhecidos em volta disso, mas gosta-se muito pouco de futebol e isso ressente-se também no pouco que se publica sobre a modalidade que não sejam os jornais desportivos diários que mais parecem boletins de três clubes do que orgãos de informação que tenham na isenção e no equilíbrio informativo causas principais de cada edição publicada.
E por isso quando a essa (triste) regra surgem excepções é quase dia de festa tal a raridade de se publicar sobre futebol em toda a sua dimensão.
Também porque "pavlovianamente" muito boa gente compra em função de a capa ser vermelha, azul ou verde sem sequer atentarem no conteúdo e no real interesse daquilo que estão a comprar.
Ou seja o que não for dessas três cores tão específicas corre o risco de vender pouco.
Por isso esta obra agora lançada pelo site "zerozero", e que será a primeira de muitas com periodicidade anual como o próprio titulo indica, merece um enorme aplauso e o reconhecimento de todos aqueles que gostando dos seus clubes também gostam de futebol porque é uma obra sobre futebol e não apenas sobre três clubes.
Porque neste anuário de 2018/2019 está todo o futebol que se jogou em Portugal e em representação de Portugal ao longo de toda a época desportiva com um apanhado exaustivo de todas (mas mesmo todas) as competições disputadas.
164 equipas, 20 selecções, 22 associações e 64 competições são nele analisadas.
Futebol, futsal, futebol de praia, clubes e selecções, masculino e feminino, camadas jovens, competições distritais, nacionais e internacionais e tudo isso complementado com dados estatísticos exaustivos matéria em que o "zerozero" é inultrapassável.
É pois uma obra de referência que ao longo das suas 830 páginas contribui poderosamente para que o futebol português tenha História.
E História bem documentada.
Comprei-o em pré venda na FNAC (passe a publicidade), mal foram permitidas reservas, com a vantagem de ser por um valor inferior aos 22 euros que custa em venda ao público e que são bem merecidos face à qualidade do livro.
Depois Falamos.
domingo, novembro 03, 2019
Eficácia e Eficiência

Em casa, e arredores, anda o Vitória a perder pontos que no balanço final do campeonato poderão vir a fazer falta para a classificação e respectivo apuramento para as provas europeias onde o clube tem de estar sempre.
Foram os empates caseiros com Boavista e Famalicão, foram os empates forasteiros com Rio Ave e Moreirense, em jogos em que o Vitória fez o suficiente para ganhar mas...não ganhou muito por força de inoperância ofensiva e de golos sofridos em lances de bola parada.
E assim foram ao "ar" oito pontos que a serem conquistados colocariam a equipa a um ponto do Porto e a três do Benfica.
Claro que os outros também perdem pontos mal perdidos mas , francamente, com o mal deles pode o Vitória bem!
Em Moreira de Cónegos a equipa voltou a jogar bom futebol (neste campeonato ainda não vi quem jogasse melhor) mas falhando golos "cantados" e sofrendo o empate mais uma vez num lance de bola parada o Vitória perdeu dois pontos e a possibilidade de ultrapassar o Sporting e aproximar-se do Famalicão.
Sendo certo que uma equipa que joga bom futebol está sempre mais perto de obter bons resultados do que aquelas que não o fazem importa que essa qualidade seja acompanhada por eficiência defensiva e eficácia atacante o que nem sempre tem acontecido.
E enquanto alguns se entretém a falar de guarda redes, nalguns casos com uma "sapiência" capaz de admirar os que realmente sabem do assunto, torna-se dia a dia mais evidente que o problema defensivo está essencialmente no centro da defesa e daí sofrerem-se tantos golos de bola parada na sequência de pontapés de canto e de livres.
Por isso defendo, há muito, que em Janeiro a prioridade deve ser o reforço do centro da defesa se entretanto o rendimento dos jogadores que aí actuam não subir de forma radical e não tornar dispensável a ida ao mercado.
No que toca à eficácia goleadora causam-me particular estranheza dois factos:
Bruno Duarte o mais eficaz dos pontas de lança, até ao momento, é quase sempre a primeira opção para sair sem que daí venha especial melhoria para o rendimento da equipa assistindo-se, isso sim, a alguma perda de agressividade ofensiva.
Por outro lado não se compreende o ostracismo a que Guedes está votado quando o rendimento de Bonatini e André Pereira tem sido mais do que discreto embora exista a expectativa de que ainda possam melhorar.
Acontece que Guedes pertence ao Vitória enquanto os outros dois são emprestados e daí o se perceber ainda menos que não se tente rentabilizar um activo do clube.
Vem aí uma semana importante com a recepção ao Arsenal, onde o que está em jogo é mais o prestigio do que outra coisa qualquer, e depois ao Braga (a quem chamam de há muito o "Arsenal" minhoto e não deixa de ser curioso jogar com original e cópia na mesma semana) desafio em que está muita coisa em causa em termos classificativos e não só.
Pelo que se deseja para esses dois jogos mais eficiência a defender e mais eficácia a atacar para de hoje a oito dias podermos falar de uma excelente semana.
Depois Falamos.
sexta-feira, novembro 01, 2019
Futebol Feliz

No complexo mundo do futebol são mais que muitos os interesses que
movem os seus intervenientes, que vão do sucesso desportivo aos proveitos
financeiros passando por outros ganhos mais ou menos quantificáveis.
Isto quando se fala de jogadores, de treinadores, de administrações de
sociedades anónimas desportivas ou de outros intervenientes que fazem do
futebol profissão.
