sexta-feira, agosto 09, 2019

Liga 2019/2020

O meu artigo desta semana no zerozero.

Está prestes a terminar a longa provação dos amantes de futebol, a que nenhum jogo de preparação ou torneio de pré temporada consegue pôr termo, com o início de mais um campeonato no fim de semana que agora começa.
Depois de um defeso longo, embora este ano encurtado pela Liga das Nações de boa memória, está a chegar a prova rainha do nosso futebol com o entusiasmo, as paixões e as desilusões que todos os anos provoca nos muitos milhões de portugueses que sempre acompanham com entusiasmo a carreira das suas equipas.
Esta nova época não fugirá à regra.
E também à regra não fugirá o facto de num futebol com cada vez menos sabor a novidade os candidatos ao título serem Benfica e Porto, com o Sporting uma vez mais à espreita mas a ter de olhar para trás com muita atenção e os dois maiores clubes do Minho, Vitória  e Sporting de Braga, a perfilarem-se como os mais sérios candidatos a figurarem juntamente com os outros três clubes nos cinco primeiros lugares do campeonato.
Daí para baixo a luta será por uma posição tranquila e pela fuga à sempre desagradável descida de divisão.
Futebolisticamente falando creio que o Benfica é o principal candidato ao título.
É o campeão, perdeu Félix e Jonas (mas este já andava a meio gás há muito tempo) e não contratou grandes reforços mas Bruno Lage tem vindo a demonstrar uma capacidade e uma sensatez que permite aos encarnados entrarem na prova confiantes até porque tem uma fornada de jovens prometedores em busca de afirmação.
A supertaça com o Sporting, embora num cenário em que tudo lhe correu bem e tudo correu mal aos leões, foi exemplificativa disso.
O Porto, que na temporada passada chegou a ter sete pontos de avanço e parecia ter a Liga no “papo”, entra neste campeonato num cenário de alguma incerteza.
Saíram jogadores importantes (Felipe,Militão, Herrera, Brahimi) e outros menos importantes mas que davam solidez e soluçoes (Maxi, Hernâni, André Pereira) mas também entraram reforços em número significativo faltando agora saber como se vai processar o entrosamento num plantel que tem um treinador que não é conhecido pela paciência.
Quanto ao Sporting parece-me claro que não tem uma equipa ao nível dos outros.
E se Bruno Fernandes sair, cenário muito provável pese embora se ter frustrado a hipótese Inglaterra, então parece-me liquido que o Sporting apenas poderá ambicionar um para ele frustrante terceiro lugar e sempre atento aos dois maiores clubes minhotos.
Vitória e Braga entram na Liga sob perspectivas diferentes.
O Braga , que tem vindo a fazer épocas consecutivas de bons resultados e boas classificações, nunca escondeu o objectivo de subir patamares e disputar o título objectivo que francamente me parece continuar a não estar ao seu alcance na época que agora se inicia.
Poderá, isso sim, entrar na luta pelo terceiro lugar de forma aberta mas acima disso ainda não será em 2019/2020.
O Vitória ,a estrear novo presidente e nova sad, terá de olhar a Liga com o objectivo de sempre (conquista de um lugar europeu) mas consciente de que só em circunstâncias muito favoráveis poderá ambicionar mais que o quinto lugar e só em circunstâncias muito excepcionais poderá atingir mais que isso.
A equipa tem estado muito bem na pré temporada vencendo todos os jogos da Liga Europa e o jogo da Taça da Liga mas é evidente que ainda precisa de alguns reforços para poder sustentar ambições compatíveis com o seu historial e com o apoio que a sua massa adepta lhe dá em todos os jogos.
Todos os restantes clubes terão como sua ambição maior, salvo alguma agradável surpresa, fazerem um campeonato tranquilo e assegurarem a manutenção o mais rapidamente possível podo-se ao abrigos dos sobressaltos e angústias das últimas jornadas.
Role a bola que é o tempo dela.

