
terça-feira, agosto 09, 2016
segunda-feira, agosto 08, 2016
Denúncia

O desporto tem, como é sabido, uma importância que vai muito para lá dos resultados, das competições, dos recordes, das vitorias individuais e colectivas.
Funciona também como factor de aproximação de comunidades e países, de culturas e religiões, de regiões e continentes.
Mas não se esgota aí.
Funciona muitas vezes como factor de denúncia.
De regimes políticos, de injustiças e discriminações, de racismo e tantas outras formas de perseguição entre seres humanos que deviam ser iguais nos direitos e nos deveres.
E nesse aspecto em múltiplas ocasiões os Jogos Olímpicos tem sido muito importantes, face ao mediatismo global que encerram e ao significado de que se revestem, para que essas denúncias tenham um impacto que de outra forma nunca teriam.
Bastará recordar a importâncias das medalhas de ouro de Jesse Owens em Berlim 1936 ,pelo que elas significaram de humilhação para Hitler e o regime nazi, ou a denúncia nos Jogos do México em 1968 dos velocistas norte americanos John Carlos e Tommie Smith sobre o racismo que ainda se viva no seu país e que deu um impulso importante ao movimento pelos direitos cívicos.
No Rio 2016 impressionaram-me particularmente as imagens de um jogo de voleibol de praia entre Alemanha e Egipto em que as atletas egípcias envergavam equipamentos completos que apenas deixavam ver mãos e pés porque todo o restante corpo se encontrava completamente tapado face às imposições religiosas de uma religião,o islamismo, que continua a fazer das mulheres objecto de uma discriminação abjecta.
Seguramente que esse "equipamento" além de nada cómodo para a prática da modalidade ainda acarreta o desconforto de num clima quente e num desporto jogado ao ar livre sujeitar as atletas a um duro desconforto adicional.
E por isso espero que estas imagens, que correm mundo, façam mais pelos direitos das mulheres nalguns países árabes/islâmicos do que centenas de discursos bem intencionados mas cujo efeito tem sido pouco ou nenhum.
É verdade que tem existido algum progresso e a presença de mulheres em representação desses países, mesmo trajando estes equipamentos humilhantes, é um passo na direcção certa e representa o quebrar de algumas barreiras.
Mas é preciso a evolução se mais rápida e muito mais eficaz.
Para que no século 21 não haja quem continue a viver como na Idade Média.
Depois Falamos
sexta-feira, agosto 05, 2016
Largo dos Laranjais

O Largo dos Laranjais é um dos espaços urbanos mais bonitos de Guimarães mas é desconhecido de muita gente que na visita a lugares turisticamente mais mediáticos nem por lá passa.
E é pena.
Porque é um espaço realmente lindo.
Faz parte das minhas mais antigas memórias porque no tempo já remoto em que morava na rua de Gil Vicente, e frequentava o ciclo preparatório no convento de Santa Clara, era lugar de passagem diária a caminho e no regresso das aulas e também espaço para brincar e dar uns chutos na bola com os colegas.
Sobranceiro ao largo, no espaço onde durante muitos anos esteve a GNR, funcionava uma espécie da cantina do ciclo onde os alunos que não podiam ir a casa na hora de almoço (nesse tempo havia aulas de manhã e de tarde incluindo o sábado...) almoçavam e onde eu, de vez em quando, conseguia convencer a minha Mãe a deixar-me lá ir com os colegas.
Mais tarde ,já aluno do Liceu de Guimarães, continuei a fazer do largo ponto de passagem mas aí já sem chutos na bola ou brincadeiras com os colegas porque a idade era outra e os interesses também iam variando.
Mais tarde ainda também fiz do largo local de trabalho porque o meu Pai teve lá durante muitos anos (na casa de esquina que se vê na foto) um armazém de apoio aos estabelecimentos comerciais e nos anos que com ele trabalhei quase todos os dias tinha de lá ir.
Hoje os "Laranjais" tem pouco a ver com esses tempos.
Os espaços foram recuperados e valorizados, há estabelecimentos de restauração a lá funcionarem, insere-se na perfeição no centro histórico de Guimarães Património Mundial.
Continua a ser um recanto escondido, depositário de excelentes memórias e histórias, e seguramente um espaço que merece ser conhecido.
Depois Falamos
quinta-feira, agosto 04, 2016
Desavergonhados!