Não é contudo o caso dos adeptos.
Porque esses apenas buscam no futebol algo de tão simples como poderem
ser felizes.
Felizes com os sucessos e triunfos das suas equipas, felizes com o
destaque individual dos seus atletas e treinadores favoritos, felizes quando no
“confronto” com os seus amigos, familiares, colegas e conhecidos podem dizer que o seu clube é
melhor que o deles.
É da natureza humana e ninguém pode levar a mal.
E há que reconhecer que o futebol, que agita e provoca paixões como
mais nenhum desporto e poucas mais situações da vida de cada um , proporciona a
c«quem dele gosta momentos de intensa felicidade.
Quando o nosso clube ganha títulos e taças, quando o nosso ídolo ganha
troféus individuais de relevo, quando os nossos adeptos enchem bancadas e fazem
do seu apoio à nossa equipa um espectáculo dentro do espectáculo que nos torna
motivo de admiração e reconhecimento um pouco por todo o lado.
É essa a grande magia do futebol.
O fazer as pessoas felizes ao sabor dos caprichos de uma bola, do
talento dos jogadores, da liderança dos treinadores.
Obviamente que quando um ganha outro tem de perder, que a felicidade
de uns é a tristeza de outros, mas o futebol tem tantas reviravoltas, tanta
magia, tão grande sortilégio que quando atinge a sua expressão mais pura as
vitorias e derrotas vão-se alternando e todos tem sempre o seu motivo de
felicidade embora uns mais vezes que outros.
Mas para lá da simpatia e do fervor clubístico, que todos temos, há um
espaço que tem de ficar reservado para a admiração do próprio futebol e para
nos maravilharmos com o quão sublime ele por vezes consegue ser.
Não falo das espantosas jogadas de Pelé ou Eusébio, da magia de
Maradona , Messi ou Ronaldinho, da eficácia extraordinária de Cristiano Ronaldo,
Romário ou Van Basten, da dimensão de Cruyff e Beckenbauer, do potencial sem
paralelo de Ronaldo , das defesas mágicas de Yashin, Buffon ou Preud’homme que tudo isso representa
o melhor que o futebol tem em termos de paixão e de espectáculo.
Não.
Falo do futebol no seu estado mais puro, das equipas que fazem do golo
a prioridade absoluta do seu jogo, daqueles desafios que ficam para a História
pela espectacularidade das exibições, pela alternância nos resultados, pelos
golos que selam o resultado final.
Todos aqueles que gostam do futebol dessa forma, que o sabem ver para
lá das simpatias clubísticas, que o reconhecem como um espectáculo incomparável
tiveram esta semana um momento sublime que devia ser de visualização
obrigatória para todos aqueles que querem aprender a gostar de futebol.
Refiro-me , como está bom de ver, a esse espantoso jogo entre
Liverpool e Arsenal a contar para a taça da liga inglesa, que teve em Anfield
Road um palco bem adequado , e terminou com um empate a cinco golos e que
depois os actuais campeões europeus venceram no desempate por grande
penalidades por 5-4.
Dez golos em noventa minutos de jogo é simplesmente fabuloso.
E para quem teve a oportunidade de ver o jogo, de assistir à
intensidade com que o mesmo se desenrolou, às constantes alternâncias no
marcador, aos golos espectaculares que se verificaram apenas se pode sentir
maravilhado com aquilo que o futebol às vezes nos proporciona e que de quando
em vez desperdiçamos ao sabor de clubites exacerbadas que cada vez devem ter
menos lugar.
Confesso que vitoriano que sou me sinto feliz, enquanto apreciador de
futebol, ao ver um jogo daqueles entre
duas equipas de que não sou adepto embora não negue uma velha e pequena
simpatia pelo Liverpool.
E ao contrário daquela frase, tão feita quanto oca, de chamar a um
jogo com vários golos um “jogo de loucos” como fazem alguns que preferem
repetir frases sem sentido ao invés de pensarem em produzir comentários
inteligentes a este jogo entre Liverpool e Arsenal apenas se pode e deve
chamar...Futebol!
Porque foi isso que ele foi!
E agradecer a Liverpool e Arsenal esse momento extraordinário que nos
proporcionaram.
P.S Se aos dez golos do jogo jogado acrescentarmos os nove das grandes
penalidades ainda mais razão termos para nos sentirmos felizes.
Porque as grandes penalidades nem são golos certos, mas sim e “apenas”
claras oportunidades de golo, nem são “lotaria” (como os adeptos das frases
feitas tanto gostam de dizer) mas sim exercício de competência.
E por isso também elas foram parte integrante desse grande
espectáculo.
Sugestão de Leitura
Neste mundo editorial em que todos os dias, e ainda bem, aparecem novos livros sabe bem de quando em vez regressar aos grandes clássicos da Literatura e deliciarmos.nos com os seus escritos verdadeiramente intemporais.
Honoré de Balzac é um deles.
E esta obra "Pequenas Misérias da Vida Conjugal" concilia o talento para a escrita com o poder de observação, a capacidade de ser suavemente irónico e um enorme sentido de humor que fazem da leitura das suas mais de duzentas páginas um "momento" de enorme prazer.
Escrito no século XIX mantém, ainda hoje, uma actualidade bem perceptível ao longo das suas páginas por onde perpassa um retrato da vida de um jovem casal desses tempos mas a que não faltará correspondência nos tempos actuais.
Muito bom.
Depois Falamos
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