P.S : A LPFP é que começa a época em muito má forma.
Depois de anunciar o fim dos jogos à segunda feira, excepto para equipas envolvidas em competições europeias, consente que logo na primeira jornada se dispute um Vitória Futebol Clube vs Tondela dois clubes que não estão na Europa.         .
E já agora é difícil de perceber que jogando o Vitória na Letónia numa quinta feira para a Liga Europa tenha visto o seu jogo da taça da liga disputar-se na segunda feira anterior e a sua estreia no campeonato marcada para a noite do domingo seguinte.
Aqui sim faria sentido o Rio Ave-Vitória ser na noite de segunda feira.
Mas a Liga anda muito distraída em relação a alguns clubes está visto.

segunda-feira, agosto 05, 2019

Esmagador

Vi, pela televisão, a final da supertaça da forma como gosto de ver futebol quando não é o Vitória a estar em campo; indiferente ao resultado e vendo o jogo pelo jogo, apreciando os lances, o desempenho colectivo das equipas e a labuta individual de cada jogador.
E desde já há que dizer que o triunfo do Benfica foi tão claro quanto justo premiando aquela que foi, de longe, a melhor equipa em campo ao longo de 90 minutos de delícia  para os benfiquistas e de puro horror para os sportinguistas.
E nada o fazia prever em bom rigor.
O Sporting,ainda com Bruno Fernandes, apresentou um onze muito próximo dos que utilizou na época passada (novidade foram Neto e Thierry Correia) o que dava garantia de rotinas e conhecimento de processos enquanto o Benfica estreava Nuno Tavares e  Raul Tomás mas, essencialmente, já não tinha Félix, Jonas e Salvio o que faz a sua diferença convenhamos.
E curiosamente o início do jogo até parecia confirmar um Sporting mais forte com três claras oportunidades de golo negadas de forma superior pelo guarda redes benfiquista que a entrarem teriam escrito outra história do jogo.
Mas não entraram.
E o Benfica, sempre com uma pressão alta que perturbou todas as tentativas leoninas de sair a jogar, foi tomando conta das operações e depois de chegar ao golo percebeu-se que o triunfo dificilmente lhe fugiria face a um Sporting cada vez mais desorientado e perdido no terreno.
E não fugiu.
Atingiu números raros para o velho dérbi mas que foram inteiramente justos e prenunciam um Benfica a entrar moralizado na Liga enquanto o Sporting vai ter muito que trabalhar (e contratar) se não quiser mais uma época de frustração em termos de título.
E num jogo de grande rivalidade, intenso mas geralmente correcto dentro das quatro linhas, o abraço final de Nuno Tavares a Thierry Correia (na foto acima) foi uma forma bonita de acabar o jogo e ,espera-se, de trazer pela via dos jovens jogadores uma nova fase no fair play desportivo em jogos deste género.
Depois Falamos

sexta-feira, agosto 02, 2019

Milhões

Ando há largas semanas, como todos os portugueses mesmo aqueles que ao assunto nada ligam, a ouvir falar de milhões e milhões que os clubes portugueses estão a encaixar com a venda de alguns dos seus jogadores.
Seria,aliás, impossível desconhecer o assunto tal o bombardeamento de que todos somos alvo por parte da comunicação social especialmente no que toca a um jovem transferido para Espanha e que desencadeou em seu torno uma completamente ridícula histeria comunicacional.
Naturalmente que como português fico muito satisfeito por entrarem no país essas enxurradas de milhões que tanto jeito darão à nossa economia e nem quero minimamente questionar, como o faz a dirigente socialista Ana Gomes, de que árvore das patacas cai dinheiro em quantidades tão insólitas face aos negócios em epigrafe.
Mas gostaria, como português, contribuinte e desportista de saber que percentagem desses milhões vai ser afectada à redução dos monstruosos passivos desses três clubes que estão na razão directa do fosso competitivo existente em Portugal entre eles e todos os restantes.
No futebol e nas outras modalidades.
Porque se a clubes como o Vitória, o Braga, o Moreirense, o Famalicão ou o Gil Vicente (para citar apenas os cinco primodivisionários do distrito de Braga) fosse permitido endividarem-se em centenas de milhões ,sem a preocupação de terem de os pagar em prazos comuns a qualquer devedor, não tenho dúvidas que qualquer um deles, para não dizer todos, ganhariam facilmente títulos no futebol e noutras modalidades e sempre precisarem dos "apoios" desta vida de que alguns usufruem desde sempre.
E nesta matéria, como noutras, é mais que tempo de exigir que a Lei seja igual para todos.
Depois Falamos