Num país em que a qualidade dos agentes políticos fosse outra,para melhor, este caso ou não teria existido ou os neles envolvidos já teriam apresentado a respectiva demissão.
Ou sido exonerados por um primeiro-ministro que tivesse sentido de Estado!
Mas estamos em Portugal.
Onde a Galp convidou para irem de borla a Lyon ,assistir a um jogo da selecção, três secretários de estado.
O dos assuntos fiscais, e convém recordar que a Galp tem um contencioso fiscal com o Estado de cerca de 100 milhões de euros, o da indústria que tutela a área de negócio da empresa e o da internacionalização onde a Galp tem interesses óbvios pelo que a escolha dos convidados é tudo menos inocente.
Tudo razões para os secretários de estado não aceitarem o convite.
Mas aceitaram.
E por isso cada dia que continuem em funções é mais um dia a contribuir para o descrédito de um governo que já não é nada famoso pela sua credibilidade.
Há muitos anos atrás o então primeiro-ministro Cavaco Silva demitiu o então ministro Carlos Borrego por este ter contado uma anedota sem piada.
Alguns anos depois o então ministro Jorge Coelho demitiu-se devido à queda de uma ponte em Entre os Rios na qual não tinha a mínima responsabilidade como é perfeitamente evidente.
Tempos em que o sentido de Estado e o assumir de responsabilidade política não eram palavras vãs!
Mas hoje vivemos no tempo da Geringonça.
E dada a forma como assaltaram o poder é evidente que o termo vergonha não faz parte do seu léxico político.
Pelo que os secretários de estado vão continuar em funções perante o silêncio de um primeiro-ministro que subitamente parece ter desaparecido de circulação como lhe é típico quando as coisas correm mal.
Depois Falamos
P.S. É um assunto com contornos muito diferentes mas também não gostei de saber que deputados do PSD foram a França a convite da Olivedesportos.
Há misturas que são de evitar!
E aqui cabe o elogio ao presidente do PSD,Passos Coelho, e ao secretário geral,Matos Rosa, que também lá estiveram mas a expensas totalmente suas.
Limitação de Mandatos

Em Portugal existe desde o advento da democracia a limitação de mandatos para o exercício do cargo de Presidente da República.
Se merecer a confiança do eleitorado para tal cada Presidente pode cumprir apenas dois mandatos de cinco anos pelo que após o segundo não poderá candidatar-se pela terceira vez.
Posteriormente decidiu-se que devia ser aplicada também uma limitação de mandatos aos presidentes de câmara e junta de freguesia para evitar que alguns deles (os chamados "dinossauros") se eternizassem nos cargos.
É contudo uma lei imperfeita.
Deixando de lado uma questão que não é menor (a de essa "eternização" resultar da vontade do povo expressa em votos) a verdade é que a lei limita os presidentes a três mandatos mas não impede que os vereadores e os membros do executivo das freguesias possam fazer quantos mandatos quiserem.
Nem impede, sequer, que um presidente de câmara após três mandatos concorrra a um quarto como vereador.
É uma lei que merece aperfeiçoamento.
Mas a democracia, do meu ponto de vista,deve ir mais longe nesta matéria de limitar mandatos.
Não só incluindo vereadores e membros de executivos de freguesia mas também sendo alargado a outros titulares de cargos públicos quer eleitos por votação universal que resultantes de outro tipo de eleições.
Desde logo os deputados à Assembleia da República.
Que após um máximo de três mandatos completos deviam regressar ás suas profissões porque ser deputado é um serviço e não um emprego.
Mas também os dirigentes sindicais.
Porque também o sindicalismo não pode ser modo de vida para quem não quer trabalhar e fazer dele profissão como alguns casos que todos conhecemos de dirigentes sindicais que estão nos cargos há dezenas de anos.
E devia ainda ir mais longe.
A todas aquelas instituições que sendo consideradas de "interesse público" ,como federações e clubes desportivos, e portanto beneficiando de apoios do Estado teriam óbvias vantagens na renovação periódica dos seus dirigentes.
Acho que é um debate que vale a pena fazer.
Porque a questão central é a renovação dos quadros dirigentes, o impedir a instalação de vícios e rotinas, o criar oportunidades para mais pessoas e, essencialmente, o aprofundar a qualidade da democracia.
Depois Falamos.
P.S. O PSD, e muito bem, há muitos anos que instaurou a limitação de mandatos para presidentes de distritais e concelhias. Mas também aí é preciso ir mais longe.
quarta-feira, agosto 03, 2016
terça-feira, agosto 02, 2016
Uma História com Pimenta
Cartoon de Miguel Salazar
O mês de Agosto é sempre propicio, dado haver mais tempo, para recordar velhas histórias e contar aqui no blogue episódios de que me vou recordando relacionados com o tempo em que integrei orgãos sociais do Vitória.
O mês de Agosto é sempre propicio, dado haver mais tempo, para recordar velhas histórias e contar aqui no blogue episódios de que me vou recordando relacionados com o tempo em que integrei orgãos sociais do Vitória.
A que vou contar a seguir tem 14 anos mas recordo-me bem porque significou a minha primeira ida à televisão.
Num sábado de Março o Vitória recebia o Benfica e pese embora o clube de Lisboa ter vencido folgadamente (1-4) há uma enorme história em volta desse jogo que ajuda a explicar o resultado e muita coisa mais.
O SLB fez o 1-0 num lance polémico (como tantos outros a favorecerem essa agremiação) e no sururu resultante em plena área vitoriana um jogador deles (Simão Sabrosa) resolveu provocar alguns jogadores vitorianos entre os quais Romeu que resolveu o assunto aplicando-lhe uma certeira cabeçada.
No meio da confusão o trio de arbitragem não viu mas o quarto árbitro, alertado pelo banco lisboeta, fez aquilo que a FIFA expressamente proibia e recorreu aos audiovisiuais como meio auxiliar de arbitragem. Ou seja, foi a uma câmara da RTP ver a repetição da jogada e sinalizou ao árbitro a agressão e este prontamente expulsou Romeu!
Infringindo leis e regulamentos, contrariando as orientações da FIFA, mas importava era favorecer os que são sempre favorecidos.
Na segunda parte o Vitória ainda chegou ao 1-1- mas no ultimo quarto de hora o SLB fez três golos (um de penalti) e lá ganhou.
Ao tempo eu era deputado e secretário-geral do Vitória pelo que aproveitava os fins de semana e os tempos livres à segunda feira para tratar dos assuntos que me competiam no clube.
Na segunda feira a seguir ao jogo chegado à sede do Vitória fui falar com Pimenta Machado que estava no seu gabinete em acesa discussão telefónica com o jornalista Bessa Tavares, ao tempo responsável pelo desporto na RTP, exigindo que no programa desportivo dessa noite no Canal 1 (creio que se chamava "O Dia Seguinte") o Vitória estivesse representado para poder denunciar a fraude cometida pela arbitragem no jogo com o Benfica.
Nesse tempo já haviam paineis como agora só que eram nos canais generalistas e tinham portanto uma audiência consideravelmente superior o que servia os propósito de Pimenta (e do Vitória) em fazer o máximo escândalo possível.
O jornalista bem argumentava que no painel só tinham lugar benfica, porto e sporting (há coisas que não mudam...) e nunca outro clube tinha tido lá assento nem sequer a titulo excepcional como o Vitória queria.
Mas Pimenta estava intransigente.
E tanto argumentou,com uns berros à mistura, que o jornalista acabou por pedir uns minutos para consultar as chefias.
Passados uns vinte minutos devolveu a chamada comunicando que a titulo excepcional, e face ao insólito do que se tinha passado, o Vitória poderia estar no programa dessa noite e pedindo a Pimenta Machado para estar nos estúdios da 5 de Outubro por volta das 22.00 h.
O que ele foi dizer...
Então é que Pimenta berrou mesmo dizendo que não era a RTP que escolhia quem representava o Vitória no programa e que o representante do Vitória seria o secretário-geral (ou seja...eu) e que não admitia sequer outra hipótese.
O "pobre" do jornalista lá pediu mais uns minutos, suponho que para investigarem quem era o secretário-geral, após o que voltou a ligar dizendo que sim senhor aceitavam que fosse o secretário-geral a estar no programa.
Acredito que o facto de ao tempo ser deputado na Assembleia da República deve-os ter tranquilizado quanto ao comportamento que adoptaria em estúdio afastando o receio de algum arremesso de cadeiras ou agressões a comentadores...
E assim foi.
Combinada a estratégia para o programa com o Presidente a meio da tarde lá me meti no carro e fui para Lisboa rumo à minha primeira experiência televisiva.
Recordo que mantive um aceso, mas cordial, debate com Manuel Damásio que era o comentador do Benfica perante o ar divertido do portista Pôncio Monteiro e do sportinguista Eduardo Barroso todos eles admirados por verem um "intruso" de outro clube no "seu" (deles) programa.
E creio, sem falsas modéstias, que soube defender a posição do Vitória e denunciar os favores da arbitragem ao clube de Lisboa.
Como já disse foi a primeira vez que entrei num estúdio de televisão (ainda vinham longe os tempos do Porto Canal) e para mim foi gratificante fazê-lo na defesa dos interesses do Vitória e podendo denunciar o "sistema" de viciação de resultados que retira verdade desportiva ao futebol.
Foi há muito tempo...
E num tempo diferente em muita coisa...
Depois Falamos
segunda-feira, agosto 01, 2016
Pobre Liga

Tenho pena de não conseguir levar a sério a Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
Mas não consigo.
Porque é ela própria que contribui para o descrédito que a rodeia e por tabela atinge as competições de sua organização como é o casos dos dois campeonatos profissionais de futebol.
Organiza competições com sorteios feitos à medida de três clubes consagrando o principio dos "filhos e enteados".
Permite que alguns clubes, à sua vontade, tenham um estádio para receber a maioria dos "enteados" e outro para receber os "filhos" conforme o interesse destes.
Tem uma competição-Taça da Liga- feita à medida do interesse de alguns clubes o que está bem expresso no facto de em nove edições sete delas terem sido vencidas pelo "filho pródigo".
Não conseguiu, mas aí a culpa é mais dos clubes que da sua direcção, ter o acto de decência de reintegrar de imediato o Gil Vicente na 1ª divisão na sequência de uma decisão judicial que só pecou por tardia.
Falhou rotundamente na negociação centralizada dos direitos televisivos que era aquela que garantia uma distribuição justa das verbas e permitia um aumento da competitividade do nosso futebol.
São muitas, infelizmente, as razões para a LPFP não poder ser levada a sério.
As atrás apontadas e outras quem nem cito para não ser fastidioso.
Mas há uma que não consigo entender mesmo por mais que reflicta no assunto; porque razão a Liga encerra o mercado de transferências apenas duas semanas após o início do campeonato e não no dia em que este começa?
Não faz sentido nenhum, não defende o interesse dos clubes nem do nosso futebol, apenas serve para destabilizar jogadores e planteis, complicar a vida aos treinadores e dar dinheiro a ganhar aos empresários.
Seria tão simples definir que no momento em que o campeonato começasse as transferências fechavam até à "janela" de Janeiro.
Até porque noutros tempos já foi assim quando os campeonatos eram organizados pela FPF e nem existia Liga.
Mas no futebol português nada é simples.
"Eles" lá sabem porquê!
Depois Falamos.
Sugestão de Leitura
As descobertas portuguesas, e muito especialmente as conquistas no Oriente , vistas pelo olhar de um historiador especialista no estudo dos grandes impérios marítimos europeus.
Nesta obra conta-nos como Portugal construiu o seu império tornando-se a primeira potência à escala mundial ,o seu contributo para dar "novos mundos ao mundo" e a criação de uma economia global por força das grandes transformações que a chegada dos portugueses à Índia implicou.
Nas suas páginas passam algumas das maiores figuras portuguesas dessa época como os reis D. João II e D. Manuel I, os navegadores Vasco da Gama , Bartolomeu Dias e Pedro Álvares Cabral e os vice reis da Índia Francisco de Almeida e Afonso de Albuquerque entre outras que todos conhecemos.
É uma visão desapaixonada,embora admirativa, de alguém que estudou o extraordinário fenómeno de um pequeno, pobre e periférico país conseguir por em movimento forças extraordinárias que dariam origem à globalização como hoje a conhecemos.
A conquista de Goa (que foi portuguesa durante mais de 400 anos), a chegada a Malaca, a subida do mar Vermelho, a transformação do Índico num "mar português", a política de alianças na costa oriental de África e no oeste do continente indiano, as guerras travadas e algumas atrocidades cometidas tudo isso transforma a leitura deste livro em algo que prende da primeira à ultima página.
De certa forma é a possibilidade de ler sobre uma fase importante da nossa História vista sobre a perspectiva de um autor estrangeiro.
Muito bom!
Depois Falamos